sábado, 9 de fevereiro de 2019

FLAMENGO FOI MULTADO 30 VEZES E LACRADO POR PREFEITURA ANTES DE INCÊNDIO


A Prefeitura do Rio lacrou o CT do Flamengo em outubro de 2017, por orientação da 
Secretaria da Fazenda do Município; a decisão foi tomada após o clube sofrer 30 multas por 
falta de alvará de funcionamento; a Prefeitura do Rio informa que o clube decidiu reabrir o 
centro de treinamento em 2017, mesmo depois de ter sido lacrado; a área em que o Flamengo 
montou o alojamento para os jogadores das categorias de base tinha permissão da para 
funcionar apenas como estacionamento.
Futuro destruído: Fla rico torra R$ 85 milhões 
em craques enão cuida dos meninos pobres
Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotschoe para o Jornalistas pela Democracia
Um incêndio nos alojamentos do Centro de Treinamento do Flamengo no Ninho do Urubu, onde 
ficam os jogadores das equipes de base, flagrou nesta sexta-feira mais um dramático exemplo da 
desigualdade social no país, que aumenta a cada dia.
Ao mesmo tempo em que o Flamengo rico, o maior clube do país, torra R$ 85 milhões na 
contratação de grandes craques, estes meninos estavam alojados em conteineres improvisados nos 
fundos do Ninho do Urubu, sem laudo de segurança aprovado pelo Corpo de Bombeiros.
Às cinco da manhã, quando os meninos ainda estavam dormindo, um ar-condicionado explodiu e 
provocou um curto circuito nos demais aparelhos, e o fogo se espalhou rapidamente.
Dez jogadores da base e funcionários morreram carbonizados. Três ficaram feridos. A maioria deles 
veio de outros estados e de subúrbios do Rio.
Eram meninos humildes que sonhavam em jogar no Flamengo e dar uma vida melhor às suas 
famílias.
No mesmo terreno, o Flamengo gastou muitos milhões de reais durante anos para montar o mais 
sofisticado centro de treinamento dos clubes brasileiros para seus jogadores da equipe principal.
Este alojamento improvisado das equipes de base seria desativado a partir da próxima semana, com a 
transferência dos meninos do sub-15 e do sub-17 para outro prédio, mas não deu tempo.
Este é o Brasil, ao mesmo tempo rico e pobre, orgulhoso e miserável, acima de tudo injusto com os 
mais humildes.
Foi mais um episódio cruel das tragédias que se sucedem no país, sempre penalizando os mais 
pobres, por desleixo e ganância do andar de cima, que está no comando, como sabemos.
Agora, virão as perícias e as rigorosas investigações para apontar os responsáveis por mais esta 
desgraça, que certamente punirá algum eletricista ou outro funcionário subalterno, mas nunca 
chegará aos donos da bola, como em Mariana e Brumadinho.
Desta forma, estamos destruindo não só a vida presente, mas comprometendo o futuro do país, por 
desídia, pouco caso, irresponsabilidade e onipotência dos mais fortes.
Daqui a pouco os comentaristas polianas vão dizer que mais esta tragédia sirva de lição para nunca 
mais se repetir, como falaram em Mariana, três anos antes da barragem romper em Brumadinho, 
matando mais de 300 pessoas, tudo exatamente igual.
O Brasil não precisa mais de lições, já conhecemos todas, mas de punições exemplares aos 
verdadeiros responsáveis, que não dormem em conteineres sem nenhuma segurança .
Vida - e morte que segue. Até quando?

Nenhum comentário: