quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

BOLSONARO AINDA NÃO PAGOU OS PROFISSIONAIS DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS


Depois de Bolsonaro afirmar repetidamente durante a campanha e depois de eleito que os 
cubanos do Mais Médicos eram submetidos a um "regime de escravidão", seu governo não está 
pagando os brasileiros que entraram no programa para substituir os profissionais do país 
caribenho; os médicos que passaram a fazer parte do programa, em dezembro, após a saída 
dos médicos cubanos, não receberam o pagamento devido até agora.
247 - Depois de Bolsonaro afirmar repetidamente durante a campanha e depois de eleito que os 
cubanos do Mais Médicos eram submetidos a um "regime de escravidão", seu governo não está 
pagando os brasileiros que entraram no programa para substituir os profissionais do país caribenho. 
Os médicos que passaram a fazer parte do programa, em dezembro, após a saída dos médicos 
cubanos, não receberam o pagamento devido até agora. De acordo com o Ministério da Saúde, o 
problema atinge cerca de 5.036 médicos. Pelas regras do programa, cada profissional deve receber 
uma bolsa de R$ 11.800, além de auxílio-moradia.
Em novembro, após ser eleito, Bolsonaro disse que sempre foi contra o programa por uma questão 
humanitária. "Eu sempre fui contra o Mais Médicos, primeiro por uma questão humanitária, 70% [do 
dinheiro] ficam com o governo deles, e não temos a menor comprovação de que eles realmente 
sabem o que estão fazendo. É trabalho escravo e eu não vou convidar pra ficar”, justificou o 
presidente eleito."É trabalho escravo e eu não vou convidar para ficar", afirmou Bolsonaro depois, 
em coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
A previsão era que o pagamento ocorresse ainda na primeira semana de janeiro de forma 
proporcional aos dias trabalhados. Alguns profissionais iniciaram o serviço na primeira semana de 
dezembro. Outros se apresentaram na semana seguinte.
"Abri mão do meu auxílio-trabalho e do aviso prévio para começar o mais rápido possível. Tivemos 
que assumir com muita rapidez para que os postos não ficassem sem médicos, mas não recebemos", 
afirmou ao jornal Folha de S.Paulo uma médica que iniciou o trabalho em 4 de dezembro no interior 
de São Paulo, e que pede para não ser identificada, de acordo com reportagem da jornalista Natália 
Cancian.
Os profissionais também afirmam que, além do atraso no pagamento da bolsa, não houve reembolso 
no valor de passagens aéreas e em outros gastos de mudança. O edital prevê auxílio equivalente a até 
três vezes o valor da bolsa nestes casos.
A nova secretária de gestão do trabalho e educação na saúde, Mayra Pinheiro, afirma que o problema 
ocorreu devido a dificuldades técnicas no cadastro dos profissionais. "Estamos contornando o 
problema. Sempre que termina um edital, temos um problema de cadastro de informações, e também 
mudamos o sistema de pagamento. Antes eram feitos pelo sistema de cooperação com a Opas. Como 
houve rompimento do contrato [com Cuba], tivemos que mudar a fórmula. Imagina o que é inserir 
cerca de 8.000 pessoas de novo no sistema bancário", afirma.
O Ministério da Saúde afirmou que os pagamentos devem ser regularizados até o fim deste mês, mas 
os profissionais estão descrentes.

Nenhum comentário: