quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Operação Apocalipse encontra a Operação Toffoli-Gilmar



Luis Nassif

Anunciada esta semana, a Operação Apocalipse é o penúltimo ato preparatório para a futura tentativa 
do Ministro Gilmar Mendes, através do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de conseguir o 
impeachment da presidente Dilma Rousseff.
tática utilizada será a tese da contaminação do Caixa 1 - levantando eventuais pagamentos de empresas 
da Lava Jato à última campanha de Dilma. Havendo, o TSE poderia julgar a legitimidade da eleição de 
Dilma.
O alvo central é o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque. Imagina-se que chegando nele, se 
chegará ao tesoureiro do PT João Vaccari Neto. E se forem comprovadas doações depois de 2012, à 
campanha de Dilma.
A defesa de Duque sustenta que a Lava Jato até agora não apresentou uma prova concreta de que 
tenha recebido propinas. 
Como o inquérito corre em sigilo, o juiz Sérgio Moro, delegados e procuradores têm controle sobre as 
informações e as têm vazado seletivamente - sem serem incomodados pelo Ministro da Justiça e pelo 
Procurador Geral da República.
A primeira tentativa consistiu em tentar estabelecer o vínculo com o PT através do pagamento de R$ 
1,6 milhão da UTC a Duque. Duque já era ex-funcionário da Petrobras e era razoável o motivo 
alegado para o pagamento - assessoria em um projeto enquadrado em sua área de conhecimento e em 
uma área da Petrobras que ele conhecia e poderia influenciar.
A segunda tentativa, agora, é com a informação dada por um executivo da Queiroz Galvão, de que 
teria pago propina após 2012 (clique aqui). Delegados e procuradores vazaram a informação para os 
jornais, que se incumbirem das ilações com a campanha do PT.
A partir dessas informações, procuradores seguiram para a Suíça para rastrear as contas de Paulo 
Roberto Costa mas, principalmente, conseguir alguma prova robusta contra Duque.
Imagina-se que o nome Apocalipse Now - dado à operação - seja porque permitirá encontrar provas 
contra grandes empreiteiras. O buraco é mais em cima: o alvo é Duque, através dele, Vaccari Neto e, 
através dele, as contas de campanha de Dilma. E, chegando nelas, o apocalipse.
Sobre Toffoli
Há toda uma discussão jurídica sobre o tema "fruto envenenado" nas contribuições de campanha - ou 
seja, se a comprovação de uma doação ilegal é suficiente para a rejeição das contas e para dar início a 
um processo de impeachment. As interpretações mais correntes são a da relativização dessas 
irregularidades.
Ocorre que no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a avaliação de provas e indícios caberá ao Ministro 
Gilmar Mendes, graças a uma manobra conduzida pelo presidente do TSE Antônio Dias Toffoli. Ela 
fará o relatório e dará o tom das discussões do pleno do TSE.
Aliás, solicita-se aos colegas blogueiros que se apressaram a isentar Dias Toffoli, um pouquinho de 
paciência para ler os artigos que escrevi e separar os fatos das interpretações.

FATO COMPROVADO - Toffoli manobrou para jogar as prestações de conta do PT e da campanha 
de Dilma para Gilmar Mendes.

1. Não havia motivo para a redistribuição imediata dos processos de prestação de contas do PT e de 
Dilma. Ele redistribuiu os processos menos de 8 horas úteis depois do final do mandato do Ministro 
Henrique Neves e antes mesmos dos documentos terem sido apresentados ao TSE.
2. Atropelou o regimento interno do TSE, que determinava que os processos deveriam ser repassados 
ou ao suplente ou a um Ministro da mesma classe que Neves. Tanto que a decisão recebeu parecer 
contrário do próprio Procurador Eleitoral Eugênio Aragão, por atropelar o regimento e não haver 
sentido de urgência.
3. Manipulou os sorteios. Essa história de que sorteou os processos e "por azar" caíram com GIlmar 
Mendes depõe contra a acuidade jornalística dos meus colegas. A probabilidade de ambos os processos 
caírem com Gilmar era de 2%. Logo, a probabilidade de pelo menos um deles cair com qualquer dos 
demais Ministros era de 98%.
São fatos objetivos, com os quais não se deve brigar. Pode-se especular apenas sobre as razões que o 
levaram a essa manobra. E aí são especulações baseadas em evidências contra e a favor de Toffli.

AS EVIDÊNCIAS CONTRA TOFFOLI - para afirmar que Toffoli se aliou a Gilmar, além do 
escandaloso redirecionamento dos processos, me baseio nas seguintes evidências:

1. O descontentamento de Toffoli com Dilma, ao saber que não teria nenhuma influência na indicação 
de novos titulares do STF, STJ e do TSE.
2. Conversas com membros do STF, TSE e Palácio e com amigos de Toffoli confirmando sua 
aproximação com Gilmar e sua mudança de atitude.
3. O fato de ter endossado a PEC da Bengala - que, se aprovada (permitindo a aposentadoria de 
Ministros do TSE aos 75 anos) tiraria qualquer possibilidade de Dilma indicar os próximos cinco 
Ministros, que se aposentarão durante seu mandato.

AS EVIDÊNCIAS DA DEFESA - os argumentos dos diletos colegas que defendem Toffoli são os 
seguintes:

1. A história de Toffoli é totalmente diversa da de Gilmar - um fazendo carreira no PT, outra com FHC 
- logo seria impossível que se aliassem. De acordo com essa lógica, jamais haveria traição no mundo 
pois, por definição, trair significa ir contra as antigas convicções e alianças do traidor. Como imaginar 
que Joaquim Silvério dos Reis traiu a Inconfidência se toda sua vida foi de combate à Coroa?
2. Toffoli foi indicado por José Dirceu, logo é impossível que mude de lado. É a mesma lógica do item 
anterior. Não sendo mais foco de poder, parte dos amigos de Dirceu permanecerá leal, parte tratará de 
buscar outros polos de poder. São movimentos tão velhos e previsíveis quanto a política. Se a 
Inconfidência se mostrasse viável, Silvério dos Reis não teria se bandeado.
3. Toffoli votou contra Gilmar na questão do financiamento eleitoral de empresas. E provavelmente 
deve torcer para time de futebol diferente. O que interessa é a afinidade nos temas relevantes. No mais 
relevante deles - a PEC da Bengala, que interfere diretamente na correlação atual de forças do STF - 
Toffoli endossou a posição de Gilmar.
4. Toffoli meramente seguiu o regimento do TSE e deu "azar" dos dois processos caírem com Gilmar. 
Conforme demonstrado, não seguiu.
5. Ninguém sabe se Gilmar votará contra ou a favor da prestação de contas. Pelo longuissimo histórico, 
de Gilmar pode-se esperar tudo, menos a isenção.
É aqui que se configura o movimento final, de tentar criminalizar o Caixa 1 de Dilma. 
O presidente do PT Rui Falcão garante que o partido passou todas as contribuições pelo pente fino, 
para evitar surpresas.
É aguardar para conferir.

Por Luciano G
Todo candidato para fins de campanha tem um CNPJ e uma conta corrente. Isso vale também para o 
Comitê Central dos partidos.
Esse CNPJ foi aberto até 09/07/2014 pelo calendário eleitoral e se encerra com as eleições. Doações 
para financiar campanha só valem a partir disso. Então a análise vai se resumir a partir dessa data. 
Finda as eleições apura-se sobras ou prejuízos, encerra-se a conta corrente aberta para esse fim, e 
verifica-se os recibos eleitorais emitidos para cada doação. E fim.
O que tiver "entrado" antes não pode ser financiador de campanha, pois há recibos eleitorais emitidos 
para as doações. O tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 foi Edinho Silva, nada de Vacari - o 
cara estava manjado.
Terminada a campanha não há de se falar mais em doação para campanha eleitoral, e sim para o 
"funcionamento" do partido.
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ENQUANTO O TUCANISTÂO MORRE DE SEDE..... A SABESP EM NOVA IORQUE.....

Circula na Internet um vídeo do final de 2012 em que a cúpula da Sabesp e mais alguns membros do 
governo de São Paulo comemoram os dez anos da empresa na Bolsa de Nova York. 

Dê uma olhada:



À luz da falta de água no estado, as imagens são uma piada de mau gosto — uma schadenfreud com os
paulistas. Num clima triunfal, vê-se um congraçamento bonito em grandes mesas com brindes
generosos de champanhe. “Oh, happy days”, canta o hino gospel.
A abertura de capital avolumou as receitas da companhia. De 2002 a 2012, as ações em Nova York
registraram valorização de 601% e seu valor de mercado triplicou, passando de 6 bilhões para 17
bilhões de reais. Atualmente, a companhia vale 13 bilhões.
Hoje, o Sistema Cantareira voltou a bater um recorde negativo, chegando a 3% de sua capacidade. A
segunda cota do volume morto está sendo utilizada. Como avisamos no DCM, o prejuízo para a saúde
causado pela presença de poluentes ainda é uma incógnita.
Não é a única incógnita nessa história. É de amplo conhecimento que a Sabesp e o governo Alckmin
não alertaram os consumidores dos problemas. Até pouco depois das eleições, Alckmin insistia que
não havia “racionamento”, numa negação malufística.
Não foi por falta de dinheiro que não foram feitas as obras necessárias desde 2004, quando se
recomendou um aumento da oferta hídrica para a região metropolitana de SP. Isso atenderia o aumento
populacional e reduziria a dependência do Cantareira, segundo um inquérito civil instaurado para
acompanhar a renovação da outorga.
Durante o oba oba nos EUA, a presidente Dilma Pena já tinha informações de que a situação não era
das melhores. Desde então, ela já foi flagrada dizendo que não orientou a população a economizar por
“orientação superior”, Alckmin foi passar o chapéu em Brasília, a falta d’água é uma realidade
cotidiana — e em 2015 as perspectivas são as piores possíveis.
Mas, naquele dia em Nova York, eles nunca foram tão felizes.

