quarta-feira, 10 de outubro de 2018

RURALISTAS E BOLSONARO VÃO TORNAR O BRASIL UMA GRANDE MOTOSSERA


O presidente da UDR, uma das entidades mais conservadoras do país, afirma que a 'indústria 
das multas' do ministério do meio ambiente tem que acabar; Luiz Antônio Nabhan Garcia é 
cotado para assumir o futuro ministério da Agricultura e meio ambiente em um eventual 
governo Bolsonaro - que pretende fundir os dois ministérios, hoje, independentes; ideário de 
Garcia, que protege o desmatamento, pode fazer do Brasil uma indústria da motosserra.

247 - Marina Silva, que teve a maior parte de sua trajetória política no PT, como uma das líderes na 
temática do meio ambiente, lançou-se como candidata a presidente sob o signo da defesa do 
desenvolvimento sustentável, especialmente nas eleições de 2010 e 2014. Nesta eleição, em que 
praticamente despediu-se das disputas presidenciais com apenas 1% dos votos, a questão ambiental 
perdeu espaço na agenda de Marina, mas esta ainda é a marca principal de sua trajetória. Com base 
em sua biografia, cabe a pergunta: com a sinalização de Bolsonaro de que pretende, se eleito, acabar 
com o Ministério do Meio Ambiente, subordinando-o ao da Agricultura, a ser entregue a um dos 
ruralistas mais retrógrados do país, Marina permanecerá "neutra"?
A segunda marca da trajetória de Marina, além de sua trajetória nos temas do meio ambiente e 
sustentabilidade é a mágoa. Maria deixou o PT pouco antes da eleição presidencial de 2010 não por 
qualquer divergência com o partido, mas por uma profunda mágoa com o então presidente Lula. Ela 
tinha certeza que seria a escolhida para a sucessão naquela eleição e não se conformou com a escolha 
de Dilma Roussef. Saiu do partido e passou a caminhar pela política tendo sua mágoa como norte. A 
pergunta sobre o posicionamento dela, desdobra-se em outra: Diante da ameaça do fascismo que 
paira sobre o país, Marina tomará sua decisão baseada em sua mágoa pessoal?
Luiz Antônio Nabhan Garcia, homem de extrema-direita, presidente da União Democrática 
Ruralista, uma das entidades mais retrógradas do país, é tido, nos círculos bolsonaristas, como nome 
certo para ministro da Agricultura e Meio Ambiente se o candidato fascista vencer as eleições.
Reportagem da agência Reuters dá a dimensão do desastre que 
ele poderia representar para o país: 
Um eventual governo de Jair Bolsonaro buscará apoiar a todos os produtores rurais, não só os 
maiores, desburocratizar processos e acabar com a chamada "indústria das multas" do Ministério de 
Meio Ambiente, disse nesta terça-feira à Reuters Luiz Antônio Nabhan Garcia, aliado do candidato 
do PSL à Presidência.
Cotado para assumir um futuro Ministério da Agricultura e Meio Ambiente, que juntaria as duas 
pastas em um governo Bolsonaro, Garcia disse que é preciso dar segurança jurídica ao produtor 
rural, que assim poderia destravar investimentos.
"Não pode ter uma indústria da multa punitiva. Tem que ser uma indústria construtiva e educativa... 
Quem cometeu infração tem que ser punido, mas antes é preciso um projeto educacional, mostrar 
como preservar...", declarou ele, líder da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que se 
notabiliza pela defesa da propriedade rural e combate a movimentos de sem-terra, como o MST.
A proposta de Bolsonaro da fusão das pastas de Agricultura e Meio Ambiente, além de reduzir o 
número de ministérios, também seria importante para dar mais agilidade ao setor agropecuário, tido 
por algumas organizações não-governamentais como motor do desmatamento no Cerrado e na 
Amazônia.
O representante da UDR, um dos conselheiros de Bolsonaro para o setor do agronegócio, disse que é 
preciso "separar o joio do trigo", aqueles que atuam legalmente de madeireiros e garimpeiros ilegais.
"Não dá para jogar (a culpa) nas costas do produtor rural...", afirmou.
Para Garcia, que disse estar assessorando Bolsonaro "na solução dos principais gargalos do setor 
rural", o Ministério do Meio Ambiente trabalha atualmente para arrecadar recursos à União.
"O Estado quer arrecadar e tem que acabar com isso. Aí o produtor fica dez anos se defendendo na 
Justiça", ressaltou ele, criticando também integrantes do Meio Ambiente, que estariam "a serviço das 
ONGs, escusas e do interesse internacional".
Garcia defendeu ainda que o futuro governo tem de zerar o repasse de recursos públicos para ONGs 
que atuam no Brasil, "porque milhares delas estão atuando com interesses escusos".
Para o líder da UDR, o setor agrícola precisa de uma atenção especial do governo porque tem Brasil, 
que é o principal exportador da oleaginosa, de carnes bovina e de frango, entre outros produtos 
agrícolas.
"Se não fosse o setor rural o país tinha explodido nos últimos anos e não teria sobrado nada. O 
agronegócio é quem alavanca o país."
Durante sua campanha, Bolsonaro já criou polêmicas sobre demarcação de terras e preservação de 
áreas indígenas e quilombolas.
Mas Garcia negou que Bolsonaro vá fazer um governo, caso seja eleito, voltado para os grandes 
latifundiários do país.
Ele atribuiu ao PT, do oponente Fernando Haddad, esse tipo de "fake news".
"Isso é papo furado dessas ideologias doentias que existem aí. Pelo contrário, não tem essa divisão. 
Isso é ranço do PT. Vamos incentivar a agricultura familiar. Pequeno, médio e grande produtor estão 
na mesa, e isso (de priorizar os grandes) é piada", declarou ele.
Para o aliado de Bolsonaro, produtores agrícolas de menor porte têm dificuldades para acessar 
crédito no BNDES, enquanto grandes empresas do setor de carnes conseguiriam com facilidade.
"O BNDES em vez de bancar frigorífico tem que oferecer à base da indústria agro. O produtor para 
conseguir merreca fica seis meses, um ano sendo humilhando no BNDES. Isso vai acabar. Faremos 
política para todo mundo e não para um monopólio."

Nenhum comentário: