segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os impasses do lulismo


Por Vladimir Safatle

O governo Dilma alcançou a metade de seu mandato. Eis um bom momento para colocar questões a respeito dos rumos que o Brasil tomou desde o primeiro governo Lula. Rumos próprios à mais longa experiência de continuidade programática dos períodos democráticos.
Há tempos, procuramos o tom adequado para avaliações dessa natureza. A experiência do PT no poder suscita reações muito apaixonadas e pouco analíticas. Por um lado, vemos aqueles que não se cansam de assumir um tom laudatório, insistindo na genialidade política de Lula, no novo protagonismo brasileiro na cena internacional, no caráter bem-sucedido de seu “capitalismo de Estado” e na inegável constituição de uma nova classe média. Por outro, temos a negação absoluta na qual as conquistas do governo seriam meros fenômenos “naturais” advindos de decisões tomadas por governos anteriores, as negociações políticas teriam alcançado um nível de corrupção “nunca visto”, assim como o aparelhamento do Estado. Tais análises usam, na maioria das vezes, esquemas liberais que, em plena crise econômica global, continuam a ver o Estado como “mau gerente” (como se empresas como Citibank, Lehman Brothers e GM, salvas pelo Estado, fossem bem gerenciadas) e ter uma perspectiva, no mínimo, seletiva a respeito das indignações causadas pela corrupção.
Essas avaliações parciais nos impedem de tentar compreender o modelo representado por aquilo que o cientista político André Singer chamou de “lulismo” com seus resultados concretos e suas limitações. Compreendê-lo é tarefa importante neste momento, porque talvez estejamos assistindo, com o governo Dilma, ao esgotamento do lulismo. Um esgotamento cujo sintoma mais evidente é o fato de Dilma Rousseff parecer encaminhar-se para ser a gerente de um lulismo de baixo crescimento.
Talvez a pergunta que mais se coloque atualmente é: o que significam esses dois últimos anos de baixo crescimento? Um erro de dosagem nas políticas macroeconômicas, uma inflexão sem maiores significados resultante do mal cenário internacional ou a prova de que o modelo em vigor no panorama brasileiro chegou a um impasse?
Sabemos o que foi o acordo que produziu o lulismo. Ele consistiu na transformação do Estado em indutor de processos de ascensão por meio da consolidação de sistemas de proteção social, do aumento real do salário mínimo e incentivo ao consumo. Na outra ponta do processo, o governo Lula autocompreendeu-se como estimulador da reconstrução do empresariado nacional em seus desejos de globalização. Para tanto, a função do BNDES como grande financiador do capitalismo nacional consolidou-se de vez.
No campo político, o lulismo baseou-se, por um lado, na transformação de grandes alianças heteróclitas em única condição possível de “governabilidade”, retirando da pauta dos debates políticos toda e qualquer modificação estrutural nos modos de gestão do poder. Ele ainda referendou um modo de gestão de conflitos políticos que encontra suas raízes brasileiras na Era Vargas.
Trata-se da transposição dos conflitos entre setores da sociedade civil para o interior do Estado. Assim, durante o governo Lula, o conflito entre os monetaristas e desenvolvimentistas encontrou guarida na briga entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. A luta entre ruralistas e ecologistas incrustou-se nos embates entre o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente. Do mesmo modo, as querelas entre os militares e os defensores dos direitos humanos expressaram-se na colisão entre o Ministério da Defesa e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O que seria, em situações normais, sintoma de esquizofrenia política foi, graças à posição de Lula como “mediador universal”, uma oportunidade para o governo “ganhar em todos os tabuleiros”, sendo, ao mesmo tempo, o governo e sua própria oposição. Assim, por “fagocitose de posições” o governo Lula conseguiu o feito de esvaziar tanto as oposições à direita quanto à esquerda. Contribuiu para isso a inanição intelectual completa da oposição à direita (PSDB, DEM e PPS) com seus acordos tácitos com os setores mais atrasados do debate de costumes e suas cruzadas moralizadoras feitas por frequentadores de escândalos de corrupção.
Mas como o governo Dilma administrou tal nova situação? No plano -econômico, tudo se passou como se o governo acreditasse que a continuidade bastasse. No entanto, a despeito dos avanços ligados à ascensão social de uma nova classe média, o Brasil continuava um país de níveis brutais de desigualdade. Por isso, seu crescimento só poderia trazer problemas como os que vemos em outros países emergentes de rápido crescimento (como Rússia, Angola etc.).
Como uma larga parcela da nova riqueza circula pelas mãos de um grupo bastante restrito com demandas de consumo cada vez mais ostentatórias, como o governo foi incapaz de modificar tal situação por meio de uma rigorosa política de impostos sobre a renda (impostos sobre grandes fortunas, sobre consumo conspícuo, sobre herança etc.), criou-se uma situação na qual a parcela mais rica da população pressiona o custo de vida para cima. Não por acaso, entre as cidades mais caras do mundo encontramos atualmente: Luanda, Moscou e São Paulo. Ou seja, o governo parou de pensar a desigualdade como o problema central da sociedade brasileira.
Acrescenta-se a isso o fato de os salários brasileiros continuarem baixos e sem previsão de grandes modificações. A maioria absoluta dos novos empregos criados nos últimos dez anos tem salários de até um e meio salário mínimo. Uma opção para a melhoria dos salários seria a diminuição dos itens que devem ser pagos pelas famílias.
Uma família da nova classe média brasileira deve gastar, porém, quase metade de seus rendimentos com educação e saúde privada. Se o governo tivesse um programa para a universalização da educação e saúde pública de qualidade, poderia contribuir, por meio do fortalecimento do serviço público, para a minimização dos efeitos perversos da desigualdade. Mas o governo Dilma será lembrado, em 2012, pela sua desconsideração soberana com os professores em greve por melhores condições de trabalho e infraestrutura. Diga-se de passagem, é notória a relação problemática do governo com os sindicatos.
Como se não bastasse, a política lulista de financiamento estatal do capitalismo nacional levou ao extremo as tendências monopolistas da economia brasileira. O capitalismo brasileiro é hoje um capitalismo monopolista de Estado, onde o Estado é o financiador dos processos de oligopolização e cartelização da economia. Exemplo pedagógico nesse sentido foi a incrível história da transformação do setor de frigoríficos em um monopólio no qual uma empresa comprou todas as demais se utilizando de dinheiro do BNDES. Em vez de impedir o processo de concentração, o Estado o estimulou. Como resultado, atualmente não há setor da economia (telefonia, aviação, produção de etanol etc.) que não seja controlado por cartéis, com seus serviços de péssima qualidade e seus preços extorsivos.
Ou seja, economistas pagos regiamente por bancos e consultorias entoam, de maneira infinita, o mantra do alto custo da produção por causa dos impostos, do alto custo da mão de obra em razão dos direitos trabalhistas e da intervenção estatal (como se esquecessem de que as nações que mais crescem, como China, Rússia e Índia, são países de forte intervenção estatal na economia). Melhor seria se eles se perguntassem sobre o impacto da desigualdade e dos processos de oligopolização no baixo crescimento brasileiro.
No plano político, a situação é também digna de profunda preocupação. Por não poder encarnar o papel de “mediadora universal”, Dilma optou por um governo com menos bipolaridade e mais centralizado. Com isso, selou-se de vez a incapacidade do governo em formular e discutir alternativas. Todos falam em uma única voz, mas ela não diz muito mais do que se espera na gestão cotidiana. Por isso, os quadros do governo são marcados por uma tendência a certo “gerencialismo”, onde grandes modificações saíram completamente do debate. Contribuiu para isso a trajetória do PT de afastamento definitivo dos núcleos de debate da sociedade civil (universidades, movimentos sociais etc.).
Essa saída de cena das grandes modificações encontra, na vida partidária brasileira, sua expressão mais bem-acabada. No governo Dilma consolidaram-se dois partidos que têm, como grande característica, não ter característica alguma. PSD e PSB são “partidos-curinga”, ou seja, podem estar em qualquer jogo, fazer qualquer tipo imaginável de alianças, até porque não representam, de maneira estruturada, setor algum da sociedade civil. Eles parecem indicar o futuro da política brasileira, isso enquanto não ocorrer uma radicalização paulatina dos extremos, talvez a única condição para que voltemos a pensar politicamente.
__________________________________________________

TRUCULÊNCIA CONTRA SKATISTAS EM SÂO PAULO



A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo deu mais um exemplo do que, no mínimo, pode ser chamada de uma abordagem totalmente inadequada.
Skatistas foram agredidos e intimidados pela GCM. Entre os oficiais da GCM, estava um homem, sem farda, visivelmente descontrolado e metido a valentão.
O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e nem seu secretariado, tiveram tempo hábil para corrigir este tipo de postura truculenta da principal força de segurança municipal.
Porém, a resposta da Secretária de Segurança Urbana de São Paulo, pasta responsável pela GCM, veio rápido. A pasta informou que os guardas envolvidos no deplorável episódio com os skatistas já foram identificados e afastados dos serviços externos. De acordo com a Secretaria, eles estão sendo ouvidos pela Corregedoria, que deve tomar as providências cabíveis.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, pasta responsável pela Guarda Civil Metropolitana, informou que “não tolera condutas como a dos agentes envolvidos em ocorrência com skatistas na Praça Roosevelt em 04/01/2013″. A nota diz ainda que “os responsáveis já foram identificados, afastados dos serviços externos e estão sendo ouvidos pela Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana, que adotará as providências cabíveis”.
_____________________________________________

Quem é Marco Aurélio Mello



Stanley Burburinho, no Facebook

O Ministro Marco Aurélio Mello do STF que diz que a Câmara dos Deputados tem que cassar os mandatos conforme determinação do STF, é o mesmo que:

• Concedeu habeas corpus a Salvatore Cacciola do extinto Banco Marka acusado de provocar um rombo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos. Usando de prerrogativa de presidente interino à época, soltou o banqueiro que estava preso havia cinco semanas, o que permitiu sua fuga. O curioso nisso tudo é que Cacciola era vizinho de Mello no Golden Green, condomínio cinco-estrelas na Barra da Tijuca, com piscinas quadras de tênis, pistas de corrida, ciclovia e um campo de golfe de 60 mil metros quadrados.

• No mesmo período, em liminar concedida por Marco Aurélio, o Tribunal de Contas da União foi impedido de tentar a recuperar R$ 169 milhões desviados da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O ministro atendeu a um pedido da Incal, empreiteira responsável pela obra. Mello também proibiu o Ministério Público de São Paulo de investigar os laços que unem a Incal ao Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão, amigo de Mello.

