quarta-feira, 5 de junho de 2019

SANTARÉM NO DIA DO MAU AMBIENTE: LICENCIAMENTO DE TERMINAL PORTUÁRIO EM SANTARÉM É ALVO DE INVESTIGAÇÃO DO MPF


Licenciamento de área portuária no Lago do Maicá está sendo alvo de investigação do MPF — 
Foto: MPF/Divulgação
A regularidade do licenciamento ambiental do terminal portuário de uma empresa de distribuição de 
petróleo no Lago do Maicá, em Santarém, oeste do Pará, está sendo alvo de investigação do 
Ministério Público Federal (MPF). O procedimento investigatório foi instaurado na terça-feira (4).
Apesar de as obras já estarem andamento, a denúncia ao MPF apontou inexistência da consulta 
prévia, livre e informada aos grupos potencialmente afetados, conforme determina a Convenção nº 
169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e possível ato de improbidade administrativa 
da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) pela não realização da 
consulta.
O órgão ministerial em Santarém também recebeu informações que apontam a não realização de 
atividades de pesquisa na região do Lago do Maicá para confecção de estudo e relatório de impacto 
ambiental (EIA/Rima).
Segundo a denúncia, também não houve audiência pública com a população e consulta prévia aos 
indígenas, quilombolas e pescadores artesanais que podem vir a ser impactados.
“O referido empreendimento está sendo instalado a cerca de 2,1 km a montante da ‘Boca do Maicá’ 
e de dezenas de outros importantes locais de pesca dos pescadores artesanais daquela região”, 
registra o despacho de instauração da investigação, assinado pela procuradora da República Luisa 
Astarita Sangoi.
Proximidade das comunidades
Um mapa obtido pelo MPF mostra que a obra está próxima a diversos territórios tradicionalmente 
ocupados por quilombolas, indígenas e pescadores artesanais.
Mapa recebido pelo MPF Santarém para apurar denúncia de irregularidade em construção 
portuária — Foto: MPF/Divulgação
As comunidades quilombolas Pérola do Maicá, Arapemã e Saracura, por exemplo, estão distantes 
apenas de 1,7 km a 8,2 km da construção, distância inferior à estipulada pela portaria interministerial 
nº 60/2015 para fins de presunção de impactos de empreendimentos portuários.
Além dessas três comunidades e das comunidades quilombolas de Maria Valentina e Bom Jardim – 
distantes entre 12,2 km e 14,4 km das obras –, estão em fase de estudos e delimitação os territórios 
da comunidade quilombola de Murumurutuba e do povo indígena Munduruku do Planalto Santareno, 
com grupo de trabalho instituído para essa finalidade por meio da Portaria nº 1.387 de 24 de outubro 
de 2018, da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A procuradora enfatizou ainda que por se tratar de um empreendimento destinado à exportação de 
petróleo, qualquer acidente que ocorra na instalação portuária poderá impactar os locais de pesca e as 
comunidades localizadas a jusante.

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