O TRIO FANTÁSTICO: JENNY, KARL E ENGELS. FOTO: DIVULGAÇÃO Filme de Raoul Peck traz autor de O Capital como "esquerda transante" e é boa propaganda comunista em tempos de neomacartismo
As cenas de abertura de O Jovem Karl Marx, dirigido pelo haitiano Raoul Peck (Eu Não Sou Seu Negro), trazem camponeses miseráveis recolhendo gravetos no chão para alimentar o fogo em suas casas e assim fugir da fome e do frio. Na época, o governo da província do Reno, onde Marx nasceu, igualara a coleta com o roubo, provocando a indignação do jovem jornalista, que publica uma série de artigos furiosos na Gazeta Renana, para a qual escrevia. “Montesquieu cita dois tipos de corrupção. Um, quando as pessoas não observam as leis. E outro, quando a lei as corrompe”: as imagens dos camponeses sendo massacrados pela polícia são acompanhadas por trechos dos ensaios, recentemente publicados no Brasil pela Boitempo com o títuloOs Despossuídos.
O futuro autor de O Capital, uma das obras mais importantes do século 20, tinha 24 anos em 1842, quando publicou estes escritos, que tão cedo detonaram a perseguição que sofreu durante quase toda a vida apenas por sair em defesa da classe trabalhadora. No ano seguinte, após ser censurado e preso, Marx é banido da Prússia e parte com a mulher para Paris, de onde também será expulso dois anos depois, com Jenny grávida e com um bebê de colo. São anos de privações e fome para a família, não tão diferentes do que vivia a maioria do povo nas ruas da Europa de então: uma massa de operários sujos, esfarrapados, famintos e trabalhando desde a mais tenra idade até à morte, perfeitamente retratados no filme como uma versão em HD do que Rosa Luxemburgo queria dizer quando falava em “socialismo ou barbárie”.
Era barbárie o que se vivia no mundo “moderno” até que gente como Marx surgiu para apontar as injustiças do capitalismo e encorajar trabalhadores a reivindicar e mesmo compreender que ter direitos não era exclusividade da burguesia. Jornada de oito horas, férias, descanso semanal… Antes de os primeiros socialistas (e anarquistas e comunistas) aparecerem, ninguém nem sonhava com essas “regalias”, como dizia Antonio Candido: “É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo.” O socialismo foi o salto civilizatório.
O povo nas ruas da Europa de então é perfeitamente retratado no filme: uma massa de operários sujos, esfarrapados, famintos e trabalhando desde a mais tenra idade até à morte
A dura realidade dos trabalhadores na revolução industrial foi demonstrada por Friedrich Engels, o parça de Karl, no livro A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, de 1845. Rico filho de industrial, Engels foi guiado nos guetos em que viviam os trabalhadores pelas mãos de sua companheira, a operária e ativista irlandesa Mary Burns. E denunciou o que para muitos era considerado normal, quase um destino: crianças trabalhavam desde os 5 anos de idade; quase metade dos operários tinham menos de 18 anos, a maior parte mulheres; elas eram obrigadas a trabalhar grávidas ou levando as crianças pequenas, que eram dopadas com narcóticos para ficarem quietinhas, causando convulsões e mortes. Um verdadeiro paraíso.
CRIANÇAS TRABALHANDO NAS MINAS DE CARVÃO NOS EUA EM 1911. FOTO: LEWIS HINE
“O trabalho das mulheres desagrega completamente a família, porque quando a mulher passa cotidianamente 12 ou 13 horas na fábrica e o homem também trabalha aí ou em outra parte, o que acontece com as crianças? Crescem entregues a si próprias como erva daninha, ou entregam-nas para serem cuidadas fora por um xelim ou xelim e meio por semana, e podemos imaginar como são cuidadas. Por essa razão, se multiplicam de uma maneira alarmante, nos distritos industriais, os acidentes de que as crianças são vitimas por falta de vigilância”, escreve. As mortes de crianças por queimaduras, afogamento e quedas eram frequentes.
“As mulheres voltam à fábrica muitas vezes três ou quatro dias após o parto, deixando o recém-nascido em casa.” Engels cita Lord Ashley, político reformista britânico, que recolheu declarações de algumas operárias: “M.H., de 20 anos, tem duas crianças, a menor delas um bebê, que é cuidado em casa pelo outro, um pouco mais velho; vai para a fábrica de manhã, pouco depois das 5 horas, e volta às 8 horas da tarde. Durante o dia, o leite corre-lhe dos seios ao ponto de os vestidos se molharem. H. W. tem três crianças, sai de casa segunda-feira de manhã às 5 horas e só volta sábado às 7 da tarde. Tem então tantas coisas a fazer para as crianças que não se deita antes das 3 da manhã. Acontece-lhe muitas vezes estar molhada até os ossos pela chuva e trabalhar nesse estado. ‘Os meus seios fizeram-me sofrer horrivelmente e encontrei-me inundada de leite’.”
