sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

APROVAÇÃO E CONFIANÇA NO GOVERNO BOLSONARO DESPENCAM, DIZ PESQUISA GLOBOPE


O Ibope trouxe números nesta sexta-feira (20) que causaram dor de barriga na milícia e no 
Palácio do Planalto. Lauro Jardim, em O Globo, antecipa os números da pesquisa Ibope/CNI 
que será divulgada logo mais.
Os números estão aí em cima e seguem revelando a progressiva erosão da popularidade do governo 
Bolsonaro, embora não a ponto de desautorizar a interpretação que o próprio bolsonarismo confessa 
ter, nas palavras de Ônyx Lorenzoni, hoje no Estadão.
Não tem espaço para muro. Não tem espaço para centro, não. Quem achar que tem espaço para 
centro repetirá o Macri (Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina, derrotado na eleição deste ano)
Lauro diz que a pesquisa foi feita entre 5 e 8 de dezembro e, portanto, não teria captado eventuais 
efeitos desta nova onda de escândalos das rachadinhas/milícias/chocolates.
A tendência é diferente do que foi registrado pelo Datafolha, uma relativa estabilidade dos índices de 
aprovação/reprovação.
Talvez o nível de agressividade e destempero de Bolsonaro esteja oferecendo um resultado mais 
atual de sua avaliação.
Segundo sondagem realizada entre 5 e 8 de dezembro, mas que somente hoje vieram à tona, o quadro 
é este:
53% não aprovam a maneira de Bolsonaro governar (eram 40% em abril e 48% em junho e 50% em 
setembro). Aqueles que aprovam somam 41% (eram 51%, 46% e 44% nas pesquisas anteriores). Um 
total de 6% não quiseram responder.
A confiança em Bolsonaro também decresceu, mas marginalmente, dentro da margem de erro. Os
que disseram “confiar” no presidente foram 41% dos entrevistados. Em abril, esse percentual era de
51% (caiu para 46% em junho e para 42% em setembro). Por outro lado, 56% disseram “não
confiar” em Bolsonaro (eram 45% em abril e 51% em junho e 55% em setembro).
A avaliação positiva (ótimo e bom) do governo era de 35% em abril, caiu para 32% e 31% em junho 
e em setembro, respectivamente, e agora está em 29%.
A avaliação negativa (ruim e péssimo), por sua vez, subiu de 27% em abril para 32% em junho, em 
setembro chegou a 34% e agora alcançou 38%.
Os que consideram o governo “regular” são 31% (eram 31% em abril e os mesmos 32% em junho e 
em setembro). Os que não sabem ou não quiseram responder somaram 3%.
A Paraná Pesquisas e o Datafolha também identificaram que Jair Bolsonaro está em queda livre, sem 
parar.
O levantamento do Ibope em tela foi contratado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que 
entrevistou 2 mil pessoas em 127 municípios. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Defesa dos Brigadistas acusados pelos incêndios em Alter do Chão, questiona o indiciamento pela Polícia Civil do Pará


A notícia do indiciamento dos integrantes da Brigada de Alter do Chão surpreende a Defesa e 
representa uma enorme injustiça. O indiciamento é fruto de ilegalidades e, infelizmente, indica 
direcionamento da investigação. Encerraram-se as investigações de maneira atropelada, sem a 
realização de perícia técnica, ainda em curso na Policia Federal, para apurar em que 
circunstâncias efetivamente ocorreu o incêndio. Ignorou-se também pedido para que fossem 
ouvidas testemunhas indicadas pelos advogados dos brigadistas à autoridade policial há mais 
de duas semanas. Esta precipitação atenta contra a apuração correta dos fatos. O indiciamento 
foi baseado em ilações extraídas de depoimentos meramente especulativos sem nenhuma prova 
atacando aqueles que dedicaram as suas vidas a combater incêndios voluntariamente na região 
amazônica.
Por Sílvia Vieira, G1 Santarém
A Polícia Civil do Pará indiciou 4 brigadistas pelos incêndios que atingiram a Área de Proteção 
Ambiental de Alter do Chão, no Oeste do estado, em setembro deste ano. O advogado deles diz que
a conclusão é "precipitada"
Em relatório de quarta-feira (18), obtido pelo G1, o delegado Waldir Freire Cardoso aponta como
responsáveis pelas queimadas os brigadistas Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano 
Marcelo Aron Cwerner e Gustavo de Almeida Fernandes, e Ronnis Repolho Blair, conhecido como
"Cebola", que foi treinado pela brigada, mas não a integra.
O documento diz que várias linhas investigativas foram apontadas, inclusive a participação de
grileiros de terra ou de incêndios para limpeza de terrenos que teriam fugido ao controle. Mas,
segundo o delegado "a investigação tomou rumo em direção à atividade dos líderes da Brigada de
Alter do Chão".
Segundo Cardoso, que assumiu o inquérito após determinação do governo do Pará, os indícios
recolhidos na investigação "demonstram a participação ativa dos referidos Brigadistas nos eventos" e
que havia "o interesse destes em disseminar registros fotográficos em âmbito nacional e
internacional com a finalidade de promoção da tragédia e em benefício de auferirem vantagens
financeiras através de vultosas doações em dinheiro, por parte de pessoas de boa fé de todo o globo."
Os 5 vão responder por dano a unidades de conservação e áreas de proteção ambiental (pena de 1 a 5
anos de prisão), concurso de pessoas (que pode agravar a pena) e associação criminosa (1 a 3 anos de
prisão).
O advogado dos 4 brigadistas, Fernando da Nóbrega Cunha, classificou a conclusão como
"precipitada" e negou que seus clientes sejam responsáveis pelos incêndios.
"Me parece, com todo o respeito, açodada e precipitada essa conclusão do inquérito e o indiciamento
de pessoas inocentes”, disse o advogado Fernando da Nóbrega Cunha. Em nota, a defesa afirmou
ainda que as conclusões da polícia são baseadas "numa ilação extraída de depoimentos meramente
especulativos" e que "sequer existe uma perícia técnica atestando se o incêndio teve eventualmente
origem criminosa".
Fernando da Nóbrega informou que na quinta-feira (19), logo que tomou conhecimento que o
inquérito havia sido concluído, fez um pedido à Justiça de Santarém para que pedisse os documentos
que foram enviados ao Ministério Público e encaminhasse à Delegacia de Polícia para que sejam
ouvidas cinco testemunhas indicadas pela defesa.
O G1 procurou Ronnis Blair, que ainda vai conversar com seus familiares e só depois decidirá se vai
se pronunciar ou não sobre o seu indiciamento.
O indiciamento significa que o delegado responsável pelo caso vê indícios concretos de que o
investigado cometeu determinado crime. Ao ser formalizado, com base nas evidências colhidas
durante a apuração, o documento tem de passar pelo Ministério Público.
Uma vez nas mãos do MP, o relatório é analisado pelos procuradores que, caso considerem haver
provas suficientes contra o indiciado, são os responsáveis por apresentar denúncia à Justiça.
A Brigada de Alter do Chão é um dos projeto da Organização Não Governamental (ONG) Instituto
Aquífero, do qual o brigadista Marcelo Cwerner é presidente. A reportagem mandou uma mensagem
à assessoria da entidade às 12h53, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta
reportagem.
O G1 também procurou, às 12h55, a ONG Saúde e Alegria, da qual o brigadista Gustavo Fernandes
é diretor de logística e que participou do treinamento de brigadistas, mas não obteve retorno.
O Ministério Público do Estado do Pará também foi procurado, e por meio de sua assessoria
informou que está em recesso de fim de ano e que só retoma as atividades no dia a 07 de janeiro.
Durante o período do recesso todos os prazos ficam suspensos. O processo foi enviado quinta-feira
(19) ao MP. Uma portaria nomeou cinco promotores para atuar nesse processo. Eles vão analisar o
inquérito após o recesso.
Delegado da investigação foi trocado e MPF questionou
A investigação que levou ao indiciamento dos brigadistas foi alvo de questionamentos após a
detenção deles, em 26 de novembro – eles acabaram soltos dois dias depois (veja o vídeo divulgado
por eles logo após a soltura), e o governo do Pará trocou o delegado responsável pelas apurações.
Além disso, no dia seguinte à prisão, o Ministério Público Federal (MPF), que desde 2015 apura a
grilagem de terra em Alter do Chão, pediu acesso ao inquérito e afirmou que investigações
apontavam "assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como
causas da degradação ambiental" na região.

