quarta-feira, 31 de agosto de 2016

DESCONTROLADA E GOLPISTA PM DE ALCKMIN REPRIME MAIS UM PROTESTO CONTRA TEMER


FALHA DE SÂO PAULO: DAS DIRETAS JÁ À PROTEÇÃO POLICIAL



"Eu tava na Augusta no protesto, tava normal. Resolvemos ir pra Folha de S Paulo, quando 
chegou perto da Amaral Gurgel, a PM começou a bater e tacar bomba. Uma bomba foi jogada 
no meu olho, achei que tinha ficado cego" 


Os manifestantes saíram do Museu de Arte de São Paulo (Masp), desceram a Rua Augusta, 
passaram pela Praça Roosevelt e pela Rua Rego Freitas e seguiam na direção da sede da Folha 
de S.Paulo, quando houve um estouro de bomba próximo ao Largo do Arouche por volta das 
21h30; a intenção era fazer um escracho diante do "jornal golpista" da família Frias.

Agência Brasil

A polícia reprimiu com bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta a manifestação contra o
presidente interino Michel Temer na noite de ontem (30) ocorrida na região central da capital 
paulista.
Os manifestantes saíram do Museu de Arte de São Paulo (Masp), desceram a Rua Augusta, passaram 
pela Praça Roosevelt e pela Rua Rego Freitas e seguiam na direção da sede da Folha de S.Paulo, 
quando houve um estouro de bomba próximo ao Largo do Arouche por volta das 21h30.
Questionado, o major Telles, comandante da operação, não soube dizer o que motivou a ação da PM. 
Os policiais usaram bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta, gerando correria entre os 
manifestantes. Os manifestantes também não souberam explicar o que motivou a ação da polícia.
O grupo se dispersou e, após cerca de uma hora, alguns manifestantes finalmente conseguiram 
chegar até a sede da Folha, na rua Barão de Limeira. Eles deitaram no chão e formaram a palavra 
"Golpe" no local. Policiais da tropa de choque fizeram uma barreira na porta de entrada do jornal.
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VICE PROCURADORA DEPOIS DE SE POSICIONAR CONTRA O GOLPE E REVELAR QUE TEMER ESTÁ SENDO DELATADO, RENUNCIA AO CARGO


Vice-procuradora da República, Ela Wiecko renunciou ao cargo depois de ter revelado que o 
presidente interino, Michel Temer, "está sendo delatado"; em entrevista concedida hoje, ela 
também classificou o processo de impeachment de Dilma Rousseff como "um golpe" e declarou 
que "tem muita gente dentro da instituição" que pensa como ela; com sua queda, abre-se uma 
crise no Ministério Público e a crise institucional brasileira sobe mais um degrau.

Jornal GGN - Ela Wiecko renunciou ao cargo de vice-procuradora da República na noite desta terça-
feira (30), após dizer, em entrevista à Veja, que o interino Michel Temer (PMDB) está sendo 
delatado na Lava Jato e, por isso, ela não vê com bons olhos que o peemedebista assuma a cadeira 
conquistada por Dilma Rousseff na eleição de 2014. A iniciativa da magistrada ocorre na véspera do 
julgamento final da presidente.
A então número dois da Procuradoria Geral da República recebeu uma ligação de Veja porque o 
veículo queria repercutir um vídeo em que Wiecko aparece em um protesto contra o impeachment, 
em Portugal, em meados de junho. Ela explicou que estava frequentando um curso de férias e 
decidiu se juntar a manifestantes que consideram o afastmento de Dilma um "golpe".
"Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras. 
Isso a gente vê todo dia, é parte da política", disse Wiecko quando questionada sobre sua opinião 
sobre o processo.
Veja quis saber, então, se Wiecko estava chamando o impeachment de golpe mesmo com a 
"participação" do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República no processo. "Aí 
tem que ser uma conversa muito mais comprida", respondeu, recusando-se a aprofundar este assunto 
ao telefone. "Tem que ser olho no olho", afirmou.



Segundo Veja, Wiecko comenteu uma "inconfidência" quando disse que Temer está sendo delatado 
na PGR e que este seria um dos motivos que a leva a rejeitar a ideia de que ele será presidente da 
República em caráter definitivo. Ela também comentou que dentro do Ministério Público Federal há 
outras figuras com o mesmo ponto de vista.
"Tem muita gente que pensa como eu dentro da instituição. Eu estou incomodada com essas coisas 
que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a 
gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não 
está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei 
que tem delação contra ele. Então, não quero. Mas as coisas estão indo."

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Padre João, 
emitiu uma nota em solidariedade à Wiecko.
O GGN reproduz abaixo:
Colaboradora de anos e anos desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos 
Deputados, Ela Wiecko é uma referência em lutas essenciais à nossa democracia: contra o trabalho 
escravo, pelos direitos dos povos indígenas e quilombolas, pela igualdade racial e de gêneros, pela 
ética na política. Uma pessoa cuja sensibilidade social e compromisso com a Justiça são 
indissociáveis de sua atividade profissional e posicionamento cidadão.
Respeitamos sua decisão de renunciar ao cargo de Vice-Procuradora Geral da República, registrando 
no entanto a lacuna que se abre na instituição neste momento delicado da vida nacional, com tantos 
riscos à democracia e aos direitos humanos. Sabemos que poderemos continuar contando, como 
sempre contamos, com sua atuação funcional destemida e consequente na defesa dos direitos 
fundamentais do povo brasileiro.
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REQUIÃO PARA O AÉCIM DE FURNAS: CANALHA, CANALHA, CANALHA !!



O pronunciamento destemido do Senador Roberto Requião, um raro caráter dentro do Senado miúdo que estamos vendo pela TV:
“Não pretendo, nesta histórica sessão, moderar a linguagem ou asfixiar o que penso. Não vou reprimir a indignação que me consome.
Canalha! Canalha! Canalha!
Assim Tancredo Neves apostrofou [Auro] Moura Andrade que declarou vaga a Presidência, com Jango ainda em território nacional, consumando o golpe de 1964.
Duvido que um só de nós esteja convencido de que a presidente Dilma deva ser impedida por ter cometido crimes.
Não são as pedaladas ou a tal da irresponsabilidade fiscal que a excomungam.
O próprio relator da peça acusatória praticou-as à larga.
Só que lá em Minas não havia um providencial e desfrutável Eduardo Cunha e nem um   sangue, salivando por sinecuras e pixulecos.
A inocência do relator é a mesma de Moura Andrade declarando vaga a Presidência.
Ah, as palavras de Tancredo coçam-me a garganta.
Este Senado está prestes a repetir a ignominia de março de 64.
O que se pretende?
Que daqui a alguns anos se declare nula esta sessão, com declaramos nula a sessão que tirou o mandato de Goulart e peçamos desculpas à filha e aos netos de Dilma?
Tudo bem.
Se mesmo sem culpa, esta Casa condenar a presidente, que cada um esteja consciente do que há de vir.
Que ninguém, depois, alegue ignorância ou se diga trapaceado, porque as intenções do vice que quer ser titular são claras, solares.
Vejam só alguns casos exemplares.
Desvincular o reajuste das aposentadorias e pensões do aumento do salário mínimo. Será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social.
Se pensões e aposentadorias não mais acompanharem o aumento do salário mínimo vai ser um massacre contra mais de 20 milhões de brasileiros.
Para quê?
Para pagar os juros da dívida; os juros que são hoje o maior instrumento de concentração de renda no Brasil.
Rever direitos e garantias sociais acumulados ao longo dos últimos 80 anos, especialmente direitos e garantias previstos na CLT. Impor, como pedra de toque dessa revisão, o negociado sobre a legislado.
Eliminar tímidas conquistas na área da igualdade de gênero.
Congelar por inacreditáveis 20 anos as despesas correntes e de investimento da União, excetuando-se as despesas financeiras com o serviço da dívida pública.
Ou seja: congelar por duas décadas as despesas com saúde, educação, segurança pública, saneamento, infraestrutura, habitação, mas garantir o pagamento de juros.
É como proibir que, por 20 anos, nasçam crianças, que jovens tenham acesso às escolas; que os brasileiros envelheçam ou fiquem doentes. E assim por diante.
É espantoso que algum ser humano tenha um dia concebido tamanha barbaridade. E mais espantoso ainda que algum ser humano possa aprovar isso.
Privatização em regra e alienação radical de todo o patrimônio energético, mineral, florestal, agrário, territorial, hídrico, fabril, tecnológico e aéreo do Brasil.
Depois da entrega do pré-sal, da venda de terras para os estrangeiros, querem entregar até mesmo o Aquífero Guarani, a maior reserva de água potável do planeta.
O desmantelamento do país, o esquartejamento de nossa soberania e a submissão aos interesses geopolíticos globais gritam, berram, expõem-se à vista de todos.
Tudo bem.
Se as senhoras e o senhores concordam com a redução do Brasil a um medíocre estado associado, outro Porto Rico, que se sintam servidos. Não será a primeira vez que os abutres e os corvos caem sobre o nosso país, retalhando-o, estraçalhando-o, sugando-o.
Essa combinação explosiva de entreguismo com medidas contra os aposentados, os assalariados, os mais pobres, contra direitos e conquistas populares alimentam as contradições de classe, em consequência, a luta de classes.
As senhoras e os senhores estão preparados para a guerra civil?
Não? Entrincheirem-se, então, porque o conflito é inevitável.
O povo brasileiro, que provou por alguns poucos anos, o gosto da emergência social não retornará submissamente à senzala.
Os dias de hoje, esses infelizes dias, lembram-me outros dias, também dramáticos, decisivos:
os dias de agosto de 1954.
Assim, leio trechos da Carta Testamento de Vargas porque nela se reproduzem o drama de agora.
“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa.
Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
(….)
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.
(…….)
Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma.
(…..)
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado.
Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue.
Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado.
Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência.
(….)
Esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto.
O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.
Senadores,
É hora da Razão, Alma e Coração!
Não ao impeachment!
É hora de buscar um governo de Entendimento e União Nacional.
Hoje só encontraremos isso com Plebiscito e Novas Eleições!
Não permitiremos que mandem no Brasil embaixadores de países poderosos!
Não permitiremos que mandem no Brasil banqueiros e seus lucros fabulosos!
Peço novamente:
Razão, Alma e Coração!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

