segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O TAMANHO DA VITÓRIA DO NUNCA DANTES


O Nunca Dantes derrotou o principal líder da oposição.
O Nunca Dantes derrotou o principal líder da oposição, que jogava em casa, com a plateia dele.
O Nunca Dantes derrotou a extrema-direita mais obscurantista, o malafismo medieval.
O Nunca Dantes derrotou a campanha mais baixa, mais suja da República.
O Nunca Dantes ganhou em São Paulo capital e no cinturão vermelho em torno da capital, logo, do Palácio dos Bandeirantes.
Caiu a Stalingrado tucana.
O Nunca Dantes ganhou em 68 cidades de São Paulo – o que nunca tinha acontecido antes.
O Nunca Dantes botou a batata do Alckmin pra assar.
Falta cair Moscou.
O Nunca Dantes derrotou o único ideólogo da extrema direita, o Farol de Alexandria.
Ele é um jênio: disse que o PSDB precisa renovar-se e considerou que Cerra foi um bom candidato.
O Nunca Dantes derrotou o Supremo.
Derrotou a cronologia do julgamento do Supremo, afinada com a Superintendência de programação da Globo.
O Nunca Dantes derrotou o Ayres Britto, que organizou os prazos e as datas.
O Nunca Dantes derrotou os 18′.
A mais deslavada tentativa de Golpe da Globo: 18′ na ante-véspera da eleição, para ferrar o Haddad.
Foi uma derrota acachapante, a tal ponto que o filho do Roberto Marinho deveria mandar o Ali Kamel embora, pra escrever “Memórias de uma Guerra Suja – II”.
O Nunca Dantes fincou a bandeira do PT na classe média paulistana.
O partido do Nunca Dantes passará a comandar a maior parcela dos orçamentos municipais do país – e, portanto, governar para os pobres.
O partido do Nunca Dantes sai da eleição com a vitória sobre o maior número de eleitores do país – logo, um eleitor com mais chances de votar na Dilma do que no Padim Pade Cerra, o eterno candidato da Globo.
O principal partido da oposição, os tucanos, encolhe desde 2000.
Ou seja, Cerra é o Jim Jones do partido.
O Nunca Dantes saiu engrandecido da eleição.
A derrota de Haddad seria um tiro no peito.
Por isso o PiG e o Supremo se uniram, no tempo e no espaço.
No Supremo é assim, agora: na dúvida, pau no réu.
Na vida real, é assim: na dúvida, com o Lula.
Em tempo: um pedaço da vitória do Nunca Dantes e do Haddad se deve ao trabalho de José Dirceu, o arquiteto da obra do PT amplo, fora do gueto que o professor Wanderley chamou de “sindicalismo messiânico”. Essa obra foi tão profunda – clique aqui para ler o que disse o André Singer sobre “o reformismo do Lula vai durar muito tempo” – que é preciso algemá-lo diante das câmeras da Globo.

Paulo Henrique Amorim
_____________________________

Como Lula escolheu Haddad para concorrer à prefeitura


Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

Mil duzentas e quarenta e seis páginas com anotações feitas a lápis desapareceram na Universidade de São Paulo (USP). De tão detalhados, os apontamentos escritos na margem de cada folha, dos dois lados, pareciam fazer parte do livro Economia e Sociedade , de Max Weber, que sumiu na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Fernando, fã de Paul McCartney e dono do livro, chegou em casa inconformado. “Estela, roubaram o meu Weber. É inacreditável! Todas as minhas anotações viraram pó”, disse ele para a mulher. “Roubaram? Mas onde estava o livro?”, insistiu Estela, curiosa. “No estacionamento. Dentro do carro”, respondeu Fernando, de supetão. Sem entender nada, ela prosseguiu o interrogatório. “E o que aconteceu com o carro? ” A conclusão foi lógica: “Ué, roubaram também”.
O Fernando do livro é Fernando Haddad, novo prefeito de São Paulo. O “Santana” velho de guerra de “Dandão”, seu apelido na juventude, foi furtado em 1995, época do doutorado em Filosofia, na USP. Dezessete anos depois, porém, ele só se lembra das anotações perdidas naquela edição especial da Fondo de Cultura Económica. “Você não tem ideia do que é ler aquele livro inteiro e anotar…”, diz o ex-ministro da Educação, professor licenciado de Teoria Política na USP. Ana Estela, casada com Haddad há 24 anos, já está acostumada com essas divagações. “Ele não liga para coisas materiais. Essa parte é comigo. “
Escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para representar a nova geração do PT, pós-mensalão, Haddad agora só tem tempo para ler relatórios sobre São Paulo. “Comprei na Bienal aquele livro do Mandela, mas está no meu criado-mudo. Confesso que durmo a cada cinco páginas”, afirma, rindo, o filho de imigrante libanês
Foi às margens do Lago Paranoá, em Brasília, que começou a ser desenhada a candidatura de Haddad, um calouro na política, a exemplo da presidente Dilma Rousseff. A conversa que selou o destino do então ministro da Educação ocorreu num almoço no Gazebo, especializado em comida francesa, em março de 2011. Os emissários de Lula foram o presidente do PT paulista, Edinho Silva, o vice-presidente do partido, Rafael Marques, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o vereador Alfredinho (PT). “O chefe mandou construir a sua candidatura. E aí, você topa?”, perguntou Marinho. “Eu topo. Estou à disposição”, respondeu Haddad. “Então, vamos discutir as tarefas que você tem de executar. Vamos montar o grupo de apoio para sustentá-lo, mas a liderança tem de ser sua. ” Com os tradicionais nomes do PT desgastados, muitos fora de combate desde o escândalo do mensalão, em 2005, Lula fazia planos para Haddad havia algum tempo. Chamava-o de “menino de ouro” e chegou a sondá-lo para concorrer ao governo paulista, em meados de 2009, quando já articulava a candidatura de Dilma à Presidência. “Mas eu ainda não tinha encerrado o meu ciclo em Brasília”, diz o candidato.
A crise do mensalão foi o passaporte de Haddad para o comando do Ministério da Educação (MEC), em 29 de julho de 2005. Foi nesse dia que ele assumiu a cadeira de Tarso Genro, convocado às pressas por Lula para presidir o PT, que teve a cúpula dizimada. “Meu filho, mas você aceitou ser ministro com o governo nessas circunstâncias?”, indagou dona Norma, mãe de Haddad, preocupada com a nomeação. “Mãe, se não fossem essas as circunstâncias, nunca me ofereceriam o ministério”, reconheceu ele.
No fim de 2010, com Dilma já eleita, Haddad estava de malas prontas para retornar a São Paulo, decidido a entregar o cargo, quando Lula fez a proposta que mudou sua vida. “Eu pensei no Fernando como pensei na Dilma. Eu disse a ele: o PT precisa de um nome novo, com um perfil como o seu, para atrair a classe média e ser candidato a prefeito de São Paulo”, conta o ex-presidente.
Haddad se entusiasmou, mas expôs uma dúvida: “Há espaço no PT para discutir essa tese? ” Lula admite que “não foi uma tarefa fácil” convencer o partido a aceitar o pupilo e, por isso, pediu ajuda a Marinho. “Diziam para mim: ‘Ele nem cumprimenta a gente’. Eu respondia: ‘Ele é tímido’. “
Apesar de filiado ao PT desde 1983, Haddad não era da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), do próprio Lula e de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil e réu do mensalão. Além disso, havia assinado, em 2005, um manifesto do grupo Mensagem ao Partido, liderado por Tarso, pregando a “refundação” do PT, na esteira da crise. “Foi aquele terremoto político que desencadeou a renovação de quadros no PT”, comenta Tarso, hoje governador do Rio Grande do Sul.
Os capítulos seguintes desse enredo tiveram momentos de alta tensão. Favorita nas pesquisas para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que chegou a flertar com o PT, a então senadora Marta Suplicy queria ser candidata. Com rejeição na faixa de 30%, foi preterida por Lula, pressionada por Dilma e obrigada a desistir da prévia, que nunca saiu do papel.
Na conversa com ele, em 3 de novembro, Marta chorou. “Eu não entendo, Lula, o que você tem contra mim”, desabafou a ex-prefeita.
Os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy também se retiraram do páreo, a pedido do ex-presidente. “Quando me chamou, Lula falou assim: ‘O Fernando implantou o ProUni e fez excelente trabalho. Para ganhar a classe média, tem de ser bonitinho, são-paulino e uspiano’”, recorda Tatto. “Ele achava que os votos da periferia já eram nossos e ninguém contava com Russomanno. Foi o nosso erro. ” Magoada, Marta boicotou a campanha por quase dez meses e só foi para as ruas um dia antes de virar ministra da Cultura. Para apoiar Haddad, o deputado Paulo Maluf (PP) – que está na lista de procurados da Interpol – exigiu uma fotografia com Lula, no jardim de sua mansão. Era o preço da aliança, que garantiu ao candidato do PT 1 minuto e 35 segundos na propaganda eleitoral de TV, a perda da deputada Luiza Erundina (PSB) como vice da chapa e uma queda de dois pontos porcentuais nas pesquisas. Erundina desistiu da dobradinha com Haddad 24 horas após o anúncio da coligação com Maluf. “Não preciso ser vice para fazer política”, protestou. Presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, abriu mão da vaga para o PC do B de Nadia Campeão, sob o argumento de que a ex-prefeita Erundina era “incontrolável”.
Aos 49 anos, Haddad foi “vendido” pela campanha como “o homem novo para um tempo novo”. Pesquisas mostraram que as falhas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não colaram nele, mas a foto com Lula e Maluf foi interpretada como a volta do velho coronelismo na política. “Nós fizemos uma cagada”, disse Lula depois, a portas fechadas. Marinho admite que, horas antes do almoço na casa de Maluf, em 18 de junho, procurou o ex-presidente na academia onde ele faz reabilitação desde que terminou o tratamento do câncer na laringe. “Ele não queria fazer a foto. Fui porta-voz de um pedido da direção do PT. Fiz e faria novamente”, diz o prefeito, candidato à reeleição.
Haddad conquistou Lula ainda em 2004, quando lhe mostrou um esboço do ProUni, programa que concede bolsas de estudo em universidades a alunos carentes. Na época, era secretário executivo na Educação e vinha da assessoria especial do Planejamento, então chefiado por Guido Mantega. Antes, tinha trabalhado com João Sayad na Secretaria de Finanças, na gestão de Marta. “Confesso que achei ruim quando Tarso Genro levou o Haddad para o MEC. Ele ia ser promovido”, revela Mantega, hoje ministro da Fazenda. “Dei-lhe a missão de elaborar as Parcerias Público-Privadas e ele conseguiu entregar dentro do prazo um projeto difícil, que funciona bem até hoje. ” O candidato do PT odeia atrasos. Na campanha, muitas vezes chegou antes que os aliados aos compromissos. Nem sempre teve a companhia de seus pares e muitos reclamaram de sua falta de traquejo político e do linguajar da academia. Na semana passada, por exemplo, Haddad disse que Russomanno não tinha plano de governo, mas, sim, um “simulacro”. Depois, afirmou que a disputa começava a sair da “mornidão” para a fase da empolgação. “Todo mundo tem um Houaiss em casa”, devolveu ele, quando questionado sobre o uso de palavras difíceis, numa referência ao dicionário de Antonio Houaiss.
Com 1,83 metro e pinta de galã, Haddad faz sucesso com as mulheres, que não raro trocam o seu sobrenome por “Andrade”. Ana Estela confessa ter um pouco de ciúme. “A gente é humano, né? ” Além da pontualidade, o petista tem como característica a obsessão por metas. Adquiriu o hábito quando era vendedor da Mercantil Paulista de Tecidos, a loja de seu pai, Khalil, na Rua Comendador Abdo Schahin, paralela à 25 de Março. “Ele saía da Faculdade de Direito, no Largo São Francisco, e ia a pé até lá. Na sobreloja, tinha duas pilhas de livros: uma só aumentava, com aqueles já lidos, e a outra diminuía, com os que tinha de ler”, descreve o jornalista Eugênio Bucci, seu amigo e antecessor na presidência do Centro Acadêmico 11 de Agosto, a única eleição que Haddad já disputou. “Eugênio foi o Lula para mim”, compara o ex-ministro, ao lembrar que o amigo patrocinou sua candidatura ao 11 de Agosto, em 1985, após o sucesso da chapa The Pravda na diretoria. “Fernando tinha dois ídolos: Karl Marx e Paul McCartney”, entrega Bucci, ex-presidente da Radiobrás. Tinha? Até hoje, quando se cansa de assuntos áridos, Haddad surpreende o interlocutor: “Vamos falar de outra coisa. O que você acha de Paul McCartney? “.
_____________________________________________

