terça-feira, 5 de novembro de 2013

Descoberta de Carajás na década de 60 jogou o Pará no buraco, diz presidente do Sindifisco, Charles Alcântara.



Signatário do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que reúne quase 150 entidades brasileiras, o Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará (Sindifisco-PA) lança na próxima sexta-feira, 8, na praça dos Estivadores, em Belém, um documentário assinado pelo Comitê Nacional para atrair a população paraense à rediscussão do projeto de lei do novo marco regulatório da mineração que tramita na Câmara Federal.
A divulgação do vídeo na praça, em frente à Estação das Docas, será das 19h às 22h, com atração musical do Trio Manari, um grupo de percussão muito aplaudido no Pará.
Além de ótima opção cultural para o final de semana com os talentos de Nazaco Gomes, Kleber Benigno e Márcio Jardim, o ato será político sem ser partidário, embora políticos e parlamentares estejam na lista de convidados, que inclui associações, sindicatos, entidades de classe e Ministério Público. Não haverá discurso de ninguém no evento, que será comandado por uma apresentadora.
A participação dos paraenses no debate sobre o novo código da mineração brasileira é convocada pela própria condição econômica do Pará.
Dono de uma das maiores jazidas minerais do mundo, que sempre são mostradas à população como estratégicas à balança comercial do país, o Estado, refém da Lei Kandir que desonerou a exportação de minérios e fere de morte a arrecadação do ICMS, não é possuidor de política pública capaz de pressionar a União e as empresas a compensar-lhe pela punição que o condena a ser um Estado extrativista.
Segundo o presidente do Sindifisco-PA, Charles Alcântara, paraense com assento na comissão executiva do Comitê Nacional, o novo marco regulatório da mineração em tramitação no Congresso Nacional poderá, se contemplar as propostas da sociedade hoje descartadas pelo texto da nova lei, significar o começo da redenção do Pará, ente federativo mais conhecido no Brasil como “um Estado rico com povo pobre”.
Alcântara prega novos paradigmas minerais para a criação de revolucionária ordem socioeconômica.
Produzido pelo Comitê Nacional, o documentário a ser exibido na praça tem duração de 18 minutos e traça um panorama nacional sobre a mineração descontrolada que ignora as populações dos municípios mineradores e, além do prejuízo social, deixam um saldo aterrador ao meio ambiente.
A mineração conta com o beneplácito dos governos e não paga um centavo pela água - bem mineral de suma importância hoje em todo o planeta - usada nas linhas de produção e transporte.
Segundo maior produtor de minério brasileiro, o Pará deve superar o líder Minas Gerais quando a supermina de minério de ferro S11D, em Serra Azul, na região de Carajás, no sul do Estado, entrar em operação.
“A descoberta de uma das maiores reservas minerais do mundo no Pará na década de 1960 mais parece um imenso cavalo de troia”, compara Charles Alcântara. “De lá para cá, estatal ou privatizada, a exploração jogou o Pará no buraco”, ironiza.
Não é mero trocadilho do sindicalista. De acordo com um estudo do Tribunal de Contas do Estado, levando em conta apenas a vigência da Lei Kandir, a partir de 1996, o Pará deixou de arrecadar R$ 21,5 bilhões de ICMS por causa da desoneração.
Nesse período, a União ressarciu com R$ 2,1 bilhões.
Num só ano, 2010, as perdas na arrecadação do principal imposto estadual bateram na casa dos R$ 2,5 bilhões.
Se a livre tributação do minério tivesse acontecido naquele ano, à alíquota de 13%, o Pará teria arrecadado R$ 2,7 bi.
(Fonte: Ascom/Sindifisco/PA)
_____________________________________________________

MOLON E A INTERNET: PRONTO PARA ENFRENTAR TELES E CUNHA


Sem neutralidade não haverá livre concorrência – nem liberdade de expressão. Cunha (E) 
defendeu Dantas nos portos e agora as teles. Molon defende 100 milhões de navegantes.

O Congresso se prepara para votar o Marco Civil da Internet.
O projeto de lei está concentrado em três pontos: a liberdade de expressão; a privacidade do usuário; e o ponto mais polêmico, a neutralidade da rede.
A ideia de neutralidade da rede consiste em impedir que empresas que explorem a infraestrutura de transmissão e difusão da internet possam privilegiar cliente e controlar conteúdos. Ou seja, a neutralidade veda qualquer tipo de controle – inclusive monetário – do dono do cabo sobre aquilo que transita pelo cabo.
Empresas telefônicas – donas das redes - combatem ferozmente o conceito de neutralidade da rede – que foi defendido pela presidente Dilma na Assembleia Geral da ONU.
Clique para ler o que disseram o Blog do Rovai e o do Esmael.

Sobre o assunto, Paulo Henrique Amorim entrevistou, por telefone, nesta segunda feira, o relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ).  Acompanhe a integra da entrevista em áudio e texto.

PHA: Deputado Molon, o Marco Civil da Internet será votado amanhã?
Molon: Paulo Henrique, na quarta-feira (06), de manhã, nós reuniremos uma Comissão Geral, aqui, na Câmara, com a presença de representantes dos mais diversos segmentos, falando sobre o Marco Civil da Internet, que tem tudo para ser a melhor lei do mundo sobre internet.
É um projeto de lei reconhecido em vários países e elogiado por praticamente todos os setores da sociedade brasileira, à exceção dos provedores de conexão – que são as telefônicas, donas dos cabos – que resistem ao conceito de neutralidade da rede. (A neutralidade da rede) beneficia diretamente os mais de 100 milhões de internautas brasileiros.
PHA: Também tem o pleito da Globo (com relação a direitos autorais), que está impedindo uma votação nos termos propostos pelo projeto.
Molon: Na verdade, mesmo os provedores de conteúdo (como a Globo) apoiam o projeto por entender que ele não antecipa debates que devem ficar para a Lei de Direitos Autorias – que deve ser previamente enviada pela Casa Civil ao Congresso Nacional.
PHA: Ou seja, esse pleito da Globo, de poder retirar do ar (sem autorização judicial) conteúdo dela (veiculado por outros portais na internet) pode ficar para outra lei?
Molon: Exatamente. O debate sobre a responsabilidade de provedores de conteúdo ou de aplicações, será travado na reforma da Lei de Direitos Autorias.
O Marco Civil da Internet não é o momento para nós fazermos esse debate.
Nos vamos focar no Marco Civil da Internet, nas questões da neutralidade da rede, na privacidade do usuário e a liberdade de expressão.
PHA: E com relação ao interesses de grandes instituições estrangeiras como Google, Yahoo e Facebook – elas estão de acordo com esse Marco Civil da Internet, como ele está proposto na lei, ou resistem a ele?
Molon: Eles apoiam o projeto em sua essência, sobretudo, na questão da neutralidade da rede – que é fundamental para que haja livre concorrência na rede. A neutralidade permite que o usuário seja livre para decidir o que ele vai usar, acessar, baixar e clicar.
Mas, por outro lado, existe uma série de regras de privacidade que vão obrigar tais provedores e aplicações a respeitar a privacidade dos brasileiros de forma muito mais forte do que vinham fazendo até então.
Por isso, o Marco Civil vai obrigar mudanças no comportamento dessas empresas no Brasil.
PHA: Os arquivos do Google a meu respeito, a seu respeito vão ter ficar aqui no Brasil, ou vão continuar lá na Califórnia?Molon: Nos estamos terminando com os técnicos que estão nos auxiliando os últimos debates sobre o armazenamento de dados, aqui, no Brasil.
É possível que entre no Marco Civil, mas é possível também que fique para a Lei de Proteção de Dados Pessoais – a próxima a ser enviada pelo Ministério da Justiça ao Congresso Nacional.
Essa decisão deve ser tomada amanhã, mas é possível que entre no Marco Civil, sim.
PHA: O senhor está preparado para enfrentar o seu colega do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)?
Molon: Eu estou preparado para defender mais de 100 milhões de pessoas que querem o Marco Civil tal qual nós o colocamos – com neutralidade na rede, privacidade do usuário e liberdade de expressão.
Quem se colocar como obstáculo à aprovação desse projeto não ficará contra o relator do projeto, mas ficará contra mais de 100 milhões de internautas que defendem o projeto de lei como ele está.
_____________________________________________

A última palavra no PSB é de Eduardo Campos

Haddad bancou parte de investigação do próprio bolso


“Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) pagou com recursos próprios o aluguel da sala 
ao lado do local onde os envolvidos no esquema de corrupção junto a empreiteiras e construtoras 
se encontravam para repartir o dinheiro obtido ilegalmente, o chamado “ninho”; a manobra de 
pagar a locação da sala e o seguro-fiança do próprio bolso, juntamente com o controlador-geral, 
Mário Vinicius Spinelli, teria sido engendrada para não levantar suspeitas acerca da 
investigação em andamento.

247 - Além dos quatro integrantes da quadrilha que já foram presos, vários auditores e fiscais da prefeitura de São Paulo estão sendo investigados por terem patrimônio incompatível com seus rendimentos; prefeito Fernando Haddad fala em "acerto de contas" com o passado e pode estar começando a desmontar uma das mais sedimentadas máquinas de corrupção do País, que seus antecessores, Gilberto Kassab e José Serra, deixaram intocada.
 O estouro de uma quadrilha na cúpula da máquina de arrecadação da prefeitura de São Paulo, que culminou com a prisão de quatro técnicos da receita municipal, pode ter sido apenas o começo do desmonte de uma das maiores máquinas de corrupção do País. A gestão do prefeito Fernando Haddad investiga outros 42 auditores fiscais da maior cidade do País, que também acumularam patrimônio incompatível com seus rendimentos.
Todas as investigações vêm sendo conduzidas pela controladoria-geral do município, comandada por Mário Vinícius Spinelli, e podem redundar em novas prisões. Contra três auditores há indícios de corrupção ativa e passiva, além de improbidade administrativa (leia aqui reportagem a respeito do tema na Folha). Vários deles têm patrimônio superior a R$ 3 milhões e um é até dono de uma mineradora no Piauí. Vários prosperaram ao longo de décadas, ocupando posições estratégicas na máquina municipal, seja nas gestões dos antecessores Gilberto Kassab ou José Serra.
Haddad, que se empenhou pessoalmente nas investigações, e chegou a alugar uma sala próxima ao "ninho" da corrupção para dar apoio à controladoria do município, diz estar fazendo um "acerto de contas" com o passado. Além da construtora Brookfield, que já admitiu o pagamento de R$ 4,1 milhões em propinas aos servidores, outras 15 incorporadoras estão sendo investigadas. A chamada "máfia do ISS" pode ter desviado R$ 500 milhões de São Paulo.
Ao agir para fechar o ralo da corrupção em São Paulo, Haddad busca retomar popularidade, num momento delicado, em que tenta elevar o IPTU da cidade, numa iniciativa contestada pelo Ministério Público, e também renegociar as dívidas de São Paulo com a União. Segundo ele, a investigação não busca efeitos políticos nem a criação de factoides, mas apenas extirpar a corrupção.
Nessa nova fase das investigações, um dos investigados é Mário Apolaro Júnior, diretor na Secretaria Municipal de Finanças. Ele comanda a Divisão de Imunidades, Isenções, Incentivos Fiscais e Regimes Especiais e é também primeiro vice-presidente do sindicato dos auditores do município.
_________________________________________________

