quinta-feira, 12 de abril de 2018

ILUSÃO DE INVESTIGAR GANGUE TUCANA DUROU 24 HORAS


A ilusão de que a Lava-Jato iria pegar o pré candidato a presidência do PSDB durou apenas 24 
horas; o temor de que após a prisão de Lula, a polícia federal iria atrás de outros políticos se 
dissipou e se transformou em alívio, mediante à blindagem tucana que, ao que parece, tende a 
se fortalecer ainda mais.

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acirrou velhas queixas acerca da parcialidade da 
Lava Jato, ou da Justiça como um todo, que não investigaria e puniria com o mesmo ímpeto 
adversários do PT —em particular os tradicionais oponentes tucanos.
É fato que, por diferentes razões, expoentes do PSDB sob investigação têm escapado de condenações 
e prisões preventivas. Também por motivos diversos, a relativa tranquilidade do partido sofreu 
abalos recentes.
Destinada, de início, a apurar um gigantesco esquema de corrupção na Petrobras, a Lava Jato 
naturalmente demorou a atingir o tucanato, que fazia parte da oposição na época dos desvios 
detectados.
Somente depois de uma sequência de delações de grandes empresários, figuras importantes como 
Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra (os três últimos candidatos do partido à Presidência) se 
tornaram alvo de inquéritos.
Nesta etapa, pesou a favor dos tucanos o direito ao foro especial e a lentidão dos tribunais superiores.
O caso de Aécio é especialmente escandaloso. Gravado a pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista, da 
JBS, o mineiro contou com a ajuda de seus pares no Senado para se livrar, em outubro, das medidas 
cautelares a ele impostas pelo Supremo Tribunal Federal.
É notícia boa e tardia, pois, que enfim tenha sido marcado, para o próximo dia 17, o julgamento do 
STF que pode torná-lo réu sob acusação de corrupção passiva.
Já Alckmin —que, segundo delatores, recebeu R$ 10 milhões por meio de caixa dois para 
campanhas em 2010 e 2014— perdeu o foro no Superior Tribunal de Justiça ao deixar o governo 
paulista para se lançar mais uma vez na corrida ao Palácio do Planalto.
Nesta quarta (11), a ministra Nancy Andrighi, do STJ, remeteu a investigação que envolve o tucano à 
Justiça Eleitoral de São Paulo. Na véspera, a seção paulista da Lava Jato havia manifestado a 
intenção de assumir o caso.
"Estou impressionado com esta justiça brasileira, com o grau de seletividade. A ministra 
mandou pra justiça eleitoral, onde a gente sabe que no TER os tucanos tê muita força. É um 
escândalo. Agora querem que a gente aceite a prisão de Lula, que nunca foi do tríplex, nunca 
dormiu lá, nunca teve a chave. A Justiça trabalha para o lado dos ricos, do PSDB. Já passaram 
dos limites"

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