sábado, 27 de outubro de 2012

BOM DOMINGO PARA TODOS

POR QUE O PT DERROTA O PIG. E HADDAD VAI VENCER


Por Adauto Alves:

“Enquanto a mídia e a elite paulista continuarem a tratar o PT como o partido que inaugurou a corrupção no Brasil, não levarão vantagem. Bater de frente com o partido e o presidente que implantou os maiores programas sociais da história da república brasileira é a mesma coisa de tentar quebrar pedra com a mão.
São mais de 15 milhões de empregos gerados na era PT no governo Federal, que somados ao Bolsa Família, ao Minha Casa Minha Vida (maior programa de habitação popular do Brasil), ao Pro-Uni, ao programa de cotas nas universidades fazem a diferença na melhoria das condições de vida do povo.
Globo, Veja, FSP, Estadão e Cia não entendem de ciência social, nunca mediram o impacto das mudanças introduzidas no Brasil nos últimos 10 anos.
Eles não entendem a grande inversão social que Lula implantou em benefício dos pobres deste país. Isto nunca fora feito. É por isso, que o efeito mensalão é quase nulo, que mesmo que tenha existido, é um traque perto das privatizações promovidas pelos tucanos, na era FHC.
Não entro no mérito ideológico e sim no modelo e no valor das empresas vendidas a preço de banana, um verdadeiro escândalo nacional.
Registro que todo tipo de corrupção, desde que comprovada, tem que ser punida. O que é inaceitável é a mídia querer fazer crer que o PT é o partido que inventou o mal feito no país, sem reconhecer as suas qualidades.
O PT foi o partido mais votado para prefeito no 1º turno, quando alcançou mais de 17 milhões de votos, ficando o PMDB em segundo.
Enfrentar o PT, exorcizando-o, como faz a mídia e a elite paulista é fortalecê-lo ainda mais, pois as ações de governo de Lula e Dilma têm efeito direto na vida da população, em todas as camadas sociais.
A mídia trata o PT com desprezo, destilando o seu ódio de classe, que cria duas categorias: a que tem simpatia pelo partido e os anti-PT, como ela.
Além dos méritos do partido, que promoveu uma verdadeira revolução social no Brasil, outro fator que faz o sucesso de Lula e do PT é a forma como a mídia os combate.
Ela defendia a queda nos juros, hoje é contra; defendia a desoneração da produção, hoje é contra; pregava a geração de empregos, hoje reclama. Ou seja, se o PT fez, não está no caminho certo.
Por isso, ganhar a eleição em São Paulo será a constatação clara da diminuição da influência da mídia na vida dos brasileiros. A vitória de Haddad no segundo turno será mais um recado do povo a essa gente, essa sim, os mensaleiros que mamam nas tetas do poder público.
Incluo Salvador nesta lista, que deveria derrotar ACM, o Neto – do DEM -, para o Brasil afastar de vez a ameaça de ressurgimento do carlismo, que tantos males causou à Bahia.
A mídia e a elite a paulista não são dignas da confiança dos brasileiros. Portanto, amanhã, vamos complementar a grande derrota deles.”
_________________________________________

LULA 67 ANOS !



Balaio do Kotscho

"Amanhã está fazendo dez anos que ganhamos a eleição, lembra?", foi logo me dizendo o ex-presidente Lula quando liguei para ele na manhã desta sexta-feira (26) para cumprimentá-lo pelo seu aniversário.
O tempo corre tão depressa que já não me lembrava direito daquele 27 de outubro de 2002, quando Lula comemorou no mesmo dia o seu aniversário e a vitória nas eleições para presidente da República.
Como estamos novamente na antevéspera de uma eleição, Lula desistiu de fazer neste sábado, em que completa 67 anos, uma comemoração para lembrar a data da primeira vitória do PT.
Preferiu deixar para organizar com calma, no começo de janeiro, uma série de atividades em que pretende fazer um balanço dos dez anos de governo do PT (oito dele e dois de Dilma).
"Vamos discutir o que era o Brasil antes do governo do PT e o que é agora", anunciou Lula, depois de voltar de mais uma longa maratona de comícios pelo País.”
Bastante animado com o que viu, e principalmente com a dianteira que seu candidato Fernando Haddad abriu nas pesquisas para a eleição de domingo em São Paulo, Lula já começou a fazer planos para 2014, sem citar nomes. "Precisamos ter competência para montar uma chapa forte na disputa pelo governo do Estado."
Desde que ele entrou de cabeça nas campanhas do PT, como estava sempre em trânsito, não falava com o velho amigo. Em nenhum momento da nossa breve conversa por telefone, o ex-presidente se queixou de qualquer problema de saúde, o que demonstra que ele está recuperado do tratamento do câncer na laringe, descoberto há exatamente um ano.
Até a voz está voltando ao normal. E combinamos de nos encontrar na próxima semana para colocar os assuntos em dia.
_______________________________

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A irresponsabilidade do decano

Autor: Luis Nassif 

Há duas maneiras dos Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestarem: uma, através dos autos; outras, através de manifestações extra-autos.
No primeiro caso, preserva-se a liturgia do cargo e até se pode disfarçar preferências, preconceitos e ideologia através das escolhas doutrinárias. A profusão de citações oculta ao leigo a enorme dose de subjetividade que permeia julgamentos.
Quando os magistrados enveredam pelo caminho da exposição pública e se permitem manifestar preferências políticas, o jogo muda. A toga vira ornamento vestindo o ego de uma celebridade. E o magistrado se expõe ao olhar público, como qualquer celebridade.
***
Sem o manto solene da toga, há muito a se reparar na personalidade de cada um: na falta absoluta de civilidade de Joaquim Barbosa, nos episódios controvertidos de Gilmar Mendes (que protagonizou uma possível fraude, com o senador cassado Demóstenes Torres, no episódio do "grampo sem áudio"), nas decisões sempre polêmicas de Marco Aurélio Mello, na submissão total de Ayres Britto aos clamores da mídia.
***
Mas nada se equipara à irresponsabilidade institucional do Ministro Celso de Mello, decano do STF.
O Ministro cumpriu carreira típica de servidor público qualificado. Primeiro, foi Procurador do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo. Com reputação consolidada, foi guindado ao cargo influente de principal assessor jurídico do controvertidíssimo Consultor Geral da República do governo Sarney, Saulo Ramos.
Ainda estão por serem reveladas as peripécias de Saulo à frente da consultoria e, depois, como Ministro da Justiça do governo Sarney. Foram muitas, desde a mudança do decreto do Plano Cruzado, visando dar sobrevida à indústria da liquidação extrajudicial, até o parecer conferindo direito aos investidores de títulos da dívida pública de receberem a correção monetária integral de um ano de congelamento, mesmo que tivessem adquirido o título na véspera do descongelamento.
Celso era o grande filtro técnico, o especialista capaz de dar vestimenta técnica às teses mais esdrúxulas de Saulo.
A Saulo, Celso serviu. E, como recompensa, ganhou a indicação para Ministro do STF.
***
Há toda uma hierarquia no serviço público na qual poderosos de hoje dependeram de favores dos antigos poderosos de ontem.
Até aí tudo normal. Não consta, em sua longa carreira, que o decano Celso de Mello tenha desmerecido a instituição para o qual foi indicado, mesmo levando-se em conta a qualidade dos seus padrinhos.
A grande questão é a maneira como ele, do alto da posição de decano do STF, está conduzindo suas declarações políticas. É de uma irresponsabilidade institucional mais adequada a um jovem carbonário do que a um decano.
***
Não se discutem as penas. Isso é prerrogativa do Magistrado. O que se discutem são as manifestações políticas inadmissíveis para quem representa o Supremo e a subordinação à segunda pior forma de pressão: o clamor da mídia (a primeira é a pressão do Estado).
Há uma grande chaga na política brasileira: as formas de cooptação de partidos políticos. E duas maneiras de combatê-la: entendendo-a como um problema sistêmico ou focando em apenas um partido.
***
Ao investir contra os "mensaleiros" com um rigor inédito, o STF desperta duas leituras: a benéfica, é o da necessidade da punição exemplar do episódio para extirpar sua prática da vida política nacional; a segunda, a de que seu rigor se limitará a esse julgamento, não aos próximos. Contra a imagem de isenção da corte tem-se a maneira como indícios foram transformados em provas. E tem-se o modo como o STF mudou a jurisprudência até então em vigor.
***
Há duas linhas de análise dos crimes das chamadas organizações criminosas. Uma - a "garantista" - exige a apresentação de provas objetivas para a condenação. Outra sustenta que, devido à complexidade das organizações, os julgamento podem se basear apenas em evidências. Até então, o STF adotava a primeira linha doutrinária, que beneficiava criminosos de “colarinho branco”. A partir do "mensalão", passou a adotar a segunda.
***
Não será fácil conquistar a aura de poder severo com todos os crimes. Na mesma semana do mensalão, por exemplo, o Ministro Marco Aurélio Mello concedeu habeas corpus a um vereador carioca suspeito de chefia uma gangue de milicianos. No episódio Satiagraha, o STF, quase por unanimidade, acolheu a agressividade ímpar do Ministro Gilmar Mendes e concedeu liminar a um banqueiro cujos lugares-tenentes foram flagrados tentando subornar um Policial Federal.
***
O Ministro Marco Aurélio concedeu um habeas corpus a Salvatore Cacciola que, nos poucos dias antes de ser derrubado, permitiu a fuga do ex-banqueiro. No momento, a Operação Satiagraha está parada no STJ, apesar dos esforços do Ministério Público Federal. No caso do chamado “mensalão mineiro”, segundo o próprio Joaquim Barbosa, foram os demais Ministros que aceitaram o desmembramento da ação, ao contrário do “mensalão do PT”.
***
Só no próximo julgamento se saberá se o STF é isento ou discricionário. No entanto, a discricionariedade de Celso de Mello se manifesta antecipada e gratuitamente no campo das manifestações políticas, com um desapreço pelo sistema Republicano de causar inveja aos juízes da ditadura. Não se limitou a condenar o cooptação dos partidos mediante pagamento. Condenou como ditatorial o próprio instituto das coligações partidárias, peça central de governabilidade no país.
***
Sabendo ser generalizada a prática de cooptação, os financiamentos obscuros de campanha, em vez de uma crítica geral à prática – até como sinal de que outras infrações receberão o mesmo tratamento - chegou ao cúmulo de comparar um partido político ao PCC. O que pretende com isso? Criar uma situação de esgarçamento político com o Executivo? Colocar o STF a serviço de um partido? Dar razão aos críticos que duvidam da isenção do tribunal
____________________________________________

