
Licenciamento de área portuária no Lago do Maicá está sendo alvo de investigação do MPF —
Foto: MPF/Divulgação
A regularidade do licenciamento ambiental do terminal portuário de uma empresa de distribuição de
petróleo no Lago do Maicá, em Santarém, oeste do Pará, está sendo alvo de investigação do
Ministério Público Federal (MPF). O procedimento investigatório foi instaurado na terça-feira (4).
Apesar de as obras já estarem andamento, a denúncia ao MPF apontou inexistência da consulta
Apesar de as obras já estarem andamento, a denúncia ao MPF apontou inexistência da consulta
prévia, livre e informada aos grupos potencialmente afetados, conforme determina a Convenção nº
169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e possível ato de improbidade administrativa
da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) pela não realização da
consulta.
O órgão ministerial em Santarém também recebeu informações que apontam a não realização de
atividades de pesquisa na região do Lago do Maicá para confecção de estudo e relatório de impacto
ambiental (EIA/Rima).
Segundo a denúncia, também não houve audiência pública com a população e consulta prévia aos
Segundo a denúncia, também não houve audiência pública com a população e consulta prévia aos
indígenas, quilombolas e pescadores artesanais que podem vir a ser impactados.
“O referido empreendimento está sendo instalado a cerca de 2,1 km a montante da ‘Boca do Maicá’
“O referido empreendimento está sendo instalado a cerca de 2,1 km a montante da ‘Boca do Maicá’
e de dezenas de outros importantes locais de pesca dos pescadores artesanais daquela região”,
registra o despacho de instauração da investigação, assinado pela procuradora da República Luisa
Astarita Sangoi.
Proximidade das comunidades
Um mapa obtido pelo MPF mostra que a obra está próxima a diversos territórios tradicionalmente
Um mapa obtido pelo MPF mostra que a obra está próxima a diversos territórios tradicionalmente
Mapa recebido pelo MPF Santarém para apurar denúncia de irregularidade em construção
portuária — Foto: MPF/Divulgação
As comunidades quilombolas Pérola do Maicá, Arapemã e Saracura, por exemplo, estão distantes
apenas de 1,7 km a 8,2 km da construção, distância inferior à estipulada pela portaria interministerial
nº 60/2015 para fins de presunção de impactos de empreendimentos portuários.
Além dessas três comunidades e das comunidades quilombolas de Maria Valentina e Bom Jardim –
Além dessas três comunidades e das comunidades quilombolas de Maria Valentina e Bom Jardim –
distantes entre 12,2 km e 14,4 km das obras –, estão em fase de estudos e delimitação os territórios
da comunidade quilombola de Murumurutuba e do povo indígena Munduruku do Planalto Santareno,
com grupo de trabalho instituído para essa finalidade por meio da Portaria nº 1.387 de 24 de outubro
de 2018, da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A procuradora enfatizou ainda que por se tratar de um empreendimento destinado à exportação de
petróleo, qualquer acidente que ocorra na instalação portuária poderá impactar os locais de pesca e as
comunidades localizadas a jusante.

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