Crianças trabalhavam desde os 5 anos de idade; mulheres eram obrigadas a trabalhar grávidas ou levando as crianças pequenas, que eram dopadas com narcóticos para ficarem quietinhas, causando convulsões e morte. Um verdadeiro paraíso
No filme, Engels aparece como uma presença luminosa na vida duranga do jovem Marx. Dândi, bon vivant, Friedrich se torna o dileto camarada intelectual e de bebedeiras. Para os vermelhos, é emocionante vê-los trabalhar sobre o manuscrito do Manifesto Comunista. Mas houve quem se chocasse que o filme traga ambos como legítimos exemplares da esquerda sexy, “transante”, com Engels numa insinuada (e consentida) relação a três com a cunhada e cenas fogosas de Marx na cama com a mulher. Como se o pai de sete crianças pudesse ser assexuado ou como se fosse uma blasfêmia mostrá-lo como homem e não como deus –ou ainda como se Marx sempre tivesse sido o velho e barbudo papai noel dos retratos mais conhecidos.
É delicioso ainda assistir na tela grande os embates que teve com o anarquista Proudhon, a quem deixa embatucado com a pergunta: “Você disse que a propriedade é roubo. Quando roubo a propriedade de alguém, de quem estou roubando?” Jenny, de origem aristocrática e quatro anos mais velha que Marx, aparece como uma mulher instruída, à frente do seu tempo e parte fundamental do processo, assim como Mary Burns. Sem dúvida um filme para iniciados, e uma boa propaganda comunista em tempos de neomacartismo.
Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo
O diretor Peck explicita seu engajamento ao utilizar uma canção, ao final, para evidenciar a atualidade da luta da classe trabalhadora encabeçada pelos socialistas no século 19. Que o digam os brasileiros, prestes a voltar aos tempos da revolução industrial graças à “reforma” trabalhista aprovada pelo consórcio PMSD-PSDB. Os aumentos sucessivos do preço do botijão de gás já fizeram os pobres retornarem aos tempos do fogão a lenha; que ninguém se espante se algum dia voltar a ser considerado “roubo” a coleta de gravetos para fazer a comida. Nos Estados Unidos, a direita está tentando reduzir o limite de horas que um adolescente pode trabalhar, uma novidade que tampouco tarda a chegar por aqui. Marx continua necessário.
(O filme está em cartaz nos cinemas, mas pode ser visto também no youtube, não se sabe até quando.)
O ex-ministro propõe que a campanha para garantir o direito de Lula disputar as eleições deve ser feita nas ruas, no boca a boca. Ele também pede a união dos partidos de esquerda.
Bom dia meus amigos e minhas amigas doNocaute. É a hora da resistência, da luta política, da vontade de lutar e da ação. É a hora da unidade, é preciso
reunir os candidatos a presidente da esquerda, os democratas, os progressistas, os nacionalistas, a
frente Brasil Popular, o PDT, o PSB, PCdoB, o PSOL, o PT, as grandes lideranças, Aldo Rebelo,
Boulos, Lula, Ciro, Manuela. As lideranças também do meio intelectual artístico, dos movimentos
sociais, todos em defesa da democracia. Não é em defesa de Lula candidato, é do direito inalienável
de Lula ser candidato, porque essa é a vontade do povo, e esse é um preceito básico da democracia.
Tirar Lula da eleição não resolve nada, porque ele continuará sendo fiador, o grande eleitor da
eleição, e com unidade, seguramente venceremos. Essa é uma verdade que a direita e os golpistas
sabem, por isso que temos que nos unir, inclusive para defender a eleição e evitar a fraude, porque já
sabemos que eles são capazes de tudo, e acabaram de demonstrar essa verdade ao tornar Lula
inelegível. Vamos batalhar até o última instância, com todos os meios e recursos jurídicos para
manter Lula candidato, porque repito, esta é a vontade do povo.
Os golpistas de 1964 sempre perderam as eleições, perderam em 1966, em 1974 e perderiam de
lavada em 1978 se não fosse o Pacote de Abril. Sempre através da fraude e da força, mantiveram o
poder. Mas a ditadura caiu, como cairá o governo golpista de Temer e toda essa aliança de rentistas,
grandes bancos, a direita, os tucanos, que usurparam o poder e agora tentam mante-lo pela força,
mesmo a força da injustiça.