• Inocentou um adulto acusado de estupro por manter relações sexuais com uma garota de 12 anos em 1996: “não houve violência porque a menina teria concordado em fazer sexo; nos dias de hoje, não há crianças, mas moças de 12 anos”.

• Lembram-se do índio Galdino? Aquele queimado em um ponto de ônibus em Brasília por jovens de classe alta da capital federal. Pois é, a esposa de Marco Aurélio Mello, que é juíza federal, rebaixou de assassinato para “lesão corporal seguida de morte” a acusação contra os assassinos de índio.

• Recentemente, utilizando-se de recurso de habeas corpus, Mello mandou soltar o fazendeiro Regivaldo Galvão o “Taradão”, que cumpria pena de 30 anos acusado da morte de irmã Dorothy Stang.

• O guardião da cidadania como se considera defende o Golpe de “64”, ao qual chama de “revolução: “Foi um mal necessário, sem ela o que teríamos?”.
________________________________________________

Bolívia tem provas de que EUA querem abalar imagem do país

Deixem de assediar o governo boliviano, deixem de nos cercar politicamente, deixem de nos emboscar politicamente!”. 

O governo da Bolívia disse neste domingo (06/01) que tem provas concretas de uma suposta ingerência da Embaixada dos Estados Unidos no país. O ministro da Presidência boliviano, Juan Ramón Quintana, afirmou que está sendo feito “um acompanhamento escrupuloso dos atos da potência (EUA) em nosso país".
Quintana afirmou a meios locais que há evidências, que serão entregues ao governo de Barack Obama, como “para dizer-lhe: deixem de assediar o governo boliviano, deixem de nos cercar politicamente, deixem de nos emboscar politicamente!”.
O ministro boliviano garantiu que “existem provas irrefutáveis” do suposto assédio da embaixada de Washington em La Paz, cujo objetivo seria “prejudicar a imagem e o prestígio do governo” do presidente Evo Morales, com a intenção de derrubá-lo”, afirmou. Quintana explicou que os próprios informes sobre narcotráfico, terrorismo e direitos humanos emitidos pela sede diplomática “os desmascaram”.
Relações diplomáticas
O governo de Morales expulsou em 2008 o então embaixador norte-americano em La Paz, ao dizer ter descoberto vínculos com partidos políticos opositores e grupos de direita. Em 2011, ambos países assinaram um acordo que marcou a cooperação para a reposição dos embaixadores, mas até agora as relações diplomáticas não foram normalizadas.
Na semana passada, o presidente boliviano acusou a embaixada norte-americana de utilizar o caso de uma rede de extorsão que envolve funcionários públicos como desculpa para criticar sua gestão. Ao se referir à denúncia, Quintana repetiu o argumento usado por Morales e disse que ela está sendo usada “ como um recurso fundamental para tentar prejudicar uma das políticas mais fortes do governo nacional: a luta contra a corrupção".
* Com informações da AVN (Agência Venezuelana de Notícias)
____________________________________________________

MST: Aliança do governo Dilma com agronegócio emperra reforma agrária


Alexandre Conceição: O governo Dilma é o que menos desapropriou imóveis rurais desde Collor.  

Da Página do MST

O governo Dilma é o que menos desapropriou imóveis rurais para fazer reforma agrária nos últimos 20 anos.
Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada neste domingo, revela que na primeira metade do mandato, 86 unidades foram destinadas a assentamentos.
O número supera só o de Fernando Collor (1990-92), que desapropriou 28 imóveis em 30 meses, comparando ao mesmo período das administrações anteriores desde o governo Sarney (1985-90).



“O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegócio, que é o latifúndio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande mídia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer”, disse Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, em entrevista à Folha.
“O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente politíca de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres. Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas”, analisa Alexandre.
Abaixo, leia a íntegra da entrevista concedida pelo dirigente do MST à Folha, que publicou trechos.

Como o senhor avalia o histórico dos números de desapropriações e assentamentos? A quantidade de famílias assentadas e desapropriações vêm caindo desde 2008/2009.
Infelizmente, nos últimos dois anos do governo Lula e agora no governo Dilma, foi abandonada a política de desapropriação de latifúndios. Isso é um desrespeito à Constituição, que determina que todo latifúndio improdutivo deve ser desapropriado e dividido para quem quiser trabalhar. Em segundo lugar, a política do governo favorece a concentração da propriedade da terra em todo o país. Os latifundiários agradecem, embora depois votem nos tucanos, como o mapa eleitoral demonstrou em 2010.
Como o senhor avalia o desempenho da reforma agrária durante a gestão petista, desde 2003?
O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente política de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres.
Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas. Assim, nesse tipo de governo, estão bloqueadas não só a reforma agrária, mas também a reforma tributária, a reforma política, a reforma do judiciário, a reforma industrial, a reforma urbana e a reforma educacional. O governo não consegue nem aprovar a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, que é uma questão civilizatória e que os países do capitalismo industrial já adotou.
Como o senhor avalia o desempenho do governo Dilma Rousseff nestes dois anos, com apenas 76 imóveis desapropriados?
Uma vergonha! O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegócio, que é o latifúndio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande mídia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer. 500 mil novos casos de câncer aparecem por ano pelos alimentos contaminados. E o câncer é democrático, porque pega todo mundo. É um modelo predador do meio ambiente e só aumenta os índices de desigualdade nos municípios aonde é hegemônico. Perguntem aos prefeitos eleitos se eles querem grandes propriedades exportadoras e isentas de ICMS ou querem um meio rural de agricultura familiar? A história vai cobrar desse governo no futuro. Mas aí será tarde…
Como mudar esse cenário para 2013? O que o MST pretende fazer e o que espera do governo federal?
O MST vai continuar lutando e ocupando os latifúndios improdutivos para forçar as desapropriações e, ao mesmo tempo, costurar alianças que levem a um novo projeto para o país. No entanto, a reforma agrária agora não é apenas o aumento do número de desapropriações. Isso é uma obrigação constitucional.
A reforma agrária agora representa a necessidade de mudança do modelo agrícola. Deixar o agronegócio de lado e reorganizar a agricultura baseada na produção de alimentos sadios para o mercado interno. Reforma agrária é reorganizar o setor agroindustrial, baseado em cooperativas e não grandes empresas transnacionais como agora. Adotar a matriz tecnológica da agroecologia, preservar o meio ambiente e frear o êxodo rural para as grandes cidades. Mas para isso é preciso um novo projeto para o Brasil. Esse projeto depende da construção de alianças de classe que extrapolam as bases sociais e a força politica dos movimentos camponeses.
______________________________________________

A concentração na mídia é um mal para a democracia


(Jornal Nacional) A sociedade perde com a falta de pluralidade de ideias quando o jornalismo é oligopolizado.

Por: Paulo Nogueira

Frank de La Rue, relator da ONU para a liberdade de expressão, disse coisas importantes em sua recente passagem pelo Brasil.
Lamentavelmente, mas não surpreendentemente, a cobertura foi virtualmente nula, embora o tema de alto interesse público: liberdade de expressão.
Rue foi ignorado por uma razão: ele disse coisas que não atendem aos interesses corporativos das grandes empresas de jornalismo, a começar pela Globo.
Em outras ocasiões, ele foi bem coberto pela própria Globo, como verifiquei numa pesquisa rápida. O Jornal Nacional e o Globo deram bem críticas que Rue fez, em 2009, a Chavez na questão da imprensa.
Portanto, Rue é notícia na Globo quando fala coisas que agradam à família Marinho e é nada quando fala coisas que desagradam.
Essa delinquência jornalística simboliza o ponto que Rue defendeu no Brasil: o país tem que discutir uma lei de mídia, em nome da liberdade de expressão e, mais ainda, do direito sagrado dos brasileiros à informação.
O Diário já defendeu várias vezes que o Brasil se inspire na reforma que está sendo feita na Inglaterra por inspiração do juiz Brian Leveson, que por mais de um ano comandou uma investigação sobre os excessos da mídia e as formas de proteger a sociedade deles.
Rue cita dois exemplos vizinhos para o Brasil: a Argentina e o Uruguai. Mais uma vez: o que você lê na grande mídia brasileira são sistemáticos ataques à Lei dos Meios da Argentina, embora o ponto mais importante dela seja mitigar a indefensável, intolerável concentração multimídia do grupo Clarin, obtida graças a favores da ditadura militar.
Sobre o Uruguai, paira um espesso silêncio. Isso quer dizer que os brasileiros não estão tendo acesso a informações importantes para formar opinião sobre a questão da mídia.
Rue tem uma tese sobre a concessão de emissoras de tevês e rádios. As frequências das quais derivam as emissoras de tevê e as estações de rádio são “propriedade do Estado”, nota ele, e deveriam ser administradas como recursos como “solo, água e petróleo”.
O que aconteceu na América do Sul foi uma deformação. Os beneficiários de concessões deram a elas um caráter estritamente comercial. A Globo é o caso mais notável, mas evidentemente não é o único. Essa distorção é generalizada, como se vê na Argentina, por exemplo, com o Clarin, citado acima.
“Concessão não é feita apenas para enriquecer o dono”, diz Rue. No último levantamento da Forbes das maiores fortunas no Brasil, a família Marinho estava no pódio.
Qualquer tentativa de debater a questão da mídia no Brasil costuma ser rechaçada, por ela mesma, como “ameaça de censura”. Mais uma vez, este tipo de argumento apenas comprova o acerto das teses centrais de Rue.
O Diário defende, como já foi dito, uma legislação de mídia nos moldes da dinamarquesa. Na Dinamarca, a liberdade de expressão é um direito sagrado. Foi lá, em nome dessa liberdade, que cartunistas desafiaram o fundamentalismo islâmico ao publicar charges de Maomé.
Para monitorar o comportamento da mídia, os dinamarqueses têm um órgão fiscalizador que é independente das empresas de jornalismo e também do governo. A autofiscalização fracassou miseravelmente na Inglaterra e no Brasil é essencialmente uma piada.
Com atraso de vários dias, a Folha entrevistou Rue, e o resultado está na edição de hoje. Ponto para a Folha, ainda que não se tenha tocado num assunto que ele abordou no Brasil – o absurdo de o jornal destruir, na Justiça, a paródia digital Falha de S. Paulo. (Rue lembrou que nos Estados Unidos havia uma paródia do NY Times.)
As teses de Rue mostram que o Brasil está, infelizmente, distante de ter uma mídia genuinamente “livre” – a não ser que consideremos que “livre” signifique a subordinação completa aos interesses de um pequeno grupo de grandes corporações para as quais notícia é apenas o que as beneficia.
______________________________________________

PIG QUER EMPACAR A DILMA. E PARAR O BRASIL


O Máximo Líder da Oposição, o Diasmóstenes, a Urubóloga e o Ataulfo querem provocar o sangramento do PIB da Dilma.