Justiça Federal de Santarém condena 13 pessoas por fraudes descobertas na Operação ‘Madeira Limpa’


Todos os réus foram denunciados por envolvimento em crimes ambientais descobertos pela 
Operação “Madeira Limpa” — Foto: Adonias Silva/G1. Servidores do Ibama e Incra estão 
entre os envolvidos no crime ambiental.
Por G1 Santarém — PA

A Justiça Federal em Santarém condenou 13 pessoas, entre servidores do Instituto Brasileiro do 
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Nacional de Colonização 
e Reforma Agrária (Incra). Todos os réus foram denunciados por envolvimento em crimes 
ambientais descobertos pela Operação “Madeira Limpa”, deflagrada em agosto de 2015, na região 
oeste do Pará, pelo Ministério Público Federal (MFP) e pela Polícia Federal.
As sentenças, que se referem a duas ações penais, foram assinadas nesta quarta-feira (18) pelo juiz 
federal Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, da 2ª Vara. Uma terceira ação, com o mesmo objeto, ainda 
aguarda a prolação da sentença. Os réus ainda podem recorrer da sentença ao Tribunal Regional 
Federal da 1ª Região, em Brasília (DF).
Na ação penal, foram condenados cinco denunciados: Elias Cardoso do Ó (sete anos e seis meses de 
reclusão), Álvaro Silva Pimentel (cinco anos e dez meses), João Batista da Silva (cinco anos e dez
meses), José Maurício Moreira da Costa (três anos e seis meses) e Paulo Sérgio da Silva Francisco 
(três anos e seis meses).
Os outros oito réus condenados na ação penal são: Danilo Campos Cardoso (19 anos e 4 meses de 
reclusão), André Luís da Silva Suleiman (16 anos e 9 meses), Adriano Luiz Minello (11 anos e oito 
meses), Charles Pires de Araújo (11 anos e 8 meses), Enilson Alcântara Pereira (12 anos e quatro 
meses), Idelcide Lopes Viana (12 anos e quatro meses), Luiz Bacelar Guerreiro Júnior (10 anos e 10 
meses) e Ranieiri Gonçalves Terra (dois anos e oito meses).
Além das condenações, as duas sentenças decretaram a perda em favor da União de dezenas de bens 
dos acusados, entre os quais embarcações, seis automóveis (Hilux, REB/Telacar, Honda/Civic, 
MMC/L200, VW/Voyage e Renault/Duster), computadores e telefones celulares.
Nas sentenças, o juiz aponta que os fatos praticados envolviam a obtenção de créditos florestais 
fictícios, mediante autorização de exploração de planos de manejo (PMFS) fraudulentos ou 
superdimensionados, para dar cobertura a madeira extraída ilegalmente de outro lugar.
Organização criminosa
“Embora o MPF tenha desenvolvido grande esforço argumentativo para tentar demonstrar a 
existência de apenas uma organização criminosa, composta por diversos grupos, a instrução 
processual revelou uma realidade diversa. Coexistem organizações criminosas distintas, sendo que 
estas teriam se relacionado entre si apenas em situações pontuais”, escreve o magistrado na sentença 
em que oito réus receberam as penas mais pesadas.
De acordo com a decisão, a instrução processual revelou a associação de mais de quatro agentes - 
Charles Pires de Araújo, Danilo Cardoso, Enilson Pereira, Idelcide Viana, Luiz Bacelar Guerreiro 
Junior e Adriano Minello. Essa organização era estruturalmente comandada por André e Danilo, 
interessados em viabilizar exploração madeireira, mediante apoio de Charles, que atuaria junto aos 
assentamentos da região, de Enilson e Idelcide, agentes operacionais, e de Bacelar e Adriano, que 
utilizariam a estrutura do Incra em favor da organização.
“A organização teve como objetivo a obtenção de vantagem financeira em vista da exploração 
madeireira. Quanto aos crimes, além dos ambientais, ocorreu a prática dos crimes de receptação, uso 
de documento falso, corrupção ativa e passiva, cujas penas máximas são superiores a quatro anos de 
prisão”, afirma o juiz.

VIDEO: DESESPERADO, NERVOSO, BOZO INSULTA REPÓRTERES E ENGROSSA SOBRE CASO QUIROZ


Não sei se os grandes portais jornalísticos vão reproduzir as palavras de Jair Bolsonaro, hoje, na
saída do Alvorada, pois até agora não o fizeram.
Mas elas são reveladoras, pelo que publicou o Correio Braziliense, do estado de destempero que 
atingiu o ocupante da Presidência.
Perguntado por um repórter sobre o que faria se Flávio tiver cometido algum deslize, engrossou com 
o repórter que o havia questionado:
“Você tem uma cara de homossexual terrível, mas, nem por isso, te acuso de ser homossexual. 
(…) Falam “se”, “se”, “se” o tempo todo”.
Revelou, afinal, o que conteria a tal gravação “armada” por Wilson Witzel para comprometê-lo no 
caso Marielle/Anderson. Seria o diálogo entre dois milicianos dizendo que ele, Bolsonaro, ia 
“apanhar dinheiro” com eles e agora não vai mais.
Depois sobre o empréstimo que dissse ter feito a Fabrício Queiroz, disse , que conhece o ex-PM 
desde 1985, quando foi seu soldado para-quedista, e que foi de R$ 40 mil o empréstimo, mas que 
não tem comprovantes da operação:
“Porra, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo. Você tem a 
nota fiscal desse negócio contigo no braço? Não tem. Tem a nota fiscal no teu sapato? Não tem, 
porra. Você tem lá no teu carro? Talvez tenha lá, mas não a nota fiscal”
O vídeo está aí embaixo para quem duvidar.

O sócio Laranja de Inflávio Bolsonaro na Bomboniere


Segundo as reportagens, o sócio de Flávio Bolsonaro na franquia da Kopenhagen é Alexandre 
Dias Ferreira Santini.
Segundo as reportagens, o sócio de Flávio Bolsonaro na franquia da Kopenhagen é Alexandre 
Dias Ferreira Santini.
Há um Alexandre Ferreira Dias Santini com funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro (clique 
aqui). Segundo informações veiculadas em janeiro. A empresa Bolsotini, dona da franquia da 
Pelo que informou, Flávio tirou quase R$ 1 milhão de lucros da loja. Mantida a participação, 
Santini teria retirado R$ 3 milhões. Ambos os valores são incompatíveis com uma mera franquia 
da Kopenhagen.
De três, uma:
  1. Santini é um mero laranja
  2. A distribuição é lavagem de dinheiro.
  3. Ambas as opções. 

Flávio Bolsonaro é um “cadáver adiado”, diz Reinaldo Azevedo



🎥
"Pergunta para a sua mãe", "você tem uma cara de homossexual terrível" e "fica quieto que 
eu estou respondendo": Bolsonaro se exalta quando perguntado sobre a investigação do MP 
contra Flávio Bolsonaro
O jornalista Reinaldo Azevedo, da Folha e da BandNews, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro
(PSL-RJ) é um “cadáver adiado”, citando Fernando Pessoa.
“O homem é um cadáver adiado”, costuma repetir o poeta e filósofo português.
Azevedo ironiza o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que ensaia o discurso “filho não é
parente” para escapar da relação com a milícia no Rio.
Acerca das denúncias que pesam contra seu filho, o capitão não titubeou em dizer que “problemas
meus, podem perguntar que eu respondo. Dos outros, não tenho nada a ver com isso”.
É aí que o jornalista retrucou, com razão: “Epa! Toma que o filho é teu, Jair!”
Reinaldo Azevedo vê mudança de comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que estaria
arregando diante das cabeludas denúncias do Ministério Público.