A hora é de ir para às ruas, não com uma greve geral ou com grandes comícios, é hora de ir ao povo,
conversar com o povo, organizar o povo, mobilizar o povo. Dia 19, quando vamos comemorar mais
um aniversário de PT, é hora de toda nossa militância, todos nossos filiados e amigos irem para às
ruas, para os bairros, visitar de casa em casa. Vamos organizar comitês do povo com os
trabalhadores, não apenas comitês de nossos militantes, nossos amigos, mas fazer com que o eleitor
do Lula, o lulista, organize o comitê em defesa de Lula e da democracia. Vamos às fábricas todos os
dias, não só no dia de combate, ou no dia de uma greve geral, vamos todos os dias.
Sem o povo, sem organizar o povo, podemos até vencer as eleições, mas como vamos governar com
este Congresso, com esse Judiciário, sem uma reforma política, uma reforma do estado? Sem uma
profunda reforma tributária? Sem atingir os rentistas, a propriedade, a riqueza, a renda do 1% que
concentra a maior parte da renda do país? Sem democratizar o estado? Os meios de comunicação?
Sem pôr fim a esse estado de exceção que o aparelho policial e judicial impôs ao país, dando
cobertura aos golpistas? Só a força do povo organizado pode nos garantir a vitória em 2018 e o
governo.
Seremos sempre a força determinante do país, porque estamos com a consciência nacional, com o fio
da história. Estamos com a maioria dos brasileiros e brasileiras que querem uma ampla e radical
mudança na vida política, social e econômica de nosso país. Por isso vamos à luta com Lula, pela
democracia, mas antes de mais nada, por uma mudança radical do Brasil.
A democracia brasileira foi tomada de assalto aos poucos por uma combinação terrível de integrantes
do Ministério Público, Judiciário e grupos de mídia, com destaque especial para as Organizações
Globo. Isso não aconteceu de uma única golada, como se costuma dizer nos botequins. Foi aos poucos, de
golinho. E, tendo a considerar que começou a ficar sério na aprovação da Lei da Ficha Limpa, em
maio de 2010. O conteúdo dessa lei que nunca me empolgou é muito mais moral do que qualquer
outra coisa. E desequilibrou os poderes permitindo que o judiciário e o MP assumissem um
protagonismo acima do Executivo e do Legislativo. Com a Lei da Ficha Limpa na parada, o grande objetivo do MP passou a ser fiscalizar a política. Que
pela sociedade era considerado algo criminoso. E quem seriam esses xerifes que iriam botar ordem na casa? Jovens, 77% deles são homens, quase
todos brancos, cabelos bem cortados, inglês fluente, bem nascidos (60% com pais que têm grau
universitário). Ou seja, meninos mimados, criados a leite com pera e que tiveram uma infância plena,
brincando de jogar bolinha de gude no carpete e a empinar pipa no ventilador. Se você acha que estou exagerando, leia essa pesquisa que faz um retrato do MP. Esses moçoilos, com a ajuda de poucas moçoilas, em geral loiras e que adoram se vestir de terninho
pra respeitar os códigos masculinos, criaram o Partido Midiático da Justiça. Num primeiro momento,
dizendo que com isso iriam botar ordem na casa. E pra realizar seu intento passaram a investigar câmaras municipais, assembleia, prefeituras,
governos, etc. Mas, claro, priorizando os ligados ao campo popular. E jogaram o país nesta
encruzilhada atual. Como são uma casta, porque em geral, são filhos de juízes, de grandes advogados ou de
desembargadores, eles convivem juntos há muito tempo. E sua atuação é quase como a de uma
grande família. Há um pacto de proteção entre eles. O julgamento do ex-presidente Lula deixou isso mais do que explícito, mas Lula é a ponta visível
deste iceberg. Esse Partido Midiático da Justiça está se tornando o que há de mais perigoso no Brasil.
Mais perigoso do que organizações fora de lei, porque eles impõe a lei. E eles têm a proteção do
Estado e o direto de executar penas. Mas este é um daqueles tema proibidos. As pessoas têm medo de discutir que o MP e o Judiciário
têm que ter garantias resguardas, porque são de fatos importantes para a sociedade, mas que
precisam de controle externo.
Não podem fazer o que querem e nem muito menos agir como uma corporação em defesa dos seus
membros e interesses. Ou o sociedade assume os riscos de discutir rapidamente uma mudança que impeça que esse poder
se torne uma ditadura ou sofreremos algo semelhante ao regime militar, com outros atores no
comando.
