sábado, 29 de outubro de 2016

IRMÂOS METRALHA MARINHO EM PÂNICO! ANÚNCIOS NO JN DESPENCAM !


Os Irmãos Metralha Marinho seguem no ranking da Forbes como os maiores ricaços do Brasil 
e do planeta, mas o modelo de negócios do império global parece que faz água por todos os 
poros. O produto mais lucrativo da corporação, a TV Globo, segue perdendo a audiência, o 
que afugenta os anunciantes privados num cenário de recessão econômica. Até o “Jornal 
Nacional”, que no passado era assistido por mais de 60% dos telespectadores, está em crise, 
como atesta reportagem de Ricardo Feltrin, postada nesta terça-feira (25) no UOL. 

Cai nº de anúncios no "JN"; Globo diz que causa é eleição

Ricardo Feltrin

Levantamento feito pela coluna entre os últimos dias 10 e 19 mostra que o volume de anúncios no
"Jornal Nacional" caiu este mês. O produto "JN" é um importante indicador da situação do mercado 
publicitário, já que é o um dos produtos mais importantes da emissora, líder de ibope há mais de 40 
anos... A Globo nega que haja qualquer alteração relevante ocorrendo. A emissora fala em efeitos 
sazonais causados pelas mudanças de programação devido ao horário eleitoral em alguns Estados.
Na comparação entre as semanas, há evidente queda de anúncios pagos e crescimento de veiculações 
institucionais ou de produtos da própria Globo, como chamadas para novas novelas, filmes da "Tela 
Quente", informes sobre a migração para a TV Digital ou boletins e ações da Fundação Roberto 
Marinho.
A Globo praticamente manteve todas as edições do "Jornal Nacional" com os históricos cinco breaks 
comerciais. Mas, em pelo menos dois dias, quatro desses cinco intervalos não tiveram comercial 
nenhum: apenas chamadas internas ou de produtos próprios.
Segundo esta coluna informou com exclusividade na semana passada, especialistas em mercado 
publicitário apostam que 2016 não será um bom ano para as TVs abertas, a despeito de ter sido um 
ano com Jogos Olímpicos no Rio.
Esses especialistas acreditam que a maioria das TVs abertas deve ter queda na arrecadação de 
anúncios em até 10% este ano.
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A crescente queda de audiência do JN talvez ajude a explicar porque a oportunista famiglia Marinho 
apostou todas as suas fichas no “golpe dos corruptos” que depôs a presidenta Dilma. Além das 
razões políticas – do seu compromisso com a agenda destrutiva e regressiva do neoliberalismo –, o 
império também teve motivações mercenárias. Apesar do discurso favorável ao ‘Estado mínimo’ e 
ao enxugamento dos gastos públicos, a Rede Globo sempre mamou nas tetas do Estado. Patrimonialista e fisiológica, ela sempre dependeu da grana pública. Ela conta agora com o covil 
golpista para tentar compensar a perda crescente dos anunciantes privados. O Judas Michel Temer é 
o salvador!
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ALCKMIN É O “SANTO” DA ODEBRECHT

Propina foi paga pela Linha 4 do Metrô

Um dia depois de vir à tona a denúncia de que José Serra recebeu da Odebrecht R$ 23 milhões em
propina por meio de uma conta na Suíça, o fogo é disparado contra outro tucano; reportagem da
revista Veja neste fim de semana aponta que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB),
também é citado na delação e confirma que Alckmin é o "Santo" das planilhas da empreiteira; a ele,
foram pagos R$ 500 mil em duas parcelas, a pedido de um diretor de contrato da Odebrecht que era
responsável pelas obras na Linha 4 do Metrô
O documento aponta repasse de propina da Odebrecht a governos de vários partidos e todas as
esferas em diversas obras no Brasil, entre elas o aeroporto Santo Dumont, no Rio de Janeiro, que é
governado pelo PMDB, e o Rodoanel e o Metrô em São Paulo.
No início de outubro, a revista Carta Capital já havia sugerido que "Santo" fosse o governador. Na
ocasião, a revista cobrou a Lava Jato pelo fato de que, desde março, quando o codinome apareceu
pela primeira vez, como beneficiário na obra da duplicação da Rodovia Mogi-Dutra, "já foram
deflagradas dez fases da Lava Jato e a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar qualquer um
dos codinomes mencionados".
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OS "PATOS" EM AÇÃO....



POR FERNANDO BRITO  

Lembra o “pato”, aquele que sumiu?
Pois é, não precisa mais.
Ninguém mais vai fazer o “absurdo” de taxar lucros e dividentos retirados do dono da empresa.
Acabaram aquelas “loucuras” de fazer voltar a CPMF.
Não se fala mais em taxar grandes fortunas.
Sobrou, claro, para os “patos” de verdade.
E para os patos velhinhos, de preferência.
Continuar trabalhando para melhorar a aposentadoria?
Esqueça.
A “sábia” decisão é que quem se considerar ainda produtivo apele para o trabalho informal.
Já que não vai servir parta nada, para que descontar o INSS? E o contratante do trabalho logo arranja 
um jeito de remunerar sem, claro, a obrigação de recolher.
Mais informalidade, dizem os estudiosos do tema.
Mas não é aí o truque, ele ainda vem pela frente.
É desvincular a aposentadoria do mínimo, caminho que a PEC 241 abre.
E que o nosso valoroso Supremo Tribunal Federal, o único emprego do mundo onde o sujeito quer 
continuar a trabalhar sem ganhar, no contracheque já gordo, um tostão a mais – vai sancionar esta 
crueldade, podem crer.
Princípio da irredutibilidade ( o que é, na prática) dos salários.
Claro, mas só para os que ganham muito bem, a turma dos “direitos adquiridos” e das “parcelas 
indenizatórias”.
Coisas que não são para os patos pobres.
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NA ONU, ANA JULIA SERÁ PORTA VOZ DAS ESCOLA OCUPADAS


Jornal GGN – A secundarista que se tornou a voz dos estudantes que ocupam as escolas e universidades do país tem nova missão. Depois de falar para os deputados da Assembléia Legislativa do Paraná, Ana Júlia agora irá à ONU fazer denúncias contra as milícias fascistas de Beto Richa no Paraná.
Na segunda-feira, dia 31, ela falará na Comissão de Direitos Humanos do Senado e da Câmara, no MPF e em agências internacionais como UNICEF ligada à ONU. A adolescente será a porta-voz das ocupações que estão sendo ameaçadas por milícias fascistas do MBL com apoio do tucano Richa.
Como bem lembra Esmael Morais, o governador do Paraná, Beto Richa, não é um desconhecido de organismos internacionais, já que foi denunciado pelo massacre que promoveu contra professores não há muito tempo atrás.
O governador Beto Richa (PSDB) será denunciado na próxima segunda-feira (31), em Brasília, na Comissão dos Direitos Humanos do Senado e da Câmara, no MPF, e em agências internacionais como Unicef – de proteção à infância e à adolescência — ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). A estudante Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, será a porta-voz das ocupações nas escolas estão ameaçadas na capital paranaense por milícias fascistas que atuam em conluio com o tucano.
Ana Júlia ganhou notoriedade internacional — sim, ela foi destaque em revistas como Forbes, CartaCapital (capa, inclusive) e jornais como El País,etc. — depois que humilhou deputados em antológio pronunciamento na Assembleia Legislativa do Paraná (clique aqui para assistir).
Integrantes do fascista MBL – Movimento Brasil Livre – percorrem escolas ocupadas pelos estudantes, em Curitiba, com objetivo de “desocupá-las” à força como se fossem uma milícia privada do governador Beto Richa. Na semana passada, o tucano recebeu em Palácio Iguaçu esses milicianos de extrema-direita para definir a estratégia de enfrentar os adolescentes que tomaram cerca de 900 escolas no estado em protesto contra a MP 746 (reforma do ensino médio) e contra a PEC 241 (congelamento de investimentos por 20 anos).
A Polícia Militar, presente nos enfrentamentos, limita-se a assistir às hostilidades dos “tiozinhos” do MBL, conforme definição do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), membro da Comissão dos Direitos Humanos na Assembleia Legislativa do Paraná.
Na madrugada desta sexta-feira (28), milicianos do MBL, sempre amparados pelo poder público, tentaram à força desocupar os colégios estaduais Leôncio Correia, Lysímaco Ferreira da Costa e Pedro Macedo. Não obtiveram êxito em nenhum, pois o número de estudantes e pais favoráveis às ocupações eram muito superiores. Houve muito corre-corre, bate-boca e empurra-empurra nesses locais, mas a temperatura se eleva sem que Richa tome providências no sentido de proteger os jovens e adolescentes nas escolas ocupadas – o que é dever do Estado, como bem ensinou a aluna Ana Júlia em seu histórico pronunciamento na Assembleia Legislativa.
Moradores e estudantes de escolas na periferia da capital paranaense dizem que vão resistir, em legítima defesa, “aos ataques dos playboys fascistas que nunca estudaram numa escola pública”. Ou seja, se anuncia uma tragédia de proporções dantescas com a omissão – ou seria associação criminosa – do governador Beto Richa. E é sobre isso que Ana Júlia falará à ONU, Congresso Nacional, MPF e CNJ.
Nunca é demais recordar que Beto Richa já foi denunciado à ONU, no ano passado, pelo massacre de 213 professores e servidores públicos que lutavam contra o confisco da poupança previdenciária de R$ 8 bilhões.

APÓS SETE MESES, CONTA DE LUZ VOLTA A TER COBRANÇA EXTRA EM NOVEMBRO


A bandeira tarifária que será aplicada nas contas de luz no mês de novembro será a amarela, 
com custo de R$ 1,5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos; a medida se deve às 
condições hidrológicas menos favoráveis, o que determinou o acionamento de usinas 
termelétricas, mais caras

Sabrina Craide - Agência Brasil

A bandeira tarifária que será aplicada nas contas de luz no mês de novembro será a amarela, com 
custo de R$ 1,5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A medida se deve às condições 
hidrológicas menos favoráveis, o que determinou o acionamento de usinas termelétricas, mais caras.
Desde abril deste ano, a bandeira tarifária estava verde, ou seja, não havia custo extra para os 
consumidores. No ano passado, todos os meses tiveram bandeira vermelha, primeiramente com 
cobrança adicional de R$ 4,5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos e, depois, com a 
bandeira vermelha patamar 1, que significa acréscimo de R$ 3 a cada 100 kWh.
O sistema de bandeiras tarifárias foi adotado em janeiro de 2015 como forma de recompor os gastos 
extras com a utilização de energia de usinas termelétricas, mai cara do que a energia de hidrelétricas. 
A cor da bandeira é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde) e indica o custo da 
energia elétrica em função das condições de geração de eletricidade. Por exemplo, quando chove 
menos, os reservatórios das hidrelétricas ficam mais vazios e é preciso acionar mais termelétricas 
para garantir o suprimento de energia no país.
Cobrança
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a bandeira tarifária não é um custo extra 
na conta de luz, mas uma forma diferente de cobrar um valor que já era incluído na conta de energia, 
por meio do reajuste tarifário anual das distribuidoras. A agência considera que a bandeira torna a 
conta de luz mais transparente e o consumidor tem a melhor informação para usar a energia elétrica 
de forma mais consciente.
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LULA: A GENTE NEM SONHAVA!

Novo balanço aponta 1.197 escolas ocupadas pelo país


Jornal GGN - A UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) soltaram mais um balanço das ocupações em todo o Brasil. Agora são 1.197 unidades ocupadas pelo país. Desmembrando: 1.071 escolas e institutos federais (IFs), 123 universidades e 3 Núcleos Regionais de Educação (NRE).
Os estudantes protestam contra a PEC 55 em apreciação pelo Senado, que era a PEC 241 no Congresso, votada em duas instâncias a favor do governo e contra a população. Além disso, protestam contra o Escola sem Partido, conhecido como a Lei da Mordaça.
A maioria das ocupações estão concentradas no Paraná, com 843 escolas e 5 institutos federais ocupados.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

BETO REICH MANDA RETIRAR ESTUDANTES À FORÇA


Decisão da reintegração de posse do Colégio Estadual do Paraná, o maior do estado, solicitada 
pelo governador Beto Richa (PSDB), tem causado tensão nesta sexta-feira 28; alunos que 
ocupam a escola em protesto a medidas do governo de Michel Temer se recusam a cumprir a 
ordem judicial; a Polícia Militar chegou armada ao local para iniciar a intervenção; "Ocupar e 
resistir!" é a palavra de ordem no Colégio; para o jornalista Esmael Morais, "poderá haver 
um massacre" como contra os professores, em abril de 2015; "Atenção Ctba, prestem atenção 
à violência do Richa contra alunos do Colégio Estadual do Paraná. Solidariedade à nossa 
juventude rebelde", postou o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Paraná 247 – Uma decisão da reintegração de posse do Colégio Estadual do Paraná, o maior do 
estado, solicitada pelo governador Beto Richa (PSDB), tem causado tensão nesta sexta-feira 28 entre 
a Polícia Militar e alunos que fazem parte da ocupação estudantil que já ocupa mais de mil 
instituições de ensino no País.
Os estudantes do CEP se recusam a cumprir a ordem judicial, que foi expedida pela juíza Patrícia de 
Almeida Gomes, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. A Polícia Militar chegou armada ao 
local nesta tarde para iniciar a intervenção. "Ocupar e resistir!" é a palavra de ordem no Colégio.
Para o jornalista Esmael Morais, do Paraná, que atualiza o episódio em seu blog, "poderá haver um 
massacre, repetindo 29 de abril de 2015, quando 213 professores foram violentamente surrados no 
Centro Cívico".
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) também comentou o caso no Twitter: "Atenção Ctba, 
prestem atenção a violência do Richa contra alunos do Colégio Estadual do Paraná. Solidariedade a 
nossa juventude rebelde". "A violência policial contra os alunos do Colégio Estadual do Paraná é 
pior que o roubo do fisco, as escolas pagas e não construídas", escreveu também.
O movimento dos estudantes no País protesta contra a PEC 241, do governo de Michel Temer, que 
congela gastos públicos pelos próximos 20 anos, prejudicando o investimento na educação, a MP da 
reforma do ensino médio e o projeto Escola Sem Partido. De acordo com o último balanço divulgado 
pela Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), há 1.177 escolas ocupadas em todo o 
Brasil.
Confira o vídeo do momento em que os oficiais de Justiça chegam ao colégio:



LULA ACIONA DELEGADO TUCANO QUE O APONTOU COMO “AMIGO” EM PLANILHA DA ODEBRECHT


Advogados do ex-presidente entraram nesta sexta-feira 28 com uma ação de reparação de 
danos morais contra o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, "em virtude de afirmação 
ofensiva e mentirosa por ele lançada sobre o nosso cliente em relatório (...) no qual ele não 
figura como investigado"; para a defesa, o "delegado federal cometeu abuso ao usar de sua 
função pública para afirmar, sem qualquer prova e, ainda, sem ser a autoridade responsável 
pela investigação, que Lula seria o 'amigo' mencionado em uma suposta planilha que faria 
referência a supostas vantagens indevidas"; ação pede R$ 100 mil por danos morais