“Orçamento paralelo do Governo Federal”… é a manchete do Estadão.
“Maquiagem de R$ 200 bi garantiu meta do Governo”
“Contabilidade criativa”
É o “estelionato fiscal”.
É o que se lê no Globo, o 12º voto do STF, e na Urubóloga, a mais notável pensadora neolibelês que o Brasil foi capaz de produzir.
É porque a Dilma conseguiu cumprir a meta do superávit fiscal e, portanto, vai gastar, gastar.
Até o Ataulfo Merval de Paiva, no recesso do Supremo, permitiu-se tratar do assunto com as platitudes de sempre e denunciou uma “manipulação.
Na primeira página desta segunda-feira, o Globo agora anuncia que o Grande Líder da Oposição, o Diasmóstenes, aquele dos R$ 16 milhões subitamente revelados, vai convocar o Ministro Mantega para dar explicações.
O presidente do PPS, Roberto Freire, comunista que aderiu à Carta de Vinhos do Fernando Henrique, diz que o Governo fez um “puxadinho” nas contas.
O Ministro Mantega poderia condicionar a ida ao Senado se, com ele, fosse também o Gustavo Franco, para explicar em que pé andavam as reservas cambiais do Brasil quando o Brasil quebrou e foi ao FMI pela terceira vez.
Uma questão de simetria.
O que a Oposição do Diasmóstenes quer é empacar o Brasil.
O que a Dilma fez foi utilizar todos os recursos legais e previstos – como usar o Fundo Soberano como instrumento de política anti-cíclica – para manter a economia em atividade.
Viva Keynes !
Viva Alexander Hamilton !
Fora Merkel, como se diz em toda a Europa, de Portugal à Grécia !
O que o Diasmóstenes e sua trupe querem é empacar o Brasil.
Fazer o Brasil ter o Pibinho do Fernando Henrique ( 2,7%, na média de oito anos) e acusar o Governo de “desmoralizar as contas públicas”, como insinua a Urubóloga.
Surpreender o “mercado” – e isso é inadmissível.
O “mercado”, de preferência, deve saber ANTES.
Como acontecia no Banco Central quando os economistas do “mercado” tinham uma reunião com a diretoria do BC para “sentir o pulso” da economia – e sacar qual ia ser a próxima Selic …
A Oposição Diasmóstenes, do Varão dos Pinhais, já percebeu que o mensalão (o do PT) e a Rose não colam.
E, daqui a pouco, o valeriodantas se encontra com o Fernando Henrique.
Por isso, é preciso derrubar a economia.
Provocar o sangramento do PIB.
E vender a Petrobrax: clique aqui para conhecer o programa de Governo (?) do Aécio Never, agora com a colaboração Superior do Guru de Trípoli, segundo o Bessinha.
Provisoriamente, o Conversa Afiada recomenda prestar atenção, de novo, à Urubologa.
Ela voltou a ser o leme que conduz a Oposição ao despenhadeiro.
O Ataulfo Merval volta a ter serventia quando acabar o recesso do Supremo.
E ele voltar a votar.

Paulo Henrique Amorim
__________________________________________

A “ousadia” de José Genoino



No Blog da Cidadania

Aspirantes a ditador encastelados no Judiciário, no Legislativo, na imprensa e até entre cidadãos comuns estão sobejamente indignados com José Genoino Guimarães Neto, cearense de Quixeramobim que, aos 66 anos, está prestes a cumprir pena de prisão por ter colocado a própria firma em um contrato de empréstimo de um banco ao partido político que presidia. A razão da indignação: ele teima em querer exercer seus direitos.
Ainda assim, apesar de a vida do ex-presidente do PT ter sido vasculhada de cima a baixo durante sete longos anos, não foi encontrado um mísero aumento de seu patrimônio. Nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público e muito menos a imprensa conseguiram atribuir-lhe qualquer intenção de se locupletar.
Tudo o que Genoino tem na vida é um modesto sobrado no bairro paulistano do Butantã, que, vendido, não pagaria a multa imposta pelo STF no âmbito da Ação Penal 470. Detalhe: o imóvel foi adquirido muito antes de o PT chegar ao poder, não havendo como atribuir sua compra ao “mensalão”.
Colunistas, editorialistas, articulistas, comentaristas de telejornal, repórteres e parte de seus leitores e espectadores tratam de atiçar a matilha despótica contra um homem cujo crime foi cumprir uma obrigação partidária, ainda que possa ter havido alguma ilegalidade no negócio feito entre seu partido e o banco que lhe concedeu o empréstimo fatídico.
A condenação de Genoino, pois, não lhes é suficiente. Prender seu corpo não basta, há que prender, também, seu espírito. Os mesmos aspirantes a ditador querem cassar um direito sagrado em qualquer democracia que se preze: o direito de um acusado pela Justiça se declarar inocente independentemente de a acusação ter ou não sido julgada.
Temos visto, à larga, os meios de comunicação serem tomados pela premissa de que o ex-presidente do PT deveria assumir as culpas que lhe imputam e abdicar de exercer seus direitos. Deveria se “envergonhar” e fazer “profissão de fé” na própria culpa, ao melhor estilo daquilo a que eram abrigados os expurgados pelo mesmo stalinismo de que os cúmplices e entusiastas da ditadura militar brasileira acusam petistas e/ou qualquer esquerdista.
Genoino e a filha estiveram no Congresso, altivos. Foram, então, cercados e moralmente seviciados pelos que o prisioneiro de consciência chamou, apropriadamente, de “torturadores modernos”.
Não basta, portanto, condenar Genoino ou qualquer outro réu do mensalão. Eles têm que colaborar com seus algozes. A direita midiática exige que se humilhem publicamente, abdiquem de qualquer direito que lhes reste e, de quebra, ajudem a enlamear a honra de companheiros e até do próprio partido. Querem estender suas condenações àqueles contra os quais não pesa processo algum.
Este blog, assim, exorta seus leitores a se solidarizarem não com Genoino, mas com o Estado de Direito, pois está sob severa ameaça quando setores barulhentos e despóticos da sociedade exigem que um homem abdique do direito fundamental de qualquer ser humano de se declarar inocente independentemente de ter sido julgado e condenado, até porque a História está repleta de condenações que depois se revelaram injustas.
_________________________________________

sábado, 5 de janeiro de 2013

Contra a nomeação de Kátia Abreu para o ministério Dilma


Petição contra a nomeação da senadora Kátia Abreu no ministério Dilma

Movimento Brasil pelas Florestas, sugestão da SGeral do MST

Presidenta Dilma Rousseff

“Repudiamos a possibilidade da senadora Kátia Abreu (PSD – TO) ser nomeada ministra em sua gestão . A nomeação de Kátia Abreu representaria um passo a mais na direção dos interesses do latifúndio e das multinacionais do agronegócio. Caso essa ação se confirme será entendida por nós como um sinal do rompimento definitivo do governo federal com o desenvolvimento sustentável.“
Por que isto é importante
Caros amigos
Aproveitando o fim de ano os ruralistas se articulam para emplacar sua principal representante no congresso, a senadora Kátia Abreu (PSD – TO), como ministra do governo Dilma em 2013.
Como noticiou a Folha de São Paulo em 19/12/2012:
“Crítica do governo do ex-presidente Lula, a senadora tem buscado aproximação com Dilma e é cotada para representar o PSD na reforma do primeiro escalão, que deve levar em conta os resultados das eleições municipais deste ano.”
Kátia Abreu comanda o bloco ruralista no Congresso e é presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), principal associação ruralista do país. Em 2012, a senadora esteve entre os principais articuladores das alterações no novo Código Florestal, que anistia desmatadores e incentiva o desmatamento.
Kátia Abreu já foi alvo de ação civil do Ministério Público na justiça de Tocantins por descumprir o antigo Código Florestal, desrespeitar povos indígenas e violar a constituição. Seu filho, o deputado Irajá Abreu (PSD – TO), é dono da fazenda Aliança em Aliança dos Tocantins, que recebeu dois embargos por danos ambientais: um por desmatamento de reserva legal e outro por retirada de APP, totalizando 75 hectares de perda de mata nativa. (Fonte: site do MST)
Para assinar a petição, clique AQUI
__________________________________________________

Dilma e o destino


A presidenta vai enfrentar um ano difícil, mas tem a oportunidade de uma mudança histórica para o futuro do País.

Mino Carta, CartaCapital

“Há situações que me causam alguma perplexidade. Durante o governo Lula o empresariado queixava-se dos juros escorchantes, com exceção dos banqueiros, está claro. De sua alegria cuidava o presidente do BC, Henrique Meirelles. Em compensação, o vice-presidente da República, o inesquecível e digníssimo José Alencar, defendia com ardor a demanda dos seus pares.
Agora o governo Dilma abaixa os juros, e todos se queixam, em perfeito uníssono.
Busco uma explicação, embora me tente recorrer a um dos grandes escritores do absurdo, movido pela convicção de que somente eles seriam capazes de explicar o Brasil.
Este é um país que consegue viver contradições abissais, a começar pelo seguinte fato: atravessamos no mesmo instante épocas diferentes. A modernidade tecnológica e a Idade Média política e social.
No caso dos juros, os lances mais recentes do governo Dilma revelaram outro fato bastante significativo: muitos brasileiros que se dizem empresários são, de verdade, apenas e tão somente especuladores. 
Contaminados pelo vírus do neoliberalismo, acertaram sua irredutível preferência pela renda no confronto com a produção, e a baixa dos juros os atinge na parte mais sensível do corpo humano, ou seja, o bolso, como disse há muito tempo o professor Delfim Netto.
Seria preciso assumir o autêntico papel do empresário e, em vez de acompanhar os movimentos das bolsas e das oligarquias financeiras, trabalhar para produzir e enfrentar a concorrência e riscos variados como, creio eu, vaticinava Adam Smith. Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar às tarefas da Banca di San Giorgio.
O governo Dilma dá um passo adiante em relação àquele que o precedeu. Mexe com os interesses do poder real, conforme a opinião de analistas atilados. Ousa o que Lula não ousou. E o balanço da primeira metade do seu mandato há de registrar esse avanço em primeiro lugar.
É justo perguntar aos nossos botões por que um país tão favorecido pela natureza não atingiu o grau de desenvolvimento que lhe compete. E a resposta é inescapável: a casa-grande ficou de pé e conseguiu, sem maiores esforços, a bem da verdade, manter a Nação atada ao seu próprio tempo de prepotência. “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”, dizia Raymundo Faoro.
Poder absoluto de um lado, submissão do outro. Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, tentou enfrentar a casa-grande e morreu suicidado. O novo desafio demorou 48 anos e começou com a eleição de Lula, início de um capítulo inédito da história, este por ora a mostrar-se duradouro. Como se deu com Getúlio, mas em circunstâncias diferentes, o povo identificou-se com seu líder. No entanto, ao contrário de Getúlio, Lula é seu povo, e chegou depois de uma ditadura de 21 anos imposta pela casa-grande e de uma fase da chamada “redemocratização”, na prática voltada à manutenção do poder real e dos seus privilégios medievais.
Dilma, nesses seus últimos dois anos de mandato, deu continuidade à obra do antecessor sem deixar de conferir marca pessoal ao desempenho. De saída, livrou-se de ministros incômodos, como o exorbitante “operador” Antonio Palocci, ou Nelson Jobim, atucanado militarista. Prosseguiu pelos caminhos traçados por Lula na política social e exterior e foi recebida mundo afora como digna sucessora do “cara”. Lança, enfim, as bases de uma política econômica afinada com os objetivos de um governo social-democrático habilitado à contemporaneidade do mundo.
Janus bifronte mostra o cenho franzido na face que encara o passado, enxerga um 2012 difícil, de desenvolvimento econômico medíocre, abalado por uma crise mundial muito antes que brasileira. Não está desanuviado o rosto que olha para o futuro. O ministro Mantega promete em 2013 um crescimento de 4%, ou pouco mais, índice excelente nas circunstâncias. Não me arrisco a analisar a promessa. As dificuldades para Dilma se espraiam bem além da situação econômica, a despeito das influências que esta exercerá em outros quadrantes.
A “Operação 2014”, desencadeada pela mídia contra Lula e contra o governo não arrefecerá certamente na perspectiva do pleito do ano próximo. De certa maneira, a campanha eleitoral já partiu e definiu seus temas recorrentes. Sim, os tempos mudaram e os porta-vozes do poder real não alcançam a maioria da Nação. Sobram, porém, os problemas criados dentro do PT, da base governista e até do governo. Semeados inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, lunaticamente inclinado a subverter as regras basilares da democracia e a agredir a Constituição. Será que o ministro da Justiça tem mesmo de resignar-se diante de tanto descalabro?
Assustam, sejamos claros, um STF e um procurador-geral da República claramente engajados na Operação 2014. Para seu próprio bem, cabe ao governo uma reação à altura, também em outra frente, para reestruturar o Partido dos Trabalhadores, hoje dividido, depauperado e em estado de confusão. Neste campo, a intervenção do fundador é indispensável. Lula é o líder em condições de conduzir o partido no retorno ao passado, para reencontrar aquela agremiação que o sustentou por três eleições e enfim o levou à Presidência em 2002.
Quanto à base governista, os problemas parecem insolúveis. Governar exige alianças de ocasião e as melhores intenções acabam por lastrear o caminho do inferno. Há parceiros confiáveis e outros que veem na carreira política a escada da vantagem pessoal. Há quem sugira uma ação para buscar o favor do empresariado. Talvez aqui a tarefa seja menos complicada do que a tentativa de formular planos comuns com, digamos, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do senador José Sarney, ou com o PDT de Miro Teixeira e outros do mesmo jaez.
Permito-me, de todo modo, como se daria a aproximação ao empresariado descontente com a política econômica. Por meio de um seminário sobre o capitalismo de Adam Smith e John Maynard Keynes? Mesmo assim, tentativas menos ingênuas poderiam ser experimentadas, com algum êxito, quem sabe.
Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, intérpretes da modernidade, enquanto eu batuco na minha -Olivetti Linea 88. Sou francamente arcaico, mas temo que o computador me engula como fez e faz com tantos outros. 
Não escapo à sina, também eu mereço Ionesco, ou Beckett. Certo é, sem qualquer parentesco com o absurdo, que às vezes o bonde da história passa pela porta de casa. Não da minha, é óbvio. Falo de Dilma Rousseff. Sinto nela a crença, a energia, a determinação, a capacidade e o porte dos escolhidos do destino.”
___________________________________________________

Huck, Peixe Urbano e a exploração da tragédia da serra carioca

A marota forma de ajuda de Luciano Huck 

Luciano Huck é sócio do Peixe Urbano, um site de compras coletivas. 
Em dezembro último, o apresentador da Globo usou o Twitter para tentar bater o recorde de vendas de cupons no site:
“O apresentador Luciano Huck – agora sócio do site de compras coletivas Peixe Urbano – usou pela primeira vez o Twitter para impulsionar a venda de cupons de desconto – e quase conseguiu o que queria: superar o recorde de vendas do site.”
http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/08/luciano-huck-ja-usa-o-twitter-para-vender-seu-peixe/
Ontem, ele postou esta mensagem no Twitter: Luciano Huck “Quer ajudar, e muito, as vítimas da serra carioca [sic]. Via @PeixeUrbano, vc compra um cupom e a doação esta feita. http://pes.ca/gZ2Ibb”
http://twitter.com/#!/huckluciano/status/26377814122962944
A compra dos cupons, segundo o site, reverterá em benefício de duas ONGs que estão ajudando as vítimas das enchentes. Parece bonito, mas não é.
Primeiro, é necessário ir ao site do negócio de Luciano.
Depois, é preciso se cadastrar no site. E então comprar um ou mais cupons de R$10,00.
Ganha Luciano porque divulga o seu negócio (mais de 7.000 RTs até agora), cadastra milhares de novos usuários em todo o Brasil, familiariza esses usuários com os procedimentos do site, incentiva o retorno e aumenta absurdamente o número de cupons vendidos – alavancando o Peixe Urbano comercial, financeira e mercadologicamente. Além do ganho de imagem por estar fazendo um serviço público (li vários elogios nos RTs).
Sabe-se lá como será contabilizado ou fiscalizado o total recebido como doação e repassado para as duas organizações parceiras. O usuário não tem nem terá acesso a esses dados internos.
Supondo que todo o montante arrecadado chegue às vítimas, se for mesmo o que estou entendendo, trata-se da mais sórdida exploração da desgraça alheia que já presenciei em toda a minha vida.
As pessoas que estão doando seu dinheiro, seus produtos, seu tempo, suas habilidades e sua atenção aos desabrigados e às vítimas não estão pedindo nada por isso, não estão ganhando nada com seu gesto de solidariedade, não estão usando essa tragédia para obter nenhuma forma de lucro pessoal. Fazem o bem porque são humanas, ficaram chocadas com as imagens e as informações, se sensibilizaram com o sofrimento alheio. Ajudam por solidariedade, empatia e até por desespero.
E a maioria delas não tem quase nada na vida, em comparação com o apresentador da Globo.
De todas as iniciativas já divulgadas até o momento, só a de Luciano Huck visa primeiramente ao lucro pessoal, para depois, secundariamente, resultar numa ajuda social.
Quando um tsunami matou 200 mil pessoas no sudeste da Ásia, em 2004, recebi um e-mail de um escritor inglês pouco conhecido, no qual se fazia a oferta: “Compre um dos meus livros, e eu doarei 30% do valor para as vítimas da tragédia”. Saí da lista do explorador barato na hora, mas a favor dele contava o número reduzido de destinatários da mensagem.
Luciano Huck tem 2.600.000 seguidores no Twitter: é este o público-alvo do seu apelo interesseiro. Pode não bater o recorde de cupons, desta vez, mas temo que tenha batido o recorde da safadeza. Aceito argumentos que me provem o equívoco dessa suspeita.
Depois dos R$24 milhões entregues pelo Estado à Fundação Roberto Marinho, dinheiro originalmente destinado à contenção de encostas e às obras de drenagem, mais esta. Turma da Globo, vocês pensam que estão apenas lucrando com as águas, mas na verdade podem estar brincando com fogo.
____________________________________________

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

RELAXE E GOZE

Marina articula criação de partido e pode disputar o governo do DF


Ex-senadora corre para criar legenda e apoiadores admitem que uma das possibilidades 
é concorrer no Distrito Federal, onde superou Dilma e Serra em 2010. 

Por: KARLA CORREIA (Correio Braziliense)

Ainda amparada pelo capital político dos quase 20 milhões de votos obtidos na disputa presidencial de 2010, Marina Silva passará janeiro e parte de fevereiro empenhada em engrossar as fileiras do partido que pretende lançar com foco nas eleições de 2014. Ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, ela espera consolidar uma bancada de 14 parlamentares que, segundo “marineiros”, já teriam se mostrado alinhados com os planos de criação da sigla. Marina trabalha com um calendário apertado para a oficialização do partido, que terá de sair do papel até outubro para poder disputar cargos no próximo ano. Entre as possibilidades, discute-se até uma eventual candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Na mira de Marina estão nomes como os dos deputados Alessandro Molon (PT-RJ), Reguffe (PDT-DF) e Walter Feldman (PSDB-SP). “Até fevereiro, nós devemos ter uma conversa definitiva sobre esse tema”, diz o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), um dos parlamentares sondados pela ex-ministra. Os senadores Randolfe Rodrigues (PSol-AP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) também são citados por apoiadores de Marina como quadros desejados pela cúpula da futura legenda. Apesar de ainda não ter nome, o partido será pautado por temáticas ambientais e voltadas para a ética.
O projeto é acalentado por Marina desde meados de 2011, quando se desfiliou do PV em meio a uma série de desavenças com caciques da legenda pela qual se lançou candidata a presidente da República. O Movimento por uma Nova Política, lançado na sequência de sua saída do PV, agremia os simpatizantes do ideário da ex-ministra. “Existem muitos militantes descontentes com a estrutura de seus respectivos partidos e buscando algo novo. É em cima desse clima de descontentamento, dessa necessidade de uma nova proposta na política, que nós estamos trabalhando”, diz Pedro Ivo Batista, um dos principais apoiadores de Marina e assessor do instituto que leva o nome da ex-ministra.
Uma das alternativas no caminho do novo partido seria uma fusão com o oposicionista PPS, que deve reafirmar sua proposta a Marina na próxima semana, durante a primeira reunião da sigla neste ano. A princípio, a ideia é descartada pela ex-ministra. “A posição da maioria dos marineiros é que as estruturas partidárias que existem hoje não contemplam as nossas propostas, não nos sentimos representados pelo formato atual dos partidos”, explica Pedro Ivo.
A criação de mecanismos permitindo o lançamento de candidaturas apartidárias está entre as bandeiras acalentadas pela futura legenda. A participação de cidadãos não filiados na definição dos rumos do partido é outra inovação discutida entre os elaboradores do programa da sigla. Mas, apesar das discussões adiantadas sobre a estrutura partidária, candidaturas para 2014 ainda são um assunto delicado. A começar, por causa da própria Marina.
Cenários
A ex-ministra hesita em declarar qualquer intenção sobre a corrida presidencial de 2014 e, internamente, afirma que não quer ser vista pelo eleitorado como uma “política profissional”, que dependeria de um cargo eletivo para expor suas propostas. Uma das possibilidades aventadas seria o lançamento de Heloisa Helena para disputar a presidência no próximo ano. Hoje vereadora de Maceió pelo PSol, Heloisa Helena já declarou a intenção de abandonar o partido que ajudou a fundar para aderir ao projeto de Marina Silva.
Segundo interlocutores, uma das propostas em estudo por Marina é disputar o GDF em 2014 — na disputa presidencial de 2010, ela foi a mais votada no Distrito Federal. Com 611.362 votos (41,96% dos votos válidos), ficou à frente de Dilma Rousseff e de José Serra. “Apesar de toda a resistência, ela sabe que não vai poder se manter afastada da primeira linha da política sem que isso afete a força do partido que pretende criar”, diz um apoiador.
_________________________________________________

