
Ex-funcionário revela fraude com CPF para disparos em massa no WhatsApp. “Pensei melhor,
estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo”. A frase, de
Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma das empresas que dispararam, durante a
eleição, milhões de mensagens em grupos de Whatsapp é a desculpa que deu à Folha o sujeito,
depois de ter feito um acordo financeiro com o ex-patrões Para azar dele, o que havia dito aos
repórteres Artur Rodrigues e Patrícia Campos Mello, havia sido gravado e nas conversas ele
falava em milhares de chips adquiridos com nome e CPF de pessoas que desconheciam o uso de
seus dados para criar celulares “fake” para distribuir mensagens.Trecho de reportagem de Artur Rodrigues e Patrícia Campos
Mello na Fel-lha deste domingo, 2/XII:
(...) Documentos apresentados à Justiça do Trabalho e obtidos pela Folha detalham o submundo do
(...) Documentos apresentados à Justiça do Trabalho e obtidos pela Folha detalham o submundo do
envio de mensagens em massa pelo WhatsApp que se instalou no Brasil durante as eleições deste
ano.
Uma rede de empresas recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de
Uma rede de empresas recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de
celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.
Entre as agências envolvidas no esquema está a Yacows. Especializada em marketing digital, ela
Entre as agências envolvidas no esquema está a Yacows. Especializada em marketing digital, ela
prestou serviços a vários políticos e foi subcontratada pela AM4, produtora que trabalhou para a
campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
A Folha falou diversas vezes com o autor da ação, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de
A Folha falou diversas vezes com o autor da ação, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de
uma dessas empresas. Nas primeiras conversas, ocorridas a partir de 19 de novembro e sempre
gravadas, ele disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude, mas reafirmou o conteúdo
dos autos e respondeu a perguntas feitas pela reportagem.
No dia 25, ele mudou de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora, registrado no processo.
No dia 25, ele mudou de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora, registrado no processo.
"Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo",
disse, em mensagem de texto. Três dias antes, a Folha havia procurado a Yacows para solicitar
esclarecimentos.
As conversas gravadas e a ação que Nascimento move acrescentam detalhes ao esquema revelado
As conversas gravadas e a ação que Nascimento move acrescentam detalhes ao esquema revelado
pela Folha em outubro, quando reportagem mostrou que empresários pagaram para impulsionar
mensagens anti-PT na disputa eleitoral.
Após a publicação da reportagem, o WhatsApp bloqueou as contas ligadas às quatro agências de
Após a publicação da reportagem, o WhatsApp bloqueou as contas ligadas às quatro agências de
mídia citadas pela Folha por fazerem disparos em massa: Quickmobile, Croc Services, SMS Market
e Yacows.
Nascimento descreve a atuação de três agências coligadas: Yacows, Deep Marketing e Kiplix, que
funcionam no mesmo endereço em Santana (zona norte de São Paulo) e pertencem aos irmãos
Lindolfo Alves Neto e Flávia Alves. Nascimento esteve empregado pela Kiplix de 9 de agosto a 29
de setembro com salário de R$ 1.500.
Segundo seu relato, as empresas cadastraram celulares com nomes, CPFs e datas de nascimento de
Segundo seu relato, as empresas cadastraram celulares com nomes, CPFs e datas de nascimento de
pessoas que ignoravam o uso de seus dados. Ele enviou à reportagem uma relação de 10 mil nomes
de pessoas nascidas de 1932 a 1953 (de 65 a 86 anos) que, afirma, era distribuída pela Yacows aos
operadores de disparos de mensagens.
(...) A Deep Marketing prestou serviços, entre outros candidatos, para Henrique Meirelles (MDB),
(...) A Deep Marketing prestou serviços, entre outros candidatos, para Henrique Meirelles (MDB),
que disputou a Presidência e declarou pagamento de R$ 2 milhões à empresa por "criação e inclusão
de páginas da internet". A Kiplix trabalhou para a AM4, agência à qual Jair Bolsonaro declarou ao
TSE pagamento de R$ 650 mil.
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