PS: o nosso projeto de crowdfunding para uma série de reportagens e um documentário sobre a crise hídrica em São Paulo está no ar. Basta um clique.

Moro, Ali Babá e os 39 ladrões


“Fale o nome de um tucano gordo e seu interrogatório cessará” – Advogado de delator seletivo 
delator seletivo. O gordo tucano acho muito engraçado.

Em declaração reproduzida no jn – onde o Brasil é uma m…, menos a Globo e os eventos que 
monopoliza -, o Dr Moro explicou por que não deixa que os delatores seletivos citem políticos.
(Provavelmente, os delegados aecistas também não querem saber de tucano gordo.)
Não é porque, como suspeita do Ministro Teori, ele queira governar o Brasil sozinho e, portanto, 
impede que o Supremo compartilhe da gloria de que ele, solitariamente, usufrui.
Não é porque, como diz o Dr Toron, o Supremo ficou refém do Dr Moro.
Segundo o jn, o Dr Moro não quer investigar políticos corruptos porque não quer.
E pronto !
E basta !
Ele decidiu que os corruptos são apenas os funcionários da Petrobras e os empreiteiros.
(O doleiro, reincidente, vai acabar merecendo a Medalha da Ordem do Judiciário …)
Os políticos – como o Presidente do PSDB, Sergio Guerra – são, por definiçao, inocentes, nessa logica.
Por que a generosidade ?
Para não deixar o Supremo tomar-lhe a glória e o estrelato ?
Talvez não.
Ele já assumiu a cadeira do ex-Presidente Barbosa no Panteão do PiG, e isso ninguém lhe usurpará.
Segundo a Veja, ele é o vaso-de-guerra do Golpe !
O Ataulfo Merval (ver no ABC do C Af) apoiou a Veja nessa inglória batalha – o Golpe Paraguaio – I 
e II.
Uma explicação para essa bizarra atitude – viva o Brasil ! – é querer determinar que políticos ele 
pretende punir.
E que partidos !
A Lei da Ficha Limpa é ele !
E mais ninguém !
Só vai se enlamear na graxa da corrupção quem ele quiser !
É porque, assim, ele decidiu, diante da passividade (aparente) do Supremo !
O amigo navegante se perguntará: mas como Sua Excelência conseguirá circunscrever o crime ao 
doleiro, aos funcionários da Petrobras e aos empreiteiros, sem macular um único político ?
Não era tudo a mesma sopa ?
Ora, ora, amigo navegante… francamente !
Que ingenuidade a sua !
O Dr Moro assumiu.
Não foi a Dilma nem o Aécio, que ainda precisa levar uns puxões de orelha da Jandira.
Foi o Dr Moro !
Foi ele quem assumiu !
Nem o Barbosa foi tão poderoso !
Ele, os delegados aecistas e o PiG.
odo mundo sabe que a tese do então Procurador-Geral, Antônio Fernando, que instruiu o mensalão, 
era pegar o Lula.
Por isso, ele anunciou que o processo se referia a Ali Babá e os 40 ladrões.
O STF enforcava os 40 petistas e deixava Ali Babá, Lula, no primeiro degrau do cadafalso.
Saiu fora da linha, o Golpe Paraguaio enforcava o indigitado criminoso que – quem mandou ? – não 
fala inglês.
Agora, todo mundo sabe que a Lava Jato, tal qual conduzida na Vara do Dr Moro, seletivamente, faz 
da Dilma a Ali Baboa.
Bobeou, dançou.
Só tem um problema.
Na Vara do DR Moro não tem 40 ladrões.
São 39.
Porque ele escolhe os ladrões.
Ali Baboa e 40 comparsas saquearam a Petrobras e o Brasil.
Mas, ele só vê 39.
Porque o 39º, um tucano gordo, é o “ladrão oculto”.
É como aquele da excelsa Ministra Ellen Gracie, “não é o Dantas, mas o Dantas”.
Ela, Antônio Fernando, Gurgel, Gilmar e Barbosa também se achavam Paladinos da Moral.
Salvadores da Pátria !
E iam extirpar a corrupção de pobres, pretos, p… e petistas.
O gordo tucano acho muito engraçado.
Quá, quá, quá !

Paulo Henrique Amorim
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ALÉM DE SOFRER A OPOSIÇÃO DOS MOVIMENTOS .... KÁTIA NÃO É NOME DE CONSENSO NO AGRONEGÓCIO


Produtores de grãos do Mato Grosso defendem a permanência do atual ministro, Neri Geller, 
que foi indicado pelo "rei da soja" Blairo Maggi; muitos empresários do setor consideram Kátia 
Abreu "autoritária e mandona"; resistência de setores produtivos se soma à gritaria dos 
movimentos sociais, como o MST, que rechaçam sua escolha para o ministério da Agricultura; 
no entanto, algumas lideranças do setor, apoiam o nome de Kátia Abreu e a veem com força 
política para dar mais poder ao agronegócio.

247 - Além da resistência de movimentos sociais, como o MST, que repudiam a escolha da senadora 
Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura, ela também não conta com a simpatia de 
diversas lideranças do agronegócio.
Reportagem dos jornalistas Luiz Henrique Mendes, Fabiana Batista e Mariana Caetano, publicada 
nesta quarta-feira no Valor Econômico, informa que lideranças do setor produtivo defendem a 
permanência do atual ministro Neri Geller, ligado ao PMDB do Mato Grosso, que foi indicado ao 
cargo pelo "rei da soja" Blairo Maggi.
Fontes do setor ouvidos pela reportagem classificaram Kátia Abreu como uma pessoa "autoritária", 
"mandona" e de "difícil diálogo".
Além da resistência entre os produtores, ela também não agradou ao PMDB, que a vê como uma 
escolha da "cota pessoal" da presidente Dilma.
Seu nome ainda não foi oficializado pelo Palácio do Planalto e não se sabe ainda se, nesta quinta-feira, 
ela será anunciada ministra na área econômica, ao lado de Joaquim Levy, da Fazenda, Nelson 
Barbosa, do Planejamento, Alexandre Tombini, do Banco Central, e Armando Monteiro, do 
Desenvolvimento.
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

O PATRIMÔNIO DE WLAD



A denúncia feita pelo Ministério Público Federal ao Supremo Tribunal Federal de que uma ONG do município de Barcarena-PA recebeu em dinheiro vivo, a bagatela de R$ 230.000,00 através de um convênio com a Secretaria de Esporte e Lazer do Estado do Pará para a realização de um torneio de canoagem, que nunca ocorreu e da compra de uma luxuosa cobertura tríplex, em Copacabana-RJ, em nome da mãe do deputado federal Wladimir Costa (SDD-PA), foram suficientes para que o parlamentar publicasse um vídeo em sua página no Facebook, acusando a família Barbalho e sua empresa de comunicação de persegui-lo politicamente.
Segundo o deputado, a perseguição seria pelo fato dele ter ajudado na reeleição do governador Simão Jatene (PSDB), que venceu no segundo turno, o candidato ao governo do Estado do Pará Helder Barbalho (PMDB), filho do senador Jader Barbalho, "dono" da Rede Brasil Amazônia de Comunicação.
Entre os diversos comentários feitos no vídeo, a jornalista que apura o fato pelo jornal Diário do Pará, provoca Wlad a se manifestar sobre o caso, mas não obtém aquilo que o ex-radialista sempre cobrou dos políticos: Transparência e coragem para responder tudo que lhes for perguntado, quando se envolve denúncias de desvio de dinheiro público.
"Deputado Wladimir Costa, continuo insistindo para que o sr. responda às perguntas que fiz na matéria que eu - e apenas eu - estou escrevendo para o Diário. Como avisei ao sr. por WhatsApp, a matéria sai nesse domingo sim sem a manifestação do sr. que não quer me atender por telefone. Mais uma vez obrigada por sua atenção. Luiza Mello - Correspondente do Diário do Pará em Brasília."
Assim como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) prefere viver na cidade maravilhosa ao invés de sua cidade-natal, o deputado Wladimir Costa também tem todo o direito de gozar com sua família de uma vida de luxo em qualquer lugar do mundo. Basta no entanto, comprovar a fonte do dinheiro que possibilita ostentar tantos imóveis, automóveis, empresas, etc.
Dizendo ter sido um garoto que vivia no ver-o-peso e hoje possui várias rádios comunitárias no interior do Estado, Wlad não é nenhum coitadinho sem poder, como sugere no vídeo. Ele que foi lançado na política pelo PMDB, partido que é presidido pelos que hoje acusa de perseguirem-no, hoje é um dos deputados federais mais ricos do Estado do Pará.
O blog acompanhará mais este caso que o jornal OLiberal e o Amazônia Jornal, da família Maiorana, fazem questão de fazer conta que não existe, justamente por envolver mais uma grave suspeita de corrupção no governo de Simão Jatene, aliado dos empresários que concorrem com as empresas que estão noticiando o fato.
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Globalhas:“Mostra fotos do filho para ela chorar”


Maria e Casé na Globo, nos dias de comoção pela morte do dançarino DJ


Um vídeo comoveu as pessoas neste final de semana nas redes sociais.
A estrela é Maria, mãe do dançarino DG, assassinado pela polícia do Rio há alguns meses.
Num debate sobre questões dos negros, ela falou sobre a maneira como a mídia tratou a morte de seu 
filho.
Mais especificamente, a Globo e Regina Casé. Regina Casé comanda o Esquenta, programa da Globo 
no qual DG fazia algumas participações.
Não impressiona a forma como a Globo e Regina Casé exploraram a dor de Maria.
No calor da revolta da sociedade, Maria foi levada ao programa de Regina Casé, na louca e cruel 
cavalgada pela audiência.
Maria foi usada e abandonada ainda no palco. Terminado o programa, ela conta que Regina Casé 
simplesmente a largou.
“Estou esperando até agora”, disse Maria.
Ela não precisou o que esperava. Imagino que fosse algum tipo de solidariedade. Não me pareceu, pelo 
que vi de Maria, que ela estivesse atrás de dinheiro ou coisas materiais.
Mas nada
O máximo que ofereceram a ela foi produzi-la para o programa em que ela falaria do filho assassinado, 
como se fosse uma atriz. Ela rejeitou a suprema dádiva de fazer unha e cabelo num salão global. “E eu 
queria lá unha e cabelo?”, diz ela no vídeo.
Se a atitude da Globo e de Regina Casé absolutamente não me surpreendem, a firmeza lúcida de Maria 
me impressionou.
Ela representa um novo brasileiro simples, muito distante do “bovino” na já célebre definição de Diogo 
Mainardi.
É lúcida, sabe o que quer, não se deixa enganar – e fala com um tipo de clareza sincera que eu gostaria 
de ver, por exemplo, nos juízes do STF.
É este novo brasileiro que impediu que, nas últimas eleições, as manobras da mídia para eleger seus 
amigos não funcionassem.
Ele sabe que, no fundo, estão tentando bater sua carteira quando fazem campanhas pseudomoralistas 
em épocas de eleições.
Maria é Maria e milhões de brasileiros iguais a ela, que despertaram de um longo torpor do qual a 
mídia e seus amigos sentem uma torrencial saudade.
Eles votam não em quem seus patrões gostariam que votassem, mas em quem melhora sua vida.
No vídeo, uma parte, especificamente, me doeu. É quando Maria conta que, para fazê-la chorar, e 
assim conseguir mais audiência, a instrução era mostrar a ela fotos do filho morto.
Não vou retornar a um tema que trago sempre à discussão no DCM: 600 milhões em dinheiro público 
vão dar, na forma de publicidade federal, na Globo todos os anos.
Para fazer este tipo de coisa.
Procurada, a Globo disse que as acusações de Maria não têm fundamento.
Mas quem acredita nisso, para usar a grande frase de Wellington, acredita em tudo.

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Joaquim Levy subiu no telhado



No Blog do Rovai


Na bolsa de apostas palaciana o nome de Joaquim Levy para a Fazenda deixou de ser um palpite certo.
Como houve o vazamento da composição da equipe econômica e a presidenta Dilma decidiu não 
confirmar as indicações, já há quem ache que ela está reavaliando a nomeação de Levy.
Dilma nunca foi fã do ex-secretário do Tesouro Nacional da época de Antonio Palocci. E muitos 
ministros o consideram uma pessoa de difícil trato.
Após o anúncio do seu nome, a pressão da imprensa para que isso viesse a se confirmar e a tentativa, 
também midiática, de atribuir-lhe superpoderes podem ter feito Dilma lembrar que quem teve 54 
milhões de votos foi ela.
Se isso vier a acontecer, o favorito para o cargo é Nelson Barbosa. O Planejamento poderia ser 
destinado a um nome da política. Jaques Wagner não estaria descartado.
De qualquer forma, tem circulado muito mais especulação do que informação. Dilma estaria 
conversando com pouquíssimas pessoas sobre a formação do novo ministério, entre elas Lula e 
Mercadante.
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O condomínio Bosco Verticale, em Milão, pode ser o futuro das grandes cidades



Publicado na BBC Brasil.

O condomínio Bosco Verticale (Bosque Vertical) localizado próximo ao centro histórico de Milão, no norte da Itália, venceu o International Highrise Award – considerado o “prêmio Nobel” da arquitetura dedicada aos arranha-céus.
Suas duas torres, com 80 e 112 metros de altura, se assemelham a gigantescos troncos de árvores. E seus apartamentos surgem como “raízes” para os ramos e os galhos, em um projeto que vem sendo elogiado por proporcionar uma espécie de simbiose entre o homem e a natureza, num ambiente hostil ao verde, ou seja, as metrópoles.
O Bosco Verticale venceu 800 concorrentes de 17 países diferentes na premiação, que é concedida pelo Museu de Arquitetura de Frankfurt, na Alemanha.
A premiação leva em conta critérios como inovação, sustentabilidade, fachada, qualidades internas e aspectos sociais ligados ao contexto urbano e à criação de um design pioneiro.
“Este é um projeto maravilhoso que confirma a grande necessidade do homem de ter o verde ao seu redor”, afirmou o relator do prêmio e vencedor da edição passada, Christoph Ingehoven, aos ganhadores Stefano Boeri, Gianandrea Barreca e Giovanni la Varra.
Skyline
A construção das torres chama atenção no horizonte milanês, marcada por um novo skyline, com arranha-céus espelhados na zona de Porta Nuova, que foi recentemente reurbanizada.
A expectative é a de que o condomínio represente uma espécie de abre-alas de uma nova tendência arquitetônica.
“A ideia nasceu em Dubai, em 2007. Percebi como uma ‘explosão’, a presença de 30, 40 torres de vidro temperado, diante do meu grupo de estudantes. Começamos a imaginar, a raciocinar sobre a possibilidade de revestir tudo com plantas, ao invés de vidro. Mas não apenas com plantas ornamentais. Mas com árvores verdadeiras, de 3, 5, 6, 9 metros de altura. Este projeto é uma casa de árvores onde moram os humanos”, disse o arquiteto Stefano Boeri para a BBC Brasil.
Os dois edifícios-protótipos levaram cinco anos para sair da planta. Foi necessária uma complexa e cara pesquisa para criar um sistema de irrigação – com a água do lençol freático- e, principalmente, ancorar bem as árvores e evitar que as fortes correntes de vento, naquela altura, provocassem maiores riscos.
“O morador não tem que regar as plantas. Uma central computadorizada se encarrega desta tarefa quando for preciso. As árvores foram presas numa espécie de rede de ferro saldada na estrutura. Elas são um bem comum e pertencem a todos”, afirma Stefano Boeri.
Árvores
Na realidade, as árvores fazem parte da estrutura do prédio, devido ao peso e ao posicionamento. E para a sua distribuição pelas quatro fachadas de cada torre, dentro de tanques especiais, foram feitos testes em duas galerias do vento: uma em Miami, nos Estados Unidos, e outra no Politécnico de Milão, onde o arquiteto Stefano Boeri é também professor.
Elas são o carro-chefe de uma flora composta de 800 árvores, 5.000 arbustos, 11.00 plantas menores, de uma simples camélia a uma magnólia passando pela oliveira, jasmim e acácia, entre outras. Tem lugar até para as trepadeiras. De noite, a iluminação projeta ,nos tetos das varandas e dos terraços, as sombras dos galhos e das folhas e garante um belo efeito visual.
Todas as mudas foram escolhidas na primavera de 2010 e cultivadas nos viveiros até o momento da “transferência” na nova casa. “Acho que este é um ponto fundamental do projeto: a biodiversidade. Cerca de cem espécies foram plantadas nos prédios”, Stefano Boeri. Juntas elas cobrem uma área de dois hectares, equivalente a dois campos de futebol
Frescor
Esta cortina verde proporciona uma diminuição de 2 a 3 graus centígrados durante o verão. E isto significa a economia de energia. Durante o inverno, quando as folhas caem, o bosque vertical vai receber maior quantidade de luz. Com o apoio de duas agrônomas, Laura Gatti e Emmanuela Borio, as plantas foram escolhidas a dedo para evitar alergias e resistir às novas condições meteorológicas.
Além disso, a cobertura vegetal, vertical, acompanha as cores das estações. Durante o outono, a fachada das torres vai ganhar os tons de amarelo e vermelho e laranja. Na primavera, as flores irão colorir o condomínio. O edifício se torna um organismo vivo, literalmente. Os próximos dois anos irão ser fundamentais para a adaptação do bosque vertical.
Além do morador, humano, espera-se a chegada de novos vizinhos como as joaninhas e outros inofensivos insetos e aves, algumas migratórias, como as andorinhas. ” Sei que um casal de falcão já fez um ninho numa árvore que foi plantada dois andares abaixo da copa. Fazia muito tempo que não se via um falcão por aqui”, afirma Boeri.
Mas ainda é cedo para avaliar a emoção provocada no homem. Foram vendidos 60% dos 113 apartamentos, a um valor médio equivalente a R$ 24 mil o metro quadrado) e ainda há poucas famílias vivendo no local, onda a taxa mensal de condomínio custa o equivalente a R$ 10 mil.
Modelo
No entanto, o modelo do Bosco Verticale pode ser adaptado às construções antigas e mais baratas. “Este projeto pode ser usado na reforma de outros prédios, a pesquisa e as soluções já foram feitas, e estamos trabalhando em complexos residencias sociais”, diz Boeri.
Ele espera que este tecnologia possa servir de impulso para que as novas construções sejam menos envidraçadas e mais esverdeadas.
O arquiteto defende a verticalização das cidades em contextos urbanos já desenvolvidos. “A ocupação de novas terras implica em maiores gastos com a infraestrutura de serviços. Temos que crescer em altura mas com equilíbrio. Prédios entre 80 e 200 metros, no máximo, com muito verde. O fluxo de pessoas nas cidades é potente, penso no Rio de Janeiro, em São Paulo. O Bosco Verticale é uma contribuição a um novo “relacionamento” entre a natureza e a arquitetura e o homem”, diz Boeri.
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Manifesto em Defesa do Programa Vitorioso nas Urnas, contra Joaquim Levy e Kátia Abreu