Por que público foge da TV aberta



No Blog da Cidadania

Conforme notícia divulgada pela Folha de São Paulo nesta semana, a Rede Globo fechou o ano passado com a pior audiência de sua história. Segundo dados do Ibope, em 2012 ela teve, em média, 14,7 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios).
A emissora ainda amarga o pior índice em seu principal programa jornalístico, o Jornal Nacional, que, ano passado, teve média de 28,1 pontos contra o pico de audiência, que ocorreu em 2006, de 36,4 pontos.
Todavia, é equivocada a percepção de muitos de que se trata de um problema isolado da Globo. Houve queda de audiência de todas as TVs abertas no ano que passou em relação a 2011.
Apesar de a Globo ter fechado 2012 com 14,7 pontos contra 16,3 em 2011, a Record teve 6,2 pontos contra 7, 2, o SBT 5,6 pontos contra 5,7, a Band 2,5 pontos contra 2,5 e a Rede TV! liderou a queda, tendo perdido 37% de sua audiência no ano passado, tendo cravado 0,9 pontos contra 1,4 em 2011.
E não foi só. O número de aparelhos ligados em televisões abertas caiu perto de 5%.
O resultado negativo mais “vistoso”, claro, foi o da Globo, que, ao longo da última década, vem perdendo mais audiência do que as concorrentes, sobretudo devido ao avanço da Record e à forte perda de audiência do Jornal Nacional.
Sobre o ainda mais assistido telejornal do país, a perda de audiência acima da média certamente se deve, em boa parte, à utilização do informativo como arma na incessante guerra da Globo contra o governo federal e o PT.
A cobertura do julgamento do mensalão, por exemplo, irritou profundamente até o público que não gosta do PT. Tentando influir a qualquer preço na eleição municipal do ano passado, sobretudo na de São Paulo, o núcleo de jornalismo da Globo, às vésperas do segundo turno, produziu um dos maiores absurdos que se viu na televisão brasileira.
Em 23 de outubro, a uma semana do segundo turno, logo após o horário eleitoral gratuito, o Jornal Nacional levou ao ar uma matéria que teve duração só comparável às coberturas de grandes catástrofes como a de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quando terroristas derrubaram as Torres Gêmeas do World Trade Center
Dos 32 minutos de duração da edição do JN naquele dia, 18 minutos foram gastos com o julgamento. E o que é pior: não houvera absolutamente nada de especial, naquele dia. Assim, o telejornal se limitou a importunar o telespectador com “melhores momentos” do julgamento.
Aliás, o ineditismo do tempo gasto na reportagem foi de tal monta que virou até matéria de jornal no dia seguinte, na Folha de São Paulo, e ainda gerou representação da ONG Movimento dos Sem Mídia ao Ministério Público Eleitoral acusando a emissora de fazer uso político de uma concessão pública em período eleitoral, contrariando a legislação.
O julgamento do mensalão foi tão martelado por toda a programação da Globo que passou a ser comum ouvir pessoas comentando que não agüentavam mais o assunto. Contudo, a queda mais pronunciada de audiência da Globo e do JN se deve a um processo mais amplo.
Outras emissoras não se beneficiaram da queda de audiência da Globo porque também incorrem em manipulação de notícias, mas, acima de tudo, porque todas as emissoras abertas insistem em uma programação que qualificar de medíocre soa até benevolente.
O público que pode, foge para a televisão a cabo. Quem não pode, recorre à internet. Sobretudo para se informar.
Agora, por exemplo, está sendo anunciado que o Brasil voltará a ser assolado por nada mais, nada menos do que a DÉCIMA TERCEIRA edição do Big Brother Brasil, com bebedeiras, promiscuidade e mediocridade invadindo nossos domicílios.
Alternativa ao BBB? A Record apresenta algo ainda pior, uma cópia malfeita, mais brega, ainda que menos promíscua: o reality show A Fazenda.
Novelas? Apesar de Globo e Record, acima de todas, reunirem bons elencos, as tramas são sofríveis, repetitivas. As histórias são sempre as mesmas, com pequenas variações. Ainda que o público para essas porcarias ainda se mantenha, vem diminuindo percentualmente em relação ao conjunto da população.
O progressivo aumento do nível de escolarização e cultura do brasileiro vai provocando fuga de uma programação cuja produção chega a ser cara só para produzir lixo cultural em estado puro.
Para que se informar pelos telejornais se, pela internet, você fica sabendo antes das notícias e ainda pode ter acesso a diversos ângulos delas?
No Jornal Nacional, por exemplo, o espectador sofre tentativa de manipulação, com notícias distorcidas sob interesses políticos e econômicos e, em geral, não fica sabendo do outro lado da moeda.
Há cada vez mais gente, portanto, produzindo seus próprios informativos pela internet. Hoje você pode montar uma rede de sites e blogs nacionais e internacionais e se informar em muito maior profundidade.
Claro que ainda é restrito o contingente de pessoas que montam seu portfólio informativo com base em critérios mais racionais e via internet, mas esse contingente cresce de forma exponencial.
O que ocorre no Brasil é uma tendência mundial. Nos EUA, por exemplo, a televisão aberta tem baixa audiência, muito mais baixa do que no Brasil, percentualmente.
Agora, a cereja do bolo: nos próximos anos, as operadoras de telefonia deverão começar a produzir conteúdo para transmitirem via TV digital ou internet, inclusive em celulares. E sem uma regulação das comunicações eletrônicas, a Globo e congêneres estarão ferradas.
Explico: as teles vêm aí com arcas incontáveis de dinheiro para investir em conteúdo, com seus faturamentos dez vezes maiores do que das emissoras tradicionais, inclusive da Globo. Sem regulação do setor, até ela será engolida.
Talvez por conta disso vemos o governo Dilma impassível diante do clamor de setores da sociedade por uma “lei da mídia”, pois a tecnologia deverá levar Globo e companhia limitada a baterem na porta do governo pedindo regulação, por incrível que pareça.
Muitos – entre os quais me incluo – estão contrariados com a postura da presidente Dilma de renegar qualquer intenção de dar ao Brasil uma legislação moderna para esse setor tão crucial, até porque há medo de que os barões da mídia arranquem de um governo aparentemente acovardado uma regulação feita sob medida para os interesses deles.
Todavia, apesar de também ter essa preocupação, penso que a passividade do governo federal pode – apenas pode – ser uma estratégia para negociar em posição de força quando a própria família Marinho, entre outros, bater-lhe à porta pedindo uma “lei da mídia”.
A ver.
______________________________________________

O PT COMEÇA A DAR OS NOMES AOS BOIS


O caminho “técnico” da Dilma não é o do PT. A rua tem que tirar o PT do círculo de concreto do PAC.

Saiu na Folha: PT DENUBCIA CAMPANHA PARA TACHAR LULA DE CORRUPTO

Num documento em que prega a necessidade de produzir uma narrativa histórica própria sobre os dez anos em que comanda o governo federal, o PT se diz vítima de uma campanha de desmoralização e compara o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Getúlio Vargas e João Goulart. (…)
O texto de convocação ataca a mídia e “grupos incrustados em setores do aparelho de Estado” como substitutos dos partidos da oposição em uma suposta tentativa de desqualificar o PT. (Assim) “grandes episódios de corrupção” dos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Fernando Collor (1990-1992) “nunca mereceram investigação que levasse seus responsáveis à punição pela Justiça”.
.......................

O PT começa a localizar o adversário principal.
A Casa Grande e seu entorno.
Não é o PSDB, o PMDB, ou o DEMO.
Esses são rios afluentes.
São puxadinhos da Casa Grande.
Na sala de jantar do Golpe hoje se sentam o PiG e seus capatazes, o Supremo (nos “Chinco Campos”, o Ministério Público do brindeiro Gurgel e instituições que o PT chama de “aparelho de Estado”.
Já que usa expressão a “aparelho de Estado”, podia recorrer à mesma fonte gramsciana e formular uma política para disputar o jogo no “sociedade civil”.
Chega de estrategia de Economia.
Deixa os tucanos se reunirem à volta do Farol de Alexandria – clique aqui para ler – para conceber um Real-II e defender a Privataria.
Eles não passam de 1994.
O PT elegeu três presidentes e é o maior partido.
Tem a responsabilidade de formular políticas que defendam e aprofundem a Democracia, combater a desigualdade e promover a prosperidade.
É para isso que o PT governa.
Para melhorar a vida do pobre.
O resto é o luar de Paquetá, para quem não ouviu falar em “luta de classes”.
Não basta ter popularidade alta.
Quando o Brasil ganhou a Copa de 70, a popularidade do Médici devia ser a da Dilma de hoje…
A “carta convocatória” do congresso para 2013 – um ano antes da eleição presidencial – começa a deixar claro que o PT se descola da Dilma.
Assim como a Dilma rompe com o PT, em torno da questão central da Ley de Medios.
Clique aqui para ler “A Dilma tem a ver com o mensalão, sim !”.
A Dilma mantém relações formais e (às vezes) cordiais com o PT.
O Michel Temer está mais feliz que o Rui Falcão.
Chama aquele e não este para jantar em casa.
O que é muito bom.
O caminho “técnico” da Dilma não é o do PT.
O da omelete com a Ana Maria Braga.
O PT deveria voltar às ruas e fritar ovo no asfalto da Avenida Presidente Vargas, ao meio dia, neste verão.
Com o Lula.
(Clique aqui para ver que Lula vai voltar às ruas este ano.)
E extrair de lá ideias, propostas, uma política que não se feche no círculo de concreto do PAC.
Não apenas para defender o Lula de Thomas Jefferson, do Marcos Valério e seus interlocutores supremos.
Mas, a Casa Grande não deveria ficar inteiramente feliz.
O PT pode se descolar da Dilma.
E a Dilma não se re-elege sem o PT.

