quarta-feira, 13 de novembro de 2019

VIDEO: Senador denuncia: Bolsonaro pode estar nos colocando numa guerra que não é nossa


O senador Telmário Mota (Pros-RR), que é membro da comissão de relações exteriores do 
Senado, diz ter sido impedido pelo Itamaraty de entrar na embaixada da Venezuela. "Como 
assim? É território da Venezuela. Podem estar nos colocando numa guerra que não é nossa", 
afirma
"Um representante do Itamaraty veio até aqui, mas disse que não tomaria nenhuma providência em 
relação aos invasores, pois o governo do Brasil não reconhece [Nicolás] Maduro como presidente da 
Venezuela", denunciou o parlamentar, que conseguiu entrar na embaixada no início da manhã. O 
funcionário foi identificado como Maurício Correia, chefe da Coordenação-Geral de Privilégios e 
Imunidades do MInistério das Relações Exteriores.
Segundo Pimenta, um grupo de cerca de 30 pessoas, apoiadores do autoproclamado presidente da 
Venezuela, Juan Guaidó, entrou no espaço nesta quarta-feira (13). "A maior parte são venezuelanos, 
mas também há brasileiros. Entraram como respaldo do governo brasileiro. Estão fardados, são uma 
milícia, agentes contratados, lutadores", disse o deputado.
O parlamentar afirmou ainda que o grupo entrou na área residencial da embaixada, assustando 
"mulheres e crianças" que estavam ali.
O aviso sobre a ação partiu do encarregado de negócios da Venezuela no Brasil, Freddy Meregote, 
que disparou áudios para parlamentares e lideranças de movimentos sociais. Os invasores teriam 
pulado o muro e ocupado as instalações.
O grupo, no entanto, diz que entrou no local pacificamente, com autorização de funcionários da 
representação diplomática que teriam desertado e reconhecido Guaidó como presidente venezuelano. 
Tomás Alejandro Silva, ministro-conselheiro da embaixada nomeado por Guaidó, teria tido o acesso 
liberado ao local pela primeira vez.
Governo Bolsonaro não reconhece delegação venezuelana
A Polícia Militar de Brasília foi acionada, mas como a embaixada é considerada território estrangeiro 
não pode entrar no local. 
O governo de Jair Bolsonaro não reconhece a delegação diplomática venezuelana como 
representante oficial do país. Guaidó indicou a advogada María Teresa Belandria Expósito como 
embaixadora no Brasil, nomeação aceita pelo Itamaraty. A Venezuela não tem embaixador em 
Brasília desde 2016, quando Maduro convocou o então diplomata que exercia a função de volta a 
Caracas. 
Por meio de um comunicado, Belandria disse que "funcionários" da embaixada entraram em contato 
com os representantes do governo autoproclamado para informar "que reconhecem Juan Guaidó 
como presidente". Em seguida, eles teriam entregado "voluntariamente" a sede diplomática" e 
comunicado o Itamaraty.
'Invasão de território estrangeiro'
A ocupação da embaixada coincide com o primeiro dia da reunião de cúpula do BRICS (Brasil, 
Rússia, Índia, China e África do Sul) em Brasília. O governo da Venezuela pediu para o Brasil 
garantir a segurança do local.
"Trata-se de uma invasão de um território estrangeiro, algo proibido pela Convenção de Viena", disse 
Pimenta.
Pelo Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) elogiou a ação do grupo.
​"Nunca entendia essa situação. Se o Brasil reconhece Guaidó como presidente da Venezuela por que 
a embaixadora Maria Teresa Belandria ,indicada por ele, não estava fisicamente na embaixada? Ao 
que parece agora está sendo feito o certo, o justo", argumentou.
Procurado por essa reportagem, até o Itamaraty não se posicionou a respeito da situação.

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