quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Maricá, a cidade do passe livre



Carta Capital

A catraca, símbolo maior da cobrança de tarifa no transporte público brasileiro, continua lá para registrar o número de passageiros. Mas a cadeira do cobrador agora está vazia. Ninguém precisa pagar mais. É assim desde 18 de dezembro do ano passado em Maricá, município fluminense na Região dos Lagos. Há pouco mais de um mês, a prefeitura local fundou a Empresa Pública de Transportes (EPT) e instituiu o passe livre para todos. O objetivo, o prefeito Washington Quaquá (PT-RJ) admite, é “quebrar o monopólio” das empresas que detêm o serviço há pelo menos 25 anos na cidade.
Primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a oferecer ônibus gratuito, Maricá é palco de uma verdadeira queda de braço entre o poder público e os empresários de transporte. Isso porque a implantação da tarifa zero se deu ao mesmo tempo em que as duas empresas privadas de transportes da cidade continuam tendo concessão para operar com cobrança de passagem. Por isso, desde o fim do ano passado, os usuários têm à disposição tanto os ônibus que cobram tarifa, com valor mínimo de 2,70 reais, quanto os gratuitos, da Prefeitura de Maricá, sendo que ambos fazem trajetos semelhantes.
“Nós estamos quebrando um monopólio de uma família sobre um setor econômico da cidade”, afirma o prefeito ao citar a maior empresa da região, a Viação Nossa Senhora do Amparo, que há mais de 40 anos controla tanto o transporte municipal como o intermunicipal. A outra empresa é a Costa Leste que, apesar de menor, já possui concessão há 25 anos. Quaquá não esconde que a sua briga é mesmo com a Viação Amparo. “Eles eram os donos da cidade. Quando eu saí de uma favela de Niterói com nove anos de idade e vim morar aqui, eles eram os coronéis. Mandavam, desmandavam, matavam, só não faziam viver”, acusa o petista. “Eles financiaram meus adversários. Então, a primeira vez que um prefeito rompeu com o monopólio deles foi quando ganhei a eleição. (…) Já era para eles”, diz sem hesitar.
No cargo desde 2008, Quaquá é um dos fundadores do PT na cidade e o atual presidente estadual do partido no Rio de Janeiro. Conhecido por ser de uma corrente mais à esquerda, Quaquá fez parte da sua campanha eleitoral focando na disputa com os empresários do transporte. “Maricá é bonita demais para ser controlada por uma empresa de ônibus”, dizia o slogan político. “Essa Constituição estabelece que transporte é serviço público que pode, pode [repete] ser concedido. A lógica de Maricá é a seguinte: o serviço será público e gratuito”, garante.
Após conquistar a reeleição, Quaquá colocou a proposta em prática. Impossibilitado de romper os contratos de concessão com as duas empresas de transporte da cidade, já que ambos foram renovados em 2005, com duração até 2020, o prefeito começou os estudos para criar uma empresa com tarifa popular. O objetivo era iniciar a operação com passagem em torno dedois reais para, progressivamente, reduzir até a tarifa zero. Mas a ideia esbarrou em entraves jurídicos. A solução foi fundar uma autarquia municipal e implantar a tarifa zero desde o início.
Depois da criação da autarquia, a prefeitura investiu aproximadamente 5 milhões de reais, comprou dez ônibus e contratou 29 motoristas por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. No total, a EPT já tem 90 funcionários, que trabalham exclusivamente para o funcionamento das quatro linhas de ônibus. Os veículos atendem do bairro Recanto à Ponta Negra, nas extremidades do município, 24 horas por dia e nos finais de semana. Todos os veículos comprados pela cidade têm ar condicionado e elevador para deficientes físicos nas portas.
“Nós vamos comprar mais 20 ônibus, provavelmente ônibus elétricos, sem emissão de carbono, que funcione a energia solar”, explica Quaquá. Os recursos para manter todo esse sistema são provenientes da verba que o município tem direito em função dos royalties do petróleo. No ano passado, por exemplo, Maricá recebeu repasses que totalizaram 220 milhões de reais, segundo o Portal da Transparência da cidade.
Em um mês de funcionamento, com os dez ônibus, a operação custou aproximadamente 700 mil reais, mas a ideia é que o gasto suba para 1,5 milhão de reais por mês, quando a empresa tiver capacidade de concorrer com as empresas privadas. Isso porque o objetivo é que Maricá tenha autonomia para garantir o transporte dos moradores independentemente de concessão.
O plano de Quaquá provocou uma reação imediata dos empresários. Menos de dez dias depois de os ônibus começarem a circular pelas ruas de Maricá, as empresas deram entrada em uma liminar na 5ª Vara Civil da Comarca de São Gonçalo para impedir o funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT). O pedido não foi aceito pela Justiça.


Em guerra declarada, Maricá usa ônibus gratuito (vermelho) contra empresas de ônibus, que 
cobram 2,70 reais de tarifa

Os empresários reclamam pois a prefeitura não paga o subsídio previsto em contrato desde que Quaquá assumiu o cargo, há sete anos. Pelo documento, as empresas Costa Leste e Viação Amparou devem receber da Prefeitura de Maricá o valor da passagem de cada usuário com direito à gratuidade (estimado em 120 mil pela Costa Leste), como idosos e estudantes de escola pública. “Não pago nada”, diz o petista. “Esses dias eu vi que eles estão cobrando na Justiça 13 milhões de reais. Você imagina: com esse dinheiro eu garanto dois anos de empresa gratuita para todos. Eles estão acostumados com poder público que não controla, não fiscaliza. Agora nós temos a planilha e estamos abrindo a planilha”, enfatiza.
Além da guerra judicial, o prefeito ainda aprovou no ano passado uma lei que mudava o nome da rodoviária da cidade. Até então, o local era conhecido como Terminal Rodoviário Jacintho Luiz Caetano, em referência justamente ao nome do fundador da Viação Amparo. Quaquá renomeou o local para “Terminal Rodoviário do Povo de Maricá”. O busto de Caetano que ficava na entrada do terminal ainda foi removido e devolvido para a família.
CartaCapital acompanhou por dois dias o funcionamento e a circulação dos ônibus gratuitos da cidade. Apesar de ter anunciado ônibus de 20 em 20 minutos, os dez veículos da Prefeitura de Maricá que estão em circulação ainda não conseguem cumprir a mesma pontualidade das empresas privadas, todos os dias. Quando alguns motoristas estão de folga, o tempo de espera pode levar de 40 minutos a uma hora.
“Gratuito é bom para o povo, né. Acho que tinha que ter mais [ônibus]. Por um lado é gratuito, mas, por outro, a gente tem que ficar esperando meia hora, 40 minutos”, alerta o segurança Diego Silva, de 27 anos.
A explicação, segundo o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, é o tamanho da cidade. Apesar de ter aproximadamente 127 mil habitantes, Maricá tem uma extensão de 363 quilômetros quadrados. O município é maior, por exemplo, do que cidades como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com uma população de mais de 1,2 milhão de pessoas. E o dobro do tamanho da vizinha Niterói (RJ), que tem quase 500 mil habitantes. Por conta disso, os ônibus gastam aproximadamente 1h30 para fazer todo o percurso e voltar para a rodoviária da cidade. Segundo Santos, a tendência é que a circulação se normalize com a chegada dos novos ônibus.
Mas, mesmo com a demora em alguns dias da semana, os usuários fazem fila para esperar o “Vermelhinho”, como já ficou conhecido o ônibus gratuito em função de sua cor (os ônibus da Costa Leste e da Viação Amparo são pintados em tons de azul). Na última terça-feira 27, por exemplo, a reportagem contou 27 pessoas à espera de uma linha sentido Ponta Negra, a área turística da cidade, e outras 21 pessoas na fila para embarcar para o bairro de Itaipuaçu, por volta das 15h, na rodoviária. No mesmo horário, o ônibus da Costa Leste que faz trajeto parecido e cobra 2,70 reais aguardava vazio o embarque de passageiros. A Costa Leste admitiu que a medida vem tendo “grande impacto” no número de usuários do sistema, mas não deu mais informações. A Viação Amparo não retornou os pedidos de entrevista da reportagem.
Enquanto usuários fazem fila para usar o ônibus gratuito (vermelho), veículo da empresa Costa Leste (azul) aguarda por passageiros na rodoviária (Foto: Renan Truffi)
“Para a gente foi muito útil, as passagens aqui em Maricá são muito caras. Para um trecho curtinho, você já paga três reais para ir e três reais para voltar. Por exemplo, um casal e duas crianças, você já vai pagar um preço absurdo. Tem família aqui que não conseguia ir à praia porque não tinha condições de pagar um ônibus. Com esse dinheiro já dá para comprar um pão, ou um leite para as crianças”, conta a dona de casa Marilza Marques, de 63 anos, durante uma das viagens.
Desde que começou a operar, em pouco mais de um mês, os ônibus gratuitos já transportaram mais de 200 mil passageiros. A Prefeitura de Maricá estima que já esteja atendendo 70% da população. A gratuidade fez até com que moradores de cidades vizinhas pudessem começar a frequentar as praias de Maricá. “Onde a gente mora é supertranquilo. Agora começou a vir um povo de São Gonçalo para as praias. Eles não consomem nada. O pessoal do quiosque reclama também”, critica uma professora que não quis se identificar, enquanto espera o ônibus gratuito.
A Prefeitura espera ainda que o dinheiro, antes aplicado na passagem, comece a ser injetado no comércio da região. Como o ônibus funciona também de madrugada, as lojas próximas à rodoviária passaram a estender o horário de atendimento. “É um retorno que a prefeitura vem dando para o povo. O povo não ganha nunca nada. Agora tem ar condicionado, serviço de qualidade”, conta o empresário Luiz Carlos Souza. “Eu estou economizando esse dinheiro para fazer um sacolão”.
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Dilma já tem porta-voz. Use e abuse !