André Richter – Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje (28) que entrou com uma ação de 
reparação por danos morais contra o delegado da Polícia Federal Felipe Pace.
Na ação, os advogados pedem o ressarcimento de R$ 100 mil por entenderem que o delegado 
"atacou a honra e a reputação" de Lula ao afirmar que o ex-presidente seria a pessoa citada pelo 
codinome "amigo" em uma suposta planilha de pagamento de propina da empreiteira Odebrecht.
"O citado delegado federal cometeu abuso ao usar de sua função pública para afirmar, sem qualquer 
prova e, ainda, sem ser a autoridade responsável pela investigação, que Lula seria o "amigo" 
mencionado em uma suposta planilha que faria referência a supostas vantagens indevidas", 
argumentou a defesa.
Na segunda-feira (24), a Polícia Federal afirmou que investiga se empresário Marcelo Odebrecht, 
preso na Operação Lava Jato, usava os codinomes "amigo", amigo de meu pai" e "amigo de EO 
[Emílio Odebrecht, pai de Marcelo]" para se referir ao ex-presidente Lula.
Em um dos trechos do documento, a PF diz que a investigação das planilhas apreendidas revelou 
"que os pagamentos no total de R$ 8 milhões foram debitados do saldo da conta-corrente da propina 
que correspondia ao agente identificado pelo codinome de "amigo". A PF diz, no relatório, que há 
"respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o termo "amigo" faz referência à 
Lula.
No relatório, o delegado Felipe Pace disse que "a responsabilidade criminal do ex-presidente da 
República" não é feita pelo grupo de trabalho da Lava Jato, do qual ele faz parte, mas por outro 
delegado, Márcio Anselmo, que já investiga Lula.

Leia a íntegra da nota dos advogados: 

Protocolamos na data de hoje (28/10), na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula 
da Silva, ação de reparação de danos morais contra o Delegado de Polícia Federal Filipe Hille Pace, 
em virtude de afirmação ofensiva e mentirosa por ele lançada sobre o nosso cliente em relatório 
relativo ao inquérito policial no. 2255/2015-4 SR/DPF/PR, no qual ele não figura como investigado.
O citado delegado federal cometeu abuso ao usar de sua função pública para afirmar, sem qualquer 
prova e, ainda, sem ser a autoridade responsável pela investigação, que Lula seria o "amigo" 
mencionado em uma suposta planilha que faria referência a supostas vantagens indevidas.
Conforme exposto na ação, "nenhum agente público pode se utilizar de suas prerrogativas funcionais 
para atacar a honra e a reputação alheias, sob pena de cometer abuso punível na forma da lei".
A ação pede a condenação de Pace ao pagamento da quantia de R$ 100 mil, a título de reparação por 
danos morais.
O documento está disponível em www.abemdaverdade.com.br

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
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BARBICHA DO BANESTADO VAZA PARA IMPRENSA QUE ACORDO DA ODERBRECHT SOFRE PRESSÂO DO GOVERNO TEMER



Jornal GGN - Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais procuradores da
força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou que o acordo de delação premiada da
Odebrecht pode levar ainda, pelo menos, alguns meses ou sequer ser finalizado. Um dos
braços de Sérgio Moro nas investigações assumiu que interesses do governo de Michel
Temer podem interferir.
"Não tenho confiança absoluta em fechar um acordo, porque estamos num ambiente de
instabilidade institucional no Brasil. (...) Não sei se há interesse do governo federal em
que essas colaborações se efetivem. Boa parte do que é falado nessas colaborações, e
não estou falando só da Odebrecht, se refere a personagens políticos que foram ou são
do governo", admitiu o procurador.
"Não há um acordo firmado com a Odebrecht, não há nenhum acordo. Existem muitos
detalhes para resolver", disse o procurador à agência de notícias Reuters. Segundo a
reportagem, o aguardado acordo de delação de Marcelo ou outros executivos da
empreiteira com os investigadores, a nível da Justiça Federal do Paraná, pode não ser
fechado "devido à resistência de políticos". 
A negativa ocorre após notícias darem conta de que os depoimentos de executivos,
como o de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, recaírem sobre o tucano José 
Serra, ministro de Relações Exteriores, além de outras delações envolvendo o próprio
governo de Michel Temer e sua grande base aliada.
"Todas essas negociações são muitos complexas, demoram muito para terminar porque
envolvem muitos fatos, muitos pessoas", negou Lima, nesta quinta-feira (27) em
entrevista ao jornal em seu escritório em Curitiba, onde a Polícia Federal, procuradores e
o juiz federal Sérgio Moro vêm conduzindo a Lava Jato.
Em mais de uma vez, o procurador da República negou que haja avanços no acordo com
a Odebrecht, seja com os funcionários e ex-executivos, seja de leniência a nível do
Ministério Público Federal com a empresa. A reportagem consultou os advogados da
Odebrecht, que afirmaram que não poderiam falar sobre negociações em andamento
com os investigadores.
Após inicialmente negar colaborar com a Lava Jato, desde a sua prisão em 2015,
Marcelo Odebrecht resolveu informar o que sabe, com o intuito de abrandar a sua pena
de 19 anos em prisão em Curitiba.
Lima, que vê possibilidades de conseguir boas informações na Lava Jato, admitiu que
acordos desse tipo que interferem membros do governo Temer podem representar uma
ameaça para o próprio andamento da investigação.
Citou como exemplo o projeto de Lei de Abuso de Autoridade, em tramitação no
Congresso e defendida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Estão,
na verdade, desincentivando que as pessoas investiguem, é muito simples", disse Lima. 
"Não tem realmente proteção em relação a sua investigação e não ser ameaçado pelo
poder político, e isso vai impedir que novos casos apareçam. Por que eu vou arriscar e
fazer isso se eu ganho o mesmo salário no final do mês se eu não fizer absolutamente
nada?", completou.
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Com ajuda de Renan, Joao Plenário tenta emplacar sócio de sua esposa no CNJ


Jornal GGN - Com ajuda de Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, o ministro 
Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tenta emplacar no Conselho Nacional de 
Justiça o jovem advogado Henrique Ávila, sócio de sua esposa, Guiomar Feitosa, em uma 
banca de Brasília. "O CNJ é um lugar capaz de complicar juízes, daí Calheiros [que já rejeitou 
dois pedidos de impeachment de Gilmar] querer apadrinhar gente por lá." 

Por André Barrocal Na CartaCapital
 A prisão de policiais e o recolhimento de equipamentos do Senado capazes de descobrir escutas clandestinas escancararam a existência de uma aliança entre o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), alvo de vários inquéritos na Operacão Lava Jato, e o ministro Gilmar Mendes, comandante da subdivisão do Supremo Tribunal Federal (STF) encarregada de examinar processos surgidos da operação.
O senador, que em setembro engavetou dois pedidos de impeachment de Mendes, um por crime de responsabilidade, outro por partidarismo (pró-PSDB), irmanou-se ao ministro em uma campanha por uma lei de abuso de autoridade, tentativa de enfraquecer a Lava Jato.
E agora, numa espécie de ação entre amigos, eles lutam juntos para preencher uma vaga disponível no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão fiscalizador de tribunais e juízes.
O candidato da dupla é o jovem advogado Henrique Ávila, de 33 anos. Que vem a ser sócio em Brasília de uma banca chefiada na cidade pela esposa de Mendes, Guiomar Feitosa. Trata-se de uma filial do escritório do advogado Sergio Bermudes, sediado no Rio, responsável por defender clientes graúdos, com Eike Batista, Odebrecht, Vale. Bermudes orgulha-se de chamar Mendes de “irmão”.
O CNJ é um lugar capaz de complicar juízes, daí Calheiros querer apadrinhar gente por lá. Em virtude da prisão dos policiais do Senado e da apreensão dos aparelhos anti-escuta, o peemedebista resolveu denunciar ao órgão o juiz que autorizou a chamada Operação Métis, Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, taxado pelo senador de “juizeco”.
Na campanha em favor da candidatura de Ávila, cuja indicação ao CNJ precisa ser aprovada pelo Senado, Mendes tem se esmerado nas articulações. Outro dia ofereceu um jantar em casa a reunir senadores. Um destes elogiou a picanha do casal Gilmar e Guiomar, e graças a isso foi embora com uma peça crua debaixo do braço.
O ministro não discrimina prontuários na hora de cabalar votos. Foi buscar apoio para Ávila junto a um senador processado no Supremo e que vive situação delicada. Foi buscar e conseguiu.
A candidatura de Ávila ao CNJ foi formalmente proposta no Senado em julho por Fernando Collor (PTB-AL), conterrâneo e velho parceiro de Calheiros, tendo sido este um dos líderes de Collor no Congresso ate o então presidente sofrer um impeachment em 1992.
Consta que depois de dada a largada na campanha de Ávila, a ministra do STF Cármem Lúcia, presidente da corte desde setembro, aderiu à candidatura do sócio da mulher do colega de tribunal.
Ávila tem um oponente na disputa, outro jovem advogado, Octavio Orzari, nome defendido pelo antecessor de Carmem Lúcia na direção do STF, Ricardo Lewandowski. Os dois competidores foram sabatinados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no dia 5 de outubro e aguardam o dia de seus nomes serem levados em votação no plenário.
Consta que Calheiros quer um dia de casa cheia, talvez a coincidir com a votação da proposta do governo Michel Temer de congelar por 20 anos as verbas sociais, para facilitar a vitória do seu Ávila.

SÉRGIO MORO VIROU REU EM GENEBRA E PRISÂO DE LULA ABORTOU



Bajonas Teixeira 

Posto sob os holofotes da corte da ONU em Genebra, Sérgio Moro já nem em sonhos se atreverá a prender Lula. Mas, nas últimas duas semanas, começando no dia 13 de outubro, tudo parecia apontar para a prisão do ex-presidente. Videntes até previam o dia e a hora. Desde o início dessa semana, contudo, a situação começou a se reverter com a crise institucional aberta por Renan Calheiros contra a Lava Jato. E anteontem, no dia 26, deu uma virada completa com o anúncio da decisão da ONU.
Os réus, agora em âmbito internacional, passaram a ser o juiz Sérgio Moro e o Judiciário brasileiro. O juiz, se condenado, ganha o estatus de criminoso internacional contra os direitos humanos. Embora internacional, o título soará um pouco diferente do recebido da revista Time nos EUA, que o declarou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Não querendo passar da fama fabricada made in USA diretamente ao vexame, Sérgio Moro ficará cada vez mais prudente.
Desde o dia 13 de outubro, pelo menos, quando ele virou réu pela terceira vez (caso Taiguara), a prisão de Lula parecia iminente. Boatos foram espalhados, até prevendo que a prisão ocorreria no dia 15, uma segunda-feira. Nada aconteceu. No dia 19, com a prisão de Cunha, parecia mais próxima que nunca a detenção de Lula. Até cela VIP, segundo algumas fontes, já tinha sido reservada (talvez até decorada com bandeiras e flâmulas do Corinthians) na vizinhança de Cunha.
Por todos os meios, a mídia jogou lenha na fogueira para força a decisão de Moro de efetuar a prisão. Nada. Ele talvez tenha entendido que, como disse o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, ao prender Lula seu estrelado findaria com o PSDB e o DEM enterrando a Lava Jato no dia seguinte. Nos últimos dias, a mídia fez novo esforço concentrado para emplacar a assinatura de Moro em uma ordem de prisão contra Lula. Engendrou-se algumas denúncias imbecis: “Amigo” seria o codinome de Lula em planilha da Odebrecht; haveria uma outra cobertura, vizinha do apartamento de Lula, etc. Desde a segunda (24), contudo, a situação começou a ser revertida.
Na segunda-feira, abriu-se uma crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário: o presidente do Senado, Renan Calheiros, reagiu com violência verbal contra a operação Métis e a prisão de policiais do Senado, descarregando sua fúria contra a Lava Jato e o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que chamou de “chefete de polícia”. Senadores subiram a tribuna para discursar contra a violação do Senado e o atentado ao estado de direito. Entre os atos de exceção da Lava Jato, Renan citou a condução coercitiva de Lula, em 04 de março. A presidente do STF, Carmem Lúcia, tomou as dores dos juízes mas foi cobrada por não ter aberto processo no CNJ para investigar o juiz que autorizou a invasão do Senado.
Mostrando as unhas e os métodos violentos, a presidente do STF, marcou na quarta-feira dia 16 a data de julgamento de uma das ações contra Renan no Supremo.
Já a Polícia Federal, pressionada por Alexandre de Moraes – obedecendo certamente ordens de Temer, que precisa de Renan para aprovar a PEC no Senado – libertou todos os policiais presos, sem dar explicações. O último a ser solto foi o diretor, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, no dia 25. Para completar, o ministro responsável pela Lava Jato no STF, Teori Zavascki, no dia 26, suspendeu a operação Métis e transferiu o processo para o STF, uma clara vitória de Renan.
Teori também recusou (no dia 26), em decisão inédita, a delação do ex-deputado Pedro Corrêa, (PP-PE), um dos pilares para a Denúncia-Show apresentada pela força tarefa da Lava Jato contra Lula no dia 14 de setembro. E que Sérgio Moro aceitou em 20 de setembro, quando tornou Lula réu pela segunda vez.
Em paralelo a isso tudo, a mídia dá sinais de cansaço. Um ceticismo desencorajado tomou conta dela. Elio Gaspari afirma, no dia 26,  que não estranharia se ficasse provado, pela Lava Jato, que Lula assassinou Kennedy em 1963.
Para piorar o que já estava péssimo, vem a decisão da ONU de aceitar as alegações de Lula contra Sérgio Moro e os Procuradores da Lava Jato.
Se os EUA esforçaram-se para dar a Moro uma imagem internacional, pondo-o na lista dos mais influentes do mundo, adubando nele o delírio de poder e de legitimidade, que já havia sido plantada pela mídia oligárquica nacional, a decisão da ONU põe em risco todo esse prestígio. A coragem de Moro veio de sua sagração como cavaleiro com a armadura de cristal líquido nas telas da mídia. Posto, porém. sob os holofotes da corte da ONU em Genebra, despido dos trajes da sua dissimulação, e de seus atos violadores de direitos humanos, é muito pouco provável que ainda esboce qualquer iniciativa.
Este juiz, expulso do seu ninho de dissimulação, ficará como um pardal depenado tremendo ao relento. Muito dificilmente terá ousadia, ou insanidade suficiente, para levar adiante a missão que foi confiada às suas mãos vingadoras, aduladas com prêmios e homenagens. Se não prendeu Lula antes da decisão da ONU, agora mesmo é que não vai correr o risco.
Sobre a imagem de Moro, esculpida pela mídia, começa a pairar uma sombra apavorante, que ameaça tirá-lo da posição de “um dos homens mais influentes do mundo” para realoca-lo como condenado internacionalmente por violação de direitos humanos.
Essas duas semanas parecem ter enterrado o processo iniciado em 04 de março com a condução coercitiva de Lula para depor sob vara. Um novo ciclo se abre, e quem agora estará na berlinda é o juiz Sérgio Moro, os Procuradores da Lava Jato, e os Ministros do STF.

