quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Queiroz teve 14 meses para esconder provas de rachadinha


"Com sua experiência, [Queiroz] sabe exatamente o que uma operação desse tipo tenta 
localizar",
Jornal GGN – O colunista Bernardo Mello Franco chama atenção, nesta quarta (18), para o 
tempo dado a Fabrício Queiroz para eventualmente esconder provas que poderiam implicar o 
senador Flávio Bolsonaro e seu antigo gabinete no RJ no crime de rachadinha.
Se passaram 14 meses desde o dia em que ele foi exonerado da assessoria do ex-deputado, até 
a operação de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio.
“O faz-tudo da família Bolsonaro é policial militar aposentado. Com sua experiência, sabe 
exatamente o que uma operação desse tipo tenta localizar.”
Pela régua da Lava Jato, Queiroz teria sofrido um pedido de prisão quando as primeiras 
informações sobre o caso da rachadinha vieram à tona, justamente para evitar eventual 
obstrução de provas.

OS AMIGOS (NEM TÃO OCULTOS) DO BOLSO-FAMÍLIA


MP implode esquema da rachadinha e faz buscas em endereços de Queiroz, ex-assessores de 
Flávio e parentes de Jair Bolsonaro.
POR FERNANDO BRITO
Os próximos dias no Ministério Público vão ser de abrir os”presentes” recolhidos na casa dos amigos 
dos Bolsonaro que durante anos ficaram ocultos nas folhas de pagamento dos gabinetes de seu filho 
Flávio e até mesmo no do pai, quando deputado.
Verdade que a festa está um ano atrasada e que, por isso, é provável que muito ou mesmo quase tudo 
já tenha desaparecido, como fez, aliás, o próprio Fabrício Queiroz.
Até porque quase todos – e são dezenas – os que estão tendo busca e apreensão já eram integrantes 
conhecidos do programa de emprego familiar que lá se desenvolvida, em grande parte pelo trabalho 
dos repórteres Juliana Dal Piva, de O Globo e Chico Otávio, entre outros.
Igualmente não faz sentido que eles não tenham sido, até agora, chamados a prestar esclarecimentos 
sobre as relações empregatícias que mantinham e por eventuais repasses de dinheiro que, afinal, deve 
estar registrado nas contas bancárias cujo sigilo já foi quebrado há tempos.
Sejam quais forem as provas coletadas, a ação é um balde de gasolina nas já incendiadas relações 
entre o presidente e o governador Wilson Witzel.
A única reaação da família, até agora, foi a postagem no Twitter de Carlos Bolsonaro, de novo 
enigmática, de um daqueles “bips” que se usava antes do telefone celular para chamados de urgência.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

VIDEO: MÉDICO LAVAJATISTA É UM DOS PRESOS EM OPERAÇÃO EM RINHA DE CÃES


O médico Leônidas Bueno Fernandes Filho, preso na rinha de cães em Mairiporã, é o que se pode 
definir como cidadão de bem.
Em seu perfil no Facebook, ele publica mensagens de apoio ao combate à corrupção, com apoio à 
Lava Jato, memes contra Lula e outras lideranças de esquerda, e até um post indignado com a morte 
de uma onça que participou de um evento do Exército, no Amazonas.
Ao ser preso, tentou convencer os policiais de que estava ali para buscar um pitbull que lhe havia 
sido dado de presente.
Ele mora em Goiânia, a quase 1.000 quilômetros de Mairiporã, e foi buscar um cachorro lá?
História que os policiais não engoliram.
Um vídeo gravado no momento da prisão mostra o médico tentando se explicar. Veja abaixo.
Alguém diz a ele, que está sentado num cercado de madeira e com os braços para trás:
“Põe os bichinhos pra brigar, não tem vergonha na cara, não?”
Ele faz sinal de que não estava ali para participar da rinha.
“Estava fazendo o que aqui então?”
O médico responde:
“Eu vim buscar um cachorro, que um amigo deu”.
O interlocutor, supostamente policial, comenta:
“Aqui é tudo santo, os vagabundos são todos santos, a cara dos vagabundos aqui.”
Outro comenta:
“Você vai ver a cela em que você vai parar”.
O suposto policial diz:
“Vai dormir de conchinha agora”.
O outro adverte:
“Olha aqui, vagabundo tem cachorro. A hora em que forem mostradas as fotos dos cachorros, vão 
falar: ‘olha aqui quem é o responsável’”
Vagabundo é como o policial se refere a preso.
O médico tenta dizer alguma coisa, mas o policial, indignado, não deixa:
“Olha bem para a minha cara.”
Um outro, também revoltado, intervém e diz a Leônidas:
“Cala a boca, só escuta.”
O médico, então, abaixa a cabeça.
“Médico cuzão, médico de bosta, médico de bosta.”
Outro acrescenta:
“Ser humano de bosta.”
Os policiais comentam que ele deveria perder o registro no Conselho Regional de Medicina.
“Você é casado, você tem mãe?”
Evidentemente, os policiais extrapolaram, mas é difícil não conter a revolta diante da cena dantesca 
que presenciaram.
Havia pitbulls mortos e outros se enfrentando na rinha. Encontraram em uma churrasqueira um 
pedaço de carne de cachorro.
A suspeita é que eles faziam churrasco com a carne do animal derrotado.
Segundo relato publicado na imprensa, o papel do médico seria ajudar o veterinário que também foi 
preso a reanimar os cachorros.
Porém, como a especialidade de Leônidas é medicina, é provável que estivesse ali para apostar 
mesmo.
O que ninguém acredita é que tenha embarcado em um avião em Goiânia, descido em Guarulhos e 
viajado até Mariporã apenas para pegar um pitbull de presente em uma rinha
Os animais ali estavam feridos, mesmo aqueles que venciam as lutas. Iria levar para casa um cão 
nessas condições para quê?
Sentido humanitário? Conta outra.
Ao ser preso, como se vê pelo vídeo, Leônidas tentou passar a imagem de bom moço, talvez a 
imagem que faça de si próprio, com suas postagens moralistas.
Muitas pessoas localizaram o perfil dele no Facebook e, antes que ele retirasse a página da rede, 
postaram comentários como:
“Vagabundo, lixo de médico, merece o pior, sem vergonha, safado, vontade de socar até desmaiar e 
depois usar soro para reanimar você. Merece ser empalado”.
“Maldito!!! Vc é um bandido!!!”
Ele foi libertado ontem, depois de pagar fiança.
“Você tem dinheiro, mas nunca vai ter paz, nunca vai deitar a cabeça no travesseiro e dormir.”
O cidadão de bem Leônidas Bueno Fernandes Filho não poderá mais, com certeza, dar lição de 
moral.
Veja o vídeo:

Zema tira R$ 3 bi da Educação em Minas, usa em outros setores e não paga professor; é velhacaria;


GOVERNO ZEMA TIRA DINHEIRO DA EDUCAÇÃO E NÃO PAGA PROFESSOR
por Rogério Correia


Neste vídeo no plenário da Câmara, o deputado federal Rogério Correia denuncia que o governo 
Zema está investindo apenas 17% na Educação, bem abaixo dos 25% constitucionais.
“Ele tira dinheiro carimbado da educação, não paga o 13° para o funcionalismo nas áreas da 
educação e saúde”, afirma Rogério. “Pior: não paga nem o piso estabelecido na Constituição do 
estado”, afirma o deputado, que é o autor da lei do piso salarial dos trabalhadores da educação que 
Zema não está cumprindo.*Rogério Correia é deputado federal (PT-MG)

Putzzz...Comandante do fuzilamento do músico diz que deram 257 tiros por “susto”


