quinta-feira, 31 de julho de 2008

CHORORÓ

É preciso saber ler o noticiário econômico. Se o leitor ouvir o tal de Olavo Neves da ACES, vai achar moleza uma série de declarações de lideranças empresariais reclamando da economia e expressando grande preocupação com a "crise".
Em várias dessas declarações, os empresários dizem que "já estão sentindo de novo" os efeitos do aperto econômico.
Olavo só fala isso desde sempre.
Bem, não é o que mostram as estatísticas dos próprios empresários. O mesmo vale para o comércio, que chora todas as pitangas e quando o leitor vai ver, a notícia é que a venda dos supermercados aumentou espantosos 8,7%.
Essa gente faz lembrar o velho ditado: quem não chora não mama...

CONVERSA AFIADA

GOVERNADORA DO PARÁ: É DIFÍCIL OS 509 MIL HECTARES DE TERRAS DE DANTAS SEREM LEGAIS

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira, dia 31, que o Governo do Pará investiga a legalidade das terras de Daniel Dantas no Estado. Ana Júlia Carepa disse que acha difícil que os 509 mil hectares de terras – o equivalente ao território do Distrito Federal – que Dantas tem no Pará sejam legais.

“É difícil dizer que 500 mil hectares, essas terras sejam todas legais, que os títulos sejam todos legais. Nós estamos fazendo essa investigação, na verdade, desde o início do ano, desde o ano passado até. Independente da situação que está ocorrendo, nós estamos atuando em relação à licença ambiental e também à regularidade da área, a legalidade dela”, disse a governadora Ana Júlia Carepa.

No último dia 25 o MST ocupou a área chamada fazenda Maria Bonita, que pertence ao grupo de Daniel Dantas, no Pará. A fazenda Maria Bonita é um nome fantasia e essa área faz parte, na verdade, do Complexo Castanhal. A governadora Ana Júlia Carepa disse que essas terras eram áreas de aforamento, destinadas para exploração de castanha e, por isso, não poderiam ser vendidas a Daniel Dantas.

“Por isso mesmo é que o Estado está exigindo o licenciamento ambiental e fazendo uma análise se ele realmente poderia ter essa área... Ele não pode dizer realmente que essa área é legal... Se cedeu uma área por aforamento para as pessoas fazerem a exploração da castanha”, disse Ana Júlia Carepa.

A governadora Ana Júlia Carepa disse que se for comprovado que as terras de Dantas no Pará são ilegais, o Estado vai cumprir seu papel e retomá-las para uso em Reforma Agrária. “Existe uma possibilidade de esses títulos não serem legais, serem ilegais. E se forem ilegais, o Estado vai cumprir o seu papel e vai retomar as terras para o Estado”, disse Ana Júlia Carepa.

CONVERSA AFIADA

POR QUE PROCURADORA DIZ QUE MENDES DÁ HC A RICO

Por Paulo Henrique Amorim

A Procuradora da República em São Paulo Ana Lucia Amaral fez um levantamento sobre um conjunto de habeas corpus de que participa o Supremo Presidente Gilmar Mendes.\Os dados são públicos e podem ser coligidos no site do Supremo Tribunal Federal de que Gilmar Mendes é o Supremo Presidente.

A Procuradora se deu ao trabalho de fazer esse levantamento depois que o Supremo Presidente se inscreveu no livro Guiness dos Records, ao dar a um quadrilheiro, Daniel Dantas, dois HCs em 48 horas.

O levantamento demonstra a consistência dos votos do Presidente Supremo: para beneficiar ricos, ele prefere julgar na última instância, o Supremo, em lugar de mandar, como prevê a tradição do próprio Supremo (Súmula 691), que as instâncias inferiores decidam.

É uma questão de opção preferencial pelos ricos.

O que reforça a percepção dos brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal é o tribunal dos ricos.

A Procuradora Ana Lucia Amaral – ao contrário do que disse reportagem da Folha (da Tarde *) de domingo passado – NÃO desistiu de pedir o impeachment do Supremo Presidente Gilmar Mendes.

Ela aguarda a decisão sobre o mérito dos HCs que o Supremo Presidente concedeu a Dantas.

E isso é responsabilidade, no primeiro round, do Ministro Eros Grau.

A depender da decisão de Grau, a Procuradora – com colegas de Ministério Público – vai ou não pedir o impeachment.

O amigo leitor vai perceber que o advogado Alberto Zacharias Toron, defensor de Dantas e autor da memorável frase "bom era quando algema era para pobre, preto e p...", e organizador de manifestações públicas em apoio ao Supremo Presidente aparece em vários pedidos de HCs.

Acompanhe agora o levantamento da Procuradora sobre como vota o Supremo Presidente: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=456

A LULOMANIA E O OPORTUNISMO

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que pelo menos 179 candidatos em todo o país pediram registro do apelido "Lula" para a disputa eleitoral. A maior parte está em Pernambuco (53), sua terra natal. A maioria (160) é de candidatos a vereador.
O PT tem o maior número de candidaturas nesse grupo (23), mas há também registros de Lulas tucanos (10) e democratas (10). O agricultor Luiz Francisco de Souza (DEM), por exemplo, candidato a vereador em Correntes (PE), vai disputar como "Lula-lá" -refrão usado em campanhas presidenciais do Presidente Lula.
Os candidatos a vereador Luiz Inácio Lacerda Conceição (PT), de Ipatinga (MG), e José Eurípedes Fradique, de Franca (SP), subirão ao palanque como "Lulinha". Outros dez postulantes fizeram a mesma opção.Ainda foram inscritos o "Lula da Ambulância", o "Lula da Capivara", o "Lula do Povo" e o "Lula vem aí".
Especialmente no Nordeste, Lula passou a ser um apelido comum para quem se chama Luiz. Dos candidatos que pediram o registro, 121 compartilham esse primeiro nome. É o caso dos seis "Lulas" de Recife (PE), a cidade que concentra o maior número de candidatos com registro semelhante.
"Desde pequeno me chamam de Lula. Coincidiu de ser o nome do presidente", diz o tucano Luiz Carlos Antônio da Silva, o "Lula Cal", que não se importa em compartilhar o apelido com um adversário político. "O presidente é um homem popular. Quando ouvir meu nome, o povo vai lembrar dele."
(Fonte Folha Online)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

CONVERSA AFIADA

MST: 509 MIL HECTARES DE TERRAS DE DANTAS SERÃO OCUPADOS SE NÃO HOUVER REFORMA AGRÁRIA

Por Paulo Henrique Amorim

Numa conversa por telefone, Ulisses Manaças, integrante da coordenação do MST que mora no Pará, explicou que todas as terras do complexo agro-industrial “Santa Bárbara” de Daniel Dantas devem ser destinadas à Reforma Agrária, segundo o pleito do MST junto ao Governo do Estado do Pará.
Este seria o caminho oficial, diz Manaças.
Se não for assim, o MST usará o seu método de luta, que é a ocupação da terra.
Segundo Manaças, os 509 mil hectares de terra foram vendidos de forma ilegal.
O ex-governador do Pará Simão Jatene deu um título de propriedade ao empresário Mutran, que não podia ter dado, porque são terras para aforamento – ou seja, para uso em assentamento ou aplicação num programa de Reforma Agrária.
Mutran, de acordo com Manaças, vendeu a Dantas, de forma definitiva, o que não poderia ter vendido.
A ocupação da fazenda Maria Bonita, a primeira de Dantas a ser ocupada, começou com 324 famílias, no dia 25 deste mês.
Hoje, segundo Manaças, há quase 500 famílias cadastradas na ocupação.
Manaças reafirma que Dantas plantava cana na fazenda, embora isso seja proibido.
Manaças também diz que não existe a fazenda “Maria Bonita”.
Isso é uma marca fantasia, que faz parte do “Complexo Castanhal”, de que fazem parte as fazendas Espírito Santo e Cedro.
O que Dantas chama de “Maria Bonita” são terras deste complexo, que soma 509 mil hectares (o que corresponde à área do Distrito Federal).
(“Banco Opportunity” também é uma marca fantasia. Dantas não é dono de banco nenhum. É outro estratagema do quadrilheiro.)
Na segunda-feira dessa semana, segundo Manaças, tropas federais foram à área ocupada e depois saíram.
Ontem, a Polícia Militar também foi lá e depois saiu.
Manaças diz não ter condições de prever quando ocupará outras terras de Dantas, uma vez que espera a resposta oficial à reivindicação de transformar aquelas terras em área de Reforma Agrária.
Para o líder do MST no Pará, a operação de Dantas ali não passa de “lavagem de dinheiro”.
Clique aqui para ler "MST ocupa fazenda de Dantas para protestar contra corrupção".

terça-feira, 29 de julho de 2008

PIG

O PIG e a Globo adoram meter pau em tudo que é social na politica do governo Lula.
São neoliberais e adoram ganhar dinheiro em cima de pobres e otários.
Vez em quando colocam no ar (na publicidade) campanhas humanitárias e solidárias, enquanto promovem em todos os noticiários a luta ao "assistencialismo".
E todo ano vem aí o showzinho da Globo: O criança e esperança. Para ganhar audiência, fama, e...dinheiro.
Quando a Rede Globo diz que a campanha Criança Esperança não gera lucro, é mentira. Porque, a Tv Globo ganha de patrocinadores como a Tramontina e também ganha na ligação tarifada ( você paga quando liga) .
Atenção: você não pode colocar no seu imposto de renda que doou 7, 15, 30 ou mais reais para o Criança Esperança. Sabe por que você não pode? Porque Criança Esperança é uma "marca" e não é uma entidade beneficente.
Entretanto, a doação feita com o seu dinheiro diretamente para o Unesco não é aceita pela Receita, porque a Unesco é uma organização internacional beneficente.

Para driblar o PIG e a Globo faça o seguinte:
Doe diretamente á UNICEF que não cobra por sua ligação... ligue para 0800 601 8407
A UNICEF TEM BONS PRÓPOSITOS E REALIZAÇÕES INTERESSANTES NO BRASIL E NO EXTERIOR. VISITE O SITE http://www.unicef.org.br/ CONHEÇA E FAÇA A SUA DOAÇÃO DIRETAMENTE, SEM INTERMEDIÁRIO E SEM PAGAR LIGAÇÃO
Além do mais, você deixa de pôr azeitona na empada do PIG que, em vez de produzir informação de qualidade, direito de todos, só existe para ganhar dinheiro, deformar a informação e nos fazer de otários.