EU ACUSO! O DISCURSO ANTOLÓGICO DE LINDBERGH


Assim como Émile Zola escreveu seu célebre "J'accuse", o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) 
também produziu um discurso histórico, o seu "Eu acuso", em que aponta as forças 
responsáveis pelo golpe parlamentar de 2016; "Eu acuso Eduardo Cunha e Michel Temer de 
liderarem uma conspiração parlamentar contra o seu mandato, que culminou naquela sessão 
de 17 de abril, que foi chamada de uma assembleia de bandidos comandada por um bandido", 
disse ele, que comparou o Senado ao tribunal de exceção que julgou Dilma quando jovem; "a 
Globo, que há três anos pedia desculpas ao País por seu apoio ao golpe militar de 1964, agora 
embarca em outro golpe"; assista
247 – Assim como o escritor francês Émile Zola escreveu seu célebre "J'accuse", o senador 
Lindbergh Farias (PT-RJ) também produziu um discurso histórico, o seu "Eu acuso", em que aponta 
as forças responsáveis pelo golpe parlamentar de 2016.
"A senhora está aqui, de cabeça erguida, enfrentando um julgamento de exceção. Todos os senadores 
aqui presentes sabem que não há crime de responsabilidade", disse ele. "Quando nos encontramos 
num tribunal de exceção, os acusados se tornam acusadores".
Lindbergh acusou ainda os responsáveis pelo golpe. "Eu acuso Eduardo Cunha e Michel Temer de 
liderarem uma conspiração parlamentar contra o seu mandato, que culminou naquela sessão de 17 de 
abril, que foi chamada de uma assembleia de bandidos comandada por um bandido".
"É um golpe de classes, é um golpe contra a classe trabalhadora", disse ele.
"A Globo, que há três anos pedia desculpas ao País por seu apoio ao golpe militar de 1964, agora 
embarca em outro golpe."
Assista:

REPRESSÃO VIOLENTA EM SP ANTECIPA O BRASIL PÓS-DEMOCRÁTICO


Para evitar que os manifestantes fizessem vigília e mantivessem a Avenida Paulista fechada, 
policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e caminhões de água para 
dispersar os manifestantes que protestavam ontem (29) em São Paulo contra o impeachment 
da presidenta afastada Dilma Roussef; os organizadores, no início do ato, falaram na presença 
de 2 mil pessoas

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Para evitar que os manifestantes fizessem vigília e mantivessem a Avenida Paulista fechada, policiais 
utilizaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e caminhões de água para dispersar os 
manifestantes que protestavam ontem (29) em São Paulo contra o impeachment da presidenta 
afastada Dilma Rousseff. Pelo menos uma pessoa foi detida durante o ato, mas a Polícia Militar não 
confirmou a informação oficialmente e também não divulgou o número de manifestantes. Os 
organizadores, no início do ato, falaram na presença de 2 mil pessoas.

Após os jatos de água e as bombas, os manifestantes, que estavam concentrados em frente ao Museu 
de Arte de São Paulo (Masp), se dispersaram pela região. Parte deles seguiu pela Rua da Consolação 
em direção à Praça Roosevelt, no centro da cidade, e foram seguidos pela Tropa de Choque com 
bombas. Os manifestantes, por sua vez, jogavam lixeiras pelas ruas e as incendiavam, enquanto 
seguiam pelo local.
Enquanto isso, um grande número de policiais e de caminhões da Tropa de Choque permaneciam 
pela Avenida Paulista, concentrados principalmente próximo à Praça do Ciclista, para evitar que os 
manifestantes voltassem para a região. A avenida só voltou a ser liberada por volta das 21h. Pouco 
depois disso, os caminhões da Tropa de Choque saíram da Paulista, mas por volta das 22h, ainda 
haviam policiais pela região.
O protesto
O ato teve início por volta das 17h, na Praça do Ciclista. Por volta das 18h20 os manifestantes, 
convocados pelos movimentos Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular iniciaram uma 
caminhada pela avenida, com destino à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 
Antes que eles chegassem ao local, policiais já faziam um bloqueio em toda a extensão da Avenida 
Paulista, na esquina com a Alameda Casa Branca, próximo ao Masp, impedindo que eles 
prosseguissem em caminhada.
Por volta das 18h50, os manifestantes tentaram forçar a passagem pelos policiais, que contiveram o 
ato arremessando bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. Após as bombas, os 
manifestantes colocaram fogo em lixos e passaram a ficar concentrados no Masp, onde 
permaneceram até por volta das 20h, quando foram retirados à força do local pelos policiais.
A jornalistas, o major Teles, da Polícia Militar, comandante da ação de segurança hoje na Avenida 
Paulista, disse que as bombas foram necessárias porque era “preciso saber o itinerário e onde vai 
terminar a manifestação”. Segundo ele, os movimentos não informaram sobre o trajeto do ato. O 
major também disse que o bloqueio pretendia afastar os grupos favoráveis à presidenta afastada 
Dilma Rousseff do grupo que está acampado ao lado da Fiesp desde março deste ano e que defende o 
impeachment.

QUEM É O SENADOR TUCANO ATAIDES OLIVEIRA , O VOTO DE CARLINHOS CACHOEIRA


POR FERNANDO BRITO 
Quem está acompanhando a sessão do Senado onde Dilma enfrenta os senadores deve ter vistou uma figura desprezível chamada Ataídes Oliveira que, sem fazer perguntas e com a voz sibilante de uma serpente, dirigiu apenas impropérios contra ela.
Para quem não viu, reproduzo a sua fala ao final.
Antes, porém, reproduzo a ficha do cidadão, escrita pelo IG, na insuspeita distância de quatro anos atrás, em agosto de 2012:
[Ataídes] Oliveira teria encomendado reportagens no jornal O Estado de Goiás , controlado indiretamente por Cachoeira, segundo relatório da PF. Em conversa gravada no dia 4 de julho de 2011, o tucano afirmava ter “umas notas ( notícias ) interessantes a nível Brasil” para publicar no jornal.
O diálogo segue com Oliveira afirmando que gostaria que Cachoeira lhe “desse ou pedisse a alguém” para lhe dar acesso ao jornal. “Se tiver algum custo é comigo mesmo, viu amigo?”, prossegue a gravação. Cachoeira concorda: “Na hora, manda cobrir lá, manda cobrir lá”.
(…)
Oliveira já substituiu Ribeiro por 121 dias entre maio e setembro de 2011. O tucano empenhou R$ 981 mil na campanha que levou o candidato do PR ao Senado, conforme contas apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) após as eleições de 2010.
Formado em direito e contabilidade, hoje com 52 anos, Oliveira é empresário com participação em grupos de segmentos variados por meio do Grupo Araguaia – como construção civil e consórcio automotivo. Ele declarou ao TRE-TO uma fortuna de R$ 15,4 milhões, em 2010, quando compôs a suplência. A declaração de bens inclui um Porsche avaliado em R$ 380 mil.
Dono de 80% da Cielo Trading Táxi Aéreo, Ataídes Oliveira emprestou a Fernando Cavendish, proprietário da Construtora Delta, um jatinho na ocasião da queda do helicóptero que mantou sete pessoas no distrito de Trancoso, em Porto Seguro, sul da Bahia.
O avião foi encomendado diretamente a ele por Cachoeira, conforme telefonema interceptado pela PF. O contraventor queria transportar para o Rio de Janeiro o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e Cavendish. Segundo a declaração de bens, a Cielo rendeu R$ 5,97 milhões a Oliveira em 2010.
Portanto, vê-se que Carlinhos Cachoeira, lá da prisão em que se encontra, tem voz ativa no julgamento do impeachment.

