quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Por que a Catalunha quer ser independente? Veja 5 perguntas e respostas sobre o referendo na região


2,2 milhões de pessoas foram às urnas para escolher se a região da Catalunha deveria ser 
independente da Espanha

No último domingo (01/10), 2,2 milhões de pessoas foram às urnas para escolher se a região da Catalunha deveria se tornar independente da Espanha. Com 90% dos votos, o "sim" ganhou a conturbada votação, que teve forte repressão policial por parte do governo espanhol. Madri não reconhece a consulta e declarou que o pleito é ilegal.
Mas por que a Catalunha quer a independência? A história da formação da Espanha pode ajudar a explicar o movimento? Opera Mundi responde a essas e a outras perguntas comuns sobre o referendo catalão. Veja: 

Por que a Catalunha quer ser independente da Espanha?
Os catalães argumentam que existe uma intenção por parte do governo espanhol de "asfixiar" a autonomia da região e recentralizar o território. Além disso, os indepedentistas alegam que, como a região representa 19% do PIB do país, contribui demais para a economia e acaba financiando as demais comunidades do território.
A Catalunha nunca chegou a ser uma nação independente, mas tem um governo próprio conhecido como Generalitat. A região fazia parte do reino de Aragão, quando foi unificada ao reino de Castela em 1492, dando origem ao nascimento da Espanha. Além de ter aspectos culturais completamente diferentes, a Catalunha tem idioma próprio e não se reconhece como parte da nação espanhola.
O sentimento independentista ganhou força durante a segunda metade do século XX, após a região retomar autonomia com a queda da ditadura franquista. Somando 19% do PIB da Espanha e 12% da população do país, a Catalunha reacendeu o debate da independência em 2010, durante grave crise econômica que a Espanha passava.
Por que a Catalunha convocou o referendo?
O atual debate independentista teve origem em 2005, quando os catalães aprovaram, também em referendo, novas leis de autonomia. O Estatuto, como foi chamado o conjunto de leis, ampliava os poderes da Generalitat e classificava a Catalunha como uma ‘nação’ dentro do território espanhol. Após protestos do governo central de Madri, o Tribunal Constitucional da Espanha anulou a decisão catalã, o que deu início a uma série de protestos independentistas.
Em 2014, a Generalitat convocou uma consulta popular (de caráter simbólico, diferente de um referendo) onde 80% dos 2,3 milhões de votos escolheram o “sim”. A decisão foi considerada ilegal. Em 2015, a chapa Juntos pelo Sim, que defende a independência e concorreu nas eleições locais, se juntou com a Candidatura de Unidade Popular, de esquerda, para formar um governo. Carles Puigdemont assumiu a presidência da região autônoma da Catalunha prometendo a convocação de outro referendo, que foi realizado no último domingo (01/10).
O que precisa acontecer para a Catalunha se tornar independente?
O parlamento catalão declarou que irá implantar o resultado da votação em 48 horas, contadas a partir da promulgação oficial do resultado do referendo. Isso representaria uma declaração unilateral de independência e a criação de uma república catalã. Segundo as leis espanholas, o governo de Madri poderia recorrer a poderes de emergência e ocupar os controles administrativos da região para impedir a independência. A Catalunha precisaria de reconhecimento e apoio internacional ou um acordo com o governo espanhol para ser reconhecida como nação independente. Em comunicado, a ONU pediu ao governo espanhol que respeite a liberdade de expressão e o direito a manifestação dos catalães.
Por que a Espanha não quer que a Catalunha se separe do país?
O discurso da unidade nacional é um dos motes para que a Espanha seja contrária à independência da Catalunha. No entanto, questões econômicas parecem figurar como as principais responsáveis pela aversão do governo espanhol à causa dos independentistas. A região abriga indústrias de ponta e e lidera setores chave da economia do território nacional espanhol. Exemplo disso é a presença na Catalunha de mais da metade das 1.600 companhias espanholas que têm participação alemã.
Luis de Guindos, ministro da economia da Espanha, afirmou que uma Catalunha independente (e fora da UE) significaria, além de um "suicídio político, uma queda entre 25% a 30% do PIB da região e uma duplicação do desemprego".
Como a Catalunha foi tratada pelos governos espanhóis ao longo da história?
Com a Constituição espanhola de 1931, a Catalunha conseguiu pela primeira vez certa autonomia em relação ao governo central de Madri, passando a ser governada pelos nacionalistas. Após a Guerra Civil que terminou com a derrubada da República e a escalada fascista do general Francisco Franco, a região catalã passou a ser perseguida e perdeu toda a sua autonomia. Passou-se, por exemplo, a proibir o idioma catalão.
Passados 40 anos de ditadura franquista, a Espanha se tornou novamente uma República, com a promulgação da Constituição de 1978. Os catalães exerceram grande influência na elaboração da atual Carta Magna, podendo moldar o texto a diversas necessidades regionais. De concepção descentralizadora, os catalães conquistaram, com a Constituição, a autonomia desejada.

O PERIGO NA IMAGEM DE UM IDIOTA ! VÍDEO: “Sou a favor da tortura. Através do voto, você não muda nada no país. Tem que matar 30 mil”, diz Bolsonaro

EU TENHO VERGONHA DE SER DESEMBARGADOR


Com capacidade para 1.375 assentos, o auditório estava lotado, com pessoas sensibilizadas com 
a morte do reitor, muitas de pé e sentadas no corredor. Nos discursos, predominaram as 
críticas à ação da Operação “Ouvidos Moucos” da Polícia Federal, que resultou na prisão, por 
um dia, e afastamento do reitor da universidade desde 14 de setembro. A cobertura midiática 
desses últimos eventos também foi ressaltada como irresponsável e desproporcional. Uma faixa 
foi levada até o palco com a frase: “Democracia de luto em luta! Aqui mais uma vítima: da 
canalhice do estado de exceção e sua mídia.”

A terça-feira, 3 de outubro, amanheceu silenciosa na Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC). O brilho do sol acompanhava os transeuntes no campus e adentrava calmamente pelo hall
da reitoria. No local, servidores, estudantes, familiares, amigos e autoridades locais e nacionais
davam o seu adeus ao reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Homenagens marcaram o velório, que
iniciou às 17h de segunda-feira, com a chegada do corpo do reitor na universidade.
Por volta das 11h, um cortejo seguiu para a Sessão Solene Fúnebre do Conselho Universitário e do 
Conselho de Curadores, realizada no auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. 
O mesmo local que recebeu Cancellier na solenidade de posse em 10 de maio de 2016, recebeu seu 
corpo para uma última homenagem. Uma foto do reitor estampava os dois telões do auditório. A 
beca branca e um colar com o brasão da universidade ocuparam a cadeira vazia na mesa solene, ao 
lado de Alacoque Lorenzini Erdmann, reitora em exercício.
Ex-senador Nelson Wedekin: "Pior do que a desonra é a dor de quem não a merece"
Um dos discursos mais aplaudidos, muitas vezes de pé, pela comunidade universitária, familiares e 
amigos do reitor Luiz Carlos Cancellier, durante a solenidade fúnebre do Conselho Universitário da 
UFSC, foi proferido pelo ex-senador e advogado Nelson WedekinComeçou falando das "mãos visíveis e invisíveis que empurraram o reitor das alturas para a morte", destacou suas virtudes 
humanas e qualidades pessoais, acadêmicas e políticas e posicionou-se de forma crítica contra as 
arbitrariedades de sua prisão violenta e injusta.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

LULA AO VIVO: ATO PELA SOBERANIA



A DELEGADA ERIKA MARENA VAI SER INCRIMINADA?


A delegada Marena (C) mereceu ser interpretada pela global Flávia Alessandra (à E dela) no 
fracassado filme para endeusar o Moro. Terá sido ela quem induziu o Reitor ao suicídio? 

