sábado, 27 de julho de 2013

POR QUE ALCKMIN É TÃO BLINDADO PELA MÍDIA?


Nas duas últimas semanas, a revista Istoé dedicou capas ao escândalo do metrô de São Paulo. Na 
primeira, obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou como era paga a 
propina nos governos tucanos. Na mais recente, revela o superfaturamento de R$ 425 milhões. 
Sabe quantos segundos esse assunto mereceu no Jornal Nacional? Ou quantas linhas ganhou no 
Estado de S. Paulo ou mesmo na Folha, a primeira a revelar o caso Siemens? Zero. Por que 
será? 

247 - Duas semanas atrás, no dia 14 de julho, a Folha de S. Paulo revelou ao País o chamado "caso Siemens". De acordo com a reportagem, a empresa denunciou um cartel na venda de equipamentos ao metrô, do qual ela própria fazia parte, e aceitou um acordo de delação premiada, para reduzir suas penalidades (leia mais aqui).
Nos dias que se seguiram, a Folha, curiosamente, tirou seu time de campo e praticamente não voltou ao assunto.
No fim de semana passado, a revista Istoé, da Editora Três, dedicou sua primeira capa ao tema. A publicação obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou até o nome da empresa que recolhia a propina, chamada MGE, que dizia agir em nome dos governos tucanos (leia aqui).
A contrapartida da propina, naturalmente, era a possibilidade de vender os equipamentos a um preço mais alto. Neste fim de semana, a nova capa de Istoé sobre o tema aponta superfaturamentos de até R$ 425 milhões no metrô de São Paulo (o suficiente para vários mensalões) (leia aqui).
Dito isso, algumas questões intrigantes:
1) por que a Folha não voltou ao assunto?
2) por que jornais concorrentes, como Estado ou Globo, não decidiram apurar o caso Siemens?
3) por que o Jornal Nacional não dedicou nenhum mísero segundo ao tema?
Cada veículo de comunicação adota seus próprios critérios. Mas o fato é que Geraldo Alckmin, ao menos junto à chamada "grande imprensa", conseguiu se blindar. 
Por que será?
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Massacre no Egito em mais um confronto entre exército e partidários do ex-presidente Mursi



Dezenas de partidários do presidente deposto Mohamed Mursi foram mortos em confrontos com forças de segurança na capital, Cairo, após uma noite de protestos em massa.
O número de mortos exato no sábado (27) não estava claro, mas um correspondente da Al Jazeera informou que o Ministério da Saúde acredita em 60 até o momento, com base no número de corpos recebidos no necrotério, enquanto os médicos no hospital de campo em Nasr City, onde os apoiadores da Mursi estavam reunidos há um mês, falam em 120.
Se esse número se confirmar, será o pior incidente desde que Mursi foi derrubado pelo exército, há mais de três semanas.
Em 8 de julho, 53 pessoas, na sua maioria simpatizantes de Mursi, morreram quando homens armados abriram fogo perto de um complexo da Guarda Republicana.
O gabinete do Procurador-Geral anunciou no sábado que iria lançar uma investigação sobre a violência.
Em coletiva de imprensa, o ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, acusou a Irmandade Muçulmana de provocar a violência a fim de ganhar a simpatia do público.
Ele negou que a polícia usou armas de fogo contra os civis, mas disse que os policiais foram alvejados por manifestantes. “Um grande número de policiais sofreu ferimentos”, disse ele.
“A atmosfera é muito, muito tensa”, disse Hoda Abdel Hamidela, da Al Jazeera. O chefe do Exército, general Abdel Fattah al-Sisi, havia convocado a população para uma demonstração em massa na sexta-feira contra o que chamou de “terrorismo”.
Mursi, acusado de assassinato e outros crimes, está a caminho da mesma prisão de Hosn
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POR QUE A GLOBO CAPTUROU O PAPA


A Globo é a elite. E a Igreja está dentro dela(s)


O Bonner vai espargir essência de rosas no cenário, logo antes do jornal nacional.
Os homossexuais serão banidos da novela das oito.
O Boninho vai exigir recolocação do hímen das participantes do BBB, se necessário.
No refeitório está proibido servir cabelo de anjo.
O Na Moral do Bial vai substituir o tema da legalização da maconha por “as virtudes da monogamia” – com o mesmo entrevistado, o FHC.
As assistentes de palco do Faustão passarão a trajar o vestido da Cassia Kiss num dos Passos da Paixão.
As “meninas do Jô” terão que se confessar a ele, de público.
E um dos filhos do Roberto Marinho – talvez o primogênito – se recolherá, para sempre, a um convento em Capri.
Todas essas considerações se devem ao fenômeno da cobertura da Globo à visita do Papa.
Nem a TV do Vaticano seria capaz de tal proeza.
A Globo chegou ao extremo de dedicar ao Papa o mesmo tratamento que dedicou à doença infantil do transportismo, de forma a transformar o movimento numa tentativa de Golpe de Estado .
Por que a Globo chegou a essa devoção avassaladora ?
Horas e horas de cobertura, sem encaixe comercial.
Dedicação exclusiva dos telejornais (sic).
O que deu na Globo ?
Converteu-se à Virtude ?
Botou Fé no Papa ?
E logo agora que é cercada pela Receita Federal e pelo ECAD ?
Aqui vão algumas explicações que não se comparam às dos “analistas do Papa” que a Globo exibiu nessa Olimpíada Papalina.
Não eram tantos quanto os “analistas de tabela” que a Globo usa para confirmar o placar dos jogos que exibe, com exclusividade.
A Globo, primeiro, precisa se aproximar do “jovem”.
Afinal, trata-se de uma Jornada da Juventude.
E, como se sabe, os jovens até 24 anos não assistem mais ao principal produto da Globo – a novela.
(Muito menos o que vem entre duas, o jn…)
Portanto, a simples passagem do tempo desmontará o “business plan” da Globo.
A Globo precisa demonstrar agilidade, capacidade de sair às ruas, se aproximar do espectador.
É o que está implícito na nova estratégia: detonar dinheiro para fazer coberturas ao vivo e mostrar que a Patricia Poeta é capaz de vestir uma capa Burberry na praia de Copacabana …
Sim, perto do povo, mas nem tanto …
A Globo precisa exibir seus microfones com logotipo, nas ruas.
E entre cristãos não precisaria encapuzá-los.
A Globo precisa se associar a uma ideia vencedora: a vinda do Papa.
E espinafrar os administradores públicos, com a anuência do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que, como o Governador, governa para a colona do Ancelmo.
(O Prefeito fez o serviço da Globo, ao dar “nota zero” à administração da Jornada: era o que a Globo queria ouvir.
O Papa é uma gracinha, mas o Brasil, uma m…)
A Globo precisa mostrar que é um dos pilares do Establishment, que é da elite, da Big House que governa.
E a Igreja é o Establishment no Brasil, por mais que o Papa seja um renovador, como diz o Mino .
A Globo é papalina.
E assim pretende se distinguir, se apartar dos evangélicos, os emergentes, os que ameaçam a já combalida hegemonia da Globo, quer dizer, da Igreja.
Há muito tempo a Igreja brasileira se desligou dos pobres.
Mesmo que Francisco queira ler o livro do Boff e não queimá-lo, os pontificados de João Paulo II e Bento XVI fizeram um estrago irremediável na Igreja progressista latino-americana.
Com o apoio irrestrito da Globo e seus cardeais.
Agora, a Globo pretende se associar ao progressismo – ainda por afirmar-se – de Francisco.
Mas, de uma forma que ela própria possa conduzir e interpretar.
Como fez com os ingênuos e espertos, esses que o professor Wanderley chama de niilistas.
Quando a Ilze Scamparini voltar a Roma – e o Papa a seguir -, a Globo vai dizer aos otários o que o Papa disse.
Por exemplo, vai dizer que quando ele fala em corrupção significa “Dirceu”.
Porque o propinoduto, a Privataria e a fraude na Receita não são propriamente “corrupção”, mas uma interpretação peculiar da Lei.
O progressismo do Papa ainda está provar-se.
O farisaísmo da Globo, não.
Prova-se a cada dia.
Com odor de rosas.
Em tempo: esse Bessinha …Vai ser excomungado !
Em tempo2: a audiência do Papa no horário nobre fez a alegria dos concorrentes da Globo …

Paulo Henrique Amorim
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A DELTA - PARAZINHO, PRESENTEIA SANTARÉM


Helenilson Pontes entregou em Santarém hoje mais viaturas para a PM e o CPCRC. 