CONVERSA AFIADA

GRAMPO: O PRESIDENTE QUE TEM MEDO PROTEGE OS PODEROSOS

Por Paulo Henrique Amorim

O Presidente Lula, aquele que tem medo, mandou os ministros da Justiça, Abelardo Jurema, e das Relações Institucionais (?), José Múcio, apressar, rápido, sem perda de tempo, a lei que coíbe o uso de grampos pela Polícia Federal.. Clique aqui para ler.
Quer dizer, o Presidente que tem medo faz o que o Supremo Presidente, Gilmar Mendes, aquele que, de fato, governa o Brasil, mandou fazer.
O Supremo Presidente ganhou mais uma.
A próxima vitória do Supremo Presidente será suprimir as instâncias inferiores da Justiça para os ricos.
Rico vai direto ao Supremo Tribunal Federal, o tribunal dos ricos, onde o combate à corrupção pára.
Clique aqui para ler “Corrupção: o problema é a Justiça”.
O grampo é a maneira mais eficaz de combater o crime do “colarinho grampo”.
Há várias maneiras de combater o crime do “colarinho branco”.
Uma delas é acabar com a impunidade.
Mas, enquanto o Supremo for esse Supremo, não adianta ter esperança.
Outra forma é ouvir o que os criminosos dizem no telefone e por e-mail.
Se não houvesse interceptação telefônica, Daniel Dantas não teria passado uma noite na cadeia, antes que o Supremo Presidente, rápido, rapidinho, o mandasse de volta para Ipanema.
O Presidente que tem medo presta o melhor serviço a que os criminosos de colarinho branco poderiam aspirar: não deixar provas, rastro.
O Presidente que tem medo tem medo da elite branca.
E do Supremo Presidente.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Datafolha mostra esquerda bem posicionada nas capitais

O Datafolha publica na edição desta sexta-feira (25) os resultados de uma série de pesquisas realizadas em cinco grandes capitais do país: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba.
Em todas elas, candidatos do PT e PCdoB aparecem na primeira ou na segunda colocação.
A petista Marta Suplicy lidera em São Paulo.
Na capital mineira, é a candidata do PCdoB (Jô Moraes) quem lidera a disputa.
No Rio, outra candidata do PCdoB, Jandira Feghali aparece em segundo lugar.
Em Recife, também em segundo lugar está o candidato do PT, João Costa.
Curitiba é a cidade que apresenta o cenário menos favorável para a esquerda: a candidata do PT está em segundo, mas tem apenas 12% das intenções de voto contra 72% do tucano e atual prefeito Beto Richa.

CHARGE

quinta-feira, 24 de julho de 2008

BOAS NOVAS PARA O MUNICIPIO DE BELTERRA

A Justiça Eleitoral negou o registro da candidatura à Prefeitura de Belterra ao ex prefeito Oti Santos, um cipoalense do PMDB.

A sentença foi assinada pelo juiz Gabriel Veloso, da 20ª ZE (Zona Eleitoral).

O negativa do magistrado em oficializar a candidatura do ex-prefeito belterrense por 2 mandatos (1997-2004) deu-se pelo fato do nome dele constar tanto na lista de pessoas com contas irregulares do TCE (Tribunal de Contas do Estado) como na do TCU (Tribunal de Contas da União).

Há outros nomes de candidatos a prefeito na região que correm o mesmo risco, por integra a lista do TCE.

CONVERSA AFIADA

A PROPINA DA “BrOi” VAI PARA O “CAIXA DOIS” DE DILMA ?

Por Paulo Henrique Amorim

O jornal O Globo publica reportagem que diz: “Ligações perigosas – Lobby de US$ 260 milhões – Relatórios da PF acusam grupo de Greenhalgh, ligado a Dantas, de cobrar para viabilizar super-tele”.
Diz, em resumo, a reportagem de Ricardo Galhardo e Soraya Aggege:
Luiz Eduardo Greenhalgh exigiu US$ 260 milhões para que a “BrOi” pudesse ser criada.

O dinheiro seria usado para “caixa dois” de uma campanha presidencial.

Os US$ 260 milhões cobririam o custo do trabalho de tráfico de influência de Greenhalgh para aprovar a mudança da legislação que permita a criação da “BrOi”.

Dos US$ 260 milhões, Daniel Dantas entraria com US$ 130 milhões e o Citi com US$ 130 milhões.

O Citi regateou: queria pagar US$ 20 milhões a menos.

Mas Greenhalgh insistiu: US$ 130 milhões OU NADA !

O delegado Protógenes Queiroz
que o Presidente Lula, aquele que tem medo, afastou do comando da investigação – determinou a abertura de investigação especial sobre Greenhalgh, na sexta feira em que foi ejetado do cargo.
O relatorio de Queiroz sobre a participação de Greenhalgh no negócio contém 175 páginas.