Se em 16 maio Bolsonaro pedia para ir pra cima dele, lembra o colunista da Folha e da Bandnews,
agora implora ‘vade retro Satanás!’Em síntese, o jornalista Reinaldo Azevedo analisa que Flávio
Bolsonaro já era. É um “cadáver adiado” pronto para tombar e levar mais gente junto com ele.A
conferir.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

MP do Rio revela detalhes de esquema de lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro


Por Redação
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, 
compraram em 2012 dois apartamentos em Copacabana para lavar o dinheiro obtido por meio da 
“rachadinha” – esquema ilegal de repasse de salários de assessores – que acontecia no gabinete do 
então deputado estadual na Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj). As informações constam em um 
relatório do Ministério Público obtido pela revista Crusoé.
De acordo com o MP, os apartamentos foram comprados de um norte-americano, mas os imóveis 
pertenceriam, na verdade, a outro indivíduo dos EUA que não teria autorizado a transação. A Crusoé 
informa que chamou a atenção de promotores do MP o valor da compra e venda dos apartamentos 
para a efetivação do esquema de lavagem. Segundo as investigações, ambos os imóveis foram 
comprados por um valor 30% menor do que o antigo dono havia pago e, depois, foram vendidos por 
Flávio por um valor 300% maior.O casal da família Bolsonaro, de acordo com a investigação, teria 
lucrado 292% na venda de um dos apartamentos e 273% no outro.
O MP apontou, no relatório, que Flávio e a esposa obtiveram uma “lucratividade expressiva” e 
“desproporcional”, já que a valorização dos imóveis na região, à época, foi de apenas 10%.
Busca e apreensão 
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) cumpre na manhã desta quarta-feira (18) uma série 
de mandados de busca e apreensão em endereços de ex-assessores do ex-deputado estadual e atual 
senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).
Entre os alvos estão endereços do ex-PM Fabrício Queiroz, que seria o responsável por um suposto 
esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e 
parentes da ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle.
As medidas cautelares foram pedidas na investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato (desvio 
de dinheiro público) no gabinete do filho de Jair Bolsonaro na Alerj.

Saiba mais aqui.

MORO, NÃO VAI FALAR NADA SOBRE O QUEIROZ?

MP cumpriu mandados contra ex-assessores de Flávio Bolsonaro Diz alguma cisa Marreco!!
O Ministério Público do Rio realizou uma grande operação de busca e apreensão em endereços de ex-
assessores de Flávio Bolsonaro, o filho 01 do presidente Bolsonaro.
Entre os alvos, estão as casas de Fabrício Queiroz, o pivô do escândalo das "rachadinhas" e de 
parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro.
Queiroz é suspeito de participar de um esquema que movimentou R$ 7 milhões de reais Os 
A Justiça já autorizou a captura de mensagens do WhatsApp no celular da esposa do Queiroz.
O MP cumpriu mandados até na lojinha de chocolates "gourmet" do Flávio Bolsonaro, na Barra da 
Tijuca...
E o que tem a dizer o ministro Sérgio Moro, da Justissa?
Até o início desta quinta-feira 19/XII, o ex-Judge Murrow não se pronunciou sobre o caso.
No Twitter, dois parlamentares do PT resolveram cutucar o ministro sobre tamanho silêncio...
"339 depósitos em dinheiro, 17 em cheques, 127 transferências e mais R$ 900 mil para Queiroz, de 
13 assessores de Flávio na ALERJ. E agora Moro, o que você acha disso?", questionou a deputada 
federal Gleisi Hoffmann.
"O que falta para algum juiz decretar a prisão de Flávio Bolsonaro?", questionou Paulo Pimenta. 
"Sérgio Moro, o juiz celebridade, virou advogado da família, embora ocupe o cargo de Ministro da 
Justiça".

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Fazendeiro é acusado de tentar matar esposo da coordenadora do campus da UFPA de Altamira

O agressor, Silvério Fernandes, já foi vice-prefeito e ex-vereador da cidade
O chefe do grupo conhecido como "consórcio da morte", formado por fazendeiros da região de 
Altamira, Silvério Fernandes, tentou matar nesta noite o senhor Eduardo Modesto, esposo da 
professora Maria Ivonete Silva, coordenadora do campus da UFPA em Altamira.
A tentativa de homicídio ocorreu em um restaurante da cidade, onde Eduardo e a esposa jantavam.
Acompanhado por capangas e arma em punho, Silvério Fernandes adentrou no espaço e passou a 
agredir Eduardo Modesto. A motivação seria a realização do evento "Amazônia, centro do mundo", 
que reuniu no mês de novembro centenas de indígenas, ribeirinhos, agricultores e ativistas sociais no 
campus da UFPA, para defender a região contra grileiros, latifundiários e os grandes projetos.
Após a tentativa de homicídio, o casal foi à Delegacia de Altamira registrar ocorrência e novamente 
foi agredido por Silvério Fernandes. Desta vez, a agressão foi em frente aos policiais, que tiveram 
que contê-lo.

Queiroz teve 14 meses para esconder provas de rachadinha


"Com sua experiência, [Queiroz] sabe exatamente o que uma operação desse tipo tenta 
localizar",
Jornal GGN – O colunista Bernardo Mello Franco chama atenção, nesta quarta (18), para o 
tempo dado a Fabrício Queiroz para eventualmente esconder provas que poderiam implicar o 
senador Flávio Bolsonaro e seu antigo gabinete no RJ no crime de rachadinha.
Se passaram 14 meses desde o dia em que ele foi exonerado da assessoria do ex-deputado, até 
a operação de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio.
“O faz-tudo da família Bolsonaro é policial militar aposentado. Com sua experiência, sabe 
exatamente o que uma operação desse tipo tenta localizar.”
Pela régua da Lava Jato, Queiroz teria sofrido um pedido de prisão quando as primeiras 
informações sobre o caso da rachadinha vieram à tona, justamente para evitar eventual 
obstrução de provas.

OS AMIGOS (NEM TÃO OCULTOS) DO BOLSO-FAMÍLIA


MP implode esquema da rachadinha e faz buscas em endereços de Queiroz, ex-assessores de 
Flávio e parentes de Jair Bolsonaro.
POR FERNANDO BRITO
Os próximos dias no Ministério Público vão ser de abrir os”presentes” recolhidos na casa dos amigos 
dos Bolsonaro que durante anos ficaram ocultos nas folhas de pagamento dos gabinetes de seu filho 
Flávio e até mesmo no do pai, quando deputado.
Verdade que a festa está um ano atrasada e que, por isso, é provável que muito ou mesmo quase tudo 
já tenha desaparecido, como fez, aliás, o próprio Fabrício Queiroz.
Até porque quase todos – e são dezenas – os que estão tendo busca e apreensão já eram integrantes 
conhecidos do programa de emprego familiar que lá se desenvolvida, em grande parte pelo trabalho 
dos repórteres Juliana Dal Piva, de O Globo e Chico Otávio, entre outros.
Igualmente não faz sentido que eles não tenham sido, até agora, chamados a prestar esclarecimentos 
sobre as relações empregatícias que mantinham e por eventuais repasses de dinheiro que, afinal, deve 
estar registrado nas contas bancárias cujo sigilo já foi quebrado há tempos.
Sejam quais forem as provas coletadas, a ação é um balde de gasolina nas já incendiadas relações 
entre o presidente e o governador Wilson Witzel.
A única reaação da família, até agora, foi a postagem no Twitter de Carlos Bolsonaro, de novo 
enigmática, de um daqueles “bips” que se usava antes do telefone celular para chamados de urgência.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