E não pensem que eles não terão as armas, porque quem vai executar o pedido de prisão do Lula não
será um juiz com um documento na mão. PS: Só pra não dizer que não falei das flores. Eles fazem e continuarão a fazer tudo isso porque têm
o apoio irrestrito da mídia, em especial da Globo. Que os transformou em super heróis.
"evangélico praticante que gosta de citar a Bíblia em suas sentenças"...."Outro irmão em
Cristo, Deltan Dallagnol, faz especulação imobiliária com o Minha Casa Minha Vida, Responsável pela Lava Jato no Rio, o juiz federal Marcelo Bretas entrou na Justiça para
garantir a acumulação de auxílio-moradia; casado com uma magistrada, ele recebe o benefício
apesar de resolução do CNJ proibir a remuneração a casais que morem sob o mesmo tetoR.
"Esse caso mostra que o auxílio não é auxílio, mas um complemento salarial. Esse
complemento, em muitos casos na magistratura e no Ministério Público, é um artifício, um
remendo legal, para furar o teto constitucional e compor os chamados supersalários" O juiz
federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, acumula junto com a
esposa, também juíza Simone Bretas, o recebimento dois auxílios-moradia; "O pagamento do
auxílio-moradia, apesar de legal, porque o juiz chegou a recorrer à Justiça para recebê-lo, é
Leo Pinheiro, cuja “delação” foi dada a Sergio Moro sem compromisso de dizer a verdade, e que
mudou sua versão para agradar a Lava Jato e dizer que o apartamento é de Lula, foi perdoado pelo
TRF4.
Sua pena foi reduzida para 3 anos, em regime semi-aberto. Como já cumpriu boa parte, isso significa
que ele já está livre, leve e solto.
Sua multa também foi reduzida para 253 mil reais, um valor praticamente simbólico.
Isso é muito interessante, porque é mais um elemento a desmascarar a Lava Jato.
O TRF de 4 (sic), instituição que desde o início da Lava Jato aderiu ao estado de exceção, afunda
O Lula teve seu passaporte apreendido e busca recorrer da sentença que o condenou. Em nota, a FAO lamentou a ausência do líder do PT no encontro em Adis-Abeba, capital da Etiópia, que
busca erradicar a fome no mundo.
A defesa do ex-presidente Lula entregou na manhã desta sexta-feira (26) seu passaporte na sede da
Polícia Federal no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, após determinação da Justiça Federal do
Distrito Federal.
A decisão foi do juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, e foi
tomada na quinta-feira (25). Apesar de o MPF (Ministério Público Federal) ter pedido que
deslocamentos dentro país também fossem proibidos, a restrição a viagens nacionais não foi acolhida.
Em nota, Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, afirmou que a medida “reforça as violações a
garantias fundamentais do ex-presidente”. Sendo assim, Lula foi impedido de participar, a convite da
União Africana, da reunião de alto nível sobre o combate à fome em Adis-Abeba, na Etiópia.
A defesa de lula vai pedir a anulação do julgamento que condenou o ex-presidente a 12 anos e um
mês de prisão. As indagações ao TRF-4 começaram a ser definidas nesta quinta-feira (25).
Os advogados vão explorar as minúcias do processo, utilizando o embargo de declaração como
recurso processual. O fato de a acusação ter tido mais tempo do que a defesa na sustentação oral será
exposto como indício de violação da paridade de armas, é um exemplo de como o recurso deverá ser
explorado.
O diretor de comunicação da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura), Enrique Yeves, lamentou nesta sexta-feira (26), por meio de mensagem em uma rede
social, a ausência do ex-presidente. “Lamentamos que Lula não possa compartilhar pessoalmente seu
conhecimento e valiosa experiência na luta contra fome na Cúpula da African Union, na Etiópia”.
No sábado (27), em Addis Ababa, capital da Etiópia, Lula participaria de um evento da FAO sobre a
erradicação de fome no mundo e discursar sobre ações de seu governo no Brasil, como o programa
Fome Zero.
Vale lembrar que durante o governo petista o Brasil saiu do mapa da fome, e entre 2001 e 2012,
reduziu a pobreza extrema no país em 75%, de acordo com a FAO.
O teólogo e escritor Leonardo Boff diz que "a Justiça e o governo como um todo estão
perdendo o sentido dos limites. Estão provocando o povo: criando as condições para que um
povo aviltado não aguente mais e comece uma convulsão incontrolável"; "Lula era convidado
pela ONU para discutir a fome na Etiópia. Juizinhos mesquinhos, sem noção do mundo,
tiraram-lhe o passaporte. Eles nos fazem passar vergonha. Hoje somos objeto de irrisão
internacional, tão degradada é nossa justiça", acrescentou
247 - O teólogo e escritor Leonardo Boff criticou o governo de Michel Temer e manifestou
solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado sem provas no processo
envolvendo o triplex no Guaruja.