Essa é outra denúncia que joga a “BrOi” no colo do Presidente Lula, aquele que tem medo. (*)
Esses US$ 260 milhões de dólares só podem ter uma finalidade, como admitiu o Dr. Queiroz: fazer o “caixa dois” de campanha presidencial.
De que candidato ?
Do candidato in pectoris do Presidente que tem medo, é a conclusão inevitável: a ministra Dilma Rousseff, que, nas gravações dos quadrilheiros, é chamada de “Margaret”, em homenagem à “Dama de Ferro”, Margaret Thatcher.
Roussef aquela que, além do PAC, cuida também do projeto que os quadrilheiros chamam de “leite longa vida” ...
Que Dantas distribui propinas, isso não é novidade.
Dantas corrompeu metade do Brasil.
A outra, inutilmente, tenta colocá-lo na cadeia.
Agora, que o Citi dê uma propina de US$ 130 milhões a um lobbista a serviço de um grupo criminoso, isso vai dar cadeia – NOS ESTADOS UNIDOS.
Porque, aqui, banqueiro não fica em cana (muito tempo...).
O Citi se submete, nos Estados Unidos, à Lei Sarbanes-Oxley.
Clique aqui para ler.
Isso vai dar cadeia, NOS ESTADOS UNIDOS !
E não só para os administradores do Citi, apanhados nessa corrupção explícita, mas também cadeia para os dirigentes da Brasil Telecom, liderados por certo Sr. K (a letra “K”, como se percebe, aponta para direções divergentes).
A Brasil Telecom é negociada na Bolsa de Nova York e, portanto, responsável, perante a Sarbanes-Oxley, por honestidade, lisura e transparência na administração da empresa.
A Lei Sarbanes-Oxley saiu das entranhas da maioria conservadora do Congresso americano, depois do escândalo da Enron.
O escândalo da Enron é brincadeira de criança diante da metástase que Dantas espalhou nos órgãos vitais da administração pública brasileira (clique aqui).
O Conversa Afiada tentou entregar à alta direção do Citi, em Nova York, um pendrive com informações sobre a gestão de Daniel Dantas na Brasil Telecom – o que deveria impedir que um administrador sério do Citi fizesse acordo com Daniel Dantas.
O Citi não me recebeu. Agora, se entende por que.
A alta administração do Citi estava na barganha com Greenhalgh – US$ 20 milhões a mais ou a menos ...
Esse relatório extra do delegado Queiroz precisa vazar, urgentemente, para que sociedade brasileira faça a “lista suja” dos homens públicos brasileiros: na Anatel, na CVM, Banco Central, BNDES, Banco do Brasil, Legislativo, Executivo, Judiciário, PT, PSDB, DEM, PFL, PMDB, PiG...
Dos US$ 260 milhões – vai sobrar um troco para a Anatel – clique aqui para ler sobre a suspeita de corrupção na Anatel ?
Vai sobrar um troco para a CVM, para o Banco Central, para o BNDES, para o Banco do Brasil, para a Bancada Dantas no Congresso, para os juízes que dão “facilidades”, ou vai tudo para o “caixa dois” da campanha da Ministra Dilma Rousseff ?
Descontada , é claro, a comissão de Greenhalgh, que deve ser coisa pouca ...)
Como previu o Conversa Afiada, ainda há muito tempo para Daniel Dantas derrubar o Presidente que tem medo.
Em tempo: como previsto, o nome do Ministro do Futuro Mangabeira Unger, começa a aparecer. Clique aqui para ler no UOL.
Em tempo 2: o Conversa Afiada enviou este artigo às seguintes pessoas: Daniel Gaspar, responsável pela assessoria de imprensa do Citibank no Brasil; Leonardo Guerra, responsável pelo contato da imprensa brasileira com o Citibank em Nova York; Valda Carmo, funcionária da assessoria de imprensa da Casa Civil da Presidência da República e Ministro Franklin Martins, responsável pela comunicação social da Presidência da República.
O Conversa Afiada aguarda o que eles têm a dizer sobre a denúncia.
(*) O Presidente que tem medo está com tanto medo que vai transformar Daniel Dantas no esqueleto no armário do PT. E Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende, Pérsio Arida, Ricardo Sérgio de Oliveira e Elena Landau vão morrer de rir !!!
Clique aqui para ler "Dantas se preocupou com destino de Dilma: poderia atrasar a "BrOi".

Não Perca! Barack Obama na Revista Fórum

A Revista Fórum deste mês traz um artigo (matéria de capa) sobre Barack Obama. Aí vão os três primeiros parágrafos do texto:

O fenômeno Barack Obama deixou atônita a liderança do Partido Democrata, surpreendeu a favorita Hillary Clinton e fez proliferar um sem-fim de clichês. Da infeliz declaração de Caetano Veloso -- “prefiro Obama a Hillary porque gosto mais de preto que de mulher” -- à irresponsável previsão de um assassinato por Doris Lessing, sua condição de primeiro candidato negro à presidência tem funcionado como uma metonímia à qual tudo deveria ser redutível. O simplismo se exarcerbou pelo fato de que as primárias democratas foram disputadas entre ele e a primeira mulher em condições de aspirar à Casa Branca. Sexismo e racismo – elementos muito presentes na sociedade estadunidense – passaram a ser chaves explicativas mágicas. É de magnitude inegável e merecedor de análise o fato do Partido Democrata ter ungido um negro como seu candidato. Mas para se entender a dimensão do movimento Obama, há que se começar por outro lado.

A vitória de Obama representa o declínio da política consagrada no Partido Democrata pela dinastia Clinton. Depois de surrados durante década e meia pelos Republicanos, os Democratas nos acostumamos a ver a ascensão de Bill Clinton em 1992 como prova de que nossa viabilidade eleitoral dependia da estratégia clintoniana de apropriação de bandeiras Republicanas como o rigor fiscal, a “transição da ajuda social para o trabalho”, a ênfase na segurança e a política externa agressiva. Junte-se as táticas violentas de corpo-a-corpo contra os adversários, a sanha controladora sobre jornalistas e um populismo simbólico, baseado no carisma e na inteligência de Bill Clinton, e você terá os componentes do sucesso do primeiro Democrata a cumprir dois mandatos presidenciais desde Roosevelt.

Um elemento importante foi a profissionalização das campanhas eleitorais, que passaram a ser focadas em certos grupos. Ficou famosa a expressão soccer mom, cunhada por Mark Penn, conselheiro da campanha de Clinton em 1996. As “mamães do futebol” seriam aquelas que levam as filhas para a prática de um esporte que é, nos EUA, com a exceção da população latina, praticado pela classe média alta. Para essas senhoras, a questão da segurança seria decisiva e a isso havia que responder. Embora a devastação planetária dos anos Bush tenha criado a sensação de que a administração Clinton foi um paraíso, seus dois mandatos foram marcados por uma série de traições a negros, sindicalistas, feministas, gays/lésbicas e ambientalistas, parceiros fracos, sem opções à esquerda, que foram sendo rifados para que o Partido Democrata pudesse ocupar o centro do espectro político sem questionar o movimento da sociedade rumo à direita. Essa política foi vitoriosa nas eleições presidenciais dos anos 90, mas deixou um desastre no Congresso e nas eleições estaduais. Com os Clinton na Casa Branca, o Partido Democrata passou de 30 governadores em 1992 a 18 em 2000, 258 deputados em 1992 a 212 oito anos depois.

A Fórum está nas bancas, por 6 mangos e 90 centavos. Há outras matérias muito boas, incluindo-se uma sobre a Nicarágua.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O JORNALISTA JESO CARNEIRO SOFRE MAIS UM ATENTADO

Um incêndio criminoso destruiu parcialmente a casa do Jornalista e blogueiro Jeso Carneiro, na madrugada de hoje.
Dois homens, em uma motocicleta, modelo Bros, de cor preta, foram os autores do crime que, por sorte, não deixou vítimas.
Na casa, estavam a sogra do jornalista, de 81 anos, uma de suas filhas e seu cunhado, que possui uma deficiência física.
Esse é o segundo atentado sofrido pelo Jeso, que já teve seu carro queimado uns anos atrás.
Recentemente seu Blog sofreu censura por uma ação judicial da cúpula do DEM que não admite criticas e opiniões contrarias às do ex Prefeito Lira Maia.
Enfim, é só cavar um pouquinho, para descobrir o mandante dessas acoes criminosas.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

SIGAM O DINHEIRO

Por Luiz Carlos Azenha

Raras vezes vi a internet tão nervosa quanto nos últimos dias.

Se você escreve algo que remotamente não combina com a plataforma do internauta imediatamente se torna petralha ou demo-tucano.

Os dogmas se enrijeceram.

De repente, Daniel Dantas se tornou apenas um cliente do Opportunity. Ou se tornou a origem de todos os males do universo.

Como diria uma amiga, menos.

A Polícia Federal não precisa de "mocinhos". O delegado Protógenes Queiroz fez seu trabalho. Cometeu erros? Sim. Mas não pode e nem deve ser desqualificado por isso. Também não deveria ter vazado a gravação de uma conversa que teve com um chefe que, na verdade, não prova nada contra o chefe.

Prova apenas que o próprio delegado vaza informações para a mídia. O que o enfraquece. Se ele gravou um chefe sem que o chefe soubesse e ainda vazou o conteúdo para um jornalista isso poderá ser usado pela defesa de Daniel Dantas para levantar suspeitas sobre o próprio delegado. Será que foi ele que vazou outras informações sigilosas para a mídia, dirão os advogados?

O delegado tem a obrigação de vir a público e sepultar de vez todas as dúvidas que foram levantadas em nome dele nos últimos dias. Ele foi boicotado durante a investigação? Outros integrantes da Polícia Federal vazaram informações sigilosas do inquérito? Quem fez isso? Houve boicote da corporação contra ele? Como? O ministro da Justiça Tarso Genro concorreu para esvaziar a investigação? Como? O presidente Lula sabia?

Em resumo, o delegado não pode falar mais através de terceiros. Ele elogia os chefes em uma reunião gravada mas, através de amigos, diz a jornalistas que está sendo boicotado?

A quem serve esse "herói perseguido"? Olhem para o noticiário e tirem suas próprias conclusões.

O que mais importa neste momento são as provas coletadas e o tratamento que será dado a elas pela Polícia Federal - que anunciou a criação de uma força-tarefa para cuidar dos inquéritos.

É aí, na análise das provas, que o trabalho comandado por Protógenes Queiroz será validado ou não.

Se o que se busca, de fato, é matar a investigação, isso será feito na análise das provas recolhidas pela Polícia Federal.

Elas poderiam comprovar o envolvimento do banqueiro com empresários, políticos, jornalistas e juízes? Talvez, mas duvido.

Em 26 de abril de 2008 o jornal Folha de S. Paulo noticiou a existência da investigação sigilosa.

É fato que os interessados em fazer isso tiveram quase três meses para se livrar de qualquer prova material comprometedora. Ou estou errado?

Pessoalmente acredito que se deva correr atrás do dinheiro.

Do dinheiro depositado em paraísos fiscais.

Do dinheiro em contribuições de campanha.

Afinal, de onde sairam os 865 mil reais que foram apreendidos na casa de Hugo Chicaroni?

O dinheiro veio mesmo de Humberto Braz, assessor de Daniel Dantas?

O que Dantas disse a Naji Nahas quando ambos falaram por telefone no dia 13 de maio de 2008?

Humberto Braz, fotografado no dia 14 de maio pela Polícia Federal ao sair do prédio onde estava Nahas, foi combinar com o empresário a "caixinha" para subornar o delegado?

E o bilhete apreendido na casa de Dantas, que fala em "contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente"?

A que se refere o "1.500.000,00", "cash", "Pedro, 2004"?

Como se vê, há muitos caminhos para seguir o dinheiro.

Curiosamente, desta vez só temos UMA CERTEZA: não haverá CPI.

PS: Li o texto de Bob Fernandes no Terra Magazine. Não há motivo para duvidar do que ele escreveu. E, sendo assim, está claro que o que se pretende, através do delegado Protógenes Queiroz, é atingir Lula. É transformar o delegado num instrumento contra o governo. Um herói incensado no Jornal Nacional naquela dramática narração do Cesar Tralli. Pode não ser isso o que querem os dois, repórter e delegado. Mas é a essa narrativa que "servem" neste momento.

CUT protocola pedido de impeachment de Gilmar Mendes

Um grupo de sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal protocolou nesta sexta-feira, 18, no Senado um pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

O embasamento para a ação é que o presidente do STF teria agido com parcialidade, ao conceder dois habeas-corpus ao dono do Grupo Opportunity, Daniel Dantas.

A ORIGEM DE DANTAS

abaixo um diálogo, interceptado pela PF, ainda no tempo de FHC, entre Ricardo Sérgio, diretor do BB, e um ministro de Estado, o Luiz Carlos Mendonça de Barros:

"Mendonça de Barros - Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?

Ricardo Sérgio - Acabei de dar.

Mendonça de Barros - Não é para a Embratel, é para a Telemar [nome de fantasia da Tele Norte Leste].

Ricardo Sérgio - Dei para a Embratel, e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da irresponsabilidade.

Mendonça de Barros - É isso aí, estamos juntos.

Ricardo Sérgio - Na hora que der merda, estamos juntos desde o início.

E assim Dantas, com dinheiro emprestado pelo BNDES e fiança do Banco do Brasil, iniciou seu império no mundo das telecomunicações. Lembrem que, nesta época, o setor telefonico estava às margens de profunda revolução tecnológica. As empresas que receberam, de bandeja, o patrimônio comunicacional braileiro, ganharam uma mina de ouro virgem, ainda não explorada.
Leiam o texto complete neste link.

Alvo de Dantas, Lula dizia: "É um escroque"

Foto: Marcelo Pereira/Terra (Dantas), Wilson Dias/ABr (Lula)

Por Bob Fernandes / Terra Magazine

O que estava, sempre esteve por trás dos movimentos de Daniel Dantas e os seus. O que, quem, era seu alvo.

Este é o capítulo, derradeiro, desse drama, mas também comédia, daqui para sempre conhecido como o caso Dantas/Satiagraha.

Se tratará aqui da batalha pelo controle no Estado. Do Estado. De seus principais atores, dos grandes dutos de dinheiro.

Na reprodução de conversas legalmente interceptadas (leia aqui a íntegra), uma tomografia do cérebro, e das intenções de Daniel Dantas.

Os diálogos mostram quem é ele, como ator político, e de até onde pretendia e era, é, capaz de chegar.

Nas entrelinhas do que ele diz, combina, não é difícil adivinhar quem eram, quem são, tantos dos coadjuvantes.

Aqueles, aquelas que ecoavam e ecoam, reverberam Daniel Dantas & negócios.

A olhar-se apenas do viés econômico-financeiro, o que se vê na aparência é a maior batalha societária da história do capitalismo à brasileira.

Os primeiros tiros, ainda surdos, se deram nos bastidores - da economia e também da política - da privatização do Sistema Telebrás.

Dentre os protagonistas visíveis um dos maiores, senão o maior banco do mundo à época das primeiras escaramuças, o Citibank, sócio do fundo CVC/ Opportunity.

No palco também a maior empresa, italiana, a Pirelli, controladora da Brasil Telecom. E os mais poderosos fundos de pensão do Brasil: Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica)... sentados em algo como R$ 100 bilhões.

Os subterrâneos dessa "aranha" de empresas e personagens - desvelados pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal - escondem ainda um labirinto.

Nos diálogos que se seguem, o fio de Ariadne, aquele que permitiu a Teseu entrar, entender, e voltar do labirinto.

Em 13 de novembro de 2007, via VOIP, um diálogo de contornos hitchcockianos entre Daniel Dantas e a diretora jurídica do Opportunity, Danielle Silbergleid Ninio.

Quem acompanha de perto as refregas judiciais do banqueiro com o Citibank às vésperas da fusão BrOi, identifica um debate sobre as minúcias do processo.

Instruções. Malícias. Não passariam de estratégias banais de defesa se do rol de conversas não emergissem dois nomes.

Um deles, o do ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, seqüestrado e morto na noite de 18 de janeiro de 2002, em São Paulo. O outro, o de Lula, o presidente do Brasil.

Dantas busca - reprodução de suas próprias palavras -, "incruar" o processo judicial com temperos político-partidários.

Ele mesmo pede:

- Eu quero suspender o tamanho do drama, tá?...no foco de dramatização do evento...drama dropping...

Danielle, a jurídica, puxa os mortos:

- Desses mortos (NR: Celso Daniel, Toninho, ex-prefeitos de Santo André e Campinas...) foram seis ou sete, tá tendo uma divergência aqui...

Daniel, apenas ri.

Danielle emenda:

- ...eu acho que a divergência não é significativa (mais risos).

Daniel, o homem do cérebro privilegiado, recomenda:

- O melhor é dizer que são sete (NR: os mortos), e aí ele tem que dizer que são seis...

Daniel e Danielle riem.

Leitores, radiouvintes, telespectadores e internautas certamente já leram, viram e ouviram o ecoar da tese, por anos e anos a fio.

Daniel Dantas propõe a tese, para ser exposta nos seus processos e, dali, saltar para os ecos Brasil afora:

- ...quero saber o de Santo André...é como se dissesse pra ele o seguinte: olha, no rastro desse negócio de dinheiro de campanha já tem tantos mortos, tá?

Daniele sugere ao escalado para o papel de vítima, Daniel Dantas, num futuro depoimento:

- ...você não precisa contar os detalhes, mas se você não tinha medo de ser morto...

Responde a vítima:

- ...não, isso eu vou falar, isso eu vou falar...(...) mas eu lhe digo, uma coisa é não ter medo de ser, e a outra coisa é ter um na Itália...("Ininteligível", anota o perito da PF)...Brasil...é diferente.

No Brasil, realmente, é diferente. Recomenda a jurídica, ainda dia 13, às 10h54 minutos, e 13 segundos:

- Oi! é só pra te dar uma informação que no caso do Celso Daniel é que tem essas dos itens seis ou sete... é que tem mais um caso eu não sei se você lembra... que é do prefeito de Campinas... aquele Toninho do PT, aí...

Por mais de uma vez, ao referir-se a relatórios, Dantas revela uma ligação que sempre negou. Com a empresa de investigação e espionagem Kroll:

"Daniel Dantas: Tá, deixa eu te falar o seguinte, eu queria que você desse uma olhada no relatório da KROLL tá?

Danielle: Tá...

Daniel Dantas: E olhasse pontos que... porque eu quero in... incruar esse assunto da KROLL dentro da... do processo, entendeu?

Danielle: Uhum...

Daniel Dantas: Então eu queria que você procurasse pontos tipo... por exemplo... no relatório da KROLL fala que a Telefônica Itália pagou ao prefeito de SANTO ANDRÉ tá...

Danielle: Uhum...

Daniel Dantas: E o prefeito de SANTO ANDRÉ foi morto...

Danielle: Uhum..."

Hummmm.

Descobre-se, na gramparia da Satiagraha, onde era a caverna, e quem era o minotauro.

Conversam, no dia 15 de novembro de 2007, Daniel e a irmã, Verônica, e a jurídica Daniele. Humberto Braz presente. O assunto é enfiar Lula na história:

- ...e aí, vamos dizer, o discurso do presidente da República é um indício, mas pode não ter acontecido antes, mas eu acho que aconteceu, e quanto mais indícios eu tiver, melhor...

Parênteses. Em outros tempos e locais, em conversas com um "companheiro de esquerda", Daniel refere-se a Lula como "o barba". E ao companheiro envia garrafas de vinho.

A 15 de novembro, com Danielle, combina:

"Danielle: Oi! oh não sei se é suficiente mas eu olhando aqui o timeline (cronograma-inglês) eu me toquei o seguinte... o LULA ele foi eleito em outubro de dois mil e dois, toma posse em janeiro, em novembro de dois mil e dois você sela o documento que você é informado que vinha uma...

Daniel: (Ininteligível)... já vou usar, mas eu queria mais elementos...

Danielle: Tá bom então... beijo.

Daniel: Tá..."

A Daniel Dantas, segundo seu próprio roteiro, cabe um papel: o de vítima.

Vítima de uma orquestração do governo, e de Lula, e é essa, será, a estratégia nos processos que enfrenta. Nos Estados Unidos, na Itália. E no Brasil.

"Estratégia Presidencial"

O que Daniel Dantas não sabia, e agora Terra Magazine revela, é que seu alvo, Lula, sabia.

Em Maio de 2003, cinco meses depois de iniciado seu governo, o presidente Lula chamou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e ordenou:

- Esse negócio de Opportunity, esse Daniel Dantas, você cuida desse problema pra mim?

Lula, a um amigo, perguntou:

-Como é que pode um cara com um porcento controlar um negócio de bilhões, mandar nos fundos de pensão?

O presidente recordava-se de um único encontro com o banqueiro, e da impressão que dele guardou:

-É um escroque.

Ministro-chefe da Casa Civil, Dirceu teria, pelo menos, dois encontros com Daniel Dantas.

Isso antes de deixar o governo. Depois...

O primeiro, dias depois da determinação de Lula, na primeira quinzena de Maio daquele 2003. O segundo, pouco depois.

O próprio Dantas relatou os encontros na CPI dos Correios e à justiça de Nova York.

Informou, nas ocasiões, ter sido avisado por Dirceu que os fundos de pensão estavam interessados em tomar dele, Dantas, o controle da Brasil Telecom.

Segundo Dantas, José Dirceu teria dito ainda que quem resolveria o assunto seria Cássio Casseb, então presidente do Banco do Brasil - e um dos principais espionados no caso Kroll.

Dantas revelou à CPI ter havido uma segunda conversa com Dirceu, para reportar ao ministro o encontro com Casseb. As palavras ditas foram:

- Expliquei para ele (Dirceu) o que tinha acontecido (na reunião com Casseb) e ele (Dirceu) me disse que o governo não tinha que tomar partido nessa disputa e que se porventura eu detectasse que o governo estava intervindo a favor de outro que eu teria liberdade de lhe comunicar.

José Dirceu, à época, contou a pelo menos dois interlocutores, em uma conversa em seu gabinete, que o governo "não prejudicaria nem beneficiaria" Daniel Dantas, apenas "seguiria a lei".

Lula seria informado dos fatos três anos e cinco meses depois daquela determinação a seu ministro. Na terça feira, 24 de outubro de 2006.

A cinco dias do segundo turno e de sua reeleição para a presidência da República, Lula foi informado.

Não em toda a inteireza, mas de maneira superficial, o presidente da República saberia da dimensão, da grandeza do que se movia.

A menos de 120 horas de sua reeleição, Lula começava a conhecer aos menos os contornos do que contra ele se movia há meses.

Movia-se, quase sempre, realimentado pelos ecos.

Uns, inocentes. Outros, pautados.

Lula entendeu, enfim, o que se movia já há meses, há mais de um ano para ser exato. Entendeu em toda a dimensão, todo o barulho, e decidiu:

-...bem, o que tiver que ser, será. E, por mais quer tentem, não conseguirão me atingir... E quem tiver que ser preso, será.

Lula, 10h da manhã de um dia em março de 2007, sala reservada no aeroporto de Congonhas, São Paulo:

-... não, não sei como anda investigação, nem quero saber, mas se tiver que prender, vai prender qualquer um...

Interlocutor:

- Mas, presidente, e se isso chegar no governo, na sua gente?

Lula:

- A mim não interessa em quem vai chegar. Se chegar, se provas existirem, e não fofocas, se a justiça mandar, vai ser preso. Qualquer um vai ser preso, não importa quem.

Interlocutor:

- Presidente, vão tentar interromper a investigação...

Lula:

- Se os crimes existem, e não sei como esta nem se está a investigação, não é assunto meu, eles serão presos...

O presidente Lula soube ali apenas de ligeiros contornos da operação que Dantas e os seus chamavam entre si de "Estratégia presidencial".

A estratégia era, foi desde sempre, ajudar a bombardear Lula, derrubá-lo se possível, impedir sua reeleição se tanto não se conseguisse.

Lula soube então, da estreita vinculação entre os movimentos dos estrategistas e importante porção do que ecoava para atingi-lo.

Quem nele mirava para salvar-se, agora, depois de curta temporada interrompida pelo Supremo, experimenta a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.

Aguarde-se o contra-ataque.

PIG

Está publicado no Globo Online, basta clicar no link para conferir. Sim, é isto mesmo que o leitor leu no título: a colunista da Globo (jornal, rádios e televisão) Míriam Leitão obteve "em primeira mão", diretamente do Banco Central, a incrível informação de que Daniel Dantas é apenas um cliente do Opportunity, e não o dono do banco.
Bem que o jornalista Bob Fernandes reparou, logo no começo do escândalo, quando Dantas foi preso, que até o apresentador Carlos Alberto Sardemberg, que de lulo-petista não tem absolutamente nada, achou que Míriam "estava estranha" ao falar da detenção do banqueiro (ou será cliente?) do Opportunity.
Que Míriam Leitão diga ou escreva tamanho despautério, problema dela. Incrível é o portal do jornal O Globo avalizar a barbaridade da colunista. Mais um pouco vão dizer que Dantas é que é o laranja do tal Dório Ferman...

Fonte Entrelinhas