sexta-feira, 12 de julho de 2019

NOVOS DIÁLOGOS DE DALLAGNOL COMPROMETEM GEBRAN, O AMIGO DO MORO


Revelações do Intercept Brasil, desta vez em parceria com a revista Veja, apontam que o 
procurador Deltan Dallagnol mostrou-se preocupado com eventual absolvição, no TRF-4, de 
Adir Assad, operador de propina da Petrobras; em um chat, Dallagnol afirma: “O Gebran tá 
fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad” - procurador fez 
referência ao desembargador do TRF-4 João Pedro Gebran Neto
Da Veja:
Há um mês o site The Intercept Brasil começou a divulgar conversas comprometedoras e com claras 
transgressões à lei entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o ex-juiz Sergio Moro, o 
atual ministro da Justiça. Tais diálogos eram travados fora dos autos e dentro de um sistema de 
comunicação privada, o Telegram. 
Em parceria com o site, VEJA publicou em sua última edição uma reportagem de capa que mostra 
que a colaboração era ainda maior do que se imaginava. Na prática, Moro atuava como o chefe da 
força-tarefa, desequilibrando a balança da Justiça em favor da acusação. Um novo pacote de 
conversas obtidas pelo Intercept e analisadas em parceria com VEJA traz fortes indícios de que os 
diálogos impróprios dos procuradores nos chats do Telegram também ocorreram com um dos 
membros do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), órgão encarregado de julgar em 
segunda instância os processos da Lava-Jato em Curitiba. 
O desembargador em questão é João Pedro Gebran Neto, que atua como relator dos casos da 
operação. Parte dos diálogos nos quais Gebran é citado se refere a Adir Assad, um dos operadores de 
propinas da Petrobras e de governos estaduais, preso pela primeira vez em março de 2015. Em 
setembro, ele acabou condenado pelo então juiz Sergio Moro a nove anos e dez meses de prisão 
pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Cinco meses antes do julgamento do caso em segunda instância no TRF4, o procurador Deltan Dalla­
gnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, comenta em um chat com outros colegas do MPF: “O 
Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad”. 
O assunto é tema de outra conversa, de 5 de junho de 2017, entre Dalla­gnol e o procurador Carlos 
Augusto da Silva Cazarré, da força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, que 
atua junto ao TRF4. 
No diálogo, ocorrido às vésperas do julgamento da apelação de Assad, Dalla­gnol mostra-se 
novamente preocupado com a possibilidade de Gebran absolver o condenado. Naquele momento, em 
paralelo, a força-tarefa negociava com o condenado um acordo de delação (esse acordo seria fechado 
em 21 de agosto de 2017). 
Daí a preocupação do MPF com a possibilidade de Assad ser absolvido e voltar atrás nas conversas 
sobre delação. No chat, Dallagnol aciona Cazarré, que fica em Porto Alegre, sede do TRF4. 
“Cazarré, tem como sondar se absolverão Assad? (…) se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir 
pra adiar agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação…”
Escreve Dalla­gnol. “Olha Quando falei com ele, há uns 2 meses, não achei q fisse (sic) absolver… 
Acho difícil adiar”, responde Cazarré. 
Na sequência, Dalla­gnol volta a citar Gebran: “Falei com ele umas duas vezes, em encontros 
fortuitos, e ele mostrou preocupação em relação à prova de autoria sobre Assad…”. Dalla­gnol 
termina pedindo ao colega que não comente com Gebran o episódio do encontro fortuito “para 
evitar ruído”.
Nos chats, há sempre a possibili­dade de os participantes exagerarem situações ou se portarem de 
forma fanfarrona, fingindo intimidade com pessoas importantes. Considerando-se, no entanto, o 
histórico dos diálogos, nos quais fica evidente um grau indesejável de promiscuidade entre 
autoridades que deveriam manter independência, é mais provável que as conversas entre Dalla­gnol e 
Gebran tenham realmente acontecido. Se confirmada essa hipótese, a falha é gravíssima. “Um juiz, 
independente do grau em que atue, jamais pode abrir seu voto antes de finalizá-lo, e a decisão só 
pode ser comunicada nos autos”, afirma o criminalista Renato Stanziola Vieira, autor do livro 
Paridade de Armas no Processo Penal. “Se eu sei que o desembargador está achando fraca uma parte 
da minha tese, claro que vou tentar fortalecê-la. Ou seja, saber antes do momento adequado o que o 
juiz está pensando sobre o caso concreto coloca uma das partes em vantagem.”
(…)

Um comentário:

Anônimo disse...

Acredito que Gebran tenha feito isso , eles sao todos canalhas