"Pessoalmente acho que a Justiça e o governo como um todo estão perdendo o sentido dos
limites.Estão provocando o povo: criando as condições para que um povo aviltado não aguente mais
e comece uma convulsão incontrolável. A culpa não é do povo. É da justiça injusta e perseguidora",
escreveu Boff em sua conta no Twitter.
"Lula era convidado pela ONU para discutir a fome na Etiópia. Juizinhos mesquinhos, sem noção do
mundo, tiraram-lhe o passaporte. Eles nos fazem passar vergonha. Hoje somos objeto de irrisão
internacional, tão degradada é nossa justiça", acrescentou.
O juiz no Distrito Federal Ricardo Leite, que determinou a apreensão do passaporte de Lula, já foi
afastado da Operação Zelotes suspeito de atrapalhar as investigações e se tornou alvo de investigação
da Corregedoria por esse motivo. A Corregedora Nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi,
determinou em agosto de 2015 a notificação do magistrado por causa de uma representação feita
pelo relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações sobre o
esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), deputado federal
Paulo Pimenta (PT-RS).
Leite indeferiu os pedidos de prisão temporária de 26 investigados e não concedeu a prorrogação do
monitoramento das escutas telefônicas e de e-mail dos envolvidos. Além disso, o juiz determinou o
sigilo das investigações, pois, segundo ele, "provocaria desnecessária exposição da intimidade dos
investigados perante os meios de comunicação".
Em maio do mesmo ano, a Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região já havia acatado
representação do Ministério Público Federal contra o magistrado. Dados do Portal da Transparência
revelam que, em 2014, a 10ª Vara Federal do DF – que está sob responsabilidade de Ricardo Leite –
teve 499 processos julgados, enquanto, no mesmo período, a 12ª Vara teve 1537, número três vezes
O GOLPE É PARA DEIXAR SOLTOS: O AÉCIO, O SERRA, O JUCÁ, O TEMER, O MOREIRA "AGORÁ" FRANCO, O "BOTAFOGO" MAIA, O EUNÍCIO "ÍNDIO", O ELISEU "QUADRILHA", E O FHC E SEU FILHINHO Estou indignado mas esperançoso. Só crescerá o apoio a Lula. Perdemos a batalha não a guerra, que será popular e longa. (Ministro) José Dirceu
Um juiz substituto conseguiu impedir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viajar para
um evento co-patrocinado pela ONU na África. Ao tomar a decisão, o magistrado conseguiu
mais: se tornou unanimidade. Nenhuma voz respeitável do direito se levantou para defendê-
lo. Do conservadores como Ives Gandra Martins aos mais liberais, todos consideraram o
despacho do juiz Ricardo Leite um erro jurídico. “Uma aberração”, definiu o criminalista
Anderson Bezerra Lopes.“Em primeiro lugar, porque a medida cautelar se baseia em outro processo, o do TRF-4, que não está sob sua jurisdição”, disse. “Em segundo lugar, porque o juiz, para fundamentar sua decisão, cita supostas declarações de aliados do ex-presidente — ‘E do conhecimento público a divulgação de declarações em que aliados políticos do ex- Presidente, visando à politização de processos judiciais, cogitam a solicitação (se necessário) de asilo político em seu favor para países simpatizantes’”.
O juiz Ricardo Augusto Soares e o procurador da República do Distrito Federal Anselmo Lopes requisitaram o passaporte de Lula, alegando risco de fuga.
Ambos são conhecidos pelos abusos, pelo uso despudorado e do poder de Estado. Pertencessem a corporações minimamente interessadas em manter a imagem republicana, seriam contidos pelos próprios colegas.
Anselmo tem histórico de arbitrariedades, visando se valer de denúncias contra Lula como escada para promoção pessoal.
Em 2015, com base em uma mera reportagem da Época, sobre viagens de Lula à África, montou um dossiê de Gmail, e denunciou o ex-presidente. Foi denunciado, então, ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) por abuso, de agir de ofício ante mera reportagem de mídia, sem elementos maiores de denúncia. Apenas menções a reportagens de jornais e revistas (https://goo.gl/d7RdJf). Na denúncia, foi mostrada a militância do procurador nas redes sociais, em favor do PSDB e contra o PT.
Não se sabe o que ocorreu com o julgamento, porque um dos conselheiros pediu vista.
O juiz Ricardo Augusto Soares é pior. Tentou se blindar com a mídia pedindo o fechamento do Instituto Lula. Descobriu-se, depois, que boicotava o trabalho do Ministério Público Federal na Operação Zelotes. Chegou a ser denunciado pelo MPF.