Assine aqui o Manifesto em Defesa do Programa Vitorioso nas Urnas

A campanha presidencial confrontou dois projetos para o país no segundo turno. À direita, alinhou-se 
o conjunto de forças favorável à inserção subordinada do país na rede global das grandes corporações, 
à expansão dos latifúndios sobre a pequena propriedade, florestas e áreas indígenas e à resolução de 
nosso problema fiscal não com crescimento econômico e impostos sobre os ricos, mas com o mergulho 
na recessão para facilitar o corte de salários, gastos sociais e direitos adquiridos.
A proposta vitoriosa unificou partidos e movimentos sociais favoráveis à participação popular nas 
decisões políticas, à soberania nacional e ao desenvolvimento econômico com redistribuição de renda e 
inclusão social.
A presidenta Dilma Rousseff ganhou mais uma chance nas urnas não porque cortejou as forças do 
rentismo e do atraso e sim porque movimentos sociais, sindicatos e milhares de militantes voluntários 
foram capazes de mostrar, corretamente, a ameaça de regressão com a vitória da oposição de direita.
A oposição não deu tréguas depois das eleições, buscando realizar um terceiro turno em que seu 
programa saísse vitorioso. Nosso papel histórico continua sendo o de derrotar esse programa, mas não 
queremos apenas eleger nossos representantes políticos por medo da alternativa.
No terceiro turno que está em jogo, a presidenta eleita parece levar mais em conta as forças cujo 
representante derrotou do que dialogar com as forças que a elegeram.
Os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da 
agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do 
problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de 
trabalhadores e comunidades indígenas.
As propostas de governo foram anunciadas claramente na campanha presidencial e apontaram para a 
ampliação dos direitos dos trabalhadores e não para a regressão social. A sociedade civil não pode ser 
surpreendida depois das eleições e tem o direito de participar ativamente na definição dos rumos do 
governo que elegeu.

Confira a lista com as primeiras adesões:

LUIZ GONZAGA BELLUZZO – FACAMP/UNICAMP
JOÃO PEDRO STÉDILE – MST
LAURA TAVARES SOARES – UFRJ
LEONARDO BOFF - Teólogo
JOAQUIM ERNESTO PALHARES – Jornalista
LAURINDO LEAL “LALO” FILHO – USP
PEDRO PAULO ZAHLUTH BASTOS – UNICAMP
ANDRE SINGER – USP
JOSÉ ARBEX JR – PUC/SP
IVANA JINKINGS – Diretora Editorial
IGOR FELIPPE – Jornalista
PAULO SALVADOR – Jornalista
ALTAMIRO BORGES – Militante Político
ROSA MARIA MARQUES (PUC-SP)
VALTER POMAR – Militante do PT
MST – Movimento Dos Trabalhadores Sem Terra
FORA DO EIXO
MÍDIA NINJA
REDE ECUMENICA DA JUVENTUDE (REJU)
CENTRO DE MÍDIA ALTERNATIVA BARÃO DE ITARARÉ
GILBERTO CERVINSKI – MAB – Movimento Dos Atingidos Por Barragens
WLADIMIR POMAR – Analista político e escritor
ANDREA LOPARIC – USP
BRENO ALTMAN – Jornalista
ALFREDO SAAD-FILHO (SOAS – UNIVERSIDADE DE LONDRES)
MARIA DE LOURDES MOLLO (UNB)
NIEMEYER ALMEIDA FILHO (UFU)
CARLOS PINKUSFELD (UFRJ)
MARCELO PRONI (UNICAMP)
PEDRO ESTEVAM SERRANO – PUC/SP
PEDRO ESTEVAM DA ROCHA POMAR – Jornalista
GENTIL CORAZZA (UFRGS)
RUBENS SAWAYA (PUC-SP)
PEDRO ROSSI (UNICAMP)
CONCEIÇÃO OLIVEIRA – Educadofra e blogueira
LUIZ CARLOS DE FREITAS – UNICAMP
LUCIO FLÁVIO RODRIGUES DE ALMEIDA – PUC-SP
CAIO NAVARRO DE TOLEDO – UNICAMP
MARIA A. MORAES SILVA – UFCAR E UNESP
JOYCE SOUZA – Jornalista
EDUARDO FERNANDES DE ARAUJO – UFPA
LUIZ CARLOS PINHEIRO MACHADO - UFRGS – UFSC – UFFS
ANA LAURA DOS REIS CORREA – UNB
MONICA GROSSI – UF de Juiz de Fora
DANIEL ARAUJO VALENÇA – UFERSA
MARCIO SOTELO FELIPPE – Advogado
DEBORA F. LERRER – CPDA/UFRRJ
HORACIO MARTINS DE CARVALHO – Militante Social
GERALDO PRADO – UFRJ
ANTONIO MACIEL BOTELHO MACHADO
JUAREZ TAVARES – UERJ
CLARISSE MEIRELES – Jornalista
HELOISA FERNANDES – Socióloga/SP
ARLETE MOYSÉS RODRIGUES – UNICAMP
HELOISA MARQUES GIMENEZ – UNB
FLAVIO WOLF AGUIAR – USP
FERNANDO MATTOS (UFF)
BRUNO DE CONTI (UNICAMP)
JOSÉ EDUARDO ROSELINO (UFSCAR)
ARIOVALDO DOS SANTOS – FEA/USP
LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE
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O PIG defende o indefensável: as pesquisas eleitorais


Isto era mentira.....E o Globope e o Datafalha que “acertaram” na Bahia e no RS ?

por : Paulo Nogueira


Pausa para gargalhar antes mesmo de começar.
Leio que a Associação Nacional dos Jornais, a ANJ, está inconformada com a possibilidade de que
seja aprovada uma emenda que proíbe a divulgação de pesquisas 15 dias antes do primeiro e do
segundo turnos.
A emenda deve ser votada ainda esta semana no Senado.
“É um retrocesso”, diz a nota.
A explicação para isso é hilariante. “A ANJ entende que as pesquisas têm sido um fator que contribui
para o debate político e para o esclarecimento do eleitorado.”
Um momento.
Que contribuição é essa?
Me vêm algumas cenas marcantes sobre pesquisas nestas últimas eleições.
A revista Época, do grupo Globo, por exemplo, divulgou com alarido, nas redes sociais, que tinha a
primeira pesquisa do segundo turno, quando se confrontavam, afinal, Dilma e Aécio.
E tinha mesmo. Só que era uma pesquisa que fazia exatamente o contrário do que afirma o ANJ:
jogava os leitores numa escuridão absoluta.
Nesta pesquisa da Época, feita pelo Instituto Paraná, Aécio aparecia com uma vantagem virtualmente
intransponível sobre Dilma, coisa de oito pontos porcentuais.
Aécio hoje estaria se preparando para subir a rampa do Planalto, com seu melhor terno e uma tintura
básica na cabeleira preservada com discreto implante, caso houvesse qualquer coisa de verossímel na
pesquisa que a Época anunciou triunfalmente.
Não havia.
Bem perto da eleição, no dia 24, a revista Isto É, como fizera a rival Época, também colocou Aécio na
presidência. Apoiada no Instituto Sensus, a Isto É deu 54,6% a 45,4% para Aécio.
Os decimais, imagino, se prestaram a dar aparência de realidade ao trabalho fantasioso da Sensus e da
Isto É.
Outro momento inesquecível no terreno das pesquisas se deu quando o próprio estatístico de um
instituto, o Veritás, admitiu que Aécio usara dados “não representativos” para afirmar que estava à
frente de Dilma em Minas – não apenas em um, mas em dois debates.
A sorte dos institutos é que a cada eleição as pessoas esquecem os erros grosseiros que cometeram na
anterior, ou por incompetência ou por má fé.
Fora os números com frequência tão enganadores, há também o uso que a mídia dá aos resultados.
Com que frequência colunistas como Merval Pereira não viram, aspas, em dados de Dilma sinais
inequívocos de um colapso iminente?
Isso não falar em coisas como dar manchete a uma pesquisa “amiga”, em que o candidato da casa
aparece bem, e esconder em algum canto uma pesquisa “desagradável”.
Não.
As pesquisas têm servido muito mais para manobrar os eleitores do que para esclarecê-los, ao contrário
do que diz a ANJ.
Num mundo menos imperfeito, em vez de as grandes empresas de mídia as defenderem sofregamente,
as pesquisas estariam sendo investigadas com rigor.
Muitos institutos cometeram crimes eleitorais.
Não à toa, um dos próximos projetos de crowdfundind do DCM é exatamente este: revelar o obscuro
universo das pesquisas eleitorais

O PIG E O ASSASSINATO DE REPUTAÇÔES


Humberto Costa abre sigilo bancário

Hoje o jornal Estadão traz como principal manchete de primeira página "Líder do PT recebeu R$ 1 mi
da Petrobras, diz ex-diretor". Refere-se às eleições de 2010, quando Humberto Costa, atual líder do PT 
no Senado, candidatou-se a senador.
Aí a gente lê a notícia é vê coisas absurdas, como "Paulo Roberto Costa afirmou que o dinheiro saiu da 
cota de 1% do PP". Ora, o PP não tinha nem suplente de Humberto Costa, e o candidato a governador 
foi do PSB, Eduardo Campos, então não tem a menor lógica o PP colocar azeitona na empada do PT 
na eleição para o Senado em Pernambuco.
Quem no PP que mandou? A reportagem nada diz.
Depois aparece outra pérola de mau jornalismo: "Ele [Paulo Roberto] não soube informar como 
ocorreu o repasse do dinheiro...".
Ora, se um delator ouviu o galo cantar e nem sabe aonde, o jornal tinha uma pauta para apurar se 
quisesse prosseguir no assunto, mas jamais publicar uma matéria para ser manchete de primeira página, 
assassinando a honra dos outros, em bases duvidosas.

