quinta-feira, 6 de outubro de 2016

LULA: OS MOROS TAMBÉM CERCARAM ULYSSES


Lula exalta a Constituição rasgada  

Do site Lula.com.br: Fora da Política, resta a tirania 

Tive o privilégio de conviver com Ulysses Guimarães em alguns dos mais intensos períodos da 
história do Brasil. Nas ruas, lutando pela Anistia e na campanha das Diretas Já, testemunhei sua 
coragem cívica. Na Assembleia Nacional Constituinte, conheci o político que exercia seu ofício no 
mais alto patamar. Ulysses é um exemplo nesses tempos difíceis para a Democracia e para as 
instituições no Brasil.
Consultando uma coletânea de seus discursos na Câmara dos Deputados, descobri que em 1964 
Ulysses teve de se defender de falsas acusações lançadas no âmbito de um Inquérito Policial Militar. 
O que mais o indignava era que as acusações – sem provas, denúncias arrancadas sob pressão – 
haviam sido divulgadas pela imprensa antes mesmo que ele as conhecesse. Sem direito de defesa ou 
contraditório, como destacou no discurso.
Não eram as calúnias que mais o feriam; era a afronta ao Estado de Direito, ameaçando cada 
cidadão. E também a manipulação política de inquéritos para difamar pessoas por meio da imprensa. 
Como ocorreu, por exemplo, a Juscelino Kubitschek, acusado injustamente de possuir um edifício 
que nunca foi dele. A história e a memória do povo acabaram fazendo justiça aos ofendidos, embora 
os jornais nunca tenham se desculpado pelas mentiras publicadas.
Ulysses não se acovardou ante as calúnias nem se curvou aos tiranos. Desafiou-os a lutar no campo 
limpo e legítimo das eleições, onde o voto do povo é senhor. E foi profético em sua pregação de 
1973, que a tantos parecia quixotesca: “Navegar é preciso”. Navegamos, contra vento e maré, e 
alcançamos um novo ordenamento democrático para o País.
O ápice da redemocratização iria encontrá-lo no comando da Constituinte, o desaguadouro dos 
anseios acumulados pela população em anos de luta contra a ditadura. Ulysses teve a sabedoria de 
manter o processo aberto à participação popular. E por essa porta entraram os movimentos sociais, 
apresentando propostas e pressionando pelo reconhecimento e ampliação de direitos; por uma pátria 
de liberdade, igualdade e justiça social.
Foi um período de valorização intensa da Política como instrumento de diálogo entre divergentes, de 
disputa civilizada e construção de propostas para o País. Aprovamos uma carta avançada para seu 
tempo, mesmo diante da maioria conservadora no plenário. A condução desse processo, sem outro 
recurso além do exercício pleno da Política, é o maior legado de Ulysses ao Brasil.
O exemplo de Ulysses nos ilumina nesta hora em que a atividade política é estigmatizada; em que 
setores do Estado e da mídia tentam criminalizar toda uma corrente de pensamento partidário, 
violando a lei e o direito. É sempre necessário processar, julgar e punir quem errou, no devido 
processo legal. Mas ninguém pode substituir a vontade do povo para eleger ou excluir – seja em 
nome de interesses próprios ou de supostas convicções. Fora da disputa política democrática, o que 
resta é a tirania, seja quem for que a exerça.
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