Falsificador recebeu mais de R$ 500 mil da campanha de Serra

Por: Luis Nassif

Os advogados da coligação Para Mudar e Renovar São Paulo acusaram frontalmente a campanha de José Serra pela confeção do site falso atacando o adversário.

O responsável é Huayana Batista Tejo, presidente da empresa Soluções Originais em Desenvolvimento e Arte Ltda., ou SODA Virtual, contratada por R$ 250 mil pela campanha de Serra. Até 2a feira, a empresa já havia recebido R$ 531 mil da campanha de Serra.

A empresa foi responsável tanto pelo site falso quanto pelo jogo “Missão Impossível”, veiculado no Facebook.

No cache do Google, é possível saber mais sobre Huayana. Ele atuou também na campanha de 2010, para presidência da República.

Na Rede do PSDB, nas mensagens dirigidas a Huayana, lê-se as seguintes:
Casado gestor público,com Leandra pedagoga e pai de Marianna,Gastronoma , todos SERRISTAS, assessor do Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá,evangélicos, crentes que devemos banir a maior quadrilha de todos os tempos e eleger Serra Presidente do Brasil.

Sou SERRA 45! E NO DIA 31 NÃO DEIXEM A BRUXA VENCER! DIGA SIM A VIDA E SIM AO BRASIL! VOTE 45!
__________________________________________

EMPRESA DE CERRA FALSIFICOU SITE DE HADDAD


Provedora de internet GVT informa oficialmente que localizou de onde foi feita a geração do site falso Propostas Haddad 13: na Soda Virtual; essa empresa é contratada da campanha de José Serra, do PSDB, para fazer "criação e inclusão de páginas na internet"; por R$ 250 mil; crime eleitoral pode ser configurado; é soda! 

247 – Complica-se a situação da campanha do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra. Há um caso concreto que pode configurar crime eleitoral, passível, a depender da severidade da Justiça Eleitoral, em caso de denúncia formal, até mesmo de impugnação. Trata-se da afirmação, pela provedora de internet GVT, de que o falso site Propostas Haddad 13, com idêntica linguagem visual à da página oficial do candidato do PT, foi criado na sede da empresa de comunicação online Soda Virtual. Esta empresa foi contratada pela campanha de Serra com a missão de fazer a "criação e inclusão de páginas na internet". O que era para ser, em tese, ao menos, acreditava-se, a favor do tucano, involuiu para fraude contra Haddad. Na manhã de hoje, sem se referir diretamente a este fato, o candidato petista classificou Serra como "rasteiro".
A notícia da informação prestada pela GVT sobre a Soda foi publicada em primeira mão, hoje, pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo.
A assessoria de Serra informou, por meio de nota, que o site não é de iniciativa da campanha. "A campanha se manifesta na internet por meio do site serra45.com.br, da página do Facebook timeserra45 e do twitter @serraja", diz o texto.
Vai ficar por isso mesmo? 
__________________________________________

REPRESENTANTES DO TAPRANÓS MONTAM CIRCO NA CÂMARA DE SANTARÉM



Um festival de bobagens e de falanças jogadas ao vento, assim aconteceu nesta manhã de sexta (26), na Câmara Municipal de Santarém, um novo Fórum que segundo seus idealizadores, é uma volta as discussões da recriação do Estado do Tapajós.
Derrotados pelo Governador Simão Jatene no plebiscito, o deputado Lira Maia DEM, que agora é o coordenador geral do futuro governo do prefeito eleito Alexandre Von PSDB, segundo informações extras oficiais, fez o que mais sabe, contar vantagem.
A nova estratégia que eles chamam de PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular) uma xerox do que está na rua ha meses pelo Carajás - Tapajós. 
Um disfarce para alavancar a reeleição do deputado Lira Maia DEM que comandou esse evento festivo de Fórum do Tapajós. Uma  PLIP, disfarçada de campanha de reeleição. 
Se você observar nesta foto acima, já da para ver que o povo está distante dessa palhaçada, pois não acredita mais nesses falsos defensores do Estado do Tapajós, pois são os melhores amigos do maior inimigo do Novo Estado, o Governador Simão Jatene.
________________________________________

JUIZ CONDENA DOMINGOS JUVENIL

 A sentença do juiz federal Pablo Dourado que condenou o ex-deputado e prefeito eleito de Altamira, Domingos Juvenil, por improbidade administrativa foi publicada no Diário Oficial de Justiça do último dia 15 de outubro. O juiz acolheu parcialmente as acusações do Ministério Público Federal (MPF) em ação impetrada no ano de 2006. Ele entendeu que o gestor praticou ato de improbidade administrativa por aplicar irregularmente verbas de um convênio firmado com a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) em 2004, época em que Juvenil era prefeito de Altamira. 
A sentença do juiz pede a suspensão dos direitos políticos de Juvenil, perda da função pública e proibição de contratar com o poder público. Como ainda cabe recurso da decisão, Juvenil deve assumir a prefeitura normalmente no início do ano que vem, enquanto a decisão não transitar em julgado.
De acordo com a sentença, de 8 de agosto, o convênio firmado pela Prefeitura de Altamira com a Funasa envolveu verbas no valor aproximado de R$1,1 milhão. 
O objetivo era a execução de ações complementares à saúde indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena do município. Segundo sustentou o Ministério Público, um relatório da Funasa apontou que não houve licitação para aquisição de bens necessários ao atendimento dos indígenas. O MPF requereu, portanto, o enquadramento de Domingos Juvenil na Lei de Improbidade Administrativa (8.249/92). 
O juiz confirmou que não foi realizado o processo licitatório devido, configurando ato de improbidade. O réu tentou justificar que a aquisição dos equipamentos era urgente, hipótese afastada pelo juízo. 'Não há nos autos decreto de situação de emergência ou calamidade pública', reforça na sentença.
O MPF pedia, ainda, a condenação do réu por danos materiais e por danos materiais coletivos, mas os pedidos não foram acatados pelo juiz. 'Não vejo nos autos a demonstração do dano material alegado pelo autor. Nem o MPF nem a Funasa diligenciou no sentido de verificar a efetiva diferença existente entre o valor de mercado dos bens adquiridos, na época da aquisição, e os preços pagos pelo requerido', justifica. Para o juiz, no entanto, não restaram dúvidas de que ato ímprobo existiu, daí a condenação parcial.
(Amazônia – ORM)
______________________________________________

Berlusconi é condenado a quatro anos de prisão

O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi foi condenado a quatro anos de prisão e três anos de afastamento da vida pública por fraude fiscal. A decisão foi tomada pela Justiça da Itália nesta sexta-feira. Ele não estava presente no tribunal de Milão quando a sentença foi anunciada.
Na Itália, as condenações podem passar por duas instâncias antes de serem consideradas definitivas, o que cria a expectativa de que Berlusconi ainda irá recorrer.
Fedele Confalonieri, presidente do grupo de comunicação Mediaset, cujo dono é Berlusconi, foi absolvido. Frank Agrama, intermediário considerado pelos promotores como "sócio oculto" de Berlusconi nos negócios do Mediaset, foi sentenciado a três anos de prisão.
Além disso, os condenados terão de pagar uma quantia de € 10 milhões (R$ 26,4 milhões) à Receita Federal. O valor ainda é considerado provisório.
_________________________________________

FARSAS E FARSANTES

Belém: Silêncio ensurdecedor




Pesquisa do Instituto Vox Populi, feita entre os dias 23 e 24 de outubroe registrada no TSE sob o nº 00339/2012, encomendada por Delta Publicidade S. A. (jornal O Liberal), tinha data de divulgação marcada oficialmente, no Sistema de Registro de Pesquisas da Justiça Eleitoral, para ontem, mas nem tchuns, e o silêncio continua na edição de hoje. Entretanto, alguém abriu o bico e revelou que o resultado aponta 52% para Edmilson Rodrigues (PSOL) e 48% para Zenaldo Coutinho (PSDB).
_________________________________________________

Por motivos alheios à vontade do Globo…

por Rodrigo Vianna

Na terça-feira, a tela do JN voltou a ser o que se espera de um telejornal da Globo em véspera de eleição: sob comando de Ali Kamel (um diretor de jornalismo que gasta seu tempo tentando intimidar blogueiros com ações judiciais), a TV da família Marinho fez um balanço de 18 minutos sobre o “mensalão”. Repita-se: balanço sobre um julgamento que não acabou.
Normal que se noticie o que acontece no STF. Anormal que se gaste quase metade de um telejornal para fazer “balanço” do que não terminou. Isso às vésperas da eleição. O MSM (Movimento dos Sem Mídia) entrou com um pedido na Procuradoria Geral da República para que aGlobo seja investigada por crime eleitoral. Na petição, o MSM lembra outros episódios pré-eleitorais envolvendo a Globo: Proconsult contra Brizola (82), debate editado para prejudicar Lula (89), bolinha de papel em 2010…
Agora, outro fato grave. O site de “O Globo” estampou na capa, nessa quinta-feira, notícia sobre o cancelamento do ENEM! A notícia – falsa – teria sido espalhada por apoiador de Serra em São Paulo. Cerca de uma hora depois, “O Globo” publicou a nota que se segue:

Esclarecimento: Enem 2012 não foi cancelado
RIO – Por motivo alheio à vontade do GLOBO, uma reportagem publicada no site em 2009, que noticiava o cancelamento das provas do Enem naquele ano, voltou a circular na rede via Facebook, aparecendo em listas de mais lidas da rede social, reproduzidas de forma automática em nossa homepage.
O GLOBO esclarece que o Enem 2012 não foi cancelado e que está tomando providências junto aos administradores da rede social para que a reportagem de 2009 saia das citadas listas do Facebook em nosso site.

