sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O MENSALÃO MINEIRO NO VOTO DO SUPREMO

Gilmar e Toffoli, um voto só, ou dois ?

A leitura dos diálogos ríspidos entre Ministros, o corajoso Joaquim Barbosa e o novato Toffoli demonstra que Toffoli votou independente do relatório de Barbosa.
O voto dele se baseou na suspeição sobre uma prova.
Uma prova inquestionável, para quem leu ou ouviu o Ministro Barbosa.
Qualquer que fosse o argumento de Barbosa, Toffoli votaria contra o andamento da investigação contra o tucano.
Toffoli seria contra qualquer acusação de envolvimento com mensalão.
Porque o mesmo Barbosa investiga o mensalão em que estão os petistas.
E não se fala de corda em casa de enforcado.
(Embora, como diz o Mino Carta, ainda esteja por provar-se a existência de um mensalão. O mais provável é que sejam operações de Caixa Dois – igualmente um crime, como acentuou o Ministro Ayres Brito -, mas, não, exatamente uma mesada.)
Toffoli deu um voto mais do que político: foi um voto partidário.
Gilmar Dantas, não.
Deu um voto coerente, político E partidário.
O Supremo Presidente do Supremo é do “lado de lá”, como diz o mestre Fernando Lyra.
O Supremo Presidente votou para absolver – de novo – Fernando Collor –, a quem serviu, no Palácio do Planalto, com o mesmo empenho com que serviu a seu patrono, o Farol de Alexandria.
Se extrairmos da fala do Supremo o “supremês” – ou a linguagem foi dada ao homem para esconder o que pensa, diria Talleyrand – o que sobre é trivial:
Azeredo (Collor) já foi punido politicamente; para que puni-lo criminalmente?
Collor, Daniel Dantas, o Farol, Azeredo e Ele são do lado de lá.
E Ele não vota contra o “lado de lá”.
Gilmar Dantas é Ministro de um voto só.
Toffoli, não.
Como deu um voto partidário na estréia, votará, se assim continuar, de acordo com os ventos que sopram na popa do partido.

Paulo Henrique Amorim

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