segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

RACHADO NO MEIO O PT DO PARAZINHO ESCOLHE PAULO ROCHA (GOVERNADOR) E ZÉ GERALDO (SENADOR)



Por Diógenes Brandão


Dividido ao meio, o PT foi pro debate entre duas chapas e por 31 x 25 votos, os membros do
Diretório Estadual decidiram lançar o senador Paulo Rocha como pré-candidato e o deputado federal 
Zé Geraldo como pré-candidato ao senado.
Segundo dirigentes petistas, a diferença de apenas 06 votos, foi a mais apertada historicamente, em 
decisões similares.
Um dos motivos seria a desconfiança de que no 1° turno, Paulo Rocha fará corpo-mole para não 
disputar votos com Helder Barbalho, candidato do PMDB, que esteve junto com o PT e mesmo 
sendo derrotado por Simão Jatene (PSDB) ajudou a eleger Paulo Rocha senador nas eleições de 2014.
DISPUTA ACIRRADA
Embora a reunião do Diretório Estadual do PT do Pará tenha sido tranquila na parte de análise de 
conjuntura e na estratégia de lançar uma candidatura própria ao governo do Estado, mas nas 
entrelinhas, o racha em três candidaturas já sinalizava o clima de disputa que impedia a unidade 
partidária de outrora.
Com a acomodação de Zé Geraldo como candidato ao senado, o grupo do deputado federal Beto 
Faro, que apresentou o nome do ex-prefeito Evaldo Cunha para disputar com o senador Paulo Rocha 
e acabou obtendo 43.11% de votos, junto com o ex- Deputado Federal Cláudio Puty, perdendo para 
chapa encabeçada senador Paulo Rocha e o deputado federal Zé Geraldo, que obtiveram 53,44% dos 
56 filiados que participaram do encontro.
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VEJA O BARRACO DOS TUCANOS: CHUTAM BEÓCIO, QUE NEM SAIU NA FOTO E FUGIU PELA PORTA DOS FUNDOS; PICOLÉ DE CHUCHU ASSUME PARTIDO E MILITONTOS BRIGAM ATÉ CADEIRADAS



da Folha

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi eleito presidente do PSDB neste sábado (9) em convenção do partido em Brasília. Ele ocupará o cargo pelos próximos dois anos.
Apesar do acordo costurado por semanas, o senador Tasso Jereissati (CE) não assumiu o Instituto Teotônio Vilela, braço de formulação política do partido. O ex-senador José Aníbal resiste a deixar o posto.
O primeiro vice-presidente presidente será Marconi Perillo e o segundo, Ricardo Tripoli, aliado de Tasso.
Com a chegada à presidência da sigla, Alckmin começa a erguer sua candidatura presidencial.
Em seu primeiro discurso no posto, como antecipou a Folha, o paulista fez críticas pesadas ao PT e afirmou que Lula, seu possível adversário nas urnas em 2018, quer “voltar à cena do crime”.
“Vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula quer voltar ao poder”, disse. “Será que petistas merecem nova oportunidade? Nós os derrotaremos nas urnas.”
O governador também fez a defesa de uma pauta econômica reformista e responsabilizou o PT pela recessão dos últimos anos. “Acreditamos em políticas públicas perenes e não em bravatas de marketing”, afirmou.
“Lula será condenado nas urnas pela maior recessão da nossa história. As urnas o condenarão pelos 15 milhões de empregos perdidos, pelas milhares de empresas fechadas, pelos sonhos perdidos.”
“O PSDB é um instrumento da modernização do Brasil, o Brasil desburocratizado”, continuou.
“Vamos perseguir a inovação de forma obsessiva. O conhecimento e a imaginação criando futuro a passos largos”, disse. “Já passou da hora de tirar o peso desse Estado ineficiente das costas dos trabalhadores e empreendedores brasileiros.”
Segundo o tucano, é “hora de olhar para a frente com união e esperança renovada”.
Como indica seu primeiro discurso à frente da legenda, o paulista pretende mirar o PT para abrir espaço na disputa pelo Planalto, até agora polarizada entre Lula e Jair Bolsonaro (PSC).

PS 1 do Viomundo: Sabiamente, o blogueiro Rodrigo Vianna faz alguns meses definiu o quadro para 2018. Lula, mesmo perdendo, fará uma bancada significativa para garantir o futuro poder do PT. Alckmin, vencendo Lula — se vencer — garantirá credibilidade à disputa eleitoral. Aécio Neves, o mentor do golpe contra Dilma, deixou a convenção vaiado, pela porta dos fundos.
PS 2 do Viomundo: Seguramente, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) é o parlamentar que mais denunciou Aécio Neves desde que ele assumiu o governo de Minas, em 2003.

A propósito de “Aecim” ter saído pela portas dos fundos, Rogério Correia nos enviou, via WhatsApp, a seguinte mensagem:
Aécio Neves, que em Minas era chamado pelos tucanos de O MAIS QUERIDO, entrou junto com Temer pela porta de trás para desgovernar o país e sai pela porta de trás da presidência de seu partido- PSDB . Tomara que seja o destino de todos golpistas que estão liquidando com nossa soberania e com os direitos do povo trabalhador. Em Minas Gerais trabalhei muito para mostrar ao Brasil a verdadeira face de quem, com a mentira do choque de gestão e com muita corrupção , quebrou o Estado, ancorado na mídia amordaçada e nos poderes calados e omissos.
Aécio já era , mas precisa ainda pagar na Justiça!
PS 3 do Viomundo: Após Aécio fugir da convenção do PSDB, fechou o tempo entre os militantes. Verdadeiro barraco: de xingamentos, vaias, troca de tapas a cadeiradas.

LULA, O INVENCÍVEL


"De uns anos para cá, a burguesia mais vagabunda do planeta e a mídia venal ganharam um 
reforço de peso na cruzada para destruir Lula: as próprias instituições do Estado, como MP, 
Judiciário, Polícia Federal e TCU. Tudo em vão. Lula segue firme, lidera todas as pesquisas e é 
idolatrado pelo povo por onde passa. Os tiros de canhão contra esse heroico sobrevivente da 
seca e da fome vão um a um saindo pela culatra. A perseguição teve efeito bumerangue: o 
homem virou mito ainda em vida", avalia o jornalista e colunista do 247 Bepe Damasco; "E, 
agora, quem será capaz de arrancar Lula de seu lugar cativo no coração do povo brasileiro? 
Terão coragem mesmo de acender um palito de fósforo num paiol de combustível e impedir sua 
candidatura? Apostarão no caos absoluto que sua prisão provocaria? Aposto em mais uma 
vitória do imbatível Lula. Quem viver verá".

BEPE DAMASCO

Já passa de 21h quando, cercado por um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas, além dos admiradores que disputam fisicamente o privilégio de tirar uma foto ou tocá-lo, entra no palco da concha acústica da Uerj o ex-presidente Lula. Faz calor no Rio, na noite desta sexta-feira, 8 de dezembro. Fisionomia cansada pela maratona a que se submete desde que iniciou seu périplo pelo estado do Rio, Lula mantém aquele brilho no olhar que o caracteriza.
Depois de alguns minutos de empurra-empurra, esse senhor de 72 está diante de uma multidão entusiasmada que o ovaciona. Logo, sem disfarçar a rouquidão, começa seu discurso marcado por forte conteúdo político, mas, como sempre, repleto de passagens que emocionam seus ouvintes e enchem o ar de esperança.
É o Lula velho de guerra fazendo o que mais gosta que é conversar com as pessoas. Durante 40 minutos a plateia prende a respiração. Impressiona o silêncio respeitoso generalizado na hora da fala de Lula.
E mesmo para veteranos como eu, que o acompanha desde o final dos anos 70, é impossível racionalizar suas frases e argumentos durante todo o tempo. É preciso ser uma rocha de gelo para não marejar os olhos quando ele, de microfone em punho, dispara sua verve contundente e afetuosa ao mesmo tempo.
Enquanto Lula desancava o governo golpista, enumerava as realizações de seus mandatos, esboçava algumas propostas para seu futuro governo e desafiava a Lava Jato a provar o desvio de um centavo sequer de sua parte, eu ficava a imaginar o quanto sou grato ao destino pelo prêmio de ser contemporâneo do maior líder popular da história do país.
Depois, projetando o futuro, vislumbrei a infinidade de teses acadêmicas de sociólogos, historiadores, cientistas políticos e da intelectualidade em geral que terão como objeto de estudo e pesquisa o fenômeno Luiz Inácio Lula da Silva.
Fenômeno dos mais marcantes e complexos, que só não é assim entendido pelos que têm a visão turvada pelo preconceito, pelo ódio aos pobres ou por um ideário político-ideológico pretensamente esquerdista na superfície, mas elitista na essência.
Qualquer outro político (do Brasil ou de todos os outros países, no presente e no passado) que por ventura fosse vítima da caçada implacável que Lula sofre há tantos anos já teria virado pó. Antes, a bombardeá-lo diuturnamente, tínhamos o monopólio da mídia e os donos do dinheiro. Lula sobreviveu, derrotou-os e foi eleito e reeleito presidente da República.Deixou o governo com mais de 80% de aprovação.
De uns anos para cá, a burguesia mais vagabunda do planeta e a mídia venal ganharam um reforço de peso na cruzada para destruir Lula : as próprias instituições do Estado, como MP, Judiciário, Polícia Federal e TCU. Fora as ramificações internacionais que esse consórcio antidemocrático possui.
Tudo em vão. Lula segue firme, lidera todas as pesquisas e é idolatrado pelo povo por onde passa. Os tiros de canhão contra esse heroico sobrevivente da seca e da fome vão um a um saindo pela culatra. A perseguição teve efeito bumerangue : o homem virou mito ainda em vida.
E, agora, quem será capaz de arrancar Lula de seu lugar cativo no coração do povo brasileiro? Terão coragem mesmo de acender um palito de fósforo num paiol de combustível e impedir sua candidatura? Apostarão no caos absoluto que sua prisão provocaria? Aposto em mais uma vitória do imbatível Lula. Quem viver verá.

Moro é juiz de piso pequeno!


Aragão: tire o rabo do meio das pernas e dispute na política!

Afiado artigo do ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão:


Disse o Sérgio Moro de sempre, diante de um comentário do ex-presidente Lula sobre os desmandos da justiça, que não debateria “publicamente com pessoas condenadas por crimes”.​
É a cara dele. Acha-se no direito de tecer comentários sobre tudo e sobre todos, projetando-se indevidamente numa arena que não pode ser sua como magistrado, a política. Mas, quando é confrontado politicamente, coloca o rabo entre as pernas e se escuda brandindo uma autoridade de que carece, pois argumentos não tem.


Só sabe repetir sua insossa ladainha moralista de “combate à corrupção”. Gosta de falar sem ser contrariado, de preferência de seu pódio majestático de juiz de província na sala de audiências. Lá ele corta a palavra, censura, ameaça e admoesta.
Quem está na chuva é para se molhar, Seu Moro! Quer vir para o debate político, enfrente os políticos debatendo! A covardia autoritária aqui não tem vez, pois, na democracia (se é que você é os seus ainda a respeitam) o discurso é horizontal, sem pódios majestáticos.
O ex-presidente Lula, quem tem muita lição moral a lhe dar, foi condenado por Moro num processo sem provas, previamente anunciado, após ser-lhe restringido publicamente o direito à auto-defesa no interrogatório. Só não o vê o presidente do TRF, que, sem lê-la, disse que a sentença contra Lula é perfeita, e o desembargador-relator da apelação, para quem Moro parece ser Deus na terra.
“Não debato com pessoas condenadas por crime” é prova do desrespeito desse juiz de província para com o princípio da presunção de inocência. Mas não tem problema. Quem diz que o magistradinho de piso é digno de debater com Lula? Terá que comer ainda muita sopa!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

PF = POLÍCIA FASCISTA ?


Himmler (C), de farda escura, inspeciona os professores da UFMG!

Por Joaquim Xavier:

Transformada em empresa privada de segurança do presidente ladrão, a PF tornou-se a Polícia Fascista. Atua como as SS de Hitler sob comando de Heinrich Himmler. Invade casas, empresas, universidades e o que for, munida de mandados encomendados a juízes timoratos - "para ser gentil", como diz o ansioso blogueiro.
Provoca “suicídios”, como o do reitor Cancellier – na verdade, um homicídio qualificado sob impulso da delegada Erika Marena e da Juíza Cassol (timorata).
O alvo preferencial de agora são as universidades. Não bastou assassinar o reitor Cancellier. Querem mais.
Voltaram a investir contra a Universidade Federal de Santa Catarina. Um dia antes, mobilizaram quase cem policiais para prender dirigentes e reitor da UFMG.
O diretor da Polícia Fascista, Segóvia, ou como vocês dizem, Senvergóvia, esse discípulo de Himmler, posa de desentendido. Perguntado pelo jornalista Luis Nassif sobre a operação contra a UFMG, disse que desconhecia o assunto. Um cínico assumido.
Enquanto isso, policiais sob a direção dele praticavam “condução coercitiva” contra supostos acusados. Vamos chamar as coisas pelo nome. As vítimas de mais este ato de arbítrio foram de fato PRESAS. Durante o período de condução coercitiva, estão sob controle da Polícia. Se isto não é prisão, privação de liberdade, o que é então PRISÃO?
Note-se que a "condução coercitiva" passou a ser rotineira, habitual e "legal". É uma contribuição daquele que vocês chamam de Judge Murrow ao nosso tropical pomar de jabuticabeiras!
Nenhum, absolutamente nenhuma das vítimas de Segóvia-Himmler sequer sabia do que estava sendo acusada. Nunca haviam sido convocadas para depor nos trâmites da lei que ainda existe (só) no papel.
Heloisa Starling, da UFMG, foi uma delas. Heloísa é uma das mais brilhantes historiadoras do país. Recentemente foi co-autora, com a historiadora Lilia Schwarcz, de um livro (“Brasil, uma biografia”) que é referência obrigatória para entender o país. Participou da Comissão da Verdade e investigou em profundidade os danos causados pela ditadura militar a seus opositores. Produziu séries de reportagens inesquecíveis divulgadas por emissoras como o SBT.
Conheço Heloisa pessoalmente. Sei de seus hábitos franciscanos, de sua vida pacata e de seu empenho e dedicação à tarefa de desvendar o lado oculto de períodos sombrios do Brasil. Sua prisão é um escândalo autoritário. Conversei com ela. Heloísa relatou a trama absurda em que tentam envolvê-la, com colegas da Universidade. Contou que a violência pessoal e psicológica foi tão grande que prefere ficar calada pelo menos por agora.
O ataque que vem sendo perpetrado pela Polícia Fascista representa também uma afronta inédita a uma garantia consagrada: a autonomia universitária. Tirando o período inicial da ditadura, não se tem notícia de agressões tão ostensivas a um direito conquistado a duras penas. Que fez das universidades um centro histórico de defesa das liberdades e lugar para reuniões, encontros e atividades que contribuíram para a derrocada da ditadura militar.
(Um suposto historiador, que vocês chamam de historialista, sustenta que a ditadora acabou porque os ditadores preferiram ir embora pra casa. Como dizem vocês: quá, quá, quá!)
A ditadura civil-policial de Temer sabe disso. Sob o argumento de desvio de verbas e que tais, ataca frontalmente os meios acadêmicos.
Claro que condutas irregulares devem ser investigadas e seus responsáveis, punidos. Mas a seletividade dos métodos da Polícia Fascista revela tudo.
Alguém se lembra da “condução coercitiva” de tubarões envolvidos em roubalheiras como as reveladas na tal operação Zelotes? Os montantes em questão superam os bilhões de reais. Mas, nenhum Roberto Setúbal, manda-chuva do Itaú, ou Jorge Gerdau Johannpeter, que vivia pedindo "menos impostos" (quá, quá, quá!) foi incomodado pela tropa da Polícia Fascista.
O meio acadêmico, intelectuais sérios, personalidades que prezam as liberdades e a autonomia universitária já se manifestaram contra a ofensiva de Segóvia-Himmler. A universidade de Coimbra, uma das mais importantes do mundo e onde recentemente o “juiz” Sergio Moro foi repudiado, também rechaçou as prisões arbitrárias.
João Bosco está indignado porque a PF Fascista se apropriou indevidamente de uma de suas antológicas composições, "Esperança equilibrista".
É pouco.
Por muito menos, em outras épocas, houve protestos bem mais contundentes. Uma Greve Geral das universidades se impõe. Nem que seja em respeito à memória do reitor Cancellier.

PETROBRAS PERDEU EM UM ANO R$ 140 BILHÕES POR CONTA DA LAVA JATO

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o anúncio feito pelo MPF de que vai devolver à 
Petrobras R$ 653,9 milhões, recuperados pela Operação Lava Jato; de acordo com a 
parlamentar, a petroleira brasileira sofreu prejuízos de R$ 140 bilhões em 2015 com a 
interrupção de atividades determinada pela Justiça; "E temos que ver o MPF fazer festa e 
cerimônia porque está devolvendo R$ 1,4 bilhão. A Petrobras perdeu, por causa da falta de 
responsabilidade deles, dez vezes mais do que eles estão devolvendo"

Agência Senado - A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou em Plenário nesta quinta-feira (7) o 
anúncio feito pelo Ministério Público Federal (MPF) de que vai devolver à Petrobras R$ 653,9 
milhões, recuperados pela Operação Lava Jato. Segundo a parlamentar, a petroleira brasileira sofreu 
prejuízos de R$ 140 bilhões em 2015 com a interrupção de atividades determinada pela Justiça.
O total de recursos recuperados até agora pela Lava Jato alcança R$ 1,4 bilhão. Para efeito de 
comparação, Gleisi Hoffmann lembrou que, durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma 
Rousseff (2010-2014), a Petrobras recebeu R$ 462 bilhões em investimentos.
— A Petrobras perdeu em um ano R$ 140 bilhões por conta da Lava Jato. E temos que ver o MPF 
fazer festa e cerimônia porque está devolvendo R$ 1,4 bilhão. A Petrobras perdeu, por causa da falta 
de responsabilidade deles, dez vezes mais do que eles estão devolvendo. Que matemática é essa? 
Como os senhores fazem uma coisa dessas? Eu gostaria de saber o que o MPF e o Judiciário têm a 
dizer a respeito disso — questionou.

LULA PEDIRÁ NULIDADE DE AÇÃO POR RECUSA DA LAVA JATO EM OUVIR TACLA DURAN


Defesa informou que poderá pedir a anulação do processo penal contra o ex-presidente por 
cerceamento da defesa pelo juiz Sérgio Moro; argumento principal do advogado Cristiano 
Zanin Martins é a recusa de Moro de autorizar o depoimento do advogado Rodrigo Tacla 
Duran como testemunha na ação relacionada à suposta doação de terreno ao Instituto Lula; 
"Tacla Duran fez referências específicas em seu depoimento na CPI sobre supostas 
adulterações de documentos que estão relacionados ao incidente de falsidade proposto pela 
defesa de Lula, dentre outros temas. Por isso, seu depoimento se mostra relevante para 
contextualizar a forma como os documentos questionados pela defesa do ex-Presidente foram 
produzidos e levados ao processo", argumenta Zanin

Paraná 247 - A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 7, que poderá pedir a anulação do processo penal contra o ex-presidente relacionada à suposta doação de terreno para o Instituto Lula por cerceamento da defesa pelo juiz federal Sérgio Moro.
O argumento principal do advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, é a recusa de Moro de autorizar o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran como testemunha na ação.
"Tacla Duran fez referências específicas em seu depoimento na CPI sobre supostas adulterações de documentos que estão relacionados ao incidente de falsidade proposto pela defesa de Lula, dentre outros temas. Por isso, seu depoimento se mostra relevante para contextualizar a forma como os documentos questionados pela defesa do ex-Presidente foram produzidos e levados ao processo", argumenta Zanin em nota.
"Além do cerceamento de defesa, a decisão mostra que Lula não está tendo o mesmo tratamento dado à acusação, para a qual foram deferidas as oitivas das testemunhas arroladas também no âmbito de incidente de falsidade. É mais um ato que contamina o processo de nulidade insanável", acrescenta o advogado.
Leia, abaixo, a nota da defesa de Lula na íntegra:

Defesa de Lula pedirá nulidade do processo pela nova recusa para ouvir Tacla Durán

É intrigante que mesmo após o denso depoimento prestado pelo Sr. Rodrigo Racla Duran na CPI da JBS o juízo da 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba negue à defesa do ex-Presidente Lula a possibilidade de ouvi-lo como testemunha no incidente de falsidade que questiona a idoneidade de documentos apresentados pela Odebrecht e pelo MPF na Ação Penal n. 5063130-17.2016.4.04.7000.
Tacla Duran fez referências específicas em seu depoimento na CPI sobre supostas adulterações de documentos que estão relacionados ao incidente de falsidade proposto pela defesa de Lula, dentre outros temas. Por isso, seu depoimento se mostra relevante para contextualizar a forma como os documentos questionados pela defesa do ex-Presidente foram produzidos e levados ao processo. A mera autorização para a juntada do depoimento prestado por Tacla Duran na CPI não se mostra suficiente para a completa elucidação dos fatos, - deveria ser um guia para os questionamentos a serem formulados.
Além do cerceamento de defesa, a decisão mostra que Lula não está tendo o mesmo tratamento dado à acusação, para a qual foram deferidas as oitivas das testemunhas arroladas também no âmbito de incidente de falsidade. É mais um ato que contamina o processo de nulidade insanável.
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ENQUANTO AGUARDA UM "MESSIAS" DA EXTREMA DIREITA.... TOME UM "PICOLÉ DE CHUCHU"

A mídia, essa senhora golpista, ainda aguarda um “Messias” de extrema-direita.