ENQUANTO ISSO... TEMER TENTA COMPRAR SENADOR COM DIRETORIA DE BANCO


Se, de um lado, a presidente eleita Dilma Rousseff foi ao Senado e fez um discurso histórico em 
defesa da democracia, de outro, o interino Michel Temer negociou barganhas e favores nos 
bastidores da política; de acordo com a jornalista Natuza Nery, ele prometeu ao senador 
Roberto Rocha (PSB-MA) uma diretoria no Banco do Nordeste; em seu discurso de ontem, 
Jorge Viana (PT-AC) colocou o dedo na ferida, ao dizer que vários dos "juízes" do Senado se 
beneficiam da própria decisão; é o caso por exemplo de José Aníbal (PSDB-SP), suplente de 
José Serra e amigo de Dilma há 50 anos, mas que votará pelo golpe porque só fica no Senado se 
o golpe vingar

247 – Se, de um lado, a presidente eleita Dilma Rousseff foi ao Senado e fez um discurso histórico 
em defesa da democracia, de outro, o interino Michel Temer negociou barganhas e favores nos 
bastidores da política.
De acordo com a jornalista Natuza Nery, ele prometeu ao senador Roberto Rocha (PSB-MA) uma 
diretoria no Banco do Nordeste:
Fica, vai ter cargo O senador Roberto Rocha (PSB-MA) será contemplado com uma diretoria do 
Banco do Nordeste em troca de voto favorável ao impeachment.
Não se afobe, não A oferta veio após o congressista ser procurado por Lula. Assim que soube do 
encontro, Temer agiu para evitar que Rocha pulasse para o lado de Dilma Rousseff.
Ontem, em seu discurso de ontem, Jorge Viana (PT-AC) colocou o dedo na ferida, ao dizer que 
vários dos "juízes" do Senado se beneficiam da própria decisão.
É o caso por exemplo de José Aníbal (PSDB-SP), suplente de José Serra e amigo de Dilma há 50 
anos, mas que votará pelo golpe porque só fica no Senado se o golpe vingar.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

QUEM É O TAL DE CASSIO CUNHA LIMA


Cara de pau...... "Não sejamos ingênuos, senador, todos nós sabemos que esse processo nasceu 
de uma vingança do senhor Eduardo Cunha, a quem vocês se aliaram. E disso devem se 
envergonhar", disse Dilma;

por : Paulo Nogueira

Quem o senhor Cássio Cunha Lima pensa que é para falar obsessivamente em nome do povo 
brasileiro?
Quem lhe deu procuração? Você, eu?
Me chamou a atenção que ninguém entre os senadores tenha dito isso a ele numa de sua múltiplas 
invocações fraudulentas do povo brasileiro: “Como o senhor ousa falar em nome da sociedade?”
Há um romance de Agatha Christie em que um grupo de pessoas são reunidas numa casa numa ilha. 
Subitamente, uma gravação começa a apontar os crimes de um por um. A quem interessar possa, é 
“E não restou nenhum”.
Pois bem.
Se uma gravação dessa natureza contemplasse os senadores que condenam tão ruidosamente Dilma, 
quantos sobrariam?
O senador Cássio Cunha Lima não. Ele é ficha suja, para começo de conversa. Foi cassado quando 
era governador da Paraíba em 2009, acusado de desvios de recursos e compra de votos.
Uma decisão do STF de postergar as consequências da Ficha Suja permitiu que ele concorresse ao 
Senado em 2012. Por isso temos que aturar essa reserva moral do PSDB fazendo prédicas cínicas 
sobre corrupção.
Há, fora tudo, um caso cômico em seu prontuário. Passou à história política como o episódio do 
Dinheiro Voador. Está registrado assim no site Movimento Ficha Limpa.
“Cássio Cunha Lima ficou nacionalmente conhecido em 2006. No dia 27 de outubro de 2006, dois 
dias antes do segundo turno das eleições para seu segundo mandato como governador, alguns fiscais 
da Justiça Eleitoral foram verificar uma denúncia de distribuição de dinheiro para compra de votos 
no edifício Concorde, em João Pessoa, capital da Paraíba.
Na saída os fiscais foram informados por terceiros que diversos objetos foram arremessados da 
janela de uma das salas do edifício. Os fiscais checaram os objetos atirados pelos funcionários de 
Cássio Cunha Lima e apreenderam mais de R$ 305 mil, títulos eleitorais e diversas contas de água e 
luz pagas.”
Este o dinheiro voador. Com ele o nobre senador Cunha Lima estava comprando votos.
O processo contra Cunha Lima foi parar nele, Sérgio Moro. Adivinhe o que aconteceu: nada. O caso 
está parado desde 2012.
É um oligarca. Seu pai Ronaldo foi governador da Paraíba. Notabilizou-se por dar dois tiros num 
adversário político, Tarcísio Burity, por acusações de corrupção que este fez ao filho Cássio. Era 
deputado federal. Renunciou para não ser julgado pelo STF. Claro que as coisas estavam muito mais 
sob controle na justiça local. Jamais chegou a ser julgado.
A tentativa de homicídio foi em 1993. Catorze anos depois, o então ministro do STF Joaquim 
Barbosa se pronunciou sobre o assunto. “Esse homem manobrou e usou de todas as chicanas 
processuais por 14 anos para fugir do julgamento. O ato dele é um escárnio para com a Justiça 
brasileira em geral e para com o Supremo em particular. Ele tem direito de renunciar, mas é evidente 
a segunda intenção. O que ele fez foi impedir que a Justiça funcionasse.”
E no Senado, nesta quinta, o filho Cássio teve o descaro em falar de “procrastinação” do julgamento 
de Dilma.



Ronaldo Cunha Lima atirou num adversário que acusou o filho Cássio de corrupção e jamais foi 
julgado
A oligarquia continua. Na sessão desta quinta no Senado, Cássio fez merchandising de seu filho 
Pedro, deputado federal pela Paraíba. Na infame sessão da Câmara que abriu o golpe, Pedro 
desqualificou, lembrou o pai, os 54 milhões de votos recebidos por Dilma.
A oligarquia, como presumível, tem propriedades na mídia local — uma aberração. Parentes são 
colocados na administração. Em 2013, o site Observatório da Imprensa registrou que a rede 
Tamandaré de rádio e tevê é uma sociedade de Savigny Rodrigues da Cunha Lima e Silvana 
Medeiros da Cunha Lima.
Quando começou a campanha pela deposição de Dilma, ele logo foi alvo das luzes da mídia pelo tom 
vitriólico de seus pronunciamentos contra o governo.
Nenhum jornal, nenhuma revista — ninguém achou que era notícia o passado corrupto de um 
senador que falava tanto em corrupção.
A isso se dá o nome de jornalismo de guerra. Fosse petista, você pode imaginar como teria sido 
tratada a vida pretérita de Cássio Cunha Lima.
Gleisi Hoffmann resumiu com perfeição o julgamento no Senado. Quem tem autoridade moral para 
julgar Dilma?
Cássio Cunha Lima, um dos mais barulhentos golpistas, definitivamente não.
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DILMA ACUSA AECÍM DE "DESESTABILIZADOR"


Uma das melhores cenas da sessão da manhã do Senado foi quando Dilma citou o “candidato 
derrotado”. Dilma sublinhou o adjetivo “derrotado”. Sem que nada houvesse sido obviamente 
combinado, a câmara da TV Senado se fixou em Aécio. E  os memes se multiplicaram pelas redes 
sociais. É assim que Aécio, o Abominável Aécio das Neves, vai passar para a história. Como o 
candidato conservador que ao ser batido nas urnas iniciou o processo de golpe que tragicamente vai 
chegando ao fim.
Há outros protagonistas no golpe, como Eduardo Cunha, bem definido por Katia Abreu nestes dias 
como um “escroque internacional”. Mas Aécio é um caso à parte. Um corrupto contumaz, um 
recolhedor de propinas que sempre gozou da proteção da mídia, Aécio  foi inventando pretextos 
absurdos para desqualificar a vitória de Dilma. Colocou em dúvida a lisura das urnas eletrônicas, 
chegou à insanidade de reivindicar que fosse ele proclamado presidente — e depois se mancomunou 
com Eduardo Cunha para que este aceitasse o processo de impeachment na Câmara, a base de tudo.
Não esqueçamos o papel imundo, na trama, do mentor de Aécio, FHC, um homem de esquerda na 
origem que fi caminhando progressivamente para a direita e hoje é um fâmulo da plutocracia.
Mas é de Aécio que tratamos. Dilma qualificou-o exatamente como ele passará para a história. Sem 
nome, sem nada: como o candidato derrotado. Os historiadores do futuro já têm um título pronto 
para a biografia na qual narração a carreira infame de Aécio. O Candidato Derrotado.

Ao responder ao mais chato, segundo delatante, Dilma disse diretamente a ele:
"A partir do dia seguinte da minha eleição, uma série de medidas políticas para desestabilizar o meu
governo foram tomadas. (...)
Jamais imaginaria que, após todos os debates durante a campanha eleitoral, que envolveu o voto de 
110 milhões de brasileiros, nos encontrássemos aqui hoje.
Tenho certeza que, ao longo de todo o processo eleitoral, debatemos e nos respeitamos.
O que tenho dito, e reafirmei no meu discurso e reafirmo ao senhor, é que, a partir do dia seguinte à 
minha eleição, uma série de medidas políticas para desestabilizar meu governo foram adotadas.
Respeito o voto direto nesse país, acho que o voto direto é uma grande conquista. Prefiro o barulho 
das ruas, das disputas eleitorais, das divergências eleitorais, e por isso respeito todos aqueles que 
concorreram. Agora, não respeito eleição indireta produto de processo de impeachment sem crime de 
responsabilidade. Isso eu não posso respeitar".


Dilma leu a Veja este fim de semana, senador...  Note a progressão da calvície no alto da cabeça 
do "mais chato", e da pança, no Jereissati.

WANDERLEY: SÃO MAIS ENTREGUISTAS QUE OS DE 64


Não vão deixar o Lula ganhar em 2018! 

Via Sul 21: ‘Governo Temer é profundamente antinacional. É pior que 64’, diz Wanderley 
Guilherme

“O governo de Michel Temer dá as primeiras passadas, acelerando para o grande salto para trás e a 
grande queima de estoques. A massa assalariada brasileira está sendo vendida a preços de saldo, com 
as liquidações iniciais dos programas educativos e sociais. O patrimônio de recursos materiais, como 
antes, será oferecido como xepa. A repressão à divergência não será tímida. Não há nada a esperar”. 
Esse é o resumo da obra que será exibida no Brasil nos próximos meses, talvez anos, na avaliação do 
cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de Teoria Política da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Sociais 
e Políticos (IESP-UERJ). Em um artigo intitulado “O grande salto para trás de Michel Temer”, 
publicado em seu blog “Segunda Opinião”, o cientista político prevê dias sombrios para o país e 
aponta algumas características do bloco que apoia Temer e que pretende implantar uma nova agenda 
política e econômica no país, sem ser referendada pelo voto popular, com a confirmação da 
derrubada da presidenta Dilma Rousseff
Em entrevista ao Sul21, Wanderley Guilherme dos Santos fala sobre essa agenda, destacando o seu 
caráter profundamente antinacional. Para ele, o movimento golpista pretende recolocar o Brasil no 
fluxo normal das relações do capitalismo que havia sido interrompido com a eleição de Lula em 
2002. “O que vai acontecer agora, e já começou a acontecer, como tem ocorrido em várias 
democracias sociais no mundo inteiro, uma redefinição programática drástico dos contratos de 
solidariedade social com uma hegemonia desabrida da lógica do interesse do capital”, assinala. Para 
tanto, acrescenta, a esquerda foi expulsa do jogo político legal por algum tempo. “Eles não deixarão 
Lula ganhar a eleição em 2018 em hipótese alguma. Não sei como vão fazer, mas não deixarão”, diz, 
advertindo que a tentativa de prisão do ex-presidente Lula é uma possibilidade real neste cenário.

Sul21: Como você definiria a atual situação política do país e, mais especificamente, o que está 
acontecendo no Senado nos últimos dias, com o julgamento do impeachment da presidenta Dilma 
Rousseff?
Wanderley Guilherme dos Santos: Eu não tenho acompanhado o Senado e nem o Supremo 
Tribunal Federal porque, já há algum tempo, tenho a convicção de que está tudo essencialmente 
resolvido. É uma peça cuja primeira montagem, para a minha sensibilidade, teve alguma emoção. 
Agora, virou algo mecânico. Por isso não estou acompanhando o que ocorre no Senado. Não vai daí 
nenhuma depreciação das pessoas. Elas estão cumprindo o protocolo, mas, no fundo, todos sabem 
que está resolvido.
Sul21: Com a confirmação do afastamento de Dilma, quais podem ser as repercussões políticas e 
sociais no país?
WGS: Acho que ocorrerão desdobramentos e aprofundamentos do telos, da finalidade deste 
movimento que pretende recolocar o Brasil no fluxo normal das relações do capitalismo que havia 
sido interrompido com a eleição de Lula em 2002. A inserção do Brasil no sistema capitalista 
evoluiu muito durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, quando foram construídos laços 
explícitos com o modelo internacional. Previamente a isso, havia uma indefinição sobre o rumo que 
o país iria tomar. Mesmo durante o período militar, havia uma disputa permanente entre os 
nacionalistas e os mais, digamos cosmopolitas. Isso foi resolvido, primeiro, com a vitória de Collor 
e, depois, com a de Fernando Henrique, quando tivemos oito anos de ajustamento da dinâmica 
brasileira ao modelo capitalista internacional. Isso foi interrompido em 2002.
O que vai acontecer agora, e já começou a acontecer, como tem ocorrido em várias democracias 
sociais no mundo inteiro, uma redefinição programática drástico dos contratos de solidariedade 
social com uma hegemonia desabrida da lógica do interesse do capital. Esse processo já está em curso.
Sul21: Na sua opinião, pode ocorrer uma reação na sociedade a esse processo, especialmente 
entre os setores que devem ser mais atingidos por essa redefinição programática? Há uma 
aparente calmaria na sociedade hoje, considerando a gravidade de tudo o que está acontecendo. O 
que essa calmaria expressa? Apatia? Indiferença?
WGS: Acredito que temos aí uma composição de percepções. Em primeiro lugar, há o 
reconhecimento da falta de recursos. Os assalariados, de modo geral, com a ameaça de desemprego, 
estão muito pouco dispostos a participar de manifestações com pautas universais, generalizantes. Só 
farão isso por questões específicas. Essa postura obedece a razões materiais compreensíveis. Em 
segundo lugar, por uma avaliação, na minha opinião bastante sensata também, de que esse esquema 
de redefinição programática e de reajustamento reacionário é muito forte e pouco vulnerável a 
pressões externas. Ele tem algumas instabilidades, como essa briga agora entre Gilmar Mendes e o 
Ministério Público Federal, mas elas não transbordarão para uma associação com quem está de fora. 
Assim, acredito que essa aparente apatia não é, na verdade, uma apatia, mas sim uma avaliação 
bastante pessimista, porém racional.
Sul21: Em que medida a Constituição de 1988 está sendo afetada pelo que está acontecendo agora 
no Brasil?
WGS: A Constituição, propriamente, não está sendo atingida. O texto da Constituição consagra uma 
série de votos de boa vontade. O que aconteceu, de 2002 até aqui, foi uma tradução desses votos 
constitucionais em políticas específicas sérias e sistemáticas. Como essas intervenções sociais não 
foram constitucionalizadas, como ocorreu, por exemplo, com a Consolidação das Leis do Trabalho, 
elas ficaram muito vulneráveis a mudanças ministeriais e de governo. Então, o que está ocorrendo 
agora é um desmanche das políticas sociais construídas a partir de 2002 e a instalação de uma forma 
diferente de ler os votos constitucionais que não são específicos, mas sim declarações de intenções. 
O que está sendo atingido é a gramática que traduzia essas declarações de intenções em políticas 
sociais específicas.
Sul21: Qual é, na sua avaliação, a capacidade do PT e da esquerda brasileira de um modo geral, 
de resistir a esse processo e de enfrentar o período que se abre agora na história do país?
WGS: Há um trabalho que vem sendo realizado há alguns anos junto ao subconsciente da sociedade 
para cultivar a impressão de que tudo o que vinha sendo feito desde 2002 era algo paliativo, 
populista e maligno para comprar o apoio das classes mais desfavorecidas. Foram anos de 
condicionamento da subjetividade nacional e grande parte dela ficou bastante hesitante no que 
pensar diante de uma lava jato. Não obstante a execução efetiva dos procedimentos legais que até 
agora condenaram empresários, burocratas, marqueteiros e alguns políticos, o único grande nome do 
PT condenado neste processo é o Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido).
Desde o início da Lava Jato, os vazamentos, delações, declarações são sempre em relação ao PT. Por 
isso não cessa a Lava Jato. Toda semana tem uma ameaça nova sobre a prisão de fulano ou de 
sicrano. E não acontece. Não acontece porque não tem base e as coisas não colam. Há alguns meses, 
o Lula seria preso por causa do sítio em Atibaia ou por um apartamento no Guarujá. Isso era 
martelado diariamente como se fosse verdadeiro e suficiente para tornar alguém incomunicável. A 
Lava Jato colheu os frutos desses 13 anos de cultivo de uma subjetividade disposta a aceitar 
determinadas coisas. E a devastação produzida por isso foi muito grande. A imensa maioria das 
forças de esquerda não tem nada a ver com o número de pessoas denunciadas e condenadas pela 
Lava Jato. Há uma discrepância absoluta aí e ninguém está se dando conta disso.
Há dois processos em curso. Há um processo teatral e um processo real. Os personagens reais estão 
lá na lista de denunciados e sentenciados pela Lava Jato, da qual não constam políticos do PT, com 
exceção de Vaccari e Delcídio, que era um recém-chegado ao partido. A Lava Jato continua 
produzindo essa devastação na esquerda. Então, é natural que o eleitorado de esquerda esteja, não 
digo intimidado, mas aguardando os acontecimentos, pois foi colocado sobre seus representantes um 
véu generalizado de suspeição, o que faz com que ninguém se arrisque a por a mão no fogo por 
ninguém. A situação de meio paralisia que vemos hoje é uma situação de intimidação. Tudo 
contribui para um curto e médio prazo não muito róseo para a esquerda brasileira.
Sul21: Você acredita que a Lava Jato, uma vez confirmado o afastamento da presidenta Dilma, tende a terminar?WGS: Não. Pode até ser que eles tenham pensado nisso em algum momento do processo, mas acho 
que tomaram gosto pela coisa. É um poder que, agora, o Gilmar Mendes identificou. É um poder 
excepcional esse de ter informações sigilosas sobre as pessoas, de saber quem faz o quê, em um 
contexto em que acusação e difamação se confundem. É um poder tirânico, aparentemente dentro da 
lei. Eu duvido que isso termine tão cedo.
Sul21: Em que medida esse bloco que está apoiando Temer e a derrubada da Dilma é um bloco 
coeso e sólido, considerando especialmente as relações entre PMDB e PSDB?
WGS: Pode haver algumas rusgas internas, mas acho que o bloco reacionário é sólido. A esquerda 
foi expulsa do jogo político legal por algum tempo. Lamento, mas eu leio o que está escrito. Posso 
estar lendo errado, mas tento ler o que está escrito.
Sul21: Como avalia a possibilidade do movimento sindical e dos movimentos sociais resistirem à 
agenda de políticas defendidas pelo bloco político e social de Temer, que inclui propostas como a 
flexibilização da CLT e a precarização de direitos?
WGS: Os movimentos sociais podem resistir um pouco, mas dentro do sistema político legal atual, 
lá entre eles, a situação não é tão fácil assim. Nem todos são reacionários de alfa a ômega. Há 
representantes dentro do Legislativo e da burocracia que tem interesses a defender e estão envolvidos 
com uma série de políticas. Então, acho que não será tão fácil para eles e não cumprirão 100 por 
cento do que gostariam os mais radicais deles, mas isso por conta de resistências dentro do próprio 
bloco deles. Esse bloco é muito sólido no seu veto à esquerda. O consenso básico deles é: esquerda 
fora. Esse é o denominador comum que os unifica.
Tudo isso que estou dizendo não significa que nós vamos ficar olhando para tudo isso de braços 
cruzados, sem fazer nada. O que estou fazendo é procurar ver essa conjuntura com um olhar realista, 
inclusive para não criar expectativas falsas. As lideranças da esquerda não podem ficar levantando 
expectativas falsas que sabem que não poderão cumprir. Isso é ruim. O que não quer dizer que 
vamos ficar parados. Nós ficamos parados durante a ditadura? Não e tampouco ficaremos parados 
agora. Na ditadura, não acreditávamos que, em 48 horas, iríamos derrubar os generais. Nem por isso 
ficamos parados.
Em certo sentido, o golpe atual é pior que o de 64, pois tem um compromisso antinacional e 
reacionário muito mais violento que o dos militares daquela época. Estes tinham uma seção 
autoritária, mas comprometida com interesses nacionalistas. Não é o caso agora. Cerca de 90% desse 
bloco que apoia Temer é profundamente antinacional. Isso não está acontecendo só aqui, vem 
acontecendo pelo mundo inteiro depois da crise de 2008.
Sul21: Você vê alguma possibilidade de Lula vencer a eleição em 2018 e retornar ao governo?
WGS: Eles não deixarão Lula ganhar essa eleição em hipótese alguma. Não sei como vão fazer, mas 
não deixarão. A esquerda não ganhará a eleição em 2018 de jeito nenhum. O que não quer dizer que 
a gente não vá mostrar a cara. Dependendo do andar da carruagem e se as eleições fossem livres, 
hoje eu acho que eles perderiam. O governo Temer é muito ruim e está afetando todo mundo. Se 
houvesse uma eleição para valer, eles perderiam. Como é que eles vão fazer eu não sei. O 
compromisso que eles estão assumindo, em nível nacional e internacional, é de tal envergadura que 
eles não podem perder a eleição em 2018.
Sul21: Na sua opinião, o tema da prisão de Lula ainda é uma possibilidade?
WGS: Acho que sim. Estão preparando o ambiente e o farão quando avaliarem que isso provocará 
apenas alguns protestos impotentes. Há um ano, eles não fariam, pois não daria certo. Eles não estão 
para brincadeira e vêm trabalhando sistematicamente para “acostumar” a opinião pública com a ideia 
da prisão de Lula. Eles vêm realizando sucessivas ameaças, às quais reagimos, para ir criando o 
clima. A ideia é que, ao longo dessas sucessivas ameaças, a nossa reação vá perdendo força na 
sociedade.
Sul21: Como definiria a atuação do STF neste processo? Há setores do Supremo que fazem parte 
orgânica desse bloco de Temer?WGS: Sim, fazem. A maioria do Supremo é servil. Os que não são, se acomodam e se acovardam. 
Só esboçam alguma reação em coisas secundárias. Na hora de decidir sobre temas essenciais, isso 
desaparece.
Sul21: Outra instituição que vem sendo apontada como uma protagonista do golpe é a chamada 
“grande mídia”. Como definiria o papel desse setor?
WGS: É claro que também faz parte desse mesmo bloco. Não há nenhuma dúvida quanto a isso. 
Esse encontro entre Legislativo, Judiciário, Supremo, empresariado e mídia é uma circunstância que 
aconteceu. Não é fácil de acontecer, mas aconteceu. Acho que nem foi o resultado de uma coisa 
totalmente planejada, pois é muito difícil planejar algo dessa natureza. Mas acontece e, quando 
acontece, eles têm consciência de que aconteceu. Eles sabem o que aconteceu e, por isso, estão à 
vontade para cometer as maiores barbaridades como se fossem verdades. Hoje, se alguém ligado à 
esquerda entra com um habeas corpus ou algo do gênero no Supremo, eles negarão o pedido. Pode 
parecer exagerado, mas é isso mesmo. O que está acontecendo não é brincadeira. A gente esquece 
como isso tudo começou. Há alguns anos, o que estamos vendo agora era algo impensável. Hoje 
acontece como se fosse algo normal.
Sul21: Considerando o bloco político social que apoia Temer hoje é possível fazer uma 
comparação com aquele bloco que apoiou o golpe de 64?
WGS: Não, é uma realidade bem diferente. Em 64, não havia uma sociedade organizada e 
diversificada como hoje. Os militares obtiveram uma maioria conjuntural, mas depois as coisas 
foram ficando mais complicadas. Não tem nada a ver com 64. Como disse, acho que o que acontece 
agora, em certo sentido, é pior em função do caráter profundamente antinacional desse bloco.
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CHEFES REGIONAIS DO SINDICATO DE LADRÔES, ROMERO JUCÁ E EUNÍCIO SE DIVERTEM COM EQUIPE DA FOLHA