Ao lado do também juiz Ademar de Vasconcellos – o que quase provocou a morte de José Genoíno ao não autorizar sua ida a um hospital em plena crise cardíaca -, integram hoje a face mais negativa da Justiça e do MPF.
Juscelino Kubitschek chega para depor em investigação no regime militar (Fundo Última
Hora/Apesp/Reprodução)
Jornal GGN - Nos idos da década de 1960, conforme narra Paulo César de Araújo em extenso artigo para a Folha, Juscelino preparava-se para uma eleição, contando com 43,7% das intenções de voto para a Presidência da República. Sua candidatura seria homologada dali a alguns meses. Parecia questão de tempo para sua volta à Presidência. Até que foi atropelado pelo golpe militar e a candidatura ficou ameaçada. Ali começava a caçada ao ex-presidente JK que, na época, era senador da República.
Naquela manhã de domingo, o ex-presidente tomou seu café saboreando também a primeira página do jornal com pesquisa do Ibope que o colocava na liderança à Presidência da República, com 43,7% das intenções de voto.
Meses depois, a candidatura dele seria homologada, por unanimidade, por seu partido, num evento com a presença de vários artistas.
Parecia mesmo apenas uma questão de tempo para Juscelino Kubitschek voltar a governar o Brasil.
"JK venceria se eleição fosse hoje", dizia o "Correio da Manhã" com os números da pesquisa, em setembro de 1963.
Mas aí veio o golpe civil-militar, em março do ano seguinte, e a candidatura dele ficou seriamente ameaçada. Iria se iniciar a caçada ao ex-presidente, que na época, aos 62 anos, era senador da República.
Eleito pelo Congresso Nacional –inclusive com o voto de JK–, o primeiro general-presidente, Castelo Branco, disse que manteria as eleições presidenciais de outubro de 1965 e daria posse ao eleito. O seu governo seria de transição, prometendo fazer uma espécie de limpeza geral no país, especialmente da corrupção.O golpe foi realizado sob o pretexto de combater a corrupção e livrar o país dos comunistas. Num primeiro momento, os militares procuravam guardar algum sinal de legitimidade, prevalecendo aquilo que Elio Gaspari chamou de "ditadura envergonhada".
PRESIDENTE E JUIZ
"Até o problema do comunismo perde expressão diante da corrupção administrativa nos últimos anos", afirmava o marechal Taurino de Resende, presidente da Comissão Geral de Investigação (CGI).
A este órgão cabia investigar, reunir documentos e indicar quem deveria ser cassado por corrupção ou subversão. A lista era levada ao Conselho de Segurança Nacional que podia acatar ou não a denúncia, mas o julgamento final era do presidente (e neste caso, juiz), Castelo Branco - que defendia, em discurso, não apenas punição aos malfeitores, mas também "reformas de profundidade na estrutura orgânica da administração pública" para curar "a enfermidade da corrupção no país".
Como Getúlio Vargas já havia morrido e lideranças como João Goulart e Leonel Brizola estavam no exilio, os golpistas se voltaram contra Juscelino Kubistchek, o erigindo a símbolo do que não podia mais prosperar na política nacional.
Diziam que sempre se roubou no Brasil, porém, num nível imensamente maior a partir do governo JK –que seria culpado também pela inflação e a recessão econômica.
Com sua fúria punitiva o governo militar iniciou então uma devassa na vida do ex-presidente. Foram vasculhadas empresas e bancos nacionais, americanos e suíços na tentativa de localizar investimentos em nome dele ou de familiares.
"Não tenho um centavo em banco estrangeiro. Deveria ter para qualquer eventualidade. Mas não tenho nada, rigorosamente nada", se defendia.
Foi também investigado quanto o ex-presidente havia recebido por viagens de conferências no exterior, na suposição de que ele não teria pago o imposto de renda.
Documentos sobre supostos atos de corrupção em seu governo eram liberados para a imprensa pela Secretaria do Conselho de Segurança Nacional. "Não havia dia em que não se verificasse algum tipo de imputação contra sua honra para justificar a punição iminente", afirma seu biógrafo Claudio Bojunga.
TRÍPLEX EM IPANEMA
A denúncia que se tonaria mais rumorosa envolveu um novíssimo prédio de cinco andares, na avenida Vieira Souto, em Ipanema, onde JK foi morar, pouco depois de deixar a Presidência. Ele residia no segundo andar e, oficialmente, pagava aluguel ao seu amigo (e ex-ministro da Fazenda) Sebastião Paes de Almeida.
