terça-feira, 29 de novembro de 2016

ELISEU "QUADRILHA" É A BOLA DA VEZ DO ESCANDALO GEDDEL



Parecem vãs as esperanças de Michel Temer em fazer “página virada” do escândalo Geddel.
Ainda há muita lenha a queimar, seja na Bahia (onde o ex-ministro da Secretaria de Governo da 
Presidência, estranhamente, não aparece na lista de adquirentes que montaram o condomínio do 
luxuoso Condomínio La Vue) ou, sobretudo, em Brasília.
O Estadão destaca que Padilha recebeu ordem de submergir, até que os áudios gravados pelo ex-
ministro Marcelo Calero venham à tona, porque há quase certeza de que os termos usados pelo braço 
direito de Temer sejam bem menos vagos que os dele e mais ainda os do secretário de Assuntos 
Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha.
Moreira Franco, sente o espaço e avança, mas é outro que, como Geddel, está bem na fila de novos 
escândalos.
O MP estranha não ter recebido os áudios de Calero mas, a esta altura, só um tolo acreditaria que não 
há “cópias de segurança” colocadas sob a guarda de quem não vai entrar no jogo perigosíssimo de 
fazem com que sumam ou que se as edite.
O essencial, porém, já se estabeleceu: Michel Temer perdeu a blindagem pessoal que lhe dava a 
mídia.
Sem este guarda-chuva, seu telhado é de vidro.
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O Otário da Lava Jato, comprou apartamentos construídos para o Minha Casa Minha Vida


O Purgante de Curitiba Deltan Dallagnol


O procurador da república Deltan Dallagnol é conhecido por sua atuação como chefe da Operação Lava Jato e pela sua campanha contra a corrupção, que o tem levado a reuniões em grandes veículos de comunicação e a igrejas, principalmente evangélicas – é membro da Batista do Bacacheri, em Curitiba.
Esta é a face conhecida do procurador Dallagnol. Mas tem outra, a de investidor em imóveis. Segundo registro do Cartório de Imóveis de Ponta Grossa, em fevereiro do ano passado, Dallagnol comprou duas unidades no condomínio Le Village Pitangui, construído pela construtora FMM.
Para fazer a construção, a FMM recorreu a financiamento da Caixa Econômica Federal destinado ao Programa Minha Casa Minha Vida. Mas os compradores não precisavam ser, necessariamente, pessoas de baixa renda.
Dallagnol pagou R$ 76 mil por um apartamento, o 104 do bloco 7, e 80 mil reais em outro, o 302 do bloco 8. Nas duas compras, uma escritura foi assinada em 22 de agosto de agosto de 2013 e outra, de rerratificação, em 20 de fevereiro do ano passado.
As escrituras foram assinadas pelo dono da construtora, Fernando Mehl Mathias, como vendedor, e por Deltan Dallagnol e a esposa, que é advogada, como compradores.
Dallagnol é natural de Pato Branco, no interior do Paraná. Nenhum dos apartamentos comprados em Ponta Grossa foi para moradia própria. Segundo o endereço fornecido ao cartório para a escritura, Dallagnol reside num bairro de classe média da capital paranaense.
Na internet, há o anúncio de venda de um apartamento no mesmo condomínio que o dele em Curitiba. O preço é R$ 895 mil. Tem 130 metros quadrados, com três suítes, cinco banheiros e duas vagas na garagem.
Muito diferente dos seus apartamentos de Ponta Grossa, padrão Minha Casa Minha Vida: 55 metros quadrados de área privativa, num condomínio com 29 blocos de quatro andares, com quatro apartamentos por andar. Uma vaga na garagem, em princípio descoberta.
O Le Village Pitangui de Ponta Grossa tem ainda três quadras de esportes, três salões de festas e três quiosques com churrasqueira – isso para atender os 464 apartamentos. A taxa de condomínio é R$ 210, já incluída a conta da água, que é coletiva.
Procurei a construtora FMM, que fez o condomínio. O chefe dos corretores disse que todos os apartamentos do Le Village Pitangui foram vendidos. Quem quiser comprar agora tem que procurador investidores como Dallagnol.
No caso dele, os apartamentos estão sendo vendidos a R$ 135 mil cada – diferença de 59 mil reais em uma unidade (77,6%) em relação ao que ele pagou e de 55 mil na outra unidade (68,7%).
Uma corretora de Ponta Grossa disse que muitos apartamentos do condomínio ficaram nas mãos de investidores – “acho que a maioria”. Ou seja, quem tinha dinheiro para pagar à vista ou em poucas parcelas, quando o condomínio foi lançado, fez um excelente negócio, ao contrário de quem agora está nas mãos dos investidores.
Os investidores pagam barato esperando pela valorização ou colocam o apartamento para alugar – os do procurador Dallagnol nunca foram ocupados e, segundo uma corretora, ele não tem interesse no aluguel, em torno de R$ 600. Conversei com ela sem dizer o nome do procurador, e ela se referiu ao proprietário também sem dizer o nome dele.
Comprar apartamento destinado preferencialmente ao programa Minha Casa Minha Vida não é ilegal, mesmo quem tem altos rendimentos. Em outubro, os vencimentos totais brutos de Deltan Dallagnol foram de R$ 35.607,28, segundo o Portal da Transparência do Ministério Público Federal.
Os vencimentos líquidos do procurador foram de R$ 22.657,61, mas neste ano houve um mês – abril –, em que ele recebeu líquidos R$ 67.024,07, com “indenização” e “outras remunerações retroativas/temporárias”, acima do teto constitucional.
Quem compra apartamentos habilitados para o Minha Casa, Minha Vida tira a oportunidade de quem procura conseguir um imóvel com financiamento com taxa de juros subsidiada – máximo de 8,16% ao ano. Na mão do investidor, caso de Deltan Dallagnol, o comprador terá que pagar à vista ou recorrer ao financiamento imobiliário regular – com taxa de 12% ao ano.
“Podemos dizer que ele fez um excelente negócio. A valorização foi muito maior do que a maior parte dos investimentos. Mas não cometeu nenhuma ilegalidade”, diz um advogado, especialista em Direito Imobiliário, que não quer ter o nome divulgado por temer represália.
A ex-secretária nacional de Habitação no governo Dilma Rousseff, Inês Magalhães, disse que, durante a regulamentação do programa Minha Casa, Minha Vida, houve preocupação de vetar o duplo subsídio.
“O imóvel que é financiado uma vez recebe o subsídio, mas, se o imóvel for vendido, o segundo comprador não poderá ter o financiamento com taxa subsidiada. Isso nós evitamos, mas não pudemos impedir que quem tem dinheiro compre sem financiamento e ganhe com a especulação imobiliária”, disse Inês Magalhães.
O procurador Dallagnol comprou como investimento, apostando na valorização de um imóvel popular (veja entrevista dele abaixo), mas, como não recorreu a financiamento, não houve meio legal de impedir que ele (e outros investidores) fizesse isso.


O Village Pitangui

“Impedir que quem tem dinheiro compre é interferir nas regras de mercado. Mas esta é uma discussão que temos de fazer: quem tem dinheiro pode comprar imóvel destinado ao Minha Casa Minha Vida?”
Inês não quis entrar no mérito ético da compra dos imóveis por parte do procurador: “Hoje, nós estamos sendo vítimas de julgamentos morais, numa campanha que tem à frente alguns procuradores. Eu não me sinto à vontade para fazer o mesmo. Mas que temos de discutir essa questão da especulação imobiliária, à luz da política habitacional para o País, isso temos.”
Dallagnol, na sua campanha em favor do projeto das dez medidas contra a corrupção – propostas idealizadas por ele e outros procuradores da Lava-Jatou — já esteve em grandes jornais e igrejas.
Em fevereiro deste ano, em entrevista para o canal do YouTube da Igreja Batista Atitude Central da Barra, do Rio de Janeiro, foi questionado sobre a razão de “trazer” o tema para debate. Dallagnol respondeu:
“Esse processo de transformação envolve todos os atores da sociedade, e a Igreja, em especial, tem um papel muito particular nisso, porque a Igreja é uma instituição ou um grupo de pessoas que amam a Deus, mas que tem um mote central de amor ao próximo, de amor à sociedade.”
A apresentadora ainda pergunta sobre o que as pessoas podem fazer para participar do combate à corrupção:
“Em primeiro lugar, devemos deixar de praticar as pequenas corrupções do nosso dia a dia, que acabam gerando uma tolerância com a grande corrupção.”
Em seguida, Dallagnol cobra “atitude, nós precisamos agir” e pede que os telespectadores assinem a proposta das dez medidas contra a corrupção – esta que está sendo agora votada pelo Congresso Nacional.
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Procurei a assessoria de imprensa da Procuradoria da República em Curitiba e falei sobre esta reportagem. Pedi para falar com o procurador Dallagnol e fui orientado a enviar um e-mail com perguntas, que o procurador respondeu:
1) O senhor costuma fazer investimentos em imóveis?
Adquiri, para fins de investimento, os dois apartamentos localizados em Ponta Grossa, com recursos oriundos de salários. Todos estão declarados em Imposto de Renda e foram pagos todos os tributos e taxas atinentes.
2) Como tomou conhecimento de que havia essa oportunidade de negócios em Ponta Grossa?
Funcionário da construtora FMM Engenharia, em Curitiba, ofereceu a possibilidade de aquisição dos apartamentos.
3) Construções destinadas ao Programa Minha Casa, Minha Vida são viabilizadas com dinheiro barato, através da Caixa Econômica Federal. Comprar apartamentos destinados a famílias com renda máxima de R$ 6.500,00 e depois revendê-los com um ganho superior a 60% em um ano e meio não seria uma prática questionável do ponto de vista ético? (não é um juízo de valor, é só uma pergunta).
O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) funciona com quatro faixas (faixa 1, faixa 1,5, faixa 2 e faixa 3). Dentre essas faixas, apenas a primeira oferece empreendimentos exclusivamente voltados para famílias de baixa renda. As demais faixas oferecem linhas de crédito para pessoas que atendam aos requisitos do programa. Repetindo: a primeira faixa oferece empreendimentos exclusivos enquanto as demais oferecem financiamentos para a compra de imóveis – mesmo em empreendimentos não exclusivos do programa – por pessoas que atendam os requisitos. O Le Village Pigangui é um empreendimento não exclusivo do programa.Assim, os imóveis comprados estavam disponíveis para aquisição por qualquer pessoa, independentemente de atender os requisitos do programa MCMV. Os apartamentos que adquiri foram comprados com recursos próprios, à vista, declarados em imposto de renda e sem qualquer financiamento. Não obtive financiamento do program MCMV ou de qualquer outro banco, pois comprei à vista.
Os apartamentos foram quitados em agosto de 2012, tendo sido sempre declarados em imposto de renda, mas a construtora só pôde realizar a transferência via escritura pública e o consequente registro mais recentemente. O dinheiro investido nos apartamentos, caso tivesse sido investido em títulos do Tesouro Direto, do Governo Federal, atualizados pela SELIC, resultaria em valor muito próximo ao valor pelo qual os apartamentos foram anunciados para venda. O valor de aquisição de um dos apartamentos, com a variação da SELIC no período (que seria similar à variação de investimento em banco) e somado aos custos de transferência, resulta em R$ 127 mil. O valor de aquisição do outro dos apartamentos, fazendo-se a mesma conta, é de R$ 134 mil.
4) Fique à vontade para fazer outras observações.
Caso sejam usadas as respostas, peço que sejam disponibilizadas na íntegra e na mesma página em que forem utilizadas.

ANAC IMPEDIU CHAPECOENSE DE VOAR COM EMPRESA DA VENEZUELA


Tragédia aérea com equipe da Chapecoense pode se transformar numa nova crise de 
governo; o motivo: a Agência Nacional de Aviação Civil impediu que a equipe fretasse um 
voo de uma empresa aérea venezuelana, obrigando que a equipe voasse com uma empresa do 
Brasil ou da Colômbia; com esse imprevisto, a mudança foi feita às pressas e a aeronave se 
acidentou; dos 81 passageiros, 75 morreram e apenas seis sobreviveram

247 – A tragédia aérea com a equipe da Chapecoense pode se transformar numa nova crise de governo.
O motivo: a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) impediu que a equipe fretasse um voo de uma empresa aérea venezuelana, obrigando que a equipe voasse com uma empresa do Brasil ou da Colômbia.
Os motivos para o veto à empresa venezuelana, que fez com que a equipe improvisasse uma solução de emergência, ainda não foram esclarecidos.
Dos 81 passageiros, 75 morreram e apenas seis sobreviveram.

Leia trecho de reportagem do portal RBS:
Um imprevisto fez a Chapecoense mudar seus planos na viagem em direção à Colômbia horas antes do acidente com o avião da delegação. O voo fretado que havia sido contratado para levar a equipe a Medellín, onde enfrentaria o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana, não foi autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para partir rumo a Colômbia.
Segundo o entendimento da Anac, o voo deveria ser feito por uma empresa brasileira ou colombiana, e a empresa contratada pela Chapecoense era venezuelana.
Assim, o time saiu de Guarulhos às 15h15min em um voo comercial. Por volta das 00h30min (horário de Brasília), a aeronave reportou falhas elétricas à Torre de Controle da Aeronáutica Civil e sofreu o acidente no município de La Unión, a 58km de Medellín.
Avião com o time da Chapecoense cai na Colômbia
Da Agência Brasil*

Um avião que levava o time da Chapecoense, de Santa Catarina, caiu na Colômbia na madrugada de hoje (29), informou o Aeroporto José María Córdova, de Rionegro. A equipe seguia para Medellin, onde iria disputar amanhã (30) a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional da Colômbia.
De acordo com uma postagem no Twitter do aeroporto, a aeronave, com matrícula CP 2933, caiu na região da província de Antioquia. As primeiras informações são de que há sobreviventes, de que havia 81 pessoas a bordo - setenta e dois passageiros e nove tripulantes. Ainda não há dados exatos sobre vítimas e sobreviventes. O aeroporto acompanha a situação no Twitter e diz que as condições climáticas dificultam o acesso ao local da queda, que só pode ser feito por terra. Equipes de resgate estão no local.
No texto divulgado no Twitter, o aeroporto informou que a torre de controle recebeu às 22h [hora de Bogotá] comunicado do piloto de que o avião, da empresa Lamia Corporation, procedente de Santa Cruz de la Sierra, estava em situação de emergência, entre o município de La Ceja e La Unión, com falhas elétricas.
Imediatamente, foram mobilizados o Comitê Operativo de Emergência, com a presença de funcionários da prefeitura de Rionegro, da Polícia Aeroportuária, Força Aérea Colombiana, de bombeiros e autoridades.
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Anac vetou vôo fretado da Chapecoense
Da ESPN:
A delegação da Chapecoense, que sofreu um acidente aéreo que matou 76 pessoas, queria ir a Medellín em um voo fretado, mas teve o pedido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A informação foi confirmada pelo prefeito de Chapecó, Luciano Buligon.
De acordo com o portal UOL, a mesma medida foi tomada para a partida também na Colômbia contra o Junior Barranquilla.
“Nós estávamos previstos para estar nesse voo. Inicialmente a gente iria num voo fretado, mas a ANAC não liberou e nós optamos por ir em voo regular hoje de tarde. Mas voltaríamos nesse voo (que caiu). Esse avião teve um pedido indeferido, porque há um acordo internacional que quando há fretamento de equipes brasileiros só podem ser feito por aviões dos países de origem e destino”, afirmou o político à TV Globo na manhã desta terça.
O nome do prefeito estava na lista que pegaria o voo como convidado da Chapecoense, mas não estava no voo.
“Temos um grupo de atletas, ontem à tarde, o pessoal estava falando que tinham perdido o voo, que não tinha dado a autorização para voar, o que aconteceu na outra viagem, não autorizavam um voo fretado”, declarou o lateral-direito Cláudio Winck à rádio BandNews. O atleta não foi relacionado para o jogo por opção técnica.
O avião que levava a Chapecoense para Medellín, onde disputaria a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional na próxima quarta-feira, caiu a 50 quilômetros da cidade colombiana por causa de uma falha elétrica.
81 pessoas estavam a bordo entre 72 passageiros e nove tripulantes: 76 pessoas morreram. Os únicos sobreviventes do voo foram os jogadores Alan Ruschel, Danilo e Jakson Follmann; a aeromoça Ximena Suárez e o jornalista Rafael Henzel.
anac

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Começa recontagem de votos das eleições nos Estados Unidos