Cercam a renomada delegada Érika Mialik Marena gravíssimas suspeitas.
Mas, são apenas suspeitas.
Ela tem direito à ampla defesa, a contratar advogado e só pode ser incriminada ou presa, depois de vencido o devido processo legal.
Isso aqui não é uma ditadura do Judiciário nem da Polícia!
Ou é?
Vamos supor que não seja (ainda!)
Assim sendo, cabe enumerar alguns pontos que justificariam submeter a delegada Marena a processo administrativo, Penal e Cível - segundo os princípios da Lei e inscritos na Constituição.
Quais seriam essas suspeitas?
‣ a delegada Marena teria mandado prender o Reitor sem ouvi-lo;
‣ a delegada Marena mandou prender o Reitor sem ouvi-lo porque SUSPEITOU que ele "fazia manobras para criar obstáculos às investigações". Como não provou essas suspeitas, a Juíza mandou soltá-lo;
‣ a delegada Marena acusou o Reitor de crime que teria cometido ANTES de ele assumir a Reitoria!
‣ a delegada Marena estaria baseada em "delações";
De onde viria a "metodologia" Marena de policiar?
Delegada de Polícia Federal (desde 2003); formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (1998); pós-graduada em Direito e Processo Penal (2009) pela Academia Brasileira de Direito Constitucional – ABDCONST/Unibrasil; Procuradora do Banco Central do Brasil (2002/2003). Na Polícia Federal atuou nas seguintes áreas: Delegacia de Crimes Financeiros – DELEFIN em São Paulo/SP (2003 – 2004); Força-Tarefa CC5 em Curitiba/PR (2004/2007), sendo coordenadora entre 2005 e 2007; Grupo de Repressão a Crimes Financeiros – GRFIN em Curitiba/PR (2007 – 2011), sendo chefe entre 2010 e 2011; Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários – DELEFAZ em Curitiba/PR (2012); Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros – DELEFIN em Curitiba/PR (2013 – 2014), sendo chefe entre 2013 e 2015; Grupo de Trabalho da OPERAÇÃO LAVAJATO, vinculado à DRCOR/SR/DPF/PR – 2014 até a presente data; Professora da Disciplina de Crime Organizado/Lavagem de Dinheiro na Academia Nacional de Polícia em diversos cursos de formação profissional de delegados, agentes e escrivães da Polícia Federal.
Ou seja, a formação da delegada pode dever muito à Operação Banestado, onde trabalharam o Juiz Moro Imparcial (depois) de Curitiba e o Procurador Santos Lima.
É possivel que a formação profissional dela deva muito, também, à convivência com os dois, Moro e Lima, na Operação Lava Jato.
Aliás, atribui-se à delegada Marena ter dado o apelido "Lava Jato" à redentora Operação.
Diante disso, cabe a suspeita - mera suspeita - de que a prisão do Reitor tenha sido no "estilo" Lava Jato: ao amanhecer, com o fator surpresa, com a afiliada Globo Overseas junto, associada ao vexame e à humilhação a que o Reitor se refere em seu bilhete - ver TV Afiada "Bate Pronto #2 - o primeiro cadáver do lavajatismo".
A delegada deve ter o amplo direito de, na Justiça e na Corregedoria da PF, desmentir essas graves suspeitas.
Pior será se, como outro ilustre membro da Lava Jato, o delegado Moscardi, autor da desgraçada Operação Carne Fraca, ela tenha feito um mal à Justiça e à Democracia e a si própria nada venha a acontecer.
Como diz amigo navegante indignado:
O que está em questão são os métodos da delegada. Nem ao mais picareta dos seres pode ser reservado um tratamento arbitrário e torturante. E afinal, agora que ele morreu, o processo acabou.
Em tempo: a delegada Marena e o delegado Moscardi honram o ansioso blogueiro com natimortos processos judiciais.

PHA

IRMÃO DE REITOR QUE SE SUICIDOU DESABAFA: “QUEM MATOU MEU IRMÃO?”


Acioli de Olivo, irmão de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, citou em uma postagem no 
Facebook na noite desta segunda-feira 2 "os grandes canalhas" e "os pequenos canalhas" 
responsáveis pelo suicídio do ex-reitor da UFSC, que estava em tratamento psicológico após 
uma investigação da Polícia Federal que culminou em sua prisão; segundo ele, "são vários os 
autores" do suicídio de Cancellier, que denunciou, quatro dias antes de se matar, a 
"humilhação e o vexame" a que foi submetido em investigação da PF que apurava 
irregularidades de uma gestão anterior à sua; o reitor foi preso antes de ser ouvido, humilhado 
dentro e fora da prisão.

Da Revista Fórum - Acioli de Olivo, irmão do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, desabafou pelo Facebook, na noite desta segunda-feira (2), sobre o suicídio do irmão.
Na postagem, Olivo cita "os grandes canalhas" e os "pequenos canalhas" responsáveis pelo o que ele chamou de "crime premeditado".
"Quem matou meu irmão, o reitor da UFSC, Luís Carlos Cancellier de Olivo? São vários os autores. Os principais sabemos nomes, sobrenomes, endereço e ocupações. Mas além destes grandes canalhas, são cúmplices deste crime premeditado, os pequenos canalhas, os vermes rastejantes, que dentro da UFSC divulgaram mentiras", escreveu.
Cancellier, desde que foi preso e afastado da UFSC, vinha passando por tratamento psicológico. Em uma carta escrita no mês passado, o ex-reitor denunciou os "métodos" do MP e da Polícia Federal ao julgá-lo, sem apresentar provas ou dar chances de defesa, e a humilhação a que fui submetido. Saiba mais aqui.
Confira, abaixo, a íntegra do texto do irmão de Cancellier.

QUEM MATOU MEU IRMÃO, O REITOR DA UFSC, LUÍS CARLOS CANCELLIER DE OLIVO?

SÃO VÁRIOS OS AUTORES. OS PRINCIPAIS SABEMOS NOMES, SOBRENOMES, ENDEREÇO E OCUPAÇÕES. MAS ALÉM DESTES GRANDES CANALHAS, SÃO CÚMPLICES DESTE CRIME PREMEDITADO, OS PEQUENOS CANALHAS, OS VERMES RASTEJANTES, QUE DENTRO DA UFSC DIVULGARAM MENTIRAS, ENXOVALHARAM SUA HONRA, VIOLARAM O QUE ELE TIINHA COMO VALOR MAIS PRECISOSO, SUA HONESTIDADE E A DEDICAÇÃO ÍMPAR PELA SUA ALMA MATER, A UNIVERSIDADE EM QUE SE FORMOU E GALGOU DEGRAU A DEGRAU ATÉ ALCANÇAR O POSTO MÁXIMO.
ESTES VERMES NÃO FICARÃO IMPUNES, POIS A UNIVERSIDADE DA TOLERÂNCIA E DA DIVERSIDADE QUE MEU IRMÃO SONHOU E TRABALHAVA TODOS OS DIAS PARA TORNAR UMA REALIDADE, NÃO PODE ABRIGAR OS SEDENTOS DE ÓDIO, POIS FORA DELA JÁ SE REPRODUZEM POR TODA A PARTE COMO RATOS.

A TODOS CONCLAMO, NÃO VERTAM LÁGRIMAS, O CAU NÃO APROVARIA. TRANSFORMEM SUAS LÁGRIMA NUM BRADO DE INDIGNAÇÃO , O ÚNICO SENTIMENTO QUE PODE SE CONTRAPOR À INJUSTIÇA QUE O VITIMOU.

Delegada da Lava Jato foi responsável por prender reitor sem ouvi-lo

A Operação Ouvidos Moucos, que investiga irregularidades na UFSC e da qual o reitor que se suicidou, Luiz Carlos Cancellier, era alvo, era coordenada na Polícia Federal pela delegada Érika Marena, ex-integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba; ela chegou a Florianópolis no fim de 2016 para comandar a área de combate à corrupção e desvios de recursos públicos; o reitor foi preso no dia 14 de setembro e solto no dia seguinte; na ocasião, a delegada questionou a juíza que determinou a soltura, mesmo sem haver nada contra Cancellier.
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Lula responde aos ataques da imprensa: “Estão com medo porque eu vou voltar”



Ao vivo, Lula fala no 8° Encontro Nacional do Movimento dos Atingido por Barragens, que 
reúne, no Rio de Janeiro, cerca de 4 mil atingidos de todas as regiões do Brasil por obras de 
represamento de rios e, também, de outros deslocamentos produzidos por obras de 
infraestrutura.
Na pauta de sua fala, certamente, as pesquisas Datafolha: as que o colocam como favorito e as 
que tentam dizer que ser que ele deve ser preso.






