terça-feira, 8 de outubro de 2019

Ex-presidente Rafael Correa pede renúncia de Lenín Moreno e eleições antecipadas no Equador

Correa pede novo pleito, "em estrito apego à Constituição, que permite adiantar eleições em 
caso de grave comoção social"; segundo ele, "problema é que sabem que a resposta que dará o 
povo será mais contundente do que a que estão dando nas ruas"
REDAÇÃO OPERA MUNDI

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, pediu nesta terça-feira (08/10) a renúncia do atual 
mandatário, Lenín Moreno, e a convocação de eleições antecipadas no país, que enfrenta uma onda 
de manifestações populares contra o governo do atual líder.
Mais cedo, pelo Twitter, Correa postou um vídeo de repressão a manifestantes na ponte de São 
Roque, no sudoeste de Quito, e pediu a saída de Moreno. “Por favor, Moreno, renuncie! Não faça 
mais isso à nossa gente! #SOSEquador”
Pouco tempo depois, na mesma rede social, Correa postou um vídeo em que pede a convocação de 
um pleito antecipado no Equador.
“Agora, nos chamam de golpistas, mesmo que quem sempre tenha destroçado a Constituição e 
democracia sejam eles. Dois anos depois da pior perseguição política [que houve], entendamos que 
aqui não há golpismo. Conflitos na democracia se resolvem nas urnas. E é precisamente o que 
pedimos, em estrito apego à Constituição, que permite adiantar eleições em caso de grave comoção 
social, como a que estamos vivendo. O problema é que sabem que a resposta que dará o povo, nas 
urnas, será mais contundente do que a que estão dando nas ruas”, afirmou.
Para o ex-presidente, nunca houve a necessidade de um pacote de ajuste econômico, tal qual Moreno 
firmou com o FMI (Fundo Monetário Internacional). “Nunca houve necessidade de um ‘paquetaço’. 
Não caiu o preço do petróleo, não ocorreu nenhum desastre natural, nada. É pura corrupção e 
inapetência - enquanto eles reduzem seus impostos. Minha solidariedade com todas as vítimas da 
mais brutal repressão que minha geração recorda.”
Moreno foi vice de Correa e candidato à presidência com o apoio do hoje ex-mandatário - que se diz 
arrependido da escolha. “Equivoquei-me com Moreno, o maior farsante de nossa era. Não me 
equivoquei quando disse-lhes que tudo era questão de tempo. E que nosso povo, paciente, mas nunca 
ausente, prudente, mas jamais covarde, despertaria com a força de um furacão.”
Lo qué pasó en el puente de San Roque.
¡Por favor, Moreno, renuncia! ¡Ya no le hagas esto a nuestra gente!
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Desde que deixou o governo, Correa, que mora em Bruxelas, acusa o governo de Moreno de 
perseguição e corre o risco de ser preso caso volte ao Equador - a Justiça do país não aceitou que o 
ex-presidente depusesse na embaixada equatoriana na Bélgica sobre um processo de sequestro que 
corre contra ele, em que pese a falta de provas e de envolvimento do político.
Crise no Equador
As manifestações no Equador começaram logo após o presidente anunciar o fim dos subsídios nos 
combustíveis, devido ao acordo de US$ 4,2 bilhões firmado em fevereiro com o FMI, que prevê 
reformas tributárias, trabalhistas e monetárias no país.
Os protestos levaram Moreno a decretar um estado de exceção em todo o país, por 60 dias. Pelo 
menos 379 pessoas foram presas desde a noite da última quinta (03/10) – dentre os quais, vários 
líderes dos sindicatos de transporte.
Segundo a polícia equatoriana, já foram presas mais de 470 pessoas, incluindo líderes de 
movimentos populares e dirigentes sindicais.
Os sindicatos de trabalhadores e o movimento indígena do Equador, junto a outros grupos da 
sociedade civil organizada, convocaram no último sábado (05/10) uma greve a nível nacional para o 
próximo dia 9 de outubro e anunciaram um estado de mobilização permanente até que Moreno 
desista do pacote de arrocho econômico.

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