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

MALUF CONDENADO. FOLHA DE LUTO


Pereira: “Alexandre ‘Gracinha’ também deve estar de luto”

Saiu na Agência Brasil: MALUF É CONDENADO E TEM DIREITOS POLÍTICOS SUSPENSOS POR CINCO ANOS

São Paulo – A Justiça de São Paulo negou hoje (4) o recurso do deputado Paulo Maluf (PP-SP) no processo em que ele é acusado de envolvimento em desvio de recursos públicos no período em que foi prefeito da capital paulista, de janeiro de 1993 a dezembro de 1996. A ação refere-se ao superfaturamento das obras do Túnel Ayrton Senna.
De acordo com o despacho judicial, Maluf teve os direitos políticos suspensos por cinco anos e, em conjunto com os demais réus arrolados no processo, terá de devolver ao município R$ 42,2 milhões, importância que está sujeita a atualização monetária. Ainda cabem recursos da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). (…)
___________________________

Como se sabe, Paulo Maluf despachava na redação da Folha.
Seu Frias era dos mais íntimos amigos e aliados de Maluf.
Por isso, a Folha sempre pegou leve com Maluf.
O problema de Maluf no PiG era com o Estadão, o old money, avesso a imigrantes e descendentes.
Maluf e o Dr Roberto, new money como seu Frias, sempre se entenderam muito bem.
A Folha só não perdoou Maluf por apoiar Haddad.
Quando apoiou o Príncipe, pelas mãos puras do Luiz Carlos Santos, Maluf era imaculado.
A Folha, amanhã, sai de tarja preta.

Em tempo: no regime militar, seu Frias cedia as camionetes da Folha e Maluf escondia os corpos. Sintonia fina.

Paulo Henrique Amorim
____________________________________________

“Qual o vinho mais caro da casa? Quero esse”: ex-mulher de auditor fala como ele torrava dinheiro da corrupção


override-if-required
Ex-companheira do fiscal Luis Alexandre Cardoso de Magalhães, 41, Vanessa Caroline Alcântara, 27, disse à Folha que ele tentou usá-la como laranja para esconder patrimônio, assim que soube que a Prefeitura de São Paulo estava investigando-o sob suspeita de cobrar propina para reduzir o valor do ISS de imóveis novos.
“Ele tentou abrir uma empresa para transferir bens para o meu nome e eu não aceitei. Nos separamos por isso. Ele tinha feito isso com a ex-mulher”, conta.
A ALP Administradora de Bens, que foi usada para receber R$ 4 milhões de propina da Brookfield, tem como sócia a ex-mulher do fiscal.
Vanessa diz que ouviu relatos de Magalhães sobre as empresas que aceitavam pagar propina para recolher menos impostos, mas prefere não citar nomes. “Eu sou um arquivo vivo. É por isso que tem muita gente que quer me matar.”
Promotores ofereceram a ela o ingresso no programa de proteção a testemunhas, mas Vanessa diz que ainda não decidiu se aceitará.
Magalhães ganha cerca de R$ 14 mil e tem um patrimônio de R$ 18 milhões.
Vanessa diz que não ficou com nenhum centavo do dinheiro que o fiscal acumulou, mas usufruía de ter um companheiro muito rico.
“Quem não gosta de jantar num restaurante caro e bom? Eu gosto. Fui apaixonada pelo Luis, mas nunca me envolvi nessa coisa de propina”, afirma Vanessa.
Em conversas com promotores, ela contou que era comum o casal gastar R$ 10 mil em uma noite de diversão.
Segundo ela, o casal ia ao Figueira Rubayat, restaurante nos Jardins, e o fiscal perguntava: “Qual é o vinho mais caro da carta? Eu quero esse”. Tomavam um vinho de R$ 4.000. Depois, afirma Vanessa, eles ficavam no hotel Unique, também em São Paulo onde gastavam R$ 5.000.
Ela diz que teve um relacionamento de dois anos e meio com Magalhães e que morou com ele durante um ano.
Nas gravações de telefonemas feitas pelo Ministério Público durante as investigações, Magalhães diz que conheceu Vanessa no Bamboa, uma casa em Pinheiros que cobra ingressos de R$ 200. Lá, as garotas cobram no mínimo R$ 300 por um programa, segundo frequentadores da boate.
_______________________________________________________

Joaquim Barbosa buscou apoio de Dirceu para o STF

Direito à vida

Por Luiz Inácio Lula da Silva

Em todo o mundo, seja nos países ricos, em desenvolvimento ou pobres, o acesso a tratamentos médicos mais avançados está cada vez mais desafiador. Muitos dos doentes não conseguem beneficiar-se dos medicamentos que poderiam curá-los ou pelo menos prolongar as suas vidas.
A questão não é mais se existe cura para uma doença — porque, em muitos casos, ela existe — mas de saber se é possível para o paciente pagar a conta do tratamento. Milhões de pessoas encontram-se hoje nessa situação dramática, desesperadora: sabem que há um remédio capaz de salvá-las e aliviar o seu sofrimento, mas não conseguem utilizá-lo, devido ao seu custo proibitivo.
Há uma frustrante e desumana contradição entre admiráveis descobertas cientificas e o seu uso restritivo e excludente.
De um lado, temos as empresas farmacêuticas, que desenvolvem novas drogas, com investimentos elevados e testes sofisticados e onerosos. De outro, temos aqueles que financiam os tratamentos médicos: os governos, nos sistemas públicos, e as empresas de planos de saúde, na área privada. No centro de tudo, o paciente, lutando pela vida com todas as suas forças, mas que não tem condição de pagar para sobreviver.
Nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama trava há anos uma batalha com a oposição conservadora para estender a cobertura de saúde a milhões de pessoas. Na Europa, mesmo em países ricos o sistema público muitas vezes não consegue garantir o pleno acesso aos novos medicamentos. No Brasil, cada vez o governo precisa de mais recursos para os medicamentos que compra e fornece gratuitamente, inclusive alguns de nova geração. E na África, o HIV atinge contingentes enormes da população, ao mesmo tempo que doenças tropicais como a malária, perfeitamente evitáveis, continuam causando muitas mortes e deixaram de ser priorizadas pelas pesquisas dos grandes laboratórios.
Um vídeo que circula na Internet, feito por uma companhia de celular, tem emocionado o mundo ao mostrar os dramas entrelaçados de um garoto pobre da Tailândia que tem que roubar para obter remédios para sua mãe, e o de uma jovem tendo que lidar com as contas astronômicas de hospital para salvar o seu pai.
Conheço o drama de ter entes queridos sem um tratamento de saúde digno. Em 1970, perdi minha primeira esposa e meu primeiro filho numa cirurgia de parto, devido ao mau atendimento hospitalar. Os anos que se seguiram, de luto e dor, foram dos mais difíceis da minha vida.
Por outro lado, em 2011, já como ex-presidente, enfrentei e superei um câncer graças aos modernos recursos de um hospital de excelência, cobertos pelo meu plano privado de saúde. O tratamento foi longo e doloroso, mas a competência e atenção dos médicos, e o uso dos medicamentos de ponta, me permitiram vencer o tumor.
É fácil ver as empresas farmacêuticas como as vilãs desse processo, mas isso não resolve a questão. Quase sempre são empresas de capital aberto, que se financiam principalmente através de ações nas bolsas de valores, competindo entre si e com outras corporações, de diversos setores econômicos, para financiar os custos crescentes das pesquisas e testes com novas drogas. O principal atrativo que oferecem aos investidores é a lucratividade, mesmo que essa se choque com as necessidades dos doentes.
Para dar o retorno pretendido, antes que a patente expire, a nova droga é vendida a preços absolutamente fora do alcance da maioria das pessoas. Há tratamentos contra o câncer, por exemplo, que chegam a custar 40 mil dólares cada aplicação. E, ao contrário do que se poderia imaginar, a concorrência não está favorecendo a redução gradativa dos preços, que são cada vez mais altos a cada nova droga que é produzida. Sem falar que esse modelo, guiado pelo lucro leva as empresas farmacêuticas a privilegiarem as pesquisas sobre doenças que dão mais retorno financeiro.
O alto custo desses tratamentos tem feito com que planos privados muitas vezes busquem justificativas para não dar acesso a eles, e que gestores de sistemas públicos de saúde se vejam, em função dos recursos finitos de que dispõem, frente a um dilema: melhorar o sistema de saúde como um todo, baseado em padrões médios de qualidade, ou priorizar o acesso aos tratamentos de ponta, que muitas vezes são justamente os que podem salvar vidas?
O preço absurdo dos novos medicamentos tem impedido a chamada economia de escala: em vez de poucos pagarem muito, os remédios se pagariam ­­— e seriam muito mais úteis — se fossem acessíveis a mais pessoas.
A solução, obviamente, não é fácil, mas não podemos nos conformar com o atual estado de coisas. Até porque ele tende a se agravar na medida em que mais e mais pessoas reivindicam, com toda a razão, a democratização do acesso aos novos medicamentos. Quem, em sã consciência, deixará de lutar pelo melhor tratamento para a doença do seu pai, sua mãe, seu cônjuge ou seu filho, especialmente se ela traz grande sofrimento e risco de vida?
Trata-se de um problema tão grave e de tamanho impacto na vida — ou na morte — de milhões de pessoas, que deveria merecer uma atenção especial dos governos e dos órgãos internacionais, e não só de suas agências de saúde. Não pode na minha opinião continuar sendo tratado apenas como uma questão técnica ou de mercado. Devemos transformá-lo em uma verdadeira questão política, mobilizando as melhores energias dos setores envolvidos, e de outros atores sociais e econômicos, para equacioná-lo de um modo novo, que seja ao mesmo tempo viável para quem produz os medicamentos e acessível para todos os que precisam utilizá-los.
Não exerço hoje nenhuma função pública, falo apenas como um cidadão preocupado com o sofrimento desnecessário de tantas pessoas, mas acho que um desafio político e moral dessa importância deveria ser objeto de uma conferência internacional convocada pela Organização Mundial de Saúde, com urgência, na qual os vários segmentos interessados discutam francamente como compartilhar os custos da pesquisa cientifica e industrial com o objetivo de reduzir o preço do produto final, colocando-o ao alcance de todos que necessitam dele.
Não há dúvida de que todos os setores vinculados à medicina avançada devem ter os seus interesses levados em conta. Mas a decisão entre a vida e a morte não pode depender de preço.
_____________________________________________________

O Rei do Camarote da Veja


Trata-se de um típico herói da Veja. Um exemplar da elite paulista (a pior elite do mundo, segundo o Mino). Bebe e dirige. O que ele lê ? Em quem ele vota ?

Por Luis Nassif

O vídeo do tal “Rei do Camarote” – capa da Veja-SP – está gerando campanhas de Facebook contra o tal empresário.
É crônica de uma morte anunciada.
No rosto, no olhar inseguro, nos afagos dos puxa-sacos, nos requebros desengonçados, é evidente um sujeito instável, frágil como um pilar de cristal prestes a quebrar, sustentando uma tonelada de expectativas familiares frustradas.
Não é de hoje que esse tipo de jornalismo explora a figura do alpinista social ou dos novos ricos sem pedigree. É fórmula fulminante, que gera leitura e repercussão, garante tiragem para a revista e desmoralização para os ricos de grana e pobres de discernimento.
Se uma revista tipo a Piauí dedicar um de seus belos perfis ao Alexandre, não encontrará nada diferente de outros candidatos a celebridades.
Pelo aperitivo, é rico sem pedigree. Ou seja, a família venceu dando murros, abrindo caminho à força, por mérito próprio ou por picadas pouco visíveis. Seja qual for a origem da fortuna, de agora em diante será dissecada.
Essas epopeias familiares nascem de pais fortes, sem complexo de inferioridade, com garra superior à dos que entram na vida empresarial escorados nas redes de proteção das relações sociais e familiares.
Esses pais exigem a mesma garra dos filhos.
Por conta da ascensão econômica, os filhos passam a frequentar novos ambientes sociais. E entram em um mundo estranho, de milionários como eles, mas com história, verniz e maneiras mais sutis de atender a egos inflados. E, aí, o complexo explode o ego em mil pedaços.
Sente-se inferiorizado no novo ambiente, em que todos são ricos, mas alguns têm pedigree e sente-se inferiorizado no ambiente familiar, em provável disputa com irmãos mais fortes que atenderam às expectativas dos pais.
A única saída será procurar outro ambiente, no qual possa se destacar pelo único diferencial que tem: o dinheiro. E aí se mete até o pescoço no ridículo.
Mas o pior está por vir. O processo de criação de celebridades traz no seu bojo o prazer da destruição posterior. São os dois momentos de maior destaque do grande show da mídia: o momento da criação e o momento da destruição do personagem.
Que as empresas desse pobre coitado tenham total solidez e que o caminho familiar para a fortuna tenha total transparência para poder resistir à devassa que se seguirá a esse show de ridículo.

__________________________________________

O que está por trás do ataque de Urubologa à ‘direita hidrófoba’ que emburrece o país


A Urubologa Miriam Leitão faltou citar Jabor

por : Paulo Nogueira

Tinha já prometido a mim mesmo não falar mais num determinado blogueiro de extrema direita que, em poucos dias, foi transformado num minizoo por três mulheres. Uma o chamou de rottweiller, por latir, outra de pato, por fazer várias coisas e todas mal, e a terceira de burro, por razões fáceis de entender.
Mas a repercussão alcançada sobretudo pela última delas – a que chamou o blogueiro de burro, Míriam Leitão — me obriga a voltar a ele. Porque se instalou uma perplexidade: o que está acontecendo na mídia corporativa e conservadora? Por que a dissonância recente depois de tanta concordância?
O marco zero, para mim, foi um artigo em que Noblat bateu forte em Joaquim Barbosa, tratado como semideus pela mídia. Aquilo não estava no roteiro, não em Noblat, não no Globo.
Notei. E especulei, na época, que poderia estar havendo um cansaço nos colunistas que, para encurtar, são pagos para defender os interesses e privilégios de seus patrões.
Mesmo os melhores salários são insuficientes quando você olha o espelho pela manhã e se diz: lá vou eu contribuir, como faço todos os dias, por um país tão iníquo quanto este.
E existe também a questão da posteridade. Carlos Lacerda fez o mesmo em seu tempo: hoje é amplamente desprezado pela história como um canalha que usou o jornalismo para defender os poderosos.
Ninguém quer ser tido pela posteridade como um canalha, um vendido, um homem vil como Carlos Lacerda.
Que os bilionários donos de empresas de mídia se batam fervorosamente pelas mamatas – benesses estatais — que os fizeram acumular fortunas fabulosas é compreensível. Mas que jornalistas assalariados os ajudem nisso, em detrimento da sociedade, dos pobres, dos favelados, isso é outra questão.
Chega uma momento em que você explode.
É dentro desse contexto que entendo Suzana Singer qualificar certo novo colunista como ‘rottweiler’. Ela não aguentou. Jorrou dela, no instinto e não na razão, a coluna revoltada não contra o colunista, mas contra o jornal que o convidou.
Tenho para mim que este tipo de coisa vai acontecer cada vez mais: revoltas nas redações explosivas, súbitas contra empresas jornalísticas que, como a Folha de Singer, radicalizaram sua luta por privilégios e contra um Brasil socialmente justo.
Também Míriam Leitão escreveu com o instinto, mas com seus cuidados habituais de boa funcionária da Globo. Falou na “direita hidrófoba” representada por certo colunista, mas não citou expoentes desse grupo dentro da Globo, como Jabor. Falou em Rodrigo Constantino, mas para este ninguém liga, dada sua irrelevância.
É divertido ler, em retrospectiva, um catatau em que o alvo de Míriam Leitão a atacava. Nele, era cobrado dela que se desculpasse ao senador Demóstenes Torres, que ela chamara de ‘famoso sem noção’. Ela é tratada como vigarista, mentirosa, falaciosa, e recebe patéticas lições de economia sobre a questão cambial — tudo isso na defesa de Demóstenes.
Veja aqui quem quiser.
Há, também, uma outra lógica no ataque aos hidrófobos. Eles atrapalham a causa pela qual atabalhoadamente se batem. Não conquistam adeptos, mas afastam as pessoas que não são fundamentalistas como eles mesmos.
O certo polemista tratado como burro, pato e rottweiler: que eleição ele ganhou desde que apareceu, já na meia idade, para o jornalismo hidrófobo graças à radicalização da Veja?
Me parece que Míriam Leitão está sugerindo ao PSDB que se afaste dos hidrófobos de direita. Serra, por exemplo, é amplamente associado ao blogueiro-zoológico, e tão rejeitado na política como ele é entre os jornalistas de verdade.
Nisso, e pelo menos nisso, Míriam Leitão está certa: ou o PSDB se afasta dos hidrófobos, e sai da direita vociferante rumo ao centro em que surgiu, ou os hidrófobos acabam com o PSDB.
______________________________________________

Venezuela era alvo prioritário da espionagem dos EUA, mostram documentos


NSA se preocupava com a influência negativa que Hugo Chávez poderia exercer contra 
interesses dos EUA na América Latina.

A Venezuela, junto com cinco países, aparece em uma lista de 2007 de alvos “prioritários” para a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), afirmam documentos divulgados neste domingo (03/11) pelo jornal The New York Times. O governo norte-americano se preocupava com a influência que o então presidente Hugo Chávez podia exercer contra os interesses dos EUA na América Latina.
Nos documentos revelados pelo Times, a NSA aponta seis países considerados “alvos de longo prazo”: Venezuela, China, Coreia do Norte, Iraque, Irã e Rússia. Além disso, os memorandos indicam que era prioritário acompanhar “desenvolvimentos internos políticos que poderiam resultar em crises”, e os venezuelanos – assim como “os desenvolvimentos bolivarianos latino-americanos” – estavam na mira.

Um dos objetivos da agência era, segundo o jornal, “prevenir a Venezuela de atingir seus objetivos de liderança regional e perseguir políticas que possam impactar negativamente os interesses norte-americanos”. Uma apresentação de 2010, chamada “Desenvolvimento da missão econômica venezuelana”, mostra que a NSA estava monitorando “bilhões de dólares” em empréstimos concedidos a Caracas por Pequim, Moscou e Teerã.
A agência também vigiou os e-mails profissionais e pessoais de dez funcionários do alto escalão do Ministério de Planejamento e Finanças do país. Um oficial, baseado no Texas, era responsável por verificar diariamente mensagens privadas de “burocratas venezuelanos obscuros”, nas palavras do New York Times, para achar qualquer indício de formulação de políticas, mesmo que mínimos.
O governo de George W. Bush se via em uma “disputa de influências” com a Venezuela de Chávez, de acordo com o jornal. Por isso, o documento da agência instruía os agentes a "avaliar o progresso de Chávez em suas iniciativas de alcançar alvos de poder regional nas arenas política, econômica, energética e ideológica". O órgão se mostrava especialmente preocupado pela possibilidade de que houvesse interferência na provisão de petróleo da Venezuela, o terceiro fornecedor mundial aos EUA, e por isso insistia em vigiar "a estabilidade do regime, particularmente no setor energético".
____________________________________________________

FHC defende monopólio de mídia na Argentina



FHC se manifestou hoje a favor do monopólio que o grupo Clarin exerce na mídia Argentina.
Em sua coluna no Estadão, ele classificou como “não auspiciosa” a decisão da Corte Suprema da Argentina de sancionar a Lei de Meios, que regula a mídia.
A medida “cerceou um grupo de comunicação opositor ao governo sob pretexto de assegurar pluralidade nas normas de concessão”, segundo FHC.
Ainda hoje, uma opinião inteiramente oposta à de FHC foi veiculada na Folha de S. Paulo pela jornalista argentina Cynthia Ottaviano. Aos 40 anos, Cynthia é a primeira ombudsman da mídia na Argentina. Ela vai representar o interesse público na relação com as companhias de mídia. A criação do cargo veio com a nova lei.
Professora da Universidade do Salvador e com passagens por meios como os jornais Perfil, a Rádio Pública Nacional e o canal 13, do Clarín, ela disse à Folha: “É preciso lembrar que o pedido por uma mídia democrática começou muito antes de que na Argentina existisse a possibilidade de que viesse a ter algo chamado kirchnerismo.”
Para ela, a mudança essencial é que “a lei deixa de considerar a informação como mercadoria e negócio e passa a considerá-la um direito e um serviço”.
“Uma democracia não pode ter privilegiados. Uma democracia necessita do direito à comunicação, que é algo que todos temos por sermos pessoas, o que nos coloca em igualdade de condições. A definição de riqueza não é só econômica, é também de informação”, disse ela.
___________________________________________________

Folha mente sobre Brasil para defender os EUA


No momento em que os Estados Unidos estão sob a ataque no mundo inteiro, por terem colocado 
em prática um dos mais amplos programas de espionagem de todos os tempos, que chegou até a 
grampear celulares de líderes globais, e que Brasil e Alemanha apresentam resolução conjunta à 
ONU em defesa da privacidade, a Folha acusa o governo Lula de usar a Abin para espionar 
diplomatas; reportagem cai como luva para o discurso oficial dos Estados Unidos, na linha de 
que "eu faço, mas todo mundo faz"; estranho, muito estranho.


