quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

MARCO AURÉLIO MELLO: “SÓ O COLEGIADO DO STF PODE DERRUBAR LIMINAR”


O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirmou nesta quarta-feira (19) que, se o tribunal 
ainda for "o Supremo", sua decisão de soltar os presos condenados em segunda instância "terá 
de ser obedecida"; "Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas 
instituições ainda são respeitadas", disse ele; o ministro ainda afirma que não teme ser 
criticado; "Magistratura é opção de vida. Não ocupo cadeira do Supremo voltado a fazer 
relações públicas. É o meu dever seguir minha consciência, e temos de cumprir o nosso dever".
MARCO AURÉLIO: SE O SUPREMO 
AINDA FOR O SUPREMO, MINHA 
DECISÃO TEM QUE SER OBEDECIDA
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta quarta-feira (19) que,
se o tribunal ainda for "o Supremo", a decisão dele terá de ser obedecida. A informação é do G1.
Questionado se algum juiz pode não acatar a decisão, Marco Aurélio respondeu:
"Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas instituições ainda são respeitadas."
Marco Aurélio relatou que vinha tentando pautar o tema no plenário do STF durante todo este ano, 
mas o tribunal não colocava a ação em julgamento.
Para o ministro, "os tempos mudaram", isso porque, na opinião dele, quando o caso é urgente, o 
plenário deve analisar rapidamente.
Indagado, então, se teme ser criticado, afirmou: "Magistratura é opção de vida. Não ocupo cadeira do 
Supremo voltado a fazer relações públicas. É o meu dever seguir minha consciência, e temos de 
cumprir o nosso dever".
Entenda o caso
O ministro Marco Aurélio Mello determinou nesta terça-feira (18) a soltura de todos os presos que 
estão detidos em razão de condenações após a segunda instância da Justiça.
"Defiro a liminar para, reconhecendo a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do 
Código de Processo Penal, determinar a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la 
ainda não haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido presos, ante 
exame de apelação, reservando-se o recolhimento aos casos verdadeiramente enquadráveis no artigo 
312 do mencionado diploma processual", diz o ministro na decisão.
A decisão liminar (provisória) de Marco Aurélio Mello atendeu a pedido do PCdoB e atinge, 
inclusive, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem recursos pendentes nos tribunais 
superiores.
O ministro se disse convencido da constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal, 
cuja discussão foi pautada para o dia 10 de abril de 2019 pelo presidente do STF, ministro Dias 
Toffoli.
Lisandra Paraguassu, Reuters
O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello disse à Reuters que decidiu pela 
liminar que suspendeu as prisões em segunda instância porque houve uma manipulação da pauta da 
Corte e ele foi "obrigado a agir".
"Minha consciência ditou essa decisão. Houve uma manipulação da pauta", disse o ministro, 
acrescentando que liberou duas ações para julgamento em dezembro de 2017 e uma terceira, em abril 
deste ano. "Por que não foi para pauta? Quem norteia a pauta pode ter feito isso (adiamento) e eu não 
posso no recesso tomar uma decisão? Eu tive que atuar. Eu tomei outras decisões importantes hoje."
Marco Aurélio disse ainda que apenas o plenário do STF poderia derrubar sua liminar, que está 
acima de qualquer um.
"Se adotar autofagia em prejuízo à instituição, poderá ser derrubada. Vamos aguardar", disse o 
ministro.
Marco Aurélio suspendeu no início desta tarde, em caráter liminar, todas as prisões de condenados 
em segunda instância cujos processos tenham recursos aos tribunais superiores que não tenham 
transitado em julgado, em decisão que pode beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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