NASSIF: POR QUE A MÍDIA NÃO LIGA OS BOLSONAROS AO CASO MARIELLE? Juntando todos os pontos, chega-se ao envolvimento dos Bolsonaro. Mas a cobertura hesita em ir até o fim.
O Xadrez visa mostrar dois pontos relevantes: Ponto 1 – o envolvimento óbvio da família Bolsonaro com as milícias que mataram Marielle. Ponto 2 – o jogo de acomodamento da mídia. Vai até determinado ponto, para mostrar alguma
independência. Mas recua imediatamente, quando percebe que bateu em matéria sólida, capaz de
afundar o barco Bolsonaro. É o caso, agora, da surpresa com a morte do ex-capitão Adriano Nóbrega, chefe do escritório do
crime, depois de ter ignorado solemente indícios veementes da ligação dos Bolsonaro com o crime e
de ter se calado com a blindagem de Queiroz, o elo explícito dos Bolsonaro com as milícias. Tema – o Coitus Interruptus da Globo
No dia 29 de outubro de 2019, o Jornal Nacional divulga a informação bombástica sobre a entrada,
no condomínio de Bolsonaro, de Élcio Queiroz, o motorista que guiou o carro que conduziu Ronnie
Lessa, o assassino de Marielle. A reportagem dizia que o porteiro admitiu duas vezes que a autorização foi dada pela casa 58, de
Bolsonaro. Depois de entrar, o carro rumou para a casa 66, de Ronnie Lessa. A reportagem dava a dica para o álibi de Bolsonaro: naquele dia ele estava em Brasília e, portanto,
não poderia ter recebido a ligação. Nem se preocupou em analisar as características do sistema de
telefonia do condomínio, para saber se permitia ou não transferência para celulares.
Naquela madrugada, Bolsonaro fez um live com ataques pesados e ameaças à Globo.
Logo depois, seu filho Carlos Bolsonaro divulgou um vídeo mostrando o sistema de telefonia do
condomínio e uma gravação no horário de entrada do carro de Élcio, na qual o porteiro supostamente
liga para a casa de Ronnie, não para a casa 58.
A Globo recua, solta uma nota se explicando e não volta mais ao tema, ignorando todas as
informações que surgiram posteriormente, reforçando sua tese. Passo 1 – as ligações dos Bolsonaro com as milícias envolvidas na morte de Marielle
As ligações da família Bolsonaro com as milícias do Rio não se resumem apenas a votos de louvor
na Assembleia Legislativa. É uma ligação umbilical, que passa pelas rachadinhas, e pela ampla
Um twitter de uma jornalista respeitável, Thais Bilenky, no dia 14 de março, informando que Bolsonaro seguiria para o Rio por estar com problemas de intoxicação.
O depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, dizendo ligou para Bolsonaro para obter autorização para a entrada de Elcio Queiroz no condomínio. E a anotação no papel indicando a casa de Bolsonaro como destino.
A sessão da Câmara mostrando que, naquele dia, Bolsonaro estava lá, participando das sessões.
O sistema de telefonia do condomínio, que permite transferir ligações para celulares.
Posteriormente, vazamentos aos Bolsonaro de trechos da investigação de interesse deles, mais a identificação de dois promotores como bolsonaristas ativos, mostrando acesso da família às investigações.
Teoria do fato Em cima desses dados, formulei uma hipótese – repito, hipótese – sobre o que teria ocorrido naquele dia.
Bolsonaro articulou uma reunião com Ronnie Lessa (do Escritório de Crime) e Elcio Queiroz para o dia 14, no Condomínio Vivendas da Barra.
Preparou um álibi para faltar à sessão daquele dia na Câmara Federal. A jornalista Thais Belinski foi informada de que ele iria voltar para o Rio de Janeiro por um problema de intoxicação alimentar. Era um álibi curioso: viajar intoxicado, podendo descansar e ser tratado em Brasilia.
Naquele dia, trocando ideias com assessores, Bolsonaro se deu conta de que a ida para o Rio de Janeiro poderia expô-lo. Assim, decidiu ficar na sessão da Câmara, onde apareceu sem nenhum sinal de quem estava intoxicado. A reunião no Condomínio foi mantida com os demais participantes.
Ao chegar ao condomínio, Élcio deu o número da casa de Bolsonaro. O porteiro ligou para o celular anexado ao número, Bolsonaro atendeu em Brasília e autorizou a entrada. E Élcio rumou para a casa de Ronnie Lessa, que fica na mesma rua da casa de Bolsonaro, cerca de duas ou três casas depois.
Quando a reunião foi identificada, após perícia no celular de Ronnie Lessa, os Bolsonaro foram informados por aliados infiltrados nas investigações, que atrasaram a perícia a fim de permitir que as provas fossem alteradas.
Era uma hipótese de investigação.
Peça 3 – as evidências que surgiram Nos dias seguintes, outros indícios começaram a aparecer, fortalecendo as hipóteses apresentadas,
implicando fortemente os Bolsonaro, e sendo solenemente ignorados pelas investigações e pela
própria mídia. As postagens apagadas de Bolsonaro
No dia da morte de Marielle, Bolsonaro pai almoçou na residência do deputado Carlos Manato,
correligionário do Espírito Santo. Comentários no post do almoço comprovam que, naquele dia,
foram apagados todos as postagens de Jair Bolsonaro no Facebook.
A presença de Carlos no condomínio
Mais que isso, quando foi divulgado o depoimento do porteiro, sobre a entrada no condomínio do
com as chamadas recebidas pelos porteiros do condomínio. Uma das chamadas era para sua casa, às
17 horas. Para mostrar que a chamada era inócua, Carlos clicou o arquivo e apareceu a voz do
porteiro informando que havia chegado um Uber para levá-lo. Estava ali a comprovação, que foi
amplamente ignorada pela imprensa.
Nos dias seguintes, Carlos foi obrigado a apagar todas as suas postagens e aceitou-se passivamente a
explicação de que a razão foi a irritação do pai com um comentário dele sobre a administração. O sistema de telefonia que ligava para celularO principal álibi de Bolsonaro, para rebater a versão do porteiro, de que o motorista tinha pedido
autorização na casa de Bolsonaro, é que estava em Brasília naquele momento. Logo em seguida,
mostramos aqui (com base no depoimento de um visitante do condomínio) que o sistema interno não
tinha interfone. As chamadas eram remetidas para os telefones fixo ou celular dos moradores. Logo depois, um blog do Rio de Janeiro comprovou que o sistema de telefonia do condomínio
permitia essas transferências de ligação.
As informações foram completamente ignoradas pela imprensa. As investigações sequer procuraram
levantar as chamadas para celular e os registros do sistema. Peça 4 – as interferências nas investigações
Em nenhum momento o MPE do Rio de Janeiro solicitou uma perícia real no equipamento de telefonia do condomínio. Logo após a matéria da Globo com o depoimento do porteiro, o Ministério Público Estadual convoca uma coletiva e informa sobre uma falsa perícia, feita em tempo recorde, que teria desmentido o porteiro. Não houve perícia alguma no equipamento, mas apenas a constatação de que o áudio divulgado por Carlos Bolsonaro (com o porteiro ligando para a casa de Ronnie Lessa, e não a de Bolsonaro), era verdadeiro. Não foi periciado se foi incluído no sistema depois. Posteriormente, descobriu-se que a promotora chefe das investigações era bolsonarista ativa.
A Polícia Federal empreendeu uma ofensiva inédita de intimidação do porteiro, para que mudasse seu depoimento, mostrando a face mais ostensiva do estado policial.
O Ministro da Justiça Sérgio Moro não incluiu o chefe do Escritório do Crime, Adriano Nóbrega, na lista de criminosos procurados, alegando que seu caso não demandava cooperação com outros estados. No mesmo momento, uma cooperação da Polícia Civil do Rio com a da Bahia cercava e calava Adriano para sempre.
Depois de ter consagrado a condução coercitiva, de ter levado coercitivamente até 32 funcionários sérios de um banco público, nem Ministério Público, nem Polícia, conseguiram, até agora, um depoimento de Queiroz, o elo maior de ligação dos Bolsonaro com as milícias.
Ontem, foi assassinado Adriano Nóbrega que, antes de morrer, afirmava que seria alvo de “queima de arquivos”.
Peça 5 – as explicações para o descasoNão é pouca coisa. É um presidente da República – e seu grupo – suspeito de participação no
assassinato de uma vereadora. Mais que isso, com um conjunto de medidas visando facilitar o
comércio de armas, o enfraquecimento das alfândegas, a cooptação da Polícia Federal e do
Ministério Público Federal, a compra da mídia.
O recuo dos grupos de mídia do 1º time se deve ou à intimidação ou à lógica de permitir o
fortalecimento de Bolsonaro, para que ele entregue as tais reformas. Em qualquer caso, uma clara marcha para a insensatez.
O miliciano Adriano Nóbrega, morto na madrugada deste domingo 9/II, estava escondido no
sítio do vereador Gilsinho da Dedé, do PSL, na zona rural de Esplanada (BA). Em entrevista
ao portal G1, Gilsinho disse que se surpreendeu ao saber que o miliciano estava em seu sítio.
Ele negou conhecer Adriano e disse que o terreno deve ter sido invadido. "Na realidade fui
informado por um vizinho, me informando que estava tendo uma operação e perguntando se
estava sabendo de alguma coisa, achando que era até assalto. Estou viajando e não tinha
informação nenhuma, recebi apenas isso [inicialmente]", disse. "Nunca [conheci] na minha
vida. Nunca!
POR FERNANDO BRITO Quer dizer que o ex-capitão Adriano Nóbrega, foragido e se sentindo “jurado de morte”, casualmente
invadiu justamente uma propriedade de um vereador do mesmo partido dos Bolsonaro – ou dos PSL
ex-bolsonaristas – e lá foi encontrado por seus executores da PM baiana e da Polícia Civil do Rio de
Janeiro? É forte a possibilidade de que se tenha armado uma arapuca para o miliciano. E são grandes os sinais, pela quantidade de sangue mostrado no vídeo da casa do vereador Gilson
Batista Lima Neto, conhecido como Gilsinho da Dedé, que se tratou de uma execução, com vários
tiros. Está claro que Adriano foi parar no sítio do vereador porque alguém articulou sua ida do Ceará para
lá. Vai ficar tudo como uma “grande coincidência”? Não é mais uma “rachadinha” de cargo comissionado. É uma execução, uma queima de arquivo. Governo de milícia não é mais uma metáfora.
O presidente da República de El Salvador, Najib Bukele, enviou tropas para o Congresso
Nacional e convocou o povo a uma "insurreição" para obrigar os parlamentares a aprovarem
um empréstimo para financiar o setor de segurança.
Do El Tiempo:
Em um evento inédito em El Salvador, elementos da Polícia
Nacional Civil (PNC) e das Forças
Armadas entraram na Sala Azul da
Assembléia Legislativa na tarde de domingo, juntamente com
alguns dos
deputados presentes à sessão extraordinária convocada pelo presidente do
país, Nayib
Bukele.
O presidente chegou aos arredores da Assembléia depois das 16 horas e
falou da plataforma instalada
na área para reunir as pessoas que
chegaram. Alguns deputados chegaram pouco depois das 14 horas
no Palácio
Legislativo, para uma sessão extraordinária para pressionar pela
aprovação de um
empréstimo de US $ 109 milhões para o plano de Controle
Territorial.
Bukele ordenou que os deputados realizassem uma sessão extraordinária
para aprovar os fundos
concedidos pelo Banco Centro-Americano de
Integração Econômica (CABEI). Além disso, desde
sexta-feira, o
presidente convocou cidadãos para comparecer hoje na sede da Assembléia
para
pressionar e exigir a aprovação do referido empréstimo, que não foi
endossado porque membros da
Comissão de Finanças dizem que o Executivo
não explicou em detalhes sobre o que o dinheiro será
executado. (…)
247 - Numa medida surpreendente, o presidente de El Salvador, Najib Bukele, mandou a polícia e o
exército invadirem o Parlamento e disse que vai promover uma "insurreição" popular para pressionar
os deputados a aprovarem um empréstimo que financiará projetos no setor de segurança. Militares e membros da Polícia Nacional Civil (PNC) invadiram neste domingo (9) a sala de sessões
da Assembléia Legislativa (Congresso) de El Salvador, onde o presidente Najib Bukele convocou
uma sessão extraordinária para a aprovação de um empréstimo de 109 milhões de dólares para
financiar um plano de segurança para o país centro-americano. A pressão do presidente salvadorenho, Najib Bukele, contra o Parlamento aumentou com a entrada
da forças de policiais e do Exército Nacional na Assembléia Legislativa que já havia convocado uma
nova sessão plenária para segunda-feira para analisar o problema, desde que "haja vontade dos
diferentes partidos de votar", segundo o presidente do órgão legislativo, Mario Ponce, informa a
247 - O Jornal Nacional fez nesta quinta-feira (6) uma extensa reportagem sobre o Oscar, mas
censurou o documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, a primeira mulher latino-
americana a concorrer ao prêmio de melhor documentário. A cerimônia do Oscar ocorrerá neste
domingo (9), nos EUA. O documentário sequer foi citado na matéria, apesar de ter obtido um
enorme destaque na mídia dos EUA. Em entrevista
O filme de Petra conta a história do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, que a tirou do
poder em 2016. As críticas, vindas de partidos políticos, como o PSDB, e até de integrantes da Rede
Globo, como Pedro Bial, atores presentes na articulação do golpe, já se tornaram recorrentes. No
entanto, também não faltam elogios.
