sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A SORDIDA E O SORDIDO

Saiu na Folha, pág. E16, artigo de Contardo Calligaris, de título “Lembranças de César Benjamin”

A moral do artigo está na frase: “… a boçalidade não é uma prerrogativa de classe”.
Ou seja, até os proletários do Partido Comunista Italiano – onde militaram Berlinguer, Togliatti e Gramsci, uns beócios, como se sabe – , diz no notável colonista, são capazes de uma boçalidade.
Quanto mais um nordestino, “analfabeto”, sem um dedo …
O bom da Folha é que ela tem coerência, desde os tempos em que “Seu Frias” emprestava o jornal dele para dizer que o Bacuri morreu numa tentativa de fuga.
Ela insiste: ela é sórdida.
Clique aqui para ler “A Folha quer calar o blogueiro ?”

Paulo Henrique Amorim
Em tempo: a certa altura, o notável colonista da Folha diz que “foi a última vez que frequentei a célula de um partido político”. Não faz a menor falta… O notável colonista compartilha com o patrão, o Otavinho, aquele nihilismo-hermético que sublima o pós-fascismo.

Em tempo2:
amigo navegante telefona para dizer que o Globo de hoje publica artigo sórdido sobre o mesmo tema. Pondero que este do Globo não tem importância. Trata-se de uma daquelas deidades provinciais de São Paulo. O da Folha, não. Tem reputação inter-planetária.
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Lula sanciona lei que cria Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas (Lei 12.014/09). A sanção está publicada no Diário Oficial da União e ocorre no momento em que representantes de diversos países discutem as transformações no clima na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague (Dinamarca).
O fundo busca assegurar recursos para projetos e ações que contribuam para a mitigação da mudança do clima e à adaptação a seus efeitos.
O texto da lei determina que o fundo ficará vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e será administrado por um comitê formado por representantes do governo federal e da sociedade civil.
Os recursos do Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima, sob a forma de empréstimo ou apoio não reembolsável, poderão ser aplicados na análise de impactos, projetos de redução de gases de efeito estufa e na formulação de políticas públicas, entre outros.
De acordo com informações do Ministério do Meio Ambientes, dos 10% destinados ao ministério pela Lei nº 9.478, que regula a cadeia produtiva do petróleo, 6% irão para o novo fundo.
Ele será formado ainda por recursos de fontes como o orçamento da União, doações e empréstimos de entidades nacionais e internacionais, públicas e privadas. O agente financeiro será o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).”
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ALAGÃO DO ZÉ PEDÁGIO

Depois que José Serra assumiu a prefeitura de São Paulo, em 2005, a cada vez que a cidade alaga a mídia põe a culpa em São Pedro.
Desde aquele ano, o que se apressam em divulgar quando o caos pluvial se instala é quão atípica foi a chuva, como se só tivesse acontecido a desgraça por um capricho da natureza.

Até 2004 era diferente.
Em 7 Dezembro daquele ano, a poucas semanas da posse do então prefeito eleito da capital Paulista, choveu muito mais em São Paulo, mas, à diferença do que todos estão vendo nos meios de comunicação, eles culparam a então prefeita Marta Suplicy pela tragédia.

Mas agora? Cobrança ao prefeito? Zero. Cobrança do governador? Zero vezes zero.
Uma vergonha!!!
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A FORÇA DE ARRUDA

Não é só panetone não! Por esse natal Arruda não deixou de dispensar sua cavalaria.
Não é pouco por um "morto vivo" como o ex governador Arruda.

"O confronto entre a Polícia Militar e os manifestantes que realizaram uma passeata hoje no centro de Brasília pedindo a renúncia do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), terminou com três prisões e ao menos oito feridos.
A Polícia Militar concedeu entrevista coletiva no início da noite de hoje e confirmou que dez pessoas foram detidas e três presas.
Eles foram conduzidos para a 5ª Delegacia de Polícia sob acusação de desacato, mas já teriam sido liberadas."
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Relatório da OIT diz que Brasil tem 2,6 milhões de empregos verdes

“O Brasil já tem 2,6 milhões de empregos verdes e a transição para uma economia que leve a menores emissões de gases de efeito estufa pode aumentar a criação desses postos de trabalho, segundo o relatório Empregos Verdes no Brasil: Quantos São, Onde Estão e Como Evoluirão nos Próximos Anos, que será lançado hoje (9) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O levantamento considera verdes os postos de trabalho em atividades econômicas quer contribuem para a redução de emissões e para a melhoria da qualidade ambiental. Em 2008, o total de empregos verdes no país – 2.653.059 – representava 6,73% do total de postos de trabalho formais.
A conta da OIT considerou dados da Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego, e agregou os empregos verdes em seis categorias: produção e manejo florestal; geração e distribuição de energias renováveis; saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais; manutenção, reparação e recuperação de produtos e materiais; transportes coletivos alternativos ao rodoviário e aeroviário; e telecomunicações e teleatendimento.”
Matéria Completa,Aqui
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CHARGE

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MAIS ASFALTO NO MAPIRI

Mais quatro vias do Mapiri já foram asfaltadas: Borges Leal, São Sebastião, Mapiri e 13 de Maio.
Outra obra que foi retomada no bairro foi a de construção da passarela de 500 metros que ligará o bairro do Mapiri ao bairro do Maracanã. O trabalho está em fase de colocação de vigas longarinas e do piso. Após essa etapa será realizada a iluminação da passarela.
As obras do PAC são executadas com recursos do governo federal, com contrapartida da prefeitura municipal.
Esgotamento Sanitário – O PAC/Esgoto continua executando os serviços de assentamento da rede de esgoto no bairro do Caranazal. Hoje, os serviços acontecem na Coaracy Nunes, entre a rodovia Santarém-Cuiabá e a Travessa Frei Ambrósio, e na Avenida Plácido de Castro, entre as Travessas Luis Barbosa e Frei Ambrósio.
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“Alagão do Serra” a nova “sensação”

DO BLOG DO AZENHA

Camiseta “Alagão do Serra”, a nova “sensação”


O leitor Pedro Alexandre, da Freguesia do Ó, tinha planejado lançar o modelito somente 2010.
Mas, atendendo os pedidos dos moradores do mais “submerso” dos bairros paulistanos, teve de apresentá-lo às pressas hoje.
Com vocês, em primeiríssima mão, a camiseta que será a “sensação” deste final de ano em São Paulo.


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Alagão: jornal nacional e Ali Camel blindam Zé Pedagio. É um efeito sem causa.

O casal Homer: o importante é o que eles Não dizem

O jornal nacional abriu com uma reportagem sobre moradores de São Paulo irresponsáveis.
No lugar de morar nos Jardins ou no Morumbi preferem irresponsavelmente morar em áreas de risco.
Uma reportagem de Ernesto Paglia, como sempre muito bem feita, mostra que Zé Pedágio provocou uma queda entre 30 e 35% no comércio popular de São Paulo.
O jornal da Band, o do SBT e o da Record mostraram o que Ali Camel (*) omitiu: a falta de obras ou as obras criminosas como as novas pistas das avenidas que circundam os rios Tietê e Pinheiros.
O jornal nacional escondeu o Zé Pedágio e o poste que ele colocou para dirigir São Paulo.
O jornal nacional e Ali Camel(*) deram ao alagão um tratamento de um efeito sem causa.
Ou seja, a Fox News brasileira protegeu o Zé Pedágio.

Paulo Henrique Amorim


(*) Ali Camel é aquele que se utiliza da Globo para povoar mentes desérticas e disseminar idéias conservadoras e golpistas (sem muito sucesso).

Leia também:

Alagão em São Paulo.
O Serra fugiu e pôs a culpa na chuva !
Chuíça(*): o alagão do Serra. Chuva provoca o caos. Cadê ele ?