Mas, segundo a denúncia, o amigo, embora milionário, era um "laranja" do ex-presidente, usado para encobrir o real proprietário do edifício construído com dinheiro doado por empreiteiros de grandes obras no governo JK.
No processo afirmava-se que a localização, o projeto arquitetônico, a decoração do prédio, tudo teria sido feito ao gosto de Juscelino Kubistchek e de sua esposa Sarah.
Testemunhas teriam visto o ex-presidente visitando as obras; outros afirmavam que dona Sarah era quem determinava alterações nos pavimentos. Dizia-se ainda que inicialmente eles iriam morar num tríplex nos andares superior mas "quando começaram rumores sobre a propriedade do edifício, o ex-presidente abandonou a ideia do tríplex e resolveu habitar apenas no 2º pavimento".
Outro indício estaria no nome do edifício - "Ciamar" -, interpretado como anagrama de Márcia, filha de Juscelino Kubitschek.
Esta denúncia não prosperaria na Justiça comum, sendo arquivada por falta de provas, em maio de 1968. Mas até lá, muita tinta foi gasta em reportagens sobre "o edifício de Kubitschek" –chancelando nas manchetes o que o ex-presidente negava.
E tudo isto servia de combustível para quem desejava tirá-lo da disputa à presidência em 1965, e para a qual ele abraçara o discurso das reformas sociais. "Reformas com paz e desenvolvimento", seria o mote da campanha de JK.
NA IMPRENSA
"A Revolução estará sendo traída enquanto o rei da corrupção permanecer impune", cobrava o deputado e repórter Amaral Neto, enfatizando "que há muito tempo esse moço já deveria estar na cadeia".
Por sua vez, "O Estado de S. Paulo" dizia que "pelos crimes cometidos contra o erário público" durante o governo de JK com a "deslavada conivência dele" era "perfeitamente justa e merecida" a sua cassação. E o "Jornal do Commercio" sentenciava que "o sr. Kubitschek é incompatível com a nova era que se iniciou".
Após investigações da CGI, em maio de 1964 o Conselho de Segurança Nacional opinou pela cassação de JK por corrupção e alianças com comunistas. Caberia agora, portanto, ao presidente (e juiz) Castelo Branco condená-lo ou absolvê-lo.
A partir daí o drama de Juscelino Kubitschek empolgou o país, gerando suspense no mercado e em todos os círculos políticos.
O seu partido, o PSD, sofria junto porque não tinha um plano B sem JK –que fez no Senado um discurso de repercussão, afirmando que estava sendo perseguido, não pelos seus defeitos, mas por jamais "compactuar com qualquer atentado à liberdade e agir sempre com dignidade administrativa".
Em meio à expectativa da condenação surgiram boatos de que o ex-presidente poderia ter também sua prisão preventiva decretada –algo que o próprio Palácio do Planalto tratou de desmentir.
Porém, o suspense continuava; afinal, tratava-se do destino da maior liderança política do país após Getúlio Vargas e o líder das pesquisas eleitorais. Àquela altura, o telefone do ex-presidente já estava grampeado pelo recém-criado SNI e Castelo Branco ouviu uma das conversas em que JK se referia a ele como "filho da puta".
DEFENSORES
Apesar do clima policialesco e repressivo, vozes saiam em defesa do ex-presidente.
"Por que, sr. general, cassar o mandato de Juscelino Kubistchek?", indagava o jurista Sobral Pinto, e ele próprio respondia que "na impossibilidade de vencer o ex-presidente nas urnas, seus adversários querem arrancar-lhe o direito da cidadania, único expediente capaz de afastá-lo da luta eleitoral".
Dias antes, Danton Jobim também escreveu artigo direcionado ao presidente Castelo Branco, convidando o "supremo juiz" à reflexão.
"O país não vai lembrar-se amanhã dos coronéis que instruíram o inquérito ou dos políticos odientos que instigam essa caçada humana, no qual um dos maiores brasileiros do nosso tempo é perseguido como criminoso vulgar. Mas o nome de Vossa Excelência ficará indissoluvelmente ligado à cassação do mandato de Juscelino Kubitschek".
No último dia de maio, lia-se na coluna de Carlos Castelo Branco que a candidatura de JK se sustentava "apegada apenas a um fio de esperança".
Uma semana depois não restaria mais nada.
Folhapress
A DECISÃO
Às 19h27, de segunda-feira, dia 8 de junho, o programa A voz do Brasil irradiou o decreto do marechal Castelo Branco, que cassava o mandato de JK e suspendia seus direitos políticos por dez anos.
Para alegria dos adversários, o grande favorito às eleições presidenciais de 1965 estava banido da disputa.