Embora tenha o “Messias” no meio do nome, Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ) não é confiável ao 
“mercado” e à burguesia paulista.
Pelo andar da carruagem, salvo solavancos de última hora, terá de suportar o “Picolé de Chuchu” 
[governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB] em 2018.
Outros projetos experimentais da mídia golpista — João Doria e Luciano Huck — morreram na 
casca do ovo. Entretanto, há setores desta velha mídia ainda permanecem mais perdidos que charuto 
na boca de bangula.
Configura-se, portanto, um confronto entre Alckmin e Lula — com ampla vantagem para o ex-
presidente. Por isso o desespero de tirar o petista da disputa do ano que vem.
Depois de derrubarem Dilma, mídia e judiciário agora trabalham juntos para deixar Lula inelegível. 
O jurista Luiz Fernando Casagrande Pereira, do Paraná, garante que os golpistas darão com os burros 
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INTELECTUAIS SAEM EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA -AUTOR DE HINO CONTRA A DITADURA, JOÃO BOSCO SE DIZ INDIGNADO COM A PF


O cantor e compositor João Bosco, que compôs em parceria com Aldir Blanc a canção "O 
bêbado e o equilibrista", hino contra a ditadura militar, se disse indignado com a agressão da 
Polícia Federal à UFMG,. m grupo de dezenas de intelectuais divulgou nesta quinta-feira, 7, 
um manifesto com duras críticas à ação da Polícia Federal na UFMG; "É inadmissível que a 
sociedade brasileira continue tolerando a ruptura da tradição legal construída a duras penas a 
partir da democratização brasileira em nome de um moralismo espetacular que busca, via 
ancoragem midiática, o julgamento rápido, precário e realizado unicamente no campo da 
opinião pública", diz o documento

Relembre, abaixo, este clássico da MPB, na voz de Elis Regina, que foi usado de forma 
indevida pela PF, para agredir uma universidade pública:


NOTA DE REPÚDIO À OPERAÇÃO "ESPERANÇA EQUILIBRISTA":

Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia. Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.
Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.
Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar.
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POR QUE O POVO NÃO VAI À LUTA?



Do Facebook de Breno Altman: Por que o povo não vai à luta?

Porque o PT e a esquerda brasileira ensinaram, com sucesso, nos últimos 15 anos, que o centro da 
luta de classes é eleitoral. A poucos meses da sucessão presidencial, o povo guarda suas fichas para 
essa disputa, na qual Lula aparece como a alternativa popular contra o governo usurpador e sua 
agenda.
Porque ainda não cicatrizou a ruptura da confiança popular provocada pelo giro à direita no segundo 
mandato da presidente Dilma Rousseff, aproveitado pelas forças conservadoras para disseminar a 
ideia de estelionato eleitoral e fragilizar a influência do PT junto às massas.
Porque a politica de mudança pelo alto, sem recurso predominante à mobilização social, estimulou 
os fatores de burocratização do movimento sindical e popular, dos quais apenas lentamente a 
vanguarda da classe trabalhadora vai conseguindo se livrar.
Porque o PT e todos os demais partidos de esquerda com representação parlamentar se 
transformaram em máquinas eleitorais, grandes ou pequenas, com baixa intensidade de atuação na 
educação, mobilização e organização do povo.
Porque os ataques à democracia, vertebrados por setores do MPF, da PF e do Poder Judiciário, sob o 
comando da mídia monopolista, em curso desde 2005, sem resposta à altura dos governos petistas e 
do campo popular, desgastaram profundamente o universo da política, especialmente o da política de 
esquerda, reforçando a cultura da passividade que sempre predominou em nosso país.
Porque a crise econômica e o desemprego, ao mesmo tempo em que são razões de ódio ao governo 
usurpador, também são indutores de insegurança e temor entre as massas, que não percebem a 
existência de um comando político sob o qual valha a pena colocar tudo em risco para se entregar à 
luta e à rebelião.
Porque a orientação conduzida pelo PT e a maioria da esquerda, desde 2002, na qual era desprezada 
a preparação do povo para o inevitável confronto contra as classes dominantes e seus partidos, 
deixou as massas desarvoradas diante do golpe, com baixa compreensão de seu significado e 
confusas sobre o que fazer, um estado de animo que somente de forma paulatina e vagarosa vai 
sendo superado.
Porque um setor da esquerda, supostamente à esquerda do PT, fincou estacas em uma política 
marcadamente antipetista, auxiliando o trabalho de sapa da direita e dividindo o campo popular tanto 
antes quanto depois do golpe.
Esses são alguns dos porquês, mas outros devem existir...
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

REITORES CONDENAM ATAQUE À UFMG E COBRAM LEI CONTRA ABUSO DE AUTORIDADE


Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em 
nome de 63 reitores das Universidades Federais brasileiras, manifesta "indignação com a 
violência, determinada por autoridades e praticada pela Polícia Federal, ao conduzir 
coercitivamente gestores (as), ex-gestores (as) e docentes da Universidade Federal de Minas 
Gerais, em uma operação que apura supostos desvios na construção do Memorial da Anistia"; 
os reitores afirmam ser "notória a ilegalidade da medida" e lembram que ela "repete práticas" 
do caso que levou Luiz Carlos Cancellier, reitor da USC, ao suicídio; "Apenas o desprezo pela 
lei e a intenção política de calar as Universidades podem justificar a opção de conduzir 
coercitivamente no lugar de simplesmente intimar para prestar as informações eventualmente 
necessárias". Leia a íntegra:

NOTA OFICIAL

MEMÓRIA DA DITADURA


A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em nome dos (as) sessenta e três reitores (as) das Universidades Federais brasileiras, vem, mais uma vez, manifestar a sua indignação com a violência, determinada por autoridades e praticada pela Polícia Federal, ao conduzir coercitivamente gestores (as), ex-gestores (as) e docentes da Universidade Federal de Minas Gerais, em uma operação que apura supostos desvios na construção do Memorial da Anistia.
É notória a ilegalidade da medida, que repete práticas de um Estado policial, como se passou com a prisão injustificada do Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina, há pouco mais de dois meses. Apenas o desprezo pela lei e a intenção política de calar as Universidades, lócus do pensamento crítico e da promoção da cidadania, podem justificar a opção de conduzir coercitivamente, no lugar de simplesmente intimar para prestar as informações eventualmente necessárias. Ações espetaculosas, motivadas ideologicamente e nomeadas com ironia para demonstrar o desprezo por valores humanistas, não ajudam a combater a real corrupção do País, nem contribuem para a edificação de uma sociedade democrática.
É sintomático que este caso grotesco de abuso de poder tenha como pretexto averiguar irregularidades na execução do projeto Memorial da Anistia do Brasil, que tem, como uma de suas finalidades, justamente preservar, em benefício das gerações atuais e futuras, a lembrança de um período lamentável da nossa história. Na ditadura, é bom lembrar, o arbítrio e o abuso de autoridade eram, também, práticas correntes e justificadas com argumentos estapafúrdios.
As Universidades Federais conclamam o Congresso Nacional a produzir, com rapidez, uma lei que coíba e penalize o abuso de autoridade. E exigem que os titulares do Conselho Nacional de Justiça, da Procuradoria Geral da República, do Ministério da Justiça e do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria da União intimem seus subordinados a balizarem as suas atividades pelos preceitos constitucionais, especialmente quanto ao respeito aos direitos individuais e às instituições da República. A sociedade não pode ficar sob ameaça de centuriões.
A Andifes, as reitoras e os reitores das Universidades Federais solidarizam-se com a comunidade da Universidade Federal de Minas Gerais, com seus gestores, ex-reitores e com seus servidores, ao mesmo tempo em que conclamam toda a sociedade a reagir às violências repetidamente praticadas por órgãos e indivíduos que têm por obrigação respeitar a lei e o Estado Democrático de Direito. As Universidades Federais, reiteramos, são patrimônio da sociedade brasileira e não cessarão a sua luta contra o obscurantismo no Brasil.

Brasília, 06 de dezembro de 2017.
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DEPOIS DE TER MATADO O REITOR EM SC, A DITADURA ATACA AGORA A UFMG


Assim como no caso da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) repete-se a 
combinação de PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União 
(TCU).