Em tempo: Bessinha presta aí uma homenagem a José Genoíno que chamou o repórter do PiG de “torturador moderno”. É o PT que não odarela diante da Globo.

Paulo Henrique Amorim
_____________________________________

ZENALDO EM BELÉM: UM COMEÇO PREOCUPANTE

Zenaldo: irmão ganha Secretaria Municipal de Administração. E duas secretárias são processadas por corrupção e improbidade (Foto:DOL).

Já nomeou o irmão, além de parentes de Jatene e de desembargador, para secretarias municipais. Cunhada do governador nomeada para a CODEM é acusada de improbidade e está com os bens indisponíveis. Secretária municipal de Planejamento está indiciada em inquérito no STJ, por suposto envolvimento no Caso Cerpasa.

No Blog da Perereca

Com apenas 51 anos de idade e dono de uma bela carreira política (quase três décadas de sucessivos mandatos parlamentares), o tucano Zenaldo Coutinho Junior tinha tudo para realizar uma boa administração na Prefeitura de Belém.
Afinal, ao longo dessa carreira, que começou na Vereança e culminou na Câmara dos Deputados, Zenaldo aprendeu a dialogar com gregos e troianos, o que é fundamental para amenizar as picuinhas político-partidárias que já frustraram até a realização de obras estratégicas para o desenvolvimento da capital paraense.
Além disso, na terra arrasada que é a Belém de hoje, o tucano nem precisaria ser um grande administrador: bastaria, apenas, uma gestão correta, mediana, para, quem sabe, ficar na História.
No entanto, os dois primeiros dias de Zenaldo na Prefeitura de Belém parecem indicar que o que vem por aí é um mar de escândalos - a principal marca, aliás, da gestão de seu “padrinho” político, o governador do Pará, Simão Jatene.
De uma só tacada, Zenaldo nomeou o próprio irmão, o advogado Augusto Cesar Neves Coutinho, para a Secretaria Municipal de Administração (Semad); a ex-mulher de Jatene, Heliana, para a Fundação Cultural de Belém (Fumbel); e o advogado Leonardo Maroja, que seria filho do desembargador João José da Silva Maroja, para a Secretaria de Assuntos Jurídicos (Semaj).
Não bastasse isso, nomeou para a CODEM, a Companhia de Desenvolvimento Metropolitano, uma cunhada de Jatene, a arquiteta Rosa Maria Chaves da Cunha, que está com os bens indisponíveis devido a fortes suspeitas de improbidade administrativa; e a ex-secretária especial do governador, Tereza Cativo, indiciada em inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por acusações de corrupção, no enroladíssimo Caso Cerpasa.
Imoralidade pública
Em outubro de 2012, o juiz Marco Antonio Lobo Castelo Branco, da 2ª Vara da Fazenda de Belém, concedeu liminar, em Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público, determinando o bloqueio dos bens de Rosa Cunha, do irmão dela, Philadelpho Machado da Cunha e Junior e de mais três pessoas: Samarian de Jesus Minas Marinho, Maria da Conceição Campos Cei e João Farias Guerreiro, ex-presidente da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP).
O problema, segundo consta no site do Tribunal de Justiça do Estado, é a Dispensa de Licitação 06/2006, realizada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em favor da Fadesp.
Na época, 2006, o último ano do primeiro governo do tucano Simão Jatene, talvez o governador brasileiro que mais empregou parentes na máquina pública (eram, pelo menos, 22, apenas no Executivo, sem contar os aboletados no Tribunal de Justiça e nas cortes de contas), a arquiteta Rosa Cunha, que é irmã da atual mulher de Jatene, Ana Maria, era secretária de Educação. O irmão delas, Philadelpho, era o secretário adjunto.
Na ACP, o Ministério Público sustenta que a dispensa licitatória provocou prejuízos ao erário – daí o pedido de bloqueio de bens, para assegurar eventual ressarcimento. E daí, também, o pedido para que todos sejam condenados à perda da função pública e à suspensão dos direitos políticos.
No despacho de concessão da liminar, o juiz referiu a existência de “fortes” indícios de irregularidades, “embora, ainda não haja certeza por parte deste juízo e para isto servirá o processo para confirmar ou infirmar as denúncias”.
E escreveu, mais adiante: “Dito isto, tenho que os indícios de locupletação estão presentes em face da análise da documentação acostada, entre outros pelo eventual direcionamento da dispensa de licitação”.
LEIA MAIS
__________________________________

EUA aguardam destino de Chávez




O cartunista e ativista Carlos Latuff é colaborador do Opera Mundi. 
Seu trabalho, que já foi divulgado em diversos países, é conhecido por se dedicar a diversas causas políticas e sociais, tanto no Brasil quanto no exterior. 
Para encontrar outras charges do autor, clique aqui.
____________________________

Cem mais ricos do mundo ampliaram fortunas em 2012


De acordo com a Bloomberg, ganharam mais 183 bilhões de euros no ano passado e comemoraram o ano como ótimo para os bilionários do mundo. Apenas 16 ficaram mais “pobres”. 
O mais rico continua a ser o mexicano Carlos Slim, com uma fortuna avaliada em 75,2 bilhões de dólares, e que viu crescer 21,6% os seus investimentos nas empresas de telecomunicações, no setor imobiliário ou em grupos de comunicação. Slim é proprietário de Telmex, e detem o monopólio das comunicações no México.

Apesar da crise econômica que afeta a economia mundial, os 100 mais ricos do planeta ficaram ainda mais ricos em 2012 e ganharam mais 241 bilhões de dólares (183 bilhões de euros), revelou quarta-feira a Bloomberg no seu resumo anual. “O ano passado foi ótimo para os bilionários do mundo”, disse o magnata John Catsimatidis, proprietário da Red Apple Group Inc..
Só 16 dos 100 maiores magnatas do mundo viram as suas fortunas reduzidas em 2012.
O mais rico continua a ser o mexicano Carlos Slim, com uma fortuna avaliada em 75,2 bilhões de dólares, e que viu crescer 21,6% os seus investimentos nas empresas de telecomunicações, no setor imobiliário ou as suas ações em grupos de comunicação. Slim é proprietário de Telmex, o que lhe dá o monopólio das comunicações no México.
O segundo mais rico, o norte-americano Bill Gates, cofundador da Microsoft, aumentou os seus bens cerca de 12,6% e conta com um património de 62.7 bilhões de dólares.
O terceiro é o espanhol Amancio Ortega, o mais rico de Europa, dono da Zara. Tem uma fortuna de 57.5 bilhões de dólares e ficou 22.2 bilhões mais que rico que no ano anterior.
O quarto lugar das fortunas mundiais é do norte-americano Warren Buffet, que desde o início da crise tem pedido sanções legais para os responsáveis pelos bancos e pediu a Obama várias vezes que aumentasse os impostos sobre as grandes fortunas. Tem uma fortuna de 47.9 bilhões de dólares.
O quinto é o sueco Ingvar Kamprad, fundador da IKEA, com uma fortuna de 42.9 bilhões de dólares.
Outros supermilionários viram crescer desmesuradamente as suas fortunas neste ano de crise e de reduções salariais para os trabalhadores.
Magnatas como o saudita Alwaleed bin Talal Ao Saud ou o chinês Lê Shau Kee ampliaram os seus já imensos patrimónios em 65,2% e 42,4%, respectivamente.
O brasileiro Eike Batista foi o milionário que mais “empobreceu”, perdendo 10.1 bilhões, e o título de mais rico do Brasil para Jorge Paulo Lemann, um dos donos da AB InBev, a maior fabricante de cervejas do mundo. Também é dono da rede de fast food Burger King, da ALL assim como de ferrovias nos EUA, das Lojas Americanas, da Submarino, Americanas.com e outros interesses difusos.
________________________________________

NOSSA HOMENAGEM AO JESSÉ GOMES DA SILVA FILHO


Jessé presta socorro às vítimas de Xerém

Por Stanley Borburinho no Conversa Afiada : 

No início da década de 80 trabalhei no Serpro, na 7ª URO, que fica no Horto, atrás do Jardim Botânico, desenvolvendo, em Assembler (Assembly), o sistema operacional do Concentrador de Teclados para digitação de declaração de imposto de renda.
Havia no Serpro um office-boy, magrinho, que adorava samba e era adorado por todos os funcionário. Ele se chama Jessé Gomes da Silva Filho. Chegava atrasado no trabalho quase todos os dias, devido às noitadas de samba de que participava.
Ele implorava ao Diretor-Geral, o Júlio César, para ser demitido, mas o Júlio, que adorava o Jessé, se recusava a demití-lo e sempre pedia para o Jessé cantar um samba. 
Veja abaixo quem é o Jessé.