POR FERNANDO BRITO 
Quem quiser entender o que significa a proposta de “excludente de ilicitude” da dupla Sérgio Moro-
Jair Bolsonaro, leia hoje, em O Globo, o depoimento do tenente Ítalo Nunes, que comandava o 
esquadrão de militares que fuzilou o músico Evaldo Rosa e o catador Luciano Macedo, em 
Guadalupe, na Zona Norte do Rio.
Diz ele que sua tropa estava “assustada” porque teria trocado tiros com os traficantes e ouvidos estes 
dizerem pelo rádio (???) que queriam ver o sangue escorrer da viatura militar. O catador Luciano, 
que todas as testemunhas civis viram ir tentar ajudar o músico baleado seria, na verdade, um 
assaltante e, por isso, teriam atirado, sem explicar a razão de terem acertado o carro do “assaltado” 
com dezenas de tiros de fuzil.
No total, foram 257 disparos de fuzil, 77 deles realizados pelo tenente Ítalo, 62 acertando o carro de 
Evaldo. Nele estavam, além do músico morto, sua mulher, uma amiga, seu sogro e uma criança de 7 
anos.
O relato, claro, se ajusta perfeitamente às premissas de “medo, surpresa e violenta emoção” com que 
se quer tornar assassinatos isentos de processo criminal.
Quem vai provar que não estavam assustados e que merecem o excludente? Ou que não foram 
surpreendidos? Ou que não estavam sob “violenta emoção” com as supostas ameaças que alegam ter 
ouvido pelo rádio?
É fuzilar e contar a história.
Afinal, morto não pode se defender.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Reprovado, procurador da Lava Jato quer anular concurso universitário por considerar banca examinadora suspeita


Procurador Diogo Castor de Mattos. Foto: Divulgação
O procurador da república Diogo Castor de Mattos, que foi da Lava Jato até ser denunciado por 
patrocinar outdoor com elogio à operação, chamou a atenção da comunidade jurídica do Paraná por 
tentar anular o concurso público da Universidade Federal do Paraná em que foi reprovado.
Ele tentou uma vaga no curso de doutorado na área Direito do Estado, em banca presidida pela 
professora doutora Vera Karam de Chueiri. Também integravam a banca os professores doutores 
Egon Bockmann Moreira, João Gualberto Garcez Ramos e Larissa Liz Odreski Ramina.
Castor de Mattos questiona as notas atribuídas a ele em relação a títulos e levanta também, segundo a 
notícia publicada hoje na coluna Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a suspeição de um dos 
integrantes da banca.
É isso o que chama a atenção: alegação de suspeição de um dos integrantes da banca, o que mostra 
incoerência, já que a Lava Jato, em vários casos, rejeita a tese de suspeição dele próprio e dos demais 
integrantes, inclusive de seu primo-irmão, o subprocurador Maurício Gotardo Gerum.
A Universidade Federal do Paraná rejeitou os argumentos de Castor de Mattos, que já recorreu ao 
Judiciário. Dos quatro integrantes da banca, dois elogiaram publicamente Sergio Moro e a Lava Jato. 
Seriam eles também suspeitos? Claro que não.
A professora doutora Ramina, que faz parte da Associação Juristas pela Democracia, assinou em 
julho manifesto pelo afastamento de integrantes da Lava Jato que apareceram nos diálogos vazados 
pelo The Intercept, mas nunca advogou em um caso da operação.
Quando o manifesto foi divulgado, Castor de Mattos já tinha sido transferido para uma jurisdição do 
interior do Paraná, uma medida tomada em decorrência da descoberta de que ele patrocinou outdoor 
com elogio a ele próprio e aos demais integrantes da Lava Jato.
Ainda que o manifesto fosse o motivo para alegar a suspeição de Ramina, a atividade acadêmica 
ficaria inviável no Brasil, já que textos dessa natureza são relativamente comuns entre professores e 
pesquisadores.
Esse manifesto, por exemplo, tem a adesão de centenas de juristas, entre eles Lenio Streck, Pedro 
Serrano e Carol Proner, todos com vida acadêmica.
É uma situação muito diferente do que ocorreu em casos da Lava Jato, em que suspeições foram 
arguidas. Castor de Mattos tem um irmão que é advogado de delatores que fecharam acordos com o 
Ministério Público, entre eles João Santana e Mônica Moura.
São acordos em que os advogados recebem honorários milionários, calculados com base em quantias 
e bens bloqueados pela Justiça. Moro, por exemplo, quis liberar R$ 10 milhões dos quase R$ 30 
milhões do casal que tinham sido bloqueados. Uma das razões era a necessidade de pagar honorários 
dos advogados.
Quando procuradores da Fazenda Nacional estranharam a liberação, já que havia débitos fiscais a 
serem saldados, Moro recuou, com a alegação — clássica dele — de “lapso” em razão da “grande 
quantidade de processos”.
Parte do dinheiro iria para o Castor de Mattos que atua no outro lado do balcão da Justiça.
Como representante do Ministério Público Federal, o primo de Diogo Castor de Mattos, Maurício 
Gotardo Gerum, atuou nos processos conduzidos na primeira instância pelo grupo de procuradores 
do qual ele fazia parte. Os casos de João Santana e de Lula, por exemplo.
Questionado se era suspeito, sempre rejeitou.
A Lava Jato também rejeita suspeição em casos de manifestações de seus integrantes nas redes 
sociais de investigados como se estes já fossem condenados. No caso de Lula, os exemplos são fartos.
Confirmada a informação de que Diogo Castor de Mattos quer reverter a sua reprovação na 
universidade com recurso ao Judiciário, fica claro que coerência é uma das virtudes que ele não tem.