A sorte da Dilma é que o Mercadante detesta passar informação em off à Falha e à Globo !

Quando Lula levou o ministro Franklin Martins para a SECOM, o Conversa Afiadalamentou que Lula o tivesse guardado no gabinete e, não, na tarefa de porta-voz.
Franklin tinha na bagagem uma brilhante carreira de comentarista político na Globo e na Band e poderia exercer a função que os porta-vozes exercem na Casa Branca e em todos os países de Democracia madura – especialmente no Hemisfério Norte.
O porta-voz na Casa Branca só não é mais relevante, do ponto de vista político, do que o ministro da Defesa e do Exterior.
Não costuma ser ninguém de televisão, como Franklin foi.
Basta ser, de preferência, um jornalista que tenha acesso ao Presidente, dê informações absolutamente verdadeiras (ainda que incompletas, às vezes) – ele não pode jogar os correspondentes na Casa Branca em fria – e se submeta à batalha feroz de dois brifiengs diários.
Um no fim da manhã e outro na fim da tarde.
Para atender ao dead-line dos jornalistas, especialmente dos telejornais da noite.
Lula preferiu ser ele mesmo seu porta-voz, ao se submeter à jabuticaba brasileira, o quebra-queixo: aquele milhão de microfones que entram pela goela das autoridades, irritam, intimidam e levam a que digam bobagem.
Mas, o Lula tem um afiado poder de comunicação que irrita, sobretudo, o Fernando Henrique, que coleciona advogados “tecnicamente” a favor do impeachment.
Dilma é diferente.
Ela não é uma “comunicadora”.
E deveria se poupar para “grandes” eventos de comunicação.
Por exemplo, entrar em rede nacional cada 30 dias, para por os pingos nos “i” e desmentir o PiG.
E dizer o que está fazendo.
(Não precisa esperar até agosto de 2018 para mostrar o que fez … Não há João Santana que faça o mesmo milagre duas vezes …)
Mas, nenhum Governo – nem o Dilma-I – precisa tanto de se comunicar quanto o dela, agora.
Além da Ley de Medios – que deve ser a prioridade número um e EXCLUSIVA do Ministro Berzoini, para não vir a ser bernardizado – o Governo Dilma precisa se explicar.
Não apenas em benefício próprio.
Mas, em benefício da DEMOCRACIA, dos seus eleitores, da sociedade.
Um Governo democrático tem que se mostrar.
Expor-se, defender-se, nortear, persuadir – e apanhar !
Governo que não precisa se mostrar é o da Coreia do Norte – e mesmo assim …
Fernando Henrique – bom comunicador para o PiG e as elites que leram Max Weber – levou o Brasil no bico, até quebrar logo depois da reeleição…
Ele também não precisou de porta-voz, embora tivesse ali, na batalha diária, um embaixador sereno e educado – e bem informado ! -, Sergio Amaral.
Dilma já tem seu porta-voz.
É o jornalista Thomas Traumann.
Ministro da SECOM, ele deveria acumular, no mínimo uma vez por dia (no briefing do fim da tarde), a função de porta-voz.
Traumann tem experiência de Brasília.
De PiG.
É culto, educado, sereno – e bem informado !
E conhece o metier de jornalista.
Sabe escrever !
Fez alguns dos melhores discursos da Dilma.
Deveria falar pela Dilma.
Todo dia !
Ao vivo, pela NBR, pelos blogs, no PiG.
E evitar que no Palácio do Planalto se crie uma fonte suspeita e poluída de informações em off, que só fazem desorganizar o Governo, atormentar a imprensa – e desservir a Democracia.
O Palácio do Planalto, sem a uma figura forte de um porta-voz, corre o risco de se tornar o Palácio do Planalto do Sarney e dos governos militares.
Virar uma quitanda de informações em off.
Com verduras do dia e da semana passada, por baixo…
Informações que não se confirmam !
E pelas quais não há responsáveis !
E muitos beneficiários !
No caso dos governos militares, beneficiam-se o Golbery, seus conspícuos secretários e os jornalistas que neles se banhavam.
No Governo Sarney vazava do Jorginho Murad ao Saulo Ramos, Consultor Geral da República !
E pelo General Ivan Mendes, da Casa Militar !
Era como a PF do !
Quem menos dava informação era o Fernando Cesar Mesquita, da Imprensa do Presidente.
Além do próprio Presidente Sarney, que, pessoalmente, dava “furos”, em off, ao Roberto Marinho !
A Casa Civil do Ministro Mercadante, que, como se sabe, detesta dar informação em off – especialmente detesta passar notícias não confirmadas à Fel-lha e à Globo ! – poderia ajudar a Presidenta a concentrar a comunicação oficial, institucional, do Palácio, no Traumann.
Impor sua incontestável autoridade ao Palácio e decretar: só quem dá informação aqui é o Traumann.
Não adianta a Natureza Viva ou a Cristiana Globo ligarem.
Encaminhar tudo ao Traumann !, diria o Mercadante, munido do chicote de gestor palaciano.
Todos ganhariam.
A Presidenta, o distinto público e o Ministro Mercadante !
Em tempo: breve se falará, aqui neste blog, que não vive de offs palaciais, de outra função muito importante do Ministro Traumann: assumir a publicidade do Governo !

Paulo Henrique Amorim
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Está em curso uma tentativa de golpe?


Dia do golpe de 64

por : Paulo Nogueira

Está em curso um golpe? Ou, mais precisamente, uma tentativa de golpe?
Sim.
A direita brasileira faz sempre isso. Ou tenta fazer.
Não se pode alegar surpresa. 1954 foi assim. 1964 foi assim.
É sempre assim.
Quando imagina que velhas mamatas e privilégios estão em risco, a direita brasileira – uma das mais 
predadoras do universo — parte para o golpe.
Isso, ao longo da história, se provou mais fácil do que o penoso caminho das urnas.
Mudam as circunstâncias. Em 1954, você tinha a voz de Carlos Lacerda, o Corvo, símbolo da 
imprensa reacionária nacional.
Você tinha também militares formados sob a égide da Guerra Fria, visceralmente conservadores – e 
loucos para sair das casernas.
Em 1964, você tinha, fora Lacerda e os militares, os Estados Unidos, ávidos por consolidar países 
como o Brasil como seu quintal.
Em 2015, não existe mais Lacerda, não existem mais militares depois do fracasso espetacular da 
ditadura, não existem mais tropas americanas dispostas a assegurar a vitória dos golpistas num eventual 
confronto no Brasil.
Mas existem duas coisas. Uma é velho hábito da direita de tirar da frente qualquer ameaça à sua abjeta 
hegemonia política e econômica.
E a outra são novas formas de fazer o que sempre gostaram de fazer. O nome da arma, agora, é 
impeachment.
Você – a direita — venezueliza o país: cria uma situação de polarização extrema. Promove, pela mídia, 
uma lavagem cerebral na opinião pública. E depois instala um processo de impeachment no Congresso.
A fórmula foi testada, com sucesso, no Paraguai. Mesmo no Brasil funcionou para derrubar Collor.
É o que está ocorrendo?
Dura questão. Mas você conhece a história do elefante. Você não sabe se é mesmo um elefante o que 
avistou. Mas tem trompa de elefante, orelhas de elefante, peso de elefante, patas de elefante, andar de 
elefante.
Em 1954 era um elefante, em 1964 também e agora cada um dê seu palpite.
Este expediente não foi usado contra Lula, no Mensalão, por medo, por covardia. Havia o receio de 
que as forças sociais petistas – sindicatos, UNE etc – paralisassem o país.
O tempo passou, e hoje a direita parece descrer do poder de mobilização social do PT.
Nos protestos de 2013, a Maré Vermelha do PT foi um fiasco diante da capacidade de aglutinação de 
grupos como o Passe Livre.
É dentro desse quadro que a direita se anima agora. A militância petista parece, para muitos, gorda, 
envelhecida e de alguma forma deslocada no tempo.
Hora, portanto, de fazer o que sempre foi feito: apear a esquerda, ou aquilo que um dia foi esquerda.
O desfecho só não será o clássico caso as forças sociais petistas demonstrem claramente que não estão 
gordas, envelhecidas e deslocadas no tempo.
Que ainda pulsam. Que ainda vivem. Que são capazes de defender a democracia e o voto de 54 
milhões de brasileiros.
Há um lugar, um único lugar, para mostrar que uma eventual tentativa de golpe receberia a devida 
resposta: as ruas.
As ruas têm que gritar para eles: sem aventuras, amigos, sem aventuras.
Se este grito não for dado, 2015 pode repetir 1954 e 1964, por outros meios mas com os mesmos 
ingredientes.
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O FIM DO LULISMO ?