“JESSÉ, OU MELHOR, ZECA PAGODINHO FOI FUNCIONÁRIO DO SERPRO

Carlos Henrique Ferreira, vinculado à 6ª RF (Belo Horizonte), atualmente prestando serviço de suporte de rede em Montes Claros (MG), trabalhava como contínuo no 8º andar do prédio da Burroughs, onde funcionava o Serpro, no Rio de Janeiro, por volta de 1981. Era conhecido como Shaolin e se lembra bem de um novo profissional que entrou para a copa, em substituição a um colega que mudara de função.
“Ele era bem franzino, mas rápido e safo, e resolvia qualquer problema”, lembra Ferreira. A copa do 8º atendia a quatro andares, fora a diretoria. “Quando havia reunião, o bicho pegava. Imagine o peso da bandeja que tínhamos que carregar: 20 cafés e 20 águas, além das xícaras, bules e açucareiros”, diz Shaolin, acrescentando que outro garçom dava apoio, levando só água, em copos duplos de cristal.
O nome do novato, que logo se tornou amigo, era Jessé Gomes da Silva Filho. Tinha na época 22 anos e morava no subúrbio carioca de Del Castilho. Nascido em Irajá, Jessé freqüentava rodas de samba de fundo de quintal. “Às vezes pegávamos o busão juntos, pois eu morava bem depois de sua casa, e queimava um bocado de chão para chegar em Inhaúma. Uma tarde, conversando, me disse que tinha visto um cara tocar cavaquinho e se amarrou no tal instrumento. Ele já tocava violão e ficou entusiasmado para aprender”, conta Ferreira.
O trabalho dos funcionários da copa ainda implicava fazer serviços de rua: desmarcando, cancelando e remarcando vôos aqui e ali, percorriam os escritórios das companhias aéreas, quando a internet ainda estava longe, para conseguir lugar aos executivos do Serpro, em suas viagens pelo país. Para Waldemiro Schneider, que também conviveu com Jessé, ele era o encarregado de fazer a fezinha do pessoal, no jogo do bicho, um velho hábito carioca que existe até hoje.
Um dia, outro contínuo, o Sinivaldo, de Niterói, resolveu trazer o cavaquinho para o Serpro. A turma da copa combinou então esperar a parte da tarde, quando tudo ficava mais tranqüilo. “Na estreita copa, o pagode teve início com a seguinte formação: Jessé no cavaco; eu, Shaolin, de marcação na geladeira; Carlos Alberto com dois copos de água de plástico e uma caneta fazendo o tamborim; Sinivaldo, com um pandeiro – na verdade, um pano esticado sobre o porta-xícaras da máquina de café; a copeira, com um rodo e pano de chão, era nossa porta-bandeira; e o mestre-sala, se não me engano, era o Luiz, o Charuto”.
Jessé dera ao amigo Shaolin outro apelido, chamava-o de “Gordo Karatê”. Concentrada, a banda se esqueceu de que o andar era todo em divisórias. Foram surpreendidos pelo chefe, “com seu tradicional bordão” e dirigindo-se a Jessé: – Pô, mermão, você vacilou! Ninguém foi despedido por isso, mas todos levaram um tremendo sermão. O tempo passou e Shaolin – que toca tantã – voltou a encontrar o colega “nos pagodes da vida”.
Ele já estava se tornando conhecido. Nas rodas de samba que frequentavam, costumava pedir: “Posso levar um pagodinho?” Jessé adotou o nome Zeca Pagodinho nesse mesmo ano de 1981, quando foi descoberto pela cantora Beth Carvalho. Beth ficou impressionada com seu talento e o convidou a gravar com ela o samba “Camarão que dorme a onda leva”, dele e de Arlindo Cruz. Com 23 anos, Zeca foi convidado a participar do disco “Raça Brasileira”, que reunia outros quatro novos nomes do samba: Jovelina Pérola Negra, Pedrinho da Flor, Eliane Machado e Mauro Diniz.
O disco foi um grande sucesso de vendas, abrindo caminho para a carreira do artista, que em novembro desse ano entrava em estúdio para gravar um CD. Já são 15 discos e um DVD, sempre no topo das paradas com suas músicas alegres, maliciosas, de duplo sentido, cantadas com a graça e o sotaque de um carioca do samba. No centro da polêmica envolvendo duas marcas de cerveja, Zeca Pagodinho compareceu ao programa do Faustão, na TV Globo. O apresentador lhe perguntou se alguma vez ele havia trabalhado na vida. Zeca, ou melhor Jessé, não mentiu. Confessou que foi funcionário do Serpro.”
________________________________________

Banquete tropicarlista

Vai ser uma festa para jornalistas de verdade essa gestão de ACM Neto na prefeitura de Salvador.
Acabo de ler que a delegada Kátia Alves irá assumir a presidência da Limpurb, a companhia de limpeza pública da capital baiana.


Por Leandro Fortes (Carta Capital)
A delegada Kátia Alves em cartaz da campanha ao lado de ACM Neto. Foto: Divulgação
Kátia Alves, para quem não se lembra, foi denunciada pelo Ministério Público Federal, em 2003, por participação ativa no esquema criminoso de grampos montado pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães, do DEM, avô do atual prefeito. A delegada era secretária de Segurança Pública do governo de César Borges, mas era subordinada direta de ACM.
Entre 19 de maio e 21 de agosto de 2002, ACM montou, dentro da Secretaria de Segurança Pública comandada por Kátia Alves, uma central de grampos clandestinos para bisbilhotar a vida de adversários políticos, aliados e até o namorado de uma amante. As informações era analisadas, processadas e serviam, muitas vezes, de base para reportagens caluniosas publicadas no jornal da família Magalhães, o Correio da Bahia.
ACM Neto, embora não tenha tido participação direta naquela diabrura do avô malvadeza, acabou sendo atingido por tabela. Data daquela época, o apelido com o qual desafetos e muitos aliados, inclusive alguns que agora compõe os quadros das secretarias municipais, passaram a lhe chamar: Grampinho.
Agora, peço aos amigos da Bahia que me expliquem, por favor, que diabos a delegada Kátia Alves vai fazer na Limpurb? Limpar a própria biografia? Incinerar provas?
_________________________________________

O MUNDO DE MAL PARA PIOR

A realidade mundial é complexa. É impossível fazer um balanço unitário. Tentarei fazer um atinente à macro-realidade e outro à micro.
Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização, organizada na exploração ilimitada da natureza, na acumulação também ilimitada e na consequente criação de uma dupla injustiça: a social com as perversas desigualdades em nível mundial e a ecológica com a desestruturação da rede da vida que garante a nossa subsistência e se, ainda tomarmos como ponto de aferição a COP 18 realizada neste final de ano em Doha no Qatar sobre o aquecimento global, podemos, sem exagero dizer: estamos indo de mal a pior. A seguir este caminho encontraremos lá na frente e, não demorará muito, um “abismo ecológico”.
Até agora não se tomaram as medidas necessárias para mudar o curso das coisas. A economia especulativa continua a florescer, os mercados cada vez mais competitivos –o que equivale dizer – cada vez menos regulados e o alarme ecológico corporificado no aquecimento global posto praticamente de lado.
Em Doha só faltou dar a extrema-unção ao Tratado de Kyoto. E por ironia se diz na primeira página do documento final que nada resolveu, pois protelou tudo para 2015:”a mudança climática representa uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e esse problema precisa ser urgentemente enfrentado por todos os países”. E não está sendo enfrentado. Como nos tempos de Noé, continuamos a comer, a beber e a arrumar as mesas do Titanic afundando, ouvindo ainda música. A Casa está pegando fogo e mentimos aos outros que não é verdade.
Vejo duas razões para esta conclusão realista que parece pessimista. Diria com José Saramago: ”não sou pessimista; a realidade é que é péssima; eu sou é realista”. A primeira razão tem a ver com a premissa falsa que sustenta e alimenta a crise: o objetivo é o crescimento material ilimitado (aumento do PIB), realizado na base de energia fóssil e com o fluxo totalmente liberado dos capitais, especialmente especulativos.
Essa premissa está presente em todos os planejamentos dos países, inclusive no brasileiro. A falsidade desta premissa reside na desconsideração completa dos limites do sistema-Terra. Um planeta limitado não aquenta um projeto ilimitado. Ele não possui sustentabilidade.
Aliás, evita-se a palavra sustentabilidade que vem das ciências da vida; ela é não-linear, se organiza em redes de interdependências de todos com todos que mantem funcionando todos os fatores que garantem a perpetuação da vida e de nossa civilização. Prefere-se falar em desenvolvimento sustentável, sem se dar conta de que se trata de um conceito contraditório porque é linear, sempre crescente, supondo a dominação da natureza e a quebra do equilíbrio ecossistêmico.
Nunca se chega a nenhum acordo sobre o clima porque os poderosos conglomerados do petróleo influenciam politicamente os governos e boicotam qualquer medida que lhes diminua os lucros e não apoiam por isso as energias alternativas. Só buscam o crescimento anual do PIB.
Este modelo está sendo refutado pelos fatos: não funciona mais nem nos países centrais, como o mostra a crise atual nem nos periféricos. Ou se busca um outro tipo de crescimento que é essencial para o sistema-vida, mas que por nós deve ser feito respeitando a capacidade da Terra e os ritmos da natureza, ou então encontraremos o inominável.
A segunda razão é mais de ordem filosófica e pela qual me tenho batido há mais de trinta anos. Ela implica consequências paradigmáticas: o resgate da inteligência cordial ou emocional para equilibrar o poderio destruidor da razão instrumental, sequestrada já a séculos pelo processo produtivo acumulador. Com nos diz o filósofo francês Patrick Viveret “a razão instrumental sem a inteligência emocional pode perfeitamente nos levar a pior das barbáries”(Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41); haja vista o redesenho da humanidade, projetado por Himmler e que culminou com a shoah, a liquidação dos ciganos e dos deficientes.
Se não incorporarmos a inteligência emocional à razão instrumental-analítica, nunca vamos sentir os gritos da Mãe Terra, a dor das florestas abatidas e a devastação atual da biodiversidade, na ordem de quase cem mil espécies por ano (E.Wilson). Junto com a sustentabilidade deve vir o cuidado, o respeito e o amor por tudo o que existe e vive. Sem essa revolução da mente e do coração iremos, sim, de mal a pior.
________________________________

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

RELAXE E GOZE

"TENHO A CONSCIÊNCIA SERENA DOS INOCENTES"


"Me sinto confortável ao assumir o mandato, estou cumprindo regras e normas constitucionais"

O ex-presidente do PT José Genoino afirmou nesta quinta-feira 11 que assume o cargo de deputado federal com “a consciência sincera dos inocentes”. Condenado a seis anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto pelo Supremo Tribunal Federal, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do “mensalão”, ele foi um dos 11 suplentes que assumiram definitivamente as vagas deixadas por deputados que renunciaram ao mandato para exercerem o cargo de prefeito em vários municípios do país. Ele ficou com a vaga do prefeito eleito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT).
Condenado no “mensalão”, o ex-deputado José Genoino assume vaga na Câmara. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Outros três suplentes foram empossados interinamente porque os titulares apenas se afastaram para assumir postos nos executivos municipais.
“Além da minha consciência serena de inocente, estou cumprindo o dever como deputado federal, respeitando as leis do meu país e as leis constituídas da República”, afirmou.
Ele lembrou que, pela Constituição, só será considerado culpado no caso do “mensalão”após o trânsito em julgado do processo – ou seja, quando todos os recursos forem analisados pelo Supremo Tribunal Federal.
______________________________________________