Brasil 247 - Os Estados Unidos, como se sabe, estão na berlinda. Programas de espionagem em larga escala, colocados em prática pela Agência de Segurança Nacional, a NSA, vigiaram cidadãos e governos de países como Brasil, México, França, Espanha e Alemanha.
No caso alemão, suspeita-se que o celular da chanceler Angela Merkel tenha sido monitorado nos últimos dez anos. Não por acaso, na última sexta-feira, Brasil e Alemanha apresentaram na sexta-feira uma resolução conjunta às Nações Unidas, em defesa da privacidade (leia aqui). E a Alemanha estuda, inclusive, conceder asilo diplomático a Edward Snowden, ex-técnico da NSA que denunciou a arapongagem (leia aqui).
Nesse contexto, a Folha de S. Paulo, maior jornal do País, publica hoje como manchete uma reportagem que cai como uma luva para os Estados Unidos, onde o discurso oficial tem sido "espionamos, mas todo mundo espiona".

Segundo a Folha, no governo Lula, diplomatas da Rússia, do Irã e dos Estados Unidos foram alvo de ações de monitoramento conduzidas pela Agência Brasileira de Inteligência (leia aqui). Os documentos obtidos pela Folha apontam que alvos diplomáticos foram seguidos e fotografados por agentes em suas viagens. O objetivo, segundo o texto, era conhecer seus contatos no Brasil. Segundo o Palácio do Planalto, foram ações de contra-inteligência, em defesa do interesse nacional.
Ok, ainda que essas operações possam ser eventual classificadas como espionagem, será que isso é comparável aos programas de interceptação das comunicações colocados em prática pelos Estados Unidos?
Evidentemente, não. Mas com sua manchete de hoje, a Folha prestou um favor inestimável ao governo americano.
Em resposta à reportagem, o Palácio do Planalto divulgou uma nota informando que as operações ocorreram cerca de dez anos atrás, obedeceram à legislação brasileira de proteção dos interesses nacionais e que os responsáveis pelo vazamento de documentos secretos "serão processados na forma da lei", uma vez que a prática constitui crime. Leia abaixo a íntegra da nota, divulgada nesta manhã no Blog do Planalto e cujos trechos foram publicados pelo próprio jornal:
Nota à Imprensa
Em relação à matéria veiculada pelo Jornal Folha de S. Paulo em 04 de novembro de 2013, o Gabinete de Segurança Institucional informa o seguinte:
1. As questões enviadas pela Folha de S. Paulo na noite do dia 1º se referem a operações de contrainteligência desenvolvidas pela ABIN, no período de 2003 e 2004, portanto, entre nove e dez anos atrás.
2. As operações citadas no questionário da Folha obedeceram à legislação brasileira de proteção dos interesses nacionais. Como a Folha preferiu não enviar cópias dos documentos obtidos, o GSI não pode validar a sua autenticidade.
3. Respeitando os preceitos constitucionais de liberdade de imprensa, o GSI ressalta que o vazamento de relatórios classificados como secretos constitui crime e que os responsáveis serão processados na forma da lei.
4. A determinação do governo sobre as atividades de inteligência é de absoluto cumprimento à legislação. Eventuais infrações são passíveis de sanções administrativas, abertura de processo de investigação e punições na forma da lei. O Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) atua, exclusivamente, dentro de suas competências das Leis 9.883, de 07 de dezembro de 1999, e 10.683, de 28 de maio de 2003. A ABIN desenvolve atividades de inteligência voltadas para a defesa do Estado Democrático de Direito, da sociedade e da soberania nacional, em restrita observância aos preceitos constitucionais e aos direitos e as garantias individuais.
________________________________________________________

COM JANOT À FRENTE, BRASIL RETOMA CASO ALSTOM


Novo pedido de ajuda dos procuradores da Suíça ao Ministério Público brasileiro marca a 
retomada da investigação que envolve propina a funcionários públicos e políticos ligados ao 
PSDB em licitações de trens e metrô durante governos tucanos de São Paulo; quem está agora à 
frente do caso é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se colocou de prontidão e 
encaminhará hoje a primeira leva de documentos à Europa; apurações foram interrompidas 
depois da falta de colaboração do procurador responsável pelo caso, Rodrigo de Grandis, que 
arquivou um pedido suíço em uma pasta errada e o esqueceu por lá.

247 – Depois que as autoridades suíças se cansaram de esperar colaboração brasileira no caso Alstom, a investigação acaba de ser retomada. Uma leva de documentos deverá ser encaminhada a procuradores do país europeu ainda nesta segunda-feira 4 pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informa reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, o que deve impulsionar o caso com novas informações.
Janot se colocou à disposição para contribuir com as apurações a funcionários públicos e políticos ligados ao PSDB acusados de receber e intermediar propina de multinacionais do setor de transportes. A procuradoria da Suíça acabou arquivando a investigação contra três acusados depois que não recebeu colaboração do Brasil. Um pedido feito há quase três anos ficou parado na Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, o que foi justificado como "falha administrativa" pelo procurador responsável pelo caso, Rodrigo de Grandis.
Com Janot de prontidão, os procuradores suíços enviaram novo pedido na semana passada, dando sequência às apurações. O objetivo principal dos investigadores é averiguar contratos firmados entre os governadores Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, entre 1999 e 2009, e empresas, como a Alstom, acusadas de formar um conluio e cometer fraudes em licitações para a prestação de serviços no transporte ferroviário do Estado.
Explicações
Na semana passada, o procurador-geral da República pediu explicações sobre o arquivamento do caso Alstom no Brasil. O procurador Rodrigo de Grandis havia justificado que o pedido das autoridades suíças feito em 2011 foi guardado numa pasta errada, e por isso, arquivado por engano. Rodrigo Janot determinou à Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério Público Federal "o esclarecimento sobre a suposta demora" para cumprir o pedido do MP suíço para que fosse investigada a movimentação financeira de quatro acusados.
__________________________________________________

Mais 3 mil cubanos chegam ao Brasil a partir de segunda-feira para participar do Mais Médicos



Agência Brasil

“Mais 3 mil cubanos chegam ao Brasil a partir da próxima segunda-feira (4) para participar do Programa Mais Médicos. Os profissionais, que vão desembarcar em quatro capitais (Brasília, São Paulo, Fortaleza e Belo Horizonte), ocuparão vagas ociosas da segunda etapa do programa, não preenchidas por candidatos brasileiros e demais estrangeiros. De acordo com o Ministério da Saúde, o primeiro grupo, formado por 2,6 mil médicos, chega ao país até 10 de novembro. Os 400 restantes, na semana seguinte.
A exemplo do que ocorreu com os profissionais que estão no Brasil, inicialmente eles vão cursar o módulo de acolhimento e avaliação do programa nas capitais dos estados onde devem atuar. A etapa terá início para o primeiro grupo (os 2,6 mil médicos) em 12 de novembro. Serão 1.872 profissionais em Brasília (DF), 300 em São Paulo (SP), 236 em Fortaleza (CE) e 192 em Belo Horizonte (MG). Mais 400 médicos chegarão a Vitória (ES) a partir de 11 de novembro e farão o curso em Guarapari, entre 18 de novembro e 4 de dezembro.
Mais informações »
_________________________________________

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Censura a Amaral mostra face autoritária de Marina. E seu poder sobre o PSB


Censura a Amaral mostra face autoritária de Marina. E seu poder sobre o PSB

Por: Fernando Brito

A censura do site do PSB ao próprio vice-presidente nacional do partido, retirando do ar seu artigo – no qual critica a turma “neoliberal” com quem Marina Silva e Eduardo Campos andam tomando “lições” de economia – mostra toda a hipocrisia que há no discurso “de nova politica” da dupla de candidatos.
Mesmo que Roberto Amaral, com a solidariedade de seus companheiros de partido não lhe tem, tente se fazer de “desentendido” sobre o que se passou, como fez numa entrevista ao O Globo, o episódio revela que Marina Silva, mesmo que sem cargo formal no PSB, assumiu o papel de dona da legenda, desmoralizando publicamente seu vice-presidente sob o silêncio cúmplice e acovardado do candidato “posto” e presidente da sigla, Eduardo Campos.
Pior, mostrou na truculência, dos métodos que serão usados para “enquadrar” qualquer diferença de opinião.
Alias, Roberto Amaral, em O Globo, diz que “ tenho direito de ter opinião”.
Não tem, não.
Seu partido foi abduzido pelo estranho casal que reúne ambição e oportunismo e um homem de esquerda, como é Amaral, ex-ministro de Lula, terá de se curvar e se calar.
Agora, no PSB, o q vale é o diktat de marina, com a nova trupe fernandista que agora lhe faz a cabeça.
Se alguém achava que Marina tinha apenas um ar autoritário, enganou-se. Pratica, ela própria o autoritarismo.
Não quer um partido que reúna pessoas, quer um onde lhe obedeçam.
Não quer rede, quer mordaça.
__________________________________________________

Procurador “esquecido” da Alstom blindou-se via Mainardi, da Veja


Matéria explosiva, publicada agora há pouco por Luis Nassif revela os tenebrosos bastidores da 
mudança de comportamento do procurador Rodrigo de Grandis, que deixou engavetados os 
pedidos da Suíça para que fossem investigados lobistas envolvidos nos negócios entre a Alstom e 
os governos tucanos de São Paulo.

