terça-feira, 5 de junho de 2012

Julian Assange entrevista ativistas do movimento Occupy

Os entrevistados no 7º Programa “The World Tomorrow” são Marisa Holmes, Alexa O’Brien e David Graeber, do Occupy New York, e Aaron Peters e Naomi Colvin, do Occupy Londres.



(Veja o vídeo aqui)

Julian Assange: Bem vindos a uma edição especial de nosso programa. Normalmente esses diálogos desenrolam-se no local onde estou sob prisão domiciliar, mas hoje, dada a quantidade de gente envolvida no movimento Occupy , decidimos fazer o programa aqui no velho prédio do Deutche Bank de Londres que está controlado por amigos do Occupy . Temos aqui Marisa Holmes do Occupy New York; Alexa O’Brien do Occupy New York e do “Dia da Ira” dos EUA; Aaron Peters do Occupy Londres; Naomi Colvin do Occupy Londres; e David Graeber de Occupy New York.
Gostaria de dividir o programa em duas partes. Na primeira parte, quero entender como o movimento Occupy ganhou vida. Que tipo de gente estava envolvida na base política para organizar o movimento, para divulgar suas questões e difundir o movimento. Depois, me interessa ver para onde o movimento está andando.
David, de onde, em sua opinião, veio esse movimento que, no final, levou à ocupação da Praça Zuccotti e depois se estendeu pelo resto dos EUA?
David Graeber: Creio que houve um tipo de movimento global, que, creio, começou em Túnis, e parece ter-se entendido pelo Mediterrâneo: Grécia, Espanha. Na realidade, é o mesmo movimento que sacudiu os EUA. E muita gente da Grécia e da Espanha, que esteve envolvida nos primeiros dias e mesmo antes da ocupação da Praça Zuccotti, são parte dele. Por isso, acho que há um tipo de agitação global.
Julian Assange: Alexa, você esteve envolvida no Dia da Ira nos EUA, em maio de 2010. Para você, é o momento de fazer uma transição do ciberespaço para o “espaço de encontros”, ou há algum outro caso análogo prévio?
Alexa O’brien: Bem, creio que sim, definitivamente. Quero dizer, sim, estamos ligados à parte superior e ao enxame de ativistas e atividades menores, nos meios sociais; e a transformação na organização dos meios também desempenhou seu papel, ano passado, em Occupy Wall Street.
Julian Assange: É claro que havia uma inspiração, para vocês, na primavera árabe?
Aaron Peters: Bem, esse é assunto do qual não se fala muito. Em 2008, o Egito passou a ser o país n. 1 para o Banco Mundial, em relação a reformas e no mundo em desenvolvimento. Em termos de reformas liberais, o Egito era insuperável na África do Norte e no Oriente Próximo, do ponto de vista do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O maior fenômeno que se vê aqui é que... Depois da II Guerra Mundial, o estado nacional via-se como uma espécie de depositário da responsabilidade democrática. Desde o fim dos anos 1970s, tudo isso estava desaparecendo. E em alguns lugares nunca existiu, não é? Agora, é fenômeno global. Agora reconhecemos que os resultados da política pública não estão acontecendo no plano nacional e que os criadores das políticas realmente não estão nos parlamentos nacionais, estão do outro lado; e aqueles que ditam as políticas não são responsabilizáveis de modo algum, ou não são os representantes democráticos. E é um fenômeno global. Está acontecendo na Índia, na China, nos EUA e no Reino Unido.
Alexa O’brien: Nós não só temos uma crise financeira global, temos uma crise política global, porque nossas instituições não funcionam mais.
Aaron Peters: Sim, exatamente.
David Graeber: E isso é um dos pontos do movimento global pela justiça: esses movimentos administrativos recém criados, mecanismos políticos globais planetários...
Julian Assange: Como a WTO (Organização Mundial do Comércio, OMC),
David Graeber: Como a OMC, como o FMI... Em geral, supunha-se que, nos EUA, as pessoas nem sabiam que essas organizações existiam, mas, na realidade estavam governando o mundo. Quero dizer... É a primeira burocracia planetária realmente efetiva criada em nome de um certo tipo de ideologia de mercado livre que se supõe que seja contra a burocracia, mas, na verdade, as coisas são exatamente ao contrário. Por tanto, as revoltas sempre são em nome da democracia, porque é algo que faz falta, obviamente. A crise financeira simplesmente trouxe essas questões para dentro de casa, sobretudo quanto à dívida. E aí ficou muito claro que as dívidas dos grandes jogadores de cassino podem ser completamente renegociadas, mediante e por esses mecanismos globais, mas as suas, as minhas dívidas não podem, porque seus políticos estão comprometidos com eles, não com você.
Julian Assange: Quero agora passar diretamente a um tipo de gênese das práticas, pois essas grandes questões, grandes temas, acontecem num determinado cenário, num pano de fundo. Se voltarmos ao início, vemos que alguns dos elementos-chave de Occupy New York, como vimos na pesquisa para preparar esse programa, são, por exemplo, o modo de dizer as coisas. A frase era “Conseguimos 99%”; a expressão, de fato, não era “Somos os 99%”. E então apareceu esse prólogo de apresentação de competências que, aparentemente, teve seus resultados.
David Graeber: É um exemplo perfeito de processo coletivo. Penso que tenha acontecido algo assim: alguém disse “Por que não fazemos algo desse 99%?” E outro, talvez, me parece, os espanhóis, disseram “Nós somos os 99%”. E depois, acho que Chris acrescentou a parte “somos”. Cada pessoa contribuiu com uma palavra. E, todos juntos, o resultado foi bom.
Julian Assange: Naomi, você viu esse tipo de processo iterativo? Algo foi construído, e não nasceu, como inspiração no cérebro de uma única pessoa. Parece ter sido algo que envolvia de fato todos esses processos.
Naomi Colvin: Creio que você tem razão. Creio que há diferentes fluxos identificáveis que se unem em Occupy , e Occupy é quase um momento galvanizador, quando se estão fazendo, de fato, coisas bastante diferentes, e entende-se que eles podem cooperar e criar algo que é realmente extraordinário. Se nos fixamos especialmente em Occupy Londres, claro, o exemplo de Occupy Wall Street é o fato desencadeante, a ideia de que esta coisa extraordinária tenha podido acontecer do outro lado do Atlântico, bem onde nunca se esperaria que fosse possível. E se pensa “Então, temos de fazer algo também em Londres”. E há o aporta também do que aconteceu em outros lugares da Europa, no último ano. O que está acontecendo em Londres é impossível, sem o exemplo do que acontece na Espanha. Realmente, é a hora em que tudo se junta.
Julian Assange: Até que ponto, na prática, o movimento dos Indignados na Espanha alimentou, no que tenha a ver com o apoio logístico ou a quantidade de gente na rua, o movimento Occupy New York?
Marisa Holmes: Bom, muitos dos Indignados estavam em New York, por uma ou outra razão, e, dia 17/9, bieram às primeiras assembleias gerais. E, sim, nos deram a base e o contexto do que estávamos fazendo. Aprendemos muito com eles.
David Graeber: Até egípcios havia aqui. Recebemos e-mails do Egito, dizendo “Vou a New York especialmente para essa ação.” Então, acho que, em termos de aprendizado interativo, posso dizer que, pelo menos para mim, vendo o que estava acontecendo na Europa, como você diz, sim, a informação deles foi decisiva, a forma das ocupações saiu, diretamente, daquele movimento.
Julian Assange: Naomi, em Occupy Londres havia uma placa na rua em que se lia “Praça Tahrir”, em frente à Igreja de St.Paul.
Naomi Colvin: Foi das placas mais fotografadas. Não tenho ideia de quem a pôs lá, mas, sim, eu diria que sem dúvida havia gente ali que identificavam o que estavam fazendo e a inspiração da primavera árabe. Em termos de quantidade de gente na rua, foi o movimento europeu o que mais trouxe coisas para nós, em Londres, simplesmente porque todos estamos na Europa.
Julian Assange: Estou interessado nisso, porque me interessa, de modo especial, uma questão filosófica, a questão específica da filosofia da técnica e o domínio da técnica. Independentemente do que se tente fazer ou se faça politicamente, numa direção ou noutra, se quisermos vencer, temos de fazer com eficiência. E para fazer com eficiência, temos de adotar técnicas eficientes. E então, cada um, não importa o que esteja organizando, passará a adotar técnicas eficientes. Afinal, são as técnicas que vencem. David?
David Graeber: Mesmo assim, acho que não são só os meios de comunicação social, quando se fala em técnicas. Já desde os anos 1970s, há uma tradição, no mínimo, de criar novas formas de democracia direta, de consenso de facilitação, de descentralização, dos modos de decidir. Tudo isso é prática, mas, ao mesmo tempo, não é. Há uma espécie de síntese, mediante a qual a coisa se autodefine, contra o modo como se atua nos meios sociais. Um tipo de sinergia. Então, por um lado você está difundindo informação de alguns tipos de meios de comunicação sociais, mas, ao mesmo tempo, há algumas formas de democracia profundamente personalizadas e aquelas tradições. E, porque tivemos que traçar tudo, a gente acabou por encontrar meios de fazer e instituições. O “Microfone do Povo”, que é ideia que se foi desenvolvendo durante anos, foi decisivo.
Julian Assange: Esta cultura metodológica que visualmente ficou muito conhecida entre o pessoal de Occupy , o “Microfone do Povo”, Mic Check , é um pouco como teatro de rua. Por um lado parece ser prático, numa assembleia geral, aquelas coisas como agitar as mãos, em gesto de saudação... Quando vi pela primeira vez, pareceu-me forçado, afetado, nada eficiente (risos). Mas, entendo eu, se é uma multidão de pessoas, e é preciso que todos escutem todos... A ideia é boa, dá bom resultado. Aaron, você estudou o surgimento dessas técnicas? Quanto às técnicas, houve algumas inovações?
Aaron Peters: Se se recupera a noção do meme, da mimética, há um argumento que sempre existiu sobre como os humanos compartem identidades, como criam identidades novas, como as interiorizam. Mas a questão, sobre esses novos tipos de comunicação é que este processo se acelera rapidamente. Acho que realmente há uma relação, especialmente entre os mais jovens, na prática online e offline , em que se vê que não estão interessados no que dizem os líderes, não estão necessariamente interessados em modelos de benefícios. Estão interessados em criar valores, mas muitas vezes é a criação de valores que vai mais longe, além do motivo do benefício, além da ação para fazer algo. Estamos num tipo de ação coletiva voluntária.
Julian Assange: As técnicas que se viram em ação em Occupy Londres imitaram o exemplo do que já fora feito em Occupy New York, ou são mais antigas?