O grande irmão e o seu olho


Mauro Santayana, em seu blog

“Estamos no universo orwelliano de “1984”. É quase impossível a alguém andar sem ser monitorado por alguma câmera; vigiado, passo a passo, onde quer esteja, pelos satélites; localizado quando usa o aparelho telefônico celular, e assassinado por controle remoto.
Todo esse sistema, que deixa anacrônica a ficção, é dominado, em escala mundial, pelo grande irmão, o governo norte-americano. 
O sistema financeiro, industrial e militar, que manipula o poder, conta com as maiores empresas internacionais.
Contra o voto de pequena minoria, o Congresso dos Estados Unidos acaba de renovar lei do Governo Bush, autorizando a escuta telefônica e o monitoramento de comunicação eletrônica sem autorização judicial, incluindo emails, de cidadãos estrangeiros de todo o mundo, por parte dos serviços secretos norte-americanos - sobrepondo-se à soberania de todas as outras nações.
Embora a desculpa seja a luta contra o terrorismo, não há como saber onde acaba a preocupação com a “segurança nacional” dos Estados Unidos e começa a espionagem comercial e tecnológica, ou a coleta de informações que sirvam para pressionar ou chantagear “inimigos” dos EUA, como os ativistas da democracia ou da transparência, como Julian Assange.
Todos nós, a começar pelos nossos líderes políticos, podemos ser espionados pelos vários serviços norte-americanos, como a CIA e o NSA. Dentro da paranóia ianque, qualquer estrangeiro, que não for seu vassalo e assalariado, é inimigo potencial de seu país.
O monitoramento de “inimigos” dos EUA pelos seus serviços de informação não é novidade. Ao longo do século XX, jornalistas, políticos, lideranças sindicais e sociais de todos os continentes foram monitoradas, perseguidas, e, em muitos casos, diretamente seqüestradas e assassinadas por agentes da CIA, ou matadores por ela contratados – conforme vários livros de ex-agentes, que deixaram suas atividades.
Essa legislação de exceção, aprovada logo após 11 de setembro, foi agora incorporada às leis norte-americanas ordinárias. O que os Estados Unidos estão dizendo ao mundo é que, ao aprovar essa lei, colocam sob a proteção de seu poderio militar qualquer assassino a soldo de seus interesses que seja identificado e detido, em qualquer lugar do mundo. É a velha prepotência, denunciada pelos seus pensadores mais eminentes, como o Senador Fullbright – que foi contra a guerra do Vietnã, e se opunha a toda ingerência de seu governo nos assuntos internos de qualquer outra nação - em seu livro Arrogance of Power:
“O Poder se confunde com a virtude e tende também a ver-se como onipotente. Uma vez imbuído da idéia de missão, uma grande nação facilmente assume que ela possui todos os meios para usá-los como um dever, no serviço de Deus”.
_________________________________________

Globo exibiu a saga de Lula para fugir da pecha de que o odeia



No Blog da Cidadania

Na noite da última quarta-feira, as redes sociais pegaram fogo devido à transmissão, pela Globo, da saga de Luiz Inácio Lula da Silva. Quem gostou e quem não gostou meteram-se em uma guerra retórica. Quem gosta de Lula, emocionou-se; quem o odeia – e não há quem simplesmente não goste dele, só há quem o odeie –, irritou-se.
Os que odeiam Lula com um ódio que arrancam do lado mais obscuro das próprias almas, como era previsível, em se tratando de cretinos – pois só um cretino odeia com “fé” –, apegaram-se à bilheteria regular que o filme teve – nas duas primeiras semanas de exibição, levou 472,9 mil pessoas às salas de cinema – para tentar atingir o ex-presidente.
É, porém, uma cretinice querer medir a popularidade de um líder político através do público pagante de um documentário romanceado sobre ele como é “Lula, o Filho do Brasil”. Chegaram a comparar a bilheteria deste com a da comédia “Se eu fosse você 2” e com a mega superprodução hollywoodiana de ficção científica “Avatar”.
Com efeito, uma comédia com atores globais ou uma superprodução de centenas de milhões de dólares com sofisticados efeitos especiais derrotaria um filme biográfico até sobre Jesus Cristo, Mahatma Ghandi ou qualquer outro grande vulto da história.
Contudo, o que saltou aos olhos foi a surpresa que muitos revelaram, naquelas redes sociais, por justo a Globo, que lidera a torcida do ódio contra o ex-presidente, veicular, em horário nobre, um filme que, com o resto da grande mídia, a emissora tentou massacrar de todas as formas, inclusive acusando os produtores de terem sido subornados pelo próprio Lula enquanto presidente. E, claro, com uso de dinheiro público.
É muito pouco provável que a campanha negativa da grande mídia tenha impedido “Lula” de ser um sucesso de bilheteria. Até porque, a desqualificação da obra se deu em círculos fechados da classe média, nos jornais e revistas semanais.
Claro que a mídia poderia ter ajudado o filme a ter maior bilheteria se tivesse dado a ele uma maior repercussão, pois muita gente só deve ter descoberto ontem à noite que existe um filme sobre Lula. Ainda assim, para o tipo de público que vai ao cinema no Brasil, um filme como esse não teria qualquer chance de se tornar um campeão de bilheteria.
Mas a questão persiste: por que o grupo empresarial que mais combate Lula exibiu um filme que os inimigos dele acusam de “laudatório”?
É muito simples. Recentes pesquisas de opinião sobre a sucessão presidencial de 2014 mostram que toda a campanha da Globo e do resto da mídia anti-Lula contra ele não produziu um grama de perda de sua popularidade, de forma que apareceu na sondagem como capaz de derrotar qualquer adversário em primeiro turno, se a eleição fosse hoje.
Tal fenômeno ocorre porque todo mundo sabe que a Globo odeia Lula. E, claro, não é bom que aquilo que ela diz sobre ele seja visto como produto de ódio. E que melhor forma haveria para tentar dissipar a crença clara que a maioria tem em razões pouco republicanas da mídia para atacar o ex-presidente do que ela exibir um filme que o exalta?

E, se você não assistiu ao filme, graças ao nosso leitor Yarus, que enviou o link, você pode assisti-lo aqui, na íntegra, logo abaixo.

LUCIANO HUCK É O CAPRILES DA CASA GRANDE


Branco, de olho azul, global e associado a um grande banco. Serve para vice do Aécio Never, por exemplo.

Saiu na pág. 2 do Globo:Luciano Huck é o objeto de desejo dos tucanos.
__________________________

Este ansioso blog já lançou a candidatura do Huck, modestamente.
Ele é mais tucano que o Fernando Henrique, que, desde sempre, esteve filiado a si mesmo.
Huck é branco, de olhos azuis, trabalha na Globo, casado com estrela global e se mostrou indignado quando lhe roubaram um Rolex.
Huck é paulista e mantém vínculos profissionais indissolúveis com um dos mais poderosos grupos financeiros do país – também este geneticamente associado ao tucanismo paulista.
Como se sabe, Aécio não passa de Juiz de Fora.
Mesmo sendo o clone do FHC.
O candidato tucano inevitável é o Padim Pade Cerra.
Aécio não tem a grana nem o PiG de Cerra.
Aécio é de Minas e São Paulo não entrega a rapadura a Minas.
Washington Luis não admite Antonio Carlos.
A batalha que se avizinha, portanto, é do Padim contra o Huck.
Huck é o Capriles da Casa Grande paulista.
Daquelas do Jardim Europa, onde viveu, a certa altura, o Dr Abdelmassih, benefiiciado por um HC eminentemente “técnico”!
Capriles é branco, rico, dono de rede de televisão e ele próprio um astro.
Huck precisa ser vítima de um dossie do Itagiba, ou alvejado por uma bolinha de papel de verdade.
Se não, o Padim não chega lá.

Em tempo: recomenda-se levar a página 2 do Globo a sério. Foi ali que se soube, oficialmente, que “a Globo tinha vencido a Dilma”.

Paulo Henrique Amorim
______________________________________________

GLOBO TEM O PIOR GLOBOPE DA HISTÓRIA. E CRESCE COM A DILMA


O salto mais dramático em direção ao poço se deu na passagem de 2006 para 2007. Quando o Brasil de Lula bombava e a economia mundial explodia de dinheiro – antes do desastre de 2008.

Saiu no UOL: GLOBO FECHA 2012 COM PIOR IBOPE DA HISTÓRIA; RECORD MANTÉM VICE-LIDERANÇA

Mesmo com sucessos como “Avenida Brasil”, que caiu na boca do povo, a emissora fechou 2012 com o pior ibope de sua história. Foram 14,7 pontos (cada ponto corresponde a 60 mil domicílios na Grande São Paulo) das 7h à meia-noite. 
_________________________

A fúria Golpista da Globo tem uma explicação no passado.
E no presente.
No passado, é a repetida trama Golpista contra presidentes trabalhistas – de Vargas a Dilma.
A Globo não ganha eleição.
Ela dá Golpe.
No presente, a fúria Golpista se explica com uma impressionante queda no Globope (e no Globope !!!).
A Rede Globo, tevê aberta, que subsidia o resto das Organizações (? ) é um negócio em decadência.
O início da decadência coincide com o afastamento do Boni e a morte do Dr Roberto.
O negócio passou a ser tocado pelos herdeiros, que não tem nome próprio, e deu nisso.
O salto mais dramático em direção ao poço se deu na passagem de 2006 para 2007.
Quando o Brasil de Lula bombava e a economia mundial explodia de dinheiro – antes do desastre de 2008.
Portanto, a crise da Globo é endógena – é dela própria.
Por isso, a fúria Golpista.
Nem o apoio maciço das verbas de publicidade do Governo Federal e das empresas estatais será capaz de impedir a decadência – ou a fúria.
Na verdade, a Globo, com menos audiência, tem sido capaz de aumentar o faturamento.
E quando o Ministério Público, o Tribunal de Contas e o Ministro Hage, tão zeloso, perguntarem ao Governo Federal e às empresas estatais onde está o dinheiro do Bonus por Volume, que o Supremo disse que pertence ao anunciante – e não à agência ?
E não aos que anunciam na Globo viciados em BV ?
(O BV da Globo é o MAIOR faturamento das 49 maiores empresas de publicidade do Brasil !!!)
Ou a regra do BV foi só para pegar o Direu ?
Não vale para os filhos do Roberto Marinho ? 
________________________________________________