sábado, 20 de outubro de 2018

Ao lado de Luciano Hang, bilionário Gazin deixa rastro: Bolsonaro no primeiro turno, pra não “gastar mais dinheiro”; empresários cadastram clientes em 358 lojas; veja vídeo


Em vídeo disseminado pelo próprio candidato Jair Bolsonaro, no twitter, em agosto, o empresário 
Mário Gazin, um dos maiores varejistas do Brasil, deixou pista para os investigadores do Zapgate.
Ao lado de Luciano Hang, da Havan, Gazin diz que é preciso terminar a eleição no primeiro turno, 
“prá nós não tê de gastar mais dinheiro, pra não ficar todo mundo gastando dinheiro”.
Afirma também que, se a eleição ficasse para o segundo turno, “nós gasta mais dinheiro”.
Curiosamente, o nome de Gazin não aparece entre as pessoas físicas doadoras da campanha de Jair 
Bolsonaro.
As doações de pessoas jurídicas foram banidas pelo STF.
A que dinheiro se refere Gazin?
Dinheiro não falta: ele é dono de uma das maiores redes de varejo do Brasil.
“Seu maior sonho era ser patrão… e conseguiu! Para isso, desde os cinco anos, o paranaense Mário 
Gazin trabalhou como sapateiro, padeiro, garçom, em serviços gerais numa loja até que acabou por 
comprá-la! Assim nasceu a Gazin, empresa que hoje fatura cerca de R$ 3,5 bilhões e é a quarta 
maior rede de varejo do país”, diz texto que tratou do lançamento da biografia do empresário – A 
arte de inspirar pessoas e encantar clientes –, publicada em 2016.
Hang, o dono de outra potência, a rede Havan, foi denunciado em reportagem do diário conservador 
paulistano Folha de S. Paulo como um dos empresários que financiaram a disparada de milhões de 
mensagens de whatsapp antes do primeiro turno.
O esquema, se comprovado, pode configurar caixa 2: proibidos de doar como pessoa jurídica, os 
empresários teriam usado o subterfúgio da doação indireta em serviços. O PT já denunciou o caso ao 
TSE como abuso de poder econômico.
A disseminação de notícias falsas e a utilização de números de telefone não cadastrados pelas 
próprias campanhas — com autorização dos cadastrados — também são passíveis de punição.
No ano passado, o juiz Sergio Moro declarou que “caixa 2 é trapaça, é um crime contra a 
democracia”, pior até que o de corrupção.
Luciano Hang negou ter participado do esquema de Bolsonaro e prometeu processar aFolha.

O Whatsapp agiu mais rápido que o TSE ou a Procuradoria-Geral Eleitoral: notificou as quatro 
empresas citadas pela repórter Patrícia Campos Mello de que não devem mais utilizar a plataforma 
para distribuição de mensagens em massa.
Além disso, baniu números de telefone supostamente associados ao esquema.
O Whatsapp não informou quais números foram banidos.
Mas, no twitter, o senador eleito pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, um dos principais assessores 
do pai, divulgou que teve o uso do Whatsapp bloqueado em seu celular.
Pode ser o indício mais forte até agora de envolvimento direto da família com o esquema.
De acordo com a denúncia da Folha, as empresas que ofereceram serviços à campanha de Bolsonaro 
prometiam burlar o limite imposto ao tamanho de grupos do whatsapp: 256 pessoas
Segundo o diário conservador carioca O Globo, o gerente de marketing digital da campanha de 
Geraldo Alckmin, Marcelo Vitorino, recebeu da empresa Dot Group oferta de disparo de 80 milhões 
de mensagens por Whatsapp usando cadastro de terceiros, o que é ilegal.
O PSDB não adotou o esquema. A empresa nega que faria algo ilegal.
A venda de dados de usuários, obtidos legal ou ilegalmente nas redes sociais, companhias telefônicas 
e outras plataformas, abastece empresas de varejo e é uma mina de ouro para campanhas eleitorais.
O Grupo Havan faturou mais de R$ 4,5 bilhões em 2016 e tem presença em 17 estados. As lojas de 
departamento são 115, em 15 estados.
“Hoje o Grupo Havan, liderado por Luciano, contempla além das lojas outros empreendimentos no 
Sul do Brasil, nos segmentos de geração de energia elétrica, postos de combustível, factoring, 
hotelaria, entre outros”, diz o site da empresa.
A Gazin, com 7 mil empregados, descreve assim sua rede: “De uma pequena loja inaugurada há 
quase 52 anos em Douradina, no interior do Paraná, surgiu a Gazin, uma das maiores empresas do 
Brasil, com 243 lojas de varejo em 9 estados, além de 5 indústrias de colchões e estofados, 1 
indústria de molas e 13 centros de distribuição de mercadorias”.
Na soma, os dois empresários controlam 358 pontos de venda, onde são cadastrados os dados de 
clientes.
A campanha de Jair Bolsonaro declarou ao TSE ter recebido R$2.527.640,20 em doações de pessoas 
físicas até agora, mas o nome de Mário Gazin não aparece na lista.

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