Conversas com Lula: Haddad não tem que ser mais candidato a prefeito


"Quem teve 45 milhões de votos não pode voltar a ser candidato a prefeito. Tem que cultivar o 
eleitorado", afirma o ex-presidente
A aparência de Lula é bem mais jovem e descansada do que no período pré-prisão. A voz está bastante rouca, mas o rosto está rosado e ele parece estar chegando de um spa e não de um longo período trancafiado em uma sala de 15 m², principalmente usando o indefectível chapéu Panamá. Mesmo rouco, é nítida a vontade de Lula em falar, explicar, relembrar.
Rebate quando alguém fala na inevitabilidade do fascismo da classe média. Diz que nem todos professam o discurso do ódio.
– Esse sentimento foi plantado pela Globo, não é natural do povo brasileiro.
Alguém sugere que seria relevante retomar o diálogo com a Globo. Lula refuga.
– Sempre conversei com a Globo e nunca adiantou.
Conta que em 2013 procurou João Roberto Marinho para falar sobre a campanha de descrédito da Copa, encetada pela própria Globo. Mostrou a ele que a Copa era da Globo, que não havia sentido em desmoralizar o eemtp antes mesmo que começasse. Não houve jeito. Conversou com o Itau, com patrocinadores, mas a Globo persistiu na campanha de descrédito, dando continuidade à convocação de manifestações de rua.
Tem mágoas, sim. Mágoas óbvias contra a Globo e contra a Lava Jato. Mas, no plano pessoal, a mágoa está focada em Fernando Henrique Cardoso. Relembra o início da redemocratização, quando foi até FHC garantir o apoio do PT às suas primeiras eleições.
Conta como impediu que o PT endossasse o  Dossiê Cayman, uma armação de Paulo Maluf preparada pelos irmãos Gilberto Miranda e Egberto Baptista, visando influenciar as eleições de 1998. Era uma suposta conta no paraíso fiscal de Grand Cayman, de suposta titularidade de Fernando Henrique, Sérgio Motta, José Serra e Mário Covas.
Lula foi procurado por Lafayette Coutinho, emissário de Maluf, tentando convencê-lo a encampar as denúncias. O país entrava em período eleitoral, com Mário Covas disputando a reeleição para governador de São Paulo com Maluf, e FHC disputando a reeleição contra o próprio Lula.
Não aceitou, porque o pacote atingia diretamente Mário Covas, a quem Lula devotava sentimentos de gratidão. Depois, pela falta de verossimilhança. Lula levou o pacote a Márcio Thomaz Bastos, que desaconselhou qualquer ato de endosso à armação.
Eram tempos em que PT e PSDB ensaiavam pactos políticos contra o que era a direita da época, representada por Maluf. Lula procurou Covas que, no segundo turno, foi apoiado pela candidata do PT Marta Suplicy contra o próprio Maluf.
– E sabe o que o Fernando Henrique fez? Disse que fazia questão que eu aparecesse no Palácio , se eu não aparecesse no Palácio, ele iria na sede do PT para me buscar. Fui lá e a única coisa que ele queria era saber o que mais havia no tal dossiê contra Covas e os demais.
A conversa evolui para o último livro das memórias de FHC, na qual ele, o ex-presidente não poupa ninguém, nem amigos, nem aliados.
O pacto nacional
Aí se entra no tema inevitável do grande pacto nacional. Lula deixa entrever que o grande acordo nacional está no seu horizonte. Mas não consegue entender as críticas quanto à polarização.
– Ninguém faz política sem polarização, explica ele. Não significa radicalização. Significa ter uma posição clara em oposição a alguém.
Não tem ilusões quanto à sua candidatura em 2018. Diz que a Igreja Católica é a organização mais antiga da história e tem a sabedoria de não aceitar nenhum candidato a Papa com mais de 77 anos. Mas não quer abrir mão de influir nas próximas eleições.
Aproveita e cutuca Fernando Haddad. Não o quer candidato a prefeito de São Paulo nas próximas eleições.
– Quem teve 45 milhões de votos não pode voltar a ser candidato a prefeito. Tem que cultivar o eleitorado.
Lembra-se de sua primeira eleição, na qual foi derrotado, mas conquistou 1,5 milhão de votos. Encontrou-se com Fidel Castro que o estimulou:
– Você não foi derrotado. Você recebeu a maior soma de votos que um operário já recebeu na história. Tem que continuar.
Repete o mesmo conselho para Haddad. E, agora, não se está falando de 1,5 milhão de votos, mas em 45 milhões.
– Você tem que correr o país, encontrar com as pessoas, consolidar sua liderança.
Foi o mesmo conselho que deu a Gleise Hoffman, quando foi reconduzida à presidência do PT. Seu estilo é soltar os aliados mais promissores, observar sua evolução e apostar naqueles que mostrarem maior potencial.
Sabe que o PT tem que sair da bolha. Não pode ficar falando só para os seus. E elogia a postura do governador maranhense Flávio Dino, seu trabalho, a objetividade do seu discurso, o fato de falar para fora da bolha.
Alguém volta às eleições para a prefeitura de São Paulo e indaga de Marta Suplicy. Diz ele que divergências são naturais, mas a história não pode ser apagada. E que Marta fez a mais bem avaliada administração petista da história da cidade de São Paulo. Há uma discussão sobre quem teria sido o pai dos Centros Culturais.
– Não importa, o que importa é que politicamente foi a administração de Marta quem alavancou politicamente o projeto.
Alguém se recorda do momento em que Marta e Dilma se tornaram definitivamente inimigas. Pouco antes da indicação de Dilma para sua sucessora, Lula foi procurado por Marta.
– Lula, conheço bem as mulheres. A candidatura de Dilma vai liquidar com você e o PT.
Mas Dilma era uma competentíssima Ministra-Chefe da Casa Civil. Tinha seus problemas, especialmente com os Ministros que tinham acesso direto a Lula. Mas Lula fazia a mediação, chamava os Ministros, ajudava a superar as mágoas com sua Ministra.
Hoje em dia, a grande dificuldade do pacto é a ausência de um interlocutor do outro lado. Aproveita para cutucar FHC pelo fato de que o máximo que conseguiu foi apostar em um apresentador de TV.
Lembra-se que, em outros tempos, o Senado tinha Paulo Brossard, Marcos Freire, Jarbas Passarinho e compara com o Senado de hoje. Recorda-se dos primeiros pactos que fez com a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), tendo na outra ponta Luiz Eulálio de Bueno Vidigal. E, agora, um deserto amplo de figuras públicas.
E entra no ponto central: a falta de figuras referenciais do lado da direita. Com quem negociar? Alguém menciona sugestão do próprio GGN, de que caberia a Lula empoderar o interlocutor. Mas quem seria ele?
Surge o nome de Tasso Jereissatti, Lula se recorda da boa convivência com ele em outros tempos, depois de um período em que Tasso assumiu um discurso bastante autoritário. Na conversa, surge muito o nome do senador Oto Alencar, da Bahia.
Apesar da flexibilidade para novos pactos, Lula ainda tem resistências contra hipocrisias da política. Como o movimento “direitos já”, um evento político ocorrido na PUC-SP, que visava juntar centro-esquerda e centro-direita e para o qual Gleise Hoffmann foi convidada.
– Falei para a Gleise levar a Dilma e dizer: vocês tiraram o mandato de uma presidente legitimamente eleita, através de um golpe. Antes de continuar, peçam desculpas a ela.
O impeachment
Grande parte da conversa é sobre o impeachment e sua decisão de não concorrer em 2014, quando ficou claro a corrosão na popularidade de Dilma Rousseff. Marta chegou a organizar uma reunião em sua casa com parte do empresariado paulista pedindo para que Lula se candidatasse. Mas Lula ficou firme na posição de que a decisão cabia a Dilma que tinha o direito de postular sua reeleição.
Atribui o isolamento de Dilma especialmente ao marqueteiro João Santana. Alguém se lembra de uma reunião no Palácio, quando as pesquisas apontavam um índice de ótimo-bom de apenas 8% para Dilma. Na reunião, o prognóstico terrível:
– Com 8%, corre até o risco de impeachment.
Ainda havia possibilidade de Lula assumir a candidatura, mas nenhum movimento aconteceu da parte de Dilma, dona incontestável do direito de se candidatar. Santana tratava de minimizar os riscos, de enxergar perspectivas que ninguém via, explorando um ponto muito vulnerável nos mandatários: a solidão do poder, que faz com que as pessoas criem resistências contra quem traz problemas, e se abram para quem só bajula.
Depois da eleição, a corrida para impedir a corrosão do governo.
Foi procurado por Dilma dois meses após as eleições, para se aconselhar sobre o novo mandato. Sua primeira sugestão foi para a Economia. Precisava alguém de peso e confiável. Sugeriu que procurasse Luiz Trabucco, presidente do Bradesco, e Henrique Meirelles, que ainda estava preservado pelo mercado. Trabuco consultou o presidente do Conselho de Administração do banco, Lázaro Brandão, que apresentou a sugestão fatal, Joaquim Levy.
A conversa fica muito nisso, de encontrar razões pontuais aqui e acolá para o impeachment. A descontração do papo impede avaliações mais aprofundadas sobre o conjunto de fatores que colocou em xeque a democracia brasileira.
Lula se recorda das fantasias do PT, achando que a candidatura de Arlindo Chinaglia derrotaria Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Bem que tentou emplacar Jacques Wagner na articulação política do governo. Dilma apresentou objeções.
– Será que ele tem experiência política suficiente?
E Lula rebateu que Wagner tinha mais experiência política que ele, Lula, e Dilma somados. Um político que derrota ACM na Bahia, se reeleger, faz seu sucessor, sempre no primeiro turno, teria que demonstrar mais o quê?
Mas a decisão foi colocar na articulação Ideli Salvatti, uma política de Santa Catarina de biografia respeitável, mas de escassa experiência em articulação política.
Depois, o rompimento final, quando o PT dispunha de três votos para impedir a abertura de um processo contra Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara. O aviso era explícito: se o PT não o apoiasse, ele abriria o processo de impeachment. O PT não apoiou, o processo contra Cunha foi aberto, para regozijo do presidente do PT, Rui Falcão, que chegou a publicar um Twitter comemorando. Dilma comemorou. No dia seguinte, Cunha autorizava o processo do impeachment.
É difícil saber o que seria o governo com as concessões a Cunha. Mas, por três votos, o PT entregou um projeto de país, que, em todo caso, já fazia água.
Lula vai se recordando da enorme dificuldade que encontrou quando tentou deter a avalanche do impeachment. Exemplo de lealdade, para ele, é o ex-presidente José Sarney, que, além de leal, é educado e sabe fazer política. Lembra-se de um político colocando as diferenças entre Sarney e FHC.
– Sarney ouvia a gente, me dizia esse político. Já Fernando Henrique bota o dedo no nosso nariz e querer dar ordens.
E aí se entra no tema das relações pessoais como peça central na montagem de acordos políticos. Quando teve início o processo de impeachment e Lula se pôs a campo para tentar detê-lo, o Congresso era um pote de mágoas, com políticos de todas as extrações que, em algum momento, se sentiram ofendidos pelo estilo duro de Dilma. Recorda-se dele  ligando para diversos políticos, cada qual com três ou quatro votos essenciais para parar o impeachment. E todos eles com posição fechada contra Dilma por conta de mágoas, devido a episódios menores, mas onde a desatenção e o estilo direto de Dilma criaram resistências profundas.
O assunto envereda para as relações com empresários. Lula diz que nenhum outro presidente ouviu tanto os empresários quanto ele. Levava empresários em cada viagem internacional, chamava ao Palácio para conversar, acatava conselhos. E, agora, se queixa da solidão.
– Abílio Diniz me ligava diariamente e me ajudou muitas vezes. Foi só sair do governo para não receber mais um telefonema dele.
Alguém menciona que Abílio é isso mesmo: sempre esteve a favor de todos os presidentes, mas enquanto presidentes.
A conversa termina um pouco nostálgica. Olhando para frente, Lula coloca na raiz de todos os problemas o profundo preconceito brasileiro, herança da escravidão.
– Quando comprei o apartamento em que moro até hoje, era líder sindical e o apartamento era cobertura. E os vizinhos ficavam incomodados por ter um sindicalista morando em cima deles.
O símbolo máximo desse preconceito foi a atitude da juíza Gabriela Hard, da Lava Jato.
– A pessoa faz um curso de direito que a família proporciona. Não precisa ser brilhante. Aí participa de um concurso. Quando vê na sua frente um trabalhador semi-analfabeto, que chega onde cheguei, o preconceito aparece na hora