As mãos e as vozes que empurraram o reitor da UFSC para a morte


Luis Nassif

File source: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Luis_Roberto_Barroso_2014.jpgLuís Roberto Barroso tem fixação por sua imagem pública. Algumas denúncias estampadas em blogs de Curitiba, encampadas pelos blogueiros de Veja, foram suficientes para deixa-lo de joelhos.
As denúncias falavam da compra de um apartamento em Miami pela senhora Barroso, através de uma offshore. Mesmo casados em comunhão de bens, compartilhando um escritório bem-sucedido, o nome de Barroso não entrou na história, até o eixo Curitiba-Veja entrar no tema.
E o Ministro Barroso decidiu defender sua imagem com as armas que conhecia: abandonou suas teses legalistas, seu passado garantista e decidiu aderir aos agressores. Sua estreia se deu na votação da autorização para a prisão do réu após condenação em Segunda Instância.
Dali em diante, surgiu um novo Barroso, defensor dos métodos policiais, penalista convicto, defensor da tese de que ou o Brasil acabava com a corrupção ou a corrupção com o Brasil. Não a corrupção corporativa de seus clientes, ele que se vangloria de preparar anteprojetos de lei para que os clientes possam oferecer a seus deputados de estimação; não a do Poder Judiciário, ou mesmo de sua ex-cliente, a Globo. Mas a corrupção do inimigo, a defesa do direito penal do inimigo que chegou ao auge com sua defesa explícita do Estado de Exceção.
Desde então, Barroso se tornou o guru da Lava Jato e dos penalistas do Ministério Público Federal, o profeta do Estado de Exceção. Suas frases se tornaram os bordões prediletos dos procuradores nas redes sociais, o alimento legal que engordava os monstros gerados da barriga da Lava Jato.
E das entranhas da Lava Jato a delegada da Polícia Federal Erika Marena saiu de Curitiba e transportou os métodos da Lava Jato para Santa Catarina. Lá, encontrou como chefe o delegado Marcelo Mosele que, ao assumir a superintendência da PF em Santa Catarina, discursou afirmando que a corrupção é a maior ameaça à humanidade.
Era esse o clima dominante na PF quando chegaram denúncias envolvendo a Universidade Federal de Santa Catarina. Mencionavam desvios que teriam ocorrido desde 2006 nos cursos de educação à distância.
No início, denúncias anônimas. Depois, denúncias personalizadas, uma da professora Tais Dias, outra do corregedor da UFSC, Roberto Henkel do Prado. Escolhido em uma lista tríplice, o corregedor responde ao reitor e também à CGU (Controladoria Geral da União).
Quando o reitor Luiz Carlos Cancellier pediu acesso, imediatamente foi denunciado por Henkel, como tentativa de obstrução da Justiça. Nesses tempos bicudos, as longas mãos da CGU criaram núcleos de poder em cada universidade, e Henkel pretendeu exercê-lo com a autoridade dos moralistas. Imediatamente obteve a adesão de Orlando Vieira de Castro Jr, superintendente da CGU em Florianópolis. E o caso foi parar com o procurador da República André Stefani Bertuol.
A Polícia Federal foi acionada e a sede de sangue atingiu a juíza federal Janaína Cassol Machado, que, consultado o procurador Bertuol, autorizou a prisão preventiva dos professores.
Em Brasília, o eminente Ministro Barroso despejava frases feitas
- Para ser preso, no Brasil, precisa ser muito pobre ou muito mal defendido.
Ou então:
Lá embaixo, nos porões da nova ditadura, a delegada Marena, o delegado Mosele, comandavam policiais treinados nas artes da humilhação. Os professores foram despidos, ficaram pelados, foram jogados em celas      
Enquanto isto, Barroso, que se tornou um Ministro choroso quando a imprensa flagrou-o em uma afirmação racista em relação a Joaquim Barbosa, que se desmanchou em lágrimas tal como uma donzela com a reputação colocava em dúvida, continuava lançando suas flechas no Olimpo e alimentando com princípios pútridos a carne que era servida às hienas.
No dia seguinte, uma juíza substituta, Marjorie Feriberg.ordenou a libertação do grupo. Foi publicamente admoestada por Janaína, que se atirou sobre ela como uma harpia da mitologia.
Restou a Cancellier a única saída que encontrou para a desonra que se abateu sobre ele: o suicídio.
Depois da tragédia, apareceram notícias dizendo que a única acusação formal contra ele era a de ter impedido a investigação.
Que seu sangue caia sobre todos seus algozes.
Mas, especialmente, sobre os que destruíram os alicerces dos direitos individuais pensando exclusivamente em seus próprios interesses.

MORTE DE CANCELLIER EXPÕE A PERVERSIDADE DE UM SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL SEDENTO DE LUZ E FAMA, ESPECIALIZADO EM MARTIRIZAR INOCENTES





Assassinato em primeiro grau


Dona Marisa também foi vítima do espetáculo

A operação Lava Jato produziu um cadáver. Não exatamente sob seu nome, mas com um genérico criado a partir de Curitiba: operação “Ouvidos Moucos”.
Os métodos empregados para prender o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Carlos Cancellier de Olivo foram celebrizados, literalmente, por Sérgio Moro e sua turma. A juíza Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de SC (primeira instância, ou primeiro grau), em Florianópolis, alegou risco de obstrução de investigações. O mesmo argumento usado por Moro para praticar sua enxurrada de ilegalidades. A prisão do reitor era temporária, falcatrua igual à usada por Moro para manter indefinidamente na cadeia aqueles que não se decidem a delatar o ex-presidente Lula.
A delegada da Polícia Federal encarregada do caso, Érika Marena, é um dos ovos da serpente Lava Jato --alcunha de sua autoria, diz-se. Chegou ao cinema na pele da atriz (?) Flávia Alessandra naquela obra infame de produtores clandestinos. Para desespero da Moro de saias, uma juíza substituta revogou no dia seguinte a prisão de Cancillier, como era conhecido. Janaína (nova coincidência, casual, mas sintomática: o mesmo nome daquela advogada desequilibrada pró-impeachment) não se conformou. “Estou na Vara Criminal desde outubro do ano passado e foi a primeira vez que vi uma decisão ser feita dessa forma”, reclamou da substituta em entrevista ao "Diário Catarinense".
Mas o mal estava feito. Cancillier fora levado à Polícia Federal e de lá para uma penitenciária, como se fosse um meliante de alta periculosidade (enquanto um estuprador contumaz, como Roger Abdelmassih, cumpre prisão domiciliar em bairro nobre!). Sofreu toda sorte de humilhações, algumas inconfessáveis, típicas destes ambientes. Isso sem nunca ter sido chamado a depor civilizadamente sobre pretensos crimes. Isso mesmo tendo colaborado e patrocinado a investigação interna sobre os delitos dos quais foi acusado. Isso tudo apesar de ter residência fixa, lugar de trabalho conhecido e uma longa trajetória na universidade.
A sucessão de absurdos e degradações mostrou seu preço. Vítima de procedimentos ditatoriais, Cancillier chegou à morte. Suicídio foi a forma técnica da tragédia. Na verdade, tratou-se de um HOMICÍDIO perpetrado pelo conluio entre uma justiça com caixa baixa e policiais mais interessados em estrelar no cinema. Houvesse lei de fato no país, Érika e Janaína estariam sendo processadas como criminosas, assim como seu guru Sérgio Moro. E nem falamos do que fizeram com dona Marisa.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

MIDIOTISMO EMPURRA REITOR AO SUICÍDIO, EM SANTA CATARINA


Prof Cancellier não resistiu à destruição da reputação (Crédito: UFSC) Palmas pro filme da 
Lava Jato e pro jornalismo assassino de reputações

O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis.
Cancellier, de 59 anos, estava afastado da instituição por determinação judicial. Ele e outras seis pessoas foram presas no dia 14 de setembro e liberadas no dia seguinte. O grupo é investigado na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos em cursos de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB) na UFSC.
Em nota, a assessoria do shopping disse que por volta das 10h30 um homem cometeu suicídio, caindo no vão central. Ele se jogou da escada do piso L4. A Polícia Militar e o Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a identidade da vítima.
A Polícia Civil esteve no shopping nesta manhã com os delegados Ênio Matos e três delegados recém-formados da Academia da Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol), que auxiliarão no caso. Eles coletavam informações com funcionários do shopping. A investigação ficará a cargo da 1ª Delegacia de Polícia da Capital.
Conforme a chefia de gabinete da UFSC, dois pró-reitores se deslocavam na manhã desta segunda-feira para o IML. Em nota, a universidade afirmou que "pró-reitorias e secretarias da Administração Central paralisaram as atividades a partir das 11h, em função do trágico acontecimento".
Estiveram no shopping nesta manhã familiares e amigos do reitor. Entre eles, a secretária de Justiça e Cidadania, Ada de Luca, e o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias.
(...)

Nota oficial da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes):

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 02 de outubro de 2017.

Em tempo: de Gian Kojikovski, repórter da Revista Exame:
"A delegada responsável pela prisão do reitor da UFSC é Érika Marena, uma das integrantes iniciais da Lava-Jato"
Em tempo2: de Moacir Pereira, no Diário Catarinense:
O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população. Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto.
Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão".
(...) O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite. A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.
(...)
Em tempo3: O C Af republica, também, a manifestação do Desembargador Lédio Rosa de Andrade, no Twitter:



Em tempo4: leia no Diário Catarinense: "Em tom de desabafo, Luiz Cancellier publica último artigo em 'O Globo'"

CAIUÁ, A ONG DO "CAJÚ" DE R$ 2 BILHÕES QUE SE TORNOU DONA DA SAÚDE INDÍGENA NO BRASIL

Ismael Cardeal, coordenador da Missão 
Evangélica Caiuá, posa com o senador 
Romero Jucá.