Deu na Agencia Pará

No total, a Polícia Militar de Santarém recebeu 14 novos carros para patrulha, modelo Palio Weekend, 1.6, com direção hidráulica e ar-condicionado.
O Centro de Perícias Cientificas, que atende a região, incorporou à sua frota três novas caminhonetes.
Helenilson Pontes agradeceu ressaltou a dedicação da tropa da PM.
"A tropa da Polícia Militar de todos os municípios sempre está empenhada e dedicada a fazer a segurança da população", disse o vice-governador.

No BLOG DA PERERECA

Há algo de muito estranho nas informações do Portal da Transparência do Governo do Estado sobre os pagamentos da Polícia Militar do Pará à Delta Construções, pelo aluguel de viaturas.
De 2011 para cá, quase todas as Notas de Empenho (NEs) se referem ao aluguel de picapes; pouquíssimas, à locação de veículos do tipo passeio, os mais usados pela PM.
Há Nota de Empenho de mais de R$ 1 milhão que não informa nem mesmo o número de carros alugados.
E há Nota de Empenho que refere quantidades tão grandes de veículos locados que é quase impossível que sejam reais.
Pior: em uma dessas notas, a soma das Ordens Bancárias (o documento que atesta a liberação do dinheiro) é o dobro do valor empenhado para o pagamento do serviço.
Quer dizer: das duas, uma.
Ou as informações do Portal sobre os pagamentos da PM à Delta estão incorretas (e, por conseguinte, não valem rigorosamente nada, o que afronta a Lei da Transparência); ou há algo mais nessa história do que imagina o distinto público.
Pagamento em dobro?
Veja-se o exemplo da Nota de Empenho 01955, quitada em agosto de 2012.
Ela se refere ao aluguel de 25 picapes, no valor total de R$ 34.468,10.
No entanto, para o pagamento dessa despesa foram emitidas 3 Ordens Bancárias nesse valor (R$ 34.468,10).
E como apenas uma das Ordens Bancárias foi anulada, o total pago ficou em R$ 68.936,20 – ou o dobro do empenhado.
LEIA MAIS
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"Dilma perdeu popularidade, mas não a eleição"


“Afirmação é da jornalista Maria Inês Nassif, dos sites GGN e Carta Maior, que acredita que a 
presidente "não foi derrotada pelas ruas". Em sua avaliação, "se aliados de conveniência 
querem pular fora já, podem estar cometendo um grande erro".

Leia abaixo seu artigo, publicado no Jornal GGN

As manifestações de julho deixaram como saldo uma alta queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff. Mas daí a tratá-la como derrotada em 2014 vai uma enorme distância. Dilma ganharia a eleição no primeiro turno, antes de julho. Após julho, leva no segundo turno. 
A situação política da candidata do PT, mesmo agravada por uma onda difusa de insatisfações, ainda é a de franca favorita.
Até as manifestações, Dilma se constituiu num fenômeno atípico de popularidade para uma petista. Tinha índices pouco menores que o do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, quando este saiu do governo, mas curiosamente estavam espalhados por todas as faixas de renda, escolaridade e regiões do país. 
Ao longo de seu governo, o presidente mais popular da história do Brasil – mas que ainda assim ganhou um segundo mandato sendo obrigado a disputar o segundo turno – tinha simpatias concentradas na população de mais baixa renda. 
A partir de sua primeira eleição para a Presidência, em 2002, Lula transitou sua popularidade das faixas de mais para menos escolaridade também, em função das políticas sociais de seu governo, e deslocou o seu eleitorado do Sul e Sudeste para o Norte e Nordeste, regiões mais pobres do país. A partir do chamado escândalo do Mensalão, em 2005, perdeu massa eleitoral no Sul e Sudeste, que se tornaram redutos de votos mais conservadores. O Sudeste, hoje, é o grande suporte eleitoral do PSDB, principal partido de oposição.
Até o final do ano passado, Dilma conseguiu aumentar a sua popularidade para além da de Lula e para mais do que o PT costuma dispor em véspera de eleição. Alcançou um eleitor que o petismo deixou de dispor a partir do primeiro governo de Lula: com mais renda, mais escolarizado e morador de Estados mais ricos da Federação. 
Esse eleitorado mais expandido de Dilma, em relação ao de Lula e do PT, foi atraído pelo fato de a presidente ser mais distante do PT do que Lula, e pelo fato de ter assumido de forma mais visível para o público uma ação anticorrupção, com a demissão pronta de ministros denunciados pela grande mídia. No seu primeiro ano de governo, vitimou todos os ministros que foram objeto de denúncias pela mídia tradicional.
No primeiro ano de governo, portanto, Dilma conseguiu responder de forma mais eficiente que Lula ou o PT a um movimento de opinião pública alimentado pela mídia, pelos partidos de oposição e pela própria forma como o PT se comportou em relação aos dois primeiros – desde então, o partido se encolhe diante de qualquer acusação, referendando pela omissão à afirmação de que tem uma natureza eminentemente corrupta. 
Em pesquisas feitas no começo do ano, no quesito intolerância com a corrupção, Dilma superava Lula e o PT de longe. Pode-se dizer que o eleitor fiel do PT e de Lula os considerava pouco rigorosos em relação à corrupção e até os perdoava, por considerarem que o governo de Lula trouxe outros benefícios mais tangíveis. 
Dilma era vista como apartada dessa realidade, uma governante que veio depois e não tinha nada a ver com a história que, há dez anos, persegue o partido como um fantasma ressuscitado pela Justiça e pelos meios de comunicação nas vésperas de todas as eleições. 
Como o PT tem vencido todas, desde então, persiste no erro de considerar que a repetição do mantra PT-Lula-Mensalão-corrupção não interfere sobre o voto e nem tem o poder de contaminação sobre outras classes sociais que não as conservadoras, as mais sensíveis a uma ofensiva udenista que mistura discurso anticorrupção com a aversão à ascensão social das classes que estão na base da pirâmide social.
O fato é que o saldo das eleições municipais foi bom para o PT, apesar do julgamento do Mensalão. Mas, como era de se esperar, a decisão do calendário de julgamento produziu o seu saldo político. Ao final dele, o circo midiático montado dentro do Supremo Tribunal Federal conseguiu colar ainda mais o Mensalão em Lula e Dilma. 
O espetáculo proporcionado pelos ministros do Supremo, que jogaram réus aos leões em um julgamento cheio de falhas, teve um efeito contaminador da opinião pública que coroou a campanha sistemática da mídia e dos partidos de oposição nos últimos oito anos. O STF foi mais eficientemente politicamente do que os próprios partidos políticos de oposição.
A isso se somou uma grande queda nas expectativas da economia. As pesquisas de popularidade de Dilma antes das manifestações de julho são interessantes. A grande maioria dos entrevistados tem emprego e não tem receio de perdê-lo; não existe um alto grau de endividamento de suas famílias; e existe um reconhecimento de que a vida deles melhorou nos últimos anos. A expectativa em relação ao futuro e à renda, todavia, vem se deteriorando. 
Ou seja, os entrevistados reduziram suas expectativas em relação ao futuro não porque suas vidas pioraram, mas porque acham que podem piorar. Parece mais uma ansiedade em relação às interpretações da mídia sobre a economia – em especial a Rede Globo, que continua a mais assistida no país – do que propriamente uma situação que interferiu no bem-estar deles. Em relação à classe média tradicional, todavia, existe um certo "achatamento" salarial e de expectativas – essas faixas da população não tiveram qualquer aceno de ascensão financeira nos últimos governos. A renda da classe média tradicional foi congelada na última década.
Esse conjunto de fatores, potencializado pelas manifestações de julho, acabou trazendo Dilma para uma realidade que foi a de todo candidato petista antes das eleições. Dilma incorporou faixas de rejeição tradicionais ao PT e a Lula: de renda alta e escolaridade alta e de regiões mais conservadoras. Lula, em 2006, viveu a mesma situação, disputou um segundo turno e venceu.
Nada indica que Dilma tenha condições mais desfavoráveis do que Lula – pelo menos não neste momento. Os programas sociais que elegeram Lula para um segundo mandato foram aprofundados em seu governo. 
O processo de desgaste que atingiu todo o quadro partidário neste mês de julho manteve a reserva de mercado de votos do PT, em torno de 25%, índice do qual parte qualquer candidato seu. A candidata que aparece em segundo lugar nas pesquisas de hoje, com chances de ameaçar sua vitória, é Marina Silva, que sequer um partido constituído tem. 
Marina herdou, aparentemente, os votos de maior renda e mais escolaridade que Dilma perdeu nos últimos meses, mas bandeiras mais progressistas de direitos civis, que atraem essas camadas que são conservadoras em outras áreas da política, terão pouco trânsito na campanha da candidata. Existe uma dificuldade intransponível para uma pessoa convictamente evangélica transitar temas como casamento de homossexuais, aborto ou pesquisas com células-tronco, por exemplo.
Dilma, enfim, não foi derrotada pelas ruas. Se aliados de conveniência querem pular fora já, podem estar cometendo um grande erro. A melhor forma de avaliar isso é: se não for Dilma a vitoriosa, quem vai ser? A resposta a essa pergunta mostra que a vida dos outros candidatos é muito mais difícil que a da presidente da República.”
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Gurgel e o caso do presidente do STJ que demitiu um estagiário