Lemann, o Bilionário Golpista dita a Ação Politica da Elite: Veto ao PT, apoio discreto a Ciro, amor por Guedes e cansaço com Bolsonaro

Em entrevista ao jornalista Thomas Traumann, o bilionário Jorge Paulo Lemann, que 
construiu sua fortuna graças a um monopólio obtido nos governos do PSDB e apoiou o golpe 
de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, traduz a ação do capital, com veto ao PT, 
incentivos à ação de Ciro Gomes, apoio total ao neoliberalismo de Paulo Guedes e cansaço com 
as confusões e o neofascismo de Jair Bolsonaro.
247 – O empresário Jorge Paulo Lemann, que se tornou o homem mais rico do Brasil graças a um 
monopólio das cervejas obtido nos governos tucanos e depois fez negócios e favores à família do 
senador José Serra (PSDB-SP), concedeu uma de suas raras entrevistas, ao jornalista Thomas 
Traumann, em que orienta a ação dos bilionários brasileiros – praticamente todos eles, também 
apoiadores do golpe de estado de 2016 e da restauração neoliberal no Brasil.
Segundo ele, os últimos dez anos trazem a lição de que "a corrupção não funciona", sem mencionar o 
fato de que a construção de monopólios, que ferem a livre competição, também é uma forma de 
corrupção – especialmente quando gera benefícios para agentes públicos. "Não estou nem falando 
apenas no sentido moral, porque é obvio, mas no sentido de resultado econômico. A corrupção 
distorce a competição entre as empresas e elimina a meritocracia", disse o monopolista das cervejas.
Lemann também sinalizou seu apoio discreto a Ciro Gomes, que tem cumprido a função de dividir o 
campo da esquerda. "Quer ver três coisas que funcionam bem no Brasil? A educação em Sobral, o 
vôlei do Bernardinho e Zé Roberto e a Ambev. São três exemplos brasileiríssimos de metas, 
cobranças e foco. Por que não podemos atingir esta excelência em todos os setores do País?", 
apontou o bilionário, citando a cidade administrada pelos Ferreira Gomes.
O bilionário também falou sobre os parlamentares que formam sua bancada e disse que "a Tábata 
[deputada Tábata Amaral, do PDT] está bem à minha esquerda no espectro político" e citou outros 
nomes que ele tenta cooptar. "Levei o Flávio Dino (governador do Maranhão, filiado ao PCdoB) para 
falar em Oxford, o Fernando Haddad (candidato presidencial do PT em 2018), o importante não é se 
o politico é de esquerda ou de direita, mas se ele dialoga", afirmou.
Por fim, Lemann demonstrou cansaço com os atritos do neofascismo bolsonarista, mas declarou total 
apoio ao neoliberalismo de Paulo Guedes. "O rumo do Paulo Guedes está correto. Poderia ter menos 
agito na parte política", disse ele.

BOLSONARO LEVA O PRÊMIO “FÓSSIL DO ANO”


do Blog do Miro:
A imagem do Brasil no exterior se deteriora rapidamente por inúmeros motivos – desde o piriri 
verborrágico racista, machista e homofóbico de Jair Bolsonaro até as mancadas da “diplomacia 
olavista” em vários fóruns internacionais. Mas o que mais desgasta o país segue sendo a política 
ambiental destrutiva e irresponsável imposta pelo “capetão” e seu ministro das queimadas, Ricardo 
Salles. Nesta sexta-feira (13), o Brasil recebeu o vexatório prêmio de “Fóssil do Ano” no final da 
conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP-25), em Madri.
Segundo relato da Folha, “é a primeira vez que o país leva o prêmio em referência às suas ações ao 
longo de todo o ano. A premiação acusa o governo Bolsonaro de ter desmontado as políticas 
ambientais que levaram às reduções de emissões do país, enquanto criminaliza ambientalista. 
Também aponta o aumento nas taxas de desmatamento e da invasão de terras indígenas”. A 
"honraria" foi concedida por uma rede que representa mais de 1.000 ONGs ambientalistas no mundo, 
a CAN (Rede de Ação Climática) e que já havia dado outros dois “prêmios” ao país. “Com a marca 
inédita de três troféus, o Brasil sofre uma mudança radical na sua imagem”.
Confira a íntegra do texto lido na entrega do prêmio “Fóssil do Ano” ao Brasil:
*****
Que diferença um ano faz. Berço da Convenção do Clima da ONU e amplamente elogiado por cortes 
impressionantes em suas emissões na última década, o Brasil se tornou um pária climático.
Onze meses após o início do governo de Jair Bolsonaro, o país se juntou aos Estados Unidos como 
uma das maiores ameaças ao Acordo de Paris – e ao planeta.
Bolsonaro, autointitulado “Capitão Motosserra”, conseguiu desmontar as políticas ambientais que 
ajudaram o Brasil a conseguir reduções espetaculares de emissões entre 2005 e 2012.
Os resultados disso foram as maiores taxas de desmatamento na Amazônia em uma década, um salto 
nas invasões de terras e o assassinato de três lideranças indígenas apenas nesta semana. O governo 
também está criminalizando ambientalistas – que Bolsonaro notoriamente culpou pelos incêndios na 
floresta.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um negacionista do clima, chefiou a delegação 
brasileira na COP25, amordaçando diplomatas e tentando chantagear países ricos a lhe dar dinheiro 
em troca do aumento da destruição da Amazônia. Isso, é claro, não funcionou, então Salles começou 
a criticar a própria NDC de seu país, chamando-a de “caridade com chapéu alheio”.
O cenário de terra arrasada doméstico teve efeitos em Madri. O Brasil apresentou alguns 
comportamentos bizarros, como o de bloquear a menção a direitos humanos no artigo 6.4 e opor-se à 
menção a “emergência climática” na decisão da COP. E alguns comportamentos tradicionais, como 
insistir em regras frouxas de contabilidade no artigo 6.4 e inundar o mercado com créditos podres do 
Protocolo de Kyoto para agradar a antigos lobbies que, ao contrário da sociedade civil, não deixaram 
de receber crachás oficiais para vir a Madri.
Jair Bolsonaro é uma bomba de carbono ambulante que sem dúvida merece esse grande 
reconhecimento, o Fóssil Colossal.
*****
Para confirmar a justeza da premiação, nesta semana o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 
(Inpe), que o laranjal bolsonariano tentou desqualificar, divulgou que o desmatamento na Amazônia 
cresceu 104% em novembro em relação ao mesmo mês de 2018. Até o início de dezembro, 2019 já 
apresenta um aumento da destruição na região de 84% em relação ao mesmo período do ano 
passado. 
Os dados são do Deter (sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que auxilia as 
ações de combate à destruição da floresta.
Ainda segundo a Folha, “desde o fim do ano passado, o Deter já vinha apontando um crescimento a
acentuado no desmatamento. Alertado sobre os dados, o governo Jair Bolsonaro os questionou. O 
caso culminou na demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, em agosto. Mas a tendência de 
alta de desmate apontada pelo Deter se confirmou... Mesmo com as altas constantes, Ricardo Salles 
ainda não apresentou planos para reverter a situação... Recentemente, após se reunir com infratores 
ambientais – entre eles, o autor de uma ameaça de morte contra um servidor do ICMBio –, o 
ministro suspendeu a fiscalização na reserva Chico Mendes”.

sábado, 14 de dezembro de 2019

A VENEZUELA, QUEM DIRIA, FECHA O ANO EM CLIMA DE NORMALIDADE !! JÁ OS VIZINHOS.....