Maurício Angelo

CONVÊNIOS BILIONÁRIOS mantidos à custa de influência política, relações suspeitas com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), acusações de suborno de lideranças indígenas, denúncias de assédio moral e ameaças a funcionários da instituição. É assim que a Missão Evangélica Caiuá, sediada na zona rural de Dourados (MS) tornou-se dona da saúde indígena no Brasil, recebendo mais de R$ 2 bilhões do governo federal entre 2012 e 2017. A rede de atuação da entidade está na mira do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal.
Em 2000, a Caiuá firmou um convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para prestar serviços de atendimento à população indígena do Mato Grosso do Sul. A parceria durou até 2010, ano em que a Sesai é criada e passa a ser responsável por todas as ações de saúde voltadas aos povos indígenas do país. É a partir daí que o valor dos repasses e a quantidade de convênios entre a Missão Evangélica e a União explodem.
Em 2010, a ONG gerenciava sete dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do país. No ano seguinte, já eram 17 as unidades gestoras de saúde sob seu comando. Os R$ 36,5 milhões recebidos em 2010 saltaram para R$ 433,4 milhões em 2015, ano em que a Caiuá foi a segunda entidade sem fins lucrativos a receber mais dinheiro do governo federal, perdendo só para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Somente em 2017, até maio (último dado disponível), a Caiuá já tinha levado R$ 248,6 milhões dos cofres públicos, e lidera o ranking de ONGs mais beneficiadas pela União.
ONG tem 64% dos atendimentos
O domínio impressiona: a Caiuá responde por 64% dos atendimentos em saúde indígena. O restante fica a cargo de outras duas entidades: o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Com mais de 9 mil funcionários espalhados pelos 19 distritos sanitários em que tem contratos atualmente, a entidade atua do Acre ao Rio Grande do Sul – com destaque para Roraima e Mato Grosso do Sul. A ONG cobre, assim, uma população indígena estimada em 510 mil pessoas e é responsável por toda a contratação de profissionais de saúde especializados e pela gestão dos contratos. A Sesai fornece a estrutura adequada e os suprimentos necessários.
Instituição quase centenária, a Caiuá foi fundada em 1928 em Dourados por Albert Maxwell, pastor presbiteriano americano que decidiu empreender uma jornada de evangelização aos povos indígenas brasileiros. Além dos convênios, a entidade é dona do Hospital e Maternidade Indígena Porta da Esperança, inaugurado em 1963, e do Instituto Bíblico Felipe Landes. Além disso, criou a primeira Igreja Indígena Presbiteriana no Brasil, em 2008, e mantém diversas escolas no Mato Grosso do Sul, responsáveis por milhares de alunos, da pré-escola ao ensino médio.
Jucá, o padrinho
Para entender a influência atual da Caiuá, é preciso voltar ao ano 2000, quando o farmacêutico Demetrius do Lago Pareja assumiu a coordenação de convênios e passou a ser responsável por toda a articulação política da entidade. Ele é apontado como o principal elo da ONG com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que se tornou o grande padrinho político da Caiuá.
“Ele (Jucá) é quem garante todo o aparato para que a Missão possa continuar com os contratos milionários. Eles batem no peito e desafiam a Justiça a apontar irregularidades na gestão deles. A maioria das denúncias eles conseguem abafar com essa influência forte de padrinhos políticos”, afirma Lindomar Ferreira Terena, ex-presidente do Distrito Sanitário de Mato Grosso do Sul.
Procurado, Romero Jucá se recusou a comentar suas relações com a Caiuá.Ainda um dos homens fortes do presidente Michel Temer (apesar dos 14 inquéritos a que responde no Supremo Tribunal Federal), Jucá se tornou o primeiro governador do recém-criado estado de Roraima, por nomeação de José Sarney, em 1988. Antes disso, de 1986 a 1988, presidiu a Fundação Nacional do Índio.
À frente da Funai, amealhou façanhas: loteou a instituição com indicações políticas, autorizou a extração ilegal de madeira em território indígena, reduziu o tamanho do Parque Yanomami, liberou áreas para exploração de mineração, expulsou médicos e missionários e ainda é citado em relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV) como responsável direto pelo genocídio de milhares de índios yanomamis. Para a CNV, Jucá permitiu que cerca de 40 mil garimpeiros invadissem as terras indígenas, o que causou um impacto devastador na comunidade.
Além do senador, a Caiuá teria a proteção também de Pastor Everaldo, presidente do PSC, partido que controla a Funai e tem promovido um desmonte completo na instituição, como admitiu o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio. O pastor evangélico Antônio Costa, que presidiu a Funai por menos de quatro meses este ano por indicação do PSC, é ex-funcionário da Caiuá, tendo atuado de 2005 a 2009 na instituição. Costa deixou o cargo em maio, trocando farpas com Serraglio e indicando divergências na cúpula.
Empregos na ONG em troca de votos
Roraima é o estado com a maior população proporcional indígena do Brasil e concentra também a maior presença institucional da Caiuá, que controla o Distrito Leste e o Yanomami. Juntos, os dois somam mais de 1.800 funcionários da Caiuá e são responsáveis pelo atendimento de cerca de 75 mil indígenas.
Ismael Cardeal, coordenador da Caiuá em Roraima e um dos homens de confiança de Demetrius Pareja, está sendo investigado pela Polícia Federal por oferecer empregos na ONG em troca de votos para sua candidatura a vereador em 2016, cargo para o qual ele não conseguiu ser eleito. A PF realizou busca e apreensão de documentos e dinheiro na sede da entidade em Boa Vista em outubro de 2016. Procurada, a PF não comenta a questão por sigilo. A Missão Caiuá diz que aguarda o resultado do processo para decidir se demite ou não o coordenador regional.
As relações suspeitas entre políticos e gestores de distritos sanitários levaram a Hutukara Associação Yanomami a formalizar denúncia no Ministério Público Federal de Roraima e na Sesai em 2013. Os indígenas tiveram acesso a uma gravação de áudio que apresentava “indícios de ligações e influências” do deputado estadual Jânio Xingu (PSL) com Joana Claudete (coordenadora do DSEI Yanomami), Antônio Gonçalves (assessor de Planejamento do DSEI) e Ismael Cardeal. Para a associação, ficou claro à época nas gravações que havia uma articulação entre essas pessoas no sentido de manter a hegemonia da Caiuá nos convênios com a Sesai.
Na denúncia, a Hutukara afirmou ainda que o DSEI não cumpria a obrigação de disponibilizar os dados epidemiológicos e não era transparente com o uso dos recursos. Denunciaram também a falta de medicamentos, de infraestrutura e de condições para que as equipes de saúde prestem assistência básica. “Não compreendemos como o DSY [DSEI Yanomami] pode estar prestando um serviço de saúde com os problemas que vivenciamos tendo cerca de R$ 48 milhões só para o exercício de 2013, fora os mais R$ 38 milhões da Missão Evangélica Caiuá que é responsável apenas pela contratação dos funcionários. Este orçamento em anos anteriores era de R$ 8 milhões no máximo. Aumentaram os recursos mas não melhorou a saúde e a qualidade de vida”, diz o documento.
Três anos depois, numa mudança de postura no mínimo curiosa, Davi Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara, assinou uma “Manifestação de Apoio à Missão Evangélica Caiuá”. Nela, elogia a Caiuá por pagar salários em dia; afirma que os funcionários estão satisfeitos com a entidade; diz que “não há ato que desabone o Coordenador (Ismael Cardeal) e funcionários do escritório da Caiuá em Roraima, uma vez que se pautam pela transparência nos seus atos”.
O presidente da associação diz ainda que a Hutukara, legítima representante do povo Yanomami e Ye’kuana, fiscaliza e monitora todas as ações da Caiuá no estado e, por fim, manifesta “total apoio à permanência da Caiuá como conveniada junto à Sesai para o DSEI Yanomami”. Davi Kopenawa afirma que questionamentos anteriores à Caiuá teriam ocorrido “por um erro de assessoramento”.
A carta teria sido redigida por Ismael Cardeal, com a anuência e supervisão de Demetrius Pareja, restando a Davi Kopenawa, presidente da Hutukara, a mera assinatura. Procurada, a Hutukara não se pronunciou até o fechamento desta matéria. Os representantes do DSEI Yanomami também se recusaram a comentar o caso. Em ofício enviado para a reportagem, o MPF/RR informa que arquivou a denúncia porque a apuração dos fatos mostrou que “nenhum servidor do DSEI-Yanomami ou político local teve influência na escolha e na manutenção da Caiuá, uma vez que houve um chamamento público federal”.
Condições de trabalho em xeque
A Missão Evangélica Cauiá também já se viu às voltas com a Justiça do Trabalho. Em 2012, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Roraima ingressou com uma ação civil pública na Justiça do Trabalho contra a ONG e a União. O objetivo do MPT era assegurar melhores condições para os profissionais da área de saúde que prestam serviços nas comunidades indígenas de Roraima. À época, havia denúncias de condições precárias de trabalho.
Em 2015, a Caiuá firmou um acordo com o MPT, se comprometendo a mudar o modelo e oferecer padrões mínimos de higiene, saúde e segurança. Em entrevista a The Intercept Brasil, a procuradora do trabalho Safira Nila Rodrigues afirmou que a maioria das inconformidades foi ajustada, mas que recentes auditorias, incluindo a que foi realizada em 2017, mostram que a Caiuá ainda não cumpre com todas as condições colocadas – a escala de trabalho prevista em alguns contratos continua a não ser devidamente respeitada, por exemplo. Segundo ela, “o MPT tem ciência de todas dificuldades e está atento no bojo desse processo para requerer que a União também seja intimada. Vamos continuar nas fiscalizações dos polos de saúde”, promete.
Falta de transparência
