
O governo de Jair Bolsonaro (PSL) remanejou R$ 1,25 bilhão destinado ao programa Mais Médicos
para abastecer outros programas da área de saúde que, por sua vez, receberam recursos por meio de
emendas parlamentares liberadas recentemente. Todo o processo ocorreu nos dias que antecederam a
aprovação do texto-base da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, na quarta (10),
período em que o governo acelerou a liberação de emendas.
No dia 4, a Secretaria Especial de Fazenda, órgão do Ministério da Economia, publicou portaria na
No dia 4, a Secretaria Especial de Fazenda, órgão do Ministério da Economia, publicou portaria na
qual abriu um crédito suplementar de R$ 1,25 bilhão ao Ministério da Saúde por meio da anulação
de recursos no mesmo valor destinados até então ao Mais Médicos. Esta verba foi repassada para o
custeio de serviços de atenção básica e de assistência hospitalar e ambulatorial.
Em nova portaria, publicada no dia 9, o mesmo órgão abriu outro crédito suplementar no valor de R$
649,2 milhões com o mesmo destino. Quase metade do dinheiro veio do remanejamento de verbas
destinadas às mesmas atividades –atenção básica e assistência hospitalar e ambulatorial–, mas que já
tinham endereço definido: estados do Norte, Nordeste e Sudeste, além de Mato Grosso do Sul.
A outra parte dos R$ 649,2 milhões tinha como destino anterior a estruturação de unidades de
A outra parte dos R$ 649,2 milhões tinha como destino anterior a estruturação de unidades de
atendimento especializado em cidades das cinco regiões do país e da rede de serviços de atendimento
básico de saúde no Distrito Federal.
Desta forma, somados, os remanejamentos autorizados pelo Ministério da Economia dentro da área
Desta forma, somados, os remanejamentos autorizados pelo Ministério da Economia dentro da área
de saúde chegam a R$ 1,89 bilhão. Este tipo de procedimento é autorizado pela Lei Orçamentária de
2019 para alguns tipos de despesa.
Tudo isso permitiu que, em paralelo, entre os dias 5 e 10 de julho, o Ministério da Saúde publicasse
Tudo isso permitiu que, em paralelo, entre os dias 5 e 10 de julho, o Ministério da Saúde publicasse
48 portarias para liberar quase R$ 1,6 bilhão em emendas parlamentares voltadas para o custeio de
serviços de atenção básica e de assistência hospitalar e ambulatorial. Ou seja, justamente as
atividades cujo atendimento tinha sido autorizado pelo Ministério da Economia –mas, desta forma,
com o carimbo dos deputados.
Emendas liberadas não são impositivas
No que pode ser considerado outro indício da boa vontade do governo com o Congresso, estas
Emendas liberadas não são impositivas
No que pode ser considerado outro indício da boa vontade do governo com o Congresso, estas
emendas liberadas pelo Ministério da Saúde nos dias citados não eram impositivas –as que, por lei, o
governo federal é obrigado a pagar. Elas vieram da Comissão de Seguridade Social e Família da
Câmara. No momento, a lei obriga o Poder Executivo a pagar as emendas parlamentares individuais
e parte das propostas pelas bancadas estaduais.
O governo Bolsonaro também tem colocado o pé no acelerador na liberação das emendas
impositivas. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, só nos dez primeiros dias de julho, o
Executivo liberou R$ 2,67 bilhões, 50% a mais do que tinha destinado no primeiro semestre.
A liberação de emendas parlamentares e o ritmo em que isso acontece são uma antiga moeda de
A liberação de emendas parlamentares e o ritmo em que isso acontece são uma antiga moeda de
troca entre o Executivo e o Legislativo, principalmente quando há votações importantes.
No começo da tarde de ontem, por exemplo, deputados buscavam garantir que o Planalto iria pagar
as emendas prometidas antes de entrar em ação para votar os destaques do projeto de reforma da
Previdência. Na manhã do dia da votação da reforma, o governo prometeu liberar R$ 5,6 bilhões em
emendas e deve enviar um projeto ao Congresso para conseguir créditos para bancá-las.
À Folha, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), reconheceu que a liberação de
emendas foi impulsionada pela proximidade da votação da reforma da Previdência. Bolsonaro, por
sua vez, negou nesta semana que esteja fazendo a “velha política” que condenou durante a última
campanha eleitoral.
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