===

A explicação de “O Globo” parece frágil. Qualquer notícia que estiver entre as mais lidas vai pra capa do site? Não há controle? Se um robô bombardear o facebook com frases em russo, isso vai parar na capa do site?
Tá bom…
A tentativa de espalhar pânico para tirar votos de Haddad parece sinal de desespero.
E eu diria mais: “por motivos alheios à vontade do Globo”, Serra vai perder a eleição.
Com ou sem boato.
________________________________________

O TURISMO COMUNITÁRIO DO PROJETO SAÚDE E ALEGRIA

AYRES NÃO TEM MAIS PRESSA. O MAL ESTÁ FEITO


Só não deu tempo de algemar o Dirceu para o jn de sábado.

Assistia o ansioso blogueiro a um breve trecho da cobertura completa, ao vivo, ininterrupta da GloboNews do mensalão (o do PT).
A âncora, uma especialista e, de pé, em frente à sucursal da Globo na Praça dos 4 Poderes: o prédio do Supremo Tribunal de Salém, uma colonista.
Discutia-se a lambança da dosimetria.
Só se sabe que o Dirceu será algemado.
Quanto ao resto, uma confusão generalizada.
Nem o Ataulfo Merval de Paiva, notável especialista na matéria, entende.
Aí, a colonista explica que, depois da caótica sessão, o presidente Ayres Britto disse aos jornalistas que não tem problema se a dosimetria levar mais tempo.
Pode esperar o ministro Barbosa voltar da Alemanha.
O Fluminense ganhar o Brasileirinho.
O Fernando Henrique parar de se olhar no espelho.
E o Cerrar guardar, até 2014, as armas de destruição em massa.
Disse o augusto Presidente, aquele cujas Teorias maquiavélicas o professor Wanderley recomenda espalhar a quatro ventos:
Agora é como trocar o pneu enquanto o carro anda.
Perfeito !
Não há mais pressa.
Ele, que calculou, milimetricamente, a cronologia do julgamento, que constrangeu o Ministro Revisor, agora pode sentar no banco de tras e relaxar.
Aguardar a troca de pneus.
Claro !
O Cerra pode transformar o mensalão (o do PT) num cabo eleitoral.
E a Globo pode produzir os memoráveis 18′ de crime eleitoral, como demonstra o Edu.
Ayres Britto deve ir para aposentadoria – e um escritório de advocacia em Brasília – com a certeza do dever cumprido.
Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim
______________________________________

“Na América Latina, monopólios midiáticos substituem partidos de direita”, diz Atilio Boron


O cientista político argentino Atilio A. Boron Foto: Ramiro.

"Não há erro: os meios de comunicação simplesmente são grandes conglomerados empresariais que têm interesses econômicos e políticos. Na América Latina, os monopólios midiáticos têm um poder fenomenal que vêm cumprindo na função de substituir os partidos políticos de direita que caíram em descrédito e que não têm capacidade de chamar a atenção nem a vontade dos setores conservadores da sociedade”. Assim o politólogo e cientista social argentino Atilio Boron caracteriza a denominada canalha midiática.
Nesse sentido, explica, "cumpre-se o que muito bem profetizou Gramsci há quase um século, quando disse que diante da ausência de organizações da direita política, os meios de comunicação, os grandes diários, assumem a representação de seus interesses; e isso está acontecendo na América Latina”. Em praticamente todos os países da região, os conglomerados midiáticos converteram-se em "operadores políticos”.
A Crise do Capitalismo e o triunfo de Chávez
Boron, que dispensa apresentação por ser um importante referente da teoria política e das ciências sociais em Iberoamérica, foi um dos expositores principais do VI Encontro Internacional de Economia Política e Direitos Humanos, organizado pela Universidad Popular Madres de la Plaza de Mayo, que aconteceu em Buenos Aires, entre os dias 4 e 6 de outubro.
Tópicos como a crise estrutural do capitalismo, o fenômeno da manipulação dos monopólios midiáticos e o que significa para a América Latina o triunfo de Hugo Chávez foram tratados com profundidade por esse destacado politólogo, sociólogo e investigador social, doutorado em Ciências políticas pela Universidade de Harvard e, atualmente, diretor do Programa Latino-americano de Educação a Distância em Ciências Sociais do Centro Cultural da Cooperação Floreal Gorini, na capital argentina.
Para aprofundar sobre alguns desses temas, o Observatorio Sociopolítico Latinoamericano (www.cronicon.net) teve a oportunidade de entrevistá-lo no final de sua participação em dito fórum acadêmico internacional.
Rumo a um projeto pós-capitalista
No desenvolvimento de sua exposição no encontro da Universidad Popular de Madres de la Plaza de Mayo, Boron analisou o contexto da crise capitalista.
"Hoje em dia é impossível referir-se à crise e à saída da mesma sem falar do petróleo, da água e das questões meio ambientais. Essa é uma crise estrutural e não produto de uma má administração dos bancos das hipotecas subprime”.
Recordou que, recentemente, foram apresentadas propostas por parte dos Prêmios Nobel de Economia para tornar mais suave a débâcle capitalista. Uma, a esboçada por Paul Krugman, que propõe revitalizar o gasto público. O problema é que os Estados Unidos estão quebrados e o nível de endividamento das famílias nos Estados Unidos equivale a 150% dos ingressos anuais. "Krugman propõe dar crédito ao Estado para que estimule a economia. Porém, os Estados Unidos não têm dinheiro porque decidiram salvar os bancos”.
A outra proposta é de Amartya Sem, que analisa a situação do capitalismo como uma crise de confiança e é muito difícil restabelecê-la entre os poupadores e os banqueiros devido aos antecedentes desses últimos. Por isso, essas não deixam de ser "pseudo explicações que não levam à questão de fundo. Não explicam porque caem os índices do PIB e sobem as bolsas. Ambos índices estariam desvinculados e as bolsas crescem porque os governos injetaram moeda ao sistema financeiro”.
A crise capitalista serviu para acumular riqueza em poucas mãos, uma vez que "o que os democratas capitalistas fizeram no mundo desenvolvido foi salvar os banqueiros, não os endividados, ou seja, as vítimas”.
Exemplificou com as seguintes cifras: enquanto o ingresso médio de uma família nos Estados Unidos é de 50.000 dólares ao ano, o daqueles de origem latina é de 37.000 e o de uma família negra é de 32.000, o diretor executivo do Bank of America, resgatado, cobrou um salário de 29 milhões de dólares.
Então, é evidente que cada vez mais há uma tendência mais regressiva de acumular riqueza em poucas mãos. Em trinta anos, o ingresso dos assalariados foi incrementado em 18% e o dos mais ricos cresceu 238%.
"No capitalismo desenvolvido houve uma mutação e os governos democráticos transformaram-se em plutocracias, governos ricos”. Porém, além disso, "o capitalismo se baseia na apropriação seletiva dos recursos”.
Por isso, citando o economista egípcio Samir Amin, Boron afirma sem medo que "não há saída dentro do capitalismo”.
Como alternativa, Boron sustenta que "hoje, pode-se pensar em um salto para o modelo pós-capitalista. Há algo que pode ser feito até que apareçam os sujeitos sociais que darão o ‘tiro de misericórdia’ no capitalismo. O que se pode fazer é desmercantilizar tudo o que o capitalismo mercantilizou: a saúde, a economia, a educação. Assim, estaremos em condições de ver o amanhecer de um mundo mais justo e mais humano”.
A reeleição na Venezuela
Sobre a matriz de opinião que os monopólios midiáticos da direita têm tentado impor no sentido de que a reeleição do presidente Chávez é um sintoma de que ele quer se perpetuar no poder, a análise de Boron foi contundente:
"Há um grau de hipocrisia enorme nesse tema, porque os mesmos que se preocupam com o fato de Chávez estar por 20 anos no governo, aplaudiam fervorosamente a Helmut Kohl, que permaneceu no poder por 18 anos, na Alemanha; ou Felipe González, por 14 anos, na Espanha; ou Margaret Thatcher, por 12 anos, na Inglaterra”.
"Há um argumento racista que diz que somos uma raça de corruptos e imbecis; que não podemos deixar que as pessoas mantenham-se muito tempo no poder; ou há uma conveniência política, que é o que acontece ao tentarem limar as perspectivas de poder de líderes políticos que não são de seu agrado. Agora, se Chávez instaurasse uma dinastia onde seu filho e seu neto herdassem o poder, eu estaria em desacordo. Porém, o que Chávez faz é dizer ao povo que eleja; e, em âmbito nacional, por um período de 13 anos, convocou o povo venezuelano para 15 eleições, das quais ganhou 14 e perdeu uma por menos de um ponto; e, rapidamente, reconheceu sua derrota. Então, não está dito em nenhum lugar serio da teoria democrática que tem que haver alternância de lideranças, na medida que essa liderança seja ratificada em eleições limpas e pela soberania popular”.

Confira a entrevista: A canalha midiática assume a representação de interesses da direita

Hoje, no debate da teoria política, fala-se de "pós-democracia”, para significar o esgotamento dos partidos políticos, a irrupção dos movimentos sociais e a incidência dos meios de comunicação na opinião pública. Que alcance você dá a esse novo conceito?
Eu analiso como uma expressão da capitulação do pensamento burguês que, em uma determinada fase do desenvolvimento histórico do capitalismo, fundamentalmente a partir do final da I Guerra Mundial, apropriou-se de uma bandeira -que era a da democracia- e a assumiu. De alguma maneira, alguns setores da esquerda consentiram nisso. Por quê? Bom, porque estávamos um pouco na defensiva e, além disso, o capitalismo havia feito uma série de mudanças muito importantes. Por isso, a ideia de democracia ficou como se fosse uma ideia própria da tradição liberal burguesa, apesar de que nunca houve um pensador dessa corrente política que fizesse uma apologia do regime democrático. Estudavam sobre isso, possivelmente, a partir de Thorbecke ou de John Stuart Mill; porém, nunca propunham um regime democrático; isso vem da tradição socialista e marxista. No entanto, apropriaram-se dessa ideia; passaram todo o século XX atualizando-a. Agora, dadas as novas contradições do capitalismo e ao fato de que as grandes empresas assumiram a concepção democrática, a corromperam e a desvirtuaram até o ponto de torná-la irreconhecível, perceberam que não tem sentido continuar falando de democracia. Então, utilizam o discurso resignado que diz que o melhor da vida democrática já passou; um pouco a análise de Colin Crouch: o que resta agora é o aborrecimento, a resignação, o domínio a cargo das grandes transnacionais; os mercados sequestraram a democracia e, portanto, temos que nos acostumar a viver em um mundo pós-democrático. Nós, como socialistas, e, mais, como marxistas jamais podemos aceitar essa ideia. Creio que a democracia é a culminação de um projeto socialista, da socialização da riqueza, da cultura e do poder. Porém, para o pensamento burguês, a democracia é uma conveniência ocasional que durou uns 80 ou 90 anos; depois, decidiram livrar-se dela.
Mesmo em uma situação anômala mundial e levando-se em conta que a propriedade dos grandes meios de comunicação está concentrada em uns poucos monopólios do grande capital, como você analisa o fenômeno da canalha midiática na América Latina? Parece que, paulatinamente, vão perdendo a credibilidade...?
O que bem qualificas como canalha midiática tem um poder fenomenal, que vem substituindo os partidos políticos da direita que caíram no descrédito e que não têm capacidade de prender a atenção nem a vontade dos setores conservadores da sociedade. Nesse sentido, cumpre-se o que, Gramsci muito bem profetizou há quase um século, quando disse que diante da ausência de organizações da direita política, os meios de comunicação, os grandes diários, assumem a representação de seus interesses e isso está acontecendo na América Latina. Em alguns países, a direita conserva certa capacidade de expressão orgânica, creio que é o caso da Colômbia; porém, na Argentina, não, porque nesse país não existem dois partidos, como o Liberal e o Conservador colombianos; e o mesmo acontece no Uruguai e no Brasil. O caso colombiano revela a sobrevivência de organizações clássicas do século XIX da direita que se mantiveram incólumes ao longo de 150 anos. É parte do anacronismo da vida política colombiana que se expressa através de duas formações políticas decimonônicas [do século XIX], quando a sociedade colombiana está muito mais evoluída. É uma sociedade que tem uma capacidade de expressão através de diferentes organizações, mobilizações e iniciativas populares que não encontram eco no caráter absolutamente arcaico do sistema de partidos legais na Colômbia.
Com essa descrição que encaixa perfeitamente na realidade política colombiana, o que poderíamos falar, então, de seus meios de comunicação...
Os meios de comunicação naqueles países em que os partidos desapareceram ou debilitaram-se são o substituto funcional dos setores de direita.
O que significa para a América Latina o triunfo do presidente venezuelano Hugo Chávez?
Significa continuar em uma senda que se iniciou há 13 anos, um caminho que, progressivamente, ocasionado algumas derrotas muito significativas ao imperialismo norte-americano na região, entre elas, a mais importante, a derrota do projeto da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que era a atualização da Doutrina Monroe para o século XXI e isso foi varrido basicamente pela enorme capacidade de Chávez de formar uma coalizão com presidentes que, não sendo propriamente de esquerda, eram sensíveis a um projeto progressista, como poderia ser o caso de Lula, no Brasil e de Néstor Kirchner, na Argentina. Ou seja, de alguma maneira, Chávez foi o marechal de campo na batalha contra o imperialismo; é um homem que tem a visão geopolítica estratégica continental que ninguém mais tem na América do Sul. O outro que tem essa mesma visão é Fidel Castro; porém, ele já não é chefe de Estado, apesar de que eu sempre digo que o líder cubano é o grande estrategista da luta pela segunda e definitiva independência, enquanto que Hugo Chávez é o que leva as grandes ideias aos campos de batalha, e, com isso, avançamos muito. Inclusive, agora, com a entrada da Venezuela ao Mercosul, conseguiu-se criar uma espécie de blindagem contra tentativas de golpe de Estado. Caso a Venezuela permanecesse isolada, considerado um Estado paria, teria sido presa muito mais fácil da direita desse país e do império norte-americano. Agora, não será tão fácil.
Você vê algumas nuvens cinzentas no horizonte do processo revolucionário da Venezuela?
Creio que sim, porque a direita é muito poderosa na América Latina e tem capacidade de enganar as pessoas. E os grandes meios de comunicação têm a capacidade de manipular, enganar, deformar a opinião pública; vemos isso muito claramente na Colômbia. Boa parte dos colombianos compraram o bilhete da Segurança Democrática com uma ingenuidade, como aqui na Argentina compramos o bilhete de ganhar a Guerra das Malvinas. Portanto, temos que levar em consideração que, sim, existem nuvens no horizonte porque o imperialismo não ficará de braços cruzados e tentará fazer algo como, por exemplo, impulsionar uma tentativa de sublevação popular, tentar desestabilizar o governo de Chávez e derrubá-lo.
_________________________-

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MENSALÃO DERROTAR O HADDAD ? SÓ MILAGRE


O JN ainda tem esta quarta, a quinta, a sexta e o sábado para virar a eleição. Como fez em 2006: levou a eleição para o segundo turno, ao ignorar o desastre da Gol, para não despaginar a edição Golpista.

O Conversa Afiada não acredita em pesquisa eleitoral no Brasil, indústria duopolizada de dois instrumentos do PiG: Datafalha e Globope.
O Conversa Afiada trata de pesquisa para irritar quem acredita nelas e, especialmente, as manipula como arma eleitoral – leia-se Padim Pade Cerra, breve a ser rebaixado para Zezinho Trinta, o campeão das pesquisas seis meses antes da eleição.
Sendo assim: Tréquim da espontânea: Haddad 42 x 28 do Zezinho Trinta;
Estimulada: Haddad 50 a 31.
Votos válidos da estimulada: Haddad 62 x 38.
Chora, Kamel, chora !
Não deixe de ler sobre o desesperado jornal nacional desta terça-feira.
Vamos ver, agora, se o Datafalha e o Globope atenuam o impacto sobre o Padim.
E o jn ainda tem esta quarta, a quinta, a sexta e o sábado para virar a eleição.
Como fez em 2006: levou a eleição para o segundo turno, ao ignorar o desastre da Gol, para não despaginar a edição Golpista- clique aqui para ler “O primeiro Golpe já houve”.
O jornal nacional conta com a pontual contribução do Supremo.
Fernando Haddad conta que, em toda a campanha, uma única vez foi interpelado sobre o mensalão (o do PT).
(O Cerra foi mais vezes sobre a Privataria.)
É muito pouco provável que o julgamento – com a mão gorda do jornal nacional e a perfeita sincronia com o Supremo – altere a tendência até aqui.
Se for confiável o último tréquim (62 a 38) – que pode ser tão “científico” quanto as pesquisas “oficiais”, aquelas que saem no jornal nacional -, nos quatro dias que faltam será preciso ocorrer uma reviravolta espantosa.
Algo que faça o Cerra subir doze pontos e o Haddad cair doze.
Na suposição de que nenhum ex-eleitor do Cerra vote nulo, branco, ou não apareça para votar.
E o que provocaria essa mudança brusca ?
Só um mega-escândalo que envolva diretamente a pessoa do Haddad.
Não bastam o mensalão (o do PT) e a dosimetria aplicada ao Dirceu no jornal nacional de sexta.
Um jornal nacional como aquele de 1989, na véspera do segundo turno de Collor e Lula, com o “editorial” assustador do Alexandre Maluf Garcia.
Ou o Golpe de 2006, quando o Ali Kamel ignorou o desastre da Gol e não despaginou o jornal que condenava Lula e engrossava os votos do Alckmin.
Não basta: 12 pra lá e 12 pra cá é muito voto para o Ali Kamel mudar, em quatro dias.
Tem que ser um tiro no peito do próprio Haddad.
Um flagrante devastador, desmoralizante, vexatório.
Verídico ou falso.
Tanto faz.
A Elite não pode perder pela quarta vez consecutiva em 2014.
Os fins justificam qualquer papel do jn.
Não deixe de ler “Edu vai à Justiça contra o jn”.

Paulo Henrique Amorim
____________________________________

Marajó quer separar-se do Pará. Debate hoje na UFPA


Há bastante tempo o tema da transformação do Arquipélago do Marajó em Território Federal ou Estado entra e sai da pauta. Subregião muito próxima de Belém, os municípios marajoaras estão entre os mais pobres e abandonados do Estado. A separação está em debate hoje na UFPA.

marajobufalofest.blogspot.com

O arquipélago do Marajó é conhecido por suas belas praias, mas apresenta também elevados índices de pobreza gerando precárias condições de vida. Será que torná-lo um Estado ou Território poderá ajudar a melhorar a situação da população local? Discutir soluções para os problemas, enumerar pontos positivos e negativos sobre a transformação são temas da mesa redonda “Criação do Território do Marajó”, que será realizada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), nesta quarta-feira, 24, no Auditório Setorial Básico, do Campus Guamá.
A ideia de promover essa discussão surgiu após conversas do professor Jorge Moraes, do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (IFCH), com o bispo da Prelazia do Marajó, Dom Luiz Azcona, que já vem discutindo o assunto no âmbito local. “Abrimos espaço para essa discussão dentro da Universidade”, diz o professor.
A mesa é composta pelo bispo da Prelazia do Marajó, Dom Luiz Azcona, pela professora Indira Rocha, por Pedro Rodrigues Barbosa, da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), e Adelina Braglia, diretora do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Idesp), que vai apresentar os índices socioeconômicos do arquipélago.
O evento é aberto à comunidade interna e externa, sendo essa discussão de interesse geral do público. As inscrições podem ser feitas na Faculdade de Psicologia ou no Auditório Setorial Básico.
O arquipélago abriga 16 municípios que alcançam uma extensão de mais de 104 mil quilômetros quadrados onde vivem cerca de 450 mil habitantes.
___________________________________________________

GLOBO É ACUSADA DE CRIME ELEITORAL POR EDIÇÃO DO JN


Movimento dos Sem-Mídia, presidido por Eduardo Guimarães, protocola ação contra a Rede Globo em razão dos 18 minutos dedicados ao especial sobre o mensalão, após o horário eleitoral gratuito; emissora comandada por Ali Kamel (dir.), que nunca se recuperou da edição do debate entre Lula e Collor em 1989, é acusada de partidarismo.