Quando é o Oscar 2020?
A 92ª premiação do Oscar acontecerá neste domingo (9) no Dolby Theater em Los Angeles, Estados
Unidos, às 22h do Brasil.
Quais os filmes indicados ao Oscar 2020?
Na categoria “Melhor Filme” concorrem: 1917; 'Adoráveis mulheres'; 'Coringa'; 'Era uma vez em
Hollywood'; 'Ford vs Ferrari'; 'História de um casamento'; 'Jojo Rabbit'; 'O irlandês'; 'Parasita'.
Já na categoria de “Melhor Documentário”, na qual concorre Petra Costa, com “Democracia em
Vertigem”, também disputam: 'Indústria Americana'; 'Honeyland'; 'For Sama'; 'The Cave'.
Quais filmes já ganharam o Oscar de Melhor Filme?
Confira a lista dos últimos 10 vencedores do Oscar na categoria “Melhor Filme”:
Green Book: O guia - 2019
A Forma da Água - 2018
Moonlight - 2017
Spotlight - Segredos Revelados - 2016
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) - 2015
12 Anos de Escravidão - 2014
Argo - 2013
O Artista - 2012
O Discurso do Rei - 2011
Guerra ao Terror - 2010
Onde vai passar o Oscar 2020?
Pela internet é possível acompanhar a cerimônia do Oscar por meio do Globoplay ou pelo app TNT
Go - nos dois casos, apenas para assinantes. Na televisão, haverá transmissão da premiação pela
Quais atores já ganharam o Oscar?
Separamos as atrizes e os atores que receberam a estatueta pela melhor interpretação nos últimos c
inco anos:Olivia Colman (“A Favorita”) - 2019
Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”) - 2019
Frances McDormand ("Três anúncios para um crime") - 2018
Gary Oldman ("O destino de uma nação") - 2018
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) - 2017
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) - 2017
Brie Larson ("O quarto de Jack") - 2016
Leonardo DiCaprio ("O regresso") - 2016
Julianne Moore ("Para sempre Alice") - 2015
Eddie Redmayne ("A teoria de tudo") - 2015
Uma minuta secreta com a visão da elite militar brasileira considera a França como uma
ameaça nos próximos 20 anos, prevê guerra pela Amazônia, base militar dos Estados Unidos,
ação chinesa e ato terrorista no Rock in Rio 247 - Uma minuta ainda secreta sob o título "Cenários de Defesa 2040", que busca dar suporte à
revisão da Estratégia Nacional de Defesa, revela o que é considerado o "sentimento médio" da elite
militar brasileira. O documento é fruto de consultas feitas em reuniões realizadas em comandos militares, organizadas
pela Escola Superior de Guerra. Segundo a Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento, o Ministério da Defesa "diz que falou
com pessoas do âmbito interno e externo".
No texto são avaliados cenários que podem afetar a defesa do Brasil. Segundo o jornal, há a previsão da instalação de bases norte-americanas no Brasil, guerras e até o
ataque com um coronavírus contra o Rock in Rio de 2039. A França é citada como ameaça, após os embates nada diplomáticos entre Bolsonaro e Emmanuel
Macron no segundo semestre de 2019, quando o presidente francês falou sobre a internacionalização
da Amazônia. Leia a íntegra da reportagem do jornalista Igor Gielow
nesta quinta (6), a ser capacho do presidente dos EUA. Após absolvição de Trump no Senado, o
presidente fez um pronunciamento ao vivo falando sobre o processo. Submisso, Bolsonaro assistiu
enquanto fazia comentários. Enquanto seu ídolo atacava o Partido Democrata, ele se aproveitou para
atacar a esquerda brasileira: “esquerda é esquerda em todo mundo. Ataca quem tá dando certo”.
“Alguma semelhança com o Brasil? Total semelhança. Alguns ainda tentam a todo momento me
arranjar um processo de impeachment, mas acho que não serão tão ousados assim, não”.
Bozo defende abstinência sexual e diz que pessoa com HIV é despesa para todos no Brasil
Pelosi rasga discurso de Trump sobre o Estado da União
A melhor cena é ver a Nancy Pelosi demonstrando o desprezo por este ser. Ele é um verdadeiro idiota, mas o pior são os “lambe-botas” que os seguem. pic.twitter.com/PG03t9Hkhe
Nos últimos 30 anos, os surtos de vírus aumentaram, e doenças que se espalham rapidamente
— como o coronavírus, na China, agora — se tornaram mais comuns. Mas por quê?
Stephanie Hegarty - BBC É fato que há mais gente no planeta do que nunca, a população mundial hoje é de 7,7 bilhões de
pessoas. E estamos vivendo cada vez mais próximos uns dos outros. Uma concentração maior de pessoas em espaços menores significa um risco maior de exposição a
humanos por meio de gotículas, quando as pessoas tossem ou espirram. Como o vírus sobrevive por
um tempo limitado fora do corpo, as pessoas precisam estar relativamente próximas umas das outras
para que se propague.
Em 2014, a epidemia de Ebola se espalhou por meio do contato direto com sangue ou outros fluidos
corporais — e só pessoas bem próximas aos pacientes infectados poderiam pegar a doença. Nem todos os vírus são transmitidos entre seres humanos. Mas, mesmo o vírus da zika, transmitido
pelo mosquito Aedes aegypti, se beneficia quando estamos mais próximos. Os mosquitos prosperam
em áreas urbanas onde podem se alimentar de sangue humano. E se reproduzem mais rápido em
locais densamente povoados, úmidos e quentes.
