sexta-feira, 10 de junho de 2016

TEMER, O CABRA QUE SABE LIDAR COM BANDIDOS PRECISA SALVAR CU...NHA PARA CONTINUAR RESPIRANDO


Dupla dependência


por : Kiko Nogueira

É bonito o cinismo do ministro Eliseu Padilha ao dizer que a gestão do interino não está envolvida 
no esquema para salvar o mandato de Eduardo Cunha.
“A independência entre os poderes faz com que essa pergunta não possa ser respondida pelo governo 
e, sim lá pelo Legislativo”, afirma.
“Interferência do governo é zero. O interesse que se tem hoje é que as instituições funcionem e a 
Câmara dos Deputados está funcionando normalmente.”
Padilha falava sobre a abdução de Tia Eron, do PRB, na votação do Conselho de Ética. Na véspera, 
ele e o presidente do partido de Tia Eron, ministro Marcos Pereira, se reuniram.
A sessão foi suspensa quando se notou que, com a ausência dela, quem votava era o suplente pau 
mandado de Cunha.
A oposição, sedizente preocupada com a operação, quer um encontro com Temer para ouvir mais 
mentiras. Ele mente, os outros fingem que acreditam.
A lealdade a Cunha passa pelo serviço prestado na aprovação do impeachment na Câmara, mas trata-
se principalmente de uma questão de sobrevivência de Temer.
Em dezembro, ele arquivou um pedido de afastamento de Michel Temer baseado na assinatura de 
pedaladas. Sua ascendência sobre a Câmara é enorme e escandalosa.
Cunha sempre operou para os deputados (numa delação premiada, ele aparece junto à OAS pedindo 
dinheiro também para o atual ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves). Pode inviabilizar 
votações. E pode, eventualmente, cair atirando.
Teori Zavascki levou cinco meses para acatar o pedido de afastamento do homem da presidência da 
Câmara. Nesse período, ele obteve a medalha de ouro do impeachment.
Se mantiver o padrão, Teori vai se omitir até o resultado no Conselho de Ética. Enquanto isso, Cunha 
continua fazendo o que sempre fez, impunemente, e com todo o apoio da gangue de Temer.
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