POR FERNANDO BRITO
No seu Facebook, meu professor Nilson Lage – para meu orgulho, colaborador deste blog –
manifesta outra visão sobre a entrevista do General Villas- Boas ao Estadão, que critiquei aqui.
Lage, com as credenciais de ter visto muitas crises militares no Brasil, acha que não é correto ”
queimar pontes com o único segmento institucional que resta comprometido com o Brasil, já
que o judiciário e a imprensa venderam-se despudoradamente”.
Espero, sinceramente, que ele esteja certo e eu errado.
Pela riqueza do debate, embora sobre tema infeliz para todos nós que encaramos seriamente o
grande papel que têm nossas Forças Armadas como instituição essencial à nossa soberania,
reproduzo sua publicação:
“Como raramente acontece, discordo do Fernando.Topar a provocação do general, feita em
entrevista ao Estadão – agora um jornal de extrema direita – é erro político.
Primeiro porque Lula dificilmente seria candidato, portanto, o tal “sub judice”. Não era
preciso vestir a carapuça.
Segundo, porque qualquer governo que contrarie a Globo e a máfia judiciária estará
imediatamente “sub judice”, bastando uma delação ou alguns indícios fabricados. Está ai o
caso do Haddad.
Terceiro, porque brigar com as forças armadas, a essa altura, é burrice. Elas compõem, a
despeito a visão distorcida de alguns comandos, a única instituição nacional que guarda algum
compromisso com o Brasil.
A não intervenção que o general assegura em sua fala é que deveria ser valorizada.
Todos sabem que Bolsonaro tem a simpatia de alguns militares de alta patente, e a declaração
de Villas Boas reflete isso.
É direito deles, desde que respeitem o jogo”.
Repito que torço para que Eduardo Villas Boas ainda detenha o processo de extrapolação
de militares de suas funções. Compreendo suas dificuldades nesta missão. Mas, lamento,
torço mais do que creio que a anomalia do quadro brasileiro e de uma candidatura disforme
como a de Bolsonaro não vá abrir uma chaga incontornável na hierarquia militar.
Repito que torço para que Eduardo Villas Boas ainda detenha o processo de extrapolação
de militares de suas funções. Compreendo suas dificuldades nesta missão. Mas, lamento,
torço mais do que creio que a anomalia do quadro brasileiro e de uma candidatura disforme
como a de Bolsonaro não vá abrir uma chaga incontornável na hierarquia militar.
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