Por Luis Nassif

A enrascada em que se meteu o procurador da República Rodrigo De Grandis se deve à sua aposta na blindagem errada: julgou que o PSDB fosse um todo homogêneo e não se deu conta de que a blindagem da mídia beneficiava exclusivamente o grupo ligado ao ex-governador José Serra.
A primeira prova de fogo de De Grandis foi a Operação Satiagraha. Nela, os principais atores - juiz Fausto De Sanctis e delegado Protógenes Queiroz - foram alvos de uma campanha implacável – da mídia, como um todo, reforçada pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.
De Sanctis e Protógenes mostraram estrutura psicológica para resistir ao massacre a que foram submetidos. De Grandis encolheu-se, assustou-se.
Quando a Satiagraha recrudesceu, seus parceiros apontavam para seu pouco entusiasmo, o desagrado de ser interrompido em alguma festa para tomar alguma medida urgente, a demora em responder a algumas questões, nada que o comprometesse mas que já demonstrava seu desconforto de enfrentar empreitada tão trabalhosa - que, para procuradores mais vocacionados, poderia ser o desafio da vida.
Definitivamente, De Grandis não tinha a estrutura psicológica e a vocação dos que se consagraram no combate ao crime organizado, como os procuradores Vladimir Aras, Raquel Branquinho, Luiz Francisco, Celso Três, Janice Ascari e Ana Lúcia Amaral - firmes e determinados, alguns até o exagero, como várias vezes critiquei.
O convite inacreditável a Mainardi
Na primeira vez que foi alvo de ataques, De Grandis arriou.
Ocorreu quando o colunista de Veja Diogo Mainardi avançou além da prudência e anunciou que entregaria pessoalmente ao juiz da Operação Chacal (na qual Dantas era acusado de grampear adversários e jornalistas) o relatório da Itália sobre as escutas da Telecom Italia.
Titular do caso, a procuradora Anamara Osório reagiu e publicou nota no site do Ministério Público Federal de São Paulo alertando que se tratava de um jogo de Dantas para contaminar o inquérito. Sem noção, Mainardi partiu para ataques destrambelhados contra os procuradores. Depois, caiu a ficha e entrou em pânico.
Dias depois, foi recebido por De Grandis, através da intermediação de um colega de faculdade ligado à ex-vereadora Soninha - do grupo de Serra. Foi um encontro surpreendente. Numa ponta, um colunista assustado – conforme algumas testemunhas do encontro -, quase em pânico, querendo desfazer a má imagem perante os procuradores. Na outra ponta um procurador assustado, querendo desfazer a má imagem junto à mídia.
Foi provavelmente ali que De Grandis sentiu a oportunidade de se aproximar dos detratores e proteger-se do fogo futuro. Convidou Mainardi para palestrar em um encontro social de procuradores, avalizando - perante a classe - a conduta de um dos principais suspeitos de atuação pró-Dantas.
Só não ocorreu o encontro por falta de agenda de Mainardi.
As mudanças na atuação
A partir daquele episódio, surgem os sinais mais nítidos da aproximação de De Grandis com o grupo Serra.
Quando a Operação Satiagraha foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), De Grandis recorreu, como não poderia deixar de fazer, mas chamou a atenção sua indiferença contra uma medida que comprometia o que procuradores mais vocacionados considerariam o trabalho de sua vida.
Tempos depois, recusou pedido da Polícia Federal para indiciar o vereador Andreá Matarazzo - também do grupo Serra. Devolveu o inquérito solicitando mais informações para tomar sua posição.
Poderia ser apenas rigor técnico, não fossem os fatos posteriores.
Foi apanhado no contrapé quando a revista IstoÉ mencionou os pedidos de procuradores suíços para atuar contra suspeitos do caso Alstom - dentre os quais José Ramos, figura-chave da história. Alegou ter esquecido o pedido em uma pasta errada. Agora, a Folha informa que o próprio Ministério da Justiça enviou três cobranças, os procuradores paulistas também o questionaram, e nada foi feito.
O erro de avaliação
Há vários pontos a explicar seu comportamento.
O primeiro, o da análise incorreta do benefício-risco.
A Satiagraha revelou, em sua amplitude, o risco de atuar contra pessoas próximas a Serra. Se fosse a favor, haveria blindagem. E a comprovação foi o próprio comportamento do ex-Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza. Ele retirou da AP 470 o principal financiador do mensalão – as empresas de telefonia controladas por Dantas -, escondendo dados levantados pelo inquérito da Polícia Federal. Foi premiado com contratos milionários da Brasil Telecom, e continuou vivendo vida tranquila.
Antes disso, o mesmo Antônio Fernando anulou a Operação Banestado, em uma atitude escandalosa que não mereceu uma reação sequer da corporação dos procuradores, menos ainda da mídia.
Depois, o ativismo político de Roberto Gurgel, comprometendo a imagem de isenção da corporação e garantindo aos inimigos, a forca, aos aliados, a gaveta.
Com tais exemplos, De Grandis deve ter apostado que, ficando longe dos esquemas tucanos, seria poupado pela mídia.
A falta de informação lhe custou caro.
A blindagem da mídia abrange exclusivamente o esquema Serra - uma estrutura complexa que passa pelo banqueiro Daniel Dantas, por Verônica Serra, por lugares-tenentes como Andrea Matarazzo, Gesner de Oliveira, Mauro Ricardo, Hubert Alqueres (e seu primo José Luiz), antes deles, por Ricardo Sérgio, Vladimir Riolli, pelos lugares-tenentes que levou ao Ministério da Saúde, pelos esquemas de arapongagem.
Não entram na blindagem outros grupos tucanos, como o do governador paulista Geraldo Alckmin ou os mineiros de Aécio. Pelo contrário, não poucas vezes são alvos de fogo amigo.
Ao não se dar conta dessas nuances, De Grandis se expôs.
Agora ficou sob fogo cruzado do PT e no grupo de Serra.
O PT, para atingir o PSDB; o grupo de Serra para fornecer mais elementos para Dantas anular a Satiagraha no Supremo Tribunal Federal. O primeiro grupo ataca De Grandis da Operação Alstom; o segundo, o De Grandis que não mais existia, da Satiagraha.
O anacronismo da gestão Gurgel
Some-se a tudo isso o anacronismo burocrático da gestão Gurgel.
O MPF padece do mesmo vício do jornalismo: as tarefas principais, a linha de frente das investigações são entregues a procuradores ou repórteres novatos. Quando ganham experiência, procuradores são promovidos e limitam-se a dar pareceres; e repórteres tornam-se editores.
O burocratismo de Gurgel não criou nenhuma estrutura intermediária, com procuradores mais experientes coordenando, orientando e fiscalizando a atuação da linha de frente.
Agora, o novo PGR, Rodrigo Janot, montou essa estrutura intermediária, nomeando procuradores experientes para essa função.
O episódio traz inúmeras lições.
A principal delas são os efeitos deletérios sobre o trabalho dos procuradores, quando submetidos ao jogo de interesses da mídia.
Recentemente, o MPF de São Paulo montou um seminário apenas com representantes da velha mídia, para falar das relações entre eles. Houve loas à liberdade de imprensa, ao apoio que a mídia dá a escândalos mesmo que não devidamente apurados pelo MPF, a celebração da amizade – que já feriu tantos direitos individuais, pelo hábito da escandalização.
Em nenhum momento entrou-se nos temas centrais: a influência deletéria dos interesses econômicos na cobertura jornalística; a maneira como essa submissão à mídia inibe ou pauta o trabalho de procuradores; o novo papel das redes sociais, como freio e contrapeso aos interesses corporativos.
Quem sabe, comecem a acordar para os novos tempos.
__________________________________________________

DILMA E MERKEL HUMILHAM NA ONU ESPIONAGEM DE OBAMA


Ação conjunta, forte e surpreendente das delegações do Brasil e da Alemanha na ONU pede 
resolução mundial contra os EUA por violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos; 
artigo 17 garante a todo homem e mulher o direito à privacidade e à inviolabilidade de suas 
correspondências; máquina de espionar pilotada por Barack Obama, que admite a 
bisbilhotagem como política de Estado, sofre revés; motivo arguido para a resolução é 
humilhante para os arapongas ianques.

Agência Brasil: Proposta do Brasil e da Alemanha à ONU associa espionagem à violação de direitos humanos

Brasília - Brasil e Alemanha evocaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos na proposta de resolução contra invasão de privacidade entregue hoje (1ª) à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Para os dois países, as pessoas devem ter garantidos, no ambiente digital, os mesmos direitos que têm fora dele. A iniciativa é uma resposta para as ações de espionagem internacional da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos.
De acordo com o documento, a coleta de informação por meio da interceptação de dados é uma "preocupação crescente", devido ao ritmo do desenvolvimento tecnológico dos países, que aumenta a capacidade de monitoramento por parte de Estados e empresas.
As normas internacionais que fundamentam proposta conjunta são o Artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos - que mencionam o direito à privacidade, a inviolabilidade de correspondência e a proteção contra ofensas.
No texto apresentado à ONU, os dois países observam que, apesar da necessidade das medidas de combate ao terrorismo, essas práticas devem ser feitas de acordo com o direito internacional, os direitos humanos, o direito dos refugiados e o direito humanitário.
Brasil e Alemanha pedem, no texto, garantia para proteção de dados em comunicações digitais; medidas para a cessação das violações do direito à privacidade (inclusive, por meio da adequação das legislações nacionais); revisão dos procedimentos adotados atualmente; estabelecimento de mecanismos nacionais de supervisão de atividades de espionagem e intensificação da transparência no âmbito das comunicações.
A proposta de resolução, que vai tem de passar pela apreciação das delegações dos 193 países-membros da ONU, pede ainda que a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, apresente à Assembleia Geral da ONU, de forma prioritária, um relatório preliminar sobre a proteção do direito à privacidade e recomendações a serem consideradas pelos Estados nas próximas sessões da assembleia - em outubro de 2014 e 2015.
O documento apresentado hoje está no contexto das recentes denúncias de espionagem feitas pela imprensa internacional por meio de informações repassadas por Edward Snowden, ex-consultor contratado para prestar serviços à Agência Nacional de Segurança (NSA), órgão de segurança do governo norte-americano.
Segundo as denúncias, a NSA grampeou o celular da chanceler alemã Angela Merkel e ainda monitorou mais de 70 milhões de telefonemas na França. O mesmo foi divulgado em relação à Espanha.
A presidenta brasileira, Dilma Rousseff, foi uma das primeiras chefes de Estado a se queixar das práticas dos norte-americanos, depois de reportagem denunciando que suas comunicações haviam sido interceptadas. De acordo com as denúncias, a espionagem ao Brasil também teve como alvo a Petrobras.
___________________________________________________