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NASCE A REDE DE SOLIDARIEDADE E PROTEÇÃO À BLOGOSFERA

O editor da revista Fórum, Renato Rovai, articulou a iniciativa de se criar uma rede de solidariedade aos blogueiros contra o poder de intimidação e censura que o Partido da imprensa Golpista usa para tentar censurar aqueles que ousam incomodá-lo.
Sou francamente favorável a essa ideia e já vinha há tempos alertando as pessoas sobre esse perigo.
Somos meros Davids bem intencionados enfrentando um bando selvagem de Golias sem qualquer escrúpulos.
Lembre-se que a Folha de S.Paulo, por exemplo, não apenas apoiou a ditadura cívico-militar por 21 anos no Brasil, como também cedeu apoio logístico para as sessões de tortura praticadas contra jovens, mulheres, crianças e idosos durante todo aquele período dantesco.
E os donos dessa mídia são os mesmos, ou seja, se chegaram até ao ponto de apoiar torturas e assassinatos, obviamente não pensarão duas vezes se tiveram que intimidar algum blogueiro utilizando o tremendo poder económico que possuem.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

RELAXE E GOZE

EVERY TIME YOU GO AWAY - PAUL YOUNG

ELEIÇÕES NA BOLIVIA. EVO SHOW, 63%!!

Com uma oposição profundamente enfraquecida e sua conexão visceral com a maioria indígena -- que representa mais de 60% da população -- Evo Morales é provavelmente o mais forte líder nacional em décadas.
Ele venceu facilmente a reforma constitucional deste ano que deu a Morales o direito de concorrer a um novo mandato de cinco anos.
Agora as pesquisas mostram Evo e seus apoiadores bem adiante na eleição de domingo. Está próximo de obter sólidas maiorias legislativas que dariam a ele o poder de moldar a nação como o primeiro presidente indígena.

A oposição conservadora boliviana parece ter aprendido alguma coisa desde sua tentativa de golpe em agosto de 2008. Seus candidatos não esperaram para reconhecer a derrota acachapante para o o governo popular de Evo Morales. Culparam sua própria divisão pela derrota e prometeram fazer uma "oposição construtiva" e "responsável".

O principal opositor de Evo, candidato do Plano Progresso para a Bolívia-Convergência Nacional (PPB-CN), o ex-governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, contentou-se com as projeções de boca-de-urna para se declarar derrotado.
Derrotado por quase 40 pontos percentuais, Reyes Villa lamentou a "fragmentação de uma oposição que não entendeu a necessidade de unidade", e onde os interesses pessoais "sobressaíram" em relação ao interesse do país.
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CHARGE

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

LULA SUPERSTAR

Da série: A estrela Brasil brilha.
Imprensa alemã diz que Lula é ’superstar’

Marcio Damasceno
De Berlim para a BBC Brasil

Jornais alemães tratam Lula como estrela da política internacional
No primeiro dia de sua viagem à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi tratado como estrela da política internacional em reportagens na imprensa local.
O prestigioso jornal Süddeutsche Zeitung se referiu a Lula como “superstar” em uma reportagem que afirma que o Brasil é festejado sob seu governo, como se só agora o país tivesse sido descoberto pelo resto do mundo.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091203_lulaalemanha_md_ac.shtml

No Brasil, o PiG o trata como se fosse um personagem de comercial para vender papel higiênico, ou personagem de um artigo sórdido de um ex-militante petista.
O veículo, nos dois casos, foi a Folha.

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SANTARÉM, SÃO SEBASTIÃO É IMPRIMADA PARA RECEBER ASFALTO

Mais uma via em Santarém contemplada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está sendo preparada para receber asfalto.
Desta vez é a Avenida São Sebastião, no Mapiri, no trecho entre a Rodovia Santarém-Cuiabá e a Orla do bairro.
Hoje à tarde, ela recebeu serviços de imprimação e deve começar a receber asfalto a partir de sábado, 5 de dezembro.
As próximas vias que devem receber os trabalhos de imprimação e posterior asfaltamento serão as: Ruas 13 de Maio e Mapiri, que também contempladas com obras do PAC.
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O MENSALÃO MINEIRO NO VOTO DO SUPREMO

Gilmar e Toffoli, um voto só, ou dois ?

A leitura dos diálogos ríspidos entre Ministros, o corajoso Joaquim Barbosa e o novato Toffoli demonstra que Toffoli votou independente do relatório de Barbosa.
O voto dele se baseou na suspeição sobre uma prova.
Uma prova inquestionável, para quem leu ou ouviu o Ministro Barbosa.
Qualquer que fosse o argumento de Barbosa, Toffoli votaria contra o andamento da investigação contra o tucano.
Toffoli seria contra qualquer acusação de envolvimento com mensalão.
Porque o mesmo Barbosa investiga o mensalão em que estão os petistas.
E não se fala de corda em casa de enforcado.
(Embora, como diz o Mino Carta, ainda esteja por provar-se a existência de um mensalão. O mais provável é que sejam operações de Caixa Dois – igualmente um crime, como acentuou o Ministro Ayres Brito -, mas, não, exatamente uma mesada.)
Toffoli deu um voto mais do que político: foi um voto partidário.
Gilmar Dantas, não.
Deu um voto coerente, político E partidário.
O Supremo Presidente do Supremo é do “lado de lá”, como diz o mestre Fernando Lyra.
O Supremo Presidente votou para absolver – de novo – Fernando Collor –, a quem serviu, no Palácio do Planalto, com o mesmo empenho com que serviu a seu patrono, o Farol de Alexandria.
Se extrairmos da fala do Supremo o “supremês” – ou a linguagem foi dada ao homem para esconder o que pensa, diria Talleyrand – o que sobre é trivial:
Azeredo (Collor) já foi punido politicamente; para que puni-lo criminalmente?
Collor, Daniel Dantas, o Farol, Azeredo e Ele são do lado de lá.
E Ele não vota contra o “lado de lá”.
Gilmar Dantas é Ministro de um voto só.
Toffoli, não.
Como deu um voto partidário na estréia, votará, se assim continuar, de acordo com os ventos que sopram na popa do partido.

Paulo Henrique Amorim

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

VIDEOCASSETADA

Ratos abandonam o barco

DEU NA FOLHA

Após escândalo, PPS decide deixar o governo Arruda

A direção do partido determinará a todos os filiados que ocupam cargos na gestão de José Roberto Arruda (DEM) que se exonerem.
O posto mais relevante confiado por Arruda ao PPS é a secretaria de Saúde do GDF. Ocupa-o o deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF).
Na última segunda-feira (23), Augusto retomou o seu mandato de deputado.
Voltou à Câmara por uma semana, só para apresentar dois projetos de lei (aqui e aqui).
Seu retorno à secretaria de Saúde estava previsto para esta segunda (30). Na sexta (27) estourou o caso do 'Demensalão', o mensalão do DEM.
Na curta ausência de Augusto, a pasta da Saúde do GDF foi tocada pelo secretário adjunto Fernando Antunes, também filiado ao PPS.
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Plantar eucalipto na Amazônia é "admitir fiasco" de programa de reflorestamento

Matriz de marupá cultivada artificialmente

O programa “1 Bilhão de Árvores para a Amazônia” foi lançado, no dia 30 de maio de 2008, em Belém, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela governadora Ana Júlia Carepa. Foi considerado o maior e mais ambicioso programa de reflorestamento e recomposição florestal do planeta, com a meta de atingir uma área de aproximadamente 20 milhões de hectares já alterados com o plantio de 100 mil hectares de espécies nativas por ano até 2013. A propaganda foi boa e deve ter sido cara.

A Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA) oficializou seu compromisso de participar do programa de restauração florestal “1 Bilhão de Árvores para a Amazônia”, assinando o protocolo de intenções com o governo do Pará para a criação de uma Rede Estadual de Colheita de Sementes e Laboratórios Integrados.

Além da Embrapa, a parceria para a criação da Rede Estadual de Colheita de Sementes e Laboratórios Integrados envolveria a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Museu Paraense Emílio Goeldi, Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social (Idesp), Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex).

De uma forma geral, a participação da Embrapa na parceria interinstitucional deveria estimular o desenvolvimento e a transferência de tecnologias em sementes e mudas florestais para incentivar o reflorestamento de áreas degradadas da Amazônia.

Mas o governo do Pará - Terra de Direitos, de Governo Popular cuja grande obre é cuidar das pessoas - resolveu mudar as diretrizes de seu programa e passou a contabilizar espécies como eucalipto para alcançar a meta de um bilhão de árvores plantadas. “O Pará lidera os índices de desmatamento na região e 65% do reflorestamento deverão ser feitos com eucalipto”. Em maio do ano passado, o governo paraense havia previsto somente o plantio de espécies nativas. A escolha do eucalipto, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, decorreria de seu menor tempo de maturação (seis anos) e da produtividade da espécie.

O governo do Pará diz já ter autorizado o plantio de 222 milhões de árvores, quase um quarto da meta. Na conta, é claro, como não poderia deixar de ser, entram os projetos de empresas como a Vale do Rio Doce, que pretende “diminuir ainda mais o seu footprint” e arrendar propriedades para plantar eucalipto, quando os beneficiários diretos do programa deveriam ser os próprios produtores rurais, as cooperativas e associações que comprovadamente utilizassem as tecnologias recomendadas pelas instituições de pesquisa e universidades parceiras no protocolo.

É lógico que qualquer árvore plantada em área desmatada cumpre a função de proteger o solo e, de acordo com os próprios especialistas da Embrapa, o uso de espécies nativas seria prejudicado pela falta de sementes que não estão disponíveis no mercado, e eles próprios perguntam onde e como se conseguiria 1 bilhão de sementes viáveis para plantar as espécies nativas. E eu respondo sugerindo que perguntem para quem anunciou o programa, ou a Ana Júlia e o Lula, que devem ter a resposta para a completa falta de estrutura das instituições de ensino e pesquisa no atendimento dessa demanda, e com certeza a resposta seria a de que a culpa é dos outros governos, como sempre.

Além de não reconstruir a biodiversidade amazônica, espécies como eucalipto, tendem a gerar concentração de terras, aumentando a disputa e a violência fundiária e para alguns prejudicam o solo.

Se o foco é mesmo o reflorestamento, o eucalipto está longe de ser o ideal, principalmente por não reproduzir a biodiversidade amazônica, quando possuímos muitas espécies de grande valor e de rápido crescimento como o Paricá, Marupá, Virola e Ucuúba entre tantas outras, e até mesmo as exóticas, como a Acacia mangium, por exemplo, que seria melhor que o eucalipto, no atendimento das urgentes necessidades energéticas de grandes conglomerados econômicos.

Mais uma vez, os verdadeiros valores amazônicos são relegados ao desprestígio, ao abandono, ao esquecimento e ao ralo; e a escolha do eucalipto, enfim, representa admitir o fiasco, o fracasso e a completa falência institucional de tudo o que já foi discutido e planejado em tantas reuniões sobre o tema às expensas do erário, e depois de terem anunciado na mídia televisiva até mesmo a absurda utilização de técnicas de alpinismo para a coleta de sementes (isso é risível…). Pior mesmo será se, em futuro não muito distante, isto tudo vier a ser transformado em mais um megaescândalo, nos mesmos moldes daquele recente e famoso dos kits escolares…

♦ Nelson Tembra é agrônomo e consultor ambiental

É MUITO PANETTONE HERÁCLITO!!