Luis Nassif


O professor da USP (Universidade de São Paulo) constatou que praticamente nenhum aluno tem a 
mais remota referência sobre a ditadura, as diretas, os comícios da Vila Euclides, o impeachment de 
Collor, o plano Real.
Ontem participei da Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes). A pauta está a léguas de 
distâncias dos embates PT x PSDB. Nos anos 60, os temas nacionais eram a seca do nordeste, a 
alfabetização dos adultos, conduzidos por lideranças que, a partir de São Paulo e Rio, tentavam 
comandar o mundo.
Hoje em dia, a inclusão de minorias, a integração e a diversidade cultural, o "empoderamento" (termo 
preferido) das políticas públicas, a democratização das mídias, a conquista dos espaços públicos 
tornaram-se bandeiras. Cada grupo é protagonista de si mesmo. Não se aceitam mais as lideranças 
providenciais.
***
Quando se sai do mundo virtual da mídia e da política tradicional e se mergulha nos diversos 
segmentos sociais, constata-se que fechou-se um ciclo, brilhantemente iniciado pela Constituição de 
1988 e brilhantemente concluído com o lulismo e a inclusão de 40 milhões de pessoas no mercado.
Foi o fecho de uma corrida inesquecível, que sepultou a ditadura, libertou o país da pesadíssima 
burocratização do regime militar, inaugurou a democracia, descobriu a democracia social, venceu a 
inflação e, pela primeira vez na história, atacou de frente o desafio de reduzir a desigualdade social.
É um período que entra para a história, no qual os protagonistas foram políticos como Ulisses, 
Tancredo, Covas, FHC, Lula, Dilma, empresários como Antonio Ermírio, Jorge Gerdau, Rolim 
Amaro, lideranças populares como João Pedro Stédile, sindicalistas como Vicentinho, Marinho, 
alemão, economistas, jornalistas, cada qual dando sua contribuição.
Mas esse ciclo acabou, tornou-se página da história, deixando plantadas novas virtudes políticas, 
mantendo velhos vícios, promovendo avanços inacreditáveis e paralisias chocantes, mas acabou. 
Repetindo a-c-a-b-o-u.
***
A nova política terá que se refazer em cima de novos valores, novos mitos e novos perfis de liderança.
Em seminário do ano passado, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo 
Lewandowski deu uma aula magistral sobre a "era dos direitos".
Ao longo da história, os direitos foram sendo aceitos lentamente no Brasil. Sabe-se lá se a herança 
escravagista, cartorial e outras pragas que, plantadas em tempos imemoriais, amarraram o florescimento 
do país como ervas daninhas sugando a árvore que se faz lentamente.
A herança maldita continua incólume, na cobertura anacrônica dos jornais, no preconceito e na 
intolerância que afloram nas redes sociais, na aridez dos partidos políticos. Mas são vagidos de fim de 
ciclo.
De repente, tudo fica velhíssimo, a erudição superficial de FHC, o racionalismo raso de Dilma, o rosto 
agourento de Serra, a sombra diluída de Lula.
O que virá pela frente, sabe-se lá. O novo está sendo precedido por terremotos, falta de rumos dos 
quais emergirão os Eduardos Cunhas e Renans. Mas o novo está vindo com toda força.
A caixa de Pandora da democratização está definitivamente escancarada.
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ADVOGADO DA MÚMIA DE HIGIENOPOLIS ENCOMENDOU O IMPEACHMENT


Teoria do sangramento já era …

Informa a Falha, em reportagem de Mario Cesar Carvalho, que o advogado José de Oliveira Costa, 
ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso e integra o Conselho do iFHC.
Costa confirma que é advogado de FHC, mas assegura que não tem nenhuma ligação com o PSDB.
(O que não significa absolutamente nada: não precisa ser ligado ao PSDB para se inspirar nas ideias 
correntes no iFHC …)
Já o Príncipe da Privataria deu, a propósito, uma magistral resposta à Fel-lha:
“NESTE MOMENTO (ênfase minha – PHA) o impeachment não é matéria de interesse político”.
Neste momento !
O momento está próximo.
Como diz o Padim Pade Cerra, discípulo, confidente e parceiro de tertúlias com o Serjão – leia aqui o 
…) como Jango e Janio.

Paulo Henrique Amorim
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A estratégia de recuperação da Petrobras




De um especialista em recuperação de empresas:

1. Separar o presente do passado. Montar um task-force para o passado e permitir os diretores de cuidar do presente.

2. Resolver as pendências do balanço. Forçar a Price a dizer o que quer, negociar e obedecer.

3. Separar a gestão de ativos não essenciais em uma Pessoa Jurídica diferente e operá-los como ativos à venda.

4. Motivar a média gerência. Sob nova direção, há um enorme grupo de gestores capacitados a levantar os resultados da companhia.

5. Enviar para dentro e para fora indicações fortes de austeridade.
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Anastasia nas mãos do STF. Se cair com o Gilmar …


Terá Moro peito de peitar o Eduardo Cunha ?

Agência PT de Notícias

Senador tucano é citado na Operação Lava Jato, acusado de receber propina. Por ser parlamentar, ele 
tem direito a foro privilegiado
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato na primeira instância, 
afirmou, na segunda-feira (2), que enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) os depoimentos que 
envolvem o ex-governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), no recebimento de propinas 
no esquema de corrupção.
Agora senador, Anastasia é citado como beneficiário de propinas em depoimento de um policial 
federal que tinha o papel de entregar dinheiro enviado pelo doleiro Alberto Yousseff.
Reportagem publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, no dia 8 de janeiro, afirma que o policial 
federal Jayme Alves de Oliveira Filho (codinome “Careca”) teria entregado a Anastasia, em mãos, R$ 
1 milhão.
O envio do dinheiro teria sido feito quando o tucano se candidatou ao governo de Minas, em 2010. A 
verba seria utilizada na campanha eleitoral. Anastasia foi eleito e sucedeu Aécio Neves no governo de 
Minas, do qual já era vice-governador há dois mandatos (desde 2003).
Por ser parlamentar, as investigações que citam o tucano ganham foro privilegiado no STF. Se 
encontrar indícios do envolvimento, o tribunal instaura processo criminal e civil contra o denunciado.
A remessa do depoimento ao STF teve parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF). No 
entanto, em petição do dia 13 de janeiro à Justiça Federal de Curitiba, onde tramita o processo, o 
Yousseff negou ter ordenado envio de dinheiro a Anastasia.
Em resposta às acusações, o senador tucano se disse disposto a ficar frente a frente com o policial em 
acareação e negou ter recebido o dinheiro.
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Cada vez mais "magro", Faustinho tem o pior janeiro do século !


Não foi ele quem disse que não ia ter Copa ?

‘DOMINGÃO DO FAUSTÃO’ TEM O PIOR MÊS DE JANEIRO DO SÉCULO

O “Truque VIP”, que colocou famosos para truques de mágica, parece não ter criado empatia com o
público do “Domingão do Faustão” (Globo).
Com o quadro como principal novidade deste começo do ano, o programa fechou janeiro com a pior 
audiência já registrada para esse mês desde o ano 2000.
A média foi de 12,8 pontos (cada ponto representa 67 domicílios na Grande São Paulo). Antes, a pior 
audiência do programa no mês de janeiro havia sido registrada em 2013, quando o programa marcou 
13,6 pontos.
(…)
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Porque Gilmar sentou no financiamento privado de campanha



Luis Nassif

Não foi apenas por birra que o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu 
vistas e engavetou a votação da ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) sobre financiamento 
privado de campanha - depois do STF, por maioria absoluta, ter votado a favor da proibição.
Gilmar age articulado com o deputado federal petista Cândido Vacarezza. 
Este tem um projeto de emenda constitucional incluindo o financiamento privado na Constituição. 
Se aprovado a ADIN seria automaticamente prejudicada.
Derrotado nas últimas eleições, a última atitude de Vacarezza foi pedir votos para o deputado Eduardo 
Cunha, em sua campanha para a presidência da Câmara.
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MÚMIA DO MAUSOLÉU, IVES GANDRA PASSA VERNIZ EM GOLPISMO


Múnia jurídica, Ives Gandra Martins se associa a mais uma tese enviesada; em parecer, jurista 
sustenta que corrupção na Petrobras pode ser base para impeachment da presidente Dilma 
Rousseff; alegação central é a de que ela presidiu conselho de administração, do qual fizeram 
parte nomes como o empresário Jorge Gerdau e o ex-banqueiro Fábio Barbosa; o próprio Ives 
lembra, porém, que decisão será, em última instância, política; ou seja, ele fabrica agora uma 
tese jurídica a serviço de um futuro golpismo; que papelão!

Conhecido como tributarista de meia tigela e jurista de ocasião da direita e da mídia golpista, Ives 
Gandra Martins, um achado arqueológico da época dos dinossauros, tem se prestado, ao longo das 
últimas décadas, a respaldar em textos e pareceres para a mídia patronal dar  pareceres  golpes.  
Nesta terça-feira 3, o Múmia se escalou para a tarefa de respaldar a aventura do impeachment da 
presidente Dilma Rousseff.
Para ele, com base em cruzamentos que as letras jurídicas permitem fazer, Dilma poderia ser
penalizada em razão de ter sido presidente do Conselho de Administração da Petrobras. O Múmia
raciocina(?) que, em razão das denúncias de corrupção que afloram na Operação Lava Jato, Dilma
poderia ser responsabilizada diretamente por negligência, omissão e práticas do mesmo tipo.
Professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (!)
e da Escola Superior de Guerra (!), Yves Gandra Martins, publica na pag 3 da Falha artigo que escreve
o roteiro para o impeachment da Dilma.
Ele conta que eminente colega José de Oliveira Costa o contratou para dar um parecer.
O parecer sustenta o impeachment da Dilma “por improbidade administrativa, não decorrente de dolo,
mas apenas de (sic) de culpa.”
“Por culpa, em direito, são consideradas figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência”,
ensina o ilustre professor.
Depois de analisar os artigos 35 e 87 da Constituição Federal, que tratam da matéria, o ilustre jurista
concluiu que “há fundamentação para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff”.
Aqui está a integra do parecer, publicada num órgão subsidiário do Sistema Dantas de Comunicação
(et pour cause !), o Bajulador Juridico: http://s.conjur.com.br/dl/parecer-ives-gandra-impeachment.pdf
O Múmia revela que, com autorização do contratante, enviou o parecer “a dois eminentes professores”,
que o apoiaram (Modesto Carvalhosa, da USP), e Adilson Dallari, da PUC-SP).
Ressalva o autor do parecer, no entanto, que mesmo que os argumentos jurídicos não se sustentem nos
tribunais, o importante é que o processo de impeachment "é político". Ou seja, uma vez formada uma
maioria de parlamentares a favor desta tese, ela irá prosperar, independentemente do valor jurídico.
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Série de artigos analisa a ‘virada neoliberal’ do governo Dilma



BRASIL DEBATE

Na retórica e na prática, os primeiros movimentos do novo governo Dilma apontam para austeridade na condução da política macroeconômica. Reformas liberais, ajuste fiscal e aperto monetário aparecem no discurso dominante como panaceia e trazem de volta o fantasma do neoliberalismo que assombrou o País na década de 1990.
Essa virada neoliberal ameaça frontalmente as conquistas sociais recentes e o aprofundamento do processo de distribuição de renda e de ampliação dos direitos sociais. Enquanto o mercado comemora, o peso da austeridade recai sobre os salários, o emprego, os benefícios sociais e os serviços públicos.
Diante disso, a Plataforma Política Social, em parceria com o Brasil Debate e a Rede Desenvolvimentista, traz ao leitor a Série Especial “Austeridade Econômica e Retrocesso Social”.
Lançada em quatro números, no formato de revista eletrônica, a série disponibiliza ao leitor um conjunto de artigos de especialistas no estudo da macroeconomia com análises sobre as primeiras medidas do governo Dilma, o contexto internacional, o abandono das políticas neoliberais mundo afora, as consequências sociais da austeridade e o tripé macroeconômico e sua inadequação.
Nesse primeiro número, intitulado A Virada Neoliberal do Governo Dilma, apresentam-se análises sobre o sentido da mudança de postura macroeconômica e suas consequências.
LEIA A REVISTA COMPLETA

O artigo de Pedro Paulo Bastos compara esse momento histórico ao início do governo Lula, mas alerta para a diferença de cenários econômicos nesses dois momentos, que torna muito mais problemática a atual aproximação com o mercado financeiro.

A Carta ao Povo Brasileiro, de Dilma Rousseff – Pedro Paulo Zahluth Bastos

Já Pedro Rossi e André Biancarelli argumentam que a gestão macroeconômica do primeiro governo Dilma nunca seguiu uma orientação “social-desenvolvimentista”, ao contrário, foi marcada por equívocos na política fiscal e pelo favorecimento dos setores industriais. O “industrialismo” do primeiro mandato, que atrapalhou o projeto de desenvolvimento social, foi substituído pelo “financismo”, que tem potencial para liquidá-lo.

Do industrialismo ao financismo – Pedro Rossi e André Biancarelli

Por fim, o artigo de Vanessa Petrelli traz uma análise retrospectiva do modelo macroeconômico que levou ao forte crescimento da economia brasileira entre 2004 e 2011, e a posterior desaceleração, destacando que a “solução” de ajuste fiscal parte de uma interpretação equivocada de nossa história econômica recente.

Mudanças de cenário, crescimento distributivo e arrocho fiscal: inconsistências dessa equação – Vanessa Petrelli Corrêa

Boa leitura! 
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A polêmica foto em que a petista Benedita da Silva ‘festeja’ a vitória de Eduardo Cunha



Benedita da Silva, do PT, apareceu numa foto comemorando a vitória de Eduardo Cunha. Muitos 
petistas ficaram indignados. A foto circulou intensamente nas redes sociais.
A versão de Benedita, expressa numa nota publicada no Facebook, é que se trata de uma montagem.
Um número considerável de petistas não acreditou na justificativa de Benedita.
Um deles afirmou no Twitter:

@AmandaHall1948: @CCambara2 @nedicr56 @JeanSena @RodP13 @FidorAndrade continuo com 
a tese: evangélico votou em evangélico. Ponto final.

Abaixo, a nota:

ESCLARECIMENTO
Repudio, com indignação, mas uma tentativa de se desmoralizar o PT. Está circulando pelas redes 
sociais uma montagem de meu rosto sorridente inserido grosseiramente no momento da eleição do 
deputado Eduardo Cunha. A minha fidelidade às decisões partidárias é conhecida de todos. Apoiei 
ativamente e fiz uma campanha pública da candidatura do companheiro Arlindo Chinaglia. O 
nosso partido votou unido e unidos continuaremos a lutar contra qualquer retrocesso que queiram 
nos impor.

BENEDITA DA SILVA - DEPUTADA FEDERAL (PT-RJ)
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Fidel aparece em fotos pela primeira vez desde agosto



Fotografias de Fidel Castro, de 88 anos, foram publicadas pela mídia estatal cubana na segunda-feira 
pela primeira vez desde agosto, mostrando o ex-líder sentado e levemente curvado, mas parecendo 
estar animado ao conversar com um líder estudantil.
Especulações sobre a saúde de Fidel se intensificaram desde o anúncio histórico feito em 17 de 
dezembro por seu irmão mais novo e atual presidente de Cuba, Raúl Castro, e pelo presidente dos 
Estados Unidos, Barack Obama, sobre a restauração de laços diplomáticos dos adversários de longa 
data.
Fidel, que escreve periodicamente uma coluna, ficou em silêncio após o anúncio até finalmente fazer 
os primeiros comentários há uma semana, quando demonstrou certo apoio ao acordo fechado por seu 
irmão com Obama.
As fotos de Fidel com o líder estudantil Randy Perdomo foram tiradas em 23 de janeiro, de acordo 
com Perdomo, e foram exibidas no site do Granma, jornal do Partido Comunista, na noite de segunda-
feira.
Na semana passada, o teólogo brasileiro Frei Betto teve um encontro com Fidel e disse que o líder 
estava com boa saúde, magro mas muito lúcido.
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A ficha de Eduardo Cunha, o mais novo notável da República



Luis Nassif

Vivem-se tempos bicudos. Uma das características contemporâneas é o da implosão do poder, tanto o 
político, como da mídia, das grandes corporações, dos sindicatos.
A Internet produziu um estilhaçamento geral nas formas tradicionais de organização social. E, antes do 
aparecimento da nova ordem, deixa um caos instalado, do qual a representação mais óbvia é eleição de 
Eduardo Cunha para presidente da Câmara, com apoio total dos grandes grupos de mídia.
***
Para garantir a eleição de Cunha, os jornalões e as emissoras de TV e rádio esconderam de seus 
espectadores as seguintes informações:
1) No STF (Supremo Tribunal Federal), pelo menos vinte e dois processos têm Eduardo Cunha como 
parte.
2) Dentre esses processos, há três inquéritos (2123, 2984 e 3056) para apurar possíveis crimes 
cometidos por Cunha quando presidente da Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro 
(CEHAB-RJ) entre 1999 e 2000.
3) Cunha tornou-se sócio do deputado Federal Francisco Silva (PRN), da bancada evangélica na rádio 
Melodia. Juntos foram acusados de participação no escândalo das notas fiscais falsas para sonegação 
de ICMS por parte da Refinaria de Manguinhos.
4) O inquérito 2984 apura uso de documentos falsificados, inseridos em processo do Tribunal de 
Contas do Estado do Rio de Janeiro, para conseguir o arquivamento de inquérito aberto contra Cunha. 
O ex-subprocurador-geral Elio Gitelman Fischberg, que participou da falsificação, perdeu o cargo e foi 
condenado 3 anos e 11 meses de prisão. O STF autorizou abertura de processo contra Cunha, que 
corre em segredo de Justiça.
5( O primeiro inquérito contra Cunha ocorreu no bojo das ações contra PC Farias. Cunha era o braço 
de PC na Telerj.
6) Em 2000, um ano antes de assumir mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Cunha 
teve seu nome envolvido problemas com o fisco. A Receita Federal detectou incompatibilidade entre a 
movimentação financeira do deputado e o montante declarado ao Imposto de Renda.
7) Foi acusado de ligações com o doleiro Lúcio Funaro, investigado pela CPI dos Correios. Segundo 
reportagem da revista Época, Funaro pagava o aluguel do deputado em um luxuoso flat em Brasília.
8) No mesmo ano, época em que ocupava o cargo de vice-presidente da CPI do Apagão Aéreo, Cunha 
foi acusado pela deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) de realizar operações com o traficante 
colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Em discurso na Assembleia do Rio, a parlamentar acusou o 
deputado federal de vender uma casa em Angra dos Reis por US$ 800 mil e, pouco tempo depois, 
comprar de volta por US$ 700 mil.
9) Em 2011, Cunha foi alvo de investigações da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou 
que Furnas, estatal do setor elétrico, cobriu prejuízos causados pela participação da Companhia 
Energética Serra da Carioca II (empresa ligada a Cunha) na sociedade montada para construir a Usina 
Hidrelétrica da Serra do Facão, em Goiás. Na época, Furnas tinha vários quadros da direção da 
empresa em mãos de pessoas ligadas ao próprio Eduardo Cunha. Os prejuízos da estatal ultrapassaram 
os R$ 100 milhões.
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AOS CANALHAS QUE QUEREM DESTRUIR A PETROBRAS


O jornalista Mauro Santayanna, um dos mais experientes do País, publicou um importante 
artigo sobre a campanha de desmoralização da Petrobras; "É preciso tomar cuidado com a 
desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais 
perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também 
política", alerta; "A Petrobras não é apenas uma empresa. Ela é uma Nação. Um conceito. Uma 
bandeira. E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível", afirma; "Esta é a 
crença que impulsiona os que a defendem. E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação 
que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la"; leia a íntegra de um texto antológico.

Por Mauro Santayanna


O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.
A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.
E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
O que importa mais na Petrobras?
O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?
Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.
Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?
Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?
Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?
Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?
Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?
Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?
Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?
Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?
Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?
É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.
A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.
É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.
As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.
Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.
Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.
Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.
E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.
Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.
Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.
Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.
A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.
E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.
A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.
Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.
É necessário punir os ladrões que a assaltaram?
Ninguém duvida disso.
Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.
A Petrobras não é apenas uma empresa.
Ela é uma Nação.
Um conceito.
Uma bandeira.
E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.
Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.
E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.
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Só o povo nas ruas evita o Golpe Político


Arantes: o Golpe hoje não será militar ! Será outro ! Aldo Arantes luta por um 1,5 milhão de 
assinaturas para fazer a Reforma Politica

Mais de 100 instituições brasileiras, entre elas a OAB, a CUT e a CNBB, firmaram uma Coalizão que propõe uma Reforma Política no Brasil a partir de inciativa popular.
Trata-se da Coalização pela Reforma Política Democratica, organizada por um grupo da Ordem dos Advogados do Brasil que conta com o ex-deputado constituinte Aldo Arantes, além de Cesar Britto, Claudio Pereira de Sousa Neto e Marcelo Lavenère.
Em entrevista ao Conversa Afiada, Arantes defendeu a necessidade de o país se mobilizar em torno da proposta e lembrou que a Coalizão não é partidária.
Para ele, é preciso “que o povo entenda o que está em jogo” para evitar que a história se repita.
“Eu vivi uma experiência semelhante na Constituinte, em que no primeiro momento se formou o centrão, que está se formando novamente. Para acabar com o centrão, foi o povo na rua, pressão popular que terminou deslocando setores de centro para uma aliança”, revelou Aldo ao ansioso blogueiro.
“A Reforma Política é a mãe de todas as Reformas”, diz, para em seguida afirmar que há outras necessárias como, por exemplo, a “regulamentação dos meios de comunicação no Brasil, a reforma tributária e a urbana”, comenta.
Aldo começou sua militância política no movimento estudantil no Liceu de Goiânia, e depois atuou como presidente do DCE da PUC-RJ. Foi, também, presidente da UNE, entre 1961 e 1962.
Como deputado federal, exerceu o mandato por quatro vezes. Foi constituinte em 1988.
Atuou como secretário estadual do meio ambiente e dos recursos hídricos no governo do estado de Goiás. Hoje, ele é o representante do Conselho Federal da OAB na Coalizão.

Leia a entrevista na integra e ouça o áudio.

PHA: Converso com Aldo Arantes, que faz parte com Cesar Britto, Claudio Pereira de Sousa Neto e Marcelo Lavenère do grupo da OAB que organizou a Coalização pela Reforma Política Democrática. É uma articulação da sociedade brasileira composta por 101 entidades e movimentos e organizações sociais, entre as quais a própria OAB, a CNBB, o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, UNE, CUT, UBN, Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, UBS, INESP, entre outros.  Aldo Arantes, o que é essa coalizão pela Reforma Política?

Aldo Arantes: Paulo Henrique, é uma articulação da sociedade civil, que procura trabalhar uma alternativa de reforma política democrática. Porque, definitivamente, a reforma política entrou na pauta do país. E é necessário que a sociedade se expresse em torno de uma proposta concreta.
A coalização procurou identificar aquelas questões consideradas estruturantes, que degradam o processo político brasileiro. Identificamos quatro questões.
A primeira e mais importante é a questão da influência do poder econômico nas eleições. A OAB, por isso, entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade que tramita no Supremo Tribunal Federal com seis votos a um, já que o Ministro Gilmar Mendes sentou e ainda não despachou.
Essa questão do financiamento é decisiva porque ela não só é o canal da corrupção eleitoral como é o canal que formata o sistema de representação.
Nós apresentamos como alternativa o que chamamos de financiamento democrático de campanha para criar uma igualdade na disputa política eleitoral.

PHA: Como seria isso?

Aldo: Ele opta pelo financiamento público e admite financiamento de pessoas físicas desde que limitado pessoalmente a R$ 700 e no todo não mais do que 40% do financiamento público de tal forma que não possa ser um outro mecanismo de poder econômico influenciar no processo eleitoral. Essa é a questão mais importante.
Uma outra questão é o sistema de representação, o sistema eleitoral. Nós defendemos o sistema proporcional que é o que a Constituição Brasileira incorporou. Mas ele surgiu como uma alternativa ao sistema majoritário. Ele surgiu no processo de luta dos trabalhadores exigindo uma representação mais sintonizada com a diversidade da sociedade.
Mas o sistema proporcional brasileiro tem um problema grave, que é o voto em pessoa, em que ganha tem mais dinheiro. É um sistema despolitizado.
O que a gente propõe é um sistema proporcional em dois momentos, para transformar o voto em um voto transparente, em que se vote em propostas políticas no primeiro turno, em alternativas políticas, em que a partir do coeficiente eleitoral se define o número de cada partido. E no segundo turno você tem aquilo que a cultura política incorpora que é o voto do cidadão.
Então, você, por um lado, eleva o patamar da luta política, consolida os partidos políticos, acaba com os partidos de aluguel, mas permite a existência de partidos pequenos, grandes ou médios desde que tenham representação real na sociedade e, no segundo turno, a sociedade define quem é que vai ser eleito.
Também tem a representação das mulheres em que propomos a alternância de gênero e a questão da melhor regulamentação dos temas da democracia direta através do plebiscito, projeto de iniciativa popular, referendo, que na verdade deixaram de ser algo efetivamente praticados. Estão na Constituição, mas foram deixados de lado.
Nós temos convicção que isso só será possível com ampla mobilização popular. Estamos intensificando a luta pela coleta de 1 milhão e 500 mil assinaturas e estamos chamando os movimentos sociais para uma grande mobilização, para uma pressão democrática sob o Congresso Nacional, pois temos elementos para dizer que está em curso uma aliança que pretende impor uma Reforma Política que será um retrocesso na democracia brasileira.

PHA: Na proposta, o que seria votado no primeiro turno?

Aldo: No primeiro turno, você votaria em uma plataforma política, votaria, portanto, em um partido político e em uma lista pré-ordenada de candidatos escolhida democraticamente por meio de eleições primárias.
Com base no coeficiente eleitoral, você definiria o número de cadeiras de cada partido. Suponhamos que, no Rio de Janeiro, um determinado partido obteve cinco vagas. Então, no primeiro turno ele disputa vagas. E no segundo turno, esse partido vai disputar com o dobro das vagas que ele obteve. Ou seja, ele disputaria com dez vagas, cinco homens e cinco mulheres. Aí, o eleitor saberia decidir dentre os dez quais seriam eleitos e poderia alterar a ordem da lista.

PHA: Seria um voto misto com lista pré-ordenada?

Aldo: Sim, seria no primeiro turno. Mas no segundo poderia haver uma alteração. Existem certos seguimentos que defendem a lista com a possibilidade de no mesmo turno você fazer a alteração da posição. Isso volta à situação atual, em que você vota em pessoa.
O que se quer é um momento em que se consolide o partido, que esse partido crie identidade política e ideológica. Porque hoje a maioria dos partidos não tem programas e o candidato se elege sem nenhum compromisso.
Você vota em um candidato que representa uma condição a favor do direito das mulheres e acaba elegendo um que é contrário.

PHA: Como fazer para enfrentar esse problema novo que é a eleição de Eduardo Cunha para presidente Câmara. Ele já se declarou contra o financiamento público e a favor do financiamento de empresas. O Ministro Gilmar Mendes, que se sentou em cima dessa decisão do STF, foi o ministro que livrou Cunha de uma ação criminal. Como enfrentar isso?

Aldo: Povo na rua. Se não tiver mobilização popular a democracia brasileira sofrerá um profundo golpe. O povo na rua significa a coleta de 1 milhão e 500 mil assinaturas, mas não só isso. Mas o mais importante é o povo na rua com uma proposta alternativa para que o Congresso Nacional sinta o que o povo brasileiro quer em termos de Reforma Política.
A eleição do Cunha tornou isso mais importante e revelou essa aliança política que alguns setores fazem no Congresso. Se não fizer nada, a gente pode ter uma Reforma altamente conservadora.
É bom dizer que esse projeto de iniciativa popular é um projeto de transitação simples, ele pode ser aprovado por maioria simples. A proposta conservadora exige emenda Constitucional.
Então, uma pressão popular e eu vivi essa experiência na Constituinte, em que no primeiro momento se formou o centrão, que está se formando novamente.
Para acabar com o centrão, foi o povo na rua, pressão popular que terminou deslocando setores de centro para uma aliança.
Essa luta é muito importante. O resultado eu não posso saber, mas depende da intensidade da mobilização e da capacidade do povo entender o que está em jogo, o que isso afeta no futuro da democracia e no futuro das outras reformas. Porque, se consegue uma Reforma Política que torne o Congresso mais representativo das aspirações da sociedade, isso coloca na ordem um conjunto de outras reformas.
Nós temos outras questões, como a democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária, a reforma urbana, e outras. Mas consideramos a mãe das reformas a Reforma Política.

PHA:
Como o senhor pretende colocar o povo na rua?

Aldo: Na verdade, quem tem colocar o povo na rua são as entidades. É necessário que elas se convençam que vivemos um momento de emergência política no país. A democracia está em risco. Ou a sociedade se mobiliza e temos condições para fazer isso ou nós estaremos em uma situação dificil.
Aí, eu quero destacar o papel do seu blog e dos outros blogs na luta democrática. Daí a importância de que a gente possa ter canais de comunicação com a sociedade de forma mais ampla para que ela possa tomar conhecimento dessa proposta.

PHA: Qual é o maior risco que a sociedade brasileira corre hoje?

Aldo: De um retrocesso econômico, político, social e democrático. Nesse sentido, quem conhece a história sabe que os avanços da sociedade só são possíveis na medida em que a sociedade se mobilize.
Nós já vivemos momentos tensos, importantes da história política brasileira, vivemos um golpe militar quando houve uma ofensiva da direita. Hoje, você não tem golpe militar, mas tem golpe político.
Só a sociedade mobilizada pode impedir que isso ocorra e de colocar na ordem do dia um processo de aprofundamento da nossa democracia.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A teoria do sangramento já era. Agora é impeachment

O que o governo Dilma (não) fez desde o início da Lava Jato



O Raio-X da crise política



Vamos a mais um Raio-X da crise, em cima do desenho que venho apresentando desde a crise do 
mensalão. Esta é a última versão, publicada quando do estouro da Lava Jato.
Um balanço de como o quadro evoluiu de lá para cá.
O ponto central de disputa é o mandato de Dilma Rousseff, influenciado por quatro subgrupos de 
opinião:

• Opinião pública
• Empresariado
• Judiciário
• Congresso.

Por outro lado, esses grupos são influenciados por fatores como escandalização, situação da economia, 
restrições orçamentárias etc.
Vamos ver como cada tópico está sendo administrado:

Escandalização
O ponto central é a Lava Jato e a ofensiva em cima da Petrobras.
Esses pontos exigiriam a seguinte estratégia por parte do governo Dilma e do PT:

Monitoramento das delações – deveria ser papel do Ministro da Justiça e dos advogados do PT. 
Nada foi feito. Do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ouvi que os vazamentos estavam 
sendo absolutamente seletivos e que as denúncias atingiam indistintamente a todos – inclusive algumas 
bombas de hidrogênio na oposição. Nada foi feito para reverter a parceria Grupo de Trabalho-mídia, 
sequer chegaram ao fim os inquéritos sobre o vazamento para a Veja ou sobre o ativismo político de 
delegados da Lava Jato.
Há o protagonismo total da oposição acumpliciada com grupos de mídia.

Fortalecimento da Petrobras – a única defesa razoável da Petrobras está sendo feita pelo ex-
presidente José Gabrielli, que foi colocado na fogueira pela própria Dilma. Para mostrar que não cede a 
pressões de espécie alguma, Dilma manteve a diretoria da empresa e a presidente Graça Foster, 
emocional e politicamente desgastada com o episódio. Agora, a opinião pública acha que os R$ 88 
bilhões de ajuste do balanço são fruto da corrupção, colocando mais lenha na fogueira.
Na presidência do Conselho – que exigiria um executivo com experiência internacional e status de 
Ministro, para negociar com o MPF, com os bancos credores da cadeia produtiva, para montar 
estratégia de compliance e de divulgação de informações – nomeou o ex-Ministro Guido Mantega.
Agora, cada estampido da Lava Jato reverbera no Congresso e na opinião pública.

Economia
Nomeou Joaquim Levy e Nelson Barbosa, aplacando por algum tempo os temores do empresariado. 
Mas a estratégia montada tem forte componente recessivo, leva tempo para surtir efeito e exige que seja 
contrabalançada por alguns respiros anticíclicos.
A demora em acenar com o pacote de bondades pode acirrar os sindicatos e movimentos sociais. Some-
se as tentativas de “golpes paraguaios”, para se ter um caldeirão fervente de manifestações populares.

Operação política
Antes mesmo da eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara, sabia-se que as relações com o 
Congresso – problemáticas, devido ao próprio estilo Dilma – piorariam com as restrições orçamentárias.
Dilma abriu mão de um Ministério forte para poder enfrentar Eduardo Cunha na Câmara. Perdeu feio. 
Pior, quando a derrota já se desenhava, poderia ter composto com Cunha – que, admitamos, é um 
horror de político.
Mas Dilma preferiu, mais uma vez, uma aposta de alto risco a uma composição. E a direção do PT 
mostrou que não tem musculatura para delinear estratégias parlamentares adequadas.
Um antigo frequentador do Planalto dizia que Dilma não vê adversários, mas apenas inimigos pela 
frente. Ora, no caso Eduardo Cunha, posto que a tragédia era inevitável, o caminho a seguir seria tapar 
o nariz e propor um pacto.

Judiciário
Por ocasião da análise das contas de Dilma pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fui alertado para a 
tentativa de “golpe paraguaio” por autoridade do setor, conhecedora dos meandros do TSE. Ela alertou 
um jornalista ou por não ter canais no Palácio ou por não acreditar na capacidade de reação dos 
Ministros de Dilma.
Entre outros motivos para o fato de José Antônio Dias Toffoli ter se bandeado para o lado de Gilmar 
Mendes está o episódio de que, em plena campanha e, na condição de presidente do TSE, Toffoli 
convidou os dois candidatos favoritos – Dilma e Aécio – para uma reunião onde seria acertado uma 
espécie de armistício. Aécio acolheu prontamente a ideia; Dilma recusou-se até a atender telefonema de 
Toffoli.
Não justifica a pequenez de Toffoli, mas explica.

Saídas
Tem-se a seguinte situação:

1. Sozinha, Dilma não dará conta do recado de articular uma estratégia política, colocar o governo para 
rodar e sair das cordas.
2. A recomposição política exigiria, como primeiro passo de Dilma, o reconhecimento de suas 
fragilidades e a mudança na forma de governar e decidir, com a nomeação de conselhos – indicados 
por ela – para assessorá-la nos principais desafios e para definir uma estratégia de resistência.
3. Até agora, não há nenhum sinal no ar de que a presidente mudará o estilo.

Na verdade, Dilma só se fortalece quando Fernando Henrique Cardoso explicita seus propósitos 
golpistas e estimula a reação dos setores legalistas – que precisam fazer das tripas coração para 
defender a legalidade política contra a fragilidade do principal avalista, a presidente da República.
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Cala a boca, Cardozo! Ele acredita em Cunha e Papai Noel!


Quantos votos tem Cardozo ?

Um dia após o PT sofrer uma derrota na eleição para a presidência da Câmara, o ministro da Justiça, 
José Eduardo Cardozo, afirmou nesta segunda-feira (2) que tem “absoluta convicção de que o novo 
presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investirá em uma boa relação com o 
Palácio do Planalto.
(…)
Cardozo disse que o peemedebista fará uma “excelente gestão”. “Tenho certeza de que o presidente 
Eduardo Cunha fará uma excelente gestão e a relação com o Executivo será harmoniosa dentro daquilo 
que a própria Constituição prescreve”, comentou.
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Com um Ministro da Justiça (sic) desse, não precisa de oposição nem de Globo…

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: Cardozo é ministro de quem ? – Eleitor da Dilma
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Solidão Politica. E agora, Dilma?


Da esquerda para a direita: Dilma, Mercadante, Miguel Rossetto e Pepe Vargas

Três pragas já rondavam o Palácio do Planalto antes de domingo para tirar o sono da presidente Dilma 
Rousseff: Petrolão, recessão e apagão.
Agora, com a humilhante derrota sofrida contra o PMDB de Eduardo Cunha na eleição para o 
comando da Câmara, apareceu mais uma : a solidão política. A cada dia, aumenta o número de 
opositores ao governo e diminui o de aliados.
É só fazer as contas: após as eleições de outubro, a presidente Dilma contava com uma ampla maioria 
da base aliada formada por 329 deputados eleitos, contra 181 da oposição.
Anunciado o resultado da votação para a presidência da Câmara, na noite de domingo, o placar 
simplesmente se inverteu: somando os 267 votos de Cunha, deputado federal do PMDB fluminense, 
um desafeto declarado do governo, aos 100 da oposição de Júlio Delgado (PSB, apoiado pelo PSDB), 
temos 367 deputados, contra apenas 136 de Arlindo Chinaglia, o candidato oficial do governo.
Foi o que restou de deputados fiéis ao governo com a estratégia do "tudo ou nada" adotada pelo novo 
comando político do Palácio do Planalto para derrotar Eduardo Cunha.
Pior do que isso: na sucessão de lambanças em torno da candidatura de Chinaglia, o trio formado pelos 
ministros planaltinos Aloizio Mercadante, Pepe Vargas e Miguel Rossetto, a tropa de choque de 
Dilma, o PT ficou sem nenhuma das 11 cadeiras da direção da Câmara dos Deputados. Ou seja, ficou 
com nada.
Mercadante já era o homem forte de Dilma ao final do primeiro governo, contestado no próprio partido 
e pelo ex-presidente Lula; Rossetto e Vargas foram recrutados por Dilma na Democracia Socialista 
gaúcha, uma tendência minoritária do PT.
Pela primeira vez na era PT, Lula sumiu de cena nas negociações para a formação do ministério e das 
novas Mesas que comandarão o Congresso Nacional nos próximos dois anos e acabaram jogando os 
descontentes do PMDB no colo da oposição.
A maior derrota política sofrida por um governo do PT, desde 2003, começou, na verdade, a ser 
plantada na formação do novo ministério, este verdadeiro saco de gatos que junta nulidades notórias 
com políticos de passado pouco recomendável.
De onde os sábios do Planalto tiraram esta ideia de jerico para diminuir a força do PMDB na 
Esplanada, em favor dos novos partidos de Cid Gomes (PROS) e Gilberto Kassab(PSD), dois políticos 
de expressão apenas regional, além de abrigar uma penca de nanicos? Deu no que deu.
No próprio domingo, antes mesmo do vexame anunciado do candidato do governo, Dilma convocou 
os ministros da (des)articulação política para uma reunião de emergência nesta segunda-feira. O 
governo quer propor um "acordo pela governabilidade" com o PMDB do agora todo-poderoso 
Eduardo Cunha, que vai comandar a agenda política daqui para a frente.
Agora??? Com sangue nos olhos, Cunha estaria interessado em qualquer tipo de acordo, a esta altura 
do campeonato, depois da blitzkrieg desfechada contra ele nas últimas duas semanas, com a utilização 
de todos os recursos oficiais imagináveis e não imagináveis, para evitar a traição dos aliados?
Conseguiram apenas aumentar a bronca dos parlamentares com o PT e o governo, jogar água no 
moinho do suprapartidário desafeto e atiçar a oposição formal, que perdeu as eleições de outubro, mas 
está toda fagueira chegando ao poder de fato, agora aliada ao PMDB de Cunha e da dissidência 
governista no Senado, engordada por partidos que eram da base aliada e foram desgarrando a cada 
movimento da tropa de choque dos trapalhões.
Fizeram strike. Posso imaginar o clima na abertura desta reunião de emergência.
-  E agora, presidente Dilma?
Se algum ministro tiver coragem de perguntar o que todo mundo tem vontade de saber, a presidente 
poderá retrucar aos seus companheiros de naufrágio:
-  E agora??? E agora???, pergunto eu!!!, meus queridos.
Lamento muito ter que dizer isso, mas este segundo governo Dilma começa em ritmo de Quarta-Feira 
de Cinzas antes mesmo do Carnaval. E corre o risco de acabar antes de começar.
Vida que segue.
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Podemos !! La Marcha del Cambio

PETROBRAS BATE SEXTO RECORDE ANUAL SEGUIDO


Estatal fechou 2014 batendo um novo recorde na produção de derivados de petróleo nas 
refinarias do País com uma produção 2,17 milhões de barris de petróleo por dia, volume que 
supera em 45 mil barris de petróleo/dia o recorde anterior, de 2013; sexto recorde anual seguido 
demonstra, segundo nota divulgada pela empresa nesta madrugada, "o crescimento da 
produção de derivados em patamares sustentáveis"; aumento e os recordes ocorreram em 
diversos dos produtos refinados pela empresa, inclusive os mais consumidos pelo mercado, como 
a gasolina, o diesel e o querosene.

Agência Brasil

A Petrobras fechou 2014 batendo um novo recorde na produção de derivados de petróleo nas refinarias do país com uma produção 2,17 milhões de barris de petróleo por dia, volume que supera em 45 mil barris de petróleo/dia o recorde anterior, alcançado em 2013. Este é o sexto recorde anual seguido, o que demonstra, segundo nota divulgada pela estatal nesta madrugada, "o crescimento da produção de derivados em patamares sustentáveis".
O aumento e os recordes ocorreram em diversos dos produtos refinados pela empresa, inclusive os mais consumidos pelo mercado, como a gasolina, o diesel e o querosene. As informações indicam que, em 2014, a produção de óleo diesel, combustível com alta demanda no setor de transporte rodoviário, totalizou 311 milhões de barris. Isso proporcionou um acréscimo de 1 milhão de barris em relação a 2013.
O início de operação das unidades de tratamento de diesel da Refinaria de Paulínia (Replan-SP), em novembro de 2013, da Refinaria Gabriel Passos (Regap–MG), em janeiro de 2014, e da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap-RS), em setembro de 2014, contribuíram para o aumento da produção.
Responsáveis por 72,3% da produção de diesel, seis das refinarias que compõem o parque nacional de refino encerraram o ano passado com produção recorde em relação a 2013, a partir da maior utilização das unidades de destilação e de hidrotratamento: Replan, Refinaria Landulpho Alves (RLAM– BA), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar–PR), Refinaria Presidente Bernardes (RPBC-SP), Refinaria Henrique Lage (Revap–SP) e Refinaria de Capuava (Recap–SP).
Já a produção de gasolina, outro produto com crescente demanda no mercado, mesmo tendo passado em janeiro de 2014 a ser comercializada com baixo teor de enxofre – 50 partes por milhão –, também obteve recorde anual. A produção do derivado totalizou 180 milhões de barris, com acréscimo de 1 milhão de barris em relação a 2013. O crescimento foi alcançado com a maior utilização das unidades de craqueamento – processo utilizado para transformar óleos pesados em derivados de petróleo mais nobres. Quatro refinarias obtiveram seus maiores níveis de produção anual e contribuíram significativamente para esse resultado, respondendo por 34,4% do volume de gasolina: RLAM, Refap, Regap e Recap.
A produção de querosene totalizou 38 milhões de barris em 2014, representando um acréscimo de 3 milhões de barris em relação a 2013. A marca alcançada é resultado da otimização dos processos produtivos, do aproveitamento de sinergias entre as refinarias e da redistribuição de mercados entre os polos supridores, informou a Petrobras. Cinco refinarias alcançaram recorde anual, respondendo por 56,6% da produção de querosene: Refinaria Duque de Caxias (Reduc), Replan, Regap, Repar, além da Refinaria Isaac Sabbá (Reman–AM).
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Jagunços queimam casas de quilombolas no Maranhão



Quilombolas tem casas incendiadas em Alto Alegre, Maranhão

Brasil de Fato


A situação é extremamente grave! Apesar dos anos de conflito e de inúmeras denúncias realizadas 
pelos trabalhadores rurais, o processo de titulação da comunidade, realizado pelo INCRA, tem 
caminhado muito lentamente.
A Comissão Pastoral da Terra e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alto Alegre 
do Maranhão, por meio desta nota, repudiam, com veemência, mais um ato de violência ocorrida no 
interior do Maranhão, afetando diretamente comunidade quilombola.
Em 25 de janeiro de 2015, domingo, enquanto participavam de reunião do território quilombola de 
Mamorana, zona rural de Alto Alegre do Maranhão, as lideranças quilombolas José Maria da 
Conceição e Raimundo Gomes Soares, o “Sabonete”, tiveram suas casas criminosamente incendiadas 
e, em consequência, perderam todos os pertences de uso doméstico, sementes para plantio (arroz, feijão 
e milho), ferramentas de trabalho e um paiol de arroz.
Desde o ano de 2009 que a comunidade vem sofrendo com ameaças constantes por parte de 
fazendeiros da região, envolvendo diretamente criadores de gado bovino do médio Mearim, em 
especial o Sr. José de Arimateia, que ingressou em 2010 com ação de reintegração de posse contra as 
famílias quilombolas, tendo perdido a ação. Não satisfeito, o criador de gado tem tentado cercar mais 
de 400 hectares de terra pertencente ao território quilombola.
A situação é extremamente grave! Apesar dos anos de conflito e de inúmeras denúncias realizadas 
pelos trabalhadores rurais, o processo de titulação da comunidade, realizado pelo INCRA, tem 
caminhado muito lentamente. As famílias quilombolas temem que haja mais violência e que suas 
lideranças sejam mortas.
O Estado do Maranhão ocupa o primeiro lugar em número de conflitos agrário no Brasil. Somente em 
janeiro de 2015, mais de 35 conflitos agrários em todo o estado. A inércia do governo federal, em 
realizar reforma agrária e titular territórios quilombolas, é responsável direta pela quantidade absurda de 
conflitos agrários.

Alto Alegre do Maranhão, 26 de Janeiro do de 2015.
Antonia Calixto de Carvalho, da Comissão Pastoral da Terra/MA
Francisca DA Silva Vieira, presidente STTR de Alto Alegre do Maranhão
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Cunha, a nova faca no pescoço de Dilma


“De que adiantou compor um ministério como esse e depois perder de lavada para Eduardo 
Cunha?"

Por: Fernando Brito

Consumou-se o óbvio.
Eduardo Cunha teve uma vitória avassaladora, eleito em primeiro turno, com praticamente o dobro dos 
votos de Arlindo Chinaglia.
Não foi, propriamente, uma vitória da Oposição, mas uma vitória de oposição ao Governo.
Foi, sobretudo, uma vitória do “sindicato” dos deputados, o que já, de cara, Cunha deixou claro ao 
prometer colocar, de imediato, em votação e aprovar o orçamento impositivo, ou a “mordida” 
obrigatória no dinheiro público para projetos de prefeituras, de estados e para os malsinados 
“convênios”, dos quias não me permito falar por problemas estomacais.
Cunha vai seguir, claro, fazendo seus lobbies, como fez nos governos de Lula e de Dilma.
Mas, depois de um pequeno período de “pose de estadista”, o que ele fará é o mesmo, em ponto muito 
maior.
Porque, agora, é quem decide o que entra ou não em pauta para votação.
Cunha mudou de “ordem de grandeza”.
O negócio, agora, não é uma diretoria da Caixa ou de algum outro órgão.
É tudo.
Experimente-se, para ver, resistir à sua gazua.
Porque, no sistema eleitoral que temos, montam-se bases parlamentares com base em que?
Porque é que Marina, com Itaú e tudo, não conseguiu formar partido e Paulinho da Força fez o 
Solidariedade com um pé nas costas?
E não pense que essas “boas obras” vão para a conta deles, não.
Vão para a conta do governo que eles pressionam e politicamente chantageiam.
O Governo Dilma ganhou a reeleição, mas reluta em assumir o poder.
E o poder exige alinhamento entre os que o partilham.
Se não há um mínimo de alinhamento, não pode haver esta partilha.
Atentem para o que quer dizer o resultado.
Mesmo com parte dos votos tucanos para Julio Delgado, o “cunhismo” teve maioria absoluta da 
Câmara.
Com o PSDB fechado, tem maioria até para mudanças constitucionais.
Resta ao governo, agora, a triste sina de negociar cada projeto de lei ou Medida Provisória no 
varejinho da esquina parlamentar.
Ou dialogar com a população, o que até ameaçou fazer – e recuou – ao propor a reforma político-
eleitoral em 2013.
Mas dialogar com a população, como?
Cada vez mais o governo vai atando seus movimentos.
Eu sigo os conselhos do velho Brizola e recorro aos poetas, a um dos grandes, Cartola:
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
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A incapacidade de Dilma de limpar a agenda negativa



Luis Nassif

A presidente Dilma Rousseff não nomeou ainda os presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica 
Federal e BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Não confirmou no 
cargo, ainda, Ministros de área social. Não definiu, com os respectivos Ministros, os projetos centrais 
de cada Ministério. Conclamou os Ministros para uma estratégia de comunicação, mas não definiu a 
estratégia.
Na 5a feira passada criticou duramente – para assessores, vazando para os jornais – a estratégia de 
divulgação do “impairment” da Petrobras, que permitiu que um ajuste de R$ 88,8 bilhões nos ativos 
fosse tratado pela mídia como custo da corrupção.
Mas, da parte de Dilma, nada foi feito para preparar a empresa para enfrentar o terremoto atual.
***
Existe um CEO adequado para cada circunstância. Para períodos de crescimento, de contenção, para 
épocas de crise, cada circunstância exige um perfil diferente.
Graça Foster é uma funcionária exemplar da Petrobras, mas exposta a um fogo cruzado intenso e 
desgastante, que a obriga a pensar na empresa, na sua segurança pessoal e a explicar-se diariamente 
sobre malfeitorias das quais não participou.
Além disso não tem experiência de CEO para analisar todas as circunstâncias e desdobramentos da 
crise atual.
O momento exigiria um CEO experimentado em questões de governança, que pudesse implantar 
métodos modernos de controle e isolar a operação definitivamente da crise política e policial.
A insistência de Dilma com Graça Foster foi imprudente e injusta para com ela própria. De certo modo 
repete-se o que já ocorreu em outras áreas do primeiro governo Dilma, em que a demora em proceder a 
substituições inevitáveis acabou por impor sacrifícios adicionais às pessoas que permaneciam no cargo.
Dilma julga estar agindo com lealdade com seus subordinados, mas apenas os expõem a uma dose de 
sacrifício adicional, antes do inevitável.
***
A segunda perna da estratégia seria um presidente de Conselho de Administração com status de 
Ministro para administrar a crise, conversar com as empresas de auditoria, com o Grupo de Trabalho 
da Lava Jato, com o próprio mercado. E, principalmente, articular com os bancos operações de 
salvamento dos fornecedores da Petrobras, para impedir o desmantelamento da cadeia produtiva do 
petróleo e gás – que responde por 13% do PIB.
De preferencia, alguém que já tenha sido CEO de grandes grupos, que conheça os humores do 
mercado nacional e internacional, que saiba analisar os desdobramentos de decisões internas sobre o 
balanço, o mercado e os fornecedores.
***
Está certo que, desde as eleições, Dilma não teve um minuto de sossego. No dia seguinte ao da 
apuração, já estava sob fogo cruzado. Mas o momento exige decisão. E exige, acima de tudo, 
discernimento e método para gerir o país em um pedaço complicado que virá pela frente.
Em períodos críticos como o atual, o governante não pode se dar o direito de apostar – como fez 
Dilma, mantendo Graça Foster no cargo quando normas mínimas de prudência recomendariam sua 
substituição, inclusive para tirar o tema Petrobras da frente e permitir ao governo avançar em uma 
agenda positiva.
***
Tome-se a Procuradoria Geral da República. É um cargo relevante, mas longe da importância e da 
complexidade da Presidência da República. No entanto, o PGR conta com um conjunto de conselhos 
de alto nível – composto pelos quadros do Ministério Público Federal – para aconselhá-lo em todos os 
temas relevantes, de questões políticas a questões constitucionais.
Quando se olha para o Palácio do Planalto, o que se vê – ainda – é o governo de uma só, com poucos 
conselheiros opinando nas análises conjunturais, políticas e econômicas e quase nenhum sendo ouvido. E os problemas se acumulando pela incapacidade de Dilma de pensar friamente, estrategicamente para 
ir limpando o sótão de fantasmas que nunca são exorcizados.
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A derrota se chama Dilma Rousseff


Ela vai manter o Felipão, Mercadante e Cardozo !

O Governo Dilma perdeu onde sempre perde: na Política.
Ao longo de um mês do segundo mandato é impressionante o conjunto de sucessivas derrotas – 
Políticas.
A forma de apresentar o “ajuste” do Levy, sem qualquer contra-partida política que acenasse ao seu 
eleitor.
Um projeto de imposto sobre grandes fortunas.
Uma remontagem da CPMF.
Ficou o Leyv sozinho no palco, com as platitudes neolibelês de sempre – e da oposição.
E o desastre ferroviário da Petrobras.
Onde a Graça arranjou esses R$ 88 bilhões ?
O que está aí dentro ?
A diretoria da Petrobras parece acoelhada diante do PiG, do Moro, da agências de risco…
Perdeu a capacidade de reagir e se defender – e de se ofender !
E agora essa vulcânica derrota para o Cunha significa a imediata abertura do processo de impeachment.
Como diz o Ataulfo Merval (ver no ABC do C Af), é disso que se trata: de impeachment.
O resto é o luar de Paquetá…
O candidato do Governo – o Chinaglia, que tem o carisma e a biografia de um anestesista de 
Pindamonhangaba – reuniu menos votos que a soma dos deputados dos partidos que o apoiavam.
O outro candidato da Oposição – do PSB, o partido do jatinho sem dono – Julio Delgado, teve cem 
votos.
O PT não terá um cargo na diretoria da Câmara, nem presidirá as comissões mais importantes, a de 
Constituição e a de Finanças.
As manchetes pigais estão certas: quem perdeu foi a Dilma.
Não foi o “Governo Dilma”, “o PT”, “a base aliada” que perderam.
Quem perdeu foi a Dilma, Presidente da República, Primeira Mandatária e Chefe Político do Governo.
E a derrota foi Política.
De política parlamentar e de Comunicação.
Não saber explicar o que faz.
Não persuadir.
O homem público é um ator: tem que ir ao palco se expor.
Não gosta ?
Melhor ser secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul !
A recusa em se expor, se COMUNICAR (caixa alta, revisor, por falta, não se intrometa ! – PHA) 
cristaliza a hegemonia das “ideias” do Levy.
E não saber articular os interesses políticos de seus eleitores, num Congresso retalhado pelo Baixo 
Clero, levará seu Governo a uma viagem de quatro anos pelo Lago Sul, na barcaça de Caronte.
Só falta, depois da acachapante derrota, chamar o Dunga.
Porém, o mais provável é que ela mantenha o Felipão.
O Mercadante e o zé da Justiça.
Sim, porque, o Rossetto, o Berzoini e o Pepe Vargas não nomearam ainda nem a secretaria.
E o Jaques Wagner era grande demais para Casa Civil.
Precisou ser escondido na Defesa…
É óbvio que essa aliança com o PMDB não vale uma ideia do Cerra.
A aliança se encerrou neste domingo.
Era de vidro e o Cunha quebrou.
A vitória do Cunha é também uma derrota do Michel Temer, a menos que o Temer seja um farsante 
incomparável.
Cunha desceu pela goela abaixo do Temer, como se fosse num tobogã.
O partido do Temer abriu ao meio.
No Senado, o Luis Henrique teve uma votação relevante.
Na Câmara, Cunha se impôs ao próprio partido (do Temer).
Portanto, a Dilma conta um PT miseravelmente derrotado, e com um PMDB onde vaca não conhece 
bezerro.
Cunha abriu o Governo Dilma ao meio.
Rasgou uma fenda geológica profunda.
Ou a Dilma se reinventa e manda os ineptos embora, ou será, como diz o mestre Mino, uma “lame 
duck” no primeiro mês de Governo.
Dilma, manda embora o Felipão Cardozo e o Dunga Mercadante !
Chama o Josep Guardiola.
A contagem regressiva para o impeachment começou.
Moro e a Globo já acertam os relógios !
Marcaram encontro no cafezinho ao lado do plenário da Câmara, à sombra do gênio de Athos Bulcão !

Paulo Henrique Amorim
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