O ano termina com a Venezuela em normalidade. Depois dos diversos eventos de desestabilização e 
de agitações, esse país sul-americano chega ao final de 2019 sem grandes mudanças na estrutura 
política.
Os golpes de Estado falidos, a tentativa de passagem de uma ajuda humanitária pelas fronteiras da 
Colômbia e do Brasil, assim como o bloqueio econômico internacional não surtiram o resultado 
esperado pela oposição venezuelana: o governo de Nicolás Maduro não caiu.
Nas ruas de Caracas o que se vê é uma cidade golpeada pela crise, mas que funciona com relativa 
tranquilidade. No boulevard de Sábana Grande, zona de comércio popular, o movimento é frenético. 
É possível observar algumas lojas fechadas, efeitos da crise econômica e do bloqueio que assolam o 
país, mas a grande maioria está aberta e funciona em condições normais.
Também é possível ver lojas e lanchonetes que abriram suas portas recentemente ou que passaram 
por reformadas, como a padaria e lanchonete Moka, que foi remodelada. “É uma forma de atrair os 
clientes”, afirma o sócio-proprietário Rodolfo Gonçalves.
Em uma das ruas transversais ao boulevard está o Momoy Café que foi inaugurado recentemente e já 
faz sucesso. Mas, a pergunta que muitos fazem é: vale à pena investir em uma Venezuela em crise? 
O dono negócio diz que sim.
“Os que estão investindo, como eu, é porque acreditamos no país. O que acontece é que os 
comerciantes e empresários venezuelanos estavam acostumados a ter um retorno do investimento em 
dois ou três meses de negócio. Agora levamos muito mais tempo”, explica o empresário que pediu 
para manter o nome em anonimato.
Ele conta ainda que na mesma rua também foram abertos outros dois negócios: “um salão de 
cabeleireiro para crianças e uma lanchonete de hambúrguer.
Já o livreiro Nahuel Montenegro recorreu a uma das sete barraquinhas de livros autorizadas pela 
prefeitura de Caracas nessa época do ano. Afinal esse é um país que formou uma legião de leitores 
ávidos, sobretudo por literatura política. O governo distribui livros de graça, tanto de literatura 
universal, como venezuelana e os clássicos políticos.
A professora Maria José procurava o livro “Cavalo de Tróia” e Nahuel só tinha uma versão antiga, 
em dois tomos, de uma coleção já usada e que claramente havia passado pelas mãos de vários 
leitores. A professora olha, olha e termina comprando. Os dois tomos lhe custaram um salário 
mínimo, 300.000,00 bolívares (o equivalente a R$ 26,00).
O livreiro explica que existem duas realidades bem marcadas na Venezuela. Uma delas inclui as 
pessoas que estão em situação precária, que em geral ganha um salário mínimo e uma cesta básica 
subsidiada pelo governo.
A outra parcela da população é aquela que ganha em dólares, seja porque trabalha para uma empresa 
estrangeira ou tem algum tipo de comércio que cobra em dólares. Tem também aquelas pessoas que 
recebem recursos de algum familiar que mora fora do país.
“Vivemos dois extremos. Porém ainda existem algumas alternativas que tornam a vida aqui mais 
barata que em outros países, como as feiras de alimentos que vendem frutas, verdura e proteínas a 
preços muito baratos, como as que estão nos bairros de Cátia e de Coche. Se souber os lugares certos 
onde comprar posso dizer que com U$ 50 por mês vocês faz milagre aqui na Venezuela”, afirma 
Nahuel Montenegro.
Além disso, muita gente vem para essa zona de comércio de Sábana Grande apenas para passear, 
tomar um sorvete e levar os filhos para passear.
“Às vezes a diversão é vir aqui, as crianças correm, brincam, tomam um sorvete e já ficam felizes. 
As crianças não têm porque saber dos problemas dos adultos”, diz dona Yuleide Ospino, de 58 años, 
que levou as duas netas para tomar sorvete. “Está muito bom”, confirmou a pequena Maria Elisa, 
com seu melhor sorriso.
O bulevar de Sábana Grande
Sorvete é algo a que os venezuelanos não resistem. As sorveterias estão sempre lotadas e até com 
filas longas. Além de gostoso, o sorvete de Sabana Grande tem um valor cabe no bolso de muitos 
venezuelanos, segundo o jovem estudante Jesus Marrero.
“Aqui o sorvete é gostoso e os preços estão acessíveis para que as pessoas possam desfrutar. O 
cascão (com duas bolas) custa em 27 e 30 mil bolívares (cerca de R$ 3)”, diz Jesus.
O boulevard de Sábana Grande é justamente a linha simbólica que separa as zonas populares, 
conformadas pelo centro e zona oeste, da região mais abastada da cidade, que é a zona leste.
A um quilômetro dali está o bairro de Chacao, uma região de classe média alta. No entanto, os 
bairros mais luxuosos da capital ficam na periferia da zona leste, na parte alta de Caracas formada 
por um vale.
Chacao abriga o maior shopping da cidade, El Sambil, que não é o mais luxuoso, pois há pelo menos 
dois ou três mais exclusivos. Mesmo assim é possível encontrar lojas de marcas como Mont Blanc, 
Giorgio Armani, La Martina e Carolina Herrera, que é de origem venezuelana.
O estudante Jaime Rios, de 24 anos, é de Maracay, cidade vizinha da capital venezuelana, e estava 
em um típico dia de compras. Levava nas mãos dois pareces de sapatos recém comprados e explicou 
como alguns venezuelanos ainda conseguem manter seu padrão de consumo.
“Muitas pessoas têm familiares que moram fora da Venezuela e enviam dinheiro. Aqui todos os 
preços agora são marcados em dólares e apesar disso as lojas continuam vendendo bem”, destaca o 
estudante.
Assim também a modelo Mariana Martines, de 23 anos, fala sobre essa outra Caracas onde tudo se 
compra em dólares. “Existem shoppings muito lindos, que são excessivamente caros e onde não é 
todo mundo que consegue comprar. E que apesar da crise não deixam de funcionar. Dizem que está 
tudo muito difícil, mas aqui vemos as pessoas comprando, comendo”, diz a modelo.
Ao tempo que para uns a diversão está em compras em shoppings caros, para outros a simplicidade 
de uma boa conversa, em uma das praças públicas mais emblemáticas de Caracas, como é a Praça 
Bolívar, é o que realmente os fazem felizes.
Enquanto crianças correm e gritam, Juan Fuentes, Oswldo Banixa e Jorge Navas travam uma 
calorosa conversa sobre a atual situação do país. São da velha guarda revolucionária, a esquerda 
tradicional venezuelana.
“Quase todas as tarde nós nos entramos aqui com os camaradas, esse foi um acostume que 
adquirimos depois do golpe de 2002, contra o comandante Hugo Chávez. Naquela época não havia 
internet no celular, então a gente tinha pontos de encontros para se juntar e saber o que estava 
acontecendo. Isso nós mantemos até hoje aqui na Praça Bolívar”, explica Juan Fuentes.
Depois das 16h trabalhadores do Centro e seus arredores vão aglomerando-se na Praça Bolívar e ali 
praticam um verdadeiro debate político, quase que a diário.
Afinal, a Venezuela respira política. Independentemente de como começa uma conversa, nesse país, 
sempre termina em política, independentemente da ideologia.
O Momoy Café, em Caracas

Não é o que parece, a não ser para quem só lê manchete


POR FERNANDO BRITO
Lida com calma, a entrevista do governador baiano Rui Costa, do PT, não contém nenhuma 
contestação a Lula, apesar da manchete da Folha que induz ao contrário.
É sempre a mesma história de apontar Lula como o “radical”, como se sua trajetória, por duas 
décadas ao menos, não tenha sido a de um conciliador político.
Coisa que, aliás, o próprio Costa afirma:
—Acho natural que quem ficou preso um ano injustamente faça declarações duras. Mas o Lula 
governou o país durante oito anos como um conciliador. Essa concertação, com empresários, 
trabalhadores, sociedade, fez com que o governo dele fosse de maior desenvolvimento nos últimos 
séculos.
A manchete diz que Lula “deve pregar” uma “pacificação” numa crítica à radicalização que seria do 
próprio ex-presidente. Mas leia o que ele diz:
—Temos de pregar a pacificação do país, cortar a discriminação e o ódio. Antes, as pessoas 
tinham vergonha de manifestar preconceito. Agora parece que têm orgulho. Certamente essas pessoas existiam, mas ficavam no armário. Precisamos que elas voltem para seus armários.
Alguém discorda de que discriminação, ódio e preconceito seja armas da direita, desembainhadas 
todo o tempo por este governo?
Claro que Costa adota um tom moderado, que traduz a soma de seu orientação pessoal com o lugar 
delicado que ocupa, como governador de um Estado num país onde o poder central está disposto a 
tratar com água e farinha – e poucas – governantes de esquerda. E há uma pitada, sempre presente, 
de um político até agora regional em projetar-se num veículo de comunicação “nacional”, entendido 
isso como basicamente paulista.
Curioso procurar intrigas com fatos com frases “há dez anos, o sr. seria chamado de entreguista por 
conceder a um grupo chinês a ponte que ligará Salvador a Itaparica”. Será que sobrou, depois da 
Lava Jato, empreiteira em condições de bancar este investimento, para receber daqui a anos, em 
pedágio? E, ainda que tivessem, a Folha não colocaria em manchete “Governador do PT concede 
ponte a empresa envolvida na Lava Jato?
E quando os governos petistas se opuseram a desenvolver projetos em parceria com grupos privados, 
daqui ou de fora?
É claro que depois de 40 anos de vida política a chance de Lula ser atraído para uma disputa interna 
em seu partido por uma história destas é absolutamente zero.
Isso é para os espiroquetas da pureza absoluta que se deixam levar por um título de jornal. Tanto 
como seria tolo que, a esta altura, vaidades e ambições não estariam excitadas em pretenderem-se ser 
“o PT autocrítico”, da mesma forma como há direita que sonha em ser o “mas eu não sou Bolsonaro”.
Por algumas linhas no jornal, vão se apressar em responder ao que não foi dito, senão na manchete. 
É assim mesmo e líder de verdade tem couro duro, não fica dando patadas feito Bolsonaro.
O que define polarizações não é a escolha pesoal de Lula, é a realidade do processo político-social.
E com o que temos hoje, não há como propor-se a ter os pés em dois barcos, porque o mar está por 
demais agitado.
Isso não é “ser teimoso” ou “radical”. É reconhecer que quer quer a pacificação do Brasil terá de 
preparar-se para uma batalha política na qual, até agora, não há outro que reúna tanta capacidade de 
comandá-la quanto o ex-presidente.
Rui Costa reconhece isso na entrevista e sabe que suas chances eventuais de ser o candidato do PT 
dependem de uma ignomínia: excluir, de novo, Lula da disputa eleitoral.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

DePUTAdo do Novo quer acabar com seu 13º!


O amigo navegante já viu um tucano laranja? 
O dePUTAdo federal Lucas Gonzalez, do Partido "Novo" - aquele que já nasceu defendendo
ideias velhas, decrépitas, como o neoliberalismo - apresentou o Projeto de Lei no 5.337/2019 que, na 
prática, acaba com o décimo-terceiro salário do trabalhador brasileiro.
De acordo com o projeto, o 13º poderá ser parcelado em até doze prestações, ao longo de todo o ano
e não mais em até duas prestações, conforme previsto na legislação trabalhista atual.
O motivo é nobre, de acordo com o deputado Gonzalez!
Segundo ele, o pagamento do 13º "onera em demasia o empregador"...
Assim como o presidente Bolsonaro, o deputado sabe que é muito difícil ser patrão no Brasil!
O projeto de lei ressalta que o pagamento só poderá ser parcelado "mediante acordo formal" entre o 
trabalhador e o empregador.
O amigo navegante sabe muito bem o que significa, de verdade, essa história de "negociar com o 
patrão"...
O 13º foi instituído em 1943, através da Consolidação das Leis Trabalhistas de Getúlio Vargas com o 
objetivo de aquecer a economia - em especial o setor do comércio - no período das festas de fim de 
ano.
A previsão é de que o décimo-terceiro salário injete cerca de R$ 214 bilhões na economia em 2019 - 
o equivalente a 3% do PIB brasileiro.
O que, na presente desacreditada economia nacional, faz uma grande diferença...


O dePUTAdo Federal Lucas Gonzales (Novo-MG) 
Em tempo: o PL está nas mão das comissões de Trabalho e de Constituição e Justiça da 
Câmara e ainda aguarda a designação de um relator.

Hacker acusa Januário Paludo de ter recebido propina de Duque


“Tem um áudio em que o procurador está aceitando dinheiro do Renato Duque”, disse Walter 
Delgatti (conhecido como Vermelho), segundo reportagem da Veja, sobre o procurador da 
Lava Jato.
O hacker Walter Delgatti (também conhecido como Vermelho), apontado pela Polícia Federal como 
o responsável pelo grupo que invadiu celulares de autoridades, o que teria resultado na Vaza Jato, 
disse à Veja que um dos áudios ao qual ele teve acesso revelou o pagamento de propina ao 
procurador da Lava Jato Januário Paludo.
“Tem um áudio em que o procurador está aceitando dinheiro do Renato Duque. A Procuradoria 
iniciou inquérito contra ele, né?”, disse Delgatti. O trecho da reportagem que vem em seguida é o 
abaixo:
No dia anterior, Paludo havia se tornado alvo de uma investigação após ser mencionado em 
mensagens de um doleiro como suposto beneficiário de propinas. Ex-diretor da Petrobras, Duque 
tentou fazer um acordo de delação. Em negociações assim, é comum que as partes combinem um 
valor que o criminoso deve ressarcir aos cofres públicos. Era sobre isso que o procurador falava? 
Delgatti, de novo, garante que não. “Naquela época, eu estava tratando da repatriação de valores 
que o Duque mantinha no exterior”, explica Paludo. O Ministério Público Federal do Paraná 
divulgou uma nota em que reitera a “plena confiança no trabalho do procurador”.
Não é a primeira vez que Januário Paludo é citado por ter recebido propina. Laudo da Polícia Federal 
aponta que no material apreendido em uma das fases da Operação foi encontrado um diálogo do 
doleiro Dário Messer com a namorada, em que ele diz ter sido protegido pela Lava Jato paranaense 
por pagar propinas ao procurador. O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar o 
caso.
Paludo foi quem inspirou o grupo do Telegram "filhos de Januário", revelado pelas reportagens do 
The Intercept, e já fez vários ataques ao ex-presidente Lula – inclusive após as mortes de seus 
familiares.
Hacker diz também ter tido acesso a conversas de militares, 
ministros e filhos de Bolsonaro.
Reportagem da revista Veja publicada nesta sexta-feira 13 aponta que as mensagens obtidas por 
hackers com a suposta invasão de celulares de autoridades e que teriam resultado na Vaza Jato 
envolvem também ministros do governo Bolsonaro, um militar e os filhos do presidente.
A matéria traz declarações de Walter Delgatti Neto, que seria o chefe da quadrilha de hackers e está 
preso. Se for condenado, ficará na cadeia pelos próximos 20 anos. Sobre Bolsonaro, afirma ter tido 
acesso a dois de seus celulares, mas como o presidente não acessa o aplicativo Telegram - invadido 
para obtenção das conversas - “não havia conteúdo disponível”.
A citação ao “militar” envolve o general Walter Braga Netto, o atual chefe do Estado-Maior do 
Exército, que a Veja destaca ter “um currículo repleto de condecorações e uma carreira exemplar”. E 
há ainda menção a ministros do Supremo Tribunal Federal, como Cármen Lúcia.
“No caso dos filhos Carlos, o Zero Dois, e Eduardo, o Zero Três, o hacker procurou Manuela d’Ávila
e disse que havia colhido provas de ações para impulsionar mensagens de WhatsApp em favor de
Bolsonaro durante a campanha presidencial”, diz a Veja.
Um dos integrantes da quadrilha, Luiz Henrique Molição, que firmou acordo de delação premiada 
em troca da sua liberdade, teria entregado aos investigadores, ainda segundo a matéria, “o nome de 
três novos personagens que estariam envolvidos na invasão dos celulares e na divulgação das 
mensagens da Lava-­Jato. Um deles seria um militante do PT ligado à família do ex-ministro Antonio 
Palocci”.