Naomi Colvin: Acho que há uma tensão interessante entre o modo como o consenso funciona na rede, e o que acontece quando você se fixa em como funciona a consciência coletiva. É um consenso, mas muito menos estruturado. E há uma interessante tensão entre o que pode ser um modo como pensam as pessoas que vieram ocupar, e uma espécie de consenso, digamos assim, mais tradicional, um trabalho baseado em decisões estruturadas de forma consensuada, um trabalho de base. É uma tensão que se pode examinar em Occupy Londres, sem resolvê-la plenamente.
Julian Assange: Podemos explicar por que o movimento Occupy não poderia ter acontecido há dez anos. Esses movimentos de protesto brotaram em Seattle e Genebra e tal e tal, mas em seguida tivemos um 11/9, e foi o final do que havia antes. OK. Pode-se entender que nada disso tenha acontecido há dez anos. Mas por que não aconteceu há cinco anos?
Aaron Peters: Creio que, bem... Em primeiro lugar, os movimentos sociais que estão à nossa volta nascem da queixa e da sensação que as pessoas têm de estarem sendo ofendidas. Acho que o que está acontecendo seria impossível sem a crise econômica global. Falo de uma crise que poderia implicar o fim do capitalismo como o conhecemos. Com problemas enormes para a distribuição de alimentos. O problema das sociedades complexas é que quando algo não vai bem, vai muito mal.
Julian Assange: Vocês então acreditam que nada disso teria acontecido, sem a crise econômica de 2008? Que foi um fator desencadeante?
Aaron Peters: Porque há acampamentos em cidades dos EUA que não são parte do movimento Occupy . São pessoas que simplesmente não têm casa, perderam as casas onde moravam. Isso é um sintoma político e é também uma força.
Julian Assange: David, o movimento Occupy estava sendo cozido em fogo baixo, na primeira semana, ou dez dias, antes de violência começar?
David Graeber: Pode-se dizer que sim.
Julian Assange: Falo da violência policial, mas é violência. E a violência e ferramenta de marketing muito efetivo. Os filmes de Hollywood estão cheios de violência.
Alexa O’brien: Eu vivia lá, morei no Parque durante a primeira semana e posso dizer que lá, ninguém estava ‘em fogo baixo’. Protestávamos durante todo o dia, toda a semana, ocupamos Wall Street, passávamos ali da manhã à noite, havia duas assembleias gerais por dia. Estávamos...
Julian Assange Mas não foi isso que os meios de comunicação mostraram. E o movimento só se tornou efetivo, quando começou a violência.
Alexa O’brien: Acho que sim, mas nossa meta nunca foi...
Julian Assange: Estou sugerindo que talvez devam basear-se na experiência desse evento. Que talvez uma das coisas que devam fazer seja provocar a violência policial, se querem...
David Graeber: Realmente, não temos de provocar coisa alguma. A violência sempre acontecerá (risos).
Alexa O’brien: Nós não provocamos a violência policial, sofremos diretamente a...
Julian Assange: Tomem todas as providências para gravar a violência policial!
Alexa O’brien: Tomamos a direção da não violência. Fomos e ocupamos uma praça, para ter uma assembleia geral e começamos a falar sobre o mundo em que estamos vivendo e sobre as estruturas que o governam. Acho que por estarmos ali e exercermos de forma direta o processo democrático representávamos uma ameaça. E a política teve de responder.
David Graeber: Nada aterroriza mais o governo dos EUA, do que a ameaça de uma fagulha democrática nos EUA. Sempre reagirão com violência (risos).
Aaron Peters: No dia que ocupamos a Bolsa de Londres, eu estava fora da área policial e, mesmo assim, contém umas 20 viaturas. Depois daquele dia, a mesma coisa repetiu-se várias vezes. Ouvi os cachorros, quando saíam dos carros. Vi todo o pessoal do serviço secreto e da inteligência, com câmeras, filmando tudo. E quando a violência começou, com os espancamentos, à luz do dia, não havia uma câmera. A Polícia entendeu que, se não nos fizessem parar, nós começaríamos a ganhar terreno.
Julian Assange: Naomi, você coordenava a campanha a favor de Bradley Manning. De fato, havia uma relação inusual e interessante entre o número de pessoas que apoiavam WikiLeaks, Bradley Manning ou os Anonymous e o movimento Occupy . Mas Bradley Manning foi convertido em exemplo. Não foi apenas preso, e, depois, tudo voltou ao normal. Quero dizer que Bradley Manning foi usado como caso exemplar para frear outras manifestações. A autoridade tem de dar grandes exemplos do que acontece a pessoas acusadas de desobediência, porque assim a autoridade mantém a autoridade. As cenas de televisão em que os manifestantes são vítimas de violência, quando estão em posição mais fraca... Não parece a vocês que aí também, no longo prazo, há um exemplo negativo?
Naomi Colvin: Há várias coisas a considerar. Acho que a primeira é o que aconteceu a Bradley em Quantico [prisão]. Foi tratado muito mal. Um assessor especial da ONU afinal apareceu e contou. Em termos de cobertura jornalística do conflito, acho que é uma representação do que aconteceu nos primeiros dias em New York. Foram as imagens que correram mundo. Não pelos grandes meios de comunicação, mas divulgadas pelos cidadãos, que transmitiam diretamente da ocupação. Acho que, sim, a presença da mídia tem uma certa importância, para que a coisa aconteça à vista de todo o planeta. Mas o movimento Occupy se autonoticiou todo o tempo. É uma grande força para inibir a violência.
Marisa Holmes: Se não fossem as imagens transmitidas online , pela internet e pelas nossas equipes de noticiário social, nunca teríamos chegado aos principais meios de comunicação. Impulsionamos de modo importante o diálogo.
Julian Assange: Alexa, fale-me da relação entre a lei e o movimento Occupy . Era uma das exigências do Dia da Ira nos EUA e parece que tem de ser processo de acordo com os princípios legais.
Alexa O’brien: Sim. Acho que a base de qualquer tipo de... no caso dos EUA, uma república democrática, ou, pelo menos dizem que é república democrática, há diversas instituições, a praça cívica, a imprensa, as eleições. E quando essas coisas estão em mãos das pessoas, essas instituições mantêm uma certa salubridade, porque se vigiam, umas as outras. Acho que em termos de lei, e falo só da minha experiência... “Um cidadão, um dólar, um voto”, por assim dizer, é tão radical a ponto de estar discutido numa revista de segurança da Austrália, para que me relacionem com Al-Qaeda e eu receba mensagens de outros contratados da segurança, relacionados com o FBI, que me dizem que tenha cuidado, que, não sei como, tenho relações com a Al- Qaeda... Tudo isso sugere que se trate essencialmente de uma técnica para me intimidar.
Julian Assange: David, o movimento Occupy , com esse nome, veio ao mundo como resultado de Occupy em New York, mas expandiu-se por todos os EUA. Você pode comentar um pouco essa expansão de Occupy pelos EUA e pelo continente?
David Graeber: Foi notavelmente rápida. Fiquei estupefato, assombrado. Porque se sonha que essas coisas aconteçam, mas, de fato, não se acredita que aconteçam. Posso dizer que, em três semanas, havia uma 800 ocupações. Sim, algumas delas eram ocupações de uma única pessoa, mas muitas eram ocupações grandes e algumas eram enormes, muita gente, como em Missoula, Occupy Saskatchewan no Canadá, crescendo muito rapidamente. Tudo aconteceu muito depressa.
Julian Assange: Gostaria de comentar o tema “ocupar um espaço”, quero dizer, por que é importante ocupar um espaço?
Naomi Colvin Hum....
Julian Assange: Por que não ficar em casa? Você tem sua agenda, seus amigos, suas redes. Por que não coordenar as coisas de casa, por trás do palco? Não será uma certa perda de tempo montar barracas de campanha na rua, não poder fazer as coisas de modo mais eficiente?
Naomi Colvin: Bem, isso nos leva de volta à questão de por que o movimento na rede leva à ação fora da rede. Acho que há a necessidade humana natural de comunicar-se cara a cara. É muito mais profundo. Acho que quando você trabalha na rede, é uma espécie de... Trata-se de coordenar indivíduos autônomos, para que façam coisas, e tem-se a sensação de ser parte de uma comunidade de pessoas que sentem a mesma coisa, ou que estão preocupadas com as mesmas coisas. Mas não se está no espaço no qual, digamos, todos querem estar e no qual todos querem falar, para recriar o tipo de sociedade que todos desejam que exista sempre.
Alexa O’brien: Acho que também é uma experiência de ver quanta pressão você consegue exercer, seu compromisso com o espaço, dentro do sentido do espaço cívico, quando o espaço cívico é só um beco entre um shopping center e outro – o que se vê muito nos EUA. Além disso, em muitas cidades pequenas há a necessidade que muitos sentem de criar espaços públicos e não privados, que não estejam relacionados tampouco com o trabalho de alguém, no qual as pessoas possam reunir-se e negociar com Carlisle para comprar água, ou o que for.
Julian Assange: Mas, David, não importa o lugar onde isso aconteça? E se todos se reunissem, por exemplo, num bosque de sequoias da Califórnia?! (risos) De fato, o G-8 foi transferido para Camp David, me parece, para gerar esse efeito.
David Graeber: Acho que sim, que o lugar faz diferença. Acho que durante os últimos 30 anos, tem havido agressões sistemáticas contra a noção de comunidade e contra a “imaginação política”. E essa é uma forma de reivindicar as duas coisas, ao mesmo tempo. Acho que a ideia de trazer alguma coisa de volta é muito importante.
Julian Assange: É mostra da soberania literal sobre uma área determinada? Controlamos fisicamente, mediante nossa decisão política, esse espaço que ‘eles’ não controlam...
David Graeber: É exatamente isso. Esse é o aspecto mais crítico dessa situação. Trata-se de uma estratégia de duplo poder. Estamos falando da força. Não estamos discutindo legalidades. Eles não estão discutindo legalidades. Nem nós. Eles e nós podemos usar isso como arma, mas o que tentamos dizer é que é nosso espaço, esse espaço é nosso... Somos o público e esse é um espaço público. Vamos ocupá-lo. E esse simples ato desafiante já é muito criativo. Tudo deriva daí e tudo o que temos feito derivou de termos iniciado nosso movimento com um gesto de não aceitar os termos da ordem estabelecida e de desejo de criar ordem nova.
Julian Assange: Na dominação desse espaço físico, ao criar seu próprio miniestado em Occupy , que creio que seja o termo correto, quando você controla fisicamente uma área de terra, quando você tem o monopólio da força coercitiva, você começa a erigir certas estruturas de como tratar cada um e de como coordenar-se com cada um e a escolher metodologias para tratar com a polícia, para tratar com os oportunistas dentro do movimento Occupy , para tratar com os doidos, para lidar com a questão do lixo. As metodologias que foram pensadas para a tomada de decisões políticas e para a abordagem prática das coisas... Vocês veem tudo isso como um pré-plano para fazer frente à sociedade em geral, ou são, simplesmente, metodologias para lidar, sobretudo, com o específico problema de como ocupar uma praça?

