terça-feira, 19 de novembro de 2019

O que quer Toffoli no julgamento do Coaf-MP?



POR FERNANDO BRITO
Os despacho de ontem à noite do presidente do STF, devolvendo à Unidade de Inteligência 
Financeira (leia-se Coaf) os relatórios que havia exigido – mas não aberto – cria um suspense para o 
julgamento do caso, nesta quarta feira.
A impressão geral é de que Toffoli se acoelhou e recuou. E parece, ainda mais por ter feito isto 
depois das, ainda que fracassadas, manifestações moristas de domingo.
Tenho lá minhas dúvidas, e não por achar que Toffoli seja homem de coragem e enfrentamento, o 
que está a anos-luz dele.
E é justamente por isso que penso que não é bem assim.
Não creio que o conteúdo das investigações tenha sido o alvo da ordem dada por Tóffoli.
Para mim, desde o início, a ideia era produzir um abalo com a quantidade e a informalidade com que 
estas informações eram repassadas ao Ministério Público.
A isso, desde o início, o lavajatismo reagiu tratando o caso como uma invasão do STF sobre o sigilo 
bancário de centenas de milhares de pessoas.
Curioso, já que este mesmo sigilo estaria, com tais relatórios, exposto a eles.
Mas não é: é de quem quebra e de como quebra os sigilos de centenas de milhares de pessoas.
Em resumo, a mim parece que Tofolli seja maneiroso, um homem de chicanas e articulações, que vai 
moldando suas posições à medida das circunstâncias.
Foi assim no caso das ações sobre presunção de inocência, inventando a estapafúrdia “prisão em 
terceira instãncia”, com condenação no STJ, depois abandonada, por incongruente, no julgamento 
final. E depois, quase se desculpando pelo voto que libertava Lula, acenando com uma impossível 
modificação de cláusula pétrea pelo Congresso.
Lembremo-nos que tudo na Justiça, hoje, deixou de ser convicção e passou a ser negociação.
Por isso mesmo, quando ele assume os riscos e a polêmicas de decisões como as que tomou, é de 
supor que já tivesse cuidado de ter uma maioria a respaldá-lo e que isso vise a alguma coisa diferente 
de dizer que tudo está sendo feito regularmente, ao amparo da lei.
Os alvos de Tofolli e dos ministros a que ele se articulou não são os investigados pelos relatórios do 
Coaf, mas os agentes – deles e do Ministério Público – que avançaram sem ordem judicial sobre o 
sigilo bancário.
A começar pelo lavajatismo.

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