O procurador-geral da República escreveu uma das páginas mais vergonhosas do judiciário 
brasileiro. Segundo Gurgel, o juiz tirou o crachá do estagiário educadamente

Uma das páginas mais vergonhosas da história jurídica brasileira foi escrita ontem pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Gurgel pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do processo movido em Brasília em outubro de 2010 por Marco Paulo dos Santos contra o juiz Ari Pargendler, então presidente do STJ.
Marco era estagiário do STJ. No dia 19 de outubro de 2010, ele esperava para sacar dinheiro num dos caixas eletrônicos localizados no STJ.
Pargendler fazia uma operação no mesmo local. O estagiário contou que estava atrás da faixa pintada no chão, que estabelecia a distância entre um usuário e outro.
O relato foi confirmado por duas testemunhas.
Segundo Marco, que é evangélico, Pargendler lhe disse: ”Quer sair daqui que eu estou fazendo uma transação pessoal?” Marco afirma ter respondido: “Senhor, eu estou atrás da faixa de espera”.
Sempre segundo Marco, o ministro disse para ele se dirigir a outro caixa. Mas somente naquele caixa ele podia fazer a operação desejada.
Aí veio a pior parte.
“Eu sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido”, disse o magistrado. O estagiário contou que Pargendler perguntou o nome dele e arrancou o crachá que estava em seu pescoço.
Essa história ficou associada inapelavelmente à biografia de Pargendler. Você põe seu nome no Google e lá vem o caso.
Mas, juridicamente, não deu em nada. Evangélico, Marco comentou a interminável demora com que o processo se moveu da seguinte forma: “Isso está nas mãos de Deus.”
Houve racismo? Você deduz. Marco é negro.

Pargendler e seu infame caso

Logo depois o caso foi encaminhado à Procuradoria Geral, e entraria em cena Gurgel.
De acordo com seu parecer, Pargendler puxou o crachá apenas para ver o nome do estagiário.
“Pelo que se extrai das declarações do noticiante (o estagiário), a conduta do magistrado de puxar o crachá em seu pescoço não teve por objetivo feri-lo ou humilhá-lo, mas apenas o de conhecer a sua identificação”, afirmou Gurgel num parecer encaminhado ao Supremo nesta quinta-feira.
Para Gurgel, Pargendler não ofendeu o estagiário. “No caso, do próprio relato feito pelo noticiante não se extrai da conduta do magistrado a intenção de ofendê-lo de qualquer modo, tendo agido movido pelo sentimento de que o noticiante encontrava-se excessivamente próximo, não mantendo a distância necessária à preservação do sigilo da operação bancária que realizava”, escreveu Gurgel. Para ele, o fato de Pargendler ter demitido o estagiário em razão do episódio “não alcança relevância penal”.
O processo estava com Gurgel desde dezembro de 2010 sem que ele fizesse nada. Havia câmeras de segurança próximas ao caixa, que poderiam ajudar a esclarecer o incidente, mas as imagens não foram requisitadas.
Parjendler não desrespeitou apenas o estagiário. Insultou o Código de Ética dos Magistrados.
Veja o que dizem os artigos 15 e 16 do código: “A integridade de conduta do magistrado fora do âmbito estrito da atividade jurisdicional contribui para uma fundada confiança dos cidadãos na judicatura.”
“O magistrado deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral.”
Dignificar a função.
Bem, pausa para riso.
O processo ainda será examinado pelo STF, mas o arquivamento é dado como certo.
Pargendler se aposentou em agosto de 2012.
Ao presidir pela última vez uma sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, ele foi homenageado.
O decano da corte, ministro Cesar Asfor Rocha, falou em nome dos demais ministros.
“Vossa excelência, ao seu modo e do seu jeito, com os recursos da sua inventividade e do seu talento, criou e manteve entre nós o clima que nos propiciou o desenvolvimento equilibrado dos trabalhos da Corte”, disse ele.
O advogado Gerardo Grossi também cumprimentou, da tribuna, o ministro. “Vossa Excelência deixará sua marca perene neste tribunal. Um magistrado sempre cordial, alerta e cioso”, disse.
Este é o nosso Judiciário.
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Edir Macedo vira banqueiro, diz Forbes


edirO fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, além de empresário do ramo das comunicações (a igreja é proprietária da Rede Record) também se tornou banqueiro, de acordo com informações da revista americana Forbes publicadas nesta semana.
Macedo comprou 49% do Banco Renner em uma operação que começou em 2009 e foi confirmada pelo Banco Central (BC) do Brasil, diz a publicação.
O banco foi fundado em 1981 pela mesma família que controlava as Lojas Renner, antes da venda para JC Penney. Em março de 2013, o Banco Renner tinha ativos totais de R$ 614 milhões, segundo o site do BC, que lista os 50 principais bancos do País.
Conforme a Forbes, não há detalhes sobre o quanto foi pago por Macedo para o banco de capital fechado com sede em Porto Alegre. A aquisição foi concluída por meio de uma empresa chamada BA Empreendimentos e Participações Ltda, que é controlada pela empresa de mídia que tem Macedo como seu maior acionista, com uma participação de 90%. Os outros 10% pertencem á mulher de Macedo, Esther Eunice Rangel Bezerra. Representantes do Banco Renner e de Macedo não responderam aos pedidos da Forbes para comentar o assunto.
A transação, que estava sob análise das autoridades responsáveis e só recentemente recebeu o sinal verde da presidente Dilma Rousseff, levantou algumas questões incomuns pelo fato de Macedo e sua esposa, que são brasileiros, terem sido considerados como investidores estrangeiros pelo BC.
Isso ocorreu porque os dois moram nos Estados Unidos, segundo a publicação.
Outro problema apontado foi a falta de experiência da dupla no setor bancário, uma vez que reguladores bancários brasileiros exigem licença técnica para os interessados em investir no mercado financeiro do País.
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PROPINODUTO TUCANO SUMIU COM R$ 425 MILHÕES

Na Revista IstoÉ, que já havia denunciado: TRENS E METRÔ SUPERFATURADOS EM 30%

Ao analisar documentos da Siemens, empresa integrante do cartel que drenou recursos do Metrô e trens de São Paulo, o Cade e o MP concluíram que os cofres paulistas foram lesados em pelo menos R$ 425 milhões.