247 – A edição de ontem do Jornal Nacional, que dedicou 18 minutos a um especial sobre o mensalão, logo após o horário eleitoral gratuito, pode ter infringido a Lei Geral das Eleições. Comandada por Eduardo Guimarães, a ONG Movimento dos Sem-Mídia, decidiu entrar com representação contra a Globo junto à Procuradoria Geral Eleitoral e ao Ministério das Comunicações, acusando a emissora da família Marinho, comandada pelo jornalista Ali Kamel, de agir de forma partidária, assim como ocorreu em 1989, na edição do debate entre Lula e Fernando Collor.
Leia abaixo:

ONG representará contra Jornal Nacional na PGE e no Minicom

Até a insuspeita Folha de São Paulo notou a cobertura desproporcional, ilegal e até criminosa que o Jornal Nacional fez da sessão de terça-feira (23.10) do julgamento do mensalão. Segundo a matéria em tela, o telejornal gastou 18 dos 32 minutos de sua edição de ontem com esse assunto.  
______________________________________

TUCANO TRAVADO

Dilma também está com Edmilson

Mano Brown: A morte por “parecer ser”

Fazendeiros bloqueiam e plantam soja em estrada que dá acesso à aldeia


Trator plantando soja e  Cerca de arame farpado foi levantada para bloquear o acesso dos indígenas.

Segundo a comunidade kaiowá Laranjeira Nhanderu, o dono de uma terra vizinha ao território indígena seria o responsável pelo bloqueio dos acessos de entrada e saída da aldeia, no município de Rio Brilhante (MS)

Ruy Sposati, Cimi

Indígenas kaiowá do tekoha - território sagrado - Laranjeira Nhanderu, no município de Rio Brilhante, sul do Mato Grosso do Sul, tiveram os acessos de entrada e saída da aldeia bloqueados nesta segunda-feira (22).
Segundo a comunidade, o dono de uma terra vizinha ao território indígena seria o responsável pelo bloqueio. "Eles cercaram com arame farpado, com cercas e estacas. Não tem como passar. O ônibus escolar não pode buscar as crianças para a escola. Nem bicicleta direito passa", diz o kaiowá Adalto Barbosa."Isso já aconteceu muitas vezes", relata o indígena.
"Em duas vezes, foi pior. Uma vez, fecharam o portão e a ambulância não conseguiu entrar. Quando pegaram o meu filho para levar no hospital, quando chegou lá, o corpo já chegou morto. Um filhinho de uma mulher [da aldeia] também. Com a estrada fechada, quando chegou na ponte do rio Brilhante, já chegou morto. Também uma vez colocaram fogo em tudo, queimaram as casas. Eles são culpados de tudo", acusa.
Desta vez, contudo, o bloqueio foi mais longe. Segundo relato dos indígenas e conforme as fotografias enviadas pela equipe do Conselho Indigenista Missionário, Regional MS, tratores estariam plantando soja sobre a estrada que dá acesso à aldeia.
Histórico
A história de espoliações do tekoha passa pela chegada da frente de colonização das plantações de mate, na primeira metade do século XX. Segue com expulsões e assassinatos promovidos pelos latifundiários criadores de gado, perpassa a cana-de-açucar e agora a soja, além de cultivos paralelos, como o arroz e o milho na entressafra da soja.
O território, de cerca de 400 hectares, foi retomado em 2009. Em 2010, os indígenas foram expulsos da área, quando se alojaram às margens da estrada, ao lado da entrada de uma das fazendas invasoras. Sofreram com as inundações, o calor, falta de água potável e ao menos três mortes por atropelamento, até que retomaram novamente o território em maio de 2011.
Já em janeiro deste ano, os fazendeiros tentaram a reintegração de posse da área em ação junto à Justiça Federal. Contudo, por conta da pressão de indígenas e organizações indigenistas, o despejo foi suspenso pelo Tribunal Regional Federal da 3a. Região (TRF-3), em São Paulo, onde ainda tramita o processo dos fazendeiros contra os indígenas.
TAC
O tekoha de Laranjeira Nhanderu está contemplado no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecido em 2007 pelo Ministério Público Federal (MPF) com a Fundação Nacional do Índio (Funai). O acordo exige que sejam constituídos grupos técnicos para identificação e delimitação das terras indígenas, no sentido de agilizar o trabalho de demarcação de terras reivindicadas pelos Kaiowá e Guarani.
Segundo o indígena, o processo de demarcação de Laranjeira estaria praticamente parado por conta da Fundação Nacional do Índio (Funai) não ter verbas suficientes para realizar os estudos do Grupo de Trabalho: "será que o governo federal nao tem dinheiro para fazer [a demarcação]? Por isso está atrasando o pagamento para o antropólogo, para o perito?", questiona Adalto, de maneira retórica. "Se não der dinheiro para a Funai [de Ponta Porã], não sai demarcação da terra, e aí a gente vai ter esses problemas. E a Dilma não dá. Então, na minha visão, ela não quer mais arrumar a terra para o índio. É a própria Dilma que está fazendo isso com a gente".
Adalto também se diz preocupado com a aprovação da Portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU). Caso entre em vigor, a polêmica medida permitirá intervenções militares e empreendimentos hidrelétricos, minerais e viários em terras indígenas sem consulta prévia aos povos, além de prever a revisão dos territórios já demarcados e homologados. "Se valer aquilo ali, a gente está tudo na rua. É o governo e todo mundo querendo pegar a terra. Não tem como defender", conclui.
________________________________________

E O “HERÓI” DO MENSALÃO NÃO CONHECIA A LEI...

Ao vivo e em cores, na sessão que começou a definir a dosimetria da Ação Penal 470, o ministro Joaquim Barbosa tentou aplicar penas não previstas em lei e teve de passar pelo constrangimento de ser corrigido por colegas no plenário; cultuado pelos meios de comunicação e transformado em fenômeno popular que virou máscara de Carnaval, o relator teve de consultar o Código Penal em plena sessão; até Merval Pereira reparou. 

247 – “Finalmente”. Esta foi uma das primeiras palavras usadas pelo ministro Joaquim Barbosa, presidente eleito do Supremo Tribunal Federal, antes da sessão que começaria a definir a chamada dosimetria da Ação Penal 470. Era chegada a hora de começar a mandar os réus para a cadeia e o relator mal escondia sua satisfação – diferentemente de ministros, como Ayres Britto, que, ao condenar falavam do gosto “de jiló, de fel ou de mandioca roxa na boca”, talvez apenas como figura de retórica.
Cultuado pelos meios de comunicação como “o menino pobre que mudou o Brasil” (Veja) e como o justiceiro com a grande chave da cadeia (charge do Globo desta quarta-feira), Joaquim Barbosa é um herói popular, cogitado até para uma disputa presidencial e, apelidado de “nosso Batman”, máscara de Carnaval já pronta para 2013.
No entanto, Barbosa não estava preparado para a sessão do “gran finale” e cometeu erros em série, tendo que passar pelo constrangimento de ser corrigido pelos próprios colegos, ao vivo e em cores, na sessão transmitida pela TV Justiça.
O que ocorreu ontem foi tão inusitado que até o colunista Merval Pereira, chefe de torcida pela condenação nos meios de comunicação, reparou e publicou, nesta quarta, a coluna “O STF se perde”. Eis alguns trechos:
“Barbosa em diversas ocasiões demonstrou que não se preparou adequadamente para a sessão de ontem. Deu uma pena para Marcos Valério por formação de quadrilha e ainda por cima aplicou uma multa (....) Luiz Fux tentou acudir, comentando baixinho: ´Eu tenho a impressão de que não há previsão de multas´. Barbosa insistiu, chamando a atenção para seu próprio erro: ´A previsão de multa é genérica´. Não era, não, e Celso de Mello e Ayres Britto, consultando o Código, alertaram que naquele artigo não havia previsão de multa.”
Merval citou ainda outro erro de Barbosa, ao tentar aplicar uma pena por corrupção ativa para Marcos Valério prevista não na lei correta, que é mais branda do que a atual. Foi corrigido por Lewandowski, irritou-se, disse que a propina a Henrique Pizzolato foi paga em janeiro de 2004, mas foi corrigido por vários ministros. Celso de Mello pediu até para que a sessão fosse encerrada.
Preocupado com o vexame de ontem, Merval afirmou que se os ministros não se reunirem antes das sessões – talvez para alertar Barbosa sobre possíveis novos erros – o julgamento não terminará amanhã (antes das eleições) como estava previsto e os réus poderão apresentar muitos embargos.
Segundo o colunista do Globo, ontem o STF se perdeu. Talvez tenha se perdido um pouco antes.
Leia, também reportagem da Folha sobre os erros em série de Joaquim Barbosa na sessão de ontem, classificados como “vergonha” por um advogado dos réus:
Relator comete erros ao definir penas e é corrigido por colegas
Joaquim Barbosa quis aplicar pena de multa ao crime de quadrilha, o que não existe, e usou uma legislação errada
Advogados disseram que os 'equívocos' do ministro devem levar aos chamados embargos à decisão

DE BRASÍLIA
O ministro relator do mensalão Joaquim Barbosa cometeu erros em seu voto sobre a aplicação das penas ao empresário Marcos Valério, foi corrigido pelos colegas no plenário e recebeu críticas dos advogados dos réus.
O primeiro equívoco de Barbosa ocorreu quanto ao crime de quadrilha. O relator quis aplicar a pena de multa, que não é aceita para o crime. Ele foi alertado sobre o engano pelo ministro Luiz Fux e afastou essa punição.
Barbosa também recuou após adotar uma pena prevista em lei que não estava em vigor quando aconteceu o crime de corrupção ativa de Valério em contratos de publicidade do Banco do Brasil.
O revisor Ricardo Lewandowski lembrou que o delito ocorreu em 2003, quando ainda valia norma que estabelecia penas de 1 a 8 anos de prisão para o crime. Só após novembro de 2003 a punição passou a ser de 2 a 12 anos.
A princípio Barbosa disse que a pena que estava aplicando (4 anos e oito meses) não estava fora dos parâmetros legais, mas o ministro mais antigo da corte, Celso de Mello, sugeriu que a votação fosse suspensa para que ele adaptasse seu voto à lei correta. A sessão foi encerrada.
Na discussão Barbosa disse que havia deixado de considerar em seu voto fato que poderia aumentar a pena de Valério. A lei prevê que na hipótese de corrupção a pena é maior se o ato pretendido pelo corruptor se concretiza, o que ocorreu, segundo o STF.
A manifestação do relator só ocorreu depois que Marco Aurélio e Lewandowski apontaram tal situação. Em um momento da sessão o relator não achou o próprio voto e chegou a pedi-lo aos colegas.
EMBARGOS
Advogados disseram que os "equívocos" do ministro devem levar aos chamados embargos de declaração [recurso contra obscuridade, contradição ou omissão].
"Foi uma vergonha o que fizeram aqui hoje. Rasgaram o princípio da legalidade", disse Leonardo Yarochewsky, que defende Simone de Vasconcelos. Outros quatro advogados também criticaram os erros de Barbosa ontem.
Até ontem, pelo menos seis memoriais sobre a dosimetria da pena haviam sido enviados. Entre eles, dos réus ligados ao Banco Rural (Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane) e do ex-deputado Pedro Corrêa (PP), além dos publicitários Marcos Valério e Cristiano Paz.
Todos pedem a aplicação da pena mínima. O argumento mais usado é o de bons antecedentes de seus clientes.
________________________________________

REDE GLOBO EM DESESPERO TENTA OUTRO GOLPE


Kamel, o 12º ministro supremo. 