Carlos Lacerda –que naquela pesquisa do Ibope figurava em segundo lugar–, elogiou a decisão contra JK. Disse que foi "um ato de coragem política, de visão, embora preferisse batê-lo nas urnas".
Seu colega udenista Edson Guimarães também afirmou que a decisão de Castelo Branco "veio na hora exata" para mostrar "que a Revolução não foi feita para manter privilégios, mas realmente para mudar o cenário da política nacional".
A ditadura era envergonhada mas não se avexou de banir o ex-presidente com justificativas frágeis –fato destacado no editorial do "Diário Carioca": "Sem provas de espécie alguma, absolutamente sem provas, baseando-se apenas em indícios e suposições, cortou-se sumariamente o curso de uma vida púbica dedicada desde os seus primórdios aos interesses da nação, negando-se com isso ao povo o direito de votar num de seus líderes mais representativos, dono de um passado de realizações tão importantes quando internacionalmente consagradas".
Concluía o editorial dizendo que se JK "hoje não é mais candidato à Presidência da República, é muito mais que isto: é o símbolo vivo e fremente da vontade de um povo".
O "Correio da Manhã" também criticou a cassação "sem provas convincentes". No mesmo jornal, Carlos Heitor Cony desabafou: "Afinal, foi consumada a grande estupidez", prevendo que com aquele ato o presidente Castelo Branco "selou seu destino perante a nação e perante a história: é um homem mesquinho".
O "Correio da Manhã" e o "Diário Carioca" foram exceções entre os principais jornais do país, porque a grande imprensa, em sua quase totalidade, apoiou a cassação de Juscelino Kubitschek.
A Folha de S.Paulo, "O Estado de S. Paulo", "O Dia", a "Tribuna da Imprensa", o "Jornal do Commercio", o "Jornal do Brasil" e, principalmente, "O Globo", com um editorial intitulado "Uma lição para o futuro", afirmando que "as medidas excepcionais e enérgicas que estão sento tomadas pelo governo, visando à punição dos responsáveis pela corrupção" teria "o mérito maior de mostrar a todo o mundo que desta vez se realizou algo para valer".
A Folha de S.Paulo também justificou que ao ex-presidente foi concedido "o direito de defender-se amplamente e com a máxima ressonância".
CRÍTICAS
A condenação de JK foi destaque na mídia internacional –mas lá numa visão favorável ao criador de Brasília.
O jornal "Le Monde", o "New York Post", a "Time" e a "Newsweek", por exemplo, criticaram a decisão do marechal Castelo Branco.
E o matutino El Espectador, de Bogotá, refletiu que "antes que uma garantia de paz política e social no Brasil" aquele ato seria "destinado a causar mais sérios e talvez irreparáveis traumatismos no presente e no futuro do pais".
Juscelino Kubistchek recebeu a notícia da cassação cercado de amigos e familiares em seu apartamento, na Vieira Souto.
Dona Sarah mostrava-se muito abatida e revelou ter tomado tranquilizantes. "Isso tudo foi uma barbaridade", desabafou.
Lá fora, uma multidão se aglomerava nas imediações do Edifício Ciamar (hoje, JK) e o tráfego ficou congestionado nas duas pistas da avenida.
Algumas senhoras choravam pelo ex-presidente, enquanto um grupo de golpistas e lacerdistas gritava "ladrão! ladrão!". Houve então um início de briga, foram acionadas tropas da Policia Militar e algumas pessoas ficaram levemente feridas.
O tumulto só terminou quando os manifestantes anti-JK bateram em retirada pela praia de Ipanema. Por volta das 22 horas, Juscelino Kubitschek apareceu à janela abraçado com sua esposa, ocasião em que os populares deram vivas à democracia e cantaram o Hino Nacional e o Peixe vivo.
Mateus Bonomi - 23.jan.2017/Folhapress
Pouco depois, com a voz embargada o ex-presidente ditou um manifesto em que afirmava: "Sei que os meus inimigos me temem porque temem a manifestação do povo, e assim, com esse ato brutal, me afastam do caminho das urnas, única manifestação válida num regime verdadeiramente democrático".
Disse também que embora "silenciado pela tirania, restarão documentos irrefragáveis, restará a reparação que a história oferece, dignificando os que forem sacrificados pela má fé, pela incompreensão, pelo ódio".
E ele então concluía com um vaticínio certeiro e profético. "Este ato não marcará o fim do arbítrio. O vendaval de insânias arrastará na sua violenta arrancada mesmo os meus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentirão os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder."
PAULO CESAR DE ARAÚJO, historiador e jornalista, é professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, e autor, entre outros, de "O réu e o rei - minha história com Roberto Carlos em detalhes" (Companhia das Letras)