sábado, 8 de junho de 2019

Justiça manda MEC suspender cortes em Universidades Federais


A juíza apontou para os riscos de paralisação das atividades das instituições de ensino

O MEC tem 24 horas para cumprir a ordem judicial sob pena 
de multa diária de R$ 100 mil. 
A Justiça mandou o Ministério da Educação (MEC) suspender os cortes em universidades federais. 
A pasta tem 24 horas para cumprir a ordem judicial sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O 
governo pode recorrer.
A decisão, emitida na noite desta sexta-feira (7), é da juíza Renata Almeida, da 7ª Vara Federal, na 
Bahia, que analisou oito ações, uma delas o pedido do deputado Jorge Solla, do PT da Bahia, e da 
Aliança pela Liberdade, chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes da UnB. A juíza cita 
"diversas ações populares e ações civis públicas" com a mesma solicitação.
Em sua decisão, ela apontou para os riscos de paralisação das atividades das instituições de ensino, o 
que, na sua visão, "implicará em ofensa ao princípio da vedação ao retrocesso social".
A magistrada também destacou a afirmação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que 
pretendia cortar recursos de universidades que não apresentarem desempenho acadêmico esperado e 
"estiverem promovendo balbúrdia em seus campus".
Na ocasião, o ministro destacou que três universidades já foram enquadradas nesses critérios e 
tiveram repasses reduzidos: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense 
(UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
"Não há necessidade de maiores digressões para concluir que as justificativas apresentadas não se 
afiguram legítimas para fins de bloqueio das verbas originariamente destinadas à UnB, UFF e
UFBA,  das maiores e melhores Universidades do país, notoriamente bem conceituadas, não apenas 
no ensino de graduação, mas também na extensão e na produção de pesquisas científicas", observou 
a magistrada.
Pouco tempo depois dessa declaração, o MEC disse que o contingenciamento se estenderia a todas as 
universidades públicas. Sobre a decisão de agora, o Ministério da Educação diz que ainda não foi 
notificado.
A magistrada também afirmou em seu argumento que "não se está aqui a defender a 
irresponsabilidade da gestão orçamentária, uma vez que é dever do administrador público dar 
cumprimento às metas fiscais estabelecidas em lei, mas apenas assegurando que os limites de 
empenho, especialmente em áreas sensíveis e fundamentais segundo a própria Constituição Federal, 
tenham por base critérios amparados em estudos que garantam a efetividade das normas 
constitucionais".
Greve Geral
A decisão da juíza, no entanto, não suspende a greve geral puxada pelas centrais sindicais para o 
próximo dia 14/06. A atividade pretende denunciar os ataques do governo de Jair Bolsonaro aos 
direitos sociais, especialmente a reforma da Previdência.
A mobilização dá continuidade à uma série de mobilizações contra o governo, que acabaram levando 
milhões de pessoas às ruas em todo o país nos últimos dias 15 e 30 de maio.

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