A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (6) a Operação Esperança 
Equilibrista, com o objetivo de apurar a não execução e o desvio de recursos públicos para a 
construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil. Idealizada em 2008, a fim 
de preservar e difundir a memória política dos períodos de repressão, a obra foi financiada 
pelo Ministério da Justiça e executada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


Há anos o Memorial padece de problemas burocráticos.
Problemas administrativos, que demandam análises administrativas, são transformados em casos policiais, para que se infunda o terror nas universidades, último reduto da liberdade de pensamento no país, depois que a Lava Jato se incumbiu de desmontar o PT e a reforma trabalhista investiu contra as centrais sindicais.
A história do Memorial é bonita.
Todo o país que passou por ditaduras tem movimentos emblemáticos representando a luta contra a repressão. O Brasil teve mais de 50 mil pessoas anistiadas, reconhecidas como perseguidas pela ditadura e não tinha nenhum monumento.
A Comissão de Anistia, quase dez anos atrás, lançou o projeto de Memorial da Anistia, com verbas do Ministério da Justiça e parceria com UFMG. A ideia seria reformar o Coleginho e ali fazer uma exposição permanente. E, ao lado, um prédio para ser o acervo da Comissão de Anistia.
Os problemas ocorreram quando se analisaram as condições do Coleginho, cuja estrutura, antiga, não suportaria as reformas. Foi planejado, então, a construção de um prédio ao lado, que abrigaria o acervo e a própria Comissão de Anistia.
Os valores, de R$ 19 milhões, eram perfeitamente compatíveis com a nova estrutura proposta. Foram abertas três sindicâncias, no Ministério da Justiça, do Ministério Público Federal e na própria UFMG apenas para apurar se houve imperícia no projeto para o Coleginho, que não levou em conta suas condições.
Com o impeachment, não houve sequer nomeação do novo presidente da Comissão de Anistia, e as obras foram paralisadas.
Este ano, foi realizada uma audiência pública em Belo Horizonte, na qual se solicitou à UFMG que terminasse o projeto. E foi recusado pela óbvia falta de verbas que assola as universidades federais.
A invasão da UFMG e a condução coercitiva de oito pessoas mostram três coisas.
A primeira, é que não há um fato apurado e um suspeito preso. Monta-se o velho circo de prender várias pessoas, infundir terror na comunidade, e obter confissões sabe-se lá por quais métodos. A segunda é que a morte do reitor da UFSC não mudou em nada os procedimento.
Têm-se uma PF incapaz de solucionar o caso do helicóptero transportando 500 quilos de cocaína, soltando o piloto e liberando o veículo em prazo recorde e, agora, a investida política contra a segunda universidade. A terceira, é que o nome dado à operação – “Esperança Equilibrista” – é claramente uma provocação aos setores de direitos humanos.
Esse monstro está sendo diretamente alimentado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, que se transformou no principal inspirador da segunda onda repressiva dos filhotes da Lava Jato.
Vamos ver quem são as vozes que se levantarão para denunciar mais esse ataque.
A força policial invadiu a sala da vice-reitora. Quando outros professores chegaram lá, aboletada na cadeira da vice-reitora estava uma corregedora da CGU, como se fosse a nova dona do pedaço.
Faltou uma foto para documentar a extensão do arbítrio.
A notícia, agora de manhã, de que a Polícia Federal invadiu a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) levando em condução coercitiva o reitor e a vice-reitora, em uma operação sintomaticamente denominado de “Esperança Equilibrista”, comprova o avanço político do estado de exceção.
Assista abaixo:


Por que o BARBICHA da Lama jato foi chamado de “raposa no galinheiro”.


‘Raposa no galinheiro’: Carlos Fernando dos Santos Lima o Barbicha do Banestado e da Lama 
Jato.

O espetáculo midiático em que se transformou a condução coercitiva do ex-presidente Lula em março de 2016, apenas um dia após o “furo” da revista IstoÉ, finalmente deixou escancarado o que todos já sabiam: o alvo principal da Lava Jato sempre foi o maior líder popular do Brasil.
Se antes os procuradores que coordenam os trabalhos tergiversavam utilizando argumentos republicanos como o de que a operação não investiga pessoas mas fatos, a impressão que ficou na entrevista dada pelo MPF é que já nem mais investigam Lula, a sua culpa já foi decretada. Provas para os procuradores são detalhes insignificantes.
Aliás, chegou a ser emblemática a decepção do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao afirmar que os mandatos de busca e apreensão efetuados na casa de Lula e no seu Instituto teriam sido prejudicados justamente em função do vazamento da operação pela imprensa.
O que ele chama de “prejudicado” é o fato de basicamente não terem encontrado nada de relevante que amparasse o linchamento da mídia e a condenação prévia de seu seqüestrado.
Se a operação foi “prejudicada” por vazamentos ilegais de mandatos sigilosos divulgados na grande mídia, não seria o caso desses mesmos procuradores e do juiz Sérgio Moro abrirem inquérito para apurar os vazamentos? Imagina. Tolice.
Em se tratando de política e poder, quem acredita em coincidências acredita em fadas e duendes. Até o mais ingênuo dos “inocentes úteis” já sabe do escandaloso consórcio formado pela PF, MPF, Sérgio Moro e a grande imprensa brasileira.
Toda a operação seguiu um rigoroso esquema previamente combinado com os grandes veículos de informação dominados por meia dúzia de famílias. Incrível como quando o assunto é fama, dinheiro e um projeto de poder, as antigas “diferenças” entre a mídia familiar e suas vítimas, e vice-versa, são oportunamente esquecidas.
Ironia das ironias, a mesma revista IstoÉ que preparou o terreno para a grande atuação de Santos Lima e a força tarefa da Lava Jato, no passado não compartilhava da mesma admiração que hoje imputa a um dos atuais mosqueteiros no combate à corrupção.
Em setembro de 2003 a IstoÉ publicou uma matéria sobre Santos Lima cujo título é no mínimo inspirador: “Raposa no galinheiro”. O subtítulo emenda: “Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas”.
A matéria assinada pelos jornalistas Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr. deixaria o mais ávido “paneleiro” decepcionado, isso se a sua causa realmente fosse o combate à corrupção.
A denúncia ocorreu quando uma comissão de autoridades brasileiras encarregadas de apurar o escândalo do Banestado foi até os EUA em busca de provas e documentos sobre lavagem de dinheiro e remessas ilegais de recursos para o exterior.
Segundo os jornalistas, o procurador Santos Lima tentou de todas as maneiras impedir que os “preciosos documentos” fossem entregues aos membros da CPI. A matéria conta que a atuação do procurador causou constrangimento tanto na delegação brasileira quanto nas autoridades dos Estados Unidos. Nas palavras de um dos americanos: “Foi insólito”.
Um trecho diz o seguinte:
Santos Lima, quando servia em Curitiba, foi quem recebeu e manteve engavetado, desde 1998, o dossiê detalhadíssimo sobre o caso Banestado e uma lista de 107 pessoas que figuram na queixa-crime sobre remessa de dólares via agência em Nova York. No episódio houve aquilo que em termos jurídicos se chama de “instituto da suspeição”, já que o procurador é parte interessada no caso. Sua esposa, Vera Lúcia dos Santos Lima, trabalhava no Departamento de Abertura de Contas da filial do Banestado, em Foz do Iguaçu. Agora, na Big Apple, Santos Lima fez um tour de force para que a documentação da quebra de sigilo de várias contas, realizada pelo escritório da Procuradoria Distrital de Manhattan, também não viesse à luz, enveredando por um labirinto burocrático que, como sempre, tem seu final em pizza.
Como sabemos, o caso Banestado nunca foi devidamente esclarecido. A grande imprensa na era FHC não se dedicava exatamente à investigação de suspeitas de corrupção no governo.
O que realmente sabemos é sob as rédeas de quem a operação Lava Jato está sendo conduzida.
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MORO TENTA OBSTRUIR A "JUSTISSA"!


O Juiz age como parte! Mas isso não vem ao caso

Abaixo as agudas reflexões do Kakay, respeitado advogado.

(O ansioso blogueiro se permitiu introduzir pitacos no texto original, sobre os quais o Kakay não 
tem nenhuma responsabilidade.)
Ontem (5/XII), durante o prêmio da Revista IstoÉ (aqui conhecida como QuantoÉ - PHA)estavam 
presentes, dentre outras autoridades (sic), o Presidente Temer (aqui conhecido como presidente 
ladrão - PHA) e o Juiz Sergio Moro (aqui conhecido como Judge Murrow - PHA).
O Juiz teve a ousadia de pedir em público a interferência do Presidente da República, do Executivo, 
junto ao Supremo Tribunal Federal, para impedir que, no julgamento da ADC 43, a Corte mude o 
entendimento adotado por 6x5 quando do julgamento da liminar.
O prevalência do principio da presunção de inocência, que tive a honra de defender no Pleno do
Supremo, onde se discute a prisão em segundo grau de jurisdição, será discutido pelo Supremo agora
em julgamento de mérito.
Imagine se eu, como advogado que assinei e sustentei a ADC, resolvesse escrever um artigo pedindo 
a interferência do Executivo, do Presidente da República, usando o enorme poder que tem a 
Presidência - expressão usada pelo juiz (Murrow - PHA) - junto ao Judiciário, junto ao Supremo 
Tribunal Federal.
Seria certamente acusado de tentar obstruir a Justiça (aqui conhecida, muitas vezes, como Justissa -
PHA), de tentar influenciar indevidamente um julgamento junto ao Poder Judiciário.
Não considero errada a manifestação do juiz (Murrow - PHA), que, na realidade, (sempre - PHA) 
age como parte.
Mas, se a Defesa fizesse o mesmo seria massacrada como se fosse uma interferência abusiva e ilegal.
O princípio da paridade de armas só existe no papel.

Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay


(E) Na QuantoÉ, 2017: presidente ladrão não se levanta. (D) Na QuantoÉ, 2016: presidente 
finge que não vê cena de ternura atrás dele

Em tempo: por falar em "paridade de armas", Kakay, como fica a situação do Dr. Zucolotto e sua 
sócia? - PHA
Em tempo2: sobre a "justissa", favor consultar o ABC do C Af.

O GOLPE NO GOLPE - COMENTÁRIO DO DIA



CAMPONESES INICIAM GREVE DE FOME CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA: GOVERNO TEMER MENTE SOBRE APOSENTADORIA RURAL

 
MPA faz Greve de Fome na Capital Federal contra a Reforma da Previdência

Camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciam hoje, 5 de dezembro, Greve de Fome na Câmara dos Deputados Federal em Brasília como forma de repúdio a Reforma da Previdência que assombra os trabalhadores do campo e da cidade, e que poderá ser votada a qualquer momento.
As recentes notícias da proposição do relator da Reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), de retirar os trabalhadores rurais da proposta encaminhada para votação é mentira e a não votação da reforma na Câmara do Deputados não desmobilizou os trabalhadores, diante disso o Movimento segue somando nas atividades da Frente Brasil Popular em todo o País.
“Para o MPA a Greve de Fome significa que alguns passarão fome por alguns dias para evitar que muitos passem fome uma vida inteira”, afirma Bruno Pilon. O MPA reafirma sua posição contrária a Reforma da Previdência, posição essa expressa por todas as organizações do campo e da cidade que de fato defendem os interesses da Classe Trabalhadora.
“Nem a aparente retirada dos rurais da Reforma Previdenciária nos fará retroceder a luta, essa é uma Luta de Classe. Se nossos irmãos e irmãs urbanos serão atingidos também seremos, vamos nos manter firmes para barrar esses retrocessos”, aponta Pilon.
Os camponeses e camponesas que estão fazendo a Greve de Fome, Frei Sergio Görgen, Josi Costa e Leila Denise Meurer sabem do desafio que é imposto a privação de se alimentar, mas visto o nível de retirada de diretos que se encontra é uma das ações que estão dispostos a fazer para contribuir com a derrocada dessa Reforma, esse é um aviso prévio das ações que eles irão executar caso essa Reforma venha a ser votada.
O Movimento não aceita a manobra do governo golpista e assegura que irá cerrar fileiras junto com todos os companheiros e companheiras urbanos e rurais, junto com suas entidades de Classe para barrar esta votação e derrotar a reforma na Câmara do Deputados.


Temer mente sobre aposentadoria dos agricultores familiares

Governo passa a exigir contribuição mensal dos pequenos agricultores e aumenta idade mínima dos assalariados rurais

por Tatiana Melim, no site da CUT nacional
O governo do ilegítimo e golpista Michel Temer (PMDB-SP), no desespero de aprovar a Reforma da Previdência, vende para a população a ideia de que a nova proposta é melhor do que a anterior e que não vai alterar as regras dos trabalhadores assalariados rurais e dos agricultores familiares.
“É mentira! O governo está, sim, mexendo na previdência dos rurais e milhares não conseguirão se aposentar, se as novas regras forem aprovadas”, alerta o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos.
“A nova reforma Previdenciária, ao contrário da propaganda enganosa de Temer, iguala as regras dos trabalhadores assalariados rurais aos urbanos e ainda exige dos agricultores familiares (pequenos produtores) uma contribuição mensal e individual, o que praticamente acaba com o sistema de proteção diferenciado dos rurais”, explica Aristides.
Segundo ele, o governo recuou em alguns pontos com relação à primeira proposta e manteve inalterado apenas o artigo 195 da Constituição, que trata da aposentadoria dos rurais. Mas, em compensação, explica Aristides, a nova proposta muda as regras de concessão do benefício tanto para o assalariado rural quanto para o agricultor familiar.
No caso do agricultor familiar, a proposta de Temer é alterar o modelo de contribuição sobre produção e comprovação de tempo no meio rural para exigir dos pequenos produtores pagamento mensal por, no mínimo, 15 anos e por pessoa.
Atualmente, o agricultor familiar contribui somente quando vende o excedente da produção e, mesmo assim, 65% não conseguem ter renda suficiente para pagar 2,1% sobre a venda da produção e garantir a cobertura previdenciária a toda família.
Segundo o presidente da Contag, “é uma mudança drástica que vai deixar a grande maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo sem acesso à Previdência.”
“Cerca de 70% da base ficará sem aposentadoria”, disse Aristides, referindo-se à base da Contag, que é de 20 milhões de agricultores familiares.
Na regra atual, lembra o dirigente, os agricultores familiares, que respondem por cerca de 70% dos alimentos do país, enfrentam diversos problemas para conseguir acessar a aposentadoria “mesmo com a cobrança justa de uma alíquota sobre a produção”.
“O agricultor muda de propriedade, enfrenta problemas climáticos, tem dificuldade com a documentação das terras, não é simples comprovar os 15 anos de atividade no campo com as regras atuais”, explica.
O assessor jurídico da Contag, Evandro Morelli, alerta ainda para a questão da renda mensal desses trabalhadores e da dificuldade ainda maior que terão, caso a contribuição seja feita por cada membro da família.
Segundo o Censo Agropecuário 2006, 60% dos agricultores familiares possuem uma renda média líquida de R$ 1.500 e outros 49% de apenas R$ 300. “Imagina essas famílias terem de contribuir por pessoa para a Previdência”, questiona. “Ou a família sobrevive ou paga a Previdência”.
Luta contra a reforma
A pressão aos parlamentares vai se intensificar no Congresso Nacional a partir de amanhã (5), quando os trabalhadores e trabalhadoras rurais passarão a fazer plantão para cobrar os deputados. “Nossa luta é para que a reforma seja retirada por completo. Não é justo o que estão propondo aos trabalhadores rurais e urbanos. O governo precisa gerir a Seguridade Social com responsabilidade.”
Abaixo, a íntegra da nota da Contag sobre reforma da Previdência

A FALA DE LULA EM CAMPOS - ASSISTA



Quando governos autoritários violam os direitos da população, os liberais e sua mídia correm a 
louvar a “desobediência civil”.
Não é assim que fazem quando se trata do governo da Venezuela ou, antes, quando da primavera 
árabe, ou nas rebeliões do “15 M” da Espanha e, lá mesmo, na recente questão da Catalunha?
Aqui, a prevalecer a temerária atuação abusiva da Justiça para interferir no processo eleitoral, 
violando com evidente deliberação a livre formação da vontade popular, o direito de protestar, fixado 
no Art. 5 da Constituição, que nos permite reunirmo-nos, pacificamente, em praça pública é quase 
uma obrigação cívica.
É o que Lula está fazendo, em sua caravana, agora mesmo, enchendo a praça em Campos, no Norte 
do estado do Rio de Janeiro.
É a desobediência do povo brasileiro às ordens de seus tutores, que se arvoram a decidir, em seus 
gabinetes, que pode ou não pode ser o Presidente do Brasil.
A desobediência civil ante uma Justiça que descaradamente usurpa o direito de julgar algo que 
pertence a mais de 100 milhões de brasileiros julgar.
Não há direito que possa consagrar a retirada do direito de autodeterminação de um povo.
Assista a fala de Lula.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

POLICIAIS DE HONDURAS IGNORAM TOQUE DE RECOLHER E SE UNEM A OPOSITORES


'Nosso povo é soberano e a eles devemos, portanto não podemos estar confrontando e 
reprimindo seus direitos', afirmou Direção Nacional de Forças Especiais da Polícia Nacional de 
Honduras.

Grupos de agentes policiais de Honduras se negaram, no início da madrugada desta terça-feira 
(05/12) a reprimir manifestações populares que protestam contra as possíveis fraudes no processo 
eleitoral do país. O presidente Juan Orlando Hernández foi anunciado como vencedor, mas o pleito é 
contestado pelo candidato de oposição Salvador Nasralla.
Grupos da Polícia Nacional de Honduras se recusaram a reprimir manifestações contra resultado 
eleitoral
Por sua vez, membros do esquadrão Cobras, 
grupo especial antimotins, apoiados também por 
agentes policiais preventivos, saíram de suas 
barracas no norte de Tegucigalpa e se recusaram 
a sair a fim de reprimir manifestantes que não 
estivessem cumprindo o toque de recolher 
determinado pelo governo.
Em comunicado lido a emissoras de TV 
hondurenhas, os Cobras pediram uma solução 
para a crise política. “Instamos ao Tribunal 
Eleitoral que respeite a vontade dos 
hondurenhos. Nossa posição não se deve a 
posições políticas, só queremos paz e tranquilidade”, afirmou o grupo.
Demora no resultado
Ante a demora no anúncio dos resultados das eleições presidenciais, os hondurenhos se mobilizaram 
pacificamente para exigir a difusão e defender os votos emitidos durante o pleito. Pouco depois, 
foram reprimidos pelas forças de segurança.
Na sexta-feira (01/12), o governo implementou um toque de recolher por 10 dias ante as 
manifestações.
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Cubanos vão às urnas e se preparam para escolher novo presidente em 2018

Eleições definem quem serão os delegados e delegadas das Assembleias Municipais do Poder 
Popular, a base da democracia cubana.

MULHER DE MORO FAZ PEDIDO AO PAPAI NOEL

No Facebook, mulher de Moro pede que “Papai Noel traga coisas boas aos que mentem e 
inventam histórias sobre mim e minha família”

Rosângela Moro postou um recado “aos que mentem e inventam histórias” sobre ela e família 
na conta de Facebook que serve para endeusar o marido.
Diz a advogada:
Papai Noel está chegando. Hora de pensar no ano que passou, nas conquistas e no que ainda precisa 
ser conquistado. Para o meu papai noel vou pedir saúde, trabalho, fé e determinação para seguir 
adiante e realizar novos projetos, para mim, para minha família, meus amigos e cada um de vocês!! 
O certo é certo, sempre!! Façamos nossa escolha para tudo na vida pensando assim. Aos que mentem 
e inventam histórias e amaldiçoam a mim e minha família, para estes, eu peço ainda mais: que Papai 
Noel lhes traga coisas boas nas suas vidas, daí não será preciso se preocupar com a dos outros. 
Desejo também que passe a conhecer o sentimento de respeito. Aquilo que se fala, diz muito mais 
sobre quem está falando do que sobre quem fala. Ninguém pode dar o que não tem. Vem Papai Noel, 
estamos te aguardando!?
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SEM RADICALIZAÇÃO, O TOMBO SERÁ DA ESCADA


As forças progressistas caíram quando Dilma desmobilizou o eleitorado. A queda será de cima 
se houver conciliação de classe