Desde 2007, há mais gente morando em centros urbanos do que fora deles. Mais de quatro bilhões de
pessoas agora vivem em 1% da massa terrestre do planeta. E muitas das cidades para onde estamos nos mudando não estão preparadas para nos receber. Com
isso, muita gente acaba indo para áreas de favelas, onde não há água limpa encanada ou sistema de
saneamento básico, o que facilita a propagação de doenças. Circulação de pessoas
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionFuncionários aplicam solução antisséptica
em avião na Tailândia, em 2015, como prevenção à síndrome respiratória Mers
As viagens de avião, trem e automóvel permitem que um vírus atravesse meio mundo em menos de
um dia. Poucas semanas após o início do surto do coronavírus, havia suspeitas em mais de 16 países.
Em 2019, as companhias aéreas transportaram 4,5 bilhões de passageiros — dez anos antes, apenas
2,4 bilhões. Wuhan é a principal estação do serviço ferroviário de alta velocidade da China, e o vírus chegou no
momento em que o país estava prestes a realizar a maior migração humana da história — mais de
três bilhões de viagens são feitas pelo país na época do Ano Novo Chinês.
Uma das piores pandemias já registradas no mundo foi a da gripe espanhola em 1918 — ela eclodiu
na Europa durante outro período de migração em massa, no fim da Primeira Guerra Mundial. A gripe se espalhou enquanto os soldados estavam voltando para casa, em seus respectivos países,
levando a doença com eles para comunidades que não tinham resistência ao vírus — o sistema
imunológico delas foi pego completamente de surpresa.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionDurante epidemia de gripe espanhola em
1918, depósitos foram usados para manter as pessoas infectadas em quarentena
Um estudo conduzido pelo virologista John Oxford diz que a origem do vírus poderia estar em um
acampamento militar, pelo qual cerca de 100 mil soldados passavam todos os dias. Mesmo antes das viagens aéreas, a epidemia se espalhou por quase todas as partes do mundo. Matou
entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas. Ainda assim, a gripe espanhola levou de seis a nove meses para se propagar ao redor do globo. Em
uma época em que somos capazes de atravessar o planeta em um dia, um novo vírus da gripe pode se
espalhar muito mais rápido.
Mais carne, mais animais, mais doenças
O Ebola, a síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês) e o coronavírus surgido na
China são todos vírus zoonóticos — ou seja, foram transmitidos aos seres humanos por animais.
O novo coronavírus parece ter se originado em um mercado em Wuhan, e as informações
preliminares indicam que pode ter vindo de cobras. Atualmente, cerca de três em cada quatro novas doenças são zoonóticas. Nossa demanda por carne está aumentando a nível mundial, e a produção animal está se expandindo
à medida que diferentes partes do mundo enriquecem e desenvolvem o gosto por uma dieta rica em
carne.
Os vírus da gripe tendem a chegar aos seres humanos por meio de animais domésticos. Portanto, a
probabilidade de animais infectados entrarem em contato com o homem também está aumentando.
O coronavírus é transmitido de animais selvagens para humanos. Na China, os mercados de carne e
de animais vivos são comuns em áreas densamente povoadas. Isso poderia explicar por que duas das
epidemias mais recentes se originaram lá. Além disso, à medida que as cidades se expandem, somos empurrados para áreas rurais onde o
homem entra em contato com animais selvagens. A Febre de Lassa é um vírus que se espalha dessa maneira — quando as pessoas desmatam florestas
para usar a terra para a agricultura, os ratos que vivem nessas áreas se abrigam em residências e
levam o vírus com eles. Só não estamos preparados
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionQuando Ebola atingiu África Ocidental em
2013, equipes médicas demoraram a detectar o vírus
Embora o mundo esteja mais conectado do que nunca, ainda não temos um sistema de saúde global
capaz de responder a essas ameaças na origem. Para conter o surto, dependemos do governo do país onde ele se originou. Se fracassam, o planeta
todo está em risco. Em nenhum lugar isso foi mais evidente do que na África Ocidental durante o surto de Ebola.
Quando os sistemas de saúde locais na Guiné, Libéria e Serra Leoa falharam, o vírus se espalhou. O Ebola matou 11.310 pessoas na África Ocidental.
Para a sorte do resto do planeta, trata-se de um vírus que se propaga relativamente devagar, mas os
vírus respiratórios — como influenza ou coronavírus — se disseminam muito mais rápido.
Não ajuda o fato de que é mais provável que haja surtos em lugares pobres, com sistemas de saúde
frágeis. A falta de regulamentação e educação sobre higiene e saneamento, assim como a alta
densidade populacional, aumentam o risco. Ao mesmo tempo, muitos destes países estão passando por uma fuga de cérebros de seus melhores
profissionais de saúde. Muito poucos sistemas de saúde estão dispostos a investir seus escassos recursos em surtos extremos
de doenças que podem não acontecer. No caso da gripe suína, houve um lançamento global de
medicamentos, o que foi criticado como uma reação exagerada porque o vírus acabou sendo muito
brando.
Embora tenhamos tecnologia para desenvolver medicamentos capazes de combater alguns destes
vírus, muitos não justificam o investimento das empresas farmacêuticas. Mesmo sabendo que estão chegando, não podemos prever quando e onde a maioria dos surtos vai
acontecer — e os surtos de doenças infecciosas quase sempre nos pegam de surpresa. Boa notícia
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionCientistas desenvolveram vacina contra o
Ebola
Embora haja mais surtos do que nunca, menos gente está ficando doente e morrendo por causa deles,
de acordo com um estudo da Royal Society, instituição científica britânica. Quando as economias crescem rapidamente, como vemos na China, o acesso à higiene básica e à
saúde melhora. O mesmo acontece com os sistemas de comunicação, que disseminam
recomendações sobre como evitar infecções.
Os tratamentos estão mais avançados, mais gente tem acesso a eles, e estamos ficando mais
eficientes na prevenção. As vacinas estão sendo desenvolvidas muito mais rápido.
Embora o sistema de resposta global não seja de forma alguma perfeito, estamos ficando melhores
em detectar e responder a surtos de doenças. Um país como a China é capaz de construir um hospital com 1.000 leitos em uma semana, algo que
Em evento de promoção dos 400 dias de governo, no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro voltou a
defender nesta quarta-feira 5/II a mineração e a exploração de energia em terras indígenas. Além
disso, tornou a apontar os canhões contra os ambientalistas, dizendo que, se pudesse, os "confinaria"
na Amazônia, já que "eles gostam tanto de meio ambiente". "Grande passo. Depende do Parlamento. Esse pessoal do meio ambiente, né... Se um dia eu puder,
confino-os na Amazônia. Eles gostam tanto de meio ambiente", disse Bolsonaro, ao comentar o
projeto de lei que o governo enviou ao Congresso Nacional para criar "condições específicas para a
pesquisa e lavra de recursos minerais, inclusive a lavra garimpeira e petróleo e gás, e geração de
energia hidrelétrica em terras indígenas". Segundo Bolsonaro, se fossem "confinados na Amazônia", os ambientalistas "deixariam de
atrapalhar" de dentro de "áreas urbanas"(InteligenciaPura !!)
por Moisés Mendes Morreu o juiz federal que mais trabalhou para a direita na perseguição à Cristina Kirchner. Claudio
Bonadio era o Sergio Moro argentino.
