sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Hacker acusa Januário Paludo de ter recebido propina de Duque


“Tem um áudio em que o procurador está aceitando dinheiro do Renato Duque”, disse Walter 
Delgatti (conhecido como Vermelho), segundo reportagem da Veja, sobre o procurador da 
Lava Jato.
O hacker Walter Delgatti (também conhecido como Vermelho), apontado pela Polícia Federal como 
o responsável pelo grupo que invadiu celulares de autoridades, o que teria resultado na Vaza Jato, 
disse à Veja que um dos áudios ao qual ele teve acesso revelou o pagamento de propina ao 
procurador da Lava Jato Januário Paludo.
“Tem um áudio em que o procurador está aceitando dinheiro do Renato Duque. A Procuradoria 
iniciou inquérito contra ele, né?”, disse Delgatti. O trecho da reportagem que vem em seguida é o 
abaixo:
No dia anterior, Paludo havia se tornado alvo de uma investigação após ser mencionado em 
mensagens de um doleiro como suposto beneficiário de propinas. Ex-diretor da Petrobras, Duque 
tentou fazer um acordo de delação. Em negociações assim, é comum que as partes combinem um 
valor que o criminoso deve ressarcir aos cofres públicos. Era sobre isso que o procurador falava? 
Delgatti, de novo, garante que não. “Naquela época, eu estava tratando da repatriação de valores 
que o Duque mantinha no exterior”, explica Paludo. O Ministério Público Federal do Paraná 
divulgou uma nota em que reitera a “plena confiança no trabalho do procurador”.
Não é a primeira vez que Januário Paludo é citado por ter recebido propina. Laudo da Polícia Federal 
aponta que no material apreendido em uma das fases da Operação foi encontrado um diálogo do 
doleiro Dário Messer com a namorada, em que ele diz ter sido protegido pela Lava Jato paranaense 
por pagar propinas ao procurador. O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar o 
caso.
Paludo foi quem inspirou o grupo do Telegram "filhos de Januário", revelado pelas reportagens do 
The Intercept, e já fez vários ataques ao ex-presidente Lula – inclusive após as mortes de seus 
familiares.
Hacker diz também ter tido acesso a conversas de militares, 
ministros e filhos de Bolsonaro.
Reportagem da revista Veja publicada nesta sexta-feira 13 aponta que as mensagens obtidas por 
hackers com a suposta invasão de celulares de autoridades e que teriam resultado na Vaza Jato 
envolvem também ministros do governo Bolsonaro, um militar e os filhos do presidente.
A matéria traz declarações de Walter Delgatti Neto, que seria o chefe da quadrilha de hackers e está 
preso. Se for condenado, ficará na cadeia pelos próximos 20 anos. Sobre Bolsonaro, afirma ter tido 
acesso a dois de seus celulares, mas como o presidente não acessa o aplicativo Telegram - invadido 
para obtenção das conversas - “não havia conteúdo disponível”.
A citação ao “militar” envolve o general Walter Braga Netto, o atual chefe do Estado-Maior do 
Exército, que a Veja destaca ter “um currículo repleto de condecorações e uma carreira exemplar”. E 
há ainda menção a ministros do Supremo Tribunal Federal, como Cármen Lúcia.
“No caso dos filhos Carlos, o Zero Dois, e Eduardo, o Zero Três, o hacker procurou Manuela d’Ávila
e disse que havia colhido provas de ações para impulsionar mensagens de WhatsApp em favor de
Bolsonaro durante a campanha presidencial”, diz a Veja.
Um dos integrantes da quadrilha, Luiz Henrique Molição, que firmou acordo de delação premiada 
em troca da sua liberdade, teria entregado aos investigadores, ainda segundo a matéria, “o nome de 
três novos personagens que estariam envolvidos na invasão dos celulares e na divulgação das 
mensagens da Lava-­Jato. Um deles seria um militante do PT ligado à família do ex-ministro Antonio 
Palocci”.

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