Por Maria Inês Nassif

Não é a mera vontade dos atores políticos, mas é a história que abre as portas para a ascensão (ou descenso) das forças progressistas e democráticas da sociedade. Se há um entendimento claro da História, a vontade das forças políticas é capaz de fazer a sociedade deter a marcha dos reacionários (na acepção das palavras, aqueles que reagem às mudanças), reconquistar conquistas (no atual momento, é esse o problema) e aprofundar a Democracia política e social. Se a vontade for contra a História, a força estará contra o inimigo.
Isso não é um manual comunista, mas a simples realidade num país que, em poucos anos de governos progressistas, reverteu uma História desigualdade de classes, tirou a fome do dicionário dos pobres, deu a eles perspectiva de futuro e avançou tecnologicamente em setores que seriam o grande impulso a uma economia que viveu na órbita do Imperialismo.
Isso, na verdade, é um manual de sobrevivência.
Em 2005, a Presidenta Dilma Rousseff – ainda Presidenta porque foi deposta por um golpe – apenas foi eleita porque houve radicalização na base. Ela foi obrigada a falar mais alto na eleição porque, mobilizadas pelas eleições, as classes sociais que tinham muito a perder com um governo tucano radicalizaram antes. Foi a mobilização dos setores progressistas que a levaram ao Palácio do Planalto novamente. Foi a radicalização das esquerdas que deteve a tropa da direita radicalizada.
Uma vez eleita, sem maioria no Congresso e com medo do agravamento da crise econômica, Dilma desmobilizou as bases e tentou empreender um programa que atraísse a Direita. Tirou dos seus pés o único pilar que a sustentava: a mobilização popular. A direita forçou o tombo.
Falar em conciliar agora é tirar a escada dos pés do pintor que tenta dar uma nova cor ao quadro político. A Direita faz testes das chances de inúmeros candidatos capazes de polarizar com Lula na disputa, mas isso está longe de significar que os artífices e os executores do Golpe estarão rachados lá na frente, na hora que as urnas se abrirem – ou não abrirem (isso vai depender do que acontecer até lá, porque a Direita está e continuará radicalizada e jura para as classes médias que o fantasma comunista, em desuso no mundo inteiro, está à espreita).
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vence; ou é proibido pela Justiça de concorrer; ou eleições não acontecem.
Esse é o quadro real para as forças progressistas se não houver radicalização do lado de cá, como há radicalização do lado de lá. Não haverá futuro para o Estado-Nação (que se dissolve nas mãos dos decretos de Temer que escancaram o Brasil para a Metrópole) e para os seus pobres (que voltam às ruas com fome, com as mãos postas para receber uma esmola e com os olhos sem esperanças).
E a radicalização é organizar bases de resistência e de conscientização. O discurso não poderia ser mais concreto: cada dia, a quadrilha que se instalou no poder suprime um direito conquistado em todo o período anterior da República.
Não é hora de falar em conciliação, simplesmente porque as classes não querem conciliar. É um chamado inglório, para quem o fizer, e desmobilizante.
Não se pode cometer duas vezes o mesmo erro em período tão curto de tempo.
Por ele, pagamos com um tombo. Agora, vamos cair da escada.

Sem confronto, Lula está perdido​!​


O cenário de Lula como candidato imbatível é motivo de atenção máxima neste momento. O resultado da última pesquisa convida à justa celebração de todos os que se opõem à quadrilha do Planalto. Ao mesmo tempo, acende um sinal de alerta diante da disposição dos golpistas de fraudar a vontade popular seja de que jeito for.
Em situação mais ou menos normal, seria crível pensar que um governo completamente desmoralizado e rejeitado como este não teria outra coisa a fazer senão já ir arrumando as gavetas para entregar o poder a quem ele pertence: o povo. A contradição entre a vontade nacional e a manutenção da quadrilha de ​M​i​S​hel​l​ no Planalto assusta até comentaristas internacionais tarimbados.
Mas a situação não é normal, longe disso.
O Brasil está à mercê de um governo usurpador sem escrúpulos e fantoche dos rentistas nacionais e estrangeiros. O ​C​ongresso atual lembra uma casa de messalinas insaciáveis e dispostas a se entregar ao melhor pagador. A base de sustentação da gang ​Mishelleira é reforçada por uma mídia obediente e um judiciário domesticado. ​A​ essa turma de ladravazes e seus porta-vozes pouco importa a rejeição monumental expressa nas pesquisas de opinião.
Fatos não mentem. Ridículo dizer que o país vive uma democracia quando um emissário de multinacionais petrolíferas circula pelo ​P​arlamento e gabinetes palacianos livre, leve e solto para negociar –​ ​e conseguir! — uma isenção de mais de um trilhão de reais para rapinar à vontade o petróleo brasileiro.
Também é ingenuidade indesculpável acreditar numa ​J​usti​ss​a​​ em que um ministro como Gilmar Mendes pinta e borda, atropela seus pares e distribui habeas corpus de acordo com interesses bem confessos e conveniências de parentesco.
A contaminação é generalizada. Tacla Durán, um ex-advogado da principal empreiteira pilhada em atos de corrupção, vai ao ​C​ongresso e acusa amigões de um juiz ​- ​Sergio Moro, ele mesmo​ -​ de montar um esquema milionário de “delações à la carte”. Exibe documentos, reconstitui situações com datas, mensagens eletrônicas e evidências gritantes. Nada se faz. Os órgãos supostamente encarregados de zelar pela lisura do ​J​udi​ss​iário se calam despudoramente.
Como se mais nada faltasse, a Polícia Federal encontra-se privatizada de fato: com seu novo diretor, ​Senvergóvia, ​está rebaixada à condição de empresa de segurança particular do ladrão-chefe da República.
Agora, sabe-se ainda que um desembargador ​em Brasília atua como advogado particular dos saqueadores no planalto. Direto de sua pena saem decisões a jato, ou à la carte, para anular sentenças opostas à quadrilha do PMDB, PSDB, DEM e seus satélites.
A chamada grande mídia, como de praxe, abafa tudo isso. Faz o mesmo diante do escândalo monumental de subornos envolvendo a Rede Globo ​Overseas ​e eventos do futebol. O propinoduto internacional ​já produziu dois cadáveres, há outros tantos por aparecer, mas nada disso vem ao caso.
Vergonha e honestidade são verbetes banidos há muito tempo do dicionário deste pessoal. A roubalheira corre solta, imune à reprovação patente da maioria do povo brasileiro.
Não se trata simplesmente de manifestações de “ódio”, embora ele também exista por parte dos adversários de tudo que se aproxime da vontade popular. São sobretudo manifestações de interesses de classe, direcionados a ​fazer o Brasil ​retroagir à condição de ​C​olônia submissa administrada por bucaneiros a soldo do grande capital em crise mundo afora. É briga de cachorro grande.
Governos não caem por gravidade; precisam ser derrubados.
Em democracias razoavelmente estabelecidas, isto pode acontecer pelo voto.
No caso de um ambiente de exceção, como o brasileiro, os instrumentos vão além disso. Honduras é o exemplo mais recente. Para se perpetuar no poder, uma clique usurpadora acaba de manipular as urnas, suspendendo as apurações até ser fabricada uma falsa maioria no papel a favor do títere de plantão.
É em coisa parecida que ​T​emer e seus tonton-macoute disfarçados de “excelências” sonham em transformar o Brasil.
Para tanto nada tem sido racionado. A sentença contra Lula já está encomendada em prazo recorde​​. Na hipótese de ela não funcionar, o tal semipresidencialismo​ está no forno. Se isto falhar, as eleições podem ser canceladas. O roteiro está pronto; a ninguém cabe o direito de alegar surpresa ou espanto.
Ignorar a truculência dos golpistas é condenar o país a viver de novo a situação do período Dilma Rousseff, quando a presidenta anestesiava apoiadores alegando que por ser honesta nunca seria liquidada.
Agora, as cantilenas sobre negociação, perdão a golpistas e outras platitudes apenas servem para desmobilizar o povo. Ou se parte para o embate direto, ou o destino da candidatura Lula e de eleições livres será exatamente igual o desfecho do governo Dilma Rousseff.
Os partidos de oposição, as centrais sindicais, os movimentos sociais já desperdiçaram tempo demais brandindo palavras de ordem ao vento sem transformá-las em ferramentas de mobilização popular.
Tampouco vale brincar com chamamentos a uma greve geral ​que só se torna ​conhecida no dia de seu cancelamento.
O ex-ministro José Dirceu sugeriu a formação de comitês em defesa da candidatura de Lula. Pode ser um caminho.
Outros certamente estão à mesa, incluindo a resistência localizada às reformas patronais na área do ​T​rabalho e da ​P​revidência.
Sob o signo da unidade pela volta à ​D​emocracia e eleições limpas, o indispensável é envolver o povo das ruas, das fábricas, dos bancos, das universidades, das ocupações no campo e na cidade, bem como o contingente de milhões de desempregados que não para de aumentar indiferente às manipulações estatísticas.
Este é o jogo jogado a céu aberto. A cada novo dia, as tropas golpistas esgrimem suas armas, no sentido figurado e literal.
Cabe à oposição mostrar as suas enquanto é tempo. Sem confronto, na política inclusive, o destino já está escrito ​- ​e ele não serve aos brasileiros.

LULA: EU VOU ESTAR NA DISPUTA ATÉ QUE ELES TENHAM CORAGEM DE COMETER A BARBÁRIE DE SANGRAR MAIS UMA VEZ A DEMOCRACIA BRASILEIRA; VEJA VÍDEO

Lula: não será difícil vencer a Globo em 2018. Ela apoia 
qualquer um contra o PT.

EXCLUSIVO | Lula: “Fome está voltando no Brasil por irresponsabilidade dos golpistas”
Em entrevista exclusiva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala sobre as consequências 

Fome, desemprego e perda de direitos históricos. Esses são alguns exemplos do impacto do golpe na vida dos brasileiros, na avaliação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.
Para reverter esse cenário, Lula afirma que vai convocar um referendo revogatório, caso se candidate e seja eleito em 2018.
Sobre as eleições presidenciais, ele dispara: “Eu não precisava ser candidato a presidente. Eu já fui, já fui bem sucedido. Mas eles cutucaram a onça com vara curta e a onça vai brigar”.
Na entrevista, Lula volta a denunciar o papel da Rede Globo na perseguição política contra ele, em aliança com o Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.
O ex-presidente afirma ainda que a Reforma da Previdência “é contra o trabalhador, contra o pobre”.
E a respeito da questão agrária, Lula destaca o papel preponderante do agricultor familiar – e não do agronegócio – na produção da maior parte do alimento que chega à mesa dos brasileiros.
Nesta segunda-feira (4), o ex-presidente inicia sua terceira caravana pelo país – já cruzou 9 estados do Nordeste e também Minas Gerais. Desta vez, ele percorrerá o Espírito Santo e o Rio de Janeiro de ônibus.