Comprova- se, assim, a hipótese de que a Grande Obra da gestão Ayres Britto na Presidência do Supremo ter sido entregar o calendário do julgamento à Diretoria de Programação da Globo.
O espectador de São Paulo assistia ao horário político.
Imediatamente após o programa em que Haddad – 61 a 39 do Zezinho Trinta – desmontou outra mentira do Cerra, entra o jornal nacional, com a primeira matéria sobre o mensalão (o do PT).
Vai para o break e volta com outras matérias sobre o mensalão (o do PT).
Comprova- se, assim, a hipótese de que a Grande Obra da gestão Ayres Britto na Presidência do Supremo ter sido entregar o calendário do julgamento à Diretoria de Programação da Globo.
E também com a cronologia da eleição municipal.
Na matéria do jn, Ayres Britto teve o trabalho resumido numa frase: “Quase sempre usando poesia”, disse a repórter.
O bloco maior do jornal, 11′33”, matérias desesperadas, editorializadas.
“Joaquim Barbosa sofreu com as dores nas costas”, uma das frases do vt.
E logo o Joaquim que teve que se explicar sobre problema de saúde.
O jn tem ainda quarta, quinta, sexta e sábado para ganhar a eleição.
O Supremo fará tudo o que puder para ajudar.
Na eleição de 2006, Ali Kamel levou a decisão para o segundo turno, com uma edição do jn no sábado.
Tentou de novo.
Quem manda não ter uma Ley de Medios?

Em tempo: o Conversa Afiada publica pitaco de Bonifacio de Andrade: O Marco Aurélio é a nova estrela do horário nobre. À falta da Carminha …

Paulo Henrique Amorim
_____________________________

EUA financiam derrubada de Rafael Correa


A denúncia de Craig Murray, ex-embaixador do Reino Unido no Uzbequistão, sobre 87 milhões de dólares da Agência Central de inteligência dos Estados Unidos (CIA) para tentar desestabilizar o presidente Rafael Correa, está repercutindo no país, nesta terça-feira (23).

O jornal El Telégrafo começa sua edição com: "87 milhões da CIA para impedir a reeleição de Correa”, enquanto aAgência Andes destaca que o orçamento estadunidense é usado para influenciar nas eleições equatorianas.
“ Isso vai abrir o caminho da campanha da oposição para subornar e chantagear a imprensa e funcionários oficiais. Esperam-se escândalos midiáticos e corrupção contra o governo de Correa nas próximas semanas, agregou.
O ex-embaixador britânico ressaltou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos foi surpreendido pelo triunfo de Hugo Chávez nas eleições venezuelanas. “O furor pelo regresso de Chávez resultou em uma imposição de que o mesmo erro não deve acontecer no Equador” destaca o El Telégrafo citando Murray.
O ex-funcionário destacou que não tem muitos antecedentes sobre a política equatoriana, “e realmente não seu quais as possibilidades que Correa tem de ser reeleito. Também não sei se os partidos da oposição são decentes, mas sei que os Estados Unidos desejam muito que Correa perca”.
Falou que os esforços norte-americanos serão tão evidentes que terão um efeito oposto em uma reação nacionalista. De acordo com uma fonte estadunidense, citou o ex-diplomata britânico, a administração do presidente democrata Barack Obama não utilizará os fundos para incitar outra tentativa de golpe de Estado contra Correa “isso parece ter sido descartado”.
____________________________________________

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Paulo Rocha é absolvido


(Foto: Agência Câmara)

O Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu nesta terça-feira (23) o ex-deputado petista Paulo Rocha e mais seis réus da acusação de lavagem de dinheiro. Os magistrados decidiram não usar o chamado voto de qualidade, em que o presidente do STF, Ayres Britto, tem direito a um voto extra, conforme regimento interno da Casa.
O entendimento do plenário foi que a dúvida deve favorecer o réu. Como não havia consenso sobre o seu uso, a questão foi debatida entre os ministros.
Britto, que já havia dito ontem que era, pessoalmente, a favor do princípio de que, no caso de dúvida, o réu é favorecido, voltou a defender a absolvição dos réus em caso de empate.
"Gostaria de encaminhar o entendimento de que, em caso de empate, prevaleça a tese da absolvição do réu", afirmou o presidente da Corte, dando por encerrado o processo do paraense Paulo Rocha.
______________________________________________________

VADE RETRO SIP !


"No dia em que a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) me felicitar, aí sim me preocuparei. Se os cachorros ladram, é sinal de que estamos avançando. Se a SIP questiona, critica, quer dizer que (...) está sendo inaugurada a verdadeira liberdade de expressão", disse neste fim de semana o presidente do Equador, Rafael Correa.

O Equador -- ao lado de Argentina e Venezuela -- está no “centro das preocupações” da SIP, que realizou recentemente sua 68ª Assembleia Geral, em São Paulo. Segundo a resolução da entidade, nesses países os presidentes "encabeçam uma ofensiva para silenciar os meios independentes".
O presidente equatoriano, Rafael Correa, rechaçou as recentes críticas feitas pela SIP à liberdade de expressão no país
Uma reportagem veiculada no programa semanal de prestação de contas de Correa mostrou outra versão para os casos citados no encontro e apontou inconsistências. O documento menciona, por exemplo, a morte de três jornalistas no país este ano, mas admite que apenas uma pode estar relacionada à profissão. Segundo a reportagem, o informe falha ainda ao não explicar que o caso não tem ligação com o governo.
A SIP disse que uma das violações mais graves à liberdade de expressão no Equador foi uma ação judicial contra quatro observadores da investigação sobre contratos ilegais firmados entre o irmão do presidente, Fabrício Correa, e o governo. Eles foram processados por falso testemunho ao concluírem que o presidente sabia dos negócios do irmão. A Presidência reiterou que os observadores “fizeram um relatório baseado em falsidades”.
Para a deputada Maria Augusta Calle, do mesmo partido do presidente, o motivo do embate entre governo e meios privados reside em uma concepção diferente de comunicação social. "O problema fundamental para a SIP não é a liberdade de expressão. O problema é que o governo equatoriano e as leis equatorianas consideram a comunicação um serviço público e que os meios têm que trabalhar em função dos direitos da maioria e não de uns poucos", afirmou a Opera Mundi.
Maria Augusta sustenta ainda que o informe cita ameaças a jornalistas de meios privados, mas omite a ofensiva contra meios públicos e estatais, que segundo a parlamentar, também enfrentam processos e são muitas vezes impedidos de participar de entrevistas coletivas organizadas pelos opositores do governo.
Quanto às ações na Justiça que o governo move contra jornalistas e meios privados, Maria Augusta avaliou que é necessário entender que, no Equador, é proibido atentar contra a dignidade e a honra. "Qualquer pessoa pode expressar o que queira, mas tem que expressar com respeito", lembrou.
Liberdade de expressão
O informe da SIP sobre o Equador afirma que no país "não existe plena liberdade de expressão e de informação" e que "todos os poderes do Estado estão tomando decisões que a deterioram."
O professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Andina Simon Bolívar, Hernan Reyes, classificou como enganoso o ponto de partida do documento. "A pergunta é: "existe plena liberdade de expressão -- e eu destaco a palavra plena --, em algum país dos que formam ou dos que são avaliados pela SIP? Existe nos Estados Unidos plena liberdade de expressão? No Chile?", questionou. "Nesses países o que poderia eventualmente existir são sistemas de menor regulação da imprensa privada e do funcionamento do mercado para o livre fluxo de informação. Nada mais."
O professor acredita a plena liberdade de expressão e informação é um horizonte que se busca. “Depois de analisar uma série de fatores, é possível determinar, na forma de uma escala, quanta liberdade de expressão, de informação, de opinião ou de imprensa existe em cada país. Esse é um exame que a SIP não faz e creio que a maior parte do informe, no caso do Equador, está baseada em suposições, em uma série de mitos”, salientou a Opera Mundi.
Regulação da mídia
Para Reyes, o verdadeiro motivo do protesto dos meios privados não é a liberdade de expressão, mas o fato de que o governo equatoriano limitou o alcance da propriedade midiática. Correa aprovou leis que impedem os bancos de terem empresas de comunicação e proíbem que os donos dos meios de comunicação tenham negócios em outras áreas.
Além disso, foram criados meios públicos, que reduzem a penetração dos veículos privados. "Isso é o miolo do assunto. Parece que a reação tão visceral, crescente e permanente por parte desses meios privados, em conjunto com os políticos de oposição, é porque os bolsos estão sendo afetados", defendeu.
Outro aspecto da reação da SIP, para o professor, é que a credibilidade dos meios vem sendo afetada pelo confronto com o governo. Em redes nacionais obrigatórias e no programa semanal de televisão, o presidente contesta as reportagens negativas veiculadas na imprensa.
Nesse ponto Reyes faz críticas ao governo, que construiu um "aparato enorme de vigilância e monitoramento. Por um lado “é útil porque revela uma quantidade de falhas e distorções que cometem os meios de comunicação”, mas por outro "é indevidamente centralizado num aparato estatal”. Para o professor, os cidadãos deveriam ser convidados a participar de observatórios de imprensa.
Reyes também discordou do “tom de virulência verbal” de Correa contra determinados meios privados e jornalistas. “Parecem excessivos certos gestos, como o de rasgar publicamente um jornal numa transmissão de prestação de contas aos sábados”, disse.
O professor observou ainda que apesar de certos avanços, como páginas de órgãos públicos na internet, ainda “há muito descumprimento por parte de autoridades não só desse governo, de todos os governos anteriores, do (direito ao) acesso que tem todo cidadão à informação."
Recentemente o presidente decidiu que vai responder apenas aos pedidos de informação de parlamentares que forem enviados por meio do presidente da Assembleia Nacional. A medida é considerada pela SIP como mais uma restrição.
Fernando Checa, diretor do Centro Internacional de Estudos Superiores para a América Latina (Ciespal) afirmou que a lei de acesso à informação pública não é cumprida cabalmente nas instituições do Estado. "Mas isso acontece em todas as partes do mundo", contemporizou. Para Checa, não se trata de uma evidência de que a liberdade de expressão está ameaçada no Equador, como faz parecer o informe.
O diretor do Ciespal também considera um erro a proibição do presidente de que ministros deem entrevistas a canais privados considerados "mercantilistas" por Correa. “Mas isso ameaça a liberdade de expressão? Não, porque esses funcionários estão dando declarações a outros meios. Por outro lado, os meios privados que reclamam disso são plurais? Não, porque há restrições também, não há pluralidade de vozes. Eles não gostam que o presidente proíba os funcionários do Estado falar, mas não que hajam listas negras nas redações, que certas pessoas sejam vetadas.”
ara o diretor do Ciespal, o informe esconde alguns atores que ameaçam a liberdade de expressão: “diretores, donos de meios de comunicação e anunciantes, que pressionam, limitam, fazem censura e promovem a autocensura.”
Não há elementos para afirmar que a liberdade de expressão está se deteriorando, defendeu Checa a Opera Mundi. "No Equador todo mundo pode dizer qualquer coisa. É uma questão de ver a imprensa privada, por exemplo. Há duríssimas críticas, às vezes, inclusive grosseiras não só contra o presidente, mas contra os funcionários do Estado e parlamentares, com absoluta liberdade.”
E conclui: “Sou contra a penalização da opinião. A liberdade de expressão é um direito universal e não só de jornalistas e meios. Mas também é uma obrigação. A obrigação de assumir esse direito com responsabilidade."
_________________________________________