Estudantes são intimidados por PMs armados em escola catarinense


Abusos 

João Paulo Caldeira

Jornal GGN - Estudantes que ocupam a Escola Estadual Irene Stonoga, em Chapecó (SC), foram intimidados por policiais armados (veja o vídeo abaixo). Segundo pessoas que acompanham a ocupação, a direção da escola se nega a dialogar e tem coagido professores que tentam ajudar os adolescentes.
De acordo com relatos, o pai de um dos alunos chegou a agredir um estudante na saída da escola. Esta mesma pessoa teria entrado na escola depois, e, armado, tentou tirar os jovens de lá.
Antes mesmo dos alunos decidirem pela ocupação, a direção da escola não queria permitir  um debate com professores da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) sobre a Proposta de Emenda à Constituição 241 e a reforma do Ensino Médio.
Ocupação no EEB Irene Stonoga, em Chapecó (SC). 
Em relação aos policiais que aparecem no vídeo, ele foram à escola inúmeras vezes a pedido da direção da unidade.
Túlio Vidor, coordenador do Centro de Referências em Direitos Humanos Marcelino Chiarellio, da UFFS, foi até a escola Irene Stonoga após receber uma denúncia de violações de direitos humanos. Ele afirma que teve dificuldades em acessar a escola e que a diretoria não o acompanhou em sua visita técnica, nem quis dar esclarecimentos.
Ele conta que, ao chegar no local, a escola estava trancada com os alunos dentro, e que pais e outras pessoas que apoiam o movimento não conseguiam ter contato com os estudantes.
“A gente acabou apurando algumas situações de conflito, patrocinadas principalmente pela própria direção. Há uma dificuldade muito grande de diálogo”, diz.
Vidor afirma que apurou irregularidades e riscos de violações de direitos humanos. Ele está elaborando um relatório que será encaminhado para o movimento estudantil, para a direção da escola, para a Secretaria de Educação e outros órgãos competentes.
“Teria que haver um diálogo entre a direção e os manifestantes para garantir a segurança das crianças que lá estão”, completa.
Veja o vídeo abaixo:
 

VIRA LATA PARENTE VAI QUERER FECHAR A INDÚSTRIA NACIONAL!


Parente e Moro já destruíram 40 mil empregos na industria naval! 

Saiu no AbEstadão uma reportagem transmitida por um instrumento que os americanos chamam de 
"dog whistle".
É um apito que emite um som cifrado, que só os cães entendem.
Se um não-cão entender, o emissor do som sempre poderá dizer: não!
Você não entendeu a mensagem.
A matéria do Estadão é um "dog whistle".
A "matéria" do Estadão reproduz uma entrevista do senhor Antonio Rubens Silva, Presidente da 
Transpetro, devidamente já detonada pelo Moro.
Como a empresa mal sobrevive à Lava Jato do Imparcial de Curitiba - vamos ver o que ele vai fazer 
com o Cerra da Odebrecht na Suíça - o Pedro Malan Parente vai aproveitar o vácuo moralista e 
"modernizante", impulsionado pelos falsos moralistas do PSDB e osprodijiosos administradores 
tucanos, e Pedro decidiu fechar a indústria nacional.
Já cancelou a construção de 17 navios.
E mais e muitos mais cancelará, em nome da "competitividade".
"Competitividade", "buscar clientes para além de sua controladora, "jestão!", "jestão!".
Essas imposturas que soam como violino nos ouvidos da Cegonhóloga.
Mas, o dog whistle de repente ficou mais claro e nítido:
"Uma das mudanças inclui abandonar a diretriz de contatar navios próprios com estaleiros nacionais, 
desfazendo a política dos governos do PT de usar a demanda da Petrobras para impulsionar a 
indústria naval" !!!
São uns canalhas... esses petistas!
Uns safados!!!
Uns corruptos!!!
Tiveram a ousadia de contratar a indústria nacional para empregar metalúrgicos brasileiros!
Só uns incompetentes como o Lula e a Dilma!
Todos na cadeia!
(Só a indústria da construçao naval já destruiu 40 mil empregos!)
Se a FIE P tivesse um industrial presidente, o Pedro Malan Parente e o Antonio Rubens caíam 
amanhã.
Mas, como o presidente da FIE P vive de alugar galpões...
A canoa vai virar, amigo navegante?
Vai!
O Antonio Rubens e o Pedro Malan Parente que se cuidem.
Não fiquem na beira do mar.
Como diz o Zeca Pagodinho, "camarão que dorme a onda leva".
Cuidado, Antonio Rubens!
Cuidado, Pedro Malan Parente.
O cérebro dessa desconstrução da Petrobras e a destruição da indústria nacional, o Padim Pade 
Cerra, cedo ou tarde, vai em cana!
E pode delatar todo mundo!
Sabe como é, né?
Ele está decrépito, segundo o Nassif...

PHA


Antonio Rubens Silva vai enxugar a empresa para vender baratinho! (Reprodução: 
Transpetro)

GOLPE ESTILO “AMERICA LATINA SUBSTITUIU A FARDA PELA TOGA"


Pedro Serrano professor de Direito Constitucional

POR MARCO WEISSHEIMER - SUL 21.

“O que temos hoje no Brasil e na América Latina de um modo geral é a existência de um estado de exceção que governa com violência os territórios ocupados pela pobreza e onde o Judiciário funciona como instrumento de legitimação de processos de impeachment e de perseguição de adversários políticos. Essas medidas de exceção interrompem a democracia em alguns países e, em outros, mantêm um sistema de justiça voltado ao combate a um determinado inimigo, que é apresentado como bandido. A figura do bandido, em geral, é identificada com a pobreza”.
A avaliação é de Pedro Estevam Serrano, professor de Direito Constitucional e de Teoria do Direito da PUC-SP, que esteve em Porto Alegre na última semana participando de um debate com a professora de Filosofia, Marcia Tiburi, sobre autoritarismo e fascismo no século XXI.
Autor do livro “Autoritarismo e golpes na América Latina – Breve ensaio sobre a jurisdição e a exceção”, Pedro Serrano sustenta, em entrevista ao Sul21, que o sistema de justiça está substituindo o papel que os militares desempenhavam na interrupção de democracias na América Latina. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assinala Serrano, fez uma declaração formal da exceção, dizendo que a Lava Jato estava lidando com questões de caráter excepcional e que, portanto, não deveria se submeter às normas gerais, ou seja, à lei e à Constituição. Para o professor da PUC-SP, essa foi uma declaração de suspensão da ordem jurídica em nome do combate a um suposto inimigo. “O que parece estar ocorrendo na América Latina é a substituição da farda pela toga”.
Sul21: Como nasceu a pesquisa que deu origem ao seu mais recente livro, “Autoritarismo e Golpes na América Latina: Breve ensaio sobre a jurisdição e a exceção”?
Pedro Estevam Serrano: O objeto fundamental dessa pesquisa foi identificar como são implementadas, na América Latina, medidas de exceção dentro da democracia. Eu comecei a lidar com o tema do estado de exceção em 2007. Antes disso, já me interessava o tema do Judiciário e da jurisdição em relação a esse tema da exceção. Apesar de vir da área do Direito Constitucional, estou trabalhando hoje, no Mestrado da PUC-SP, com Teoria da Decisão Jurídica. Pesquisando sobre esse tema, deparei-me com a possibilidade de a exceção ocorrer em uma decisão judicial. Neste caso, teríamos uma decisão judicial que, a título de aplicar o Direito, suspenderia o mesmo em nome do combate a um determinado inimigo.
Sul21: Em 2007, você já vislumbrava algum vestígio de medidas de exceção no Brasil?
Pedro Estevam Serrano: Não. Era um interesse mais teórico mesmo relacionado a uma leitura que Agamben e Benjamin fazem do conceito de exceção a partir da obra de Carl Schmitt. Com o surgimento do Estado Moderno, após a Idade Média, e da centralização do poder político no Estado, surge com força o conceito de soberania. Jean Bodin foi o primeiro autor a tratar isso de forma mais articulada e consistente, razão pela qual, muitos o consideram o fundador da ciência política. Bodin entende a soberania como um poder absoluto dos reis, que estabelece uma relação de servidão entre Estado e pessoa, com caráter eterno. A partir das revoluções Francesa e Americana ocorre a secularização do conceito de pessoa. Até então, ela era revestida de um caráter teológico, onde afirmava-se que todos somos filhos do mesmo Pai e, por isso, dotados de uma certa igualdade. As revoluções burguesas secularizam essa noção, trazendo para cada ser humano, pelo simples fato de ser humano, certa proteção jurídico-política, um conjunto de direitos mínimos reconhecidos pelo simples fato de alguém ser humano.
O pensamento autoritário, pré-iluminista, não deixa de existir por conta disso e passa a propor outra forma de soberania absoluta, que consiste em dizer mais ou menos o seguinte: em épocas de paz e tranquilidade, é correto ter esse sistema de direitos como forma de governança social, mas, quando há a ameaça de um inimigo, ou um cataclismo natural, pode ser necessário afastar o Direito para garantir a sobrevivência do Estado e da sociedade. A Constituição de Weimar, de 1919, chamava isso de estado de exceção. Até então, esse tema era pensado principalmente no âmbito da guerra, do conflito entre estados. O inimigo era, fundamentalmente, outro Estado que poderia atacar o meu Estado. Esse elemento está presente em todas as constituições contemporâneas, inclusive a brasileira que prevê estado de sítio e estado de defesa.
Carl Schmitt trouxe essa noção do regime jurídico da guerra para o plano interno, para a relação entre Estado e pessoa, criando essa figura da soberania absoluto a título de atender uma demanda de segurança da sociedade. O Estado nazista acaba se tornando o grande paradigma desse modelo. Hitler assumiu o poder em 1933. Quatro semanas depois, ocorre o incêndio do Reichstag. Hitler acusa os comunistas de ter provocado o incêndio e, para combater esse inimigo, declara o estado de exceção, suspendendo os direitos. É interessante notar que, durante a ditadura hitlerista, a Constituição de Weimar não deixou de vigir. Hitler não negou a Constituição. Ele simplesmente suspendeu seus direitos fundamentais.
Sul21: Isso foi feito por meio de qual instrumento?
Pedro Serrano: Por meio de um ato legal, uma espécie de decreto, aprovado pelo Parlamento. Isso fornece certo paradigma para o que vão ser as ditaduras no século XX. Elas serão governos de exceção, ou seja, ocuparão o poder com uma estrutura de soberania absoluta, numa relação de servidão com a população em geral, suspendendo os direitos de todos, a título de combater o inimigo. Isso foi feito sempre acompanhado do discurso da provisoriedade. A ditadura brasileira e outras ditaduras latino-americanas apresentam, todas elas, esse discurso. Segundo ele, a ditadura duraria pouco tempo, até que o inimigo fosse derrotado. Depois disso, retornaria a normalidade democrática.
Nestes governos de exceção, ocorre a suspensão de direitos, em algum nível, de toda a sociedade. O direito à livre expressão nas ditaduras latino-americanas foi suspenso de plano para toda a sociedade. Se alguém fosse identificado como inimigo, passava a ter o seu direito à integridade física e à própria vida suspenso. O inimigo, neste caso, não era identificado com nenhuma etnia ou num grupo social específico. O comunista podia ser branco, negro, pobre ou rico.
Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, ganhou força a ideia de que era preciso ter um discurso universal democrático. A esquerda passou a adotar a democracia como um valor estratégico e a direita conservadora também passou a ter um discurso democrático. Segundo a linha de pensamento desenvolvida por Agamben, a partir daí, ao invés de termos governos de exceção, passamos a ter medidas de exceção no interior da democracia. Um exemplo disso é o Patriot Act, aprovado nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. É uma lei que autoriza o uso da tortura, que suspende, portanto, todo o direito à integridade física, para combater um inimigo muito bem localizado numa etnia e numa religião: a muçulmana. A sociedade como um todo manteve o uso de seus direitos. Em um primeiro momento, a medida de exceção atingiu mais especificamente um grupo da sociedade. Depois passou a atingir outros setores também. O mesmo se deu com as leis antiterroristas na Europa.
Então, no interior de regimes democráticos ocidentais passaram a ocorrer medidas de exceção. Aqui na América Latina, a conclusão a que cheguei a partir da pesquisa que realizei em Honduras, Paraguai e na Venezuela é que o agente da exceção – aquele que a sociedade, ou aquilo que chamo de ralé, atribui a função de instaurar a exceção – é o sistema de justiça, ou direta ou indiretamente apoiando alguma medida do parlamento. Essas medidas de exceção têm sido produzidas em dois sentidos: interromper a democracia em alguns países e, em outros, manter um sistema de justiça voltado ao combate a um determinado inimigo, que é apresentado como bandido. A figura do bandido, em geral, é identificada com a pobreza.
Isso faz com que tenhamos um estado de exceção permanente, vivendo em conjunto com o estado democrático de direito, que governa os territórios ocupados pela pobreza através de, no caso brasileiro, uma força de ocupação territorial que é a PM. A PM não é uma polícia. Ela é armada e estruturada como uma força de ocupação territorial. Você vai em qualquer região de periferia de uma grande cidade e tem a sensação de estar em um território ocupado onde não se pode mais circular em determinados horários e onde há restrições ao livre pensamento em determinadas situações. Se você é suspeito, pode ser torturado e morto. Em resumo, é um território onde toda a população que vive nele está sujeita a uma exceção permanente.
Agora, mesmo nos territórios governados pelo Estado de Direito, o que tem se observado na América Latina é a produção de medidas de exceção para perseguir oponentes políticos, o que se aplica também a Venezuela.
Sul21: Na sua avaliação, esse é um fenômeno novo ou é a expressão de uma tendência mais antiga na América Latina? A relação do Judiciário brasileiro com o golpe de 1964 não guarda semelhança com o que estamos ver acontecer agora?