Humberto Costa já foi acusado injustamente de envolvimento na Operação Vampiro, para 
abater sua candidatura a governador de Pernambuco em 2006. Depois que passou as eleições e 
ele perdeu devido ao desgaste na imagem, o Ministério Público Federal – autor da denúncia – 
concluiu que Humberto não estava envolvido no caso e pediu sua absolvição. O Tribunal 
Regional Federal da 5ª Região inocentou-o por unanimidade.

Agora fato semelhante se repete.

O senador emitiu a seguinte NOTA DE ESCLARECIMENTO:

Em relação à publicação do jornal O Estado de São Paulo deste domingo que relata supostas acusações do sr. Paulo Roberto Costa dirigidas a mim em delação premiada, afirmo que:

1. Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao Senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las;
2. Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto;
3. Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha;
4. Mais inverossímil ainda é a versão de que se o sr. Paulo Roberto não tivesse autorizado tal doação, correria o risco de ser demitido, como se eu, à época sem mandato e tão somente candidato a uma vaga ao Senado, tivesse poder de causar a demissão de um diretor da Petrobras;
5. Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido;
6. Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram;
7. Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010;
8. Tenho uma vida pública pautada pela honradez e seriedade, não respondendo a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados ao longo de minha vida pública;
9. Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos;
10. Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis;
11. Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Recife, 22 de novembro de 2014,

Humberto Costa
Senador da República
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Zavascki questiona Sérgio Moro sobre políticos citados na Lava Jato



Jornal GGN - Relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o Teori Zavascki 
encaminhou ao juiz Sergio Moro alguns questionamentos sobre a menção de congressistas que 
supostamente receberam dinheiro desviado da Petrobras no esquema investigado pela Polícia Federal.
O advogado Fabio Tofic Simantob, que defende Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, disse à 
Corte que a Polícia Federal tem conhecimento de que parlamentares mantinham relações com o doleiro 
Alberto Youssef desde setembro do ano passado. Sérgio Moro, entretanto, só reconheceu o fato após a 
operação ter sido deflagrada, em 17 de março deste ano.
Na visão de Simantob, a iniciativa de Moro visa impedir que o caso seja remetido ao Supremo – onde 
os deputados federais devem ser investigados, já que possuem foro privilegiado – e, assim, fuja do 
controle do juiz.
Os políticos que apareceram na apuração desde 2013 são os deputados André Vargas (sem partido, 
expulso do PT) e Luiz Argôlo (Solidariedade). Simantob citou ao STF dois fatos que poderiam 
comprovar sua tese. Segundo ele, a PF citou o número do telefone de Argôlo em relatório de setembro 
de 2013, e também apurou que houve entrega de R$ 120 mil ao chefe de gabinete do deputado 
naquele mesmo ano.
A Folha de S. Paulo, ao noticiar o requerimento de Zavascki, informou que procurou Moro para tratar 
do assunto, mas ele não quis se pronunciar. O juiz já foi questionado anteriormente sobre a suposta 
proibição que impõe aos investigados na Lava Jato, sobre não citar parlamentares em seus 
depoimentos, e disse que faz isso para preservar a “autoridade do Supremo” e porque a Operação não 
se limita à corrupção envolvendo políticos.
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DIFERENÇAS ENTRE MILITONTOS E MILITANTES PRÓ-DILMA



por Breno Altman


O militonto recebe as decisões da presidente da República e não admite qualquer crítica. Quem ousar 
fazê-lo, é aliado objetivo da direita.
O militante não vacila em apoiar o governo e defender a presidente, especialmente diante da escalada 
reacionária. Mas não abdica do direito e do dever de pensar com a própria cabeça, criticando o que lhe 
parece errado na estratégia adotada e concebendo essa atitude como indispensável na ação política.
O militonto tudo explica e justifica através de um pacote fechado e imutável: a correlação de forças no 
parlamento. Serve como uma espécie de álibi para defender o governo de qualquer crítica por adotar 
políticas conciliatórias, mesmo as que podem ser um tiro no pé.
O militante encara com seriedade a tal correlação de forças, mas com o objetivo de alterá-la a favor da 
esquerda. Sabe que negociações e composições são inevitáveis, necessárias, mas deseja forçá-las ao 
limite.
O militonto ficou acostumado a pensar correlação de forças apenas ou principalmente como uma 
questão institucional, parlamentar. A mobilização social e a luta de massas não entram de verdade em 
seu cálculos como hipótese para pressionar as instituições desde seu exterior.
O militante não descuida da governabilidade institucional. Mas aprendeu, nesses doze anos e várias 
crises, que também é imprescindível a construção de governabilidade social. Sabe, a propósito, que as 
maiorias parlamentares de orientação progressista somente foram formadas, na história do Brasil, 
quando o povo organizado e mobilizado obrigou o Parlamento a dançar sua música.
O militonto costuma achar que divide a esquerda quem entra em desacordo com ações do governo. 
Não admite que, às vezes, pode ser o governo quem divida a esquerda com suas ações.
O militante quer a unidade da esquerda e das forças progressistas. Mas acha que a pedra angular desse 
processo vai além de apoiar ou não o governo: depende de um programa unificador e de uma estratégia 
de coalizão do campo popular.
O militonto acha que o passado fornece crédito infinito, no presente e no futuro. Por tudo o que foi 
feito, e definitivamente não é pouco, o governo deveria ser defendido incondicionalmente e qualquer 
crítica seria descabida por princípio.
O militante reivindica os enormes avanços promovidos pelo governo e se mobiliza para defendê-los, 
mas não acha que o passado basta para garantir o presente e o futuro, que devem ser discutidos sempre 
com espírito crítico e aberto.
O militonto é superlativo e hiperbólico em relação aos líderes do governo e do partido. Sua frase 
estruturante: “eles sabem o que fazem…”
O militante respeita e admira os chefes históricos da esquerda, mas a vida já ensinou que também são 
passíveis de erros e confusões. Considera, portanto, que os instrumentos coletivos são mais 
qualificados que as clarividências individuais e esses só podem ser construídos pelo debate franco e 
desabrido de todos os temas.
O militonto é governista e acha que isso basta para resolver todos os problemas.
O militante defende o governo contra a direita, mas busca ser um revolucionário, um lutador social, 
para quem governar é apenas parte, ainda que imprescindível, de um processo estratégico mais amplo, 
o da transformação do país.
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Mujica: México é um 'Estado falido' onde vida humana 'vale menos que a de um cachorro'

 
Muijica concedeu a entrevista na chácara onde mora em Montevidéu

O presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, afirmou que a impressão que tem é de que o México é 
uma espécie de “Estado falido”. As declarações foram dadas em referência à crise vivenciada no país 
após o desaparecimento dos 43 estudantes da escola de Ayotzinapa, que ocorreu na cidade de Iguala, 
estado de Guerrero em outubro. De acordo com o mandatário, a vida humana no país “vale menos do 
que a de um cachorro” e situação é pior do que a vivenciada em uma ditadura, “que pelo menos tem 
enfoque político”, sendo que neste caso, trata-se somente de “corrupção” e “dinheiro”.
A entrevista foi realizada na sexta-feira (21/11) pela revista Foreign Affairs e divulgada neste domingo 
(23/11) pelos jornais mexicanos. Questionado sobre como se sentia tendo ele “vivenciado na própria 
pele a repressão política”, já que durante a ditadura militar uruguaia, Mujica ficou 14 anos preso, diante 
dos recentes acontecimentos no México, o presidente disse parecer que os poderes públicos estão 
“perdidos” e “totalmente fora de controle” no país norte-americano.
Quase dois meses depois do desaparecimento dos jovens, nenhuma resposta considerada satisfatória 
pela sociedade foi dada. O que tem motivado uma série de protestos em todo o país.
Na avaliação do ex-guerrilheiro tupamaro, a situação mexicana é “pior do que uma ditadura” porque 
nas ditaduras, mesmo “sendo ferozes, pelo menos há um enfoque que pretende ser político”. Mas no 
país o que se vê “é corrupção, isso é um negócio, é dinheiro”, ressaltou.
Para Mujica, as pessoas boas do México devem esclarecer o assunto “caia quem cair, doa a quem doer 
e tenha a consequência que tiver”. Ele mencionou ainda as diversas valas comuns, onde foram 
enterrados diversos indigentes, encontradas na cidade de Iguala, onde sumiram os estudantes: “quer 
dizer que há mortos que não foram sequer reclamados. Então a vida humana vale menos que a de um 
cachorro. É muito doloroso ver o México”, disse.
De acordo com o mandatário uruguaio, apesar de ser um problema mexicano, a questão atingiu um 
nível que “ultrapassa o México”, sendo, por isso, “um problema de toda a humanidade”. Para ele, esse 
tipo de coisa não deveria ser permitida no mundo de hoje. “porque a civilização, que temos tem 
muitíssimos defeitos, mas o progresso e a marcha dessa civilização não têm que atar as mãos, essas 
coisas não podem ocorrer nos dias de hoje”.


