sexta-feira, 14 de julho de 2017

Brasil lidera ranking de mortes de ambientalistas em 2016

A principal causa de morte de ativistas em 2016 foi o envolvimento das vítimas em conflitos 
contra a atividade de mineração, agronegócio e exploração madeireira.

*Da Agência Brasil
O Brasil continua no topo da lista dos países onde ativistas ambientais mais foram mortos em 2016, 
com 49 casos, segundo o levantamento Defensores da Terra, daa organização não governamental 
Global Witness. Em todo o mundo, foram pelo menos 200 ativistas assassinados no período, cerca de 
quatro pessoas por semana.
É o maior número de mortes de ambientalistas registrado em um ano pela organização. “Com muitos 
assassinatos não relatados, e nem ao menos investigados, é provável que o número verdadeiro seja 
muito mais alto”, avalia o relatório.
O levantamento aponta que o fenômeno de violência contra ativistas não está apenas crescendo, mas 
também se espalhando pelo mundo. No ano passado, a Global Witness documentou assassinatos em 
24 países. Em 2015, foram 16.
“A falta de processos também dificulta identificar os responsáveis, mas encontramos evidências 
fortes de que a polícia e as Forças Armadas [locais] estavam por trás de pelo menos 43 assassinatos 
[em vários países]”, informa.
A organização avalia que cabe aos Estados, conforme legislação internacional, proteger os 
defensores de direitos humanos para que possam atuar com segurança, mas lamenta que aqueles que 
defendem causas fundiárias e ambientais enfrentam riscos específicos e aumentados porque desafiam 
interesses comerciais. “Para mantê-los seguros, é necessária ação.”
De acordo com a Global Witness, a principal causa de morte dos ativistas em 2016 foi o 
envolvimento das vítimas em conflitos contra a atividade de mineração, agronegócio e exploração 
madeireira. O setor de mineração permanece o mais perigoso, com 33 ativistas mortos depois de se 
oporem a projetos de mineração e petroleiros.
O relatório ainda alerta que assassinato é apenas uma das táticas para silenciar ativistas. Ameaças de 
morte, prisões, violência sexual e ataques legais também são recorrentes, segundo a organização.
Das vítimas em todo o mundo, 40% são indígenas e 60% são da América Latina. O Brasil é seguido 
no ranking pela Colômbia, com 37 assassinatos; Filipinas, com 28; Índia, com 16, e Honduras, que 
lidera o ranking do país mais perigoso para ativistas per capita na última década, com 14 mortes.
Em 2015, o Brasil também liderou o ranking de mortes de ambientalistas.

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