Na última semana, ISTOÉ publicou documentos inéditos e trouxe à tona o depoimento voluntário de um ex-funcionário da multinacional alemã Siemens ao Ministério Público. Segundo as revelações, o esquema montado por empresas da área de transporte sobre trilhos em São Paulo para vencer e lucrar com licitações públicas durante os sucessivos governos do PSDB nos últimos 20 anos contou com a participação de autoridades e servidores públicos e abasteceu um propinoduto milionário que desviou dinheiro das obras para políticos tucanos. 
Toda a documentação, inclusive um relatório do que foi revelado pelo ex-funcionário da empresa alemã, está em poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para quem a Siemens – ré confessa por formação de cartel – vem denunciando desde maio de 2012 as falcatruas no Metrô e nos trens paulistas, em troca de imunidade civil e criminal para si e seus executivos. Até semana passada, porém, não se sabia quão rentável era este cartel.
Ao se aprofundarem, nos últimos dias, na análise da papelada e depoimentos colhidos até agora, integrantes do Cade e do Ministério Público se surpreenderam com a quantidade de irregularidades encontradas nos acordos firmados entre os governos tucanos de São Paulo e as companhias encarregadas da manutenção e aquisição de trens e da construção de linhas do Metrô e de trens. 
Uma das autoridades envolvidas na investigação chegou a se referir ao esquema como uma fabulosa história de achaque aos cofres públicos, num enredo formado por pessoas-chaves da administração – entre eles diretores do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) –, com participação especial de políticos do PSDB, os principais beneficiários da tramoia. Durante a apuração, ficou evidente que o desenlace dessa trama é amargo para os contribuintes paulistas. 
A investigação revela que o cartel superfaturou cada obra em 30%. É o mesmo que dizer que os governantes tucanos jogaram nos trilhos R$ 3 de cada R$ 10 desembolsado com o dinheiro arrecadado dos impostos. Foram analisados 16 contratos correspondentes a seis projetos. De acordo com o MP e o Cade, os prejuízos aos cofres públicos somente nesses negócios chegaram a RS 425,1 milhões. Os valores, dizem fontes ligadas à investigação ouvidas por ISTOÉ, ainda devem se ampliar com o detalhamento de outros certames vencidos em São Paulo pelas empresas integrantes do cartel nesses e em outros projetos.
Entre os contratos em que o Cade detectou flagrante sobrepreço está o de fornecimento e instalação de sistemas para transporte sobre trilhos da fase 1 da Linha 5 Lilás do metrô paulista. A licitação foi vencida pelo consórcio Sistrem, formado pela empresa francesa Alstom, pela alemã Siemens juntamente com a ADtranz (da canadense Bombardier) e a espanhola CAF. 
Os serviços foram orçados em R$ 615 milhões. De acordo com testemunhos oferecidos ao Cade e ao Ministério Público, esse contrato rendeu uma comissão de 7,5% a políticos do PSDB e dirigentes da estatal. Isso significa algo em torno de R$ 46 milhões só em propina. 
“A Alstom coordenou um grande acordo entre várias empresas, possibilitando dessa forma um superfaturamento do projeto”, revelou um funcionário da Siemens ao MP. Antes da licitação, a Alstom, a ADtranz, a CAF, a Siemens, a TTrans e a Mitsui definiram a estratégia para obter o maior lucro possível. As companhias que se associaram para a prática criminosa são as principais detentoras da tecnologia dos serviços contratados.
O responsável por estabelecer o escopo de fornecimento e os preços a serem praticados pelas empresas nesse contrato era o executivo Masao Suzuki, da Mitsui. Sua empresa, no entanto, não foi a principal beneficiária do certame. 
Quem ficou com a maior parte dos valores recebidos no contrato da fase 1 da Linha 5 Lilás do Metrô paulista foi a Alstom, que comandou a ação do cartel durante a licitação. Mas todas as participantes entraram no caixa da propina. 
Cada empresa tinha sua própria forma de pagar a comissão combinada com integrantes do PSDB paulista, segundo relato do delator e ex-funcionário da Siemens revelado por ISTOÉ em sua última edição. 
Nesse contrato específico, a multinacional francesa Alstom e a alemã Siemens recorreram à consultoria dos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira. Documentos apresentados por ISTOÉ na semana passada mostraram que eles operam por meio de duas offshores localizadas no Uruguai, a Leraway Consulting S/A e Gantown Consulting S/A. Para não deixar rastro do suborno, ambos também se valem de contas em bancos na Suíça, de acordo a investigação.(…)
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Passou da hora de desmilitarizar a polícia


Na cabeça da corporação, autoridade é muito mais importante que a legalidade.

Por: José Nabuco Filho

A natureza militar da polícia leva a instituição a valorizar mais a autoridade que a legalidade. Desmilitarizar a polícia é uma medida necessária para torná-la mais democrática e menos abusiva. O que tem acontecido em São Paulo e no Rio de Janeiro é um exemplo dos defeitos crônicos da PM.
A questão posta é se essa é a polícia que queremos em uma democracia.
Catorze homens da Rota foram indiciados por crimes sexuais cometidos em janeiro de 2012, durante a reintegração de posse em Pinheirinho. Duas jovens foram obrigadas a fazer sexo oral em policiais, um adolescente foi empalado com um cabo de vassoura e outro morador submetido a tortura com choques elétricos.
Nas manifestações populares recentes, o que se viu foram vários atos de violência. A bala de borracha foi usada indiscriminadamente (inclusive contra profissionais da imprensa), contrariando a orientação da própria corporação, pessoas que estavam se manifestando pacificamente foram surradas com cassetetes, prisões fragorosamente ilegais foram feitas.
No Rio, vídeos levam à suspeita de que policiais militares à paisana teriam se infiltrado nas manifestações para estimular o conflito. Isso sem falar do caso de Amarildo de Souza, o morador da Rocinha desaparecido após ser levado para uma UPP.
Não se pretende aqui cometer contra um policial suspeito o mesmo vício de não se respeitar sua presunção de inocência. Cada um desses fatos precisa ser apurado e os acusados devem ter direito à defesa. Contudo, é importante analisar a corporação e tentar compreender a razão da frequência de tanta ilegalidade cometido por seus membros.
Insista-se, não são episódios isolados. O que se vê é um histórico de abuso e violência institucional, sobretudo contra os moradores da periferia. O que há de novo com relação às manifestações é que as vítimas são, predominantemente, da classe média, o que gera uma reação mais intensa no noticiário do que os absurdos diários contra os pobres.
A natureza militar estimula esse tipo de comportamento porque ela é baseada no princípio da autoridade. Os policiais cumprem as ordens dadas sem qualquer questionamento, ainda que sejam ilegais. Em outras palavras, a autoridade é mais importante que a legalidade.
Em um dos vídeos divulgados sobre a prisão de um jovem, um recruta dizia que ele seria levado para a delegacia e a única coisa que sabia dizer, para fundamentar aquele desatino, era a de que recebia ordens. Levado ao oficial, o preso questionou se seria ilegal portar vinagre, e a única resposta que recebia era a ordem enérgica para que encostasse na parede. Nenhum argumento. Apenas a ideia de que, se a autoridade mandou, “tá mandado”.
Desmilitarizar a polícia não é uma mágica que resolverá todos os problemas da instituição. Mas uma coisa é certa: manter a natureza militar da polícia é renunciar completamente à possibilidade de uma entidade democrática e legalista.
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COM 18,4 MIL ADESÕES, MAIS MÉDICOS DERRUBA A ELITE MÉDICA


Forte adesão de profissionais corresponde, ainda, a grande demanda entre municípios; 63% das 
cidades brasileiras (3.511) querem o programa; desses, 92% foram de cidades consideradas 
prioritárias; necessidade prevista de 15 mil profissionais é superada pelo número de inscrições; 
ministro da Saúde, Alexandre Padilha celebra: "Não teve nenhuma região com adesão menor 
que 55% de seus municípios"; passeatas contra o programa e ataques de entidades médicas 
perdem para a realidade.

247 - O ministro Alexandre Padilha pode celebrar o resultado do primeiro mês de incrições no programa Mais Médicos. Apesar dos protestos de entidades médicas, o programa recebeu 18.450 inscrições. Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales, 3.511 (63%) municípios se inscreveram no programa que propõe fazer uma melhor distribuição de médicos pelo País. Desses, 92% (1449) foram de municípios considerados prioritários para o programa. A região Norte teve a maior participação de seus municípios (73%).
No primeiro mês de inscrições do Mais Médicos, 15.460 vagas foram solicitadas pelos municípios. Menos do que os 18,4 mil médicos que se inscreveram no programa -- 8 mil deles ainda têm pendências na inscrição e devem solucioná-la até domingo. Do total de 18 mil, 1.920 profissionais possuem registro profissional em outros países. Além disso, 15.327 médicos ainda podem finalizar o cadastro. "Estamos muito satisfeitos com todo o andamento do processo até então", disse o secretário Mozart Sales, destacando que "o Governo Federal está investindo, até 2014, R$ 15 bilhões na expansão e melhora da rede pública de saúde".
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou os números após o primeiro mês de adesão. "Não teve nenhuma região com índice de adesão menor que 55% de seus municípios", destacou Padilha, acrescentando que, no dia 15 de agosto, "reabrimos mais uma vez para a adesão de municípios e médicos que queiram aderir ao programa". Para o ministro, esses "3.511 municípios mostraram que faltam médicos e estão acreditando nessa solução que o governo está dando, que é o Mais Médicos".
Padilha destacou que os médicos brasileiros têm prioridade, mas disse que, tirando o Brasil, Espanha, Argentina e Portugal são os países que mais aderiram ao programa. Os profissionais inscritos têm até domingo para selecionar os municípios onde desejam atuar. Segundo o ministro, "o município está proibido de demitir o profissional que atua hoje na Atenção Básica e substituí-lo pelo Mais Médicos".
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GLOBO MENTE ! CUIDADO COM O PAPA !


Por que a Justiça tarda e falha com a Globo ?