O controle social, através do Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI), dos DSEIs, dos Grupos de Trabalho e outras instâncias, é um dos mecanismos mais importantes que os indígenas têm à disposição para fiscalizar a aplicação dos recursos, a qualidade do atendimento, identificar as necessidades de cada povo e fazer suas reivindicações. No entanto, é um processo contaminado pelas influências políticas, que faz com que presidentes de DSEIs e de CONDISIs fiquem na mão das entidades, especialmente a Caiuá.
Para o procurador Gustavo Alcântara, o controle social definitivamente está aquém do que deveria. “As instâncias de controle não têm informações transparentes do que acontece, não têm acesso a vários documentos, não têm estrutura para trabalhar e recursos para realizar fiscalizações, reuniões e deliberações. Há muito o que melhorar”, enumera.
O caso do DSEI do Mato Grosso do Sul é bem sintomático dessa realidade. Lindomar Terena foi presidente da unidade por três meses em 2016. Tanto sua nomeação quanto sua exoneração, no início do governo Temer, causaram protestos – o que dá uma ideia das inúmeras brigas políticas que contaminam as questões indígenas do estado. Durante sua gestão, no entanto, Lindomar pôde apurar várias irregularidades.
Para ele, que atua na luta indígena pelo menos desde 2003 e mora na Terra Indígena Cachoeirinha, situada na divisa do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o estado em geral da saúde indígena é de calamidade pública e falta boa gestão para mudar isso. Lindomar também acusa a Missão Caiuá de utilizar indevidamente as instalações do próprio DSEI para suas despesas operacionais, de pressionar funcionários a defender a ONG, sob pena de demissão, e de manter funcionários fantasmas.
“Encaminhamos ao Ministério Público Estadual alguns dados de funcionários que ganhavam da Missão Caiuá sem trabalhar. Não podíamos conviver com aquela situação e eles foram demitidos. A Caiuá tentou nos intimidar conforme fazíamos auditoria mas mantemos nossa posição”, conta.
No caso da denúncia dos funcionários fantasmas, o MP não conseguiu provar as acusações feitas por Lindomar.
Convênios ao menos até o fim do ano
Até 2016, a Sesai foi administrada pelo médico cirurgião Antônio Alves, que comandou a transição da Funasa para a secretaria. Alves teria relação próxima com Demetrius Pareja, o que pavimentou o caminho para que a Caiuá alcançasse os 19 DSEIs no chamamento público de 2013, convênios que serão mantidos até o fim de 2017 e possivelmente, caso uma nova extensão ocorra, até o fim de 2018.
Com a saída de Antônio Alves, a relação entre a Caiuá e seu sucessor no cargo, Rodrigo Rodrigues, hoje diretor de Proteção Territorial da Funai, foi marcada por animosidade. Lindomar Terena conta, por exemplo, que a Caiuá chegou a mandar mensagem para todos seus funcionários no Mato Grosso do Sul convocando-os a manifestarem apoio à Caiuá, para que a ONG continuasse com os convênios. Do contrário, todos seriam demitidos.
“Os funcionários foram para a rua, para o DSEI, para polo de saúde, para a BR, manifestando apoio a Caiuá. Eles usam os próprios funcionários para manter os convênios. Se os funcionários não manifestassem apoio, em 30 dias, todos estariam desempregados. E as pessoas, mal informadas, obedeceram”, afirma.
Segundo Lindomar, a Caiuá em Campo Grande nem se preocupa em ter escritório próprio. Em vez disso, aproveita-se da estrutura dos distritos que comanda. “Quando assumimos o DSEI, descobrimos que ela usava uma sala, as viaturas, telefone, internet, água, luz, tudo dentro dele. Como ficamos apenas 3 meses, não conseguimos removê-los, ela continuou e a nova gestão tomou conta. Esta é a forma que eles atuam no estado”, acusa.
Alvo do TCU
Na sua cidade-sede, a Caiuá sempre chamou atenção: foi um dos alvos da chamada “CPI da Desnutrição Indígena”, finalizada em 2008. Na época, o escândalo da morte de mais de 80 crianças indígenas no Mato Grosso do Sul, vítimas de desnutrição ou de doenças associadas à inanição, teve repercussão internacional. O relatório da CPI indicou que havia conflitos de funcionários que não aceitavam o modelo de gestão terceirizado, questionado pelo Ministério Público do Trabalho e pela Controladoria Geral da União.
Para o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, que atua em Dourados há 9 anos, um dos fatores que dificultam a fiscalização é que a aplicação do recurso é descentralizada. “Torna-se uma investigação um pouco mais difícil porque em tese esses desvios são realizados nos locais sede e não aqui, em que receberiam só o pagamento. Esse é um fator que dificulta, especialmente com o crescimento que a Caiuá teve nos últimos anos”, afirma.
Há em curso contra a Caiuá também uma investigação do Ministério Público Federal e um processo em andamento no Tribunal de Contas da União (TCU) para auditar convênios da Sesai em todo o país. O processo foi enviado para relatoria do ministro Bruno Dantas em novembro de 2016 e aguarda julgamento do plenário colegiado do TCU, ainda sem previsão de acontecer. A reportagem teve o pedido de acesso ao processo negado.
No entanto, em entrevista, o secretário do TCU no Mato Grosso do Sul, Tiago Modesto, afirma que foram encontradas irregularidades nos convênios das três entidades responsáveis pela contratação de pessoal para os distritos sanitários (Caiuá, IMIP e SPDM). Segundo ele, a auditoria analisou se os profissionais contratados cumpriam a obrigação laboral de acordo com o total de horas previsto no sistema; se a fiscalização da gestão do convênio estava sendo realizada conforme a lei (Portaria Interministerial 507 e Decreto 8.901 de 2016); e se os cerca de 15% do valor de cada convênio para gestão do contrato foram de fato gastos com despesas administrativas.
“O que posso dizer no momento é que todas as entidades apresentaram desconformidades em relação à lei”, adianta Modesto. Segundo ele, a auditoria não partiu de uma denúncia específica, mas porque o volume de recursos repassados para a Caiuá chamou a atenção por ser alto demais.
“Convênios em geral possuem algumas fragilidades de controle, não costumam ter um controle muito apurado”, assume o secretário.
No site do TCU, já estão disponíveis o acórdão 863/2017 e o acórdão 2187/2016 , que servirão de base para o julgamento do plenário. Lá, a Caiuá é intimada a fazer ajustes:
“Dentre as determinações dirigidas à Sesai, destaca-se a que se propõe exigir das convenentes “que todos os profissionais atualmente contratados e ativos comprovem junto às entidades a compatibilidade de seus vínculos adicionais”, bem como a que fixa prazo de 90 (noventa) dias à Sesai para exigir dessas entidades, inclusive da Missão Evangélica Caiuá (responsável pelos indígenas de Dourados/MS), providências com vistas a inserir nos planos de trabalhos de cada um dos convênios demonstração das estruturas de pessoal necessárias para sua gestão..”
Outro lado: Caiuá nega irregularidadesEm entrevista concedida pelo seu coordenador de convênios, Demétrius Pareja, e pelo seu presidente nacional, Geraldo Silveira, a Missão Evangélica Caiuá negou todas as irregularidades e afirmou que assumiu os convênios com a Sesai “a contragosto”. Os dois representantes alegam que, no chamamento público de 2013, a intenção era administrar menos DSEIs mas que acabaram assumindo mais distritos “porque não tinha ONGs interessadas”, e a experiência da entidade a credenciava para assumir a responsabilidade.
A Caiuá também afirmou que todas as suas prestações de contas foram realizadas em dia e que, auditadas por instituições públicas, não apresentaram nenhuma irregularidade até o momento. Lembrou ainda que os dados podem ser vistos pelo sistema de convênios do governo federal em tempo real com total transparência.
Segundo seus representantes, a assembleia da instituição já deliberou que a Caiuá irá entregar todos os convênios até o fim de 2017 – ou no máximo até o fim de 2018, caso sejam ampliados pelo ministro Ricardo Barros. Mas após quase 20 anos atuando diretamente na saúde indígena, não participará de novos editais ou chamamentos da Sesai. “Os questionamentos e críticas quanto ao modelo de saúde indígena têm caído nas nossas costas. Isso tem trazido mais prejuízo que benefício para a imagem da instituição”, diz Silveira. Encerrados os atuais convênios, “está oficializado que a Missão não vai participar de novos chamamentos”, comprometeu-se.
Segundo eles, o volume de recursos recebido pelo governo federal teria passado a inibir as doações que sempre mantiveram as ações da instituição desde a sua fundação. De acordo com Pareja, o risco não compensa. “Acumulamos muitos questionamentos e inseguranças jurídicas. Gerir 9 mil funcionários é um risco institucional muito grande. São muitos políticos se arvorando como parte da Caiuá ou nos execrando porque não colaboramos com eles”, defende-se.
As doações recebidas de igrejas brasileiras e do exterior teriam caído mais de 60% em função do protagonismo que a Caiuá assumiu e das centenas de milhões que recebe por ano. “Quando mando uma circular pedindo uma doação para o hospital, por exemplo, a resposta que tenho é ‘porque vamos doar se vocês já recebem tanto?’. Isso é um incômodo muito grande para a instituição”, diz Silveira.
Segundo a entidade, as irregularidades apontadas em ação do Ministério Público do Trabalho de Roraima foram em função de responsabilidades não cumpridas da União. E reiterou que está ciente das investigações em curso do Ministério Público, do TCU e da Polícia Federal mas que, até o momento, a Caiuá não foi condenada e que garante total transparência na sua atuação.
A Caiuá negou qualquer relação com os políticos citados na reportagem que não a meramente protocolar e formal e também que o senador Romero Jucá tenha atuado como seu padrinho. Demetrius Pareja afirmou ainda que sua relação com Antonio Alves, secretário da Sesai, era cordial e próxima, mas absolutamente funcional.
A ONG também negou expressamente que mantenha funcionários fantasmas. Os representantes dizem que jamais ameaçaram ou assediaram moralmente seus funcionários de forma institucional e que todo caso esporádico foi investigado e punido internamente. Por fim, seus representantes reforçaram que a ONG sempre ficou à margem de eventuais disputas políticas.
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Catalunha: Apesar da Violência Espanhola, Referendo teve 2,2 milhões de votos com 90% pró-independência


Manifestantes foram à praça da Catalunha, em Barcelona, para a divulgação do resultado

Presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, anunciou que nos próximos dias 'transferirá' ao Parlamento os resultados para que aplique o procedimento previsto na lei do referendo para 
proclamar a independência.

O conselheiro da Presidência da Generalitat da Catalunha, Jordi Turull, afirmou neste domingo 
(01/10) que "o referendo foi realizado" e teve 2.262.424 votos, dos quais 90% foram a favor do 'sim' 
à independência da Catalunha frente a 7,8% contra.
Turull disse que o número de votantes foi bom, apesar de todas as alterações sofridas pelo processo 
previsto pelo governo ao longo do dia, devido à "excepcionalidade" em que foi realizado. O 
conselheiro afirmou que, além dos votos computados, é preciso levar em conta que 400 colégios 
eleitorais foram fechados e o material eleitoral que foi levado pela polícia.
Apesar da repressão na votação, o presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, anunciou que nos 
próximos dias "transferirá" ao Parlamento os resultados para que aplique o procedimento previsto na 
lei do referendo para proclamar a independência.
Segundo o artigo 4.4 da lei do referendo, aprovada pelo Parlamento catalão e suspensa pelo Tribunal 
Constitucional da Espanha, se o 'sim' à independência vencer, o Parlamento, "dentro dos dois dias 
seguintes à proclamação dos resultados por parte da Sindicato Eleitoral, realizará uma sessão 
ordinária para efetuar a declaração formal da independência da Catalunha".
O governo catalão já tinha reconhecido que não poderia realizar o seu referendo de independência tal 
como tinha planejado e, então, anunciou um censo universal e a possibilidade de votar ainda com 
cédulas impressas em casa, urnas que mudavam de colégios e sem esclarecer o processo de 
contagem.
Levando em conta o censo de 5,3 milhões pessoas e os 2.262.424 votos, a participação seria de 42%, 
embora o governo catalão não tenha oferecido uma porcentagem concreta porque argumentou que 
houve "votos roubados", urnas retiradas pela polícia e 400 colégios fechados que alteraram os 
resultados.
O conselheiro de Presidência considerou, assim, que sem essa "situação excepcional", a participação 
poderia ter chegado a 55%.
O governo da Catalunha afirmou que houve 2.020.144 votos a favor do 'sim' (90%) e 176.566 do 
'não' (7,8%), além de 45.586 em branco e 2.129 nulos, com resultados ainda provisórios porque 
faltam 15 mil votos a serem computados, incluindo os dos catalães no exterior.
Por sua vez, o vice-presidente do governo catalão e conselheiro de Economia, Oriol Junqueras, 
assinalou que a Catalunha "demonstrou sua desconexão com um Estado profundamente autoritário", 
e por isso ganhou "o direito de poder se constituir como uma república se assim decidir o 
Parlamento"
Já o conselheiro de Relações Exteriores, Raül Romeva, pediu à Europa que escolha entre a 
"vergonha e violência" do Estado ou a "dignidade e democracia" da Catalunha.
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O ‘El País’ faz o que a imprensa brasileira não faz: investiga o MBL


Retrato de Kim Kataguiri postado no Facebook

POR FERNANDO BRITO 

Duas extensas reportagens no El País, hoje, mostram o que os
jornais brasileiros – inclusive a Folha,
que abriu suas páginas para Kim Kataguiri pontificar como porta-
voz da juventude “coxinha”- jamais se interessaram em mostrar a
seus leitores: o que é o tal Movimento Brasil Livre e os negócios
em que ele se envolve.
Descobre-se ali, que ele é, juridicamente, o Movimento Renovação 
Liberal (MRL), registrado “em nome de quatro pessoas, sendo três
deles irmãos de uma mesma família: Alexandre, Stephanie e Renan Santos. Este último é um dos
coordenadores nacionais do MBL e um dos rostos mais conhecidos do grupo”.
Família que está devendo horrores na praça:
“A família Santos responde atualmente a 125 processos na Justiça,
relativos a negócios que tiveram 
antes da criação do MRL. O EL PAÍS teve acesso a estes processos.
A maioria é relativa à falta de 
pagamento de dívidas líquidas e certas, débitos fiscais, fraudes em
execuções processuais e 
reclamações trabalhistas. Juntos, acumulam uma cobrança da ordem
de 20 milhões de reais, valor 
que cresce a cada dia em virtude de juros, multas e cobranças de
pagamentos atrasados.”
“Democraticamente” , o El País revela que “aqueles que são
chamados de coordenadores nacionais do MBL, como Kim
Kataguiri, Fernando Holiday e o próprio Renan Santos, não foram eleitos por ninguém e jamais
poderão ser substituídos em eventual votação dos que supostamente se filiam ao movimento”.
E a filiação não é barata. Na imagem acima reproduz-se o cardápio de tipos de filiação, que vai 
desde “Agente da Cia” até “Nós somos o 1%”, com mensalidades de R$ 30 a R$ 10 mil por mês(!!!).
E os blogueiros sujos, aqui, passando o chapéu, para conseguir bem-vindas contribuições de 10 reais, 
somos a “militância paga” e suja…
A segunda reportagem, sobre a disputa com Alexandre Frota e família pelo controle da logomarca e 
do nome “Movimento Brasil Livre”.
É, como se percebe, uma disputa “ideológica” que, com certeza, não se dá pela venda de canecas 
online.
Benditos meninos moralizadores!

TIROS EM LAS VEGAS: JÁ SÃO MAIS DE 50 MORTOS, EUA, PARAÍSO DAS ARMAS LIVRES E DO IDIOTISMO ASSASSINO REACIONÁRIO



Atirador de Las Vegas é Stephen Paddock, americano de 64 
anos

A polícia de Las Vegas confirmou que o autor do ataque contra um show de música country nas 
proximidades do Mandalay Bay Casino é Stephen Paddock.
De acordo com o xerife Joe Lombardo, Paddock é um homem branco, norte-americano, de 64 anos. 
Ele atirou do 32º andar do cassino, contra o público de 40 mil pessoas que assistia, do lado de fora 
do prédio, ao festival “Route 91 Harvest Festival”.
O xerife também informou que foram encontradas “muitas armas” dentro do quarto de Paddock no 
Mandalay Bay Casino. Dois carros registrados em seu nome que estavam sendo procurados pela 
polícia já foram encontrados.
O atirador é originário da cidade de Mesquite, Nevada, que fica cerca de 130 quilômetros de Las 
Vegas. A polícia informou que há mais de 50 mortos e 200 feridos, o que faria do episódio o mais 
sangrento tiroteio da história dos Estados Unidos. (ANSA)

DELATADO PELO PULHOCCI, LULA DISPARA NAS PESQUISAS ! COMO EXPLICAR?





*Este post foi atualizado com os números da pesquisa divulgados no jornal impresso.

Os números da pesquisa DataFalha de setembro mostram que 

a curva do ex-presidente Lula continua a crescer. Bate, agora, 
em 35%.

Ela cresce ininterruptamente desde a pesquisa do instituto de novembro de 2015.
O tempo passou, Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, tornou-se réu em sete processos e foi delatado por um homem de confiança, o ex-ministro Antonio Palocci.
Em abril deste ano, em projeção do segundo turno, a ex-ministra Marina Silva, intocada pela Lava Jato, batia Lula por 41% a 38%. Agora, Lula vence fora da margem de erro de 2 pontos percentuais: 44% a 36%.
Lula virou sobre Marina Silva! Como explicar este fenômeno?
Em primeiro lugar, a desesperança. De acordo com a série histórica da pesquisa CNI/Ibope, divulgada no dia 27, o número daqueles que consideram o governo Temer ruim ou péssimo saltou de 55% para 70%.
Outros dados:
Para 65% dos entrevistados, o restante do governo será ruim ou péssimo, para 22% será regular e para 9% será ótimo ou bom. Para 52% dos entrevistados, o governo Temer está sendo pior que o governo da presidente Dilma Rousseff. Em março, esse índice era de 41%. Já 11% acham que o governo Temer está sendo melhor e 35% consideram igual ao governo Dilma.
Acrescentem a isso o fato de que a mídia propagou uma recuperação econômica inexistente, ou pelo menos tão tênue que não mudou em nada a vida do grosso da população.
Marcos Coimbra, na edição desta semana de CartaCapital, põe o dedo na ferida:
“O retrato do Brasil que emerge das pesquisas quantitativas é ruim. Mas o que vem das pesquisas qualitativas é pior. Pelo que vemos através delas, a alma brasileira nunca esteve em momento mais negativo”, escreve Coimbra, afirmando em seguida que isso é mais agudo entre os mais pobres.
Sobre Lula: “De Sul a Norte, as pessoas do povo são unânimes ao dizer que ‘as coisas estavam melhor quando Lula era presidente’. Simpatizantes ou não do ex-presidente e do PT, todos concordam que havia emprego, o País crescia, existiam muitos e bons programas sociais. Comparado com os dias atuais, era outro Brasil”.
Segue Coimbra: “A narrativa que recebem da mídia corporativa, dos políticos conservadores e, muito especialmente, dos juizes e promotores de direita, de que ‘tudo era ilusão’, não as convence. Para elas, muito mais ilusória é a história que ouvem agora”.
O que nos leva ao segundo ponto importante sobre os números mais recentes: na pesquisa de abril, o juiz Sergio Moro batia Lula num projetado segundo turno por 42% a 40%.
Agora, Lula tem 44% e Moro 42%.

O que significa que, no campo político, que é onde o juiz Moro escolheu fazer a disputa — ele mesmo escreveu um artigo elogioso sobre as Mãos Limpas da Itália, dizendo que era importante ‘trabalhar’ a opinião pública –, Lula está se saindo melhor que o magistrado.
Moro, por assim dizer, bateu no teto.
Mas, como assim, se o ex-presidente agora é reu em número maior de ações e é vítima de uma incrível barragem de manchetes, marteladas dia e noite?
Nossa opinião:
A Lava Jato não produz empregos. Pelo contrário, é vulnerável à acusação de que está destruindo empregos;
Falta o cofre escondido, a mansão luxuosa, os iates, as gravações de Lula prometendo matar alguém. O massacre midiático é tamanho que o eleitor acaba se perguntando: se o Lula roubou tanto quanto dizem, cadê as malas de dinheiro? As contas na Suiça? O ex-presidente acaba beneficiado pela alta octanagem da ladroagem alheia.
Finalmente, os barões da mídia acreditam tanto em seu próprio poder que estão certos de que venderam à opinião pública a ideia de que as ‘reformas’ de Temer são a única saída, independentemente do futuro dele ou do resultado das eleições de 2018.
Não contam, de novo, com a memória coletiva: Collor não foi aquele que vendeu tudo dizendo que ia botar dinheiro na saúde e na educação? Fernando Henrique não fez a mesma coisa? Mas, sendo assim, a saúde e a educação não deveriam ter melhorado? E agora vem outro ladrão propondo a mesma coisa de vender tudo, cortando inclusive na saúde e educação — só que desta vez um ladrão formalmente acusado duas de vezes de chefiar uma quadrilha?
Um indício: o Planalto encomendou uma pesquisa sobre a privatização da Eletrobras. Resultado: ela é rejeitada por 52% dos entrevistados e aprovada por 37%, mesmo depois de uma cobertura altamente favorável à privataria.
Sintonizado, o ex-presidente Lula já em sua caravana pelo Nordeste prometeu um plebiscito para “rever” as medidas de Temer.
Mantidas as coisas no rumo que estão, a curva de Lula tem tudo para continuar ascendente, até bater no teto da rejeição absoluta. No Datafolha de abril, estava em 46%. Agora, está em 42%.
A rejeição a Bolsonaro passou de 30% a 33% e a de João Doria, que se esforça para se tornar conhecido nacionalmente, saltou de 20% para 25%.
Dentre os entrevistados que apoiam Lula, 26% dizem que votam em quem ele indicar.
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"POBRETOLOGIA" ESCONDEU A LUTA DE CLASSES



"POBRETOLOGIA" ESCONDEU A LUTA DE CLASSES

Virgínia Fontes: como o Capital passou a se organizar

ENTREVISTA A ANTONIO NEGRI: O ESGOTAMENTO DO PETISMO


Negri: a casa é um direito e não um favor

Trechos da entrevista de Marcelo Godoy com o pensador italiano Antonio Negri:

Antes de se tornar uma das mais importantes vozes críticas da esquerda mundial, o filósofo 
italiano Antonio Negri, de 84 anos, passou quatro anos e meio preso sob a acusação de participar 
da morte do líder democrata-cristã Aldo Moro. Eram o fim dos anos 1970, anos de chumbo na 
Itália. Saiu da cadeia ao ser eleito deputado. Professor de filosofia do Direito e Teoria do Estado 
na Universidade de Pádua e depois na Universidade de Paris VIII e no Collège International de 
Philosophie, Negri conhece a realidade brasileira - esteve nessa semana em São Paulo 
participando de seminário 1917, o Ano que Abalou o Mundo e do lançamento do livro homônimo, 
organizados pela editora Boitempo. Aqui, ele fala sobre Lula, de Antonio Palocci, o futuro do PT 
e da esquerda no ano do centenário da revolução russa. 

(...) Já que falamos de Lula, o que as bruxas de Macbeth lhe revelam sobre o futuro de Lula?
Não sei se suicídio ou uma tentativa desesperada de luta. Eu penso que Lula seja o maior homem político da América Latina na segunda metade do século 20. Ninguém é comparável a Lula. Foi alguém que conseguiu construir nesse país continente uma força popular necessária aos governos.
Mas e agora?
Não se governa sem Lula. Não se governa sem o que Lula deixou. Ele conseguiu pôr o Brasil na cena mundial, em ruptura com os americanos. Essas são coisas fundamentais que Lula fez e para as quais eu tiro o chapéu. Não creio que o capitalismo brasileiro tenha uma autonomia e uma capacidade inventiva para conseguir manter a herança de realidade popular que Lula trouxe ao Brasil. Destruir sua figura é um absurdo.
É o que está acontecendo?
Sim, eu sei que está acontecendo. Porque a direita não tem cérebro. Está destruindo a única coisa que ela devia salvar.
Mas o problema não é judiciário? O problema não é que Lula recebeu propinas e deve pagar por isso?
Eu não sou contrário a isso (que a Justiça puna os corruptos), desde que isso valha para todos. Se a Justiça bate em alguém é certíssimo, porém deve atingir a todos da mesma maneira. Eu não sei se a relação entre Justiça, jornais e TVs é igual para Lula e para os outros. Esse é um problema que devemos nos pôr se vivêssemos em uma democracia ideal.
A política feita pelo PT de governar o País se exauriu?