Senadores Romero Jucá (PMDB-RR), que deixou o governo Temer após ser citado na Lava 
Jato, e Eunício Oliveira (PMDB-CE), defensores do impeachment, são fotografados aos risos 
com jornalistas da Folha de S. Paulo; registro foi feito pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) 

247 - Os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), defensores do
impeachment da presidente Dilma Rousseff, foram fotografados nesta segunda-feira 29 se divertindo 
com jornalistas da Folha de S. Paulo.
A cena ocorreu no momento em que Dilma discursava no Senado, onde apresentou sua defesa e 
agora responde a perguntas dos senadores.
Jucá deixou o governo interino de Michel Temer depois de ter tido uma conversa interceptada na 
Operação Lava Jato sugerindo a saída de Dilma para que a investigação pudesse ser barrada. Ele foi 
acusado de obstrução a Justiça e chegou a ter a prisão solicitada pelo Ministério Público.
O registro dos senadores com os jornalistas da Folha foi feito pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), 
que comentou no Twitter; "Conversa animadíssima enquanto @dilmabr fala no Senado. Jucá, 
Eunicio e Natuza e Paulo Gama da @folha ??".
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A cobertura repulsiva da BOBONEWS sobre a fase final do julgamento do Senado


Fâmula da plutocracia: Lo Prete

É repulsiva a cobertura da Globonews sobre o julgamento final do Senado sobre o golpe.
Não sou masoquista. Não vejo a Globonews porque não aprendo nada sobre jornalismo e desaprendo 
sobre caráter.
Mas fiquei algum tempo ali por razões excepcionais: o julgamento.
Ouviu alguma coisa estranha? Sou eu vomitando.
Nesta sexta houve um episódio exemplar.
Renan e Gleisi tiveram uma treta, como todos sabem.
Gleisi disse que o Senado não tinha autoridade moral para julgar Dilma, e Renan deu uma patada 
nela. Caiu sua máscara — fajutíssima desde cedo, é claro — de ‘magistrado imparcial’.
Como a Globonews tratou o assunto?
Lewandowski chamou um intervalo.
O comando das transmissões voltou à sede da Globonews, no Rio. Eis que a âncora chama três 
repórteres presentes em Brasília.
A primeira era Andreia Sadi, afilhada de Aécio e casada com um primo dele, também jornalista de 
política da Globo.
Logo em seguida, foi Renata Lo Prete. E mais Cristiana Lobo.
As três, sorridentes, narravam em tom de furo uma conversa com Renan no cafezinho do Senado. 
Pareciam amiguinhas no recreio do colégio.
O furo: Renan disse que recebeu um telefonema de Gleisi depois da encrenca e não atendeu.
Falo como jornalista: três repórteres da Globonews para ouvir Renan e ninguém para ouvir Gleisi?
Claro que Renan estava se gabando. O subentendido é que Gleisi ligara para pedir desculpa. Era isso 
que as três comadres da Globonews procuravam transmitir, para ajudar a imagem de Renan.
Mas foi isso mesmo? Gleisi deixou recado? Queria dizer o quê? Mais tarde, ela reafirmou, num dos 
grandes momentos desta fase final de julgamento, que o Senado não tem autoridade para julgar 
Dilma. Esta a frase que enfureceu Renan.
Mas repare.
Três comadrinhas tomando café com Renan e trazendo suas fofocas autocongratulatórias e ninguém 
com Gleisi.
Logo depois, dois compadres se juntariam a elas. Os repórteres Valdo Cruz e Gerson Camarotti. 
Formou-se um quinteto, e todos falando a mesma língua pró-Renan e prógolpe. Nunca tinha visto 
Valdo Cruz, um jornalista que me pareceu da minha geração, formada nos anos 1980: mas que 
repórter patético. A Globo lotou suas redações de tipos assim, fâmulos dos patrões, gente cuja 
missão é apenas defender a plutocracia.
Não é jornalismo. Ou especificamente: é jornalismo de guerra. Você junta um monte de 
pseudo jornalistas para enganar o povo.
Não existe nada remotamente parecido com equilíbrio e isenção. Uma concessão pública é usada 
pela família Marinho para promover lavagem cerebral no público que vê a Globonews.
Ainda ontem, no Twitter, o jornalista Glenn Grenwald citou as três maiores pragas brasileiras.
A primeira delas era a Globo. Vinham depois o PMDB e Gilmar Mendes.
Mas no topo do pódio, com a medalha de ouro da infâmia pendurada no peito, reinava a Globo.
O vídeo do cafezinho com Renan você pode assistir “>aqui:
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CHICO BUARQUE EM BRASÍLIA PARA ENFRENTAR O GOLPE DE 2016