Mais indígenas da etnia Guajajara é brutalmente assassinados no Maranhão


Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciou, nesta sexta-feira (13), o 
assassinato de mais um índio da etnia Guajajara. O corpo do jovem, identificado como 
Dorivan Guajajara, residente da Terra Indígena Arariboia, foi encontrado esquartejado no 
município de Amarante, no Maranhão. Com a morte de Dorivan sobe para quatro o número 
guajajaras assassinados nos últimos meses.
Dois corpos foram encontrados em Amarante (MA) nas imediações da TI Araribóia, do povo 
Guajajara. Um deles foi identificado, conforme informações do CIMI, como Dorivan 
Guajajara. Nas últimas semanas, outros três indígenas da mesma etnia foram mortos por 
invasores.
Duas pessoas foram esquartejadas na Terra 
Indígena Araribóia (MA)
247 - A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciou em sua página no Facebook, 
nesta sexta-feira (13), o assassinato de mais um índio da etnia Guajajara. Segundo a Apib, o corpo do 
jovem, identificado como Dorivan Guajajara, residente da Terra Indígena Arariboia, foi encontrado 
esquartejado no município de Amarante, no Maranhão. Um outro corpo, não indígena, também teria 
sido encontrado no local. Com a morte de Dorivan sobe para quatro o número de indígenas da etnia 
Guajajara assassinados nos últimos meses
A líder indígena Sonia Guajajara usou as redes sociais para condenar os ataques contra os índios 
“São muitas falácias, muitas versões, acusações, não interessa, ninguém tem o direito de tirar a vida 
de ninguém. Não é apenas um cenário de guerra, estamos num campo de batalha onde o ódio 
disseminado pelas forças políticas conservadoras, autoritárias, racistas são estimuladas pelo fascismo 
que já extrapolou todos os seus limites”, postou. 
“Essa já é o quarto assassinato registrado do povo Guajajara nos últimos meses. É preciso urgente de 
um basta. Vidas estão sendo tiradas e outras colocadas em risco em nome da ganância”, completou.
“Mais um crime brutal contra o povo Guajajara! Dorivan Guajajara da TI Araribóia em Amarante foi 
brutalmente assassinado a facada. Todas as pessoas que não gostam de nós estão se sentindo 
autorizadas a matar porque sabem que a impunidade impera. É hora de dar um BASTA!”, escreveu 
Sonia Guajajara em outra postagem. 
Confira a postagem de Sonia Guajajara sobre o assunto.


VÍDEOS SHOWS: Porta dos Fundos tira onda da sessão de descarrego em igreja neopentecostal


Porta dos Fundos 
ME TIRA DAQUI
Biblia

Jesus

Aniversário Jesus

“A tragédia brasileira é que Lula foi o melhor presidente do país”, diz o ex-premiê José 
Sócrates

Conservadores ganham com ampla maioria no Reino Unido, e Johnson, o Duble de Trump permanece como premiê


Johnson continuará como primeiro-ministro e vai liderar processo do Brexit
"Remainers" derrotados e Escócia reforçada
O Partido Conservador conquistou pelo menos 364 cadeiras no Parlamento e 43,6% dos votos 
nacionais, impondo uma maioria que apenas Margaret Thatcher havia conseguido, em 1987.
O principal partido de oposição, o Trabalhista, obteve 32,2% dos votos e elegeu 203 parlamentares. 
Foi uma perda de 42 assentos, principalmente fora das grandes cidades e nas regiões mais pobres do 
país, muitas delas as mesmas que optaram pelo Brexit no referendo de 2016.
Segundo analistas, o Brexit foi justamente o fator determinante destas eleições. Cansados de tantos 
impasses e reviravoltas no processo de saída da União Europeia, os eleitores britânicos escolheram 
agora o partido que prometia claramente tirar o país do bloco o mais rápido possível. A data 
prometida pelo governo conservador é 31 de janeiro.
Em um discurso para seus simpatizantes nas primeiras horas desta sexta-feira (13/12), Johnson disse 
que o partido e seu programa de governo agora têm o apoio de uma nação inteira. Ele prometeu o 
que tanto repetiu durante esta campanha: fazer o Brexit acontecer e sair da União Europeia nas 
próximas semanas. “O povo quer mudança. Não podemos e não iremos decepcioná-lo”, afirmou.
Diante do resultado, a libra manteve a tendência de alta iniciada esta semana, chegando à sua melhor 
cotação nos últimos três anos diante do euro e a um valor recorde nos últimos 18 meses frente ao 
dólar.O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, pagou o preço de não ter dado ao eleitor uma mensagem clara
sobre a posição do partido em relação ao Brexit, perdendo inclusive em áreas do país que tinham 
votado a favor da permanência na União Europeia.
Falando a seus eleitores durante a noite, Corbyn atribuiu parte de sua derrota ao "comportamento da 
imprensa" na campanha e admitiu que não vai mais liderar o partido em um futuro próximo.
Membros do Partido Trabalhista já se apressam em tentar entender de onde veio este resultado 
avassalador, mas muitos foram às redes sociais para criticar Corbyn por não ter conseguido 
transformar em votos a frustração geral dos britânicos com outros problemas decorrentes de quase 
dez anos de austeridade: a crise no sistema nacional de saúde, o aumento do número de sem-tetos e 
pessoas vivendo na pobreza, cortes na educação e no sistema de bem-estar social e a falta de moradia 
acessível.
O Partido do Brexit (Brexit Party), de Nigel Farage, não elegeu parlamentares, apesar de ter uma 
representação significativa no Parlamento Europeu. Durante a campanha, Farage orientou seus 
potenciais eleitores a votar em candidatos conservadores, em uma tática de voto útil pro-Brexit.
A tática anti-Brexit claramente falhou. O Partido Liberal-Democrata, que lançou uma campanha 
abertamente contrária à saída da União Europeia, se provou um divisor de votos e elegeu apenas 11 
parlamentares. Sua líder, Jo Swinson, perdeu seu próprio assento para o Partido Nacional Escocês 
(SNP, na sigla em inglês).
Este, aliás, foi outro grande vitorioso – e talvez o primeiro grande obstáculo para Boris Johnson: o 
SNP conquistou 48 das 59 cadeiras que cabem aos escoceses em Westminster. Comemorando o 
resultado, a líder Nicola Sturgeon reiterou os pedidos para que seja realizado um novo referendo pela 
independência do país. Em 2014, os escoceses foram às urnas e optaram por permanecer no Reino 
Unido, mas em 2016 se mostraram fortemente contrários ao Brexit.