Naomi Colvin: Não acho que tenhamos tido, em momento algum, o monopólio da força dentro de Occupy . Teria sido muito mais fácil (risos) se, de fato, tivéssemos o monopólio da força, se tivéssemos chegado a tê-lo, mediante uma negociação. O que se faz numa situação em que, mais ou menos, você sabe que pode acontecer qualquer tipo de coisa, de transtorno, e não se tem o poder de coerção, só o poder da persuasão, o poder de mostrar o que a maioria daquelas pessoas, naquele espaço, pensa. Não, nunca tivemos a coerção. E isso também é educativo.
Julian Assange: No caso de haver uma pessoa problemática, um louco, alguém que esteja estragando tudo, o que fazem nesse caso? O que fazem com esse tipo de gente, em Occupy ? Como se livram deles? Chamam a polícia?
David Graeber: Nunca chamamos a polícia...
Marisa Holmes: De fato, temos usado uma combinação de várias coisas: baixar a intensidade, mediação e comunicação não violenta têm sido recursos para abordar os conflitos internos.
Julian Assange: Então, David, se a ‘coisa engrossa’, suponhamos que chego lá, não quero saber dessas malditas regras, vocês não mandam em mim, quero tocar bateria quando me dá na telha, quero falar quando me der na telha, quero andar nu pela praça quando me der na telha... Não é preciso ter um leão-de-chácara que apareça e diga, “venha, amigo, você está atrapalhando a maioria, não ‘encha o saco’”?
David Graeber: Há muitas formas de pressionar.
Julian Assange: Por exemplo?
Marisa Holmes Por exemplo, tivemos uma assembleia em que discutimos a situação dos bateristas [orig. drummers . Há foto deles emhttp://www.flickr.com/photos/emilio_guerra/6361422043/ (NTs)]. Simplesmente negociamos a questão no círculo da assembleia.
Alexa O’brien: Claro que há conflitos e tensões, que são naturais nos grupos humanos e também dentro de Occupy . O espaço que Occupy cria não é uma espécie de utopia repentina. Não é.
Julian Assange: Aaron, afinal: não é necessário algum mecanismo, algum processo, que exercite a força coercitiva?
Aaron Peters Na prática, todas as questões exigem resposta...
Julian Assange: Pessoal! Vocês não estão dando conta desse problema. Estão incomodados! Genial!
Aaron Peters: Não, não estou incomodado. Essa é uma espécie de questão existencial.
Julian Assange: Se é, todos deveriam, antes, passar por dez anos de psicoterapia...
Aaron Peters: Pessoalmente, não sou partidário disso.
Julian Assange: OK. Os insuportáveis vão para a psicoterapia por dez anos. OK. Mas enquanto isso, aparece outro, na maldita ocupação, e começa a criar problemas.
David Graeber: Houve gente que foi excluída das reuniões e tal. Aconteceu, mas, de certo modo, estamos tentando tratar algumas questões com delicadeza, e acho que ninguém está querendo falar muito delas. E também houve uma espécie de tentativa, intencional, de subversão. Houve tentativas de mandar gente para lá, não sei. Num certo momento, a polícia trouxe ex-prisioneiros, que acabavam de sair da prisão, levou-os, em ônibus, para o parque. E disseram àquelas pessoas que ali havia comida gratuita (risos). Esse tipo de sociopatia aparece naturalmente e também ‘artificialmente’, num tipo de ação como nossos acampamentos. Houve várias tentativas de subversão do movimento, muito diretas, que nos deram ocasião para escolher: ou deixávamos que nos invadissem, ou nos convertíamos em modelo de bem-estar social, e nos encarregávamos de cuidar daquelas pessoas. Isso também começou a acontecer.
Julian Assange: Como Occupy Londres impediu que os enganadores sociais patológicos, tipos que falam, especialistas em criar intriga, gente que diz uma coisa a uma pessoa e outra a outra, que espalham boatos de modo indecente, chegassem à cúpula ou aos palanques? Impediram? Ou eles falavam à vontade?
Naomi Colvin: Bom, acho que... (risos)
David Graeber: Se houvesse um comando, seria fácil chegar até lá, mas o movimento é horizontal. E, assim, não é fácil. Refiro-me ao dano em grande escala que um sociopata poderia causar. Sempre digo, sobre o anarquismo, quando me perguntam o que acontece às pessoas que não se preocupam com ninguém, os estúpidos, os egoístas. Sempre respondo que “Pelo menos, num mundo anarquista, eles não comandarão tropas armadas.” De fato, essa gente pode, sim, causar muito dano, onde não haja meios para controlar a ascensão aos postos de mando. Concordo com William F. Buckley [1] , que disse que, em lugar dos que disputam aos tabefes os gabinetes do Congresso, ele preferia que os EUA fossem governados pelos primeiros 300 nomes da lista telefônica (risos). Concordo com ele. Fariam melhor o serviço.
Julian Assange: Acho que tanto faz o modo como cada um se governa a si próprio, mas temos de ser capazes de enfrentar os que tentem nos governar de outro modo.
Alexa O’brien: Tem toda a razão.
David Graebe: Por isso é tão importante que haja um movimento internacional e é o que podemos ver. Quero dizer que se tem a impressão de que o inimigo vai-se tornando cada vez mais global, e a única forma de desafiá-lo é com movimentos globais. Nesse sentido, é cada vez menos importante a competição entre os estados, haja competição ou não.
Julian Assange: ¿Aaron?
Aaron Peters: O que temos é que toda a economia global, toda ela, está em transformação: com toda essa dívida, os fundos fluem em direção ao sul, ao sudeste asiático. Quero dizer que isso só pode acabar de um modo: o Ocidente acabou. Já é óbvio, exceto para os políticos ocidentais.
Aaron Peters É mais que evidente, mas acho que não está realmente claro...
David Graeber: Não está claro. Eles realmente não sabem.
Aaron Peters: Começamos a falar dos acontecimentos de 1989 e do dinheiro que não sai das caixas automáticas. O pessoal ri. Não sei. É muito claro que a festa acabou.
David Graeber: Só tem sentido se esse 1% de ricos tenta apoderar-se de toda a riqueza, se é que resta algo de riqueza... Mas parece pouco provável, se se olha a história, que acabem com tudo.