Na noite de ontem, o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda se reuniu com o ex-
presidente Lula, com João Paulo, do MST, e Guilherme Boulos, do MTST; os quatro assistirão, 
da plateia, o pronunciamento histórico que será feito pela presidente Dilma Rousseff contra o 
golpe parlamentar de 2016.

247 – O maior artista brasileiro, Chico Buarque de Holanda, já está em Brasília para tentar impedir o
golpe de 2016.
Na noite de ontem, ele se reuniu com o ex-presidente Lula, com João Paulo, do MST, e Guilherme 
Boulos, do MTST.
Os quatro assistirão, da plateia, o pronunciamento histórico que será feito pela presidente Dilma 
Rousseff contra o golpe parlamentar de 2016.

Leia  manifesto de artistas e intelectuais contra o golpe.

Artistas e Intelectuais brasileiros pedem que senadores respeitem o resultado das eleições de 2014
O Brasil vive um dos momentos mais dramáticos de sua história, com a proximidade da votação final sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
O mundo assiste com preocupação a essa ameaça à democracia, como no caso de nossos colegas do Reino Unido, Estados Unidos, Canada e Índia, que publicaram uma declaração alertando que o impeachment representaria "um ataque as instituições democráticas", que levaria ao retrocesso econômico e social.
Os senadores que defendem o impeachment ficarão marcados na história por protagonizar o ataque mais cruel à nossa democracia desde o golpe militar de 1964. A história cobrará explicações, já que não existe base legal para justificar o impeachment.
De acordo com o Ministério Público Federal, a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crime. Por isso, seu afastamento é claramente uma manobra política para tomada de poder sem a aprovação das urnas.
Esse ataque aos processos democráticos representa uma ameaça aos direitos humanos e levará o Brasil a uma situação de maior instabilidade política e desigualdade social e econômica.
O ator Wagner Moura afirmou: "Estamos profundamente agradecidos por essas importantes palavras de apoio de nossos colegas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canada e Índia. Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações. Se eles derem continuidade ao seu plano, serão lembrados pela história como os responsáveis pelo mais sinistro ataque à democracia desde o Golpe de 1964".
A manifestação de Wagner Moura contra o impedimento de Dilma recebeu adesões de:

1. Adair Rocha, professor
2. Aderbal Freire Filho, diretor teatral
3, Alice Ruiz, poeta
4. André Lázaro, professor
5.Augusto Sampaio, professor
6. Bete Mendes, atriz
7. Biel Rocha, militante de direitos humanos
8. Caetano Veloso, compositor e cantor
9. Camila Pitanga, atriz
10. Carla Marins, atriz
11. Cecília Boal, psicanalista
12. Cesar Kuzma, teólogo e professor
13. Célia Costa, historiadora e documentarista
14. Charles Fricks, ator
15. Chico Buarque, compositor e cantor
16. Clarisse Sette Troisgros, produtora
17. Cristina Pereira, atriz
18. Dira Paes, atriz
19. Dulce Pandolfi, cientista política
20. Eleny Guimarães-Teixeira, médica
21. Generosa de Oliveira Silva, socióloga
22. Gilberto Miranda, ator
23. Gaudêncio Frigotto - escritor e professor
24. Isaac Bernat, ator
25. José Sérgio Leite Lopes, antropólogo
26 Julia Barreto, produtora Julia Barreto
27. Jurandir Freire Costa, psicanalista e professor
28. Leonardo Vieira, ator
29. Leticia Sabatella, cantora e compositora
30. Luis Carlos Barreto, cineasta e produtor
31. Luiz Fernando Lobo, diretor artístico
32. Marco Luchesi, poeta e professor
33. Maria Luisa Mendonça, professora e jornalista
34. Marieta Severo, atriz
35. Paulo Betti, ator
36. Ricardo Rezende Figueira, padre e professor
37. Roberto Amaral, escritor
38. Sílvia Buarque, atriz
39. Tuca Moraes, atriz e produtora
40. Virginia Dirami Berriel, jornalista
41. Xico Teixeira, jornalista

AO VIVO: DILMA OLHA GOLPISTAS NO OLHO

DILMA DISCURSA AO VIVO NO SENADO

GLOBALHAS FINGEM E AGORA CRITICAM PF DO TUCANO ANSELMO E DIZEM QUE LULA É INOCENTE


A Globo fez na noite de ontem um dos movimentos mais inesperados desde que iniciou seu 
projeto para destruir o ex-presidente Lula; texto publicado por Época afirma que o relatório 
da Polícia Federal sobre o "triplex de Lula" é fraco e que "a acusação terá grandes chances de 
ser considerada inepta – de ir para o lixo"; a questão é saber por que a Globo recuou, mas há 
algumas hipóteses: (1) o risco de sair derrotada no golpe de 2016, (2) a percepção generalizada 
no mundo de que há um golpe e uma caçada judicial a Lula, como foi denunciado à ONU e (3) 
busca de um pacto para evitar a destruição do sistema político brasileiro, depois que líderes 
tucanos foram atingidos por acusações bem mais sérias do que as que pesam contra Lula.

247 – Parece mentira, mas é verdade. Na noite de ontem, o grupo Globo de comunicação, que há mais de dois anos tenta destruir o ex-presidente Lula, recuou.
Em texto publicado no site da revista Época, por ninguém menos que o próprio editor-chefe da revista, afirma-se que o relatório da Polícia Federal sobre o chamado "triplex de Lula", que provocou o indiciamento do ex-presidente e da ex-primeira-dama Marisa Letícia, é fraco e sem provas (leia aqui).
"É fraco o relatório da Polícia Federal sobre o caso do tríplex ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz o texto. Segundo a análise, o relatório da PF "falha no que lhe é mais essencial: demonstrar que o caso do tríplex envolve corrupção e lavagem de dinheiro – e que Lula e os demais indiciados cometeram esses crimes."
Portanto, se os crimes não estão demonstrados, Época sugere que Lula é inocente e vai além. Diz que a denúncia do Ministério Público, a ser oferecida ao juiz Sergio Moro e que foi antecipada pelo próprio Globo (leia aqui), terá que ser bem mais consistente do que o relatório da Polícia Federal. "A peça dos procuradores terá de superar as fragilidades apresentadas pelo relatório final da PF. Caso contrário, a acusação terá grandes chances de ser considerada inepta – de ir para o lixo", diz o texto de Época.
A grande questão é saber por que a Globo recuou, mas há algumas hipóteses: (1) o risco de sair derrotada no golpe de 2016, com uma eventual vitória de Dilma e Lula, (2) a percepção generalizada na imprensa do mundo civilizado de que há um golpe, com a participação direta da Globo, e uma caçada judicial a Lula, como foi denunciado à ONU e (3) a busca de um pacto para evitar a destruição do sistema político brasileiro, depois que líderes tucanos, como José Serra e Aécio Neves, foram atingidos por acusações bem mais sérias do que as que pesam contra Lula.
Enquanto Serra foi delatado por um caixa dois de R$ 23 milhões, pago no exterior, pela Odebrecht, e Aécio por propinas de 3% nas obras da Cidade Administrativa, em Minas Gerais, pela OAS, a acusação contra Lula é de que ele seria beneficiário de reformas num imóvel, que, segundo o cartório de registro, pertence à construtora – e não ao ex-presidente.
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ESSA PF AÍ DO TUCANO ANSELMO É DA DILMA E DO ZÉ RUELA CARDOZO


Tucano Anselmo não tem isenção para investigar Lula 

Marcelo Auler

Ao comentar o Inquérito Policial no qual a Força Tarefa da Lava Jato indiciou o ex-presidente Luiz
Inácio da Silva e sua mulher, Marisa, não vou me alongar sobre erros, falhas, interpretações que
muito já foram falados, como o fez Luiz Nassif no Jornal GGN em: PF insiste em confusão dos 
apartamentos 141 e 174 no Guarujá. Há, porém, um fato gritante, relacionado com a foto ao lado que
mostra uma das postagens feitas pelo delegado federal Márcio Anselmo Adriano, que presidiu o
inquérito e indiciou Lula, no período eleitoral de 2014, como noticiou a jornalista Julia Duailibi, em
Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede.


Postagem feita pelo delegado Marcio Adriano anselmo no períod pré-eleitoral. Ele tem isenção 
para presidir um Inquérito contra o ex-presidente a quem classificou de anta?

Nossos Códigos de Processo preveem as figuras da suspeição e do impedimento, assim definidos na
página do Supremo Tribunal Federal (STF) em: Entenda as diferenças entre impedimento e 
suspeição:
“No impedimento há presunção absoluta (juris et de jure) de parcialidade do juiz em determinado
processo por ele analisado, enquanto na suspeição há apenas presunção relativa (juris tantum).
O Código de Processo Civil – CPC dispõe, por exemplo, que o magistrado está proibido de exercer
suas funções em processos de que for parte ou neles tenha atuado como advogado. O juiz será
considerado suspeito por sua parcialidade quando for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer
das partes, receber presente antes ou depois de iniciado o processo, aconselhar alguma das partes”.
As figuras jurídicas da suspeição e do impedimento valem, segundo os nossos Códigos de
Processo,para magistrados, e membros do Ministério Público. Não há previsão na lei para
impedimentos de advogados, nem mesmo para procuradores do Estado (advogados públicos). Mas,
em um estudo feito pelo procurador do Estado do Espírito Santo, Roger Faiçal Ronconi – Suspeição 
Impedimento do Procurador Do Estado – ele conclui: “mutatis mutandis, as regras se assemelham
àquelas previstas aos Magistrados, embora a elas não se igualem, devendo a questão ser resolvida
sob o enfoque Constitucional e dos princípios que regem a Administração Pública”.

Na edição do dia 134 de novembro de 2014 o então ministro da Justiça prometeu providencias 
que jamais foram tomadas. O próprio governo aso não fazer cumprir a lei criou a situação 
embaraçosa de hoje.

O mesmo deve ocorrer para os demais funcionários públicos, entre os quais delegados de polícia. è a
mesma base de princípio, embora eles não estejam atrelados ao previsto nos Códigos. “Não tem
previsão legal, mas como base de princípios do sistema epistemológico, o mesmo deve valer para o
funcionário publico em si, se tiver interesse em si, direto ou indireto, como parte amiga ou inimiga”,
resume um grande criminalista do Rio.
Na notícia de Julia Duailibi, ela expôs outros comentários de Márcio Anselmo:
“Alguém segura essa anta, por favor”, declarou o delegado Marcio Anselmo, coordenador da
Operação Lava Jato, em uma notícia cujo título era: “Lula compara o PT a Jesus Cristo”. Ele
também falou sobre habeas corpus que foram impetrados nos tribunais a favor dos investigados. “Vamos ver agora se o STF aguenta ou se vai danieldantar”, declarou, numa referência ao banqueiro
Daniel Dantas, que teve a prisão revogada pela Corte em 2008.
Ele também compartilhou uma notícia sobre hospedagem de Lula na suíte mais cara do Copacabana
Palace. “Assim é fácil lutar contra azelite!!!”, escreveu. Na reta final do 2º turno, fez comentários em
outra notícia, na qual Lula dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Escreveu: “O que é
ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não
deve ser”. O delegado apagou há poucos dias o seu perfil no Facebook.

Os três delegados que se manifestaram politicamente contra o PT continuaram atuando nas 
investigações. Houve isenção?

As manifestações de Anselmo e de outros – como Igor Romário de Paulo e Mauricio Moscardi
Grillo – ferem a Lei nº 4.878, de 3 de dezembro de 1965, que dispõe sobre o regime jurídico peculiar
dos funcionários policiais civis da União e do Distrito Federal, o que inclui o Departamento de
Polícia Federal (DPF). Ali está previsto que se trata de transgressão disciplinar entre outras coisas:
I – referir-se de modo depreciativo às autoridades e atos da administração pública, qualquer que seja
o meio empregado para esse fim;
XII – valer-se do cargo com o fim, ostensivo ou velado, de obter proveito de natureza político-
partidária, para si ou terceiros;
Ambos incisos, no entendimento de diversos juristas, foram feridos com as postagens dos delegados,
mas um sindicância feita pela própria Superintendência Regional do Paraná do Departamento de
Policia Federal (SR/DPF/PR), apesar das promessas do então ministro José Eduardo Cardozo de que
“nós jamais podemos permitir partidarização de nenhuma investigação. A imparcialidade é uma
caraterística das investigações policiais e das ações administrativas e cabe ao ministério da Justiça
verificar. A (Corregedoria da) Policia Federal fará uma averiguação da conduta desses agentes
policiais.Se for comprovada alguma ilegalidade ou ofensa ética as medidas serão tomadas”.
Oficialmente, a sindicância realizada, – apesar das transgressões previstas na Lei 4.878 -, concluiu
que não houve ilegalidade nem transgressão disciplinar. Para a Corregedoria e a direção do DPF, os
delegados estavam exercendo o direito de manifestação previsto na Constituição. Cardozo,embora
jurista, aceitou de bom grado. Não quis brigar com a Força Tarefa da Lava Jato. Tinha medo da
opinião pública. Ou melhor, da opinião publicada.
Um comportamento completamente diverso do que adotou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
que decidiu abrir uma investigação na sua Corregedoria contra quatro juízes que participaram, em 17
de abril, de um ato contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff, na capital fluminense. O
nome dos magistrados não foi informado pelo TJRJ sob argumento de que a investigação contra eles
corre em segredo de justiça, como noticiou em.com.br, em Juízes que participaram de ato contra 
afastamento de Dilma podem perder o cargo.
Estes juízes, destaque-se, não julgavam nenhum processo com relação a Lula, Dilma ou qualquer
político. Foram como cidadãos, mas tiveram que responder a sindicância que acabou arquivada após
muita discussão no Órgão Especial.
Situação diversa dos delegados que atuam diretamente nas investigações da Lava Jato. Como lembra
um agente de Polícia Federal do Paraná, “estes delegados deveriam estar impedido de tocar esses
inquéritos. Mas o que acontece é que ninguém na SR do Paraná pensa na repercussão negativa disso”.
Mais grave é que o governo Dilma Rousseff, com medo da mídia, nada fez administrativamente com
relação a diversas irregularidades cometidas pela Polícia Federal do Paraná. Da mesmo forma que se
omitira o Ministério Público Federal e o Judiciário como um todo. Algo fica claro. Isenção não
houve.
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AO VIVO: DILMA CHEGA AO SENADO





Dilma deveria perguntar: quem é você para me acusar?