Brasil de Fato: O senhor tirou esta metade do ano para colocar o pé na estrada. Já foi para o Nordeste, com a caravana, para Minas Gerais e agora dia 4/12 segue para o Espírito Santo e Rio de Janeiro. O que essa experiência tem te ensinado sobre o Brasil e os brasileiros de hoje?

Lula: Eu descobri na campanha de 1989 que não é possível você governar este país para todos os brasileiros e brasileiras se você não conhecer as entranhas dele. Porque, normalmente, quando você é candidato, você vai de capital em capital, de palanque em palanque, do aeroporto para outro aeroporto. Você desce de um carro, sobe em um palanque, faz um discurso, nem cumprimenta o povo, entra no carro, volta para o aeroporto…
Em 1989, eu descobri, que seu quisesse governar o Brasil, efetivamente para os brasileiros, eu teria que conhecer o Brasil. Por isso que, em 1992, eu comecei a fazer as caravanas.
A primeira que eu fiz, eu refiz a viagem que eu tinha feito em 1952, de Pernambuco a São Paulo. Fiz de ônibus essa viagem. Depois eu viajei a Amazônia, o Sudeste, o Norte, o Sul, viajei o Centro-Oeste.
Foram praticamente 91 mil quilômetros de estrada, de barco, de trem, conversando com mais de 600 comunidades no Brasil, para a gente aprender como vive o quilombola, o sem-terra no acampamento, os índios brasileiros, as catadoras de coco babaçu.
Porque uma coisa é você ler uma história em um livro, outra coisa é você estar diante da pessoa, com os seus problemas, sua realidade, te relatando a vida dela.
E por que que eu, depois que governei o Brasil, voltei a fazer essas viagens? É porque grande parte das políticas públicas que eu coloquei em prática quando estive na Presidência da República foram oriundas do aprendizado que eu tive na caravana.
E agora eu voltei para ver duas coisas: como está o Brasil de hoje, quais as políticas públicas que tiveram efetivamente sustentabilidade; e como está a vida do povo hoje.
E ainda tenho que visitar o Sul do país, o Norte do país. Estou pensando em fazer uma viagem pelo Amapá, Roraima, Amazonas, Pará, Acre. Depois eu quero pegar o Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná, para completar o Brasil inteiro e ter uma fotografia.
Ou seja, se vai ter a campanha de 2018 e se o PT entender que eu deva ser o candidato, quero ser candidato com a fotografia muito viva e atualizada das aspirações e da esperança do povo brasileiro.

Brasil de Fato: E até agora, essa fotografia tem o quê?

Lula:
Essa fotografia às vezes me alegra e às vezes me entristece. Ela me alegra porque, em muitos lugares, as pessoas têm a clareza absoluta da evolução da vida delas.
Quando você chega numa comunidade agrícola, as pessoas lembram da quantidade de financiamento do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], do Programa Luz para Todos, do PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]. As pessoas têm noção de que as coisas melhoraram.
Agora, quando você chega num centro urbano, você começa a perceber que, embora as pessoas lembrem da evolução no salário mínimo, do Bolsa Família, do ProUni [Programa Universidade para Todos], dos institutos federais de educação, elas também começam a se queixar de que a pobreza está voltando.
Ou seja, o desemprego aumentou, a massa salarial tem caído, o brasileiro não tem mais recebido aumento acima da inflação. Ele percebe que as pessoas estão já voltando a pedir esmola nas ruas, tem aumentado o número de pessoas dormindo nas praças públicas.
Então, essa é uma tristeza que eu tenho. Nós tínhamos tirado o Brasil do Mapa da Fome, segundo os dados da ONU [Organizações das Nações Unidas] do começo deste ano. E estamos percebendo que a fome está voltando no Brasil por irresponsabilidade das pessoas que deram o golpe neste país.
Essa é a fotografia que eu tenho agora. Mas ao mesmo tempo, eu tenho também a certeza de que este povo é capaz de dar a volta por cima. Ele não pode perder a esperança, tem que continuar acreditando. Este Brasil é muito grande e pode melhorar a vida das pessoas na hora que elas tiverem um governo que conheça a vida delas e esteja preocupado com as pessoas.

PERGUNTA DAS RUAS | Ana Carolina Teixeira, estudante de Jornalismo (São Paulo/SP): Por que você vai se candidatar sendo que há tantas denúncias contra você?

Lula: Eu vou me candidatar porque o fato de ter denúncia não quer dizer nada. No Brasil toda vez que alguém é candidato, sempre aparece uma enxovalhada de denúncias contra as pessoas, seja no campo da política, da economia.
E eu já provei a minha inocência em todos estes processos que eu estou sendo acusado. E estou na expectativa de que eles consigam provar para a sociedade algum desvio de conduta do Lula, ou na Presidência ou depois dela.
Eu fui acusado de ter um apartamento triplex em uma praia, aqui na cidade de Santos, em São Paulo.
Cansei de dizer que o apartamento não era meu, mas eles teimaram que o apartamento era meu.
Nós provamos que não é possível você ter um apartamento que você não tenha documento, não tenha escritura, que você não pagou, não comprou, que você não tenha nada. Mas eles teimaram em dizer, porque eles não precisam de prova, eles precisam apenas ter convicção.
Depois, o Moro [juiz Sérgio Moro] me condenou a nove anos e seis meses de cadeia e ainda me obrigou a devolver R$ 10 milhões.
O que é engraçado é que quando nós entramos com o recurso o Moro diz, na defesa dele, que ele não disse que o apartamento era meu, ele não disse que tinha dinheiro da Petrobras. Mas mesmo assim ele manteve a condenação.
Por quê? Porque eu acho que tanto o juiz Moro, quanto o Ministério Público, quanto a Polícia Federal estão refém neste momento, de uma política que eles adotaram de condenar as pessoas pela mídia.
Ou seja, “primeiro eu quero condenar as pessoas politicamente. Eu conto uma mentira e a mídia vai divulgar aquela mentira como se fosse verdade”. E nem todo mundo aguenta quatro ou cinco manchetes de jornais, do Jornal Nacional. As pessoas ficam debilitadas, fragilizadas. Alguns se matam, como o reitor de Santa Catarina.
Eu tenho que aproveitar tudo que eu construí na vida para poder não só provar a minha inocência, mas para provar que eles estão mentindo, que não estão se comportando de forma adequada. Porque um juiz não tem que ficar dando importância para o Jornal Nacional. Ele tem que dar importância para os autos do processo, para as provas das pessoas que vão depor.
Eu levei 83 testemunhas para depor ao meu favor. O acusador não compareceu nenhuma vez, que é o senhor Dallagnol [procurador Deltan Dallagnol]. Não levaram nenhuma testemunha de acusação. E depois o cara me condena sem nenhuma responsabilidade?
São sempre desagradáveis essas denúncias. É sempre desagradável você aparecer na imprensa, sendo acusado. Mas eu tenho que ter a sabedoria de, graças ao status que o povo brasileiro me deu, de ter sido um presidente muito reconhecido, aproveitar para me defender e servir de exemplo para outras pessoas.
Ou seja, se tem político que roubou e está com medo, é problema do político que roubou e está com medo. Se tem gente que roubou e está com o dinheiro, essa pessoa tem que ir presa mesmo. Agora eles têm que aproveitar e absolver os inocentes.
Você veja que eu sou pego de surpresa às seis horas da manhã lá em casa, com um monte de Polícia Federal. Eles foram na minha casa, na casa dos meus quatro filhos, invadiram a casa de todo mundo, cada um com a máquina fotográfica pendurada no pescoço. Não encontraram nem dinheiro, nem jóia.
Eles poderiam ter tido a sensibilidade de pedir desculpas à opinião pública, de dizer ao povo que não encontraram nada. Levantaram até o colchão da minha cama. Tiraram a tampa do exaustor do fogão. Acho que pensaram que eu tinha ouro lá dentro escondido. Abriram meus televisores achando que eu tinha ouro dentro da televisão.
Ao não encontrar nada eles deveriam ter tido vergonha na cara e ter pedido desculpas à sociedade brasileira. Eles não fizeram isso. Saíram quietinho e deixaram as manchetes falar, porque na verdade o grande juiz hoje, no meu caso é o “Jornal Nacional”, a Rede Globo de Televisão.
Se dependesse da Globo, são mais de 30 horas de “Jornal Nacional” me condenando. E eu quero viver para ver a dona Globo me pedir desculpas no ar. Por isso que eu, embora fique ofendido, fique chateado, isso me dá um ânimo e uma disposição de brigar muito grande. E eu vou ser candidato por isso, é a chance que eu tenho também de me defender.

Brasil de Fato: E como enfrentar a Globo em 2018, na campanha eleitoral, se ela tem todo esse poder?

Lula: Nós já ganhamos da Globo em 2002, 2006, 2010, 2014. Portanto, não é difícil ganhar. Ela faz estrago, obviamente. A Globo escolhe candidato, e eu nunca fui o candidato dela. A Globo apoia qualquer um contra mim.
Agora ela está atrás de um candidato. Eu estou esperando, porque a única coisa que eu tenho na vida de precioso é a minha honra.
Foi o compromisso que eu assumi com o povo brasileiro e não vou permitir que a elite brasileira, através de manipulação dos meios de comunicação, de juízes e promotores subordinados aos interesses da elite brasileira, tentem me colocar no mesmo saco dos políticos corruptos que eles conhecem.
Eu só tenho um aliado, neste momento do Brasil, que é o povo brasileiro. Por isso a minha tranquilidade e disposição.
Se o objetivo deles é tentar não deixar eu ser candidato, vamos brigar para ver. Eu vou estar na disputa até que eles tenham coragem de cometer a barbárie de sangrar mais uma vez a democracia brasileira.
Porque já sangraram com o impeachment da Dilma [Rousseff]. Eu nasci para brigar. Eu não precisava ser candidato a presidente. Eu já fui, já fui bem sucedido. Mas eles cutucaram a onça com vara curta e a onça vai brigar.

PERGUNTA DAS RUAS | José Mauro (ambulante, Rio de Janeiro/RJ): Hoje sabemos que no Brasil temos 14 milhões de desempregados. Caso o senhor seja eleito, quais medidas o seu governo tomará de imediato para o Brasil voltar ao ciclo de crescimento e geração de emprego?

Lula: Só é possível dizer ao povo brasileiro que a gente vai voltar a gerar emprego, se a gente primeiro tiver o compromisso de dizer que a economia brasileira vai voltar a crescer.
E eu falo isso de cátedra, porque tive o prazer a satisfação, por conta do apoio que eu tive do povo brasileiro, de junto com a Dilma, de 2003 a 2014, a gente criar mais de 20 milhões de empregos neste país com carteira profissional assinada.
É por isso que a gente conseguiu aumentar o salário mínimo durante 12 anos seguidos. É por isso que todos os trabalhadores que trabalhavam de forma organizada tiveram aumento de salário acima da inflação.
É por isso que nós conseguimos tirar 36 milhões da miséria e fazer com que 40 milhões de pessoas fossem a um padrão de consumo de classe média. É por isso que nós tivemos o maior programa habitacional do país.
No Rio de Janeiro, a gente tinha as pessoas de várias comunidade trabalhando em obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], porque a gente exigia que as empresas contratassem essas pessoas.
É por isso que a gente queria recuperar a indústria naval do Rio de Janeiro, que em 2002, quando eu fui candidato, tinha apenas 2 mil trabalhadores, chegou a ter 86 mil trabalhadores o ano passado. Eles estão desmontando a indústria naval brasileira, como estão desmontando a indústria de óleo e gás, no Rio de Janeiro.
Estão vendendo aquilo que para nós era o passaporte do futuro: o pré-sal, que a gente queria para recuperar o prejuízo de investimento na educação que não foi feito no século 20 neste país.
Vamos fazer a economia brasileira voltar a crescer. E para isso, nós precisamos fortalecer o mercado interno de um país que tem 207 milhões de pessoas. Se você combinar o fortalecimento do mercado interno, uma política de incentivo ao desenvolvimento de infraestrutura com a política de aumento do financiamento para o povo pobre deste país, para o povo trabalhador, na hora que o povo tiver o mínimo de dinheiro, que ele for ao supermercado, ao shopping, que ele for comprar um caderno, uma camisa, um lápis, um chinelo, a economia brasileira começa a funcionar.
E quando a economia brasileira começa a funcionar de baixo, ela vai ajudar o crescimento econômico.
Quando eu deixei a Presidência, a gente estava crescendo 7% ao ano. O comércio varejista estava crescendo acima de 12%.
Ou seja, a verdade é que este país viveu um momento auspicioso na sua história econômica e eu tenho orgulho de fazer parte disso, porque vocês ajudar a fazer. Agora nós temos gente tentando ajudar a destruir.
Quando todo mundo tiver acesso a um pouquinho de dinheiro, a economia deste país volta a funcionar. Do jeito que eles estão fazendo agora, com milhões de pessoas desempregadas, com quem é mais rico ficando cada vez mais rico, vendendo nosso pré-sal para os chineses e americanos, não vai dar certo.
Tenho muita esperança que o Rio de Janeiro não vai ficar do jeito que está. Ele não pode pagar o pato pelo desacerto na economia, não tem o direito de estar sofrendo como está sofrendo hoje, nem salário recebe do poder público.
Obviamente que a gente não esperava que as pessoas que o governassem estivessem roubando tanto. Mas eu sonho com a volta do crescimento econômico e com a possibilidade de você ter um emprego decente, com carteira assinada, apesar de a reforma trabalhista, estar dificultando isso.

PERGUNTA DAS RUAS
| Lisian Jardim dos Santos (Assentamento Novo Rumo, em São Gabriel/RS): No seu próximo governo, poderemos contar com políticas públicas que fortaleçam a produção de alimentos saudáveis, com melhorias na geração de renda das famílias assentadas?
PERGUNTA DAS RUAS | Geraldo Zantarias (João Câmara, Rio Grande do Norte): O senhor falou em 2002, quando candidato, que resolveria o problema da Reforma Agrária com uma canetada. O que houve com sua caneta, que não solucionou? E agora, se vencer em 2018, o que fará pela Reforma Agrária?

Lula:
Vamos fatos e vamos aos dados. Entre 2003 e 2014, mais notadamente de 2003 a 2010, eu disponibilizei para a Reforma Agrária mais de 47 milhões de hectares de terras. No governo da Dilma, acho que foram 2,8 milhões hectares. Foi menos. Eu não sei por que.
Ou seja, nós chegamos a 51 milhões de hectares disponibilizados para a Reforma Agrária. Você sabe o que significa isso? Isso significa 52% de toda a terra desapropriada no Brasil em 500 anos para efeito de Reforma Agrária.
Fizemos tudo? Não, falta fazer. Mas uma coisa tão importante quanto você desapropriar terra é você fazer com que a terra que já está na mão do agricultor se torne produtiva. E para ela se tornar produtiva, nós tivemos que fazer o quê? Aumentar muito o dinheiro de financiamento da agricultura familiar.
Nós criamos o Programa Mais Alimentos para financiar máquinas em 2008 e poder tornar o campo mais produtivo, para enfrentar a crise de alimentos que se apresentava no mundo. E nós financiamos quase 80 mil tratores de 80 cavalos para ajudar o pequeno produtor, além de implementos agrícolas.
Você lembra do programa PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], que era o programa para comprar alimento? Você lembra que nós saímos de R$ 2,5 bilhões do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], em 2003, para R$ 30 bilhões no último ano da Dilma?
O avanço espetacular que teve o desenvolvimento na agricultura familiar é motivo de orgulho para o Brasil aqui e para o mundo inteiro. E isso tem que continuar acontecendo. Sobretudo agora, que o mercado consumidor está cada vez mais exigente, cada vez mais querendo produto orgânico, mais saudável.
Cada vez mais a gente vai ter que ir aprendendo para poder fazer com o Brasil compreenda que quem dá comida para o país não é nenhum grande produtor de 50 milhões de hectares de soja. É o pequeno produtor de um hectare de feijão, de meio hectare de hortaliça, de três hectares de qualquer coisa, de um açude que cria peixe. Essa gente é que está sustentando o país e é essa gente que nós queremos continuar incentivando.

PERGUNTA DAS RUAS | Antônio de Carvalho Filho (São Paulo/SP): Trabalho desde os 7 anos e, registrado desde os 13 anos. Estou meio descrente, muitas vezes até meio desesperado com a questão da minha aposentadoria, por causa da Reforma da Previdência. A gente luta tanto e quando chega na hora de a gente ter um pouquinho mais de tranquilidade, aí acontece isso. O que fazer?

Lula: Acho que o povo brasileiro tem muita razão de estar apreensivo. Primeiro porque já foi feita a Reforma Trabalhista, uma coisa feita por um Congresso altamente conservador, sem nenhum debate com a sociedade. E eu acho que a sociedade ainda não se deu conta dos malefícios que significa a Reforma Trabalhista, porque na televisão o governo está dizendo que ela significa mais emprego, mais oportunidade.
O que ele não diz é a qualidade do emprego que ele vai criar, que é emprego sem carteira profissional assinada, intermitente, que o cara só vai ganhar as horas que trabalha. Não diz que muitas vezes as férias e os direitos históricos vão desaparecer. Vai levar um tempo para os trabalhadores perceberem o que vai acontecer.
Eu acho que nós, do movimento social, não conseguimos neste curto período esclarecer para o povo do que ele estava sendo vítima, na verdade.
A Previdência é a mesma coisa. Historicamente se tenta jogar a culpa da situação econômica do país a um déficit da Previdência.
Quando a Previdência tinha dinheiro, ele foi utilizado para fazer a Transamazônica e não devolveram o dinheiro. Foi utilizado também para fazer a Ponte Rio-Niterói e não foi devolvido.
No meu período de governo, por exemplo, de 2004 a 2014, quando nós geramos 22 milhões de emprego e legalizamos 6 milhões de micro e pequenos empreendedores individuais, a Previdência brasileira foi superavitária.
Então, se nós quisermos resolver o problema da Previdência, não é dificultando a vida do pobre de se aposentar. Temos que gerar mais emprego, formalizar mais a economia e dar aumento de salário e aumento de salário mínimo, como¬ nós fizemos, que aumentamos 74%.
Querer aumentar apenas o tempo de idade para o trabalhador e o tempo de contribuição é, no fundo, jogar nas costas do trabalhador brasileiro, que é a vítima, a responsabilidade por um déficit que ele não tem culpa. A culpa é da própria política econômica do governo ou da política de gasto do governo
Não é o salário do trabalhador, do salário mínimo, que causa problema à Previdência. É um procurador que se aposenta com R$ 30 mil, é um diplomata, um general que se aposenta com isso. O povo trabalhador, que trabalha que nem um desgraçado dentro da fábrica, a Previdência dele não é deficitária. E é só gerar emprego que ela vira superavitária.
Ainda vamos precisar fazer muita briga e aí é que entra a importância da eleição de 2018, de votar num Congresso comprometido com os direitos dos trabalhadores.
E quando a gente fala em direito dos trabalhadores, a gente não quer quebrar o Brasil. A gente quer que o Brasil seja governado de forma a que os ricos paguem um pouco mais e os pobres ganhem um pouco mais. Porque é preciso equilibrar a distribuição de riqueza neste país.
E a aposentadoria é uma das riquezas do nosso povo. É você ter consciência que você trabalhou para o Brasil e quando você estiver com uma idade avançada, você vai se aposentar, vai viver o resto da sua vida recebendo uma contribuição por parte daquilo que você contribuiu com o crescimento econômico do país.
Essa Reforma da Previdência é contra o trabalhador brasileiro, ela é contra o pobre. Ela favorece mais as camadas que ganham mais dinheiro e prejudica as camadas que ganham menos dinheiro e é por isso que nós temos que brigar muito.
Não sei se o governo vai ter coragem de mandar a proposta de Reforma da Previdência para o Congresso. E não sei se o Congresso vai ter coragem de aprovar.
Mas o dado concreto é que eu estou dizendo, se eu for candidato em 2018, eu estou propondo um Referendo Revogatório. Ou seja, vamos ter que pedir autorização do Congresso Nacional, para que a gente possa mudar muita coisa que foi feita de errado, neste governo golpista.
Isso é um compromisso, porque senão não tem nem sentido eu ser candidato. Ser candidato para chegar lá e constatar que está tudo errado e que eu não posso fazer nada, eu prefiro ficar em casa.