
Há uma ofensiva de grupos de advogados e procuradores de direita para tentar remover o
ministro Dias Toffoli do STF às vésperas de ele assumir a presidência da corte, em setembro; já
são pelo menos três pedidos de impeachment contra ele apresentados no Senado; ao mesmo
tempo, a imprensa conservadora faz um cerco a Toffoli para impedi-lo de colocar na pauta do
Supremo o julgamento sobre a constitucionalidade da prisão depois de condenação em segunda
instância.
O jornal Valor informa nesta terça (31) que um grupo de advogados tenta acelerar o
processo de impeachment de Dias Toffoli às vésperas de o ministro assumir a presidência
do Supremo Tribunal Federal. Toffoli já é alvo de dois pedidos de afastamento da Corte e, de
acordo com a publicação, um deles foi aditado para inserir um suposto escândalo de
lavagem de dinheiro envolvendo o banco Mercantil.
O Valor explicou que o grupo de advogados usou uma reportagem da revista Crusoé para
atualizar o pedido de impeachment de Toffoli. Na matéria, conta que Toffoli supostamente
recebe uma "mesada de R$ 100 mil" em uma conta do banco Mercantil, transferidos pela
sua esposa, a advogada Roberta Rangel, e que o banco teria identificado "indícios de
labagem de dinheiro nas transações".
Contudo, nenhum órgão do governo foi acionado para investigar o caso. O Ministério da
Fazenda não quis se manifestar sobre a veracidade dessa reportagem, anotou o Valor.
O pedido de impeachment diz que Toffoli troca favores com o banco Mercantil porque, além
dessa questão da suposta mesada, ele teria beneficiada a instituição num julgamento no
STF, após ter obtido desconto nos juros de um empréstimo de R$ 1,4 milhão. O ministro
nega e diz que respeita as regras de suspeição da Corte.
No mesmo pedido de impeachment, o grupo também argumenta que Toffoli, por causa de
suas relações passadas com o PT, deveria declarar-se impedido para processar ações
envolvendo José Dirceu. Ao contrário disso, ele votou pelo habeas corpus do ex-ministro da
Casa Civil.
No STF, o grupo de advogados também pede que o Senado seja obrigado a analisar o
pedido contra Toffoli. Segundo o Valor, o documento é precário em fundamento e tende a
ser rejeitado na Casa.
O outro pedido de afastamento de Toffoli versa sobre a votação do habeas corpus de Lula,
da qual o petista saiu derrotado.
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