domingo, 2 de dezembro de 2018

ELEIÇÃO FAKE BRASIL


Ex-funcionário revela fraude com CPF para disparos em massa no WhatsApp. “Pensei melhor, 
estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo”. A frase, de 
Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma das empresas que dispararam, durante a 
eleição, milhões de mensagens em grupos de Whatsapp é a desculpa que deu à Folha o sujeito, 
depois de ter feito um acordo financeiro com o ex-patrões Para azar dele, o que havia dito aos 
repórteres Artur Rodrigues e Patrícia Campos Mello, havia sido gravado e nas conversas ele 
falava em milhares de chips adquiridos com nome e CPF de pessoas que desconheciam o uso de 
seus dados para criar celulares “fake” para distribuir mensagens.Trecho de reportagem de Artur Rodrigues e Patrícia Campos 
Mello na Fel-lha deste domingo, 2/XII:
(...) Documentos apresentados à Justiça do Trabalho e obtidos pela Folha detalham o submundo do 
envio de mensagens em massa pelo WhatsApp que se instalou no Brasil durante as eleições deste 
ano.
Uma rede de empresas recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de 
celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.
Entre as agências envolvidas no esquema está a Yacows. Especializada em marketing digital, ela 
prestou serviços a vários políticos e foi subcontratada pela AM4, produtora que trabalhou para a 
campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
A Folha falou diversas vezes com o autor da ação, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de 
uma dessas empresas. Nas primeiras conversas, ocorridas a partir de 19 de novembro e sempre 
gravadas, ele disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude, mas reafirmou o conteúdo 
dos autos e respondeu a perguntas feitas pela reportagem.
No dia 25, ele mudou de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora, registrado no processo. 
"Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo", 
disse, em mensagem de texto. Três dias antes, a Folha havia procurado a Yacows para solicitar 
esclarecimentos.
As conversas gravadas e a ação que Nascimento move acrescentam detalhes ao esquema revelado 
pela Folha em outubro, quando reportagem mostrou que empresários pagaram para impulsionar 
mensagens anti-PT na disputa eleitoral.
Após a publicação da reportagem, o WhatsApp bloqueou as contas ligadas às quatro agências de 
mídia citadas pela Folha por fazerem disparos em massa: Quickmobile, Croc Services, SMS Market 
e Yacows.
Nascimento descreve a atuação de três agências coligadas: Yacows, Deep Marketing e Kiplix, que 
funcionam no mesmo endereço em Santana (zona norte de São Paulo) e pertencem aos irmãos 
Lindolfo Alves Neto e Flávia Alves. Nascimento esteve empregado pela Kiplix de 9 de agosto a 29 
de setembro com salário de R$ 1.500.
Segundo seu relato, as empresas cadastraram celulares com nomes, CPFs e datas de nascimento de 
pessoas que ignoravam o uso de seus dados. Ele enviou à reportagem uma relação de 10 mil nomes 
de pessoas nascidas de 1932 a 1953 (de 65 a 86 anos) que, afirma, era distribuída pela Yacows aos 
operadores de disparos de mensagens.
(...) A Deep Marketing prestou serviços, entre outros candidatos, para Henrique Meirelles (MDB), 
que disputou a Presidência e declarou pagamento de R$ 2 milhões à empresa por "criação e inclusão 
de páginas da internet". A Kiplix trabalhou para a AM4, agência à qual Jair Bolsonaro declarou ao 
TSE pagamento de R$ 650 mil.
(...)

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