Pedro Serrano: A figura da medida de exceção é antiga, não só na América Latina, como na história humana. A presença desse tipo de medidas em regimes democráticos não é nova. O que ocorre hoje é que ela passa a ser estruturante, passa a ser um modo para produzir autoritarismos na democracia. O Judiciário sempre teve um papel conservador, exercendo uma certa tutela dos interesses das elites em praticamente todos os países do mundo. O que é interessante, no caso da América Latina, é que ele passa a ter um papel novo na sua história, assumindo a condição de uma espécie de poder moderador, um controlador da democracia para garantir que ela não extravase seus limites. Esse tipo de mecanismo de controle sempre existiu na história humana.
A Constituição não nasce com a ideia que temos dela hoje, como um documento que traz o que há de melhor numa sociedade estabelecido na forma de direitos. As constituições americana e francesa foram formas de controle dos avanços da revolução. Logo que ocorreu a independência dos Estados Unidos, houve a produção de legislações em seus estados membros, antigas colônias, em benefício de pequenos produtores, pequenos agricultores, devedores. A elite americana entrou em pânico e produz uma Constituição pra conter esse ímpeto e centralizar mais o poder. Na França foi pior ainda. Só podia votar quem tivesse patrimônio ou renda. Acho que é por isso que Marx vai falar na democracia burguesa. Era isso mesmo. A classe trabalhadora não votava.
Hoje nós temos a introdução de algumas medidas concretas como forma de contenção da democracia na América Latina, amparadas pelo Judiciário ou praticadas por ele. Em Honduras, em 2009, a decisão de afastar o presidente Manuel Zelaya foi do Judiciário. O presidente foi afastado do cargo por uma ordem judicial, mas essa ordem foi executada pelo Exército e não pela Polícia como deveria ser. Como se tratava de uma ordem liminar, eles deveria ter apresentado o preso ao juiz. Ao invés disso, as forças armadas expulsaram Zelaya do país, contrariando um dispositivo expresso da Constituição que proíbe a expulsão de hondurenhos do país e impedindo o direito de defesa dele. Essas medidas são tão agressivas à Constituição que, depois que o mandato de Zelaya acaba, a Suprema Corte reconhece a ilegalidade e anula aquela ordem. Mas aí já tinha terminado o mandato.
No Paraguai, em 2012, a situação chega a ser pior. Quando da cassação do presidente Fernando Lugo, foram dadas duas horas aos advogados para conhecerem os documentos, a acusação e produzirem a defesa, algo materialmente impossível de se fazer. Os advogados foram à sala constitucional da Suprema Corte e obtiveram a seguinte resposta: como o processo de impeachment não é um processo criminal, Lugo não teria os mesmos direitos de defesa de um processo criminal. O impeachment seria semelhante a um processo administrativo. Eu pesquisei qual o processo administrativo mais simples no Paraguai. É a multa de trânsito. No caso de receber uma multa no Paraguai, você tem direito a 5 dias de defesa e de dez dias de recurso. Ou seja, é mais fácil você se defender de uma multa de trânsito lá do que defender um mandato popular.
Sul21: Naquela época, você imaginou que algo semelhante poderia ocorrer aqui no Brasil?
Pedro Serrano: Não, eu nem imaginava na época que iria acontecer o que aconteceu no Brasil. O que eu observei nestes fenômenos que ocorreram em Honduras e no Paraguai, medidas de exceção produzidas pelo Judiciário que se dão por meio de uma fraude. A fraude é uma ilegalidade com a roupagem de uma coisa legal. Há uma fraude democrática. A título de cumprir a Constituição e de realizar a democracia, o Judiciário e o Parlamento rompem com a Constituição e interrompem o ciclo democrático, suspendendo um direito fundamental da sociedade que é o direito à democracia. Assistimos ao uso do processo judicial, não com a finalidade de aplicar a ordem jurídica e o Direito Penal, mas sim de produzir efeitos políticos. É um processo penal de exceção, que busca combater o inimigo, desumanizando este com um rótulo e suspendendo os seus direitos como pessoa, impedindo que se defenda plenamente.
Então, o que temos no Brasil e na América Latina de um modo geral é a existência de um estado de exceção que governa com violência os territórios ocupados pela pobreza, amparado em um sistema de justiça que não pune os crimes cometidos contra os cidadãos. Só se fala de impunidade quando o crime é contra o Estado. E temos também o uso do Judiciário como instrumento de legitimação de processos de impeachment e de perseguição de adversários políticos. Na Argentina, conseguiram derrubar os índices de apoio a presidenta Cristina Kirchner por conta de problemas com o Judiciário. São medidas de exceção no interior de estados democráticos que governam os territórios dos incluídos. Não dá para falar hoje em dia que Lula é um excluído, mas ele representa a imagem dos excluídos na hipótese paranoica das elites.
Há uma conjuntura mais ampla que favorece esse tipo de postura. Ela se aproveita de um conforto histórico, pois, hoje, no mundo inteiro, há um crescimento de uma jurisprudência punitivista. Uma boa parte da esquerda, aliás, embarca nessa onda, sem ter consciência do que está fazendo. É uma jurisprudência fascista, suspensiva dos direitos das pessoas e que acredita no Direito Penal como a solução para todos os problemas, como um substituto das políticas públicas. Essa visão enxerga no Direito Penal uma capacidade de governo. Isso vem ocorrendo praticamente no mundo inteiro. É um retrocesso em relação aos avanços dos últimos duzentos anos no campo dos direitos fundamentais.
Sul21: Recentemente, um desembargador da Justiça Federal do Rio Grande do Sul justificou atitudes polêmicas e mesmo ilegais do juiz Sérgio Moro dizendo que ele está lidando com uma situação excepcional que também exigem medidas excepcionais. Essa parece ser uma defesa explícita do estado de exceção, não?
Pedro Serrano: Sim. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região tomou essa posição, citando uma decisão do Supremo que tratava de medidas de exceção e que cita Agamben. Na verdade, cita um trecho que Agamben que descreve o pensamento de Carl Schmitt, como se ele estivesse endossando tal pensamento, quando, na verdade, está criticando. O TRF4 fez uma declaração formal da exceção, dizendo que a Lava Jato estava lidando com questões de caráter excepcional e que, portanto, não deveria se submeter às normas gerais, ou seja, à lei e à Constituição. Ou seja, uma declaração de suspensão da ordem jurídica em nome do combate ao inimigo. O que parece estar ocorrendo na América Latina é uma substituição da farda pela toga. Esse estamento representado pelas carreiras públicas que compõem o sistema de justiça traz um pouco daquela imagem que os militares tinham, uma imagem de pureza, de ausência das impurezas da política, esse tipo de visão de mundo que habita a mentalidade daquilo que Hannah Arendt chamava de ralé.
Esse conceito de ralé é interessante. Em seu livro “As origens do totalitarismo”, Hannah Arendt tenta entender como o nazismo acabou tomando conta da Alemanha. Ela cria o conceito de ralé como substituto de povo. Um povo não é um mero aglomerado de pessoas em um regime democrático, mas sim um monte de gente que partilha uma certa visão de sociedade e certos valores. Em um regime democrático, a sociedade é um ente dividido, frágil e conflitivo, que resolve seus conflitos por mecanismos pacíficos, por meio da Política e do Direito. Já a ralé se reúne em torno de um líder ou de um estamento carismático e tem uma noção de dever ser, uma noção corretiva da sociedade. A sociedade deve ser pura e unida, não deve ter conflitos, mas sim ordem. Acho que no Brasil, hoje, o sistema de justiça ocupa essa função do líder carismático, chamando a ralé às ruas. A ralé clama por essa figura.
Sul21: No caso brasileiro, essa ralé está representada na classe média?
Pedro Serrano: Hannah Arendt não trata a ralé como um conceito econômico, como uma categoria restrita a uma classe social. Na verdade, a ralé é composta por gente de todos os setores sociais, ricos, pobres e classe média. Aqui no Brasil, provavelmente, há uma maior presença das classes médias, mas ela não exclui a presença de pobres e de ricos. Ela parece povo, mas não é. Tem uma visão de mundo autoritária, incompatível com a democracia. É uma base social essencial para existir a exceção. Uma característica dos estados de exceção no século XX é que eles sempre tiveram uma forte base social, como foram os casos do nazismo, do fascismo e de várias ditaduras latino-americanas.
No Brasil, essa ralé quer o Judiciário não como produtor de justiça ou aplicador de direitos, mas sim como combatente do crime e fonte da ordem. Essa vontade cria o ambiente para o surgimento de juízes que agem como promotores e para a violação de direitos fundamentais.
Sul21: Como você definiria a atuação do juiz Sérgio Moro?
Pedro Serrano: Acho que a crítica não deve ser feita individualmente a ele. Nós temos uma jurisprudência punitivista, que ocorre no mundo inteiro. É uma jurisprudência fascista que tem como paradigma o estado de exceção e o campo de concentração, não a pólis. Na América Latina, essa jurisprudência passou a desempenhar uma função predominantemente política, muito além da esfera judicial, uma verdadeira governança social, influenciando a economia e todos os ambientes da vida. Moro é um dos agentes desse processo. A maioria do Judiciário e do Ministério Público adere a essa visão. Acham que Direito Penal é uma forma de política pública, uma forma de governar a sociedade, o que é um equívoco.


