sexta-feira, 10 de junho de 2016

DILMA ADMITE PLEBISCITO SOBRE NOVAS ELEIÇÕES

Consulta popular vai “lavar e enxaguar lambança do governo Temer”, diz ela

A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou que, se for reempossada, haverá a necessidade de
convocação de um plebiscito para que a população decida se quer ou não novas eleições 
presidenciais. “Será necessário consultar a população para remontar um ‘pacto’ que vinha desde a 
Constituição de 1988 e foi rompido com o processo de impeachment”, disse ao jornalista Luis 
Nassif, em entrevista veiculada na noite desta quinta-feira (9) pela TV Brasil.
Segundo Dilma, esta consulta deve ser feita com ela de volta ao poder, com o processo de 
impeachment sendo derrubado no Senado, e que somente a consulta popular “para lavar e enxaguar 
essa lambança, que está sendo o governo Temer”.
“Eu não acho possível fazer pacto nenhum com o governo Temer em exercício”, disse a presidente 
afastada. Segundo ela, a consulta popular é o único jeito de se fazer este pacto “dado o nível de 
contradição” presente hoje no Brasil e com um Congresso em que só pautas conservadoras serão 
aprovadas — de acordo com Dilma, com o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) “dando as 
cartas”. A presidente afastada não disse como e quando seria feita esta consulta popular.
O Senado deve julgar se Dilma volta à presidência em meados de agosto. Aliados do governo têm 
tentado convencer a senadores a votarem contra o impeachment com a promessa de que ela vai 
propor uma consulta popular.
Governo Temer – pauta de Cunha
Dilma declarou ainda que “o governo Temer é a síntese do que pensa e expressa claramente a pauta 
de Eduardo Cunha”. Ao ser questionada se era possível se aliar politicamente ao agora presidente 
afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na época em que foi eleito para comandar a casa 
legislativa, no início de 2015, Dilma disse que “não existe negociação possível com certo tipo de 
prática”. De acordo com a presidente afastada, Cunha tem uma pauta própria, de orientação 
conservadora, que levaria para o campo político da direita os deputados e os partidos do chamado 
“Centrão”.
Para Dilma, o “Centrão” historicamente não tem pautas definidas, mas, no caso de Cunha, a tônica 
foi comandar a pauta do Congresso.
Como tem feito em outras ocasiões, Dilma voltou a defender o presidencialismo e rechaçar qualquer 
ideia de parlamentarismo. “Foi por meio do presidencialismo que o Brasil conseguiu uma maior 
modernidade e inclusão da sua população”, disse.
Ela criticou também a mudança na política externa do governo interino. “África terá cada vez mais 
importância; fechar embaixadas é ter visão minúscula de política externa”, declarou Dilma.
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