William Frank "Bill" Buckley Jr. [1925-2008], autor e comentarista conservador americano. Fundou a revista National Review , em 1955, e foi apresentador do programa Firing Line de 1966 até 1999, muito popular nos EUA [NTs].
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Duciomar Costa, o prefeito mais processado por improbidade na história de Belém.


Duciomar: profusão de processos nunca vista na história da cidade. São, pelo menos, 42 processos, 13 deles por improbidade, além de dois na área criminal. Nem na história recente da capital paraense houve prefeito a superar Dudu nessa “especialidade”. 


Nunca antes se viu nada assim em Belém do Pará.
O prefeito Duciomar Gomes da Costa já respondeu (ou ainda responde) a, pelo menos, 42 processos, 13 deles por improbidade administrativa, nas justiças federal e estadual.
Isso faz dele, provavelmente, o prefeito mais processado, inclusive por improbidade, de toda a história da capital paraense.
Só o Ministério Público Federal já ajuizou contra Duciomar e a Prefeitura, na administração dele, pelo menos 29 processos – 8 dos quais por improbidade, e dois na área criminal.
E, na Justiça Estadual, tramitam contra “Dudu” pelo menos 13 processos – 5 deles por improbidade.
No entanto, é bem possível que esse número seja ainda maior.
Na relação dos processos ajuizados pelo Ministério Público Federal só figuram aqueles que não estão sob segredo de Justiça.
Além disso, a Perereca retirou da listagem as ações cautelares, por exemplo (que, tecnicamente, não são contra ninguém ) e aquelas que dizem respeito à obrigatoriedade de fornecer remédios ou de melhorar serviços cuja responsabilidade é maior na esfera estadual (nesse caso, só ficaram as relativas à falta de pagamento pelo próprio município).
A listagem foi fornecida ao blog já há algum tempo pela Assessoria de Comunicação do MPF, que, no entanto, está a refazê-la, agora por solicitação de outros jornalistas. Daí o cuidado da Perereca para que, em havendo alteração nesse número, ela seja para menor.
Outro ponto a destacar é que a quantidade de processos contra Duciomar na Justiça Estadual foi apenas pesquisada no site do Tribunal de Justiça do Pará - o que aumenta a probabilidade de erro, novamente a menor, já que na relação não foram incluídos vários mandados de segurança e uma ação popular já extinta, por perda de objeto.
E mais: nenhuma das listagens incluiu os vários processos ajuizados contra Duciomar na Justiça Eleitoral.
Mesmo assim, só esses 42 processos já fazem de Duciomar um campeão local nessa, digamos assim, “especialidade”...
Nenhum dos prefeitos de Belém que o antecedeu desde 1980 (Almir Gabriel, Sahid Xerfan, Hélio Gueiros, Edmilson Rodrigues, Fernando Coutinho Jorge e Loriwal Rei de Magalhães); NENHUM foi alvo de tantas ações judiciais.
E se na história recente não há registro de “fenômeno” semelhante, que dizer, então, do passado remoto, quando inexistiam as leis e as cobranças sociais de hoje?
Angustiante é que boa parte desses processos contra Duciomar diz respeito à sofrida, sucateada, saúde de Belém.
E só num deles – o mais recente – as irregularidades, apenas com a não comprovação de despesas, superam R$ 22 milhões.
A Perereca vai tentar uma entrevista com o prefeito.
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Não deu no Jornal Nacional: CPMI do Cachoeira apoia depoimento de Pagot e situação de Serra se agrava

Correio do Brasil

“A anunciada decisão de abrir mais um processo contra as várias acusações de corrupção e enriquecimento ilícito, tráfico de influência e formação de quadrilha que pesam desde o livro A Privataria Tucana contra o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, não reduz o risco dele se explicar junto à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a rede criminosa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Serra, desta vez, promete levar o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot às barras dos tribunais, pela denúncia formulada em entrevista sobre a distribuição de propina para a campanha derrotada do tucano à Presidência da República, em 2010.
Na sessão da CPMI desta terça-feira, no entanto, segundo levantamento realizado pelo Correio do Brasil, a maioria absoluta dos parlamentares é favorável ao depoimento de Pagot. É a oportunidade esperada para o executivo complementar as denúncias de corrupção na campanha tucana, com a participação da empreiteira Delta Construções S/A e de Paulo Vieira de Sousa, vulgo Paulo Preto, homem de confiança de Serra na estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), responsável pela construção do Rodoanel. Pagot foi demitido do cargo há um ano, após matéria publicada na revista semanal de ultradireita Veja, fornecida por agentes do bicheiro Cachoeira, conforme indícios obtidos pela Polícia Federal em escutas telefônicas legais.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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CHARGE

Desmatamento na Amazônia Legal cai 8% entre agosto de 2010 e julho de 2011

Agência Brasil:

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou hoje (5) redução na taxa de desmatamento da Amazônia Legal. Dados consolidados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes) indicam, entre agosto de 2010 e julho de 2011, uma redução de 8% no desmatamento em comparação com o período anterior.
Os dados mostram que a Amazônia Legal teve 6,4 mil quilômetros quadrados de sua área desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que essa é a menor taxa de desmatamento registrada na Amazônia Legal desde que o Inpe começou a fazer a medição, em 1988.
“É um dado muito importante, é a menor taxa de desmatamento de toda a história”, disse a ministra Izabella Teixeira durante o anúncio feito na cerimônia em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto.
Durante a cerimônia, o governo anuncia um pacote de medidas ambientais. Uma delas é a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema, com área de 105 mil quilômetros quadrados entre os estados do Paraná e de São Paulo. A área inclui 347 municípios com 4,6 milhões de habitantes, sendo 85% de população urbana. O comitê vai deliberar sobre as ações na região e estabelecer mecanismo de cobrança pelo uso dos recursos ambientais disponíveis na região.
As principais atividades desenvolvidas na área da bacia são a agricultura, aquicultura e a hidratação animal, que respondem por quase 40% da demanda total da região.
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Marine Le Pen chama Madonna de "velha" e ameaça processá-la‎ por vídeo