O CANTO DE CISNE DO PSDB E DO DEM


“A oposição partidária brasileira carece totalmente das características que permitiram ao PT 
crescer sem ser poder”

Por Maria Inês Nassif: O CANTO DE CISNE DO PSDB E DO DEM

Por miopia ou má-fé, virou hábito atribuir ao Partido dos Trabalhadores todas as mazelas do sistema político. Marina Silva não teve dúvidas ao acusar o PT de “chavismo” porque seu partido, a Rede, não conseguiu o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo de disputar as eleições presidenciais do próximo ano.
A falha apontada pela Justiça eleitoral no processo de formação da nova legenda foi a ausência de mais de 50 mil assinaturas, no total de um milhão exigidos por lei para o seu registro – e, convenhamos, a lei não atribui ao PT a obrigação de colher as assinaturas necessárias para a formação de um partido para Marina. Da mesma forma, a debilidade de partidos já constituídos não decorre de uma ação do PT, mas de uma inação dos próprias legendas.
No atual quadro partidário, apenas o PT mostrou capacidade de existir e se desenvolver fora do poder. Desde a sua fundação, em 1980, até 2003, quando assumiu a Presidência da República pelo voto direto, o partido teve um crescimento contínuo. Foi criado e floresceu na oposição a sucessivos governos.
Tomando por base o aumento da bancada federal petista, nota-se que o partido da presidenta Dilma Rousseff teve um crescimento atípico em relação aos demais partidos: em 1982, primeira eleição que concorreu, elegeu oito deputados federais; em 1986, 16; em 1990, 38; em 1994, 49; em 1998, 59. Em nenhuma dessas eleições era ou apoiou um governo.
Em 2002, quando elegeu Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez para presidente, sua bancada deu um salto, como ocorreu com os demais partidos que chegaram à Presidência no pós-ditadura (PMDB, com José Sarney, em 1985; Collor e seu PRN em 1989 e FHC nos mandatos 1995-1998 e 1999-2002). O PT, no ano em que Lula venceu, pulou de 59 para 91 deputados federais.
Mas, ao contrário do que ocorreu com os demais, a única eleição em que reduziu a sua bancada foi em 2006, quando estava no poder: elegeu Lula para o segundo mandato, mas pagou a conta do escândalo do escândalo do chamado Mensalão, ao obter menos votos para a sua bancada na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2010, que levaram Dilma Rousseff ao poder, aumentou ligeiramente sua bancada federal – para 86 deputados -, embora ainda não tenha recuperado o que obteve no boom eleitoral de 2002.
Salvo se errar muito a mão no processo de institucionalização partidária, o PT tende a se manter importante na política brasileira independentemente de ser governo e oposição: tem eleitorado próprio e ainda mantém uma certa organicidade com setores sociais. Essas variáveis garantem que a legenda não se tornará desimportante se descer da ribalta para a arena política, como aconteceu com o PSDB e seu fiel escudeiro, o DEM, ex-PFL. Se aprofundar a dependência que hoje já tem de políticos que dominam clientelas políticas e têm perfil muito próximo ao dos partidos tradicionais, essa vantagem comparativa que possui em relação aos demais tende a desaparecer.
A oposição partidária brasileira carece totalmente das características que permitiram ao PT crescer sem ser poder. Quanto mais fica longe do governo federal, mais dificuldades as lendas que são de oposição têm de sobreviver. O PSDB, o DEM e o PPS são a expressão recente mais acabada das fragilidades de um sistema que tende a concentrar apoios políticos nos partidos de governo e condenar os partidos de oposição à autodestruição.
O PSDB e o DEM (ex-PFL), aliados desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e separados apenas por um breve momento, nas eleições de 2002, vivem esse fenômeno. Ambos incharam nos governos tucanos, quer por aumento de votos, quer pela liberalidade da lei, que permitia aos eleitos mudarem de partido quanto bem entendessem. Em 1990, na primeira eleição para a Câmara dos Deputados enfrentada pelo PSDB, criado de um racha do PMDB em 1987, o partido fez 38 deputados, mesmo na oposição – mostrava alguma musculatura na origem, portanto.
Em 1994, junto com o presidente Fernando Henrique, elegeu uma bancada de 62 parlamentares.
A partir da eleição, exerceu todo o poder de atração que um partido governista pode ter sobre as bancadas de partidos derrotados.
Agregou votos obtidos por amplas alianças eleitorais, puxadas pelo fato de estar no poder, e adesões pós-eleitorais de parlamentares que não queriam ficar na oposição.
De 1995 a 1997, logo depois das eleições que deram o primeiro mandato a FHC, migraram para o PSDB um governador, três senadores, 34 deputados federais, 79 deputados estaduais e 124 prefeitos, segundo levantamento feito pelo cientista político Celso Roma. Em 1998, eleição que deu o segundo mandato a FHC em primeiro turno, o PSDB elegeu uma bancada de 99 deputados.
O poder de atração governista quase levou os dois partidos que dividiam a chapa presidencial, o PSDB e o PFL, a um processo de autofagia. Em 1994, o PFL, que nunca tinha estado fora do poder, elegeu uma bancada de 89 deputados (contra 83 em 1990). Em 1998, fez 105 deputados. Ambos disputaram, ao longo dos dois anos de mandato, parlamentares que desejavam migrar para partidos melhor considerados no trato com a máquina administrativa do governo.
A glória vivida pelos dois partidos nos oito anos de governo de FHC começou a se mostrar que efêmera já no primeiro turno de 2002, quando a bancada federal dos partidos foi definida junto com os dois candidatos presidenciais que foram para o segundo turno, Luiz Inácio Lula a Silva (PT) e José Serra (PSDB). Dos 99 deputados tucanos eleitos em 1998, sobraram 70; o PFL viu despencar sua bancada de 105 para 84 deputados.
Em 2006, quando Lula se reelegeu, o PSDB fez apenas 66 deputados; o PFL, 65. Nas eleições de 2010, quando Dilma Rousseff foi eleita para exercer um terceiro mandato pela legenda petista, os dois principais partidos de oposição tinham 54 deputados (PSDB) e 43 deputados (o ex-PFL, já DEM na época). 
Com a formação do PSD, no final de 2011, e a dos recentes PROS e Solidariedade, o PSDB perdeu mais oito deputados e tem, hoje, uma bancada de 46 parlamentares na Câmara dos Deputados. O DEM ficou com uma bancada inexpressiva, de 25 parlamentares. 
E o PPS, fiel escudeiro tucano mas muito pequeno, tornou-se nada além do que um partido nanico: elegeu 12 deputados e hoje tem 7.
Esse encolhimento tem mais consequências do que a mera capacidade de atuação da oposição no Legislativo. A análise sobre o canto do cisne do PSDB e do DEM continuará na próxima coluna.
___________________________________________________

Defesa de José Dirceu entra no STF com embargos infringentes


José Dirceu – que foi condenado na ação penal 470, a 10 anos e 10 meses, por corrupção ativa e quadrilha – entrou nesta quinta-feira (31), no Supremo Tribunal Federal, com o recurso de embargos infringentes. Como se esperava, o advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, pede a sua absolvição pelo crime de formação de quadrilha, já que quatro ministros do STF, quando da fixação de sua pena, no ano passado, votaram por sua absolvição.

Razões de Dirceu

Numa petição de 30 páginas, José Dirceu de Oliveira e Silva registra “seu completo inconformismo” com as decisões que o condenaram pela prática dos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, considerando-as injustas e em absoluta desconformidade com as provas desta ação penal.”
Alguns trechos da petição da defesa do ex-ministro do Governo Lula são os seguintes:
“Não se reconhece como justa a condenação de José Dirceu pelo crime de corrupção ativa, nem tampouco se admite provada a alegada compra de votos. Porém, em que pese o total inconformismo, a defesa irá se restringir, neste recurso, ao debate autorizado pela via dos embargos infringentes.
Os votos vencidos mostram que não há provas de que o grupo se organizou com o objetivo de cometer crimes.
Esta indiscutível banalização do crime de quadrilha foi repudiada pelos votos vencidos através de um profundo estudo do caso”.
“É absolutamente impossível afirmar que os integrantes dos diversos núcleos se associaram para a prática de crimes indeterminados de forma estável, permanente e sob o comando de José Dirceu. (...) Restou fartamente provado, o Secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, chegou ao cargo por meio do voto dos integrantes do PT. Acumulava as funções administrativas e financeiras no partido, e, cotidianamente, deliberava com total autonomia sobre obtenção e repasse de recursos. Não assumiu seu posto por indicação ou determinação de José Dirceu, e tampouco lhe devia obediência”.
“Não existem indícios de um único ato de participação ou comando de José Dirceu".
____________________________________________________________

22 Médicos Cubanos chegam em Santarém

Por: Martha Costa

Na manhã desta sexta-feira, 1 de novembro, chegaram a Santarém, os 22 médicos cubanos que integram o programa Mais Médicos, firmado pela parceria entre o Governo Federal, Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e que atuarão nos municípios de Placas, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Oriximiná, Juruti, além de Santarém. Acompanhados de oficiais da Marinha, os médicos chegaram até a sede da Capitania Fluvial de Santarém em um micro-ônibus do 3º Batalhão da Polícia Militar por volta das 7 horas.
"A Marinha recebeu 22 médicos para transportarmos até os municípios onde eles irão atuar. Nós sabemos da importância deste programa e da necessidades dos municípios, muitos devido a sua localização ficam meio até que isolados e com a chegada destes profissionais a gente sabe que terão uma atenção especial”, falou o comandante da Capitania Fluvial de Santarém, Capitão de Fragata José de Fátima Andrade.
Entre os 22 profissionais da Saúde está a médica clínico geral, Raima Rivas Carraleiro, que em 16 anos de atuação e se voluntariou para fazer parte do programa. “Nós vamos trabalhar com a atenção integral continuada por pelo menos três anos nesta região, apesar de eu não ter experiência com regiões ribeirinhas eu quero me dedicar as pessoas que precisam de atendimento médico nesta região tão carente e por isso viemos de nossa terra tão longe”, declarou a médica que seguirá para o município de Óbidos.
Além de Óbidos, que recebe três médicos, também recebem “reforços” na saúde os municípios de Monte Alegre, com três profissionais; Placas, um médico; Alenquer, um médico; Oriximiná, três médicos; Juruti, 2 médicos e Santarém, nove médicos.
_____________________________________________

Futura arcebispa sueca questiona concepção virginal de Jesus


A Igreja da Suécia, a maior Igreja luterana do mundo, escolheu uma nova arcebispa ao término de um processo democrático interno. Antje Jackelén, atualmente bispa de Lund, será, assim, a primeira mulher a dirigir essa Igreja a partir de 15 de junho próximo.

