
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirmou nesta quarta-feira (19) que, se o tribunal
ainda for "o Supremo", sua decisão de soltar os presos condenados em segunda instância "terá
de ser obedecida"; "Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas
instituições ainda são respeitadas", disse ele; o ministro ainda afirma que não teme ser
criticado; "Magistratura é opção de vida. Não ocupo cadeira do Supremo voltado a fazer
relações públicas. É o meu dever seguir minha consciência, e temos de cumprir o nosso dever".
MARCO AURÉLIO: SE O SUPREMO
AINDA FOR O SUPREMO, MINHA
DECISÃO TEM QUE SER OBEDECIDA
se o tribunal ainda for "o Supremo", a decisão dele terá de ser obedecida. A informação é do G1.
Questionado se algum juiz pode não acatar a decisão, Marco Aurélio respondeu:
"Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas instituições ainda são respeitadas."
Marco Aurélio relatou que vinha tentando pautar o tema no plenário do STF durante todo este ano,
Questionado se algum juiz pode não acatar a decisão, Marco Aurélio respondeu:
"Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas instituições ainda são respeitadas."
Marco Aurélio relatou que vinha tentando pautar o tema no plenário do STF durante todo este ano,
mas o tribunal não colocava a ação em julgamento.
Para o ministro, "os tempos mudaram", isso porque, na opinião dele, quando o caso é urgente, o
Para o ministro, "os tempos mudaram", isso porque, na opinião dele, quando o caso é urgente, o
plenário deve analisar rapidamente.
Indagado, então, se teme ser criticado, afirmou: "Magistratura é opção de vida. Não ocupo cadeira do
Indagado, então, se teme ser criticado, afirmou: "Magistratura é opção de vida. Não ocupo cadeira do
Supremo voltado a fazer relações públicas. É o meu dever seguir minha consciência, e temos de
cumprir o nosso dever".
Entenda o caso
O ministro Marco Aurélio Mello determinou nesta terça-feira (18) a soltura de todos os presos que
Entenda o caso
O ministro Marco Aurélio Mello determinou nesta terça-feira (18) a soltura de todos os presos que
estão detidos em razão de condenações após a segunda instância da Justiça.
"Defiro a liminar para, reconhecendo a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do
"Defiro a liminar para, reconhecendo a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do
Código de Processo Penal, determinar a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la
ainda não haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido presos, ante
exame de apelação, reservando-se o recolhimento aos casos verdadeiramente enquadráveis no artigo
312 do mencionado diploma processual", diz o ministro na decisão.
A decisão liminar (provisória) de Marco Aurélio Mello atendeu a pedido do PCdoB e atinge,
A decisão liminar (provisória) de Marco Aurélio Mello atendeu a pedido do PCdoB e atinge,
inclusive, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem recursos pendentes nos tribunais
superiores.
O ministro se disse convencido da constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal,
O ministro se disse convencido da constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal,
cuja discussão foi pautada para o dia 10 de abril de 2019 pelo presidente do STF, ministro Dias
Toffoli.
Lisandra Paraguassu, Reuters
Lisandra Paraguassu, Reuters
O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello disse à Reuters que decidiu pela
liminar que suspendeu as prisões em segunda instância porque houve uma manipulação da pauta da
Corte e ele foi "obrigado a agir".
"Minha consciência ditou essa decisão. Houve uma manipulação da pauta", disse o ministro,
"Minha consciência ditou essa decisão. Houve uma manipulação da pauta", disse o ministro,
acrescentando que liberou duas ações para julgamento em dezembro de 2017 e uma terceira, em abril
deste ano. "Por que não foi para pauta? Quem norteia a pauta pode ter feito isso (adiamento) e eu não
posso no recesso tomar uma decisão? Eu tive que atuar. Eu tomei outras decisões importantes hoje."
Marco Aurélio disse ainda que apenas o plenário do STF poderia derrubar sua liminar, que está
Marco Aurélio disse ainda que apenas o plenário do STF poderia derrubar sua liminar, que está
acima de qualquer um.
"Se adotar autofagia em prejuízo à instituição, poderá ser derrubada. Vamos aguardar", disse o
ministro.
Marco Aurélio suspendeu no início desta tarde, em caráter liminar, todas as prisões de condenados
Marco Aurélio suspendeu no início desta tarde, em caráter liminar, todas as prisões de condenados
em segunda instância cujos processos tenham recursos aos tribunais superiores que não tenham
transitado em julgado, em decisão que pode beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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