VIDEO: MÉDICO LAVAJATISTA É UM DOS PRESOS EM OPERAÇÃO EM RINHA DE CÃES


O médico Leônidas Bueno Fernandes Filho, preso na rinha de cães em Mairiporã, é o que se pode 
definir como cidadão de bem.
Em seu perfil no Facebook, ele publica mensagens de apoio ao combate à corrupção, com apoio à 
Lava Jato, memes contra Lula e outras lideranças de esquerda, e até um post indignado com a morte 
de uma onça que participou de um evento do Exército, no Amazonas.
Ao ser preso, tentou convencer os policiais de que estava ali para buscar um pitbull que lhe havia 
sido dado de presente.
Ele mora em Goiânia, a quase 1.000 quilômetros de Mairiporã, e foi buscar um cachorro lá?
História que os policiais não engoliram.
Um vídeo gravado no momento da prisão mostra o médico tentando se explicar. Veja abaixo.
Alguém diz a ele, que está sentado num cercado de madeira e com os braços para trás:
“Põe os bichinhos pra brigar, não tem vergonha na cara, não?”
Ele faz sinal de que não estava ali para participar da rinha.
“Estava fazendo o que aqui então?”
O médico responde:
“Eu vim buscar um cachorro, que um amigo deu”.
O interlocutor, supostamente policial, comenta:
“Aqui é tudo santo, os vagabundos são todos santos, a cara dos vagabundos aqui.”
Outro comenta:
“Você vai ver a cela em que você vai parar”.
O suposto policial diz:
“Vai dormir de conchinha agora”.
O outro adverte:
“Olha aqui, vagabundo tem cachorro. A hora em que forem mostradas as fotos dos cachorros, vão 
falar: ‘olha aqui quem é o responsável’”
Vagabundo é como o policial se refere a preso.
O médico tenta dizer alguma coisa, mas o policial, indignado, não deixa:
“Olha bem para a minha cara.”
Um outro, também revoltado, intervém e diz a Leônidas:
“Cala a boca, só escuta.”
O médico, então, abaixa a cabeça.
“Médico cuzão, médico de bosta, médico de bosta.”
Outro acrescenta:
“Ser humano de bosta.”
Os policiais comentam que ele deveria perder o registro no Conselho Regional de Medicina.
“Você é casado, você tem mãe?”
Evidentemente, os policiais extrapolaram, mas é difícil não conter a revolta diante da cena dantesca 
que presenciaram.
Havia pitbulls mortos e outros se enfrentando na rinha. Encontraram em uma churrasqueira um 
pedaço de carne de cachorro.
A suspeita é que eles faziam churrasco com a carne do animal derrotado.
Segundo relato publicado na imprensa, o papel do médico seria ajudar o veterinário que também foi 
preso a reanimar os cachorros.
Porém, como a especialidade de Leônidas é medicina, é provável que estivesse ali para apostar 
mesmo.
O que ninguém acredita é que tenha embarcado em um avião em Goiânia, descido em Guarulhos e 
viajado até Mariporã apenas para pegar um pitbull de presente em uma rinha
Os animais ali estavam feridos, mesmo aqueles que venciam as lutas. Iria levar para casa um cão 
nessas condições para quê?
Sentido humanitário? Conta outra.
Ao ser preso, como se vê pelo vídeo, Leônidas tentou passar a imagem de bom moço, talvez a 
imagem que faça de si próprio, com suas postagens moralistas.
Muitas pessoas localizaram o perfil dele no Facebook e, antes que ele retirasse a página da rede, 
postaram comentários como:
“Vagabundo, lixo de médico, merece o pior, sem vergonha, safado, vontade de socar até desmaiar e 
depois usar soro para reanimar você. Merece ser empalado”.
“Maldito!!! Vc é um bandido!!!”
Ele foi libertado ontem, depois de pagar fiança.
“Você tem dinheiro, mas nunca vai ter paz, nunca vai deitar a cabeça no travesseiro e dormir.”
O cidadão de bem Leônidas Bueno Fernandes Filho não poderá mais, com certeza, dar lição de 
moral.
Veja o vídeo:

Zema tira R$ 3 bi da Educação em Minas, usa em outros setores e não paga professor; é velhacaria;


GOVERNO ZEMA TIRA DINHEIRO DA EDUCAÇÃO E NÃO PAGA PROFESSOR
por Rogério Correia


Neste vídeo no plenário da Câmara, o deputado federal Rogério Correia denuncia que o governo 
Zema está investindo apenas 17% na Educação, bem abaixo dos 25% constitucionais.
“Ele tira dinheiro carimbado da educação, não paga o 13° para o funcionalismo nas áreas da 
educação e saúde”, afirma Rogério. “Pior: não paga nem o piso estabelecido na Constituição do 
estado”, afirma o deputado, que é o autor da lei do piso salarial dos trabalhadores da educação que 
Zema não está cumprindo.*Rogério Correia é deputado federal (PT-MG)

Putzzz...Comandante do fuzilamento do músico diz que deram 257 tiros por “susto”


POR FERNANDO BRITO 
Quem quiser entender o que significa a proposta de “excludente de ilicitude” da dupla Sérgio Moro-
Jair Bolsonaro, leia hoje, em O Globo, o depoimento do tenente Ítalo Nunes, que comandava o 
esquadrão de militares que fuzilou o músico Evaldo Rosa e o catador Luciano Macedo, em 
Guadalupe, na Zona Norte do Rio.
Diz ele que sua tropa estava “assustada” porque teria trocado tiros com os traficantes e ouvidos estes 
dizerem pelo rádio (???) que queriam ver o sangue escorrer da viatura militar. O catador Luciano, 
que todas as testemunhas civis viram ir tentar ajudar o músico baleado seria, na verdade, um 
assaltante e, por isso, teriam atirado, sem explicar a razão de terem acertado o carro do “assaltado” 
com dezenas de tiros de fuzil.
No total, foram 257 disparos de fuzil, 77 deles realizados pelo tenente Ítalo, 62 acertando o carro de 
Evaldo. Nele estavam, além do músico morto, sua mulher, uma amiga, seu sogro e uma criança de 7 
anos.
O relato, claro, se ajusta perfeitamente às premissas de “medo, surpresa e violenta emoção” com que 
se quer tornar assassinatos isentos de processo criminal.
Quem vai provar que não estavam assustados e que merecem o excludente? Ou que não foram 
surpreendidos? Ou que não estavam sob “violenta emoção” com as supostas ameaças que alegam ter 
ouvido pelo rádio?
É fuzilar e contar a história.
Afinal, morto não pode se defender.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Reprovado, procurador da Lava Jato quer anular concurso universitário por considerar banca examinadora suspeita


Procurador Diogo Castor de Mattos. Foto: Divulgação
O procurador da república Diogo Castor de Mattos, que foi da Lava Jato até ser denunciado por 
patrocinar outdoor com elogio à operação, chamou a atenção da comunidade jurídica do Paraná por 
tentar anular o concurso público da Universidade Federal do Paraná em que foi reprovado.
Ele tentou uma vaga no curso de doutorado na área Direito do Estado, em banca presidida pela 
professora doutora Vera Karam de Chueiri. Também integravam a banca os professores doutores 
Egon Bockmann Moreira, João Gualberto Garcez Ramos e Larissa Liz Odreski Ramina.
Castor de Mattos questiona as notas atribuídas a ele em relação a títulos e levanta também, segundo a 
notícia publicada hoje na coluna Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a suspeição de um dos 
integrantes da banca.
É isso o que chama a atenção: alegação de suspeição de um dos integrantes da banca, o que mostra 
incoerência, já que a Lava Jato, em vários casos, rejeita a tese de suspeição dele próprio e dos demais 
integrantes, inclusive de seu primo-irmão, o subprocurador Maurício Gotardo Gerum.
A Universidade Federal do Paraná rejeitou os argumentos de Castor de Mattos, que já recorreu ao 
Judiciário. Dos quatro integrantes da banca, dois elogiaram publicamente Sergio Moro e a Lava Jato. 
Seriam eles também suspeitos? Claro que não.
A professora doutora Ramina, que faz parte da Associação Juristas pela Democracia, assinou em 
julho manifesto pelo afastamento de integrantes da Lava Jato que apareceram nos diálogos vazados 
pelo The Intercept, mas nunca advogou em um caso da operação.
Quando o manifesto foi divulgado, Castor de Mattos já tinha sido transferido para uma jurisdição do 
interior do Paraná, uma medida tomada em decorrência da descoberta de que ele patrocinou outdoor 
com elogio a ele próprio e aos demais integrantes da Lava Jato.
Ainda que o manifesto fosse o motivo para alegar a suspeição de Ramina, a atividade acadêmica 
ficaria inviável no Brasil, já que textos dessa natureza são relativamente comuns entre professores e 
pesquisadores.
Esse manifesto, por exemplo, tem a adesão de centenas de juristas, entre eles Lenio Streck, Pedro 
Serrano e Carol Proner, todos com vida acadêmica.
É uma situação muito diferente do que ocorreu em casos da Lava Jato, em que suspeições foram 
arguidas. Castor de Mattos tem um irmão que é advogado de delatores que fecharam acordos com o 
Ministério Público, entre eles João Santana e Mônica Moura.
São acordos em que os advogados recebem honorários milionários, calculados com base em quantias 
e bens bloqueados pela Justiça. Moro, por exemplo, quis liberar R$ 10 milhões dos quase R$ 30 
milhões do casal que tinham sido bloqueados. Uma das razões era a necessidade de pagar honorários 
dos advogados.
Quando procuradores da Fazenda Nacional estranharam a liberação, já que havia débitos fiscais a 
serem saldados, Moro recuou, com a alegação — clássica dele — de “lapso” em razão da “grande 
quantidade de processos”.
Parte do dinheiro iria para o Castor de Mattos que atua no outro lado do balcão da Justiça.
Como representante do Ministério Público Federal, o primo de Diogo Castor de Mattos, Maurício 
Gotardo Gerum, atuou nos processos conduzidos na primeira instância pelo grupo de procuradores 
do qual ele fazia parte. Os casos de João Santana e de Lula, por exemplo.
Questionado se era suspeito, sempre rejeitou.
A Lava Jato também rejeita suspeição em casos de manifestações de seus integrantes nas redes 
sociais de investigados como se estes já fossem condenados. No caso de Lula, os exemplos são fartos.
Confirmada a informação de que Diogo Castor de Mattos quer reverter a sua reprovação na 
universidade com recurso ao Judiciário, fica claro que coerência é uma das virtudes que ele não tem.