Tenente-coronel da PM reage ao assistir a vídeos de abusos policiais


POR IGOR CARVALHO E PEDRO STROPASOLAS
Publicado no Brasil de Fato

O Brasil de Fato convidou Adilson Paes de Souza, tenente-coronel da reserva da Polícia Militar, para
assistir a alguns vídeos que mostram abordagens e operações policiais ocorridas em 2019 em
diversas regiões do país. As reações do ex-PM, que trabalhou seis anos nas ruas, escancaram a
violência indevida dos agentes contra a população nas periferias do país.
Atualmente, Paes de Souza é doutorando no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
(USP), onde estuda violência policial. Ele demonstra preocupação com a proposta de ampliação do
excludente de ilicitude defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Justiça Sergio
Moro.
“O excludente de ilicitude é uma forma estilizada de dar licença para matar. Do jeito que ela está
posta, pode estimular o comportamento letal do policial, porque ele se sentirá amparado para matar”,
afirma Paes de Souza.
Em outro momento, o ex-policial militar se impressiona com as imagens de um atirador da polícia
fluminense que, seguindo ordens do governador Wilson Witzel (PSC), dispara contra transeuntes em
uma comunidade na região de Angra dos Reis.
“Esse vídeo é a síntese da necropolítica do Rio de Janeiro que outros estados da Federação procuram
adotar. O que assistimos são execuções sumárias extrajudiciais. Não há no ordenamento jurídico
brasileiro o mínimo amparo para essa operação”, encerra o pesquisador.

Vídeo: Ricardo Salles se recusa a dar as mãos em minuto de silêncio pelo assassinato de indígenas na Amazônia

A homenagem foi proposta na manhã desta segunda-feira (9) na COP-25 por Caetano 
Scannavino, coordenador do projeto Saúde e Alegria, que teve membros presos acusados 
colocarem fogo na Amazônia, durante encontro do ministro com representantes de ONGs
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se recusou a dar as mãos a representantes da 
sociedade civil em um minuto de silêncio em memória dos caciques indígenas Firmino Prexede 
Guajajara e Raimundo Belnício Guajajara, da tribo Guajajara, que foram assassinados na manhã 
deste sábado (7) na estrada BR-226, que corta as aldeias El Betel e Boa Vista, no Maranhão.
A homenagem foi proposta na manhã desta segunda-feira (9) na COP-25 durante encontro do 
ministro com representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs), entre eles Caetano 
Scannavino, coordenador do projeto Saúde e Alegria, que teve membros presos acusados colocarem 
fogo na Amazônia.
No vídeo, Scannavino propõe o minuto de silêncio em memória dos indígenas mortos e pede que não 
haja mais “derramamento de sangue” na Amazônia.
“Eu acho que a delegação brasileira aqui tem que se unir. Direita, esquerda, governo, não governo, 
para que não tenhamos mais derramamento de sangue na Amazônia. Porque os caciques têm nome: 
Firmino Prexede e Raimundo Belnício. E que isso não se repita mais”, diz Scannavino, diante de um 
Salles visivelmente constrangido.

BOLSONARO COMETE CRIME AO SUGERIR PAU DE ARARA


A propósito da promessa feita ontem 12/XII pelo presidente Jair Bolsonaro de mandar para o 
pau de arara membros do seu governo que forem pegos em atos de corrupção - será que a 
ameaça vale também para o ministro Álvaro Antonio do laranjal, ou para seu filho Flávio, 
POR FERNANDO BRITO 
O clima de valentão de porta de botequim é a tônica de Jair Bolsonaro.
Mas hoje ele se superou dizendo que colocaria “no pau-de-arara” algum ministro seu que se visse 
metido em caso de corrupção.
Pau de arara – antes tivéssemos esquecido – é a barra em que se pendurava “suspeitos”, em geral 
nus, e neles de batia de pau ou com choques elétricos até que falasse aquilo que interessava às 
“autoridades”. Ou mais, dependendo das taras e perversões do interrogador.
Muitas das vezes, porém, a ameaça era – e é – apenas a exibição do valentão de vitrine, covarde e, na 
realidade, um frouxo que vai acabar dizendo o que não disse.
É o caso do senhor Jair Bolsonaro, que vai fazer exatamente isso quando for interpelado 
judicialmente, saindo pela tangente como fez no caso das ofensas e vilipêndios que fez à memória 
Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB e que, aliás, passou antes de morrer por estes 
aparelhos de tortura.
Aliás, com um ministro já denunciado judicialmente por corrupção, a natureza de bravata vazia está 
claro.
Mas não é vazia ao ponto de não se configurar em apologia da tortura como método de castigo, 
como fazem os seus apologia da ditadura ao invocarem a volta do AI-5.
O sr. Jair Bolsonaro comete crime ao sugerir o “pau de arrara”, porque o Brasil, desde 1989, aderiu, 
por meio do Decreto nº 98.386, à Convenção Internacional contra a Tortura que diz, no item 2 de seu 
artigo 2° que “em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais como ameaça ou 
estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública como 
justificação para tortura”.
Ou seja, a simples invocação da tortura é um crime internacional.
Mas duvido que o Procurador Geral da República, Augisto Aras, tome a providência de denunciá-lo 
por isso.
Ninguém merece ser torturado. Nem um imbecil como o senhor Presidente.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Weintraub, o mais Idiota dos Ministros do Governo Bolsonaro, tira férias novamente e não deve voltar em 2020

Ministro da Educação entra em férias nesta sexta-feira (13) pela segunda vez em menos de um 
ano e deve deixar o comando da pasta. Eduardo Bolsonaro já estaria levantando nomes para o 
cargo.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, está limpando as gavetas para começar o segundo 
período de férias nesta sexta-feira (13) em menos de um ano no cargo e, tudo indica, não deve 
retornar ao posto em 2020.
Segundo reportagem de Renata Cafardo, no site do Estadão, nomes ligados ao ministro foram 
exonerados nos últimos dias e, segundo fontes ouvidas pela jornalista, Weintraub está se despedindo 
do cargo.

Moro é a figura mais perigosa para a democracia, diz Kennedy Alencar


Jornal GGN – Sergio Moro “é a figura mais perigosa para a democracia brasileira.” Ele é
autoritário, não tolera críticas, tem pensamento regressivo na área de segurança pública e tem visão 
atrasada a respeito do projeto para o Brasil. A avaliação é do jornalista Kennedy Alencar.
Kennedy criticou em seu último artigo a negativa de Moro em receber o presidente da OAB, Felipe
Santa Cruz. Crítico do trabalho do ex-juiz da Lava Jato e do atual governo, Felipe foi chamado por
Moro de “militante político-partidário” e ainda afirmou que só irá recebê-lo quando ele “abandonar”
as críticas a Jair Bolsonaro.
“É inacreditável que um ministro de Estado imponha condições de abandono de suposta atitude de
‘militante político-partidário’ para receber o presidente da OAB. A manifestação é de um
autoritarismo enorme”, escreveu Kennedy.
“É aquela coisa: a ideologia está sempre nos outros, a militância está sempre nos outros. Moro não é
um ideólogo de direita autoritário, não é um militante de um projeto regressivo para o Brasil”,
ironizou.
Para o jornalista, Moro usa a mesma estratégia de Bolsonaro, para “minar a credibilidade das
instituições e dos críticos a fim de impor medidas autoritárias paulatinamente, normalizando
absurdos.”
O ex-juiz “exibe visão medíocre sobre o exercício da função pública, como se o cargo fosse
propriedade privada dele.” Ele “está ministro, mas não tem compreensão da função pública.
Demonstra visão estreita do cargo e propaga um mantra autoritário contra os críticos.”
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, é outro exemplo da “miséria intelectual e política”
que vive o País.
“É um cidadão que não tem condição de comandar a Educação. Fala mal e porcamente o português.
Pensa mal. Espalha fake news. Repetindo: ocupa o Ministério da Educação uma pessoa que não tem
gabarito para a função”, disparou Kennedy no artigo.