 
Jornal GGN - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que se não fosse eleito por "milhões de votos ilegais" na disputa presidencial norte-americana, ainda assim teria ganho pelo voto popular, não apenas pelo colégio eleitoral. 
A declaração que já gerou polêmica por todo o mundo ocorre diante do pedido de recontagem feito pela candidata do Partido Verde, Jill Stein, sob a justificativa de que pode ter havido uma manipulação na contagem de votos no estado de Wisconsin. A recontagem começou nesta segunda (28).
A solicitação foi seguida pelos pedidos da candidata derrotada pelo Partido Democrata, Hillary Clinton também nos estados de Michigan e Pensilvânia.
"Além de ganhar no Colégio Eleitoral em uma vitória consagradora, eu ganhei no voto popular se você deduzir os milhões de pessoas que votaram ilegalmente", disse Trump em sua conta no Twitter.
Pelo voto popular, a candidata da oposição tinha quase dois milhões de votos à frente de Trump. Mas o que vale para os Estados Unidos é a definição do Colégio Eleitoral. Nessa base, Trump soma 290 contra 232 de Hillary.
Mas a recontagem gerou instabilidade no cenário político do país. Ainda que o resultado final seja o mesmo, Trump acusou sem provas que houve milhões de votos ilegais que impediram que ele vencesse no voto popular.
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ONU dá prazo para governo explicar irregularidades em ação de Lula


Jornal GGN - O Comitê de Direitos Humanos da ONU concedeu um novo prazo ao governo de 
Michel Temer para responder a esclarecimentos sobre a denúncia protocolada pelo ex-presidente 
Luiz Inácio Lula da Silva, em julho deste ano. O governo deverá prestar informações, por meio do 
Ministério da Justiça, sobre denúncia de irregularidades na investigação da Operação Lava Jato, 
comandada por Sérgio Moro, até o dia 27 de janeiro do próximo ano.
O Comitê também informou aos advogados do ex-presidente que registrou as atualizações 
enviadas por Lula à ONU. "O recebimento desse novo comunicado da ONU coincide com as 
primeiras audiências realizadas na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que bem ilustraram a 
ausência de imparcialidade na condução do julgamento de Lula, como assegura o Pacto de 
Direitos Civis e Políticos da ONU, confirmado pelo Brasil em 1992", manifestaram os advogados.
Segundo Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, que integram a defesa de Lula, 
Moro revelou "profundo desprezo pela atuação dos defensores do ex-Presidente nesses atos, 
evidenciando suas posições preconcebidas sobre o caso".
O posicionamento faz referência às auditorias realizadas na última semana, envolvendo 11 
testemunhas de acusação, que foram ouvidas pela força-tarefa da Lava Jato, pelo magistrado 
Sergio Moro e pela defesa do ex-presidente.
Todos os ouvidos, entre ex-dirigentes da Petrobras, empresários e outros réus que já participam das 
delações a nível da Vara Federal de CUritibam, afastaram a existência de participação do ex-
presidente no recebimento de vantagens indevidas ou no suposto benefício com o apartamento no 
litoral paulista, no Guarujá.
Ainda na última semana, o juiz Sérgio Moro rejeitou duas testemunhas solicitadas pela defesa do 
ex-presidente que estão no exterior. "Embora as 11 testemunhas de acusação ouvidas tenham 
afastado qualquer participação de Lula no recebimento de vantagens indevidas e em relação a 
qualquer relação entre o ex-Presidente e o triplex do Guaruja, Moro afirmou que a defesa era 
"retórica" e desprovida de argumentos", completaram os advogados.
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Não vou pôr em risco um acordo com os EUA por "capricho da defesa" de Lula, diz Moro


Em audiência do lobista Milton Pascowitch, juiz federal impede novamente perguntas sobre 
acordo de cooperação entre delatores da Lava Jato com Departamento de Justiça dos EUA, 
com ajuda informal da força-tarefa

Cíntia Alves

Jornal GGN - O juiz federal Sergio Moro impediu mais uma testemunha do caso triplex de falar 
sobre o elo suspeito entre a Lava Jato e os Estados Unidos. Na audiência de Milton Pascowitch, na 
semana passada, Moro disse que não iria colocar em risco um eventual acordo de delação do 
lobista com autoridades americanas por um "mero capricho" da defesa de Lula.
A frase foi disparada após o advogado Cristiano Zanin Martins fazer uma série de perguntas sobre 
esse possível acordo de cooperação internacional sem que Pascowitch tivesse obrigação de 
responder. A defesa de Moro suspeita que a força-tarefa da Lava Jato fez uma ponte informal com 
o Departamento de Justiça dos EUA, para exportar delatores sem o devido companhamento do 
Ministério da Justiça brasileiro.
Alegando que estava sob o manto de um acordo de confidencialidade, Pascowitch não quis 
responder as questões de Zanin. O advogado protestou, alegando que a defesa de Lula estava 
sendo cerceada. Moro, então, pediu que o advogado explicasse qual a relevância dessas perguntas 
sobre os Estados Unidos, feitas a todos os delatores de porte da Lava Jato, para o julgamento do 
caso triplex.



Zanin respondeu que só poderia adiantar "um dos aspectos" que tornam as questões relevantes 
para a defesa: "Eu queria saber se ele está fazendo colaboração em relação aos fatos tratados nessa 
ação."
"E qual a relevância disso?", rebateu Moro, ao que Zanin retrucou: "A relevância, para a defesa, 
vai ser exposta no momento adequado."
Moro riu da resposta de Zanin e asseverou que a defesa não tem conseguido defender 
"minimamente a pertinência dessas perguntas" e, por isso, elas foram indeferidas. "Não vou 
colocar em risco uma eventual trataiva que a testemunha tenha no exterior por um mero capricho 
da defesa", disparou Moro.
"Vossa Excelência já usou 'retórica', já usou que 'não tem argumento' e, agora, 'capricho'. Se a 
Vossa Excelência vê a defesa dessa forma, eu lamento muito", retribuiu Zanin.
Os advogados de Lula alegam que não são "obrigados a antecipar a estratégia de defesa" quando 
abordam esse elo suspeito entre a Lava Jato e os Estados Unidos. Mas há a indicação de que a 
defesa buscará a nulidade de algumas delações que tenham sido compartilhadas com autoridades 
estrangeiras sem obediência às regras.
O DEPOIMENTO
Ao Ministério Público Federal, Milton Pascowitch disse que intermediou o pagamento de propina 
sob contratos da Petrobras com a Engevix. Esses depósitos eram destinados ao "grupo político" de 
José Dirceu, responsável pela indicação de Renato Duque para uma diretoria da estatal. Ele cita 
especificamente a Pedro Barusco e Fernando Moura como seus interlocutores com Dirceu. João 
Vaccari Neto teria recolhido uma parte para o caixa do PT. Entre as obras citadas está a REPAR, 
também conhecida como refinaria Getúlio Vargas.
Pascowitch não implicou Lula em seu depoimento e não soube fornecer nenhum dado sobre o 
apartamento triplex no Guarujá, que a Lava Jato diz que o ex-presidente recebeu da OAS em troca 
de três contratos com a Petrobras.
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MORO BARRA AS PERGUNTAS DE CUNHA CONTRA TEMER


Se o Moro deixar... 

Do Uol: As perguntas da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao presidente 
Michel Temer, que vai depor por escrito como testemunha no processo contra Cunha na 
Operação Lava Jato, foram protocoladas na última sexta-feira (25) no sistema da Justiça 
Federal:

Jornal GGN - O juiz federal Sérgio Moro barrou a clara estratégia da defesa de Eduardo Cunha (PMDB) de reverter a responsabilidade que recai sobre ele na mira da Operação Lava Jato para o presidente Michel Temer, com duplo viés: se Temer desconhecer, Cunha não pode ser condenado; e se Temer responder as perguntas, é ele quem deve responder na Justiça.
Mas de um total de 41 perguntas enviadas pelo advogado do peemedebista para o presidente responder por escrito, apenas 20 foram liberadas por Moro. Conforme divulgou o GGN, o ex-presidente da Câmara arrolou Michel Temer para ser sua testemunha na investigação contra o ex-parlamentar na Lava Jato em Curitiba.
E, pelo teor das perguntas, a estratégia da defesa de Cunha é provar que, se ele era um dos responsáveis por comandar o esquema de corrupção dentro do PMDB na Petrobras, o então presidente da sigla, Michel Temer, teria conhecimento sobre indicações, decisões e influências, e poderia então ser responsabilizado na Lava Jato.
Caso contrário e mais provável, se Temer negasse o conhecimento ou as informações, Cunha argumentaria que não ele pode ser responsabilizado. Em uma das perguntas, o ex-deputado pergunta se Temer recebeu o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada em sua própria residência, em São Paulo, e se teve conhecimento de reunião com fornecedores da estatal em seu próprio escritório, "com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010".
As questões elaboradas por Cunha junto a seus advogados referem-se a indicações para a Petrobras, disputas internas dentro do partido e da Câmara dos Deputados, influências sobre lideranças no Congresso, divisão de poderes na sigla, indicações para a presidência de Furnas e da Vice-Presidência dos Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal - ambos cargos foram apontados pelos investigadores da Lava Jato como influência de Cunha para seguir esquemas de desvios.
Ainda, o ex-presidente da Câmara foge das investigações em si a que é hoje alvo da Lava Jato, com indiretas de acusação ou envolvimento de Temer no esquema e desvios para suas campanhas políticas.
"Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes? O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB? Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?", questiona Cunha.
Mas a tentativa de Cunha de se salvar arrolando o próprio presidente Michel Temer nas acusações foi antes paralisada. Moro não considerou as perguntas estratégias de defesa, mas interpretou que Cunha tentava investigar Michel Temer.
"Nenhuma denúncia pesa contra o presidente da República e que, se isso ocorresse, elas deveriam ser investigadas no STF (Supremo Tribunal Federal), e não em Curitiba, já que Temer tem foro privilegiado", teria respondido o magistrado, segundo informações de Monica Bergamo.

1 – Quando da nomeação do Sr. Jorge Zelada na Petrobrás, qual era a função exercida por Vossa Excelência?

2 – No início de 2007, no segundo governo do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, houve um movimento na bancada de deputados federais do PMDB visando a sua pacificação e isso incluiu a junção dos grupos antagônicos. Vossa Excelência tem conhecimento se isso incluiu o apoio ao candidato do PT à presidência da Câmara com o compromisso de apoiá-lo como candidato no segundo biênio em 2009?

3 – Vossa Excelência tem conhecimento de acordo para o então líder da bancada, Sr. Wilson Santiago, concorrer à Primeira Secretaria e o Sr. Henrique Alves assumir a liderança?

4 – Vossa Excelência tem conhecimento da divisão da maioria da bancada em coordenações, sendo o Sr. Tadeu Filippelli no Centro-Oeste, Eduardo Cunha no Rio de Janeiro e o Sr. Fernando Diniz em Minas Gerais?

5 – Vossa Excelência tem conhecimento da nomeação do Sr. Geddel Vieira de Lima para o Ministério da Integração Nacional, do Sr. Reinhold Stephanes para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Sr. José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde?

6 – Vossa Excelência indicou o nome do Sr. Wellington Moreira Franco para a Vice- Presidência do Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal?

7 – Vossa Excelência fazia a interlocução com o governo como presidente do PMDB juntamente com o líder Sr. Henrique Alves quando se tratava da Câmara dos Deputados?

8 – Vossa Excelência tem conhecimento se as coordenações ficaram responsáveis por indicações levadas ao Governo Federal para atendimento dos seus deputados?

9 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Rio de Janeiro, coordenada pelo Sr. Eduardo Cunha, coube a indicação do ex-prefeito, ex-vice-governador do Rio de Janeiro e à época Secretário de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Sr. Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas?

10 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Centro-Oeste, coordenada pelo Sr. Tadeu Filippelli, couberam as indicações do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil?

11 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação de Minas Gerais, coordenada pelo Sr. Fernando Diniz, coube a indicação do diretor da área internacional da Petrobrás, tendo sido indicado o Sr. João Augusto Henriques, vetado pelo Governo, e depois substituído pelo Sr. Jorge Zelada?

12 – Vossa Excelência tem conhecimento se a interlocução com o Governo era feita com o ex-presidente, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva?

13 – Vossa Excelência tem conhecimento de quais ministros mais participavam?

14 – Vossa Excelência foi procurado pelo Sr. José Carlos Bumlai para tentar manter o Sr. Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás?

15 – Vossa Excelência já conhecia o Sr. José Carlos Bumlai? De onde?

16 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Nestor Cerveró para discutir a permanência dele na Diretoria Internacional da Petrobrás?

17 – Quando Vossa Excelência o recebeu? Onde e quem estava presente?

18 – Vossa Excelência foi comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?

19 – Caso Vossa Excelência tenha sido comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró, quem teria feito a proposta e qual foi a vossa reação? Por que não denunciou?

20 – Vossa Excelência tem conhecimento se o Sr. Eduardo Cunha teve alguma participação na nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás?

21 – Quantas vezes Vossa Excelência esteve com o Sr. Jorge Zelada?

22 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Jorge Zelada alguma vez na sua residência em São Paulo/SP, situada à Rua Bennett, 377?

23 – Caso Vossa Excelência o tenha recebido, quais foram os assuntos tratados?

24 – Após a morte do Sr. Fernando Diniz, Vossa Excelência tem conhecimento de quem o substituiu na coordenação da bancada de Minas Gerais?

25 – Vossa Excelência recebeu alguém para tratar de algum assunto referente à área internacional da Petrobrás?

26 – Vossa Excelência encaminhou alguém para ser recebido pelo Sr. Jorge Zelada na Petrobrás?

27 – Vossa Excelência encaminhou algum assunto para ser tratado pela Diretoria Internacional da Petrobrás?

28 – Vossa Excelência tem conhecimento sobre a negociação da Petrobrás para um campo de petróleo em Benin, na costa oeste da África?

29 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha em algum assunto relacionado à Petrobrás?

30 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha na compra do campo de petróleo em Benin?

31 – Vossa Excelência conhece o Sr. João Augusto Henriques?

32 – Caso Vossa Excelência conheça, quantas vezes esteve com ele e sobre quais assuntos trataram?

33 – Vossa Excelência sabe de alguma contribuição de campanha que tenha vindo de algum fornecedor da área internacional da Petrobrás?

34 – Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuira, no 470, em São Paulo/SP, juntamente com o Sr. João Augusto Henriques?

35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?

36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?

37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?

38 – Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?

39 – Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?

40 – A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobrás, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?

41 – Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?

Em tempo: das 41 questões levantadas por Cunha, Sergio Moro já cortou 21. Segundo o imparcialíssimo juiz, sua atitude se justifica porque "não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal".
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A fraude jornalística de IstoÉ para insinuar que PT ameaça vida de delatores


Revista manipulou uma decisão de Sergio Moro para fazer parecer que o juiz manteve Léo 
Pinheiro (ex-OAS) preso a pedido da defesa, que teme que ele "termine como Celso Daniel", 
ou seja, assassinado por "motivações políticas". Despacho de Moro, na verdade, era resposta 
a pedido da Polícia Federal para transferir Pinheiro de prisão

Cíntia Alves
Jornal GGN - A revista IstoÉ manipulou uma decisão assinada por Sergio Moro para dar alguma legitimidade à reportagem "Lava Jato: delatores ameaçados". Publicado no último dia 25, o texto insinua que réus colaboradores têm mudado seus depoimentos perante o juiz e membros da força-tarefa porque estão sendo ameaçados por forças obscuras que beneficiariam investigados ligados ao PT, entre eles o ex-presidente Lula. 
Diz a reportagem que "delatores sofrem ameaças de terem suas vidas e a de seus parentes ceifadas. Aterrorizados, alguns se viram obrigados a mentir em depoimentos à Justiça. Depois, mudaram suas versões".
A menção a Léo Pinheiro pela revista é um caso escandaloso de fraude jornalística. IstoÉ afirma que, "há duas semanas, o empresário, ex-sócio da OAS, foi responsável por um gesto insólito": pediu a Moro para continuar preso, "temendo que, em liberdade, corresse risco de morte".
A solicitação teria sido feita pelos advogados de Pinheiro "tendo em vista o teor bombástico de sua nova delação", que poderia atingir figuras graúdas do PT, como Lula. O ex-presidente é acusado pelo MPF de ter recebido propina da empreiteira na forma de um apartamento triplex, no Guarujá, entre outras vantagens indevidas.
IstoÉ escreveu que "seria recomendável a sua manutenção [de Pinheiro] na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná, inclusive para acautelar eventual risco à sua integridade física".
Para sustentar a matéria, IstoÉ pinçou um trecho de um despacho assinado por Moro em outubro, que diz o seguinte:
"Esclareceu a Defesa que José Adelmário Pinheiro Filho e a OAS possuem intenção de colaborar com as investigações (evento 21). Assim, haja vista que o acusado prestará novos depoimentos, bem como apresentará novas provas, seria recomendável a sua manutenção na carceragem SR/DPF/PR, inclusive para acautelar eventual risco a sua integridade".
Esse trecho, inserido da reportagem de IstoÉ para fazer parecer que essa era a resposta de Moro à suposta iniciativa da defesa de Pinheiro, na verdade, diz respeito a um requerimento da Polícia Federal para remover o empresário alegando falta de espaço na carceragem de Curitiba.
A demanda foi feita pela "autoridade policial" no dia 3 de outubro. A ideia era transferir Léo Pinheiro para o Complexo Médico Penal de Pinhais. Antes de decidir, Moro pediu que o MPF e a defesa do empresário se manifestassem.
No despacho do dia 19 - esse usado por IstoÉ de maneira distorcida - o MPF disse que Léo Pinheiro poderia ser removido, pois não estava negociando acordo de delação premiada. 
Em contrariedade ao anseio da força-tarefa, eis o que Moro decidiu (para melhor visualização, baixe o anexo no final desta edição):

Após manipular o despacho de Moro para servir à reportagem, IstoÉ cravou que, "assim como [Celso] Daniel estava disposto a denunciar um sombrio esquema de desvios de recursos para financiamento de campanhas eleitorais, o que poderia ferir o PT de morte antes mesmo de o partido ascender ao Planalto, Pinheiro pretende apresentar à Lava Jato seu arsenal bélico com potencial para enterrar de vez o lulopetismo, quase 15 anos depois."
"A nova delação pode ser determinante para a condenação do ex-presidente Lula, hoje réu nos casos do tríplex no Guarujá e do armazenamento de seu acervo num balcão em São Paulo, custeado pela OAS."
É curioso o timing de IstoÉ para lançar a reportagem, sugerindo que os delatores estão mudando suas versões não por interesse da Lava Jato, mas porque têm medo. A matéria saiu exatamente no final da semana em que Lula foi inocentado por testemunhas convocadas pelo MPF no julgamento do caso triplex. Todas, delatores.

A DESPEDIDA DOS CUBANOS COM FIDEL


Cubanos fazem fila para entrar em memorial onde estão as cinzas de Fidel


Na mesma hora em que começava a homenagem na praça, foram disparados, 
simultaneamente em Havana e Santiago de Cuba, 21 tiros de canhão em homenagem a Fidel

O Memorial José Martí, na Praça da Revolução, abriu suas portas nesta segunda-feira para que os cubanos possam se despedir do ex-presidente Fidel Castro, que morreu na última sexta-feira (25/11) e cujas cinzas foram colocadas nesse emblemático local de Havana, onde permanecerão por dois dias.



Desde o início do dia, milhares de pessoas formavam fila aguardando bater às 9h (horário local, 12h dia Brasília) para homenagear o líder cubano no emblemático cenário onde ele fez a maior parte dos seus discursos. Na mesma hora em que começava a homenagem na praça, foram disparados, simultaneamente em Havana e Santiago de Cuba, 21 tiros de canhão em homenagem a Fidel Castro.
Há três pontos nos quais os moradores de Havana podem fazer suas homenagens. Todos eles têm uma grande foto de Fidel de corpo inteiro, olhando para o horizonte e vestindo seu icônico uniforme verde. Também há duas coroas de flores, uma do Partido Comunista de Cuba (PCC, único) e outra em nome dos cubanos, assim como uma vitrine com as principais condecorações que Fidel recebeu em vida.  
Ao lado dessas homenagens estão guardas de honra, membros do batalhão de cerimônias das Forças Armadas Revolucionárias e representantes do Conselho de Estado de Cuba. O presidente cubano, Raúl Castro, e outros familiares do líder, como a viúva, Dalia Soto del Valle, e os filhos, ainda não chegaram.
No Memorial, as pessoas transitam demonstrando o que sentem. Algumas mulheres jogam beijos com a mão, muitos secam as lágrimas com lenços e alguns não conseguem evitar os soluços, que ecoam acima dos sussurros e do som das câmaras fotográficas no tom solene do ato.
Embora Cuba já esteja no segundo dia de luto, dos nove decretados pelo governo, este ato marca o início de uma semana de homenagens fúnebres que culminará no domingo que vem com o enterro das cinzas de Fidel Castro no cemitério de Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba.

O CENÁRIO DO GOLPE NO GOLPE


Luis Nassif

Introdução – características das grandes conspirações
Conspirações políticas não se montam com o controle completo e acabado de todas as variáveis, obedecendo a um manual previamente definido.
Quando atua sobre realidades complexas, como o cenário sócio-político-econômico de um país, não há controle sobre todas as variáveis nem clareza sobre os desdobramentos dos grandes lances.
Jogam-se os dados, então, em cima das circunstâncias do momento, tendo apenas uma expectativa sobre seus desdobramentos.
Digo isso, para tentar avançar um pouco no Xadrez de Marcelo Calero, o ex-Ministro da Cultura que denunciou Michel Temer de pressioná-lo em favor de benefícios pessoais a Geddel Viria Lima.

Peça 1 – jabuti não sobe em árvore

Em 2010 Calero foi candidato a deputado federal pelo PSDB do Rio. Aluno de Direito da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) sempre chamou a atenção pela extravagância, mas jamais pela vocação do suicídio político. Fazia parte do time de yuppies que ascendeu na gestão Eduardo Paes.
Reagiu contra as jogadas de Geddel Vieira Lima e, provavelmente, se assustou quando este passou a jogar balões de ensaio para setoristas palacianos. Em tempos de grampo e de prisões indiscriminadas, jacaré nada de costas. E aí resolveu pedir demissão e denunciar as pressões.
Até aí, se tinha um Ministro neófito resistindo às investidas de boca de jacaré e gerando uma crise política restrita. Mas o inacreditável amadorismo político de Michel Temer transformou em início de incêndio, ao não tomar a decisão óbvia e imediata de demitir Geddel.
Aí ocorre o lance seguinte, a denúncia contra o próprio Temer na Polícia Federal, com o depoimento vazando para a empresa mal chegou no STF (Supremo Tribunal Federal). Imaginar espontaneidade em lance dessa amplitude é tão improvável quanto acreditar que jabuti sobe em árvore.
O desafio é saber quem pendurou o jabuti na árvore.
Peça 2 – o lance do partido da mídia
A melhor maneira de garimpar os antecedentes é através de um balanço rápido da repercussão:
·      O Jornal Nacional investiu contra Michel Temer com a mesma gana com que atacava Lula.
·      Época, o braço mais manipulável das Organizações Globo, depois da Globonews, registrou Calero na capa, o sir Galahad do novo, em contraposição ao velho Geddel Vieira Lima.
Folha e Estadão vão a reboque. E todos trataram de poupar Eliseu Padilha, principal avalista do pacote de apoio à mídia.
No mesmo dia, em que o escândalo Geddel expunha o vácuo Temer, FHC aparecia nos jornais online – e no Jornal Nacional – falando do orgulho de ser PSDB, o PSDB representando o novo etc. E, como bom malaco, afiançando, com ar confidente, que a presidência seria de alguma das lideranças presentes. Mas não dele, é claro.
É difícil uma conspiração discreta com FHC porque ele não consegue conter a euforia nos momentos que antecedem o desfecho.
A delação de Calero serve, portanto, para dois objetivos:
Objetivo 1 – enfraquecer substancialmente a camarilha de Temer.
Objetivo 2 – recolocar FHC no centro das articulações, como a alternativa para a travessia até 2018.
As circunstâncias ditarão os próximos lances, que poderá ser um Temer sem camarilha, sendo tutelado pelo FHC; ou um FHC assumindo a presidência para tocar o barco até 2018, tendo dois trabalhos a entregar:
1.     Completar o desmonte da Constituição de 1988, conquistando o limite de despesas e a reforma trabalhista e da Previdência.
2.     Implantar o parlamentarismo, ou outras alternativas de esvaziamento do poder Executivo e de poder do voto popular.
Peça 3 – uma explicação para a capa de Veja
Há dúvidas de monta sobre a capa de Veja, com a chamada superior informando sobre as acusações contra José Serra e Geraldo Alckmin nas delações da Odebrecht.
Três hipóteses foram aventadas:
1.     Veja começou a fazer jornalismo.
Não bate com a insuficiência de dados da reportagem. A rigor, há uma única informação, sobre a maneira como a Odebrecht repassava o dinheiro do caixa 2 para Serra através do banqueiro Ronaldo César Coelho.
2.     Dar um chega-prá-lá nos três presidenciáveis atuais do PSDB,.
Para deixar claro que o momento não é de disputa, mas de coesão em torno de FHC.
3.     Arrumar um álibi para os três.
É uma teoria um pouco mais complexa, mas que faz sentido.
Sabia-se que haveria dois tipos de delação das empreiteiras. A Odebrecht se concentraria nos financiamentos de campanha; a OAS nos casos de corrupção para enriquecimento pessoal.
Aì houve a intervenção preciosa do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, cancelando as negociações com a OAS e provocando um enorme alívio nos advogados de Serra.
Com exceção de Geraldo Alckmin, há indícios robustos de que houve enriquecimento pessoal tanto de Serra quanto Aécio. Focando-se nos pecados menores, confere-se um álibi de isenção à Lava Jato e à mídia e, ao mesmo tempo, desvia-se o foco das investigações dos crimes mais graves.
Peça 4 – o enfrentamento da crise e o fator FHC
O quadro que se apresenta, hoje em dia, é ameaçador.
Na base, o agravamento da crise econômica, expandindo-se por estados e municípios. Os cortes nas políticas sociais, criando situação de fome para parcela expressiva dos beneficiários do Bolsa Família. Um endividamento circular das empresas, travando os negócios. E os grandes investimentos públicos paralisados.
Em cima desse quadro, um conjunto de medidas pró-cíclicas, agravando a crise econômica.
a.     O arrocho fiscal, aprofundando a recessão e ampliando o déficit fiscal pela redução da receita.
b.     A política monetária com taxa básica a 14%, inviabilizando qualquer possibilidade de novos investimentos.
c.     A política cambial provocando a apreciação do real e abortando a recuperação das exportações.
d.     O trancamento do crédito nos bancos comerciais. Não há crédito mais e trabalha-se com extrema cautela a rolagem das dívidas das empresas inadimplentes.
e.     A retirada de R$ 100 bilhões do BNDES, em um momento em que o endividamento circular das empresas paralisa a economia.
Em um ponto qualquer do futuro, haverá a necessidade de uma mudança de 180o na política econômica, com um choque fiscal – ampliando despesas e investimentos públicos -, flexibilização das políticas monetária e creditícia.
Um trabalho de recuperação da economia exigiria um conjunto de qualidades que falta a FHC:
1.     A proatividade para conduzir os diversos instrumentos de recuperação da economia.
Nos seus 8 anos jamais se envolveu no dia-a-dia da gestão política e econômica.
2.     Habilidade política para recompor a base de apoio.
Em seu tempo de presidência, o varejo da política era garantido justamente pelo quarteto que compõem a camarilha de Temer: Geddel, Padilha, Moreira Franco e o próprio Temer. No Congresso, o PSDB atual regurgita ódio e, no campo das ideias, é um mero cavalo das ideias mercadistas.
3.     Credibilidade para conduzir um pacto nacional.
Em todo o período de conspiração, FHC sempre estimulou a radicalização e o golpe. Jamais conseguiu entender que o único papel engrandecedor que lhe caberia seria o de um futuro mediador, no caso de recrudescimento da crise política. Pensa pequeno.
Peça 5 – o jogo de forças pós-Temer
Leve-se em conta que a fritura de Temer promoverá um racha na frente golpista.
A frente é composta pelo PMDB de Temer, PMDB dos caciques nordestinos, PSDB, centrão, PGR- Lava Jato e mídia.
A implosão do governo Temer significará restringir o grupo vitorioso e enfrentar, no Congresso, a reação do PMDB e do chamado centrão, além da oposição da esquerda.
Os 200 e tantos nomes da delação da Odebrecht não reporão de forma alguma a isonomia nas investigações da Lava Jato, pelo fato de incluir políticos tucanos nas delações. Pois a escolha dos investigados caberá exclusivamente a Janot.
O movimento de fritura de Temer acirrará mais as contradições do golpe, até que o aprofundamento da crise promova ou a conciliação ou o caos.
E aí será possível um pacto entre FHC e Lula.