Por: Fernando Brito

Acabo de receber a resposta do pedido que fiz, com base na Lei de Acesso à Informação, à Receita Federal sobre o paradeiro dos processos de sonegação da Rede Globo no caso da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Os processos, como se sabe agora, teriam sido surrupiados pela ex-servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.
A resposta da Receita é insuficiente, mas contradiz, implicitamente, a versão apresentada pela Rede Globo de que teria sido ela a fornecedora das cópias para a reconstituição do processo sumido.
Depois de dizer que não pode dar mais detalhes porque ”a matéria tratada nos aludidos autos é acobertada (Nota do Tijolaço: sim, a palavra é essa, mesmo)por sigilo fiscal, a RFB está impedida de prestar informações adicionais, sob pena de violação do disposto no art. 198, caput, do Código Tributário Nacional”, a Receita afirma, textualmente, com grifos meus:
(…) No entanto, podem ser prestados os seguintes esclarecimentos de ordem geral em relação ao tema:
a) a RFB não trabalha mais com autos de processos administrativos-fiscais em papel, uma vez que os referidos processos passaram a ser eletrônicos, o que significa que não podem ser extraviados ou destruídos;
b) mesmo quando trabalhava com processos em papel, os autos de um processo administrativo-fiscal podiam ser reconstituídos em caso de extravio ou destruição (como em incêndios e inundações)
Compare agora com o que disse a Globo, novamente grifando:
“No dia 21/12/06, a defesa da Globo foi rejeitada pelas autoridades. Alguns dias depois da sessão de julgamento, para sua grande surpresa, foi a Globo informada de que os autos do processo administrativo se extraviaram na Receita Federal. Iniciou-se, então, a restauração dos autos, como ocorre sempre nos casos de extravio de processos. A empresa agiu de forma voluntária, fornecendo às autoridades cópias dos documentos originais, tornando com isso possível a completa restauração e o prosseguimento do processo administrativo. Em 11/10/07, a empresa foi intimada da decisão desfavorável, apresentando recurso em 09/11/07.
Então já se sabia do sumiço do processo “alguns dias” depois da rejeição da defesa e “iniciou-se, então, a restauração dos autos”.
Que bem, já que a Receita diz que os processos são eletrônicos e, mesmo quando não eram, dispunha de tudo para reconstituí-los, quanto tempo isso leva? Porque seria necessário que a Globo desse cópias “tornando com isso possível a completa restauração”?
E por que só no dia 11 de outubro, dez meses depois, a empresa foi intimada da decisão de 21 de dezembro de 2006?
Confirma-se, assim, oficialmente o que esse Tijolaço afirmou: houve um “buraco negro” entre a condenação da Globo e sua intimação que não pode ser justificado pela perda do processo, de tal modo é simples sua reconstituição, como informa a Receita. Buraco quase dez vezes maior que o prazo legal de 30 dias para recorrer, se a notificação não tivesse se dado no tempo normal.
Nem vou falar do fato de o recurso apresentado em novembro de 2007 pela Globo ter ficado sem julgamento por dois anos (!), quando a defesa da autuação feita em 16/10/2006 levou apenas dois meses para ser apreciada e repelida, em 21/12 do mesmo ano!
Estou procurando um advogado para redigir novo pedido de informação à Receita. E esperar – espero que não sentado – que o Ministério Público, que tem poder para investigar e o dever de fazê-lo, explore estas indagações.
O “acobertamento” do sigilo fiscal não pode servir para protelar, injustificadamente, atos de ofício corriqueiros. Não é para crer que haja desídia ou procrastinação com um processo neste valor, já então superior a R$ 615 milhões de reais.
Aliás, a Receita amplia, por sua conta, o que diz o artigo 198 do Código Tributário Nacional.
Primeiro, porque o conteúdo, as informações contidas no processo podem sê-lo, mas não a sua numeração e o seu andamento. As informações são sigilosas, mas o processo é público e sua existência não é nem pode ser secreta. Todo processo administrativo é público e as restrições de acesso não se aplicam a saber de sua existência, seu número e sua localização.
Segundo, porque o mesmo artigo 198 do Código Tributário Nacional, citado na resposta, diz, em seu parágrafo 3°:
§ 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
Ora, um dos processos tratava exatamente de representação fiscal para fins penais, solicitada pelo Auditor Alberto Sodré Zile. Sobre este também pesava decisão do Delegado da Receita e, se foi sustado, precisa ter razões públicas.
Os profissionais da Receita, que merecem o maior crédito, apesar da laranja podre que havia por lá, estão loucos para que um promotor corajoso queira saber o que se passou.
Reproduzo, aqui, em PDF, a resposta integral da Receita, desde já agradecendo a corrigenda na numeração do artigo do Código Penal que trata da supressão de documento público. O número correto é 305, mas o crime é o mesmo.
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Cuba comemora 60 anos do início da revolução


Oito chefes de estado de países latino-americanos acompanham festejo com o presidente cubano, 
Raúl Castro

Opera Mundi

Acompanhado por chefes de Estado de oito países latino-americanos, o presidente de Cuba, Raúl Castro, liderou nesta sexta-feira (26), na cidade de Santiago, um ato em comemoração pelo 60º aniversário do assalto ao quartel Moncada, considerado o início da revolução no país.
Castro, irmão mais novo de Fidel, assumiu o governo do país em 2006 e têm colocado em vigor uma série de reformas sociais e econômicas, dentre elas o relaxamento das restrições para viagens e a abertura limitada para pequenos negócios e cooperativas privadas.
O evento principal de celebração começou às 7h15 locais (8h15 de Brasília) no antigo Quartel Moncada, que em 26 de julho de 1953 foi alvo da primeira, e fracassada, ação armada de Fidel Castro contra o ditador Fulgencio Bastista. Esse levante, que incluiu além disso o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo, e que contou também com a participação do atual presidente, é uma das datas emblemáticas do calendário político cubano ao lado do triunfo revolucionário de 1º de janeiro de 1959, e é celebrado na ilha como o "Dia da Rebeldia Nacional".
Os 60 anos do "26 de julho", como ficou conhecido depois o movimento guerrilheiro de Fidel Castro, reuniu os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro; Bolívia, Evo Morales; Nicarágua, Daniel Ortega; o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño; assim como os primeiros-ministros e líderes de quatro países do Caribe insulano: Antígua e Barbuda, Dominica, São Vicente e Granadinas e Santa Lúcia. Uma das presenças mais simbólicas neste ato é a do presidente do Uruguai, José Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro que passou quatorze anos na prisão durante a ditadura de seu país.
Discursos
Durante seus discursos, os líderes prometeram solidariedade a Cuba, protestaram contra o "imperialismo" estadunidense e o embargo econômico de Washington, que já dura 51 anos, fizeram elogios ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e disseram que a revolução cubana inspirou levantes armados e políticos em seus próprios países.
"As bandeiras da rebelião de Moncada continuam pertinentes", disse Maduro, cujo país fornece bilhões de dólares por ano em petróleo subsidiado para Cuba. "Cuba, Fidel, Raúl, a revolução cubana, inspiram os povos das nossas Américas e do mundo, acendendo a inextinguível chama da revolução", declarou Ortega.
Cerca de 10.000 pessoas, segundo a imprensa oficial cubana, assistiram ao ato realizado no Quartel Moncada.  
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Mick Jagger faz hoje 70 anos. Let’s spend the day together


O rock é cada vez mais uma realidade para todas as idades. Perguntem a Jagger, Cohen, 
Caetano ou Dylan, todos eles septuagenários.

Hoje, sexta-feira, Mick Jagger faz 70 anos. E tem razões para festejar. Ontem ficou a saber-se que Hyde Park Live, o álbum dos Rolling Stones gravado durante os últimos concertos (de 6 e 13 de Julho) no Hyde Park em Londres, alcançou, em apenas 24 horas, o número 1 da lista de discos mais vendidos do iTunes.
Mas as razões para comemorar vão muito além disso. É que aos 70 anos o cantor continua com a voz intacta, e revela uma agilidade em palco notável, sendo sem dúvida o sustentáculo principal do grupo, apesar do protagonismo de Keith Richards.
E mesmo sem novo álbum, os Rolling Stones parecem sedentos de palcos: “Não vejo porque é que não haverá um sexagésimo aniversário” do grupo, afirmou Keith Richards, que em Dezembro também se vai transformar em septuagenário. E não estão sós.
Muitos outros músicos da mesma geração que já ultrapassaram os 70 anos continuam bastante activos. O ano passado Bob Dylan (72 anos) e Leonard Cohen (78 anos) lançaram novos álbuns e andaram em digressão, enquanto Lou Reed (71 anos), John Cale (71 anos), Paul McCartney (71 anos), Aretha Franklyn (71 anos) ou o brasileiro Caetano Veloso (70 anos), que lançou o ano passado o excelente álbum Abraçaço, também não têm parado.
E existe ainda esse fenómeno recente chamado Sixto Rodriguez (71 anos), que no início dos anos 1970 lançou dois álbuns sem nenhuma repercussão – excepto na África do Sul – e que foi recuperado nos últimos tempos, graças ao documentário Searching For Sugarman (2012), andando agora na estrada.
Brian Wilson (71 anos) também não se pode queixar. O fundador dos Beach Boys está a viver uma espécie de novo apogeu, tendo o seu grupo publicado o ano passado um novo álbum de originais.
E o que dizer de pioneiros do rock como Little Richards (80 anos), Jerry Lee Lewis (78 anos) ou Chuck Berry (86 anos) que ainda dão concertos, com muitos netos, na assistência? Quando são músicos do jazz ou da clássica ninguém estranha. A estranheza decorre do facto do rock se ter afirmado com essa ideia de ser a música dos jovens, para os jovens, sobre o que é isso de ser jovem. Ouvimos essa lengalenga tantas vezes que já nem nos interrogamos se é assim. E a verdade é que essa narrativa já perdeu o sentido.
Nada de extraordinário, se pensarmos que o rock, a e a cultura associada, há muito que passaram os 50 anos. E naturalmente, os músicos e os consumidores, e as sucessivas gerações que foram crescendo com o fenómeno, também foram envelhecendo. O que não mudou - contra todos os factos – é essa ideia de que criar e consumir rock é uma forma de expressão própria da juventude.
Mas entre a mitologia e a realidade existe uma diferença enorme. E se existe grupo que o personifica são os Rolling Stones. Longe vão os tempos em que Mick Jagger afirmava que nunca cantaria (I can’t get no) Satisfaction aos 40 anos. Eram os tempos em que criar e consumir rock era afirmar uma certa ideia de rebeldia.
Hoje começa a ser pacífico que o rock é feito e consumido por pessoas das mais diversas idades, como o jazz ou a clássica. Há anos os netos de Mick Jagger ficariam embaraçados ao ver o avô gritar para milhares de pessoas Let’s spend the night together. Hoje limitar-se-ão a sorrir. E não esconderão o orgulho pelo avô.
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Papa Bergoglio: A visita do reformador