entrevista do advogado Gilberto Bercovici, professor titular de Direito da USP, ao portal Sul21.
Sul21: Como você definiria a situação política do país neste momento em que ocorre, no Senado Federal, o julgamento do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff?
Gilberto Bercovici: O que está ocorrendo no Senado é um circo. Já está tudo combinado, até porque o PT entregou a cabeça dela numa bandeja ao negar apoio à ideia o plebiscito, a única coisa que poderia eventualmente convencer alguém a mudar de ideia. Se nem o partido dela apoia essa proposta, não há muito a fazer. Agora, estão apenas fazendo um jogo de cena. Dilma vai segunda ao Senado. Como ela não tem mais absolutamente nada a perder espero que ela fale o que tem que falar. Mas também duvido que faça isso.
Sul21: O que ela deveria falar, na sua opinião?
Gilberto Bercovici: Deveria falar quem é cada um ali, né. Quem é você para me acusar. Você desviou tanto, você me pediu tanto, você fez isso, você fez aquilo, enfim, deveria falar a verdade. Ela tem alguma coisa a perder? Infelizmente, acho que ela não vai fazer isso. É uma pena. Seria didático para o país.
Sul21: Quais devem ser as repercussões políticas e sociais no país, caso se confirme o afastamento de Dilma? Em diversas ocasiões, nos últimos meses, você advertiu para as ameaças às garantias constitucionais no país…
Gilberto Bercovici: Eles vão passar o rolo compressor. Estamos lidando com um parlamento que só quer saber de dinheiro. Eles vão aprovar o que o governo quiser e o que eles querem é garantir pagamento de juros para os bancos. O resto que se lixe. O que me dá um misto de tristeza e raiva é a absoluta apatia das pessoas em relação às ameaças a direitos trabalhistas, ao corte de verbas para a saúde pública e para a educação pública. Quem é de classe média ou classe média alta não usa esses serviços. Não vive de CLT, não usa escola pública ou saúde pública. Quem usa, porém, não parece estar nenhum um pouco preocupado com o que está acontecendo.
Sul21: A que você atribui essa apatia?
Gilberto Bercovici: Não sei. Há quem diga que é a mídia, mas não sei se é só a mídia que, sem dúvida, tem um grande papel. Não sei explicar. As pessoas parecem mais preocupadas com a medalha de ouro no futebol nas Olimpíadas do que o vai acontecer com a escola de seus filhos, com os hospitais que pode precisar usar ou com o futuro do seu próprio trabalho.
Sul21: Isso não está ligado ao fato de que, talvez, essas pessoas não vislumbrem a perspectiva de uma ameaça real de perda de direitos e de qualidade de vida?
Gilberto Bercovici: Pode ser, mas é uma alienação muito grande. E a impressão que dá é que, se perderem direitos, também não vão fazer nada. Posso estar enganado sobre a índole das pessoas, mas a sensação que me dá é que não estão nem aí para o que está acontecendo no país.(...)
Sul21: Existe dentro do PT a expectativa da candidatura do Lula em 2018. Nesta última sexta-feira, a Polícia Federal anunciou o indiciamento do ex-presidente. Como você vê essa situação. Acha que tentarão mesmo prender Lula?
Gilberto Bercovici: Eles vão tentar porque são burros e não tem noção da dimensão internacional do Lula. Além da importância que tem dentro do país, Lula é muito respeitado internacionalmente. Se prenderem ele, vai virar uma espécie de Mandela e pode acabar ganhando o Prêmio Nobel da Paz. Talvez a reação internacional seja mais forte que a nacional. Vão criar um mártir. Seria muita burrice. Mas aquele juiz lá de Curitiba é muito arrogante e a arrogância cega as pessoas.
Sul21: Há quem diga que, confirmado o afastamento da Dilma, a Lava Jato estaria se encaminhando para o seu término. Qual sua opinião sobre isso?
Gilberto Bercovici: A delação da Odebrecht parece que pega todo o sistema político, pega PSDB, PMDB, PP, praticamente todo mundo. Isso criou uma disputa sobre o próprio futuro da Lava Jato. O que me parece é que uma parte dos procuradores do Ministério Público quer seguir em frente, até porque eles estão se sentindo os donos da República. Só que o PMDB não é o PT. O PMDB é profissional, assim como o PSDB. Esses dois partidos não vão ficar na mão dos procuradores. Vão fazer alguma coisa, não sei bem o que, para não ficar na mão deles. Vocês já pegaram o PT. Que bom. Agora, tchau! Eu também duvido que o Eduardo Cunha seja cassado. É uma desfaçatez e um cinismo sem limites. Isso é algo que tem me deixado muito irritado nos últimos dias. É tanta coisa junta que você até perde o ânimo.
Ao mesmo tempo, houve erros importantes cometidos. A presidente da República levou praticamente seis meses para escrever uma carta. Eu, juntamente com outros colegas, chegamos a propor, três meses atrás, algumas medidas judiciais para o José Eduardo Cardoso, inclusive questionando a constitucionalidade da lei do impeachment. Nada foi feito até que, nesta última semana, ele manifestou interesse em ingressar com a ação. Agora não dá mais, né? O Supremo não vai dar uma liminar agora.
Sul21: Na sua avaliação, esse processo de violação de preceitos constitucionais que vem ocorrendo nos últimos meses pode ter uma repercussão mais duradoura e profunda na sociedade?
Gilberto Bercovici: Sim, pode. As pessoas não estão se dando conta de que o Moro está criando escola. Há juízes e procuradores desprezando garantias individuais em uma série de situações, o que, antes, não tinham coragem de fazer. Isso já está virando uma prática, o que é algo muito complicado. As pessoas ficam contentes que o Marcel Odebrecht está na cadeia, que o Lula pode ir para a cadeia, etc. Só não percebem que isso vai afetar todo mundo. Todos vão estar a mercê de um poder sem controle e que pode decidir sobre a liberdade de cada um de nós. Um poder que quer assumir o papel de justiceiro, com um Congresso absolutamente torto. Qualquer lei que sai desse Congresso é um desastre. É um negócio incrível. Aprovaram agora essa lei das estatais que, em primeiro lugar, é inócua, pois não serve para nada e, além disso, é mal redigida, com erros técnicos grosseiros e conceitos errados. Todas as leis aprovadas neste Congresso estão saindo assim. Ou seja, temos um poder Legislativo que não legisla e, quando legisla, é melhor que não o faça.
Para você ter uma ideia de como as coisas andam com as nossas garantias individuais, o nosso Código Penal é de 1940 e sofreu uma reforma grande nos anos 80. O modelo é inspirado no código italiano, que era o código do Mussolini. Se olharmos o nosso código hoje e o projeto de novo código penal que está sendo feito no Congresso, Mussolini se torna um grande defensor da liberdade humana. O código inspirado no de Mussolini é mais liberal do que este que o Congresso quer aprovar agora. Está à direita de Mussolini. Eles nem parecem saber o que está fazendo. Agem movidos pelo “clamor popular”. Devia ser proibido fazer leis sob clamor popular.
Sul21: É possível esperar alguma coisa do STF em termos de um contraponto a esse movimento inspirado no juiz Sérgio Moro e no chamado “clamor popular”?
Gilberto Bercovici: Não. Nada. O STF só vai aparecer se começarem a surgir no Congresso projetos restritivos em termos de costumes, relacionados ao Estatuto da Família, à homofobia e coisas deste gênero. A bancada evangélica vem tentando aprovar projetos nesta área no Congresso. Não sei se eles têm tanta força assim. Aí o STF pode aparecer e derrubar esse tipo de legislação.
Sul21: Na tua opinião, o STF, ou parte dele ao menos, desempenha um papel protagonista no golpe?
Gilberto Bercovici: Com certeza. Parte do STF está envolvida nisso. Não tenho a menor dúvida. Eles jogam direitinho. Não digo todos os ministros, mas alguns deles com certeza estão envolvidos. E o clamor público que, na verdade, é um falso moralismo, e a mídia inibem os demais. Além disso, há um problema comum aos tribunais superiores. Todo mundo no meio jurídico sabe que os tribunais superiores têm problemas relacionados a acessos privilegiados para certas pessoas. Talvez haja um temor de que essas relações sejam expostas.
Sul21: No ambiente acadêmico do Direito, há hoje uma capacidade de reação ao que vem acontecendo no sistema de justiça do país?
Gilberto Bercovici: Há uma reação, mas ela é minoritária. O que temos hoje é uma minoria que faz barulho. A maioria não está nem aí. Posso falar pela minha querida faculdade do Largo de São Francisco que está festejando mais um presidente saído de lá. Estão achando o máximo. Há alguns professores tentando fazer alguma coisa. Fizeram um livro sobre o golpe, produziram um abaixo assinado, mas nada muito além disso.
Sul21: Em resumo, o cenário que vê pela frente para este próximo período parece oscilar entre o pessimismo e o sombrio…
Gilberto Bercovici: Posso estar enganado, mas não vejo boas perspectivas no horizonte. Pode ser que, uma vez afastada a Dilma e o PT, eles comecem a brigar entre si. Acho que esse bloco não é monolítico nem coeso, mas sim uma aliança conjuntural de oportunistas, que podem começar a brigar entre si. Aí pode haver uma oportunidade de as coisas melhorarem um pouco ou de ao menos não conseguirem aprovar determinadas propostas mais absurdas como essa de limite do gasto público. Essa proposta suspende a Constituição por 20 anos. É uma lei de exceção, como a lei que os nazistas fizeram em 1933. Eles acabaram com a Constituição de Weimar assim.
Sul21: Na tua opinião, nós já estamos vivendo um estado de exceção?
Gilberto Bercovici: Sim, desde a votação na Câmara dos Deputados. Não é uma ditadura tradicional, mas é um regime de exceção sim, que vem tomando uma série de medidas para subverter a própria ordem constitucional. Como é possível ter um governo que chegue ao poder por meio de uma conspiração e que fique subvertendo a Constituição com a desculpa do equilíbrio fiscal. Onde está escrito na Constituição que pagar mais juros para banco vem na frente de garantir educação e saúde? Isso está escrito em algum lugar. Na minha não está. Pode ser que a minha edição seja antiga. Estamos vivendo sob um obscurantismo. Esse golpe parlamentar é um retrocesso gigantesco em nossa história que levará muito tempo para ser corrigido e gerará determinadas mágoas em setores da sociedade que levarão décadas para resolver.
Sul21: Na sua avaliação, há uma ação articulada entre o grupo do juiz Sergio Moro e outros setores do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal que trabalham em torno da Lava Jato para atingir determinados objetivos políticos? 
Gilberto Bercovici: Não sei se chega a tanto, mas que eles têm articulação isso tem. Até porque o que eles fazem só é possível com a anuência dos órgãos superiores. O STF e o STJ têm 30 anos de jurisprudência de garantia dos direitos individuais. Sempre foram cortes garantistas. De repente, do dia para a noite, eles mudaram de posição? Agora é possível prender depois da segunda instância e restringir uma série de liberdades? Como foi essa mudança? Quem decidiu? É medo da mídia e do clamor popular? É mudança do perfil da corte? Estamos falando de 30 anos de jurisprudência, até mais. Mudaram assim do nada e ninguém sabe explicar por quê.
É uma demanda da sociedade? Se depender da demanda da sociedade, todo mundo vai ser linchado em praça pública. Se é isso que querem, tudo bem, mas vai valer para todo mundo. Valerá para juiz também ser linchado no meio da rua. É isso que estão querendo?