quarta-feira, 12 de julho de 2017

Exclusivo: Advogado grampeado por Moro conta como Lava Jato nasceu fora da lei

O advogado e o grampo admitido por Moro: Constituição rasgada.

Esta reportagem faz parte do nosso projeto de crowdfunding 
sobre a Lava Jato. Outras virão. Fique ligado.


O advogado que teve o sigilo telefônico quebrado em 2006, na origem da investigação que resultou 
na Lava Jato, disse hoje ao DCM que a operação não resiste a uma verificação séria de legalidade.
“Interceptaram uma conversa minha com um cliente, o que é a violação de um direito constitucional, 
e investigaram José Janene, que era meu cliente, sem terem poderes para isso. Janene era deputado 
federal e quem tinha que investiga-lo é o Supremo Tribunal Federal”, afirmou o advogado Adolfo 
Gois, de Londrina, na primeira entrevista que concede sobre o caso.
Gois advogou para Janene durante muitos anos, inclusive quando o deputado federal foi acusado de 
envolvimento no mensalão, em entre 2005 e 2006.
O advogado defendia os parentes e funcionários de Janene acusados de envolvimento com a lavagem 
dos recursos de caixa 2.
Nas conversas sobre esses fatos que o advogado teve com funcionários de Janene, a Polícia Federal 
descobriu que Alberto Youssef era doleiro do deputado federal.
Mas, em vez de remeter o caso para o Supremo, continuou a investigar.
Investigou, mas ninguém foi julgado.
“Toda hora, chamavam meus clientes para depor e eu não sabia que estava sendo grampeado. Soube 
em 2016, quando o advogado de Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) me procurou para 
falar sobre o inquérito lá de trás. Ele tinha tido acesso a alguns documentos da Polícia Federal que eu 
não tinha visto, e encontrou os relatórios que mostravam as minhas conversas com meus clientes”, 
afirmou.
O advogado também considera muito estranho como os inquéritos foram parar nas mãos do juiz 
Sérgio Moro.
“Quem cuidava desses inquéritos era outro juiz, o doutor Nivaldo Brunoni, e eu nunca entendi como 
saíram da mão dele e foram para as de Sérgio Moro, que, aliás, nem era um juiz tão brilhante assim. 
Mais tarde é que ele virou uma unanimidade nacional, e eu vi que ninguém teve coragem de verificar 
o que ele exatamente fez para assumir a investigação toda”, declarou.
Segundo Adolfo Gois, não havia nenhuma relação dos fatos investigados em 2006 com a Petrobras.
“Era o mensalão”, insiste.
Os clientes dele não foram denunciados, e ele deixou o caso depois que Janene morreu, em 2010.
“Em 2014, vejo que o Sérgio Moro começa a prender todo mundo e descubro que estava relacionado 
com a investigação lá atrás. Como ele fez isso? É só analisar os documentos para ver que forçaram a 
barra para que ele se tornasse o juiz competente para todos os casos. Pela lei, não podia assumir tudo 
isso”, afirmou.
“Mas eu acho que a culpa maior nem é dele. É das instâncias superiores, que não tiveram coragem de 
barrar o que Moro vinha fazendo – só agora é que algumas decisões do juiz da 13ª Vara Federal de 
Curitiba começam a ser revistas, como a que absolveu João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que 
havia sido condenado por Moro sem provas.
No meio jurídico, circulou a informação de que o juiz Sérgio Moro divulgaria hoje a sentença no 
processo em que o ex-presidente Lula é acusado de receber um tríplex da empreiteira OAS como 
propina por contratos da Petrobras.
Até agora, nada.
Mas a expectativa é que a sentença saia a qualquer momento, e o juiz condene o ex-presidente, 
embora não haja uma única prova de que o apartamento do Guarujá pertença a Lula ou a sua família.
Pelo contrário.
As provas existentes no processo mostram que o apartamento nunca deixou de pertencer à 
empreiteira.
E Lula é credor de mais de R$ 200 mil da OAS e de sua antecessora no empreendimento, a Bancoop, 
valor que Marisa Letícia, mulher do ex-presidente, pagou por uma cota do condomínio.
O que leva à expectativa de condenação é o envolvimento demonstrado por Moro no processo e as 
declarações que já deu, sendo identificado como adversário de Lula.
Moro e Lula foram retratados na capa da revista Veja como atletas de luta livre, preparados para um 
confronto no ringue.
É a percepção pública da Lava Jato: Moro x Lula.
Se deixar de condenar o ex-presidente, Sérgio Moro passará a imagem de que perdeu a luta.
Se condenar, como é provável, ficará bem com seus seguidores, mas sairá com a imagem queimada 
no meio jurídico.
Passado esse ambiente de vale tudo, quando as instâncias superiores do Judiciário se dispuserem a 
analisar os abusos cometidos, o advogado Adolfo Gois é uma personalidade a ser chamada.
“Tenho muitos documentos, juntados no processo, que mostram que Moro nunca poderia ser o juiz da Lava Jato”, afirmou.
.x.x.x.x.

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