
Carregadores para todos: carro elétrico não é exótico na China
Felipe Zmoginski


Por décadas acusada de ser um poluidor impiedoso, a China é, hoje o país que mais
produz energias renováveis e a nação que lidera a substituição das frotas de carros
movidos a gasolina e diesel por veículos elétricos. A maior fabricante mundial de veículos
movidos a esta energia, por exemplo, é a chinesa BYD, responsável por realizar a utopia
perseguida por muitas metrópoles no mundo, a de substituir toda a frota de ônibus urbanos
e táxis movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos. Em algumas paradas de
ônibus, o piso sobre o qual estaciona o coletivo é capaz de recarregar a bateria do veículo,
em um engenhoso processo que permite uma espécie de "recarga on the road"
Há uma década, quando o céu de Pequim era escuro como noite, a venda de veículos do
tipo ocorria graças a generosos subsídios. Hoje, no entanto, o processo é inverso. Não há
vantagens fiscais na fabricação dos carros elétricos, mas emplacar um veículo a gasolina
está ficando progressivamente mais caro nas cidades chinesas, o que, na prática, empurra
muitos consumidores para a matriz limpa. Nesta semana, a Xpeng Motors, outro player
chinês de carros elétricos, anunciou investimentos na TELD, maior empresa local de
estação de recargas. O investimento permitirá levar a mais 30 cidades pontos públicos de
acesso aos "superchargers", equipamentos capazes de dar carga de 80% em
um automóvel (suficiente para eles rodarem por 200 quilômetros) em apenas 50 minutos.
É o tempo de almoçar, por exemplo. A expansão das estações públicas de
recarregamento, que são opções às recargas noturnas que os proprietários de carros
elétricos realizam em suas casas, contribuem para maior adoção deste tipo de veículo. Em
muitas cidades chinesas, o maior investimento para ter um carro não é a compra do
veículo em si, mas a aquisição de uma licença para emplacá-lo.
A lógica local é tributar o uso e propriedade dos carros, incentivando a população a usar
alternativas públicas de transporte. Exceção é feita aos carros elétricos, como os BYD,
Xpeng ou os estilosos NIO, espécie de versão chinesa da Tesla.

Luxuosos e descolados: os Nio só se movem com energia elétrica
De acordo com a Aliança Chinesa para a Promoção de Veículos movidos a energias
renováveis, os investimentos das empresas privadas acima já tornam, com larga
vantagem, a China o país com maior infraestrutura para carros elétricos, bem à frente do
segundo e terceiro colocados, Estados Unidos e Japão.
Não à toa, soluções de compartilhamento de soluções de transporte, lideradas pela Didi,
que no Brasil controla a 99, são super populares no país, como bike sharing, eletric-bike
sharing ou o clássico carro compartilhado por aplicativo. Recentemente, as grandes
cidades chinesas como Pequim, Xangai e Shenzhen, vivem um bom também de
compartilhamento de automóveis, graças a sérvios como o GoFun, um app que permite
desbloquear um carro estacionado na rua e usá-lo como usamos uma patinete ou uma
bicicleta. Paga-se por hora.
A solução busca atender aqueles usuários que se viram bem com metrô e ônibus no dia a
dia, mas, às vezes, querem usar o carro por uma hora, para ir fazer compras no
supermercado, levar o cachorro ao petshop ou mesmo ter autonomia de visitar um parente
que vive em alguma localidade remota. Os carros compartilhados, claro, são também
elétricos.
Para além da inegável emergência em reduzir as emissões de dióxido de carbono, o
esforço chinês tem um objetivo também perseguido pelas potências ocidentais: diminuir
sua dependência da importação de petróleo.

Coletivos da BYD em Shenzhen: emissão de carbono zero
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