Manifestante faz referência à declaração de Jesús Karam de que estaria cansado da insistência 
de repórteres em torno do tema.

Entenda o caso

No dia 7 de novembro, tal como era esperado pelas famílias dos 43 estudantes, o procurador-geral do 
México, Jesús Murillo Karam, anunciou que todos os jovens estão mortos e que os corpos foram 
queimados e os restos, jogados em um rio. A informação dada por presos acusados pelo 
desaparecimento, longe de encerrar o caso, fortaleceu a onda de protestos no país.
A maior delas, considerada histórica no país, ocorreu na última quinta-feira (20/11), quando se 
comemorou o aniversário de 104 anos da Revolução Mexicana. Durante o ato, familiares dos jovens 
denunciaram que as valas comuns e o desaparecimento forçado de pessoas são uma realidade em todo 
o país. Para a Anistia Internacional, a situação revela que o México vive uma “crise humanitária”.
Apesar do caráter pacífico dos protestos, atos de violência foram registrados pontualmente e motivaram 
uma resposta ofensiva por parte da polícia. Senadores do PRD (Partido da Revolução Democrática) e 
do PT (Partido do Trabalho) e o presidente do Morena (Movimento de Regeneração Nacional) 
Em entrevista a Opera Mundi, ex-agentes do Estado mexicano afirmaram que o presidente Enrique 
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FHC acha “razoável” aposentadoria de R$ 22 mil


Ele que chamou aposentado de “vagabundo”

Na FalhaEX-PRESIDENTE FHC DIZ RECEBER SALÁRIO ‘RAZOÁVEL’ COMO 
PROFESSOR NA USP

Após seminário na manhã desta segunda-feira (24) na Universidade de São Paulo, o ex-presidente 
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) comentou a publicação dos salários pela instituição, da qual é 
professor catedrático.
FHC disse crer que a disparidade é “grande em função de decisões judiciais, mas não de 
discricionariedade”. Ele afirmou que só recebe vencimentos da USP, no valor de R$ 22.151, e não 
como ex-presidente da República.
“Todo mundo reclama de salário, que é baixo. Acho o meu razoável. Comparado com o que se ganha 
no setor privado, aí significa muito, porque a aposentadoria do INSS é muito baixa. Não é a USP que é 
alta, o outro [INSS] que é baixo.”

Requião: Regular a mídia é medida sanitária, “de emergência pública”