Sim. Eu creio que sim. E creio que no Brasil existe uma situação dramática de todos os pontos de vista.
Por que, professor?
Porque não há uma direita que seja capaz de interiorizar o passado desse país, isto é, essa democracia que se quer e não se quer, e que Lula a interpretou e a fez viver de um ponto de vista popular, com a adesão das grandes massas à democracia.
O ex-capitão do Exército e deputado Jair Bolsonaro, um ex-paraquedista, segundo as últimas pesquisas, deve ser bem votado na próxima eleição presidencial. Quais seriam as causas desse fenômeno, o crescimento da extrema-direita?Isso acontece porque, à direita, falta uma posição política capaz de se opor, porque para fazer essa operação, com toda probabilidade, seria necessário aceitar que passamos 20 anos de hegemonia lulista. A direita sabe digerir e engordar, e os bons capitalistas sabem que precisam da força de trabalho. O capitalismo precisa de duas coisas: dar o trabalho e receber do trabalho.
Isso seria reflexo da onda na Europa e nos Estados Unidos?
Provavelmente não. Creio que o fenômeno brasileiro seja diferente. Existe uma queda geral de regimes de esquerda na América Latina, com fenômenos bastante contraditórios, como nos países andinos, como essa grande chaga que é a Venezuela. Mas creio que tudo isso tenha uma espécie de autonomia. A América Latina não sofre seguramente influência da situação europeia, muito fechada em si mesma, no problema da construção europeia e de sua colocação global.
O senhor conhece os programa sociais dos governos petistas. O senhor acha que eles não foram suficientes para criar uma nova identidade para a esquerda?
O governo Lula ficou muito limitado por suas contradição, não há dúvida. Ele errou em duas coisas fundamentais. A primeira é a reforma constitucional (ele se refere à reforma política). Como se pode aceitar uma Constituição na qual a corrupção é necessária para fazer qualquer lei? Esse é um erro extraordinário. A justificação de Lula é: "Estávamos há muito pouco tempo em uma situação democrática para nos dar o luxo de reformar a Constituição". A segunda é o fato de não ter organizado os instrumentos midiáticos e de cultura popular que fossem à altura da estrutura esmagadora da grande produção midiática da burguesia. Esses são dois erros que eu aponto às pessoas do PT. Esses são erros que, infelizmente, devem ser pagos. Não é possível ter uma Constituição desse tipo, na qual cada igreja protestante elege o seu deputado, na qual se pode ter um presidente com 70% dos votos nacionais e não ter uma maioria parlamentar. São coisas que são incompreensíveis para qualquer constitucionalista europeu desde o século 19.
É enlouquecedor?
Sim, é uma loucura. Isso precisava mudar.
A experiência do PT deve ser reformada ou arquivada?
Eu não sei. Sei que na Europa, a corrupção se conhece desde sempre. Sou professor de direito constitucional. Estudei a histórica constitucional de todo o mundo. A corrupção existe em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o lobby constituiu-se em poder. Quando me encontro diante da miséria, não porque a quantidade é pequena, mas porque os personagens são míseros - e também os juízes -, vejo que se trata de uma comédia. De uma trágica comédia, cujos personagens são figuras da commedia dell'arte (teatro popular surgido na Itália renascentista). Como professor de direito constitucional, eu me pergunto: Como é possível que alguém, para governar um país, precise ter dinheiro para pagar essa quadrilha de deputados.
Parece que há um paralelo entre o que foi descoberto aqui e o que havia na Itália durante a operação Mãos Limpas?
É profundamente diferente, porque os italianos eram ladrões. Aqui existem marionetes. Na Itália havia aqueles que pagavam os partidos. Os italianos eram ladrões. Aqui são marionetes. E, depois, de fato, consegue-se um apartamento... Ora, por favor, me poupe.
O senhor veio a São Paulo para um seminário sobre os 100 anos da Revolução Russa. O senhor diria que Lenin ainda conta em nossos dias, mas qual Lenin, aquele conspirativo de O que Fazer? ou aquele considerado libertário de Estado e Revolução?
Eu creio que ainda aquele de O que fazer? não seja um Lenin de se jogar fora. A concepção de partido que ele exprime em O que fazer? é uma concepção muito diferente daquele que depois foi o partido bolchevique e os partidos da 3.º Internacional. A concepção que Lenin tinha em O que fazer? era a construção de uma organização sob a base do tipo de fábrica que existia. O partido devia reproduzir a fábrica e os operários esperavam isso. Hoje, evidentemente, Lenin de O que fazer?, se o tomamos do ponto de vista da fábrica ele se tornou nada. Mas se o analisamos do ponto de vista que hoje cada organização política deve respeitar a composição do trabalho, desse ponto de vista também O que Fazer? tem o seu valor. E também a ideia que a liberdade pode existir somente quando o Estado não existe mais, bem essa é uma coisa que eu penso que não podemos deixar somente para os anarquistas, em suma, como desejo. Eu digo desejo, não utopia (risos).
O senhor falou muito em seu livro Multidão...
Agora saiu outro, Assembly (sua nova parceria com o cientista político americano Michael Hardy, Oxford University Press), faz um mês. Ali começo um discurso sobre organização sobre os modelos que nasceram a partir de 2011.
Parece que há um paralelo entre o que foi descoberto aqui e o que havia na Itália durante a Operação Mãos Limpas?
É profundamente diferente, porque os italianos eram ladrões. Aqui existem marionetes. E, depois, de fato, consegue-se um apartamento... Ora, por favor, me poupe.
Em seu livro Multidão o senhor usa os Federalist Papers de James Madison. Como aqueles que desejam construir novas estruturas democráticas devem usar a slições de Madison?
Creio que a coisa absolutamente fundamental em O Federalista, que eu estudei em meu livro O Poder Constituinte, é a teoria do equilíbrio (pesos e contrapesos). Essa é a coisa fundamental. Creio que hoje, a estrutura do constitucionalismo, superando a figura dos partidos em parte, poderia reconquistar os novos contrapoderes. O grande problema da democracia é sempre aquele de entender quem são os sujeitos. Esse é o ensinamento de Madison: quais são os check que permitam equilibrar as coisas. O único medo - terrível medo - é o desequilíbrio. E aqui retornamos ao problema da direita brasileira, que quer reduzir a experiência de Lula a um sonho macbetiano.
Lula foi condenado a 9 anos de prisão...
E eu fui condenado a 28 anos.
O que muda para Lula?
Muda que ele não poderá fazer política. E que, provavelmente, também acabará na prisão.
E para a esquerda?
A esquerda ficará sem um líder essencial e fundamental.
Há pouco tempo um instituto ligado ao PT e constatou que boa parte dos trabalhadores em São Paulo queriam apenas se tornar empresários, ter um negócio...
Sei o que você quer dizer. Creio que a pressão hoje desses ideais do empreendedorismo seja absolutamente falsa, ilusório e mistificador. Vivo em uma região, em Veneza, em que na primeira metade dos anos 1970 aconteceu esse primeiro ataque neoliberal que destruiu fábricas grandes, onde a luta operária era muito forte, como no ABC paulista ou mais. As fábricas foram praticamente destruídas. E se deu um grande impulso ao empreendedorismo individual e com base nisso cresceram enormes sistemas industriais, como Benetton. Onde? A partir de casa. Cada um era empresário em casa. Essa ideia empresarial resistiu até o momento que chegou a crise. Chegou ao ponto que a ilusão dessa nova democracia industrial individualista (se mostrou) ilusória.
E como a esquerda pode enfrentar essa ilusão?
Que é isso, a esquerda nem mesmo compreendeu isso. A grande crise da esquerda não está no fato de que União Soviética acabou ou na globalização. A grande crise da esquerda está no fato de que ela não compreende como mobilizar o trabalho. A grande crise da esquerda está no fato de que crê até mesmo que as pessoas devem se tornar empresárias de si mesmo. Não. É a multidão que se torna empreendedora. É a metrópole que produz. São as relações que produzem. É o fato de reunir cultura e capacidade técnica, grandes escolas, capacidades de comunicação entre as pessoas e modificações dos corpos e de cérebros. E esse é o hoje o problema da esquerda. A esquerda, enquanto não conseguir fazer isso, deverá sempre sofrer a ilusão de que existem indivíduos que, com muito esforço, colocam para trabalhar a mulher a mãe e o filho e conseguem se tornar empresários.
Professor, para concluir, nesta semana Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda de Lula, fez acusações graves em uma carta ao PT. Palocci está na cadeia há um ano. A defesa de Lula diz que ele confessa para buscar benefícios legais. Dizem que o colocaram na cadeia para confessam..
Eu creio que isso é verdade. As pessoas são colocadas na cadeia, em particular em prisão preventiva, para que falem e cedam. Isso me parece que seja uma coisa que qualquer procurador ou juiz sabe que se faz assim. Se faz também na China. Somente nós duvidamos que as coisas sejam diferentes. Eu fui colocado na cadeia sem processo por quatro anos e meio. Quatro anos e meio! Obrigaram-me que eu fosse eleito deputado (pelo Partido Radical Italiano). Saí da prisão por causa disso. Se não, teria ficado oito anos, pois a lei permitia 12 anos de prisão preventiva. Tive sorte de sair porque fui eleito deputado. Entende? Palocci é, segundo me contaram, alguém que podia ser como Sansão, que é preciso cortar-lhe os cabelos para que se torne prisioneiro dos filisteus.
Mas não é possível que mesmo alguém na prisão fale a verdade?
É possível tudo. Mas digo que na prisão não estão as condições melhores para se dizer a verdade. Eu lhe asseguro. Dou minha garantia: quatro anos e meio de cárcere preventivo.
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"POBRETOLOGIA" ESCONDEU A LUTA DE CLASSES

Virgínia Fontes: como o Capital passou a se organizar