MELLO VERGONHA


1 – Marco Aurélio Mello condenou a Geiza, que TODOS absolveram, só para fazer o número 13. CLIQUE AQUI PARA LER

2 – Marco Aurélio Mello lembra que número dos integrantes da “quadrilha” é 13, igual ao número do PT na Justiça Eleitoral. CLIQUE AQUI PARA LER

3 – Revista Época do ano 2000, diz de Marco Aurélio Mello é “Supersticioso, programa posses e eventos importantes para o dia 13.  CLIQUE AQUI PARA LER
Marco Aurélio de Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, tem um apartamento no Golden Green, condomínio cinco-estrelas na Barra da Tijuca. Piscinas, quadras de tênis, pistas de corrida, ciclovia e um campo de golfe de 60 mil metros quadrados tornam o empreendimento um dos mais valorizados do Rio de Janeiro. O lugar ganhou notoriedade por abrigar inquilinos conhecidos. Um deles é Salvatore Cacciola, dono do extinto Banco Marka, acusado de provocar um rombo de R$ 1,6 bilhão nos cofres públicos.
Há duas semanas, o ministro decidiu a sorte do vizinho. No dia 14 de julho, valendo-se das prerrogativas de presidente interino do STF, Marco Aurélio determinou a libertação de Cacciola, preso havia cinco semanas. A sentença foi revogada cinco dias depois, quando o ministro Carlos Velloso reassumiu a presidência. Era o tempo de que Cacciola precisava para fugir do país. “Foi apenas uma coincidência”, diz Marco Aurélio. “Meu apartamento ainda está em obras e nunca encontrei Cacciola.” A sentença juntou-se à lista de decisões controvertidas que dão colorido ao currículo do ministro.
Há quase nove meses uma liminar concedida por Marco Aurélio impede o Tribunal de Contas da União de tentar a recuperação dos R$ 169 milhões desviados da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O ministro atendeu a um pedido da Incal, empreiteira responsável pela obra. Outra decisão proibiu o Ministério Público de São Paulo de investigar os laços que unem a Incal ao Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão. Amigo da família de Estevão, o magistrado define como “social” o convívio entre ambos. “É preciso examinar com cuidado sentenças contra a investigação de desvio de verbas públicas”, afirma o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Na quinta-feira 27, a Associação dos Magistrados Brasileiros divulgou nota em defesa de Marco Aurélio. “Atacar a figura de um magistrado que chegou ao mais alto degrau do Judiciário em nada contribui para o fortalecimento da democracia”, diz o documento. Quem critica o ministro invoca mais antecedentes. Em 1996, ele inocentou um adulto acusado de estupro por manter relações sexuais com uma garota de 12 anos. Entendeu que não houve violência porque a menina concordara em fazer sexo. “Nos dias de hoje, não há crianças, mas moças de 12 anos”, justificou.
Sucessivas divergências com seus pares na Suprema Corte lhe renderam o apelido de “senhor Voto Vencido”. O governo encara com desconforto um ministro que, por ter concedido liminares, ajudou a paralisar votações importantes no Congresso, como a reforma da Previdência, ou operações relevantes para o Planalto, como a privatização do Banespa.
Advogado formado em 1973, tornou-se procurador na Justiça trabalhista dois anos depois. Em 1978, foi nomeado juiz. Levou apenas três anos para virar ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Chegou ao Supremo em 1990, aos 43 anos, nomeado pelo primo e presidente Fernando Collor de Mello. Em maio de 2001, Marco Aurélio assumirá a presidência do STF, o cargo mais importante do Judiciário brasileiro.
Supersticioso, programa posses e eventos importantes para o dia 13. É casado com a juíza federal Sandra de Santis. Há dois anos, foi ela quem subiu à ribalta com uma decisão polêmica: rebaixou de assassinato para “lesão corporal seguida de morte” a acusação contra quatro jovens da classe média de Brasília que atearam fogo ao corpo do índio Galdino dos Santos.
Em fevereiro, o STF concedeu aos juízes auxílio-moradia de R$ 3 mil mensais, a pretexto de abortar a greve dos magistrados por aumento de salário. Entre os 11 integrantes do STF, dez abriram mão da verba extra. Marco Aurélio decidiu embolsá-la, embora não tenha problemas de moradia. Sua casa em Brasília soma 419 metros quadrados de área construída. Em outubro passado, vendeu o apartamento funcional de 523 metros quadrados a que tinha direito como ministro do STF. Foi um grande negócio. Em 1991, comprou o imóvel do Supremo por US$ 267 mil. Pagou 10% de entrada e financiou o restante. Oito anos depois, vendeu-o por R$ 900 mil, equivalentes então a US$ 452 mil – à vista. Com o dinheiro, bancou parte do R$ 1,25 milhão desembolsado pelo apartamento no Golden Green.
________________________________________

MINISTRO PADILHA, MUDA TÍTULO PARA SP


Ministro da Saúde já é a nova aposta do ex-presidente Lula para a política paulista; Alexandre Padilha vive em São Paulo, mas tem domicílio eleitoral em Santarém, no Pará; já disse a amigos que vai transferir título de eleitor para a capital paulista; será visto como pré-candidato ao governo pelo PT em 2014; Lula nega e lembra Luís Marinho; ia dizer o que?

247 – O novo 'poste' do ex-presidente Lula tem nome e sobrenome, com a data de outubro de 2004, na eleição para governador de São Paulo, para ser julgado pelo público. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, admitiu a amigos que está transferindo seu domicílio eleitoral para a capital paulista, o que o deixará em condições de concorrer pelo PT contra, muito provavelmente, o governador Geraldo Alckmin, que tentará sua segunda reeleição. Padilha já é reconhecido como a mais nova aposta de Lula frente ao eleitorado paulista, a ser acelerada a partir do ano que vem.
Padilha já é morador de São Paulo, onde acompanha de perto toda a movimentação de seu ex-colega Fernando Haddad e tem influência sobre o candidato. Ambos se dão bem. Lula negou que já tenha no ex-ministro da Saúde o seu candidato, comprometido que está com o prefeito reeleito de São Bernardo, Luís Marinho. O tino político de Padilha, além do próprio exercício do cargo – Haddad já anunciou que, se eleito, ampliará fortemente as parcerias com o governo federal no setor de saúde --, fazem dele um nome fortíssimo para repetir, dentro do PT, a jogada de Lula com o próprio Haddad. "Sou candidato a ser um bom ministro da Saúde no governo Dilma. Só isso", diz.
Abaixo, notícia do portal UOL sobre bate-boca entre Padilha e o candidato a prefeito pelo PSDB José Serra:
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), rebateu no início da noite deste sábado as declarações de José Serra (PSDB) de que, se eleito, o candidato do PT, Fernando Haddad, irá acabar com a parceria com as OSs (Organizações Sociais) no gerenciamento de unidades de saúde em São Paulo.
Ele disse que o tucano está "tendo alucinação", vendo coisas que não existem, quando afirma que o programa de governo do PT prevê o fim do sistema de OSs.
"No debate o nosso adversário disse que o PT tem propostas alucinadas sobre isso. Mas acho que quem está tendo alucinação é ele. Alucinação é você ver algo que não foi escrito, que não foi dito. Em nenhum momento no programa do Fernando Haddad tem qualquer proposta de acabar com as parcerias", afirmou Padilha.
Serra afirma que o programa petista prevê concurso público para contratar profissionais em unidades de saúde, hoje nas mãos de OSs. Segundo o tucano, isso deixa implícita a ideia de acabar com o atual sistema.
Em ato pela manhã, Serra lembrou que 32 mil pessoas são empregadas no sistema.
Padilha afirmou que o PT faz parcerias com organizações sociais para contrariar o rival paulistano. "Eu, como ministro da Saúde, e o Haddad, como ministro da Educação, assinamos autorização para uma nova faculdade de Medicina do Santa Marcelina", afirmou.
"A nossa proposta é muito clara: fazer parcerias com todos aqueles que atendem bem a população. Agora, o poder público tem que ter controle", finalizou o ministro. Padilha deu as declarações ao chegar para o comício que Haddad fará com o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, no Estádio da Portuguesa.
Cotado para a disputa estadual em 2014, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou a aliados que vai transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo no início de 2013. Embora more em São Paulo, Padilha vota em Santarém, no Pará, onde deu início à militância partidária.
_____________________________________________