João Paulo II também veio ao Brasil, mas papa Francisco toma rumo oposto àquele de Wojtyla.


Há quem diga, com alguma ironia, que o argentino é um italiano que fala espanhol e pensa ser inglês. Deve-se a definição ao fato de que são muitos os argentinos de origem peninsular. O papa Bergoglio é filho de italianos, mas certamente não se imagina inglês.
Quando Francisco foi eleito, não fui solitário ao supor que a escolha de um pontífice sul-americano pudesse indicar a especial preocupação do Vaticano em relação a um subcontinente progressivamente governado por forças esquerdistas, ou tidas como tais. Bergoglio está a revelar outra especial preocupação, especialíssima, a da Igreja Católica em relação a si mesma.
Trata-se, transparentemente, de retomar um caminho abandonado em função de uma ação muito mais política, e de política contingente, do que pastoral. Entendam bem, por favor: sempre me revoltaram certos editoriais dos nossos jornalões que, em tempos ditatoriais, pretendiam calar resistentes do porte de Paulo Evaristo Arns, e de muitos altos prelados brasileiros, inconformados com os desmandos do regime. Da mesma forma, sempre deplorei a igreja que prega a resignação de quem transita pelo vale de lágrimas.
São óbvias, de todo modo, as demandas políticas da chamada opção preferencial pelos pobres, obstadas agressivamente pela casa-grande. E logo me ocorre recordar a visita de João Paulo II ao Brasil de 1979. Wojtyla só pensou e fez política, com a dimensão de pontífice medieval, imponente na determinação autoritária e, fosse o caso, na hipocrisia. Na traição à palavra de Cristo, em proveito de um desenho hegemônico que passava pela derrota final do socialismo real. Feroz, inclusive, no propósito bem-sucedido de acabar de vez com a resistência de batina à ditadura brasileira.
Há quem vislumbre alguma semelhança entre Francisco e João XXIII. Não tenho sabedoria para dissertar no tema. É certo, porém, que os editoriais dos jornalões, não somente os nativos, viam em Roncalli, o campônio de Bergamo, um pontífice perigosamente inclinado à esquerda. Há uma curiosa diferença entre João XXIII e João Paulo II, diz respeito a padre Pio di Pietrelcina, venerado como taumaturgo. 
Wojtyla canonizou Pio em 1999 e o santificou em 2002, enquanto Roncalli, quatro décadas antes, desconfiava do futuro santo, a ponto de determinar uma investigação sobre seus pretensos milagres. Apurou-se que Pio era um embusteiro, capaz de abusar das paroquianas e de provocar em si próprio falsas estigmatas, mãos e pés perfurados pelos cravos da cruz de Cristo, pelo uso de ácidos adquiridos na farmácia.
Têmperas e propósitos opostos. Talvez João Paulo I representasse um risco notável para a igreja pretendida pela Cúria Romana ao ser eleito. Morreu um mês depois, em meio ao sono, de forma misteriosa e, em todo caso, muito mal explicada. Sabe-se que ao deitar tomara uma chávena de chá depois de ler apontamentos sobre as atividades de monsenhor Marcinkus, “banqueiro de Deus” na qualidade de boss do IOR, o Instituto para as Obras da Religião, aprazível recanto financeiro instalado em pleno Vaticano, disposto a dar guarida a dinheiro mafioso. Lavanderia sacra que Bergoglio não aceita e não quer.
Marcinkus, americano de vigoroso aspecto, jogador de tênis e amigo de senhoras esguias, veio ao Brasil em 1979 à testa da comitiva papal e teve papel destacado ao longo da visita. Muitos anos depois, aos 84, morreu como bispo de uma diocese insignificante no interior dos EUA. João Paulo II abandonou-o ao seu destino. Creio que Marcinkus não apreciaria as palavras de Francisco, pronunciadas na quarta-feira passada 24 em Aparecida: “É verdade que hoje mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer”. Francisco traça o perfil de uma humanidade desesperançada. Recomenda, no entanto, o retorno a valores esquecidos, tais como solidariedade, fraternidade, generosidade, sem descurar da alegria.
A presidenta Dilma cuidou de expor, no discurso de acolhida, a sua interpretação das recentes manifestações de rua, que no Rio, aliás, ainda se repetem. É possível que temesse um discurso político do papa, para condenar a desigualdade social. Mas, até quinta 25, Francisco roçou indiretamente a política, nada além disso, e a partir de um enfoque universal, a esclarecer o exemplo buscado do santo poverello d’Assisi, pobrezinho de Assis.
Há situações medievais neste enredo, mas se João Paulo II reeditou o passado, Francisco, o santo, foi de alguma maneira o futuro, como, a seu modo, precursor de Wyclif, de Huss, de Lutero. Desta visita papal emergem duas certezas, sem detrimento de melhores considerações. Primeiro, Bergoglio toma rumo contrário àquele de Wojtyla. Mostra com toda a nitidez estar interessado na restauração da fé em lugar de uma vitória política do momento, no caso a do capitalismo, entendido como o Bem contra o Mal vermelho. Sem esquecer que o empenho a favor dos pobres é a própria busca da igualdade.
A segunda certeza é mais comezinha, de certa forma mais banal: o Brasil, na perspectiva da Copa do Mundo, prova não estar maduro, nos dias de hoje, para ser cenário de eventos grandiosos. Por exemplo, vimos Francisco vítima de congestionamentos de trânsito e desarranjos do metrô que imaginávamos reservados exclusivamente a mortais comuns.
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EUA financiam “protestos de jovens” no mundo inteiro


Espero que após assistir o documentário legendado em português, os brasileiros acordem para a 
possibilidade de sermos vítimas de uma revolução “delivery”, planejada por consultores estrangeiros 
interessados em desestabilizar o país. 

Por Patrícia SemMidia

Tenho falado nisso desde o dia 20 de junho… de lá pra cá tenho pesquisado um pouco… e olha o que eu achei… um doc que fala de uma organização especializada em promover protestos “de esquerda” para desestabilizar sociedades refratárias a globalização. nesse doc ( não é uma teoria the conspiração) mostra que o grupo de jovens que derrubou Melosevic foi cooptado por Washington… a serviço das grandes corporações americanas… vale a pena ver. pena que não está legendado… fiquei estarrecida com o que é revelado eles estão em 37 países e empenhados a criar um clima de constante protesto… de modo a desorganizar economicamente a aí abrir espaço para o poderio estadunidense dominar… e o pior eles se infiltram entre os jovens… programaram um game para ajudar como se faz protestos…. nesse doc há depoimentos de estudantes egípcios, tunisianos denunciando tudo…
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Memórias de um alemão inocente em Guantánamo


Um jovem inocente no lugar errado na hora errada Murat Kurnaz foi uma das vítimas inocentes da ‘guerra ao terror’ dos Estados Unidos.

O texto abaixo foi publicado no site DW.

O cabelo curto, a barba rala e a camisa apertada, que marca o bíceps provavelmente trabalhado em horas de treino na academia, o tornam quase irreconhecível.
O homem que entra andando numa casa de chá turca no norte da Alemanha não lembra em nada aquele que, há sete anos, deixou a prisão de Guantánamo com vastas cabeleira e barba ruivas.
“Simplesmente decidi cortar. Por um monte de razões. Nada demais”, diz.
Murat Kurnaz tergiversa, mas a aparência de certa forma o marcou. Livrar-se do estigma de ex-detento de Guantánamo pode durar décadas. E barba e cabelos longos geram desconfiança, especialmente quando se carrega a pecha de “talibã de Bremen”, dada por tabloide alemães.
“Eu não estive em um presídio comum. Estive em Guantánamo”, ressalta.
Kurnaz se desculpa por chegar meia hora atrasado e se mostra inicialmente na defensiva.
Mas relaxa depois da primeira xícara de chá e passa a conversar com naturalidade no inglês coloquial que aprendeu em seus cinco anos no presídio americano.
Ele demonstra a serenidade de um homem com bem mais que seus 31 anos. Falar com a imprensa não é novidade – diz que já “deu milhares de entrevistas”.
Mas responde pacientemente a cada uma das questões, mesmo às que já ouviu um sem-número de vezes.
Kurnaz é sucinto, mas não evasivo. Passou por tortura, humilhação e isolamento, mas garante que não tem qualquer problema psicológico. Ele parece bem resolvido com o passado, mas não esconde certa insatisfação com o presente.
“Eu trabalho em empregos temporários, não tenho outra escolha”, diz.

A barba ficou para trás para reiniciar a vida

Kurnaz estava no lugar errado na hora errada. Aos 19 anos, decidiu fazer uma peregrinação ao Paquistão para aprofundar os conhecimentos da sua fé, o islamismo.
Era outubro de 2001, e os Estados Unidos tentavam dar uma resposta ao maior atentado terrorista da história.
Sem qualquer acusação, Kurnaz foi capturado por caçadores de recompensas, que o entregaram aos EUA por 3 mil dólares.
Foi então levado a uma prisão americana em Kandahar, no Afeganistão, onde foi submetido a choques elétricos e afogamento simulado.
O então adolescente ficou lá até 2002, quando foi transferido para Guantánamo. No presídio destinado a suspeitos de terrorismo, foi espancado, algemado e confinado numa solitária sob condições extremas.
Kurnaz nasceu e cresceu em Bremen, mas por uma peculiaridade das leis alemãs é considerado cidadão da Turquia, terra de seus pais.
Aparentemente uma burocracia, a situação acabou lhe custando preciosos anos de sua juventude na prisão.
Os americanos não tinham evidências contra ele e estavam preparados para libertá-lo ainda em 2002, mas nem o governo alemão nem o governo turco quiseram assumir a responsabilidade pelo preso.
Kurnaz ficou mais quatro anos na prisão.
Ele só conseguiu deixar o presídio em Cuba após a eleição de Angela Merkel como chanceler federal. Merkel negociou pessoalmente sua libertação com o então presidente George W. Bush.
Mesmo sete anos depois, Kurnaz ainda tenta retomar a vida. A primeira mulher se divorciou dele durante o período de encarceramento. Ele se casou novamente e hoje é um dedicado pai de duas meninas.
Desde sua libertação, em 2006, tem feito trabalhos esporádicos, ensina artes marciais e trabalha com adolescentes com problemas.
Nos últimos meses também tem dedicado parte do seu tempo para promover o filme Fünf Jahre Leben (Cinco anos de vida, em tradução livre do alemão), baseado em sua autobiografia sobre os anos que passou em Guantánamo.
“Ele voltou para uma vida regular, normal, e ao mesmo tempo nunca esqueceu o que aconteceu em Guantánamo”, diz Bernhard Docke, seu advogado. “Ele se tornou uma espécie de sobrevivente com culpa, que se sente responsável por aqueles que deixou para trás.”
Além de entrevistas e promoções de marketing, Kurnaz faz discursos de engajamento em nome de grupos de direitos humanos na Alemanha e no exterior.
Ele diz que não esquece os antigos companheiros de prisão e tenta apoiar todos os tipos de organizações de direitos humanos: “Sei o que eles fizeram por mim quando estive em Guantánamo.”
Kurnaz estava na mesma situação da maioria dos 166 presidiários que ainda permanecem em Guantánamo.
Mais da metade já poderiam ser soltos, mas ainda aguardam em um limbo até que seus países de origem ofereçam as garantias de segurança exigidas pelos Estados Unidos para deixá-los ir.
Quando presidiário, também participou de uma greve de fome, como a feita atualmente por detentos em protesto contra violações de direitos humanos em Guantánamo.
A greve entra em seu quinto mês e já mostra sinais de enfraquecimento, embora a alimentação forçada continue durante o mês sagrado o ramadã, quando muçulmanos fazem jejum do nascer ao pôr do sol.
Em maio passado, Barack Obama foi eleito para um novo mandato à frente da Casa Branca e renovou a promessa de desativar Guantánamo – foi quando a greve de fome atingiu um ponto crítico.
Para Kurnaz, apenas uma pequena parte dos presos em Guantánamo são terroristas realmente perigosos e, por isso, deveriam ser transferidos para uma prisão de segurança máxima nos EUA.
Os demais, afirma, poderiam ir para casa ou para um terceiro país.
“Se a Europa pegasse alguns deles, isso faria as coisas mais fáceis”, diz Kurnaz, que não acredita em uma verdadeira vontade política para fechar a prisão. “Obama disse que quer fechar Guantánamo antes das eleições. Agora, cinco anos depois, ele ainda não fechou o presídio. Se ele quisesse, já poderia ter feito isso.”
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Médico que diz que estrangeiros são enganação tem dois filhos “importados” de Cuba

Paulo de Argollo Mendes está no poder há 15 anos. Recentemente reeleito para mais um mandato como presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, o triênio 2013-2015.

Por Conceição Lemes, a partir da dica do leitor Marcus Vinícius Simioni

Quem passa pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) nem precisa perguntar qual a posição da entidade sobre a “importação” de médicos estrangeiros.
O banner cobrindo praticamente toda a frente do edifício-sede sede, em Porto Alegre, fala por si só.
Com 15 mil associados — apenas estão fora da base Santa Maria, Rio Grande, Novo Hamburgo e Caxias –, seu presidente é o médico Paulo de Argollo Mendes. Há 15 anos no poder, ele reeleito para mais um mandato, o triênio 2013-2015.
“Acordo ‘demagógico’ e ‘ideológico’’, classificou Argollo em 7 de maio, dia seguinte à revelação do ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, de que o governo brasileiro negociava um pacto para trazer 6 mil médicos cubanos.
Em entrevista ao Viomundo, Argollo reforça: “Nós somos frontalmente contrários à vinda médicos estrangeiros, é enganação, pura demagogia. Se um médico estrangeiro cometer eventual barbaridade, quem vai pagar? É uma insegurança absoluta para o próprio paciente”.
Ele acrescenta: “O governo quer trazer médicos pela porta dos fundos, dispensando o Revalida [ Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos]. Eu fico achando que eles são incompetentes, pois se não fossem, o governo não evitava o Revalida. São médicos de segunda classe para tratar pacientes de segunda, porque é assim que o governo enxerga os pacientes do SUS”.
Felizmente, em tempos de internet, as máscaras caem muito rápido.
O presidente do Simers tem dois filhos médicos: Paulo Clemente de Argollo Mendes e Marco Antônio de Argollo Mendes. De 1997 a 2004, cursaram medicina no Instituto Superior de Ciências Médicas de Camagüey, em Cuba.
Naquela época, papai Argollo derretia-se em elogios a Cuba e à medicina cubana.