Comandava os processos contra Cristina, que ainda sofre lá o mesmo cerco judiciário armado aqui
contra Lula. Bonadio também enfrentava dezenas de processos administrativos e disciplinares, muitos com a
acusação de que não conseguia provar saber jurídico para atuar como juiz. Nunca foi condenado pelo
Conselho da Magistratura. O juiz fez valer como magistrado, por experiência própria, o que Moro defende no Brasil, o uso de
arma de fogo por policiais para atirar (e se preciso matar), sob o argumento da violenta emoção ou da
surpresa. Bonadio, que andava sempre armado era instrutor de tiro, em 2001 foi abordado por dois jovens na
rua. Temendo ser assaltado, matou os dois, de 19 e 20 anos, um deles com tiros pelas costas. Tudo
legítima defesa. Cristina Kirchner o chamava de O Sicário, o facínora sanguinário. A atual vice-presidente enfrentava
cinco processos presididos pelo juiz, que tentou prendê-la por nove vezes. Cristina tinha foro, como senadora, e escapou das prisões preventivas do ex-peronista que se
bandeou para a direita. Há vários juízes na fila prontos para sucedê-lo.
Há abundância de Bonadios e Sergios Moros por toda parte.
por Joaquim de Carvalho
Pela primeira vez na história, um presidente brasileiro saudou o mais simbólico pronunciamento de
um presidente dos EUA como “fantástico”. O que mais chamou a atenção é que Jair Bolsonaro
reproduziu entre aspas um frase de Donald Trump:”Nosso trabalho é colocar os Estados Unidos em
primeiro lugar”, disse.
Ao reproduzir a frase em sua página no Facebook, Bolsonaro está querendo dizer que concorda com
Trump. Nesse caso, qual seria o papel do presidente brasileiro? Colocar o Brasil a serviço desse
objetivo.
E, efetivamente, as ações do chefe de estado brasileiro mostram que a concordância de Bolsonaro
não fica apenas no plano das ideias, de um desejo íntimo.
O discurso sobre o estado união, uma obrigação constitucional americana, se destina a informar à
nação como estão as coisas naquele pais. No caso, informar à nação do norte.
Até o surgimento do rádio, os presidentes enviavam um relatório por escrito no início do ano ao
legislativo. Depois, passou a ser um discurso, transmitido pelos veículos de comunicação, como um
grande acontecimento.
Entre os americanos, a fala do presidente é alvo de intenso debate, seja pelos veículos de
comunicação ou diretamente entre as pessoas. Bolsonaro se comportou como se fosse governado por
Trump, um cidadão norte-americano.
“Um discurso simplesmente FANTÁSTICO de Donald Trump”, escreveu ele. “‘Nosso trabalho é
colocar os Estados Unidos em primeiro'”, acrescentou.
Alguns trechos do discurso devem despertar preocupação nos brasileiros. Trump comemorou a morte
do general iraniano Qassem Soleimani, herói iraniano.
Como elogiou o discurso como um todo, Bolsonaro também endossa a fala, o que pode representar
prejuízo para o Brasil, que tem no Irã um parceiro comercial hoje com resultados mais expressivos
do que com os Estados Unidos.
O saldo do comércio com o país persa é superior a 2 bilhões de dólares. Ou seja, o Brasil vende para
o Irã muito mais do que compra. Já em relação aos Estados Unidos, a balança pende em favor do
país de Trump: Compramos muito mais do que vendemos. O déficit é superior a 350 milhões de
dólares.
Em outro trecho do discurso à nação norte-americana, Trump sinalizou uma ofensiva maior contra a
Venezuela. “O domínio da tirania de Maduro será esmagado e destruído”, declarou.
O aplauso de Bolsonaro à fala de Trump também representa aval a essa declaração, de tom bélico, e
isso é particularmente danoso à estabilidade da América do Sul.
Quem estava presente no Congresso dos Estados Unidos para ouvir a fala dele é Juan Guaidó, que se
autoproclamou presidente venezuelano. No caso dele, faz sentido.
É um presidente de mentirinha.
Já Bolsonaro tem outras responsabilidades, como mandatário eleito. Ou seria o presidente brasileiro
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) protocolou nesta terça-feira 4/II no Ministério Público
Federal (MPF) uma representação contra o chefe da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência, Fabio Wajngarten, por usar o perfil oficial da Secom para atacar a cineasta Petra Costa,
diretora do documentário "Democracia em Vertigem", indicado ao Oscar 2020. Como o Conversa Afiada informou na véspera, o perfil oficial do governo de Jair Bolsonaro chamou
Petra de "militante anti-Brasil" e disse que ela disseminou fake news durante entrevista à PBS,
emissora pública dos Estados Unidos. "Esta importante secretaria do Poder Executivo Federal, em sua conta oficial do Twitter
(@secomvc), de forma inacreditável, passou a atacar de forma pessoalizada e nada republicana a
cineasta Petra Costa", diz o texto encaminhado à Procuradoria pela equipe de Maria do Rosário.
A representação diz ainda que a indicação do documentário de Petra, "que deveria ser motivo de
orgulho para todos os brasileiros", tornou-se "motivo de controvérsia, polêmica e o pior, de abuso e
arbítrio cometidos" pela secretaria de Wajngarten.
A juíza Lisa Taubemblatt, da 6ª Vara Federal de Santos, – informa Monica
Bergamo, na Folha – fez o óbvio: recusou o pedido do Ministério Público para
abrir uma ação contra Lula por ele ter participado, como incitador, a invasão o
famoso “triplex” do Guarujá pelo MTST, quando este já se encontrava preso na
Polícia Federal em Curitiba.
Como dito aqui, já no primeiro momento, a denúncia era lixo puro, por não
conter tipicidade criminal, materialidade e indício de autoria. A juíza escreve, na
sua decisão:
“A denúncia deve conter a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias. Este é o núcleo da imputação, a causa do pedir, devendo limitar com precisão os fatos narrados para que seja possível o exercício do contraditório e da ampla defesa. Deve conter as elementares e as circunstâncias de tempo, modo, maneira de execução, assim como individualizar a conduta do acusado. Denúncia genérica, vaga, imprecisa, em que [não] se [é] individualizada a conduta do agente é considerada inepta”
Inepta é imprestável, inservível. Lixo.