Bastaram dois segundos em que a imagem da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen apareceu com uma suástica no rosto, durante a estreia da turnê mundial "M.D.N.A" da cantora norte-americana Madonna, em Tel Aviv, Israel, para acender a ira da ex-candidata da Frente Nacional às eleições presidenciais.
Em entrevista ao tabloide Daily Mail nesta segunda-feira (04/05), a líder conservadora chamou Madonna de "cantora velha" e prometeu processá-la caso a performance seja repetida em shows da turnê em território francês. "Nós entendemos como cantoras velhas, que precisam de pessoas falando sobre elas, vão a tais extremos. Se ela fizer isso na França no mês que vem, eu estarei esperando", ameaçou Le Pen.
Madonna tem shows marcado para abril nos estádios de Paris e no Riviera, na cidade de Nice. Também em resposta à exibição da artista, membros da Frente Nacional prometeram se unir a Le Pen caso a cantora insista em mostrar a imagem na França. "Nós não somos um partido nazista e não queremos ser retratados como tal . Se você acusa a Frente Nacional de ser racista ou anti-semita, você está acusando 5% dos eleitores da França, que votaram em nós nas últimas eleições. Se Madonna repetir a performance na França, ela será certamente levada a julgamento", disse uma fonte ao Daily Mail, que não quis ser identificada.
Marine Le Pen se comprometeu a reformar a Frente Nacional depois que assumiu a liderança do partido no ano passado, quando seu pai Jean-Marie Le Pen deixou o posto. Jean-Marie Le Pen é um conhecido político condenado por racismo e antissemitismo na Justiça da França e que negava o acontecimento do holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.
A filha tem liderado a legenda com ideias menos radicais, mas frequentemente defende limitações à imigração de muçulmanos para diminuir a influência da cultura islâmica na França. Ela ganhou 18% dos votos no primeiro turno das últimas eleições presidenciais.

A conexão goiana

“Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. Essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.


Mauro Santayana, Carta Maior

Os meses a vir pedem aos homens públicos responsáveis, de todos os partidos, a combinação da firmeza com a paciência, a fim de conduzir a campanha e o pleito municipal deste ano. A oposição, instigada pelo julgamento do processo conhecido como mensalão, se encontra açulada por alguns de seus líderes menos sensatos. O presidente Lula, acossado pelos inimigos e em convalescença de um tratamento penoso, não se tem contido diante dos ataques que recebe e fez algumas declarações apressadas, como ocorreu em recente programa de televisão. Na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os negócios de Carlos Cachoeira, parlamentares perdem a compostura, e usam de linguagem chula e repulsiva, provocados pelo soberbo silêncio dos depoentes, entre eles o Senador Demóstenes Torres.
Os diálogos ásperos são normais nas casas parlamentares, desde que elas existem. Os registros do Senado Romano mostram como os debates já se valiam, naquele tempo, da ironia e do insulto – que deviam soar mais ferinos no latim republicano. A Câmara dos Comuns, a partir do confronto com os Stuarts, na primeira metade do século 17, reproduzia a linguagem vulgar dos pubs e das margens do Tamisa. No século seguinte, principalmente durante o reinado de George III, os insultos faziam parte habitual dos debates na Câmara dos plebeus. Entre os lordes, é claro, a coisa era outra: estavam todos de acordo contra o povo.
Em uma comissão parlamentar de inquérito, os ânimos são mais acesos. Mas conviria, tendo em vista a conjuntura política e econômica mundial, que os membros do comitê investigatório se contivessem em sua linguagem, na mesma medida em que se empenhassem, seriamente, na busca da verdade. O momento pede a coesão nacional, mas ela não pode ser construída na tolerância com o crime.”
Artigo Completo, ::Aqui::

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Juan Carlos, humilde, vem a Dilma com pires na mão



“Com a Espanha em crise, monarca chega com 14 empresários para encontro com a presidente Dilma, hoje; intenção dele é ampliar negócios com o Brasil; empresas espanholas, como Telefonica e Santander, estudam vender ativos na América Latina

247 - O rei da Espanha, Juan Carlos I, se reúne com a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira num momento de crise e fragilidade em seu país. O encontro acontece por volta de 11h30, no Palácio do Planalto, e antecede um almoço no Ministério das Relações Exteriores. Nos dias atuais, a conversa entre os dois líderes pode ser vista como a chegada de um rei que se curva a um governo que aprendeu a se dar o respeito. Se anos atrás eram os países em desenvolvimento que viam como refúgio economias fortes como as da Europa, hoje a relação se inverte é a Espanha que busca o auxílio brasileiro.
O rei viaja acompanhado por um grupo de empresários espanhóis interessados em ampliar os negócios no Brasil. A Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no País, com estoque de capital superior a US$ 85 bilhões. Em 2011, o comércio bilateral registrou US$ 7,97 bilhões – o que representa aumento de 20% em comparação a 2010.
O cenário não é nada animador para as empresas espanholas, que veem o Brasil como forma de sobrevivência. O banco Santander, em má situação financeira e forte presença no País, já provou as terras tupiniquim são vitais para seu sustento. O lucro brasileiro representou nada menos que 28% do total da instituição financeira no fechado de 2011.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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Capa de Veja foi mera colagem de matérias da mídia

O tiro no pé de Veja

Por Cynara Menezes, da Carta Capital

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.
Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.
Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).
Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel daFolha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)
Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).
Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…
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CHARGE

Guantânamo e a cólera silenciosa

Foi um interrogador americano que disse para Kakhdar Boumediene que os investigadores estavam certos de sua inocência, que dois anos de interrogatórios mostraram que ele não era terrorista, mas que não importava. Os interrogatórios continuaram por sete anos, três meses, três semanas e quatro dias na prisão na Baía de Guantânamo.


Por Scott Sayare, no The New York times

O Centro de Detenção de Guantánamo registra várias práticas que desrespeitam os direitos humanos, tais como torturas, transporte inadequado de detentos, abuso sexual, espancamentos, intolerância às práticas religiosas, detenção de crianças, etc.
Funcionário de uma organização de ajuda que cuidava de órfãos em Sarajevo, Boumediene foi engolido pelo pânico que se seguiu a 11 de setembro de 2011. "Aprendi a ter paciência", diz ele, hoje com 46 anos. Um homem reservado, queixo quadrado e olhos profundos. Os EUA jamais reconheceram seu erro na detenção, embora um juiz federal tenha ordenado sua libertação por falta de provas, em 2008. O governo americano não recorreu.
Mais de uma década se passou desde sua prisão na Bósnia, quando foi enviado a Guantânamo. Desde sua libertação, há três anos, Boumediene vive anonimamente no sul da França. O islamismo o ajudou a sobreviver. "Não sei, ainda hoje, porque estive em Guantânamo", diz. As acusações inicialmente eram de complô para bombardear a Embaixada Americana em Sarajevo, cidade em que ele vivia com a família e trabalhava para a Cruz Vermelha. Segundo uma avaliação de 2008 publicada pelo WikiLeaks, os investigadores achavam que ele era membro da Al-Qaeda e do Grupo Islâmico Armado, da Argélia. Todas as acusações desapareceram.
Numa ação histórica que leva seu nome, em 2008, a Suprema Corte afirmou o direito dos presos de Guantânamo de contestarem sua prisão nos tribunais. Ele pediu sua libertação. Na Justiça, a única alegação do governo foi a de que ele tinha intenção de viajar para o Afeganistão para lutar contra os EUA. Um juiz federal rejeitou a acusação, considerando-a sem fundamento. Boumediene chegou à França em 2009, onde vive com a mulher, as duas filhas e um filho que nasceu há dois anos.
Apátrida
A França o autorizou a se estabelecer em Nice, onde sua mulher tem família, mas ele não é cidadão francês nem tem garantido asilo ou residência permanente. Seus passaportes argelino e bósnio foram perdidos pelas autoridades americanas, transformando-o em apátrida. Ele recebe dinheiro por meio de uma transferência mensal para uma conta num banco francês. E não sabe exatamente quem envia.
Boumediene chegou a Guantânamo em 20 de janeiro de 2002. Foi espancado ao chegar. Recusou-se a se alimentar nos 28 meses finais de sua detenção, tendo sido alimentado à força, por meio de um tubo introduzido no nariz. Ficou cadavérico, com cicatrizes provocadas por sete anos algemado. A multidão o deixa aterrorizado, como também portas fechadas.
Boumediene serviu o Exército da Argélia por dois anos antes de acompanhar um amigo ao Paquistão, em 1990, para prestar ajuda a refugiados da guerra civil afegã. Conseguiu trabalho como monitor num orfanato, função apresentada como evidência de seus elos com o terrorismo. Um homem identificado como seu superior, Zahid al-Shaikh, é o irmão de Khalid Shaikh Mohamed, o arquiteto dos atentados de 11 de Setembro, preso em Guantânamo desde 2006. Os dois tinham pouco contato, diz ele.
"Pouco a pouco, as pessoas começam a saber quem sou", afirma. Alguns procuram me encorajar, outros pedem desculpas. "Não sei qual é a reação certa", afirma.
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O dedo do Lula

No Blog do Emir 

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política. Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
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Vazou mais um vídeo secreto da mídia!