Documentos como o acima, obtidos pela Renovação Médica, possibilitaram a inscrição no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), de dezenas de médicos cubanos, sem prova de revalidação.
Em 2005, os filhos de Argollo formados em Cuba, em ações separadas, entraram na Justiça contra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, porque a UFRGS se recusou a validar automaticamente o diploma de médico de ambos.
Pleitos: registro automático do diploma independentemente do processo de revalidação e indenização de R$ 20 mil a título de danos morais sofridos. Na época, não existia ainda o Revalida. Cada universidade federal fazia a sua própria validação.
– Não é contrassenso o senhor execrar a “importação” de médicos, já que seus filhos estudaram em Cuba, entraram na Justiça para não fazer a revalidação do diploma no Brasil e ainda cobraram da Universidade Federal do Rio Grande do Sul R$ 20 mil por danos morais? – esta repórter questionou-lhe.
“Não”, diz candidamente Argollo. “Primeiro, porque eles validaram o diploma se eu não me engano em Fortaleza; foi a primeira universidade federal que abriu inscrição. Segundo, quando foram para Cuba, havia um acordo bilateral entre Brasil e Cuba para revalidação automática de diplomas. Enquanto eles estavam lá, o governo Fernando Henrique revogou esse convênio. Então, eles tinham o direito adquirido.”
Realmente, Brasil e Cuba eram signatários de um acordo, cujos Estados-Parte assumiram o compromisso de registro automático dos diplomas emitidos pelas instituições de ensino superior. No Brasil, a decisão foi promulgada pelo decreto presidencial nº 80.419, de 27 de setembro de 1977.
Porém, em 15 de janeiro de 1998, o Brasil comunicou à Unesco o término do pacto, que foi extinto exatamente um ano depois. Em 30 de março de 1999, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) revogou o decreto nº 80.419/77.
Reiteradas decisões da Justiça Federal (AQUI, AQUI e AQUI) negaram os pleitos dos irmãos Argollo; a um deles o juiz determinou ainda o pagamento das custas e honorários advocatícios da outra parte. Alguns trechos delas:
A colação de grau do autor ocorreu em 2004 (fl. 31), ou seja, em momento posterior à revogação do Decreto Presidencial nº 80.419/77, de modo que inexiste direito adquirido ao registro do diploma independentemente de processo de revalidação.
…como, no caso, o demandante não possuía, ao tempo da edição do Decreto nº 3.007/99, o diploma expedido pela universidade estrangeira, não há como pretender valer-se das disposições da convenção internacional para eximir-se do cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação pátria.
…
Resolução nº 1, de 28 de Janeiro de 2002, a realização de avaliação é necessária para verificar o real preparo do estrangeiro. Nesse sentido, deve o autor prestar a referida avaliação para obter a revalidação de seu diploma.
Conclusão: os filhos de Argollo são médicos ” importados” de Cuba e tentaram entrar pela porta dos fundos, já que não queriam validar o diploma no Brasil.
Será que, em função disso, a priori, os filhos mereceriam ser tachados de incompetentes e médicos de segunda classe, como o pai-sindicalista tenta carimbar hoje os “estrangeiros”?
Argollo, relembramos, acusou ainda o anunciado acordo Brasil-Cuba de ser “ideológico”.
Então, será que quando os filhos estudaram no Instituto Superior de Ciências Médicas de Camagüey, ele não sabia que o regime político de Cuba é o comunismo? Ou será que foi enganado pela propaganda vermelha?
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MARINA FALA EM RETROCESSO AMBIENTAL NO BRASIL


Para ex-senadora e presidenciável pelo Rede Sustentabilidade, enquanto China, EUA e Europa 
aumentam debate sobre emissão de gases nocivos para o meio ambiente, governo brasileiro 
prepara-se para um leilão de energia daqui a um mês e inclui as termelétricas a carvão. 

ENERGIA DO ERRO

Por Marina Silva

China e EUA, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, divulgaram nas últimas semanas amplo plano de ação para reduzir suas emissões, incluindo aumento da eficiência energética, desenvolvimento de redes elétricas inteligentes e forte incentivo às fontes alternativas e renováveis.
Quase ao mesmo tempo, o Banco Europeu de Investimento decidiu não mais financiar usinas movidas a carvão. Os gigantes da poluição mundial começam a fazer inflexão na trajetória, para se alinhar na luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.
No Brasil, o avanço é o do retrocesso. O governo prepara-se para um leilão de energia daqui a um mês e inclui as termelétricas a carvão, agora não mais na condição de reservas acionadas em caso de emergência, mas como parte do que chama de energia de base no "planejamento estratégico".
As emissões de carbono diminuíram no Brasil nos últimos anos graças, exclusivamente, ao plano de combate ao desmatamento, que iniciamos há quase dez anos, e já dá sinais de esgotamento devido à má gestão, à falta de atenção às demandas da sociedade e dos movimentos socioambientais e aos retrocessos na mudança do Código Florestal.
Em todos os outros setores, a emissão de gases-estufa aumentou. No setor elétrico, atingiu 28 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, um aumento de 132% em relação ao mesmo período de 2012, que já era maior que a do ano anterior.
No ano que vem, o Brasil sediará uma conferência internacional sobre adaptação às mudanças climáticas e poderá repetir o fiasco da Rio+20, com palavreado evasivo para esconder o retrocesso na prática.
Talvez os psicanalistas expliquem a resistência do governo a todas as alternativas para aproveitar com inteligência os abundantes recursos naturais e redirecionar o desenvolvimento do país para um padrão de baixo carbono, adaptado às novas condições globais.
Uma explicação puramente econômica não resiste à análise. O modelo atual acumula crises, agora com ameaças de retorno da inflação e do desemprego. A opção pelas termelétricas não ajuda nesse contexto, pois é mais cara que a eólica e não aponta para um posicionamento do país em relação às tendências tecnológicas.
Colocado em posição de liderança pela riqueza ambiental e pela diversidade criativa de seu povo, o Brasil recua e se coloca a reboque dos países que mais emitem gases-estufa, entregando-lhes a responsabilidade de encontrar soluções para uma crise que é de todos.
A produção de energia está submetida, hoje, a esse equívoco estratégico. Estamos comprometendo nosso futuro com opções energéticas do passado, em vez de abraçar as oportunidades e potenciais que temos pela frente.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Morre o artista argentino que irritou o futuro papa Francisco


Nacho Lemus

O artista e provocador León Ferrari morreu nesta quinta-feira (25), aos 92 anos, em Buenos Aires, na Argentina. Suas obras, conhecidas em todo o mundo pelas críticas à religião, às guerras e à ditadura militar no país, foram apresentadas no MOMA, em Nova York, no Museu Rainha Sofía, em Madri, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Suas pesquisas sobre a atuação da ditadura militar na Argentina (1976-1983) e obras provocadoras fizeram com que viesse, como exilado, para São Paulo em 1976, onde, soube do desaparecimento de seu filho Ariel na Argentina.
As obras de Ferrari denunciaram a cumplicidade da Igreja Católica com os militares argentinos para silenciar crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura, e até profetizaram a proclamação de Bergoglio como papa, quando comparou a relação entre as autoridades religiosas e a Junta Militar argentina com a de Adolf Hitler com o papa Pio 12.
Em 2007, Ferrari foi eleito o melhor artista da Bienal de Arte de Veneza. Ao ser exposta no Centro Cultural Recoleta de Buenos Aires, a exposição sofreu várias ameaças de bomba. Várias obras foram destruídas por grupos ultracatólicos.
Segundo a curadora Andrea Giunta, nessa ação contra a obra de Ferrari “os mais ativos foram o cardeal Jorge Bergoglio e o La Nación”, jornal argentino que publicou uma carta de Bergoglio na qual o então padre denunciava: “Me dirijo a vocês muito machucado pela blasfêmia perpetrada no Centro Cultural Recoleta por uma exposição de artes plásticas. É uma pena que esse evento seja realizado em um centro cultural sustentado com o dinheiro que o povo cristão e pessoas de boa vontade pagam com seus impostos”.
Apesar das tentativas do padre Bergoglio, protestos contra a censura das obras, e a consequente determinação da justiça argentina, fizeram com que a exposição continuasse, atingindo 70 mil pessoas.
Veja algumas obras polêmicas de Ferrari:



JATENE BARRA ARTISTAS FECHANDO O PORTÃO DE ESPAÇO PÚBLICO EM BELÉM



O Segundo ato público dos artistas paraenses que começou às 10h , no Parque da Residência, já reúne cerca de 100 artistas. No momento, eles fazem uma apresentação com roda de carimbo, em frente à Secult.
A Polícia Militar e Rotam acompanham a manifestação, e as portas do Parque da Residência permanecem fechadas, não permitindo a entrada dos artistas no espaço público. Até o momento nenhum representante da Secult se prontificou em dialogar com os manifestantes.
(Blog do Alemão)
Em entrevista coletiva, concedida na tarde desta quinta-feira (25), Nilson Chaves, presidente da Fundação Tancredo Neves (Centur), garantiu que o atual secretário estadual de cultura, Paulo Chaves, continua a frente da Secult. Nilson justificou que concedeu a entrevista no lugar de Paulo Chaves por estar mais próximo da categoria.
A entrevista ocorreu em caráter de urgência após uma manhã de protestos organizados por artistas, em Belém, reivindicando dentre várias questões a saída de Paulo Chaves da Secult e a democratização da cultura paraense.
O presidente pediu ainda que os artistas elaborassem um documento com as demandas, e reiterou que cerca de R$ 50 milhões já foram repassados para a área no atual governo. Além disso, anunciou a criação de um Fundo Estadual de Cultura, dentro de 15 dias.
Inconformados com a atual situação da cultura no Pará, um grupo de artistas ocupou, no início do mês, o palco do Teatro Margarida Schiwazzapa, no Centur, durante apresentação da Mostra Terruá Pará de Música, pedindo que os investimentos se estendessem a todos. 
 (DOL com informações de Denilson D'almeida/Diário do Pará)
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