Conversas com Lula: Haddad não tem que ser mais candidato a prefeito


"Quem teve 45 milhões de votos não pode voltar a ser candidato a prefeito. Tem que cultivar o 
eleitorado", afirma o ex-presidente
A aparência de Lula é bem mais jovem e descansada do que no período pré-prisão. A voz está bastante rouca, mas o rosto está rosado e ele parece estar chegando de um spa e não de um longo período trancafiado em uma sala de 15 m², principalmente usando o indefectível chapéu Panamá. Mesmo rouco, é nítida a vontade de Lula em falar, explicar, relembrar.
Rebate quando alguém fala na inevitabilidade do fascismo da classe média. Diz que nem todos professam o discurso do ódio.
– Esse sentimento foi plantado pela Globo, não é natural do povo brasileiro.
Alguém sugere que seria relevante retomar o diálogo com a Globo. Lula refuga.
– Sempre conversei com a Globo e nunca adiantou.
Conta que em 2013 procurou João Roberto Marinho para falar sobre a campanha de descrédito da Copa, encetada pela própria Globo. Mostrou a ele que a Copa era da Globo, que não havia sentido em desmoralizar o eemtp antes mesmo que começasse. Não houve jeito. Conversou com o Itau, com patrocinadores, mas a Globo persistiu na campanha de descrédito, dando continuidade à convocação de manifestações de rua.
Tem mágoas, sim. Mágoas óbvias contra a Globo e contra a Lava Jato. Mas, no plano pessoal, a mágoa está focada em Fernando Henrique Cardoso. Relembra o início da redemocratização, quando foi até FHC garantir o apoio do PT às suas primeiras eleições.
Conta como impediu que o PT endossasse o  Dossiê Cayman, uma armação de Paulo Maluf preparada pelos irmãos Gilberto Miranda e Egberto Baptista, visando influenciar as eleições de 1998. Era uma suposta conta no paraíso fiscal de Grand Cayman, de suposta titularidade de Fernando Henrique, Sérgio Motta, José Serra e Mário Covas.
Lula foi procurado por Lafayette Coutinho, emissário de Maluf, tentando convencê-lo a encampar as denúncias. O país entrava em período eleitoral, com Mário Covas disputando a reeleição para governador de São Paulo com Maluf, e FHC disputando a reeleição contra o próprio Lula.
Não aceitou, porque o pacote atingia diretamente Mário Covas, a quem Lula devotava sentimentos de gratidão. Depois, pela falta de verossimilhança. Lula levou o pacote a Márcio Thomaz Bastos, que desaconselhou qualquer ato de endosso à armação.
Eram tempos em que PT e PSDB ensaiavam pactos políticos contra o que era a direita da época, representada por Maluf. Lula procurou Covas que, no segundo turno, foi apoiado pela candidata do PT Marta Suplicy contra o próprio Maluf.
– E sabe o que o Fernando Henrique fez? Disse que fazia questão que eu aparecesse no Palácio , se eu não aparecesse no Palácio, ele iria na sede do PT para me buscar. Fui lá e a única coisa que ele queria era saber o que mais havia no tal dossiê contra Covas e os demais.
A conversa evolui para o último livro das memórias de FHC, na qual ele, o ex-presidente não poupa ninguém, nem amigos, nem aliados.
O pacto nacional
Aí se entra no tema inevitável do grande pacto nacional. Lula deixa entrever que o grande acordo nacional está no seu horizonte. Mas não consegue entender as críticas quanto à polarização.
– Ninguém faz política sem polarização, explica ele. Não significa radicalização. Significa ter uma posição clara em oposição a alguém.
Não tem ilusões quanto à sua candidatura em 2018. Diz que a Igreja Católica é a organização mais antiga da história e tem a sabedoria de não aceitar nenhum candidato a Papa com mais de 77 anos. Mas não quer abrir mão de influir nas próximas eleições.
Aproveita e cutuca Fernando Haddad. Não o quer candidato a prefeito de São Paulo nas próximas eleições.
– Quem teve 45 milhões de votos não pode voltar a ser candidato a prefeito. Tem que cultivar o eleitorado.
Lembra-se de sua primeira eleição, na qual foi derrotado, mas conquistou 1,5 milhão de votos. Encontrou-se com Fidel Castro que o estimulou:
– Você não foi derrotado. Você recebeu a maior soma de votos que um operário já recebeu na história. Tem que continuar.
Repete o mesmo conselho para Haddad. E, agora, não se está falando de 1,5 milhão de votos, mas em 45 milhões.
– Você tem que correr o país, encontrar com as pessoas, consolidar sua liderança.
Foi o mesmo conselho que deu a Gleise Hoffman, quando foi reconduzida à presidência do PT. Seu estilo é soltar os aliados mais promissores, observar sua evolução e apostar naqueles que mostrarem maior potencial.
Sabe que o PT tem que sair da bolha. Não pode ficar falando só para os seus. E elogia a postura do governador maranhense Flávio Dino, seu trabalho, a objetividade do seu discurso, o fato de falar para fora da bolha.
Alguém volta às eleições para a prefeitura de São Paulo e indaga de Marta Suplicy. Diz ele que divergências são naturais, mas a história não pode ser apagada. E que Marta fez a mais bem avaliada administração petista da história da cidade de São Paulo. Há uma discussão sobre quem teria sido o pai dos Centros Culturais.
– Não importa, o que importa é que politicamente foi a administração de Marta quem alavancou politicamente o projeto.
Alguém se recorda do momento em que Marta e Dilma se tornaram definitivamente inimigas. Pouco antes da indicação de Dilma para sua sucessora, Lula foi procurado por Marta.
– Lula, conheço bem as mulheres. A candidatura de Dilma vai liquidar com você e o PT.
Mas Dilma era uma competentíssima Ministra-Chefe da Casa Civil. Tinha seus problemas, especialmente com os Ministros que tinham acesso direto a Lula. Mas Lula fazia a mediação, chamava os Ministros, ajudava a superar as mágoas com sua Ministra.
Hoje em dia, a grande dificuldade do pacto é a ausência de um interlocutor do outro lado. Aproveita para cutucar FHC pelo fato de que o máximo que conseguiu foi apostar em um apresentador de TV.
Lembra-se que, em outros tempos, o Senado tinha Paulo Brossard, Marcos Freire, Jarbas Passarinho e compara com o Senado de hoje. Recorda-se dos primeiros pactos que fez com a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), tendo na outra ponta Luiz Eulálio de Bueno Vidigal. E, agora, um deserto amplo de figuras públicas.
E entra no ponto central: a falta de figuras referenciais do lado da direita. Com quem negociar? Alguém menciona sugestão do próprio GGN, de que caberia a Lula empoderar o interlocutor. Mas quem seria ele?
Surge o nome de Tasso Jereissatti, Lula se recorda da boa convivência com ele em outros tempos, depois de um período em que Tasso assumiu um discurso bastante autoritário. Na conversa, surge muito o nome do senador Oto Alencar, da Bahia.
Apesar da flexibilidade para novos pactos, Lula ainda tem resistências contra hipocrisias da política. Como o movimento “direitos já”, um evento político ocorrido na PUC-SP, que visava juntar centro-esquerda e centro-direita e para o qual Gleise Hoffmann foi convidada.
– Falei para a Gleise levar a Dilma e dizer: vocês tiraram o mandato de uma presidente legitimamente eleita, através de um golpe. Antes de continuar, peçam desculpas a ela.
O impeachment
Grande parte da conversa é sobre o impeachment e sua decisão de não concorrer em 2014, quando ficou claro a corrosão na popularidade de Dilma Rousseff. Marta chegou a organizar uma reunião em sua casa com parte do empresariado paulista pedindo para que Lula se candidatasse. Mas Lula ficou firme na posição de que a decisão cabia a Dilma que tinha o direito de postular sua reeleição.
Atribui o isolamento de Dilma especialmente ao marqueteiro João Santana. Alguém se lembra de uma reunião no Palácio, quando as pesquisas apontavam um índice de ótimo-bom de apenas 8% para Dilma. Na reunião, o prognóstico terrível:
– Com 8%, corre até o risco de impeachment.
Ainda havia possibilidade de Lula assumir a candidatura, mas nenhum movimento aconteceu da parte de Dilma, dona incontestável do direito de se candidatar. Santana tratava de minimizar os riscos, de enxergar perspectivas que ninguém via, explorando um ponto muito vulnerável nos mandatários: a solidão do poder, que faz com que as pessoas criem resistências contra quem traz problemas, e se abram para quem só bajula.
Depois da eleição, a corrida para impedir a corrosão do governo.
Foi procurado por Dilma dois meses após as eleições, para se aconselhar sobre o novo mandato. Sua primeira sugestão foi para a Economia. Precisava alguém de peso e confiável. Sugeriu que procurasse Luiz Trabucco, presidente do Bradesco, e Henrique Meirelles, que ainda estava preservado pelo mercado. Trabuco consultou o presidente do Conselho de Administração do banco, Lázaro Brandão, que apresentou a sugestão fatal, Joaquim Levy.
A conversa fica muito nisso, de encontrar razões pontuais aqui e acolá para o impeachment. A descontração do papo impede avaliações mais aprofundadas sobre o conjunto de fatores que colocou em xeque a democracia brasileira.
Lula se recorda das fantasias do PT, achando que a candidatura de Arlindo Chinaglia derrotaria Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Bem que tentou emplacar Jacques Wagner na articulação política do governo. Dilma apresentou objeções.
– Será que ele tem experiência política suficiente?
E Lula rebateu que Wagner tinha mais experiência política que ele, Lula, e Dilma somados. Um político que derrota ACM na Bahia, se reeleger, faz seu sucessor, sempre no primeiro turno, teria que demonstrar mais o quê?
Mas a decisão foi colocar na articulação Ideli Salvatti, uma política de Santa Catarina de biografia respeitável, mas de escassa experiência em articulação política.
Depois, o rompimento final, quando o PT dispunha de três votos para impedir a abertura de um processo contra Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara. O aviso era explícito: se o PT não o apoiasse, ele abriria o processo de impeachment. O PT não apoiou, o processo contra Cunha foi aberto, para regozijo do presidente do PT, Rui Falcão, que chegou a publicar um Twitter comemorando. Dilma comemorou. No dia seguinte, Cunha autorizava o processo do impeachment.
É difícil saber o que seria o governo com as concessões a Cunha. Mas, por três votos, o PT entregou um projeto de país, que, em todo caso, já fazia água.
Lula vai se recordando da enorme dificuldade que encontrou quando tentou deter a avalanche do impeachment. Exemplo de lealdade, para ele, é o ex-presidente José Sarney, que, além de leal, é educado e sabe fazer política. Lembra-se de um político colocando as diferenças entre Sarney e FHC.
– Sarney ouvia a gente, me dizia esse político. Já Fernando Henrique bota o dedo no nosso nariz e querer dar ordens.
E aí se entra no tema das relações pessoais como peça central na montagem de acordos políticos. Quando teve início o processo de impeachment e Lula se pôs a campo para tentar detê-lo, o Congresso era um pote de mágoas, com políticos de todas as extrações que, em algum momento, se sentiram ofendidos pelo estilo duro de Dilma. Recorda-se dele  ligando para diversos políticos, cada qual com três ou quatro votos essenciais para parar o impeachment. E todos eles com posição fechada contra Dilma por conta de mágoas, devido a episódios menores, mas onde a desatenção e o estilo direto de Dilma criaram resistências profundas.
O assunto envereda para as relações com empresários. Lula diz que nenhum outro presidente ouviu tanto os empresários quanto ele. Levava empresários em cada viagem internacional, chamava ao Palácio para conversar, acatava conselhos. E, agora, se queixa da solidão.
– Abílio Diniz me ligava diariamente e me ajudou muitas vezes. Foi só sair do governo para não receber mais um telefonema dele.
Alguém menciona que Abílio é isso mesmo: sempre esteve a favor de todos os presidentes, mas enquanto presidentes.
A conversa termina um pouco nostálgica. Olhando para frente, Lula coloca na raiz de todos os problemas o profundo preconceito brasileiro, herança da escravidão.
– Quando comprei o apartamento em que moro até hoje, era líder sindical e o apartamento era cobertura. E os vizinhos ficavam incomodados por ter um sindicalista morando em cima deles.
O símbolo máximo desse preconceito foi a atitude da juíza Gabriela Hard, da Lava Jato.
– A pessoa faz um curso de direito que a família proporciona. Não precisa ser brilhante. Aí participa de um concurso. Quando vê na sua frente um trabalhador semi-analfabeto, que chega onde cheguei, o preconceito aparece na hora

Lemann, o Bilionário Golpista dita a Ação Politica da Elite: Veto ao PT, apoio discreto a Ciro, amor por Guedes e cansaço com Bolsonaro

Em entrevista ao jornalista Thomas Traumann, o bilionário Jorge Paulo Lemann, que 
construiu sua fortuna graças a um monopólio obtido nos governos do PSDB e apoiou o golpe 
de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, traduz a ação do capital, com veto ao PT, 
incentivos à ação de Ciro Gomes, apoio total ao neoliberalismo de Paulo Guedes e cansaço com 
as confusões e o neofascismo de Jair Bolsonaro.
247 – O empresário Jorge Paulo Lemann, que se tornou o homem mais rico do Brasil graças a um 
monopólio das cervejas obtido nos governos tucanos e depois fez negócios e favores à família do 
senador José Serra (PSDB-SP), concedeu uma de suas raras entrevistas, ao jornalista Thomas 
Traumann, em que orienta a ação dos bilionários brasileiros – praticamente todos eles, também 
apoiadores do golpe de estado de 2016 e da restauração neoliberal no Brasil.
Segundo ele, os últimos dez anos trazem a lição de que "a corrupção não funciona", sem mencionar o 
fato de que a construção de monopólios, que ferem a livre competição, também é uma forma de 
corrupção – especialmente quando gera benefícios para agentes públicos. "Não estou nem falando 
apenas no sentido moral, porque é obvio, mas no sentido de resultado econômico. A corrupção 
distorce a competição entre as empresas e elimina a meritocracia", disse o monopolista das cervejas.
Lemann também sinalizou seu apoio discreto a Ciro Gomes, que tem cumprido a função de dividir o 
campo da esquerda. "Quer ver três coisas que funcionam bem no Brasil? A educação em Sobral, o 
vôlei do Bernardinho e Zé Roberto e a Ambev. São três exemplos brasileiríssimos de metas, 
cobranças e foco. Por que não podemos atingir esta excelência em todos os setores do País?", 
apontou o bilionário, citando a cidade administrada pelos Ferreira Gomes.
O bilionário também falou sobre os parlamentares que formam sua bancada e disse que "a Tábata 
[deputada Tábata Amaral, do PDT] está bem à minha esquerda no espectro político" e citou outros 
nomes que ele tenta cooptar. "Levei o Flávio Dino (governador do Maranhão, filiado ao PCdoB) para 
falar em Oxford, o Fernando Haddad (candidato presidencial do PT em 2018), o importante não é se 
o politico é de esquerda ou de direita, mas se ele dialoga", afirmou.
Por fim, Lemann demonstrou cansaço com os atritos do neofascismo bolsonarista, mas declarou total 
apoio ao neoliberalismo de Paulo Guedes. "O rumo do Paulo Guedes está correto. Poderia ter menos 
agito na parte política", disse ele.

BOLSONARO LEVA O PRÊMIO “FÓSSIL DO ANO”


do Blog do Miro:
A imagem do Brasil no exterior se deteriora rapidamente por inúmeros motivos – desde o piriri 
verborrágico racista, machista e homofóbico de Jair Bolsonaro até as mancadas da “diplomacia 
olavista” em vários fóruns internacionais. Mas o que mais desgasta o país segue sendo a política 
ambiental destrutiva e irresponsável imposta pelo “capetão” e seu ministro das queimadas, Ricardo 
Salles. Nesta sexta-feira (13), o Brasil recebeu o vexatório prêmio de “Fóssil do Ano” no final da 
conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP-25), em Madri.
Segundo relato da Folha, “é a primeira vez que o país leva o prêmio em referência às suas ações ao 
longo de todo o ano. A premiação acusa o governo Bolsonaro de ter desmontado as políticas 
ambientais que levaram às reduções de emissões do país, enquanto criminaliza ambientalista. 
Também aponta o aumento nas taxas de desmatamento e da invasão de terras indígenas”. A 
"honraria" foi concedida por uma rede que representa mais de 1.000 ONGs ambientalistas no mundo, 
a CAN (Rede de Ação Climática) e que já havia dado outros dois “prêmios” ao país. “Com a marca 
inédita de três troféus, o Brasil sofre uma mudança radical na sua imagem”.
Confira a íntegra do texto lido na entrega do prêmio “Fóssil do Ano” ao Brasil:
*****
Que diferença um ano faz. Berço da Convenção do Clima da ONU e amplamente elogiado por cortes 
impressionantes em suas emissões na última década, o Brasil se tornou um pária climático.
Onze meses após o início do governo de Jair Bolsonaro, o país se juntou aos Estados Unidos como 
uma das maiores ameaças ao Acordo de Paris – e ao planeta.
Bolsonaro, autointitulado “Capitão Motosserra”, conseguiu desmontar as políticas ambientais que 
ajudaram o Brasil a conseguir reduções espetaculares de emissões entre 2005 e 2012.
Os resultados disso foram as maiores taxas de desmatamento na Amazônia em uma década, um salto 
nas invasões de terras e o assassinato de três lideranças indígenas apenas nesta semana. O governo 
também está criminalizando ambientalistas – que Bolsonaro notoriamente culpou pelos incêndios na 
floresta.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um negacionista do clima, chefiou a delegação 
brasileira na COP25, amordaçando diplomatas e tentando chantagear países ricos a lhe dar dinheiro 
em troca do aumento da destruição da Amazônia. Isso, é claro, não funcionou, então Salles começou 
a criticar a própria NDC de seu país, chamando-a de “caridade com chapéu alheio”.
O cenário de terra arrasada doméstico teve efeitos em Madri. O Brasil apresentou alguns 
comportamentos bizarros, como o de bloquear a menção a direitos humanos no artigo 6.4 e opor-se à 
menção a “emergência climática” na decisão da COP. E alguns comportamentos tradicionais, como 
insistir em regras frouxas de contabilidade no artigo 6.4 e inundar o mercado com créditos podres do 
Protocolo de Kyoto para agradar a antigos lobbies que, ao contrário da sociedade civil, não deixaram 
de receber crachás oficiais para vir a Madri.
Jair Bolsonaro é uma bomba de carbono ambulante que sem dúvida merece esse grande 
reconhecimento, o Fóssil Colossal.
*****
Para confirmar a justeza da premiação, nesta semana o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 
(Inpe), que o laranjal bolsonariano tentou desqualificar, divulgou que o desmatamento na Amazônia 
cresceu 104% em novembro em relação ao mesmo mês de 2018. Até o início de dezembro, 2019 já 
apresenta um aumento da destruição na região de 84% em relação ao mesmo período do ano 
passado. 
Os dados são do Deter (sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que auxilia as 
ações de combate à destruição da floresta.
Ainda segundo a Folha, “desde o fim do ano passado, o Deter já vinha apontando um crescimento a
acentuado no desmatamento. Alertado sobre os dados, o governo Jair Bolsonaro os questionou. O 
caso culminou na demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, em agosto. Mas a tendência de 
alta de desmate apontada pelo Deter se confirmou... Mesmo com as altas constantes, Ricardo Salles 
ainda não apresentou planos para reverter a situação... Recentemente, após se reunir com infratores 
ambientais – entre eles, o autor de uma ameaça de morte contra um servidor do ICMBio –, o 
ministro suspendeu a fiscalização na reserva Chico Mendes”.

sábado, 14 de dezembro de 2019

A VENEZUELA, QUEM DIRIA, FECHA O ANO EM CLIMA DE NORMALIDADE !! JÁ OS VIZINHOS.....