A blogosfera e a imprensa adentraram o fim de semana disputando quem revela mais escândalos bombásticos. A CPI do Cachoeira engrenou de vez, e já se tornou uma generosa fornecedora de denúncias. O governador Marconi Perillo, ao que parece, foi rifado pelas principais forças políticas, incluindo o último bastião que o blindava: a mídia e seu próprio partido, o PSDB.
O caso Gilmar versus Lula criou uma quase unanimidade, no caso negativa, contra o ministro. Nem os jornalões aguentaram seu destempero histérico. Suas catilinárias contra blogs que o criticam varreram para longe a credibilidade que ele já não possuía.
Entretanto, o Cafezinho conseguiu mais um vídeo secreto. Trata-se de um comício realizado às escondidas entre o Líder Supremo do PUM (Partido Unificado da Mídia) com representantes da classe média tradicional (também conhecidos como “homens e mulheres bons”), vindos de várias partes do Brasil. Eles falam em alemão porque não gostam da língua portuguesa, considerada subdesenvolvida, o que me obrigou a um duro trabalho de tradução e legendagem.
Vale a pena conferir:

sábado, 2 de junho de 2012

CHARGE

Charge do Bessinha

Depois de afirmar "voto de confiança" a Perillo, Alvaro Botox Dias diz que PSDB 'sangra'

O líder do PIG e do PSDB no Senado,  "Botox"Alvaro Dias, admitiu que o partido está sangrando com as denúncias que envolvem o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Botox se referia à revelação de que um assessor pessoal de Marconi pagou uma dívida da campanha de 2010 com recursos de uma empresa de fachada do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, (aqui) o jornalista Luiz Carlos Bordoni disse que a Alberto e Pantoja, empresa fantasma que segundo a Polícia Federal era controlada por Cachoeira, foi usada para pagar serviços de publicidade que ele prestou para a campanha do governador de Goiás. O pagamento de dívida, de R$ 45 mil, foi depositada na conta de sua filha, Bruna, numa negociação comandada por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo.
O senador tucano admite que a situação de Perillo "não é fácil". Por isso, defende que se antecipe o depoimento do governador de Goiás à CPI do Cachoeira para a próxima terça-feira, dia 5. A comissão havia agendado a vinda dele para o dia 12, uma semana depois. Botox disse que, mesmo sendo do PSDB, "o comportamento tem que ser implacável em relação a eventuais delitos praticados".
Questionado se o PSDB mantém confiança em Perillo, Dias disse que essa é uma decisão pessoal. "Há no partido os que mantêm confiança e os que não mantêm. Da nossa parte, defendemos a prudência de ouvir o governador, oferecer a ele espaço para as explicações, para que seja duramente questionado e possa responder a todas as questões", ponderou.
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Nem o Noblat também leva Gilmar Dantas a sério


Ricardo Noblat, como se sabe, é um dos responsáveis pela popularização do “Gilmar Dantas”, em lugar do nome verdadeiro do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, agora ameaçado de sofrer umprocesso de impeachment de um cidadão de sobrenome Rôla e outro de um blogueiro sujo, se for alguém que este ansioso blogueiro pensa que é.
Gilmar Dantas está em maus lençóis, depois que o Demóstenes pronunciou aquela histórica frase ao Carlinhos: “o Gilmar mandou subir”.
Pior de tudo, o Dantas descreveu uma chantagem de que teria sido vítima, com testemunha, e não processou o chantagista.
Pois, nessa descida aos Infernos, Noblat lhe dá outra punhalada nas costas.
Uma punhalada de dentro do Globo online, que deita e rola com anúncios de empresas governamentais.
Ah !, que inveja, diria a diretora-executiva do Conversa Afiada, a Geórgia Pinheiro.
Que inveja da mídia estatal na Rede Globo !
(A Folha da Eliane Catanhêde, que publica neste sábado uma louvaminha ao Dantas , nem estatais têm: deixou de ser um veiculo de publicidade que se preste a mais do que à venda de imóveis.)
Acompanhe, amigo navegante, o Noblat.
O Noblat ! No Globo !
Coitado do Gilmar Dantas:  O equívoco de Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes informou à Rádio do Moreno que entrará com uma ação na Procuradoria-Geral da República pedindo o substrato das empresas estatais que usam o dinheiro público para o financiar blogs que atacam as instituições.
Disse Gilmar:  - É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.
E disse ainda: - O direito de crítica, de opinião, deve ser respeitado. Mas o ataque às instituições é intolerável.
Ataco a instituição chamada presidência da República quando ataco o eventual ocupante da cadeira de presidente da República?
Por mais que eu critique um ministro do Supremo Tribunal Federal posso ser acusado de criticar o próprio Supremo?
E se digo que o Congresso virou um antro de políticos interessados antes de tudo em enriquecer devo ser punido com a supressão de anúncios de empresas estatais que porventura prestigiam meu blog?
A VEJA está repleta de anúncios de empresas estatais – e ela não dá moleza para o governo. Deveria perder tais anúncios?
Acho que o ministro confunde “Cid Sampaio” com “feijoada com paio”.
Qualquer pessoa ou instituição que se julgue ofendida por um jornalista ou veículo de comunicação tem o direito de procurar a Justiça e pedir reparação.
É como procede o próprio Gilmar, alvo preferencial de blogs que fazem parte do PIG (Partido da Imprensa Governista). (Ler o “Em tempo” – PHA)
De resto, é bom não confundir pessoas com instituições. Instituições são permanentes. Pessoas passam.
As próprias instituições também são passíveis de censura. Por que não deveriam ser?
Pregar o fim do patrocínio publicitário a qualquer veículo é trair o desejo de asfixiá-lo.
Isso atenta, sim, contra a liberdade de imprensa.

Em tempo: o titular deste blog não ganha um tostão, nem direta nem indiretamente, pelos anúncios aqui veiculados.
Em tempo1: aí, o Noblat passou a correr sério risco. Sofrer um processo de plágio de seu conterrâneo, o Fernando Ferro, deputado do PT de Pernambuco que inventou a expressão PiG, Partido da Imprensa Golpista, para se referir a artigo do Ali Kamel, também notável global. A adaptação do Noblat não o exime de um processo judicial. E essas coisas saem muito caro. PHA
Em tempo2: num seminário sobre o PiG e a liberdade de expressão para comemorar os 10 anos do Vermelho, o portal do PC do B, vários conferencistas substituíram Gilmar Dantas por “Gilmar Cachoeira”. Este ansioso blogueiro ali presente, considerou deselegante a menção. Considera que a associação entre Gilmar e Daniel Dantas se inscreveu em pedra, no Panteão da Magistratura Universal. Por mais que os grampos da CPI venham, eventualmente, a comprometer Gilmar Dantas com o que se passou em Goiás no Governo tucano, nada se compara aos dois HCs Canguru, concedidos num espaço de 48 horas, mesmo diante de um vídeo revelador, no jornal nacional. Nem o HC ao imaculado Dr Abdelmassih.
Em tempo3: ao meu lado, no Vermelho, dizia o Edu Guimarães, outro sujo, do Blog da Cidadania: quem disse que o Gilmar Dantas (*) é uma “instituição” ? O que a Rosa Maria Weber tem a ver com Gilmar ? Boa pergunta, respondeu o ansioso blogueiro. A propósito, convém ler a peça antológica do Mauro Santayana sobre Gilmar: “Supremo, aja !”.
Em tempo4: e não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas. Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Dá processo …


Paulo Henrique Amorim
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pagot: 60% do Robanel eram para o Serra


"Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra"

Saiu na Edição da IstoÉ que está nas bancas: As confissões de Pagot

Em entrevista à ISTOÉ, o ex-diretor do DNIT, hoje consultor, denuncia caixa 2 na campanha do PSDB.

Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina. Mas a demissão, que classifica como “traição mortal”, alimenta agora um sentimento de vingança. E motivou Pagot, nos últimos dois meses, a fazer uma série de depoimentos à ISTOÉ.
Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot.
Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot.
Porém, ele não resistiu ao receber uma missão do comitê de campanha do PT durante as eleições de 2010. Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.
CAIXA 2 Segundo Pagot, empreiteiro confirmou que 8% da verba para o trecho sul do Rodoanel era desviada para a candidatura de Serra ao Planalto
Os segredos que Pagot guardava até agora ajudam a explicar por que a CPI do Cachoeira adiou deliberadamente sua convocação. Ele diz que está pronto para falar tudo e desafia: “Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar.” Nas entrevistas à ISTOÉ Pagot forneceu detalhes dos encontros com o tesoureiro do PT, José De Filippi. Ele contou que, em meados de 2010, foi chamado ao QG petista, no Lago Sul, onde foi apresentado a Filippi, que lhe pediu ajuda para passar o chapéu entre as empreiteiras. Dias depois, revelou, os dois voltaram a se reunir no DNIT, onde Pagot lhe apresentou uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão. Ao analisar hoje a prestação de contas da campanha, Pagot identifica ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia. Elas doaram cerca de R$ 10 milhões, segundo a prestação de contas apresentada pelo PT ao TSE.
Filippi disse à ISTOÉ que realmente foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição. “Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, que negou ter recebido boletos de depósitos. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, admite Filippi.
Com os tucanos paulistas foi diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou à ISTOÉ que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. Até então, a obra tinha consumido R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em repasses da União. Acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, Pagot disse que o governo não devia mais nada à Dersa.
Quarenta dias depois, houve nova reunião, no Palácio dos Bandeirantes, na qual tentaram recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal. “A partir daí começaram as pressões”, diz Pagot. Ele diz que recebia telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. O caso foi parar no TCU, que autorizou a Dersa a assinar o TAC, condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do MP.
Pagot recorreu à AGU, que em parecer, ao qual ISTOÉ teve acesso, o liberou de assinar o documento.
Em meados de 2010, almoçando uma dobradinha no tradicional restaurante Francisco, em Brasília, o procurador de uma empreiteira adicionou para Pagot um elemento novo à já suspeita equação do Rodoanel. O interlocutor, segundo o ex-diretor do DNIT, revelou que no convênio haveria um percentual para abastecer a campanha de Serra. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha.
Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. Consulta ao TSE mostra que o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões, em cifras oficiais. O representante de uma empreiteira que participou do Rodoanel confirmou à ISTOÉ que manteve contatos com Pagot reivindicando o aditivo.
Questionado por ISTOÉ, Valdemar Costa Neto confirmou os contatos.
Disse que atua “junto à administração pública em favor da liberação de recursos para investimentos que beneficiem” sua região. Nascimento, por sua vez, admitiu ter sido procurado por dirigentes do governo de São Paulo para discutir o aditivo, mas garante que refutou o pedido. Passos negou qualquer pressão.
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ESCOLA DE ECONOMIA SOLIDÁRIA DE SANTARÉM É RECONHECIDA NACIONALMENTE

A Prefeitura Municipal de Santarém, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social – SEMDES, que desenvolve o Projeto Escola de Economia Solidária – ECONSOL, foi homenageada esta semana em Brasília, como finalista do Prêmio Objetivos do Milênio – ODM Brasil – 4ª edição.
A escolha dos projetos premiados, apresentados por Prefeituras e organizações da sociedade civil, foi feita por um júri composto por 15 especialistas de diversos estados do país. A ECONSOL foi classificada entre os 51 projetos finalistas das 1.630 práticas inscritas para concorrer ao Prêmio Objetivo do Milênio – ODM Brasil – 4ª edição. Dos finalistas, 20 projetos foram premiados com o Troféu do Prêmio ODM e 31 com uma placa de reconhecimento nacional pelas práticas de erradicação da pobreza.
Edna Reis (titular da SEMDES), Maria Farias Araújo (Coordenadora do Projeto ECONSOL) e Rosemare Riker (Professora do Projeto) representaram a Prefeitura de Santarém durante na cerimônia realizada no Palácio do Planalto com a participação da Presidenta da República, Dilma Rousseff. A ODM Brasil incentiva ações, programas e projetos que contribuem efetivamente para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Prêmio é uma iniciativa pioneira no mundo e foi proposto pelo Governo Federal na abertura da 1ª Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade, ainda no ano de 2004. 
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Paulo Preto e Gurgel: a batata sai do forno, já já


Parlamentares da base aliada já têm pronta uma representação contra o brindeiro Roberto Gurgel.
Só falta o cozinheiro mandar tirar do forno.
Como Collor – clique aqui para ler a entrevista deste ansioso blogueiro com o Senador e ex-Presidente -, outros parlamentares acreditam que a própria nota que o brindeiro encaminhou à CPI o incrimina de forma irremediável.
A caracterização de prevaricação parece inevitável.
Outra batata que assa é a do Paulo Preto.
Com a abertura das “contas nacionais” da Delta, a CPI berrou “oh de casa !, na porta do Cerra”.
O PMDB, especialmente, dispõe de informações interessantes sobre o ritual de celebração empreitarial que se desenrolou às margens da marginal (sic) de São Paulo entre associados do Paulo Preto (e, portanto, do Cerra) e da Delta “nacional”.
O Cerra está numa situação complicada, o amigo navegante há de reconhecer.
A Privataria Tucana jorra pra todo lado.
Agora deram para fazer arrastão duas vezes por semana no quarteirão próximo à casa do Fernando Henrique e do Otavinho:
Restaurante sofre arrastão em Higienópolis, centro de SP
Qualquer dia desses, vai ter uma UPP em Higienópolis.
Será uma contribuição dos tucanos de São Paulo à História da Aristocracia Neo-Liberal.
E o diretor da divisão de autorização imobiliária, essa ponta de iceberg do tamanho de 106 apartamentos de luxo ?
Esses tucanos de São Paulo …
Eles têm um problema com casa própria.
Agora, a “Delta nacional” bate na porta da casa do Cerra.
Paulo Preto vem aí.
Será que foi por isso que o Cerra resolveu chutar o balde e substituiu o Cachoeira, como informante privilegiado da Veja ?
Por que o Cerra mandou o Johnbim atender a Veja e entrar na armadilha do Gilmar ?
Essas são algumas das próximas atrações da CPI que dura, numa primeira etapa, até novembro.
E deve ser prorrogada.
Tem muito Robert(o) pra aparecer ainda.
Policarpos, Dantas (o verdadeiro e o falso), amianto, perillos, lereias, varreção de lixo, dadá, dedé, didi, Doni – vixe !, tem muita coisa por vir !
Como disse o Lula ao Ratinho: para afogar tucano, até ele pode ser candidato.
E a galera aplaudiu.

Paulo Henrique Amorim
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Em Belém, “Puta Dei” luta pelos direitos das prostitutas do Pará

No Blog da Amazonia

A Associação de Prostitutas do Estado do Pará (Gempac) realiza neste sábado (2), em Belém, uma extensa programação com debate em rede sobre a legalização da profissão e manifestações artísticas e culturais para comemorar o Dia Internacional da Prostituta.
No dia 2 de junho de 1975, 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, na França, para protestar contra o cerco a liberdade que sofriam.
Segundo os organizadores do evento, de lá para cá, o movimento se fortaleceu, teve avanços e conquistas, mas ainda sofre com os preconceitos e a falta de informação.
Após 37 anos do protesto que marcou a trajetória da classe trabalhista, mulheres de todo o mundo comemoram o Dia Internacional da Prostituta, uma data para reforçar o combate aos estigmas que estas profissionais sofrem diariamente.
Preliminares
As atividades do Puta Dei começam às 9 da manhã e se estendem até a noite percorrendo o trajeto do “Quadrilátero do Amor” – área do tradicional bairro da Campina, que marcou tempos áureos da capital paraense formando o quadrado compreendido entre as ruas Padre Prudêncio, 1º de Março, Riachuelo e General Gurjão.
Cada ação da programação visa fortalecer o debate sobre a profissão e, principalmente, quebrar tabus que impedem e distorcem um tratamento real sobre as questões da classe.
Blog das EsquinasLogo pela manhã, no Corredor Polonês, após um exercício corporal de apresentação, um workshop de comunicação apresenta o processo de construção do “Blog das Esquinas”.
Resultado de uma bolsa do edital Fundo Brasil, do governo federal, a página virtual pretende ser um canal entre a classe e veículo de comunicação com a sociedade, propondo uma nova forma de tratar sobre o assunto, além dos estereótipos reforçados pela grande mídia.
Ato Puta Dei
Pela parte da tarde, o Ato Puta Dei, realizado na sede da Gempac, vai reunir articuladores locais e nacionais da Rede de Prostitutas do Brasil em uma mesa que discutirá a legalização da profissão.
Do encontro, que será transmitido em rede e contará com a participação virtual de convidados, deve sair uma ata a ser apresentada em audiência pública na Assembléia Legislativa do Pará.
Antes do Puta Dei, o Cine Gempac, cineclube que atua na sede física da entidade, vai apresentar uma sessão de pornochanchada para esquentar a programação.
Oficina de Orgasmos e Corrida das CalcincasNo fim da tarde, a Corrida de Calcinhas, atividade já tradicional do movimento nacional de prostitutas(inspirado na corrida realizada pelo movimento de prostitutas da Paraíba), toma as ruas da Campina, com saída da frente do Teatro Cuíra.
Ali também será realizada uma oficina inusitada sobre orgasmo, fruto de uma preocupação latente da prostituta Cinderela, cujos anos de atuação no mercado mostrou como poucos gozam da plenitude do sexo.
No início da noite, intervenções teatrais com os grupos Madalenas e Perifeéricos tomam a rua, numa movimentação de cortejo até a Gempac, onde a programação se encerra com a Noite de Gala, que conta com a participação dos músicos Allan Carvalho e Luiz Girard e djs.
Zona de Direitos
Propor novas formas de refletir sobre o trabalho das prostitutas e compreender, principalmente, que a legalização da profissão pode por fim a uma série de incertezas e inseguranças que assolam estas trabalhadoras.
Para Leila Barreto, secretária da Gempac, a programação arrojada é o verdadeiro e mais íntimo reflexo do cotidiano destas profissionais.
- Estamos cansados da institucionalização de nossos sonhos, uma volta à identidade das esquinas e dos espaços que nos legitimem. Nossa programação quer instigar a reflexão, discutir a realidade e trazer para este universo algo lúdico, que é o que nos envolve no dia-a-dia mesmo.
Segundo Leila Barreto, as atividades que foram propostas no projeto aprovado pelo Fundo Brasil, como o lançamento do blog, assim como a mostra sonora Zona de Direitos, resultado de uma curadoria sobre as notícias relacionadas a prostituição ao longo destes 20 anos de atuação da entidade, e que será lançada no Puta Dei, são tentativas de trazer novo olhar sobre as prostitutas.
- Agora é só deixar os pudores em casa e tomar as ruas do Quadrilátero do Amor, pois sábado vai ser um puta dia – acrescenta Leila Barreto.

Serviço: Puta Dei. Sábado, 2 de junho, a partir das 9 horas até a noite. Local: Gempac (esquina da Rua General Gurjão c/ Padre Prudêncio), Corredor Polonês (General Gurjão, 253) e Teatro Cuíra (esquina da Riachuelo c/ 1º de Março) – Campina. Entrada Franca.
Parceiros e apoio: Proex – Ufpa, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Teatro Cuíra, Coisa de Negro, Corredor Polonês, Comitê Arte Pela Vida, Mocambo, Omar e Equipe Cabelo e Maquiagem e Viconvi.
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Lula: quem tem que provar é o Gilmar.


Xiiii, o Cerra tá ferrado !

Lula no Ratinho: ‘Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente’

Teve Corinthians, teve histórias sobre rabadas, depoimento de Ronaldo Fenômeno, música de Geraldo Vandré e até brinde com cerveja oferecido por Zeca Pagodinho. Mas a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao apresentador Ratinho, do SBT, serviu basicamente para dois objetivos: tentar alavancar a candidatura de Fernando Haddad junto ao grande público e mandar recados (muitos) para a oposição.
Descontraído na maior parte do tempo, Lula subiu o tom, apesar da voz ainda debilitada, para dizer que não permitirá que “um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Disse que, para isso, aceitaria até voltar a ser candidato a presidente. “Nisso eu vou batalhar”.
“Xi, o Serra então está ferrado”, brincou Ratinho, que se apresentou como “grande amigo” do ex-presidente, com quem lembrou já ter comido uma rabada na Granja do Torto.
E foi no último minuto da entrevista que o apresentador e amigo perguntou ao ex-presidente sobre a polêmica envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que acusa Lula de oferecer apoio à CPI do Cachoeira em troca do adiamento do mensalão (Mendes é suspeito de ter viajado a Berlim com dinheiro pago pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que ele nega).
“Vou perguntar apesar de saber que a população não está entendendo isso”, frisou Ratinho.
“Não tenho interesse em falar nesse assunto, porque já respondi em nota. Quem inventou que prove. Quem acreditou, que prove. O dado concreto é que o Brasil hoje é muito melhor, vai melhorar ainda mais. Quero que o Brasil que teve ascensão nunca mais retroceda.”
Fernando Haddad, que estava na primeira fileira da plateia, foi apresentado ao público logo na primeira pergunta feita por Ratinho. Sobre o Corinthians. “Esse seu defeito de ser corintiano continua, né, presidente?”
Na resposta, Lula lembrou que no Brasil existem os corintianos e os anti-corintianos, mas que se dava bem com torcedores de outros times, “como o Fernando Haddad, que é são-paulino”.
Não demorou e o ex-ministro da Educação, que patina nas pesquisas de intenção de voto, já estava do lado do ex-presidente numa cadeira ao lado da mesa do entrevistador.
Por que ele foi escolhido?, perguntou Ratinho, que chamou Haddad de “galã”.
“Achava que era o momento de a gente apresentar uma coisa nova”, explicou o ex-presidente, para apresentar as credenciais do afilhado: “São Paulo precisa de um prefeito como o ministro da Educação que criou o Prouni e colocou um milhão de jovem da periferia na universidade.”
Lula afirmou que Haddad foi o ministro que mais criou escolas técnicas (214) e mais construiu universidades federais (14).
No mesmo instante, o apresentador chamou um VT sobre o Prouni, no qual uma beneficiária do programa dizia que, antes, a universidade não era lugar para pobre.
De terno cinza e camisa branca, sem gravata, Haddad ouviu o ex-presidente que as mudanças na educação provocara “a maior revolução que já foi feita no País”.
O entrevistado, então, passou a ser Haddad. “O que um prefeito de SP pode fazer para melhorar?”, levantou o apresentador.
“A saúde é problema número 1”, cortou o ex-ministro. Ele criticou a gestão municipal, falou do “drama das filas” e citou a desarticulação do SUS. “Você injetou recurso novo, mas gestão de recursos não está tão boa.”
Por fim, citou os investimentos federais em educação (o orçamento, segundo ele, subiu de 20 bilhões para 80 bilhões de reais) e disse que os governos Lula e Dilma Rousseff melhoraram a vida econômica dos brasileiros da porta de casa para dentro, mas fora faltavam segurança e professores. “Isso é papel do prefeito”.
Foi uma jogada arriscada: Haddad e o PT podem ser punidos caso o Tribunal Regional Eleitoral entenda que a entrevista serviu como propaganda antecipada, embora o candidato não tenha pedido voto de forma direta. A campanha só começa oficialmente em julho.
De volta à cena, Lula fez elogios à presidenta Dilma e criticou os que o criticam por manterem a amizade. “Não há possibilidade de divergência entre Dilma e eu. No dia que eu tiver, eu retiro o que pensei e ela fica.”
Lula disse também que será cabo eleitoral para reelegê-la, e que só voltaria a se candidatar se ela não quisesse – ainda assim, apenas para evitar a volta dos tucanos ao poder.
O ex-presidente aproveitou a entrevista para criticar o papel da oposição para derrubar a CPMF. “Me tiraram 40 bilhões pra aplicar na saúde, com a intenção de me prejudicar. Foram mais de 120 bilhões no último mandato. Tínhamos um programa de saúde, queríamos colocar oftalmologista, dentista e otorrino dentro da escola. A CPMF era imposto para rico e foi derrubada porque evitava a sonegação”, disse.
Recém-curado de um câncer na laringe, Lula disse que o ideal era que todos os brasileiros tivessem, como ele, a possibilidade de se tratar em hospitais como o Sirio-Libanês. “Universalizar a saúde não é brincadeira. Precisa ter dinheiro”.
Ele citou avanços como a queda da mortalidade e desnutrição e o aumento de atendimentos a pacientes de câncer pelo SUS. Ainda assim, garantiu que os avanços são menores que qualquer presidente gostaria de alcançar.
Houve tempo ainda pra falar sobre o tratamento, os dias seguintes após deixar a Presidência e de pedir para o apresentador intermediar um encontro com o pastor Valdemiro Santiago, uma das mais importantes lideranças evangélicas em São Paulo – que mandou um abraço ao ex-presidente. “Quero conversar com ele”, disse Lula.
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