Medidas são defendidas, especialmente, por apoiadores do governo Bolsonaro
Cerca de um terço da população brasileira aceita, em certas circunstâncias, o fechamento de
Cerca de um terço da população brasileira aceita, em certas circunstâncias, o fechamento de
instituições como o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal (STF). É o que mostra pesquisa do
JOTA e do Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados).
Enquanto 34,9% disseram concordar com a frase “Em algumas situações, o governo deve fechar o
Congresso”, 32,9% afirmaram concordar com a frase “Em algumas situações, o governo deve fechar
o Supremo Tribunal Federal”. No primeiro caso, 50,9% disseram discordar e, no segundo, 54,2%.
Uma outra pergunta também mediu sentimento similar: 42% disseram concordar com a frase “Em
nenhuma situação é aceitável fechar o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal”, mas outros 40,9%
disseram discordar dela.
Os brasileiros com nível superior são os que menos apoiam uma visão “linha dura” da democracia:
60,6% discordam e 36,8% concordam com a possibilidade do governo fechar o STF. Entre as
pessoas com ensino médio, 53,4% discordam e 34,5% concordam dessa possibilidade (outros 12%
não opinaram sobre). Já entre os brasileiros com ensino fundamental 48% discordam e 25,1%
concordam, outros 26,9% não se posicionaram sobre esse tema.
A pesquisa foi feita com 1.045 pessoas, por telefone, entre os dias 26 e 29 de junho e conta com
respondentes em 492 municípios, nos 26 Estados e no Distrito Federal. As respostas de 31
respondentes foram excluídas da análise porque não possuíam todas as informações necessárias para
o modelo de pós-estratificação, restando, 1.014 respondentes. O intervalo de credibilidade dos
valores estimados é de 3,3%.
Repercussão no STF
Ministros do Supremo classificaram o resultado da pesquisa de “preocupante” e afirmaram que o
Ministros do Supremo classificaram o resultado da pesquisa de “preocupante” e afirmaram que o
fechamento de instituições fere a democracia. Para integrantes da Corte, essa percepção de que o
Supremo e o Congresso são dispensáveis é reflexo de uma avaliação de que a corrupção é
generalizada e também ganha fôlego em movimentações de Bolsonaro e seu grupo político.
Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, há um quadro de indignação com a corrupção na política e
Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, há um quadro de indignação com a corrupção na política e
parte da “população que quer sangue” defende uma solução extremada e antidemocrática.
“É muito preocupante. A democracia pressupõe o respeito às instituições. É muito triste quando
generalizam a crítica. Nos preocupa, não pelo cargo, estou há 29 anos no ofício judicante, mas pela
instituição, uma vez que o Supremo é a última trincheira para o cidadão e quem dá a última palavra”,
disse. “O Supremo tem que continuar fazendo sempre seu trabalho, buscando a prevalência da lei das
leis que é a Constituição”, afirmou.
Um ministro que falou reservadamente ao JOTA afirmou que esse dado é “chocante”, insere-se num
cenário da onda populista que atinge o país, em que o presidente da República tenta descolar o povo
das instituições representativas.
Para o integrante do Supremo, é preciso rememorar a ditadura para evitar “posições extremadas” e
que contrariam a democracia. “Está em estudos que a nossa memória da ditadura é longínqua. Nós
não rememoramos esses tempos tão sombrios e precisamos lembrar isso. Vai ser bom para que as
pessoas reflitam sobre posições extremadas como essas”.
O ministro afirmou ainda que a volta ao passado é importante para mostrar que a corrupção não é
restrita aos governos civis, sendo que nas gestões de militares também se tinha informações e atos
criminosos.
Outro ministro, que também pediu para falar reservadamente, disse que o Supremo “é essencial ao
Estado Democrático de Direito e que não há democracia sem Judiciário”.
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