Mas dejeto caro, uma vez que advindo de quem recebe muito dinheiro público
todo mês, em tese porque se qualificou, num concurso, para não produzir lixo.
Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira 3/II que pediu para não ver dados sobre falhas no Enem por
estar com a "cabeça cheia". "Ele (o ainda ministro da Educação, Abraham Weintraub) queria
apresentar para mim os dados. Eu não quis, (estava) com a cabeça cheia. Hoje eu saturei. Não
conversei", disse ele. Bolsonaro e Weintraub viajaram juntos a São Paulo. Em declaração no Palácio do Alvorada quando
retornou a Brasília, o presidente minimizou as inadmissíveis falhas relatadas por milhares de
estudantes. "Quase em todos os ano têm problema. Representa menos de 'zero vírgula alguma coisa'
o problema", disse ele.
Como lembra o Estadão, "apesar de o presidente minimizar a situação, a falha trouxe consequências
para os 3,9 milhões de participantes da prova. Já que o cronograma de programas, como o Sisu e o
Prouni, tiveram de ser suspensos por determinação judicial até que o ministério comprovasse
documentalmente ter garantido a recorreção das provas". O próprio MEC, aliás, ainda não apresentou dados que comprovem que a falha na correção de 5.974
Área indígena fica no município de Medicilândia, sudoeste do Pará. Veículos, motosserras e
combustíveis foram apreendidos. Ninguém foi preso.
Por G1 PA — Belém
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) flagrou nesta
quinta-feira (30) exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Arara do Laranjal, em Medicilândia,
sudoeste do Pará. Ninguém foi preso. O crime ambiental foi registrado durante sobrevoo na terra indígena que é limítrofe à rodovia BR-
230. Foram identificados caminhão, que fazia o transporte de toras extraídas ilegalmente, motos,
motosserra e combustível usados na derrubada das árvores.
Ainda de acordo com o Ibama, um trator esteira, utilizado para abrir estradas clandestinas na Terra
Indígena Arara do Laranjal, foi encontrado escondido na mata. O veículo foi destruído para a
inutilização em outros crimes ambientais.
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) flagra
exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Arara do Laranjal, em Medicilândia, sudoeste
do Pará.
O crime ambiental foi registrado durante sobrevoo na terra indígena que é limítrofe à rodovia BR-
230. Foram identificados caminhão, que fazia o transporte de toras extraídas ilegalmente, motos,
motosserra e combustível usados na derrubada das árvores. Ainda de acordo com o Ibama, um trator esteira, utilizado para abrir estradas clandestinas na Terra
Indígena Arara do Laranjal, foi encontrado escondido na mata. O veículo foi destruído para a
O The Intercept Brasil, em parceria com o De Olho Nos Ruralistas, publicou uma reportagem nesta sexta-feira (31) expondo os 25 maiores desmatadores da Amazônia nos últimos anos com
base nas multas aplicadas pelos órgãos de fiscalização. No topo da lista está a empresa
autuações por crimes contra a flora de 1995 até 2019 e elenca 25 desmatadores que juntos devem
R$ 50 milhões. “A imensa maioria deles jamais pagou suas multas e acumula outras dívidas com
o poder público. Os valores, que são proporcionais à área desmatada.
“O PIOR INIMIGO DO MEIO AMBIENTE É A POBREZA”, sentenciou o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma apresentação no Fórum Econômico Mundial em janeiro. “As pessoas destroem o ambiente porque precisam comer”, ele disse, em Davos, na Suíça. É mentira – e a gente pode provar com números. Durante meses, nos debruçamos sobre 284.235 multas por desmatamento nos últimos 25 anos. E descobrimos que os maiores destruidores do meio ambiente – principalmente da Amazônia – não são os pobres. São algumas das pessoas mais ricas e poderosas do Brasil.Dados públicos do Ibama, o órgão do governo federal responsável pela preservação do meio ambiente, compilados e analisados pelo De Olho nos Ruralistas, mostram que os 25 maiores desmatadores da história recente do país são grandes empresas, estrangeiros, políticos, uma empresa ligada a um banqueiro, frequentadores de colunas sociais no Sudeste e três exploradores de trabalho escravo. Os 25 maiores desmatadores somaram mais de R$ 50 milhões em multas entre 1995 e 2019. No total, suas centenas de autuações chegam a R$ 3,58 bilhões, praticamente o orçamento do Ministério do Meio Ambiente inteiro para 2020. Corrigido, o valor chegaria a R$ 6,3 bilhões. Sozinhos, os campeões da destruição são responsáveis por quase 10% do total de multas aplicadas por devastação de flora desde 1995 – R$ 34,8 bilhões. A imensa maioria deles jamais pagou suas multas e acumula outras dívidas com o poder público. Os valores, que são proporcionais à área desmatada, mostram que quem destrói a floresta não são as pessoas pobres, como defende Paulo Guedes, e que o desmatamento não é ‘cultural’, como diz Bolsonaro. A destruição é movida a dinheiro – muito dinheiro – e uma boa dose de impunidade. DEVO, NÃO PAGO, VOLTO A DESMATAR Olevantamento, feito a partir das autuações por crimes contra a flora – há outros tipos de multas no Ibama –, abrange dois grandes grupos: as pessoas físicas e jurídicas que participaram de desmatamentos e aquelas que se beneficiaram diretamente de produto vindo de área desmatada, como na compra de madeira sem certificação de origem. A enorme base de dados foi analisada a partir dos infratores que tiveram multas acima de R$ 1 milhão. Somando os valores, chegamos aos maiores multados dos últimos 25 anos. O valor base da multa na região da Amazônia Legal é de R$ 5 mil por hectare. As multas podem ser maiores quando há no lugar espécies raras ou ameaçadas de extinção ou no caso de áreas de reserva ou proteção permanente. Boa parte das multas recebidas pelos recordistas se encaixa nesses agravantes. Na lista, chama a atenção a repetição de nomes. Dos 25 campeões de infrações por desmatamento do país, só um – Agropecuária Vitória Régia – recebeu uma única multa. Os outros 24 foram reincidentes. Uma das empresas que aparecem no ranking, a Cosipar, levou multas em nada menos do que 16 anos diferentes. O valor chega a R$ 156,9 milhões – destes, R$ 155 milhões ainda não foram pagos GRILEIROS, BILIONÁRIOS E CONDENADOS No ranking, o campeão das multas é o Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão federal responsável pelo assentamento de camponeses. Mas isso não significa que os assentados tenham sido os responsáveis pelo desmatamento: muitos locais onde foram aplicadas as multas já não são, de fato, assentamentos. Eles são focos de grilagem de terras como São Félix do Xingu, no sul do Pará: das 15 multas milionárias recebidas pelo Incra em 2012, 12 foram aplicadas no município, capital da pecuária em terras do governo federal. Como a terra não tem um dono oficial, a culpa recai sobre o órgão federal que detém sua posse. Em segundo lugar no ranking está a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa dos fundos de investimentos geridos pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas. A empresa, comandada pelo ex-cunhado de Dantas, Carlos Rodenburg, acumula multas de mais de R$ 325 milhões. Em 2009, a AgroSB, como é conhecida, declarava ser dona de mais de 500 mil hectares de terra, onde eram criadas mais de 500 mil cabeças de gado. À justiça, a empresa disse que não cometia desmatamento, mas que adquiriu áreas já degradadas. O argumento foi rejeitado, e a empresa voltou a ser autuada, em valores milionários, em 2010, 2011 e 2017. Não foi o único problema: em 2012, pessoas em condições análogas à escravidão foram resgatadas na fazenda. Atualmente, a agropecuária tem dez áreas embargadas pelo Ibama para recuperação da vegetação, em Santana do Araguaia, no Pará, e São Félix do Xingu. A maior delas tem mais de 2,3 mil hectares, um território do tamanho de metade da Floresta da Tijuca, na Amazônia. Em nota ao Intercept, a AgroSB atribui diversas multas à uma “perseguição direcionada à companhia” entre 2008 e 2010. Segundo a empresa, essas multas, em sua maioria, “vêm sendo cancelados pela Justiça e pelo órgão ambiental em razão da falta de fundamentos fáticos ou jurídicos”. Segundo AgroSB, o valor das multas canceladas chega a R$ 20 milhões. Daniel Dantas também tem mais um nome ligado a ele na lista: o fazendeiro Tarley Helvecio Alves, que ocupa a 18ª posição. Alves foi administrador da fazenda Caracol, de propriedade de Verônica Dantas, irmã e sócia de Daniel no banco Opportunity. Com três áreas embargadas em Cumaru do Norte, também no Pará, as multas dele chegam a R$ 70 milhões. Antonio José Junqueira Vilela Filho, o terceiro da lista, é conhecido no Intercept. Em 2017, contamos como o pecuarista e sua família, frequentadores de colunas sociais em São Paulo, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por grilagem de terras e exploração de trabalho escravo na região de Altamira, no Pará.ENTRE MULTAS E VOTOS Oranking mostra que as multas não são suficientes para frear os crimes ambientais. Preso em 2014 pela Operação Castanheira, realizada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, o fazendeiro Giovany Marcelino Pascoal foi condenado por desmatamento em 2018. Não adiantou: ele voltou a ser multado pelo Ibama em 2019. Pascoal, o segundo maior reincidente da lista, atua na região de Novo Progresso, onde foi organizado em agosto passado o Dia do Fogo, ação de desmatadores em defesa do governo Bolsonaro. Desde 2010, ele aparece oito vezes nas listas daqueles com multas anuais acima de R$ 1 milhão. Ao Intercept, Pascoal disse por telefone que está recorrendo e que algumas multas não são responsabilidade dele, mas não especificou quais. Outro nome da lista é velho conhecido no rol dos reincidentes em desmatamento na Amazônia. O fazendeiro Laudelino Delio Fernandes Neto, dono da Agropecuária Vitória Régia (a nona no ranking), chegou a ser acusado de ter facilitado a fuga de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, apontado como mandante do assassinato da missionária católica Dorothy Stang em Anapu, no Pará, em 2005. Ele ainda foi denunciado pelo Ministério Público Federal por desvios de mais de R$ 7 milhões da Sudam, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. Vice-prefeito de Anapu, eleito em 2008, e candidato a prefeito no município em 2012, Delio Fernandes declarou ao Tribunal Superior Eleitoral possuir R$ 10,2 milhões em bens, sendo R$ 9 milhões relativos a 9 mil hectares em Anapu e Senador José Porfírio. Seu irmão, Silvério Albano Fernandes, foi vice-prefeito de Altamira e teve seu nome especulado para assumir a chefia do Incra na região no governo Bolsonaro, para o qual fez campanha. Delio Fernandes não é o único político da lista. Entre os 25 maiores desmatadores, há o ex-deputado federal Antonio Dourado Cavalcanti. Deputado entre as décadas de 1950 e 1970, ele era líder do grupo do qual fazia parte a Destilaria Gameleira, com sede em Mato Grosso. A usina condenada por manter mais de mil escravos – o maior resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão dos últimos anos – também está no ranking. Com R$ 69 milhões em multas, ela ocupa a 19ª posição. Na lista de políticos, o ranking também tem José de Castro Aguiar Filho, atual prefeito de Flora Rica, no oeste paulista, pelo MDB. Suas multas milionárias em São José do Xingu, no Mato Grosso, não o impediram de ganhar as eleições na pequena cidade com quase 80% dos votos válidos SIDERÚRGICAS DESTROEM MAIS DO QUE MADEIREIRAS Entre os 25 maiores destruidores, 13 são empresas. Onze delas têm capital aberto, listadas na Bovespa. Se engana quem pensa que madeireiras e carvoarias são as vilãs: as empresas que mais desmatam são, em sua maioria, ligadas à siderurgia e à agropecuária. Siderúrgicas são listadas porque se beneficiam diretamente da retirada de madeira para o uso do carvão. Para elas, apesar das multas – que geralmente não são pagas –, sai mais barato comprar madeira oriunda de áreas protegidas do que respeitar os devidos ritos legais de proteção ambiental. A Siderúrgica Norte Brasil S/A e a Sidepar ocupam, respectivamente, a terceira e a quarta posições no ranking, e, juntas, acumulam mais de R$ 500 milhões em multas. O setor agropecuário é representado não apenas pela pecuária, mas também por causa da produção de soja em larga escala. Também é comum que o mesmo empresário tenha uma madeireira e uma empresa de grãos, ou crie gado e, ao mesmo tempo, tenha uma companhia de outro setor – de bancos a empreiteiras. Duas das empresas listadas têm capital internacional. Uma é a Ibérica, uma sociedade entre empresários bascos. A outra é a Gethal Amazonas Madeiras Compensadas, controlada pelo milionário sueco Johan Eliasch e que tem uma empresa uruguaia entre seus sócios. A Gethal é a única do setor de madeiras na lista dos 25 – contrariando o senso comum sobre o desmatamento na Amazônia. Assim como só há uma do setor de carvão, matéria-prima das siderúrgicas, a Líder. A constante alteração de nomes e CNPJs das empresas dos dois setores, com sócios em comum, diminui a reincidência em multas ao longo dos anos.MAIORES DESTRUIDORES, MAIORES CALOTEIROS Aatual legislação ambiental brasileira, que determina as multas, só foi consolidada no fim dos anos 1990. Na década anterior, só há dez autuações por crimes contra a flora nos registros do Ibama. E os valores eram irrisórios: em 1996, por exemplo, foram aplicadas 22 multas de R$ 0,01. O cenário começou a mudar em 1998, com a lei 9.605, de crimes ambientais, que estipulou regras e valores maiores em multas para destruidores da floresta.Os números mostram que, ao longo das duas décadas de aplicação da lei, ela afetou principalmente grandes desmatadores. De um total de R$ 34 bilhões em multas por destruição de flora entre 1995 e 2000, R$ 25 bilhões (73,5%) foram aplicados a 4,6 mil pessoas físicas e jurídicas que, em pelo menos um ano do período analisado, tiveram infrações somadas acima de R$ 1 milhão. As sanções, no entanto, não significam que a punição resolve o problema. O Intercept já mostrou que, do total de R$ 75 billhões em multas ambientais já aplicadas desde os anos 1980, só 3,3% foram efetivamente pagos (e o governo tem tomado medidas para receber ainda menos). O valor poderia sustentar o Ministério do Meio Ambiente inteiro por 21 anos. Os pequenos infratores – que o governo insiste em culpar pela destruição do meio ambiente – são os que mais pagam multas. Já os maiores, responsáveis pela destruição das partes mais extensas da floresta, deixam os processos prescreverem e continuam desmatando. O Intercept tentou entrar em contato com os 25 listados por meio do número de telefone listado na Receita Federal. Os dois números da Destilaria Gameleira não funcionam. A página cadastral da empresa de Jeovah Lago Silva, Minuano Sementes, não dispõe de meio de contato. Carlos Alberto Mafra Terra foi contatado por telefone e e-mail, sem sucesso. A Líder Ind e Com de Carvão Vegetal LTDA EPP foi contatada por meio de um e-mail no diretório da Receita Federal, mas a mensagem retornou. Paulo Diniz Cabral da Silva foi contatado por e-mail e WhatsApp, mas não houve resposta. Os telefones de José de Castro Aguiar Filho e Tarley Helvecio Alves, listados na Receita Federal, não funcionam. Veja a lista completa dos 25 desmatadores mais multados entre 1995 e 2020: 1º – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – R$ 421 mi 2º – Agropecuária Santa Bárbara – R$ 323 mi 3º – Antonio Jose Junqueira Vilela Filho – R$ 280 mi 4º – Siderúrgica Norte Brasil S/A – R$ 272 mi 5º – Sidepar Siderúrgica do Pará S.A. – R$ 258 mi 6º – Gethal-Amazonas S.A. Indústria de Madeira Compensada – R$ 231 mi 7º – Gusa Nordeste S.A. – R$ 202 mi 8º – Agropecuária Vitória Régia S/A – R$ 170 mi 9º – Companhia Siderúrgica do Pará – COSIPAR – R$ 157 mi 10º – José Alves de Oliveira – R$ 105 mi 11º – José Carlos Ramos Rodrigues – R$ 101 mi 12º – Fernando Luiz Quagliato – R$ 100 mi 13º – Gilmar Texeira – R$ 99 mi 14º – Hamex Comércio de Produtos Alimentícios Ltda – R$ 94 mi 15º – USIMAR – Usina Siderúrgica de Marabá S/A – R$ 88 mi 16º – Siderurgica Iberica S/A – R$ 87 mi 17º – Giovany Marcelino Pascoal – R$ 86 mi 18º – Tarley Helvecio Alves – R$ 70 mi 19º – Destilaria Gameleira Sociedade Anônima – R$ 69 mi 20º – Carlos Alberto Mafra Terra – R$ 66 mi 21º – Jose de Castro Aguiar Filho – R$ 61,8 mi 22º – Lider Ind. e Com. de Carvão Vegetal Ltda EPP – R$ 61,5 mi 23º – Paulo Diniz Cabral da Silva – R$ 61,1 mi 24º – Siderúrgica Alterosa S/A – R$ 60 mi 25º – Jeovah Lago da Silva – R$ 58 mi Correção – 31 de janeiro, 11h03 O tamanho de um hectare é 10 mil metros quadrados, e não 1 quilômetro quadrado. O texto foi corrigido.
vamos deixar claro uma coisa. Apoiei a sua coragem e seu amor a cultura e só. Não compactuo com
esse governo”, postou Carla Daniel Instagram da secretária de Cultura. Neste sábado (1), mais dois artistas que aparecem no mural se manifestaram contra a associação
deles a um suposto apoio ao governo e ao uso indevido de suas imagens. Um deles é Luiz Fernando
Guimarães que, na foto do fatídico mural, comentou: “Oi, querida, houve um mal entendido quando
a parabenizei pelo novo projeto, pois conheço sua garra e confio que fará um belo trabalho. Porém
não apoio, e nem concordo com o governo atual, e gostaria também que retirasse minha imagem
dessas postagens, que foi veiculada sem minha autorização. Boa sorte, e agradeço a compreensão”.
Reprodução/Instagram O outro a rebater o suposto apoio aventado por Regina foi o ator Ary Fontoura. Em resposta a um
internauta, que questionou “como um homem de sua idade, que passou pela ditadura, pode apoiar
esse governo”, Fontoura afirmou: “Não apoio. Minha página é apenas para divertir quem me segue,
abraços”.
Reprodução/Instagram Ao todo, já são quatro artistas que tiveram suas imagens indevidamente usadas por Regina e que se
rebelaram contra a secretária de Cultura. O pito de Carolina Ferraz Antes da nova publicação, sem a foto de Carolina Ferraz, Regina Duarte utilizou de forma indevida
uma imagem da atriz em um mural publicado no Instagram. A montagem era composta por fotos de
artistas que supostamente apoiam Regina Duarte e o governo. Carolina Ferraz, uma das que apareciam na foto postada por Regina, no entanto, desaprovou a
utilização de sua imagem. “Eu não imaginei que você fosse colocar minha foto ou de qualquer um,