O ano termina com a Venezuela em normalidade. Depois dos diversos eventos de desestabilização e 
de agitações, esse país sul-americano chega ao final de 2019 sem grandes mudanças na estrutura 
política.
Os golpes de Estado falidos, a tentativa de passagem de uma ajuda humanitária pelas fronteiras da 
Colômbia e do Brasil, assim como o bloqueio econômico internacional não surtiram o resultado 
esperado pela oposição venezuelana: o governo de Nicolás Maduro não caiu.
Nas ruas de Caracas o que se vê é uma cidade golpeada pela crise, mas que funciona com relativa 
tranquilidade. No boulevard de Sábana Grande, zona de comércio popular, o movimento é frenético. 
É possível observar algumas lojas fechadas, efeitos da crise econômica e do bloqueio que assolam o 
país, mas a grande maioria está aberta e funciona em condições normais.
Também é possível ver lojas e lanchonetes que abriram suas portas recentemente ou que passaram 
por reformadas, como a padaria e lanchonete Moka, que foi remodelada. “É uma forma de atrair os 
clientes”, afirma o sócio-proprietário Rodolfo Gonçalves.
Em uma das ruas transversais ao boulevard está o Momoy Café que foi inaugurado recentemente e já 
faz sucesso. Mas, a pergunta que muitos fazem é: vale à pena investir em uma Venezuela em crise? 
O dono negócio diz que sim.
“Os que estão investindo, como eu, é porque acreditamos no país. O que acontece é que os 
comerciantes e empresários venezuelanos estavam acostumados a ter um retorno do investimento em 
dois ou três meses de negócio. Agora levamos muito mais tempo”, explica o empresário que pediu 
para manter o nome em anonimato.
Ele conta ainda que na mesma rua também foram abertos outros dois negócios: “um salão de 
cabeleireiro para crianças e uma lanchonete de hambúrguer.
Já o livreiro Nahuel Montenegro recorreu a uma das sete barraquinhas de livros autorizadas pela 
prefeitura de Caracas nessa época do ano. Afinal esse é um país que formou uma legião de leitores 
ávidos, sobretudo por literatura política. O governo distribui livros de graça, tanto de literatura 
universal, como venezuelana e os clássicos políticos.
A professora Maria José procurava o livro “Cavalo de Tróia” e Nahuel só tinha uma versão antiga, 
em dois tomos, de uma coleção já usada e que claramente havia passado pelas mãos de vários 
leitores. A professora olha, olha e termina comprando. Os dois tomos lhe custaram um salário 
mínimo, 300.000,00 bolívares (o equivalente a R$ 26,00).
O livreiro explica que existem duas realidades bem marcadas na Venezuela. Uma delas inclui as 
pessoas que estão em situação precária, que em geral ganha um salário mínimo e uma cesta básica 
subsidiada pelo governo.
A outra parcela da população é aquela que ganha em dólares, seja porque trabalha para uma empresa 
estrangeira ou tem algum tipo de comércio que cobra em dólares. Tem também aquelas pessoas que 
recebem recursos de algum familiar que mora fora do país.
“Vivemos dois extremos. Porém ainda existem algumas alternativas que tornam a vida aqui mais 
barata que em outros países, como as feiras de alimentos que vendem frutas, verdura e proteínas a 
preços muito baratos, como as que estão nos bairros de Cátia e de Coche. Se souber os lugares certos 
onde comprar posso dizer que com U$ 50 por mês vocês faz milagre aqui na Venezuela”, afirma 
Nahuel Montenegro.
Além disso, muita gente vem para essa zona de comércio de Sábana Grande apenas para passear, 
tomar um sorvete e levar os filhos para passear.
“Às vezes a diversão é vir aqui, as crianças correm, brincam, tomam um sorvete e já ficam felizes. 
As crianças não têm porque saber dos problemas dos adultos”, diz dona Yuleide Ospino, de 58 años, 
que levou as duas netas para tomar sorvete. “Está muito bom”, confirmou a pequena Maria Elisa, 
com seu melhor sorriso.
O bulevar de Sábana Grande
Sorvete é algo a que os venezuelanos não resistem. As sorveterias estão sempre lotadas e até com 
filas longas. Além de gostoso, o sorvete de Sabana Grande tem um valor cabe no bolso de muitos 
venezuelanos, segundo o jovem estudante Jesus Marrero.
“Aqui o sorvete é gostoso e os preços estão acessíveis para que as pessoas possam desfrutar. O 
cascão (com duas bolas) custa em 27 e 30 mil bolívares (cerca de R$ 3)”, diz Jesus.
O boulevard de Sábana Grande é justamente a linha simbólica que separa as zonas populares, 
conformadas pelo centro e zona oeste, da região mais abastada da cidade, que é a zona leste.
A um quilômetro dali está o bairro de Chacao, uma região de classe média alta. No entanto, os 
bairros mais luxuosos da capital ficam na periferia da zona leste, na parte alta de Caracas formada 
por um vale.
Chacao abriga o maior shopping da cidade, El Sambil, que não é o mais luxuoso, pois há pelo menos 
dois ou três mais exclusivos. Mesmo assim é possível encontrar lojas de marcas como Mont Blanc, 
Giorgio Armani, La Martina e Carolina Herrera, que é de origem venezuelana.
O estudante Jaime Rios, de 24 anos, é de Maracay, cidade vizinha da capital venezuelana, e estava 
em um típico dia de compras. Levava nas mãos dois pareces de sapatos recém comprados e explicou 
como alguns venezuelanos ainda conseguem manter seu padrão de consumo.
“Muitas pessoas têm familiares que moram fora da Venezuela e enviam dinheiro. Aqui todos os 
preços agora são marcados em dólares e apesar disso as lojas continuam vendendo bem”, destaca o 
estudante.
Assim também a modelo Mariana Martines, de 23 anos, fala sobre essa outra Caracas onde tudo se 
compra em dólares. “Existem shoppings muito lindos, que são excessivamente caros e onde não é 
todo mundo que consegue comprar. E que apesar da crise não deixam de funcionar. Dizem que está 
tudo muito difícil, mas aqui vemos as pessoas comprando, comendo”, diz a modelo.
Ao tempo que para uns a diversão está em compras em shoppings caros, para outros a simplicidade 
de uma boa conversa, em uma das praças públicas mais emblemáticas de Caracas, como é a Praça 
Bolívar, é o que realmente os fazem felizes.
Enquanto crianças correm e gritam, Juan Fuentes, Oswldo Banixa e Jorge Navas travam uma 
calorosa conversa sobre a atual situação do país. São da velha guarda revolucionária, a esquerda 
tradicional venezuelana.
“Quase todas as tarde nós nos entramos aqui com os camaradas, esse foi um acostume que 
adquirimos depois do golpe de 2002, contra o comandante Hugo Chávez. Naquela época não havia 
internet no celular, então a gente tinha pontos de encontros para se juntar e saber o que estava 
acontecendo. Isso nós mantemos até hoje aqui na Praça Bolívar”, explica Juan Fuentes.
Depois das 16h trabalhadores do Centro e seus arredores vão aglomerando-se na Praça Bolívar e ali 
praticam um verdadeiro debate político, quase que a diário.
Afinal, a Venezuela respira política. Independentemente de como começa uma conversa, nesse país, 
sempre termina em política, independentemente da ideologia.
O Momoy Café, em Caracas

Não é o que parece, a não ser para quem só lê manchete


POR FERNANDO BRITO
Lida com calma, a entrevista do governador baiano Rui Costa, do PT, não contém nenhuma 
contestação a Lula, apesar da manchete da Folha que induz ao contrário.
É sempre a mesma história de apontar Lula como o “radical”, como se sua trajetória, por duas 
décadas ao menos, não tenha sido a de um conciliador político.
Coisa que, aliás, o próprio Costa afirma:
—Acho natural que quem ficou preso um ano injustamente faça declarações duras. Mas o Lula 
governou o país durante oito anos como um conciliador. Essa concertação, com empresários, 
trabalhadores, sociedade, fez com que o governo dele fosse de maior desenvolvimento nos últimos 
séculos.
A manchete diz que Lula “deve pregar” uma “pacificação” numa crítica à radicalização que seria do 
próprio ex-presidente. Mas leia o que ele diz:
—Temos de pregar a pacificação do país, cortar a discriminação e o ódio. Antes, as pessoas 
tinham vergonha de manifestar preconceito. Agora parece que têm orgulho. Certamente essas pessoas existiam, mas ficavam no armário. Precisamos que elas voltem para seus armários.
Alguém discorda de que discriminação, ódio e preconceito seja armas da direita, desembainhadas 
todo o tempo por este governo?
Claro que Costa adota um tom moderado, que traduz a soma de seu orientação pessoal com o lugar 
delicado que ocupa, como governador de um Estado num país onde o poder central está disposto a 
tratar com água e farinha – e poucas – governantes de esquerda. E há uma pitada, sempre presente, 
de um político até agora regional em projetar-se num veículo de comunicação “nacional”, entendido 
isso como basicamente paulista.
Curioso procurar intrigas com fatos com frases “há dez anos, o sr. seria chamado de entreguista por 
conceder a um grupo chinês a ponte que ligará Salvador a Itaparica”. Será que sobrou, depois da 
Lava Jato, empreiteira em condições de bancar este investimento, para receber daqui a anos, em 
pedágio? E, ainda que tivessem, a Folha não colocaria em manchete “Governador do PT concede 
ponte a empresa envolvida na Lava Jato?
E quando os governos petistas se opuseram a desenvolver projetos em parceria com grupos privados, 
daqui ou de fora?
É claro que depois de 40 anos de vida política a chance de Lula ser atraído para uma disputa interna 
em seu partido por uma história destas é absolutamente zero.
Isso é para os espiroquetas da pureza absoluta que se deixam levar por um título de jornal. Tanto 
como seria tolo que, a esta altura, vaidades e ambições não estariam excitadas em pretenderem-se ser 
“o PT autocrítico”, da mesma forma como há direita que sonha em ser o “mas eu não sou Bolsonaro”.
Por algumas linhas no jornal, vão se apressar em responder ao que não foi dito, senão na manchete. 
É assim mesmo e líder de verdade tem couro duro, não fica dando patadas feito Bolsonaro.
O que define polarizações não é a escolha pesoal de Lula, é a realidade do processo político-social.
E com o que temos hoje, não há como propor-se a ter os pés em dois barcos, porque o mar está por 
demais agitado.
Isso não é “ser teimoso” ou “radical”. É reconhecer que quer quer a pacificação do Brasil terá de 
preparar-se para uma batalha política na qual, até agora, não há outro que reúna tanta capacidade de 
comandá-la quanto o ex-presidente.
Rui Costa reconhece isso na entrevista e sabe que suas chances eventuais de ser o candidato do PT 
dependem de uma ignomínia: excluir, de novo, Lula da disputa eleitoral.