O Juizeco
Sul21: Na sua opinião, esse espírito punitivista já estava presente na Constituinte que deu origem à Constituição de 1988?
Pedro Serrano: Esse é um processo complexo. Na década de 1980, nós tivemos o surgimento de uma esquerda punitivista na América Latina. Era uma esquerda que tinha sido afastada do poder e do processo político democrático. Quando retorna a esse processo, vem com uma visão ingênua e também influenciada por uma linhagem de pensamento autoritária que, na minha opinião, tomou conta da esquerda no século XX. Essa esquerda entendia o tema dos direitos humanos como uma agenda burguesa e não como uma conquista da humanidade. Isso levou a esquerda a aderir a certos modelos punitivistas. Nós tivemos um exemplo disso aqui no Rio Grande do Sul, há alguns dias, quando uma liderança do PSOL enalteceu a Lava Jato. A defesa dos direitos humanos e dos direitos fundamentais exige a construção de uma subjetividade especial. Você tem que aprender a defender os direitos humanos do teu inimigo. São os direitos dele que é preciso defender, mais do que tudo. Defender os direitos do amigo é fácil. Parte significativa da esquerda ainda resiste a aderir a essa visão. Na Venezuela, por exemplo, o uso do sistema de justiça para aplicar medidas de exceção em processos judiciais é intenso. Temos um sistema de justiça usado para perseguir determinados agentes políticos.
Na verdade, esse debate sobre a exceção questiona tanto a direita como a esquerda, ou uma parte desta ao menos. A crítica ao estado de exceção é uma reflexão de esquerda, sem dúvida, mas ela traz uma carga de reflexão para uma parte significativa da esquerda também que ainda não consegue ver os direitos humanos como uma conquista humana e não da burguesia.
Sul21: Nós tivemos na semana que passou a prisão de Eduardo Cunha, que tem o potencial de aumentar a instabilidade do governo Temer e do sistema político brasileiro como um todo. Qual o cenário de futuro que vislumbra, considerando o atual estágio da conjuntura?
Pedro Serrano: É difícil fazer previsões no atual cenário. Agamben diz que, na exceção, o paradigma da pólis desaparece e surge o paradigma do campo de concentração. Não é que as pessoas estejam vivendo em um campo de concentração, se bem que se considerarmos as cadeias brasileiras a diferença não é tão brutal assim. A ideia que ele passar aqui é que, no modelo do campo de concentração, as pessoas estão desprovidas de qualquer segurança jurídica, não tem sequer nome, sendo identificadas por um número e estão sujeitas à imprevisibilidade constante quanto à própria existência. A característica da exceção é ser imprevisível. Você pode fazer tentativas de previsão, mas são apenas tentativas.
Eu creio que saímos de uma situação na sociedade brasileira onde certos crimes não eram punidos e hoje a sua punição é usada como justificativa para realizar operações políticas, indo muito além da atividade de punir crimes. Até esse modelo se esgotar, a tendência dele é se expandir, atingindo a vida de muito mais gente do que está posto hoje. A questão não é o Lula só, mas sim o que vem depois do Lula. Nós teremos um processo penal de exceção. Isso vai virar um hábito na sociedade brasileira. Já está sendo construída legislação para isso como as tais propostas contra a corrupção. Parte da esquerda não deve ter a ilusão de que, tratando os ricos com a exceção, isso vai de alguma forma beneficiar os pobres. Defender isso é defender a universalização da injustiça. Ao invés de universalizar os direitos fundamentais, estamos universalizando a injustiça que atinge a população pobre. Isso só piora a situação do pobre que vai enfrentar um tratamento ainda mais punitivista e violento.
A grande ilusão da direita é achar que do autoritarismo extremo vem a ordem. A história mostra que do autoritarismo extremo vem o caos. Creio que só esses elementos de caos, que o autoritarismo traz, é que vão fazê-lo ceder. Na hora em que a sociedade sentir os elementos caóticos que vão surgir na vida econômica, política e social, ela vai começar a reagir. Mas até isso ocorrer, creio que haverá um movimento expansivo da exceção.
Sul21: O que achou das justificativas para a prisão de Eduardo Cunha?
Pedro Serrano: Muito fracas. Os argumentos estão baseados em condutas que ele teria supostamente adotado no passado. Mas a característica dessa visão punitivista é banalizar a prisão preventiva. Nós temos a quarta maior população aprisionada do mundo, com pouco mais de 600 mil prisioneiros. Destes, mais de 40% estão presos sem sentença de primeiro grau. Como Cunha e outros, estão presos preventivamente com o agravante que muitos deles não têm sequer direito de defesa.
Essa onda punitivista começou a ganhar força na década de 70 com o discurso de Nixon, de combate às drogas e outras questões. Na década de 80, os Estados Unidos começaram a implementar uma política de encarceramento em massa. Em uma década, o país saltou de duzentos e poucos mil aprisionados para mais de dois milhões. No começo, essa política tinha como alvos centrais os negros e os latino-americanos. Surgiram negócios em torno disso com a privatização de presídios. Com o 11 de setembro, esse processo se politiza e torna-se política de exceção. Com o atentado contra as torres gêmeas essa política punitivista sofreu uma incrível expansão, chegando aqui no Brasil de uma forma torta, transformando-se em uma força de organização política e de governança social.
No Brasil, essa jurisprudência punitivista foi tomando conta do nosso Judiciário já há algum tempo, de uma forma silenciosa e sem debate. Foi acontecendo. A partir do caso do “mensalão”, ela adquiriu um papel político e visibilidade. O combate que quem defende os direitos humanos deve fazer não é contra a figura do Moro, mas sim contra uma onda autoritária que tem o estado de exceção como paradigma e que tem tomado conta a jurisprudência mundial. Os países que estão convivendo há mais tempo com isso já estão refletindo. Clinton aprovou a lei que deu mais base para o encarceramento em massa. Hoje, ele se arrepende disso e reconhece que errou, assinalando que o custo desse encarceramento para a sociedade não compensa.
 Sul21: Essa visão punitivista é hegemônica também dentro do STF?
Pedro Serrano: Não era. Se pegarmos a história pessoal da maioria dos ministros, veremos que eram garantistas e não punitivistas. A mídia, que tem um papel fundamental na formação da ralé, tem grande responsabilidade pela mudança que ocorreu no STF e levou vários ministros a reverem suas posições. Faz parte dessa onda punitivista um certo macarthismo social e isso acaba atingindo os juízes também.
Sul21: Na sua avaliação, qual a capacidade de resistência social a essa onda conservadora punitivista?
Pedro Serrano: Estou num momento muito caído em relação a isso. Quando eu escrevi o livro, que é produto de uma tese de pós-doutorado que apresentei em Lisboa, eu achava que a sociedade brasileira era mais complexa que a de Honduras e Paraguai e que aqui a resistência democrática seria mais forte. Não foi. A minha visão hoje é meio pessimista, mas talvez se deva a essa expectativa que eu tinha e não foi atendida. Hoje vemos a retomada do poder pelas elites em todos os ambientes sociais.
Sul21: Qual sua opinião sobre as dez medidas contra a corrupção que estão sendo propostas pelo Ministério Público Federal?
Pedro Serrano: Há uma pequena parte dessa proposta que é boa e tem coisas úteis. Mas a maioria delas é degradante da condição humana. O criminalista Alberto Toron disse que elas representam um retorno ao Estado Novo. É mais ou menos isso. É o retorno a um Estado autoritário no âmbito da justiça penal, algo incompatível com a democracia e com o Estado democrático de direito. Não se acaba com a corrupção através de lei penal. Corrupção é macrocriminalidade e isso não pode ser combatido só com Direito Penal. Macrocriminalidade é um processo complexo que se combate com política pública e com mudança cultural.