A reportagem é de Henrik Lindell, publicada pela revista La Vie, 29-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas, recém-nomeada, a futuro arcebispa de Upsala já levantou um amplo debate teológico nos ambientes cristãos. Durante as audiências antes da sua eleição, a eclesiástica, que também é teóloga, deu a entender que estava pondo em discussão a concepção e o nascimento virginal de Jesus. "Se compreendemos o nascimento virginal como uma questão biológica, não entendemos nada dessa história", explicou.
Ela também sugeriu que Jesus não é o único caminho que leva a Deus, mas que pode haver outros. Para muitos luteranos suecos, muitas vezes de orientação liberal, Jackelén, assim, compartilhou, tornando-o público, uma dúvida legítima, insistindo na necessidade de interpretar os fenômenos sobrenaturais descritos na Bíblia.
Mas, para os cristãos apegados às verdades bíblicas tradicionais, esse discurso não está nada bem. Para eles, Jesus verdadeiramente nasceu de uma virgem, e o fato de questionar isso poderia levar a duvidar da divindade do filho de Deus. Do mesmo modo, Jesus é verdadeiramente o único caminho que conduz ao Pai.
No mais difundido jornal cristão sueco, que é de origem evangélica, os editorialistas se mostraram publicamente perturbados pela falta de clareza da futura arcebispa.

override-if-requiredDentro da própria Igreja luterana, muitos se distanciaram de Jackelé. Como Eva Hamberg, pastora e teóloga, membro da importante Comissão de Formação (läronämnd) da Igreja. Ela se demitiu de todos os seus cargos e abandonou a Igreja luterana.
"Se a nossa futura arcebispa não pode mais aceitar a confissão apostólica, isso significa que a secularização foi longe demais. Eu não quero mais fazer parte dessa evolução", declarou ela ao jornal Dagen. Segundo ela, uma grande parte da direção da Igreja luterana "não sabe mais se Jesus apresenta uma concepção de Deus mais verdadeira do que a de Maomé".
Do mesmo modo, ela critica Jackelén pela sua interpretação "metafórica" do nascimento virginal de Jesus. Eva Hamberg está pensando em entrar em uma Igreja batista ou pentecostal "ainda pouco afetada pela secularização".
E, em uma carta aberta publicada no grande jornal Svenska Dagbladet, o teólogo e pesquisador da Universidade de Lund Martin Lembke pediu que Antje Jackelén respondesse à pergunta: você acredita que Jesus nasceu de uma virgem ou não? Na resposta ao teólogo, Jackelén nega ter recusado o fato de admitir o nascimento virginal: "Eu queria ressaltar que, se reduzirmos a história a uma questão biológica, obscurecem-se as implicações teológicas de Jesus e de Maria". Ela também confirma que "não se deveria obscurecer o mistério da Encarnação e relativizar a sua unicidade".
Mas, como Martin Lembke afirma em uma nova intervenção no jornal Svenska Dagbladet do dia 28 de outubro, a futura arcebispa não respondeu à sua pergunta. Ele volta a questionar: "Ou Maria teve relações sexuais antes de dar à luz a Jesus, ou não. Não é uma questão sutil de interpretação ou uma falsa dicotomia – qualquer que sejam os gêneros literários de Mateus e Lucas. E o fato de dizer qual das versões seria a mais provável, a menos que se ache ambas igualmente prováveis, não significa reduzir o nascimento virginal ou a fé em Jesus à biologia".
Esse debate também está sobrecarregado em um plano simbólico. Martin Lembke, o jovem crítico da bispa teóloga deLund, também leciona na mesma cidade universitária, um dos berços históricos do cristianismo na Suécia. Mas, ao contrário do Antje Jackelén, profundamente ligada ao luteranismo alemão (ela nasceu na Alemanha), Lembkeprovém do evangelismo pentecostal.
Depois de passar por uma crise existencial, ele se converteu ao... catolicismo. É um fenômeno muito frequente entre os jovens intelectuais cristãos na Suécia. E esse aceso debate com a futura arcebispa está apenas começando.
_____________________________________________

Globo derruba matéria sobre Aécio Boladasso

por Miguel do Rosário

Nesta manhã de sexta-feira, enquanto saboreio um cafezinho quente, faço um tour pelos meus blogs preferidos. Vou ao Tijolaço e vejo um post sobre Aécio Neves, assunto sempre interessante para os aficcionados em política, visto que é o principal candidato da direita.
O post menciona uma nova fanpage de Aécio Neves, Aecio Boladasso, e dá link para uma matéria no site da Globo.
Pois é. Mas quando tento entrar na matéria, me deparo com a seguinte mensagem:



Ué, vou no google, e vejo que a matéria está lá, linkada:



O link está certo.
A matéria teria sido derrubada a pedido de Aécio?
Então fui ver a fanpage: https://www.facebook.com/AecioNevesBoladasso
Então entendi porque a Globo derrubou a matéria, o que na internet é um mico federal, pois o link fica por meses, às vezes anos, no ar, quebrado, levando a lugar nenhum.
A fanpage é uma comédia, mas num sentido totalmente oposto ao que pretendia a pessoa que a pôs no ar. E está sendo, com justiça, estraçalhada pelo sarcasmo dos internautas.


-

Globais apoiam protesto em vídeo, mas dão bolo em manifestantes


Cerca de 500 pessoas caminham pelas ruas do centro do Rio de Janeiro na tarde desta quinta-
feira, participando do protesto intitulado de Grito da Liberdade, que pede a libertação de 
pessoas que foram presas em manifestações anteriores. O ato foi convocado pela internet por um 
vídeo que conta com a participação de diversos artistas globais, como Marcos Palmeira, Mariana 
Ximenes, Camila Pitanga e Wagner Moura. Do primeiro escalão de artistas, apenas a atriz 
Leandra Leal passou pelo local, de forma bem rápida. Um texto no Facebook atribuído ao 
grupo Grito da Liberdade pede que haja o “fim do monopólio da mídia, principalmente pelas 
Organizações Globo”.

Por Nina Ramos - iG Rio de Janeiro

Wagner Moura, Camila Pitanga, Mariana Ximenes, Marcos Palmeira não deram as caras três horas após o início da caminhada
Wagner Moura, Camila Pitanga, Mariana Ximenes, Marcos Palmeira e Leandra Leal gravaram um vídeo em apoio à manifestação desta quinta-feira (31) no centro do Rio de Janeiro, mas nenhum deles deu as caras, três horas depois de iniciada a manifestação.
Sob o título de Grito da Liberdade, o protesto – que começou em frente ao Fórum central às 15h – tem motivação pacífica, embora o Black Bloc já tenha tomado a dianteira e lidere a manifestação, que passou pela Cinelândia e caminha em direção ao bairro boêmio da Lapa.
No vídeo, os globais repudiam a violência do Estado ao reprimir as manifestações. Embora as estrelas globais não tenham aparecido, artistas com longa carreira em teatro, como Luís Henrique Nogueira, que atuou na novela Saramandaia, participaram da caminhada.
Questionado sobre as vaias contra a Globo, o ator disse não se incomodar. “Todas as camadas demoraram para entender a situação. Quando vimos que o Estado estava agindo dessa forma, nos juntamos.”
________________________________________________

Danilo Gentili confunde estupidez com irreverência



Por : Kiko Nogueira

“Em termos de doação de leite, ela já tá quase alcançando o Kid Bengala”.
Era uma piada?
A Bandeirantes foi condenada a pagar 5 mil reais diários de multa porque Danilo Gentili dedicou alguns bons minutos de seu programa à pernambucana Michele Rafaela Maximino, que doou mais de 300 litros de leite para hospitais de Pernambuco. Ela tentava entrar para o Guinness.
“Ele falou essas barbaridades e eu estava fazendo um incentivo às mães a doarem leite”, disse Michele. ”Eu passava na rua e o povo falava : ‘Olha a vaca de Danilo Gentili’!’. Fiquei várias noites sem dormir. Um peito secou”.
Defensores de Gentili se queixaram da sentença. Censura! Censura onde, se ele não foi proibido de falar? Exerceu sua liberdade de expressão e Michele, que se sentiu ofendida, foi à Justiça, o que é direito dela. Ganhou.
Hoje temos mais comediantes de stand up do que microfones para eles. Gentili tem um estilo ofensivo. É tido como um comediante politicamente incorreto. Não é. O politicamente incorreto, em sua boa forma, expõe e destrói preconceitos. Gentili faz o contrário.
Gente como Andrew Dice Clay, George Carlin, Lenny Bruce, entre outros, são expoentes dessa escola. Eddie Murphy também. Carlin e Bruce morreram, Clay e Murphy sumiram. Murphy tirava sarro de negros, como Chris Rock. Uma diferença é que eles são negros. A outra é que eles são engraçados e inteligentes. Rock, aliás, é autor de um excelente documentário chamado “Good Hair” (“Cabelo Bom”).
O que a turma de Gentili faz é outra coisa. Um dos nomes é covardia. É a transposição para a TV do valentão que fica no fundo da classe xingando a gorda, o quatro-olho, o macaco, o aleijado, o judeu, o retardado etc. Todos os grandes incomodavam o poder. Lenny Bruce criticava a Justiça americana. Algum poderoso foi ridicularizado por Gentili? Claro que não. Rafinha Bastos mexeu com a mulher de um empresário que era amigo de Ronaldo Fenômeno. Em dois dias estava fora da Bandeirantes.
A melhor comédia que se faz hoje transcendeu isso. Jerry Seinfeld criou a sitcom definitiva falando sobre o nada. Sim, tinha piada de bicha (“não que haja nada de errado com isso”, diria George Costanza). Larry David, co-autor de “Seinfeld”, é a estrela de “Curb Your Enthusiasm”, em que não perdoa o judaísmo — o judaísmo DELE. ELE é o trapalhão, ELE é o grosso.
Ricky Gervais, inventor de “The Office”, estreou um seriado na Netflix em que interpreta um deficiente mental. É terno e, em alguns momentos, hilariante. Louis CK lota teatros tirando sarro de suas duas filhas pequenas. Num de seus esquetes, imagina Deus voltando à Terra e dando uma bronca: “Que porra vocês fizeram? Até os ursos polares? Quem vazou óleo? Eu dei tudo o que vocês queriam e vocês fazem isso?” Russell Brand detonou a Hugo Boss num evento que a marca patrocinava e em que ele era um dos premiados.
Eles falam palavrões e são contundentes. Nenhum deles é vendedor de incenso. São agressivos e polêmicos. Abordam assuntos quentes. Não faz diferença se são de esquerda ou de direita. Tem de ser engraçado. E eles sabem que voltar suas baterias contra uma moça que doa leite não é provocação esperta, não é comédia. É apenas o triunfo da estupidez. Agora, nessa área, pelo menos, nenhum deles bate Danilo Gentili.
________________________________________________

“Porque No Te Calas” Felipão ?


Por : Emir Ruivo

O sonho dele é pessoal e intransferível
O tão comentado atacante Diego Costa fez um gol hoje no jogo do Atlético de Madri. Sua comemoração foi um sinal de “porque no te calas”, enviado a sabe-se lá quem. Mas não precisa ser gênio para supor que seja a Felipão.
Diego foi envolvido contra sua vontade numa polêmica. Ele tem dupla cidadania. Foi convidado a jogar pela seleção brasileira. Negou. Prefere jogar pela Espanha.
Felipão falou sobre o assunto: “um jogador brasileiro que se recusa a vestir a camisa da seleção brasileira e a disputar uma Copa do Mundo no seu país só pode estar automaticamente desconvocado. Ele está dando as costas para um sonho de milhões, o de representar a nossa seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo no Brasil – disse Felipão, ao site oficial da CBF”.
Desconvocar é direito de Felipão. E falar o que quiser, também é. Tem boca, afinal. Mas falemos sobre o ponto de vista filosófico da declaração do treinador.
Não é da alçada de Felipão julgar por quem Diego Costa quer jogar ou não. Sonhos são pessoais e intransferíveis. O sonho de milhões pode não ser o sonho de um.

Se eu tivesse que escolher entre jogar uma final de Copa do Mundo e produzir um disco com Brian Wilson, aposte seu mindinho que eu escolheria o disco – ainda que eu tivesse a habilidade necessária para jogar.
Trocaria uma Copa do Mundo por compor uma música com David Bowie, por escrever uma letra com Bob Dylan, Chico Buarque ou Caetano Veloso.
Trocaria uma Copa do Mundo por um abraço em John Lennon, se ele estivesse vivo. Por um aperto de mão em Van Gogh. Por um joinha para Ludwig Van Beethoven.
E trocaria tudo isso por ver meu vô Cesar, esforçado, tomar mais um sorvete de limão, uma das poucas coisas que tem conseguido comer esses dias.
A Copa do Mundo não diz nada a mim. Quem me diz é minha família, meus amigos, meus amores, meus ídolos, minhas guitarras, meus palcos, meus estúdios, minhas músicas. Copa do Mundo, para mim, é o prazer de torcer ao lado dos meus amigos. Nada mais que isso. Sem eles, sequer haveria graça. Jogar uma Copa não me interessaria, ainda que eu tivesse talento para tal.
Da mesma forma, a seleção brasileira pode não significar nada para Diego Costa. Ele vive na Espanha há 7 anos. O cara pode ter encontrado seu lugar na Terra. Pode ter encontrado a cultura que tem tudo a ver com ele, com o que ele acredita, com a vida que ele quer levar.
Porquê ele haveria de ter obrigação alguma de honrar o sonho de milhões? Será que esses milhões honrariam seus sonhos?
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Foi Caetano Veloso que disse. É uma de suas grandes frases.
A gente nasce onde nasce. É aleatório. Mas a gente vive onde a gente quer viver. É uma escolha, ou idealmente é. Ninguém deveria ser impedido de buscar seu lugar.E só isso pode guiar Diego Costa.
Quanto a Felipão… bem, porque no te calas?
_______________________________________________

POR QUE A REDE DEVE SER NEUTRA !

Aécio: aflito, “boladasso” e frito

boladasso

Por: Fernando Brito

O senador Aécio Neves atira para todos os lados e não acerta em lado algum.
Só tem dois motes: criticar o governo por “estar fazendo campanha eleitoral” e Lula por “dever tudo o que foi” ao legado de Fernando Henrique Cardoso.
Isso não lhe dará, como é óbvio, um voto em Parada de Lucas ou em Capão Redondo.
O facebook “Aécio Boladasso” que lançou para “enfrentar” a paródia espontânea e bem-sucedidíssima do “Dilma Bolada” é só mais um dos pequenos ridículos que sua marquetagem lhe arranja, como o “vamos conversar”…
Aécio está, como se disse aqui, perdido, sendo progressivamente envolvido pela sua própria incapacidade.
Sabe, como a gente já disse aqui e, hoje, o Estadão confirma, que Serra empurra o PPS para um balé com Eduardo Campos que só visa expor sua fragilidade.
O PPS de Freire, como o seu mandato por São Paulo, é uma franquia de José Serra.
O problema de Aécio é que o PSDB sabe que, com ele, não tem senão a si mesmo e nenhum possibilidade de vitória nacional.
Sua “base”, a cada dia, pensa em como salvar os dedos regionais, se o anel nacional já se foi.
Aécio é um rei fraco. E o baronato sabe que reis fracos enfraquecem seu poder local, de resto já quase dizimado em 2010.
Os barões tucanos mais poderosos – Geraldo Alckmin e Beto Richa – já há tempos abriram pontes com o PSB Campista e com ele irão, se Marina não tornar a “candidatura posta” do pernambucano em “deposta”.
Serra, espertamente, sabe que Marina lhe devolverá o comando do campo conservador e que a mídia, depois de seu flerte com ela, voltará a apoiá-lo, claro que deixando alguns meninos e meninas brincarem de “disruptura”.
E Serra está se movendo, fazendo o que sabe fazer melhor: sabotar.
Não se descuide Aécio do que houve com Roseana Sarney.
Ainda temos algum tempo para as fantasias, mas a realidade já começou a se erguer e tornar visível.
Porque, afinal, o que estará em jogo dentro de um ano é o poder real.
Onde as candidaturas se prestarão a representar forças reais em luta.
Aécio, mesmo com três anos de domínio incontrastável do PSDB, jamais se afirmou como um líder capaz de reconduzir a direita ao poder.
E, afinal de contas, ele próprio parece ter se dado conta disso.
Se não se deu, logo darão por ele.
_____________________________________________

PT VAI PARA CIMA DO DE GRANDIS


PROCURADOR IGNOROU TRÊS OFÍCIOS DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Rodrigo de Grandis também foi alertado verbalmente e via e-mail por promotores estaduais. O procurador, contudo, nada fez.

O texto do site PT na Câmara: DEPUTADOS DO PT ENTRAM COM REPRESENTAÇÃO CONTRA PROCURADOR DE GRANDIS

O líder da Bancada do PT na Câmara, José Guimarães (CE), e os deputados Renato Simões (PT-SP), Ricardo Berzoini (PT-SP) e Edson Santos (PT-RJ) vão protocolar, na próxima segunda-feira (4), representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador Rodrigo De Grandis. O membro do MPF-SP é suspeito de ter ocasionado atraso nas investigações sobre o possível envolvimento de autoridades públicas do governo tucano de São Paulo num esquema de pagamento de propinas envolvendo a empresa Alstom.
O Ministério Público da Suíça comunicou na semana passada que decidiu arquivar investigações sobre três suspeitos de intermediarem pagamentos de propina a agentes públicos do governo paulista. As propinas serviriam para favorecer a Alstom nas licitações para obras e serviços no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A razão alegada pelo órgão suíço para o fim das investigações foi a falta de cooperação por parte do Ministério Público Federal brasileiro, que não atendeu ao pedido – feito em 2012 – para investigar a movimentação financeira dos consultores Arthur Teixeira, Sérgio Teixeira e José Amaro Pinto Ramos, suspeitos de intermediar as propinas, e do ex-diretor da CPTM, João Roberto Zaniboni, que teria recebido US$ 836 mil (equivalentes a R$1,84 milhão na cotação atual) da Alstom na Suíça.
“Pelo que apontam os noticiários e as evidências, De Grandis descumpriu os princípios constitucionais e deveres funcionais ao deixar de encaminhar investigação sobre práticas de corrupção de agentes públicos ligados ao governo de São Paulo”, afirma Renato Simões, autor da iniciativa.
O pedido das autoridades suíças foi recebido pelo procurador da República em São Paulo Rodrigo de Grandis –, responsável pelas investigações sobre os negócios da Alstom no Brasil –, que alega ter havido uma “falha administrativa” para não ter atendido às solicitações. O pedido da Suíça foi arquivado numa pasta errada e isso só foi descoberto na quinta-feira (24). Os ofícios contendo as demandas de investigação não foram respondidos tampouco tiveram qualquer encaminhamento. Pela ação ou omissão de Rodrigo de Grandis, as apurações das condutas de tais personagens foram arquivadas pela Justiça suíça.
A representação dos parlamentares não foi protocolada por conta do feriado no Poder Judiciário da capital federal, que não funciona na quinta-feira (31) e sexta-feira (1º).
Os petistas consideram que omissão do procurador paulista desrespeitou a missão institucional do Ministério Público, impossibilitou o avanço na apuração de crimes de corrupção e permitiu a impunidade dos envolvidos. No documento, os deputados solicitam que o CNMP “apure se de fato aconteceu às violações aos preceitos legais e funcionais que os indícios já apurados apontam” e, “sendo verdadeiros os fatos, que promova a devida aplicação de penalidade, de forma a fazer com que seja responsabilizado o responsável pela omissão na investigação e apuração dos crimes de corrupção perpetrados pelos agentes do Governo de São Paulo”.
_______________________________________________________