Discurso do senador Roberto Requião, 

Vi o Mundo

Há nesta Casa senadoras e senadores que são radicalmente contra qualquer tipo de regulação da mídia.
A justificativa é sempre a mesma: a defesa da liberdade de imprensa. Mas, respondam-me. A propriedade cruzada de meios de comunicação, isto é, o fato de o mesmo grupo empresarial controlar jornais, revistas, rádios, televisões, internet não favorece a monopolização da informação e o consequente manejo de opinião?
Não terá sido por isso que países com instituições sólidas e uma longuíssima estabilidade democrática, como Estados Unidos e Inglaterra, proíbem a propriedade cruzada de meios de comunicação?
A inexistência de qualquer mecanismo que permita ao cidadão o direito de resposta, no caso de notícia mentirosa, injuriosa, ofensiva não significa uma grave ofensa à liberdade de informação e às liberdades individuais?
A unificação e centralização das programações, especialmente nas televisões e no rádio, impostas pelas emissoras que detém o monopólio dessas mídias, cerceando as manifestações culturais regionais, nesse Brasil tão imenso e diverso, não são, igualmente, formas de censura e discriminação e até mesmo preconceito?
A ideologização e partidarização das informações, e a autocensura, que tornam as notícias tendenciosas, cegas, enviesadas não são um gravíssimo atentado à liberdade de informação e ao direito do cidadão de conhecer a verdade dos fatos?
Os dois pesos e as duas medidas usados pelos veículos de comunicação das cinco famílias que monopolizam o setor, na campanha eleitoral deste ano, quer na campanha presidencial quer nas campanhas regionais, não são a prova mais barulhenta do propósito de manipular a opinião pública?
Os gráficos produzidos por observatórios de mídia independentes, durante as eleições presidenciais, avaliando os conteúdos veiculados pelas organizações Globo, Abril, Folha, Estadão, principalmente, não deixam a mais fugaz, fugidia dúvida da parcialidade da cobertura desses veículos.
Ninguém, nenhum jornalista, nenhum parlamentar, nenhum juiz, nenhum promotor, nenhum acadêmico, qualquer cidadão minimamente isento e honesto, confrontado com ao gráficos, deixará de atestar essa parcialidade.
Nada contra. Afinal o parti pris desses veículos é bem conhecido, o que os pressiona a assumir posições indisfarçadas.
O que não é honesto, o que soa cínico, zombeteiro, debochado e hipócrita são as profissões de fé de praticantes de um jornalismo isento, equilibrado e aquele truísmo todo.
Melhor fosse que assumissem limpidamente apoio às candidaturas conservadoras, pelas quais torcem e distorcem. Seria mais digno, mais decente, do que ficarem brandindo indevidamente a bandeira da liberdade de imprensa, cada vez que se aponte a sua nudez, as suas vergonhas expostas.
O caso da capa de “Veja”, a dois dias do segundo turno, é exemplar. E houve até estranhamento entre veículos da dita grande imprensa, com um acusando o outro de frouxo, pusilânime por não repercutir a intrujice.Mas todos, de uma forma ou outra ecoaram a mentira.
Vejam só o que disse o procurador geral Janot sobre o episódio à Folha de S. Paulo: “Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”.
A Folha, que gostaria que a Globo fosse a fundo na divulgação da mentira de “Veja”, nem ficou corada ao reproduzir, semanas depois, as declarações do procurador.
Já outros veículos, da sagrada e seleta família, não se deram à ocupação de repercutir a gravíssima acusação de Janot.
A prisão de empreiteiros, acusados de vínculos com os desvios na Petrobrás, deu azo a outras manifestações de parcialidade, de partidarismo de nossa mídia.
Mesmo que o ex-ministro tenha negado fortemente, a grande família mediática vinculou um dos diretores da Petrobrás preso a José Dirceu.
E classificou o indigitado de “engenheiro mediano”, para desqualificar ainda mais o suposto padrinho.
Ao noticiar o montante da contribuição das empreiteiras às campanhas eleitorais, porque a bufunfa, o capilé envolvia outros partidos, além dos dois enlameados de sempre, o PT e o PMDB, a mídia não citou qualquer partido. Foi isenta.
É assim, selecionando os fatos e a verdade dos fatos que organizações Globo, Abril, Folha e Estadão, com seus fortes parceiros regionais no Sul, em Minas, no Norte e no Nordeste moldam a opinião pública.
Os clássicos mapas, partindo o país em vermelho e azul, como se o Norte, o Nordeste, Minas e Rio houvessem votado em peso em Dilma e o restante do país houvesse votado cem por cento em Aécio estimularam o ódio, o preconceito, o separatismo, o racismo e uivos fascistas.
E vociferações de um lacerdismo serôdio, adjetivo tão fora de moda que uso em homenagem aos eternos vigilantes, sempre à espreita de um golpe que os redima do fracasso das urnas.
A desclassificação especialmente dos nordestinos, diminuindo-lhes o peso do voto, um ensaio patético de reinstituição do voto censitário, tem o mesmo sentido da campanha conservadora que pretendia anular a vitória de Juscelino Kubitschek, em 1955. Campanha, vê-se, a que aderiu a nossa mídia isenta, democrática e patriótica, sempre a serviço do Brasil.
Naquela eleição, Juscelino teve três milhões e setenta e sete mil votos; Juarez Távora, dois milhões e seiscentos mil votos. A diferença entre os dois foi de quatrocentos e sessenta mil votos. Foi essa diferença que animou Carlos Lacerda e a UDN a lançar a cruzada pela anulação da vitória de JK. Os udenistas argumentavam que os quase 500 mil votos que derrotaram Juarez Távora foram dados pelos comunistas, e como o Partido Comunista Brasileiro fora colocado na ilegalidade, os votos dos comunistas deveriam ser também cassados.
Mas como eles chegaram a esse cálculo se o voto era secreto? Comp distinguir os votos dos comunistas de outros votantes?
Elementar, diziam os udenistas. Nas eleições presidenciais de 1945, dez anos antes, quando o PCB era legal, o candidato dos comunistas, o gaúcho Yedo Fiuza, tivera 569 mil votos.
Ora, dez anos depois, era de se crer que todos os quase 500 mil votos que deram a vitória a Juscelino eram votos comunistas, já que Prestes orientara o voto em JK.
Tão simples assim, diziam os golpistas democráticos. Da mesma forma, hoje, 59 anos depois, com os seus mapas dicotômicos e desonestos, de um primarismo monstruoso, a mídia e os conservadores colocam em xeque, questionam a legitimidade da reeleição da presidente Dilma, por causa dos votos dos nordestinos, dos mais pobres, dos menos instruídos.
Já que o Brasil desenvolvido e mais instruído teria votado majoritariamente em Aécio, como disseram por aí e por aqui também, a reeleição não valeu. Aliás, nem isso é verdadeiro, uma vez que Dilma teve mais votos no Sul e no Sudeste que no Norte e no Nordeste.
Logo, o mapa dicotômico da mídia é uma fraude.Temos, assim, agora, a reprodução farsesca da tentativa de golpe udeno-lacerdista de seis décadas passadas.
De um lado, a mídia ecoa fortemente toda manifestação de inconformidade com a reeleição da presidente. Basta que duas pessoas se reúnam para exibir cartazes pedindo o impedimento da presidente, para que essa massiva demonstração ganhe as cabeças dos noticiários.
Ao mesmo tempo, exige que a presidente escolha “nomes do mercado” para a Fazenda e o Banco Central.
Perderam a eleição, a mídia e a oposição perderam a eleição, mas cobram que a vencedora adote programa do derrotado. E nem ficam constrangidos com tamanha desfaçatez. Afinal, julgam-se domos do país, reservas morais da nacionalidade.
A regulação da mídia é imprescindível para a preservação, a consolidação e o avanço da democracia. Porque a grande mídia empresarial é intrinsecamente golpista, geneticamente antidemocrática, arraigadamente elitista.
A regulação da mídia é condição inescusável para se garantir a soberania nacional. Porque os grupos que monopolizam a mídia são entreguistas e, historicamente, se opõem aos interesses nacionais, servindo de cabeça de ponte para o avanço imperial sobre a nossa economia, sobre os nossos recursos naturais, sobre as nossas riquezas, sobre o mercado interno, sobre as nossas relações externas.
Os mais velhos devem se lembrar que, segundo a mídia, o Brasil não tinha petróleo.
Agora mesmo, em voz casada os setores mais dependentes e integrados aos interesses multinacionais de nossa burguesia industrial, financeira e agrária, a mídia ergue as bandeiras antiMercosul, anti-Brics, pró-acordos bilaterais com os Estados Unidos e União Européia, pela ressurreição da Alca, da Teoria da Dependência, da Doutrina Truman, sabe-se lá que passo atrás mais.
A regulação da mídia é vital como a água à terra, como o oxigênio à vida. Porque a mídia monopolista é parte integrante de nossas elites econômicas, políticas, sociais, culturais. E as nossas elites fracassaram miseravelmente na construção de um país desenvolvido, pacífico, culto, justo e solidário.
Porque a mídia monopolista é conivente, quando não cúmplice, com o preconceito, o racismo, a discriminação, a violência contra os trabalhadores, contra os negros, os pardos, os pobres, contra os índios.
Porque a mídia monopolista é indiferente, quando não conluiada com a violência que abate, anualmente, mais de cem mil brasileiros, vítimas da repressão policial, da insegurança urbana e rural, do tráfico de drogas e do crime organizado. Dos acidentes de trabalho, dos atropelamentos no trânsito.
Porque as policias brasileiras estão entre as mais letais do mundo, e a mídia empresarial e monopolista estimula e afiança essa violência à medida que não a investiga, não a denuncia e não a combata. E, com frequência, a enalteça, contribuindo para apertar o gatilho dos executores.
A regulação da mídia é urgente e obrigatória porque a mídia monopolista e empresarial colabora e associa-se com a política de concentração de rendas que faz do Brasil um dos países mais desiguais e injustos do Planeta Terra.
Porque o imposto sobre fortunas, corriqueiro nos países mais desenvolvidos, tem da parte da mídia uma oposição fundamentalista e até mesmo rancorosa. Porque a inexistência desse imposto favorece ainda mais a concentração de rendas e o acúmulo de fortunas fantásticas, e relaciona alguns detentores de concessões públicas de televisão e rádio, como os irmãos Marinho, entre os bilionários mundiais.
A regulação da mídia é uma medida sanitária, de emergência pública.
Porque a mídia é omissa em relação à sonegação e às fraudes fiscais – quando não a pratica– e acoberta que os super-ricos brasileiros têm a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais. São mais de um trilhão de reais, cerca um terço de nosso PIB, esse mesmo PIB cuja anemia nos últimos anos a mídia, a oposição e a nossa indignada burguesia tanto tem criticado.
O país campeão em concentração de rendas, onde se alarga cada vez mais a distância entre ricos e pobres, é o país que está no G4 das maiores fortunas depositadas em paraísos fiscais. A regulação da mídia é uma medida anticorrupção, porque as denúncias de corrupção que a mídia monopolista faz são seletivas, parciais, incompletas, dirigidas.
Ou não é corrupção as manobras de que a mídia e os bancos se utilizam para sonegar impostos, fraudar o fisco, não pagar imposto sobre a renda ou pagar menos imposto de renda que os assalariados?
Tão ciosa em escarafunchar as fichas sujas de pequenos e médios delinquentes políticos, a mídia não se ocupa em escarafunchar a origem e a propriedade desse mais de um trilhão de reais refugiados em paraísos fiscais. Difícil investigar?
Não. Incômodo? Certamente. À moda norte-americana, alguns veículos passaram a divulgar o tal do “impostômetro”, uma medição presumida de quanto o Estado arrecada. Mas nenhum espaço para a medição, também suposta, da sonegação.
E já que adotamos a moda ianque, deveríamos também adotar a rigorosíssima a legislação norte-americana contra a sonegação.
A regulação da mídia é um ato de defesa do trabalho, do emprego e do salário. Porque a mídia monopolista defende, com radicalismo cada vez maior, o ponto de vista do mercado, do capital financeiro, da elite econômica que prega a adoção de medidas contracionistas que levarão ao desemprego, ao arrocho salarial, ao corte de gastos sociais, à diminuição dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
A fúria com que a mídia monopolista reagiu à decisão do governo de reduzir os gastos com juros da dívida pública, redimensionando essa excrescência liberal chamada de superávit primário, é reveladora de seu compromisso com o capital financeiro, com os rentistas, e não com os brasileiros.
Senhores e senhores senadores, a mídia monopolista é a quinta coluna dos interesses antinacionais, antidemocráticos, antipopulares.Regular a mídia é salvar o país do atraso, da pobreza, da violência, da desindustrialização, da dependência da exportação de produtos primários, do sangramento da remessa de lucros para o exterior, do esgotamento de seus recursos naturais, da destruição do Estado que zele pelo bem-estar social. Porque a mídia monopolista não está a serviço do Brasil.
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Senador Jorge Viana quer a cabeça do zé da Justiça


Acorda, PT, acorda !!!

VAZAMENTOS SELETIVOS NO CASO PETROBRAS

Vice-presidente do Senado, o petista pediu que ministro da Justiça seja ‘forte’


BRASÍLIA – O vice-presidente do Senado, senador Jorge Viana (PT-AC), cobrou do ministro da 
Justiça, José Eduardo Cardozo, uma atitude para tentar coibir o que chamou de “vazamentos seletivos” 
de informações obtidas nos depoimentos do processo de delação premiada. Viana disse que o ministro 
precisa “agir”, quando comentava as denúncias em relação ao líder do PT no Senado, Humberto Costa 
(PT-PE), que teria sido apontado como beneficiário do esquema na Petrobras, conforme declarações 
atribuídas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal e que participa do processo de delação premiada.
— O ministro da Justiça precisa agir. Numa hora dessa, a gente tem que ter um ministro da Justiça 
forte, que não aceite esse tipo de manipulação de um processo de tão importante. Ninguém sabe quem 
denunciou, ninguém confirma, se destrói primeiro a honra da pessoa e sai um pedido de desculpa. Isso 
é péssimo. Não podemos aceitar. A Policia Federal tem que tratar isso com mais seriedade— disse 
Jorge Viana.
Para Jorge Viana, o vazamento de informações direcionadas e a “manipulação política” atrapalham o 
processo de investigação. Ele disse que não estava criticando a Polícia Federal e sim a atuação de 
alguns delegados, que vazariam informações e que isso deveria ser coibido.
(…)
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Toffoli se aliou a Gilmar numa trama golpista?


Teoria conspiratória?

por : Paulo Nogueira


Só o Sombra sabe o que se passa no coração dos homens, dizia uma antiga história em quadrinhos.
Isto posto, fora o Sombra, ninguém tem condições de dizer o que se passa no coração de Dias Toffoli, do STF – exceto ele mesmo, naturalmente.
Essa questão ganhou vulto nas últimas semanas, depois que Toffoli foi colocado no centro de uma alegada conspiração para derrubar Dilma no tapetão.
O maior propagador dessa tese é o jornalista Luiz Nassif, segundo quem Toffoli estaria aliado a Gilmar Mendes e a Sergio Moro, o responsável pela operação Lava Jato.
Respeito e admiro Nassif, em quem reconheço um pioneirismo no jornalismo digital alternativo à grande mídia, mas não consigo ver sentido nessa suposta conspiração.
Gilmar é Gilmar, um juiz que se guia por intensa raiva do PT, mas Toffoli parece ser de outra natureza.
Colunistas conservadores sempre o criticaram por conta de antigos laços com o PT, embora ele tenha tido mão pesada, como todo o STF no conjunto, no julgamento do Mensalão.
Toffoli, que além de pertencer ao Supremo é presidente do TSE, foi incluído no suposto complô por causa de sua atitude na questão das contas de Dilma.
O exame das contas estava entregue a um juiz do TSE que se aposentou. A substituição poderia ter sido acompanhada por Dilma, mas ela viajou para a Austrália para a reunião do G-20.
Toffoli não esperou que Dilma voltasse, e sorteou um novo relator para examinar as contas. Deu Gilmar, que como Toffoli acumula o Supremo e o TSE.
É verdade que foi um tremendo azar: Gilmar, é claro, fará tudo para enxergar problemas graves nas contas de Dilma.
Mas, concretamente, do que pode ser acusado Toffoli? Em essência, ele cumpriu sua obrigação no TSE. Apenas não esperou Dilma.
Mas por que haveria de esperar? Por motivações políticas? Um momento: ele está no TSE e no Supremo para fazer política ou para fazer — ou ao menos tentar fazer — justiça?
Para aceitar a tese da conspiração golpista, você tem que supor que o sorteio foi forjado, e aí o roteiro sugere muito mais ficção do que realidade.
É virtualmente impossível imaginar Toffoli e Gilmar juntos em qualquer coisa que fuja das atividades em comum que têm no Supremo.
Agora mesmo: Toffoli tem defendido vigorosamente o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, e Gilmar está do lado oposto.
Há meses Gilmar segura uma emenda que trata exatamente desse assunto.
De resto, a tese do golpe fraqueja também no seguinte. Gilmar é apenas um voto entre sete integrantes do TSE.
Ainda que ele crie problemas, faltariam mais três votos para reprovar as contas.
Não parece haver clima para golpe jurídico de nenhuma natureza. Até porque o Supremo, por onde o processo teria forçosamente que passar, tem o comando sereno e equilibrado de Lewandowski, um juiz que nada tem da inconsequência perigosa de Joaquim Barbosa.
As especulações em torno de Toffoli parecem estar ligadas sobretudo à polarização que divide o país e pode criar fantasmas do que a qualquer outra coisa.
Só o Sombra sabe o que se passa no coração dos homens, repito.
Mas, dada esta ressalva, Toffoli não está fazendo nada além de cumprir suas obrigações de presidente do TSE.
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Coimbra: FHC puxou o coro do Golpe!


A oposição à direita reage de forma arcaica ao resultado da eleição. Mistura preconceitos e 
invencionices jurídicas.

A DEMOCRACIA EM RISCO

Por Marcos Coimbra, na Carta Capital

O ano de 2014 caminha para terminar de forma preocupante na política. Não era para ser assim. Há menos de um mês, realizamos uma eleição geral na qual a população escolheu o presidente da República, os governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, um terço do Senado, a totalidade da Câmara dos Deputados e das Assembleias estaduais.
Mesmo em democracias consolidadas, momentos como aquele, em que todos são convocados a participar diretamente das grandes escolhas de um país, são esporádicos e precisam ser respeitados e valorizados. As eleições não são situações triviais, cujos resultados podem ser ignorados ou questionados por qualquer um, no dia seguinte. São solenes.
Por isso, é comum que o clima político se desanuvie depois de uma disputa eleitoral. Que cesse o embate entre os partidos e correntes de opinião e a sociedade tenha ambiente para meditar a respeito do pronunciamento dos cidadãos, para avaliá-lo e com ele aprender.
No Brasil, a normalidade democrática sempre foi exceção. O período atual, iniciado há não mais de 25 anos, já é o mais longo sem rupturas ditatoriais ou colapsos institucionais. A eleição geral de 2014 foi apenas a sétima em sequência, mas é feito inédito em nossa história.
E foi uma bela eleição. Quase 120 milhões de eleitores compareceram às urnas e depositaram seu voto em paz. Ninguém se queixou de haver sido coagido. Não houve irregularidades. Foi rápida e segura. E contemporânea em relação ao que de melhor existe em termos de transparência, lisura e correção nos processos eleitorais.
Em quase tudo, o Brasil mostrou-se capaz de igualar ou superar as mais sólidas democracias na capacidade de fazer eleições legítimas. Menos no comportamento de parte das oposições à direita. Ao contrário do eleitorado e das instituições, reagiram de forma arcaica e atrasada aos resultados.
Desde a hora em que ficou clara a derrota, insurgiram-se. Seu inconformismo em aceitar o simples fato de não contarem com o apoio da maioria da sociedade o levou a posições descabidas.
O primeiro sinal de sua inaptidão para o convívio democrático partiu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em declaração que deveria envergonhar alguém com sua biografia, colocou em dúvida a reeleição da presidenta Dilma Rousseff pela desqualificação daqueles que nela teriam votado. Valeu-se dos mais antiquados e reacionários preconceitos contra pobres e nordestinos (como se ele próprio não tivesse ficado muito feliz em receber o voto desses eleitores nas eleições nas quais disputou).
A seguir, o lastimável episódio da solicitação feita pela campanha tucana à Justiça Eleitoral de uma “auditoria” dos resultados da eleição (algo que a legislação nem sequer admite). No fundo, apenas outra forma de expressar a rezinga de FHC.
O terceiro passo do esforço de desqualificar a vitória de Dilma foi matemático, como se a legitimidade de uma eleição decorresse de alguma contabilidade. Como se alcançar frente maior ou menor fosse relevante, em qualquer lugar do mundo, para admitir ou arguir um resultado eleitoral.
Essa mistura canhestra de preconceitos, invencionices jurídicas e péssima aritmética seria apenas cômica se não fosse trágica. Se não tivesse o apoio da mídia hegemônica conservadora e se não tivesse contraparte na ação de segmentos autoritários espalhados na sociedade e incrustada em nichos da máquina pública, em especial no Judiciário e no Ministério Público.
Mundo afora, existem e procuram impor-se correntes de opinião antidemocráticas e intolerantes. Neonazistas assombram a Europa, os Estados Unidos não conseguem se livrardos supremacistas brancos, em muitos lugares o antissemitismo permanece vivo e perigoso. Lamentavelmente, o Brasil tem radicais de extrema-direita, a espalhar seus ódios e preconceitos. Um anticomunismo ridículo e a saudade da ditadura os identificam. Agora se acham no direito de questionar a eleição.
O PSDB precisa refletir a respeito de quem pretende representar. Fazer o têm feito e falar o que têm falado algumas de suas lideranças apenas serve para açular os ultraconservadores.
O paradoxo é que vêm de São Paulo os sinais de juízo e moderação tucanos. Na seção mineira, tradicionalmente conciliadora, vigora a disposição de botar lenha na fogueira.
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AECIOPORTO: Por que o governo de Minas transferiu aeroporto de Claudio para a prefeitura?



Por: Miguel do Rosário

Leio no noticiário de hoje que o governador de Minas Gerais, Alberto Coelho, decidiu, no apagar das luzes de sua gestão, transferir a administração do aeroporto de Claudio, no interior do estado, para a prefeitura.
Antes, estava sob controle do governo estadual.
Por que Coelho fez isso?
A imprensa brasileira, notoriamente tucana, não irá perguntar. Então as redes sociais terão obrigação de fazê-lo.
A razão seria a transferência de documentos, antes em poder do governo do estado, que em breve cairá em mãos do PT, para a prefeitura de Claudio, administrada por um partido (por enquanto) aliado a Aécio Neves, o PRTB?
Como se sabe, o aeroporto de Claudio tornou-se famoso nacionalmente após a revelação de que Aécio Neves, então governador, o construíra em terras de seu tio-avô, e que as chaves do mesmo ficavam em poder de sua família. O próprio Aécio tinha fazenda lá, a seis quilômetros do aeroporto.
Após algumas semanas de silêncio constrangido, Aécio confessa que usou ilegalmente o aeroporto “algumas poucas vezes” (metáfora engraçada para dizer que usou muito). Ilegalmente porque o aeroporto, mesmo após anos, ainda não foi homologado pela Anac. É proibido usá-lo.
O então candidato justificou a construção do aeroporto dizendo que Claudio era um importante centro industrial, o que é uma mentira deslavada.
E mesmo que fosse verdade, porque o governo não se empenhou então para legalizar o aeroporto?
A verdade é que a situação era confortável para Aécio, que usava o aeroporto como se fosse particular, apenas para passar finais de semana em sua fazenda na cidade.
Claudio, aliás, trouxe outras novidades para a campanha.
Logo após as denúncias, houve um estranho incêndio na prefeitura da cidade.
Ao final de 2013, a polícia de Minas estourou um centro de refino de cocaína na cidade.
E ainda temos algumas não totalmente explicadas conexões desagradáveis entre um primo de Aécio e traficantes de drogas.
A atriz Tassia Camargo encontrou – e o divulgou nas redes – um documento da polícia mineira, que descreve a descoberta de ossada humana no município de Claudio, em propriedade do senador.
Há também os depoimentos do policial civil Lucas Gomes Arcanjo, que faz acusações gravíssimas ao ex-governador Aécio Neves.
Só que esta “delação”, pelo jeito, não interessa à nossa imprensa.
Apenas durante a campanha, pressionada pelas redes sociais, a mídia se viu obrigada a fazer perguntas a Aécio Neves.
Finda as eleições, o assunto é enterrado.
Já com tudo relacionado ao PT, o fim da campanha apenas exacerbou a curiosidade da mídia.
Esse jogo de dois pesos e duas medidas já ficou descarado demais.
O próximo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, já disse que não jogará nada para embaixo do tapete.
Muitas novidades, portanto, poderão vir das belas e frias montanhas de Minas.
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