sábado, 20 de abril de 2019

FICHA SUJA DO MEIO AMBIENTE DECIDE MILITARIZAR O MINISTERIO


Salles ficha Suja nomeou para cargos 12 policiais militares e integrantes das Forças Armadas
André Borges, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A área ambiental do governo Bolsonaro passa por um processo de militarização. Do 
alto escalão do Ministério do Meio Ambiente (MMA) até as diretorias do Ibama e do Instituto Chico 
Mendes de Biodiversidade (ICMBio), postos-chave estão agora sob a tutela de oficiais das Forças 
Armadas e da Polícia Militar. A orientação dada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro e levada a 
cabo pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é a de acabar com o “arcabouço ideológico” 
no setor. Já são pelo menos 12 militares.
Nesta quinta-feira, 18, Salles exonerou o diretor de planejamento do Ibama, Luiz Eduardo Nunes, 
servidor de carreira do órgão federal. O posto deve ser ocupado por Luis Gustavo Biagioni, recém-
aposentado da PM de São Paulo, onde trabalhou na polícia ambiental como major e tenente-coronel. 
Souza Silva, também de formação militar, para a regional do Ibama em São Paulo.
Cada troca é informada a Bolsonaro. Nesta quinta, o presidente voltou a criticar o Ibama e uma multa 
que o órgão aplicou a índios que produzem soja transgênica em Mato Grosso. “Multados pelo Ibama 
em R$ 120 milhões. Já sabem o que vamos fazer com essa multa, né?” disse Bolsonaro, sinalizando 
que pedirá sua anulação. O presidente afirmou que o Ibama “é um órgão muito mais aparelhado do 
que o Ministério da Educação”. Na quarta, disse que, “com o Salles, nosso ministro do Meio 
Ambiente, tomamos providências para substituir esse tipo de gente”.
Levantamento feito pelo Estado aponta que o gabinete do ministro passou a contar com oito militares 
em cargos comissionados, oficiais que despacham ao lado da sala de Salles. Os cargos envolvem 
desde a chefia de gabinete até a ouvidoria e comunicação institucional da pasta. Na sede do Ibama, 
duas diretorias já são comandadas por militares.
As superintendências estaduais do órgão também serão ocupadas por militares. A nomeação de um 
militar para comandar o Ibama em São Paulo é só a primeira de muitas trocas por vir. Uma fonte do 
governo disse que Salles e Bolsonaro têm convicção de que há corrupção nos órgãos ligados à pasta. 
Por isso, querem um “controle mais rígido” das operações, além do afastamento de servidores que 
atuaram nos governos petistas. “Eu conversei com o Salles. Ele vai aproveitar oficiais da Polícia 
Ambiental, que conheceu quando era secretário do Meio Ambiental de São Paulo”, disse o senador 
Major Olímpio (PSL-SP).
Paralelamente, o governo discute a possibilidade de fusão do Ibama e do ICMBio, o que poderia 
ocorrer no segundo semestre. Salles evita dar detalhes sobre o assunto, limitando-se a dizer que, “por 
enquanto”, não haverá a integração. O Ibama fiscaliza e protege o meio ambiente e licencia 
empreendimentos, enquanto o ICMBio atua nas unidades de conservação ambiental.
Crise. Salles está no centro de uma crise. Na semana passada, mandou o presidente do Ibama rever 
parecer do órgão para autorizar o leilão de poços de petróleo ao lado de Abrolhos. Nesta semana, 
servidores divulgaram uma carta acusando o ministro de promover a “destruição da gestão 
ambiental”. O estopim foram as declarações feitas por ele em um evento no Rio Grande do Sul. 
Salles pediu punição a funcionários do ICMBio porque estes não compareceram ao encontro. Eles 
dizem que não foram convidados. A situação levou o presidente do ICMBio, Adalberto Eberhard, a 
pedir exoneração.
Questionado sobre a militarização de sua pasta, Salles não comentou. O ministério impôs lei do 
silêncio ao Ibama e ICMBio. Qualquer pedido de informação aos órgãos tem de ser encaminhado à 
pasta.

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