sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Mãe de miliciano que estava lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro sumiu

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz
A clientela e os funcionários do restaurante Bairrada Adega Gourmet, na zona central do Rio de 
Janeiro, notaram que a dona não aparece no local há algum tempo. Alguns dizem que ela mudou de 
cidade. Outros afirmam que ela desapareceu, diz a Veja.
O administrador do negócio, Antonio Airton da Rocha, tenta explicar enquanto confere as notas do 
caixa, repetindo-se diversas vezes e notoriamente incomodado: “Parece que ela está de férias”. A 
empresária Raimunda Veras Magalhães e Airton da Rocha são sócios no restaurante, mas ele diz que 
nada sabe sobre o paradeiro dela.
“Ela não me deu mais notícia, não”, conta. A última conversa entre os dois aconteceu há mais de um 
mês. Dias depois, quando VEJA voltou a lhe pedir informações, Rocha enviou a seguinte mensagem 
por celular: “Quando eu fizer contato com ela, te falo, o.k.?”.
Raimunda, que também não aparece em casa, é mãe de um dos denunciados na operação contra 
milicianos no dia 22 de janeiro.
Foi lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual. Raimunda aparece em 
relatório do Coaf como uma das remetentes de depósitos para Fabrício Queiroz, ex-motorista de 
Flávio.
De acordo com o relatório do Coaf, ela depositou R$ 4,6 mil na conta de Fabrício Queiroz. Aparece 
na folha da Alerj com salário líquido de R$ 5.124,62.
O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro também homenageou o filho dela, Adriano 
Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, que está foragido. Em 2003, o então deputado propôs 
moção de louvor e congratulações a Adriano por prestar “serviços à sociedade com absoluta presteza 
e excepcional comportamento nas suas atividades”.
Ex-capitão do Bope, Adriano foi preso duas vezes, suspeito de ligações com a máfia de caça-níqueis. 
Em 2011, Adriano foi capturado na Operação Tempestade no Deserto, que mirou o jogo do bicho. 
Segundo o MP, o capitão era o responsável pela segurança da chefe da quadrilha, Shanna Harrouche 
Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o “Maninho”, morto em 2004.
Três anos depois, Adriano e o primeiro-tenente João André Ferreira Martins foram demitidos da PM, 
considerados culpados nas acusações de associação com a contravenção.
Ano passado, Ronald e Adriano chegaram a ser ouvidos pela Delegacia de Homicídios como 
testemunhas no inquérito que apura as mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson 
Gomes, em 14 de março.

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