sábado, 3 de setembro de 2016

ILEGITIMO DIZ QUE PROTESTO É COISA DE “40, 50 QUE QUEBRAM CARRO" E DILMA ALERTA: PRIMEIRO CEGAM UMA MENINA, DEPOIS MATAM ALGUÉM


Da China, onde participa de reunião do G20, Michel Temer minimizou os protestos que 
ocorreram todos os dias em São Paulo e em várias capitais do País, desde que o Senado 
confirmou o afastamento da presidente Dilma Rousseff; "São pequenos grupos, parece que são 
grupos mínimos, né? (...) Não tenho numericamente, mas são 40, 50, cem pessoas, nada mais do 
que isso. Agora, no conjunto de 204 milhões de brasileiros, acho que isso é inexpressivo. O que 
preocupa, isto sim, é que confunde o direito à manifestação com o direito à depredação", disse 
ele, neste sábado 3; megamanifestação está prevista para ocorrer na tarde deste domingo; 
pesquisa Ipsos revelou que 68% dos brasileiros – 140 milhões de pessoas – o rejeitam

Da Rede Brasil Atual

“As pessoas vão para as ruas e vem a repressão. Cegam uma menina. Depois, matam alguém, 
como foi com o estudante Edson Luís (1968). Então dizem que a culpa é do manifestante, pois a 
violência partiu deles. Isso que ninguém da minha geração pode compactuar. O terrorismo do 
Estado é gravíssimo. O poder dele para reprimir é muito forte. Assim começam as ditaduras. 
Não precisam ser militares, podem ser civis disfarçadas”, afirmou a presidente afastada Dilma 
Rousseff, fazendo referência à jovem Deborah Fabri, que perdeu a visão do olho esquerdo ao 
ser atingida por uma bala de borracha

 “É a segunda vez que votam meus direitos políticos. Fui condenada três vezes na ditadura (1964-
1985). Ontem, como hoje, ilegítimo”, definiu a ex-presidenta Dilma Rousseff, em entrevista 
concedida ontem (2) para a imprensa internacional. Ao traçar paralelos entre os golpes, mostrou 
preocupação sobre o futuro: “Prefiro a voz surda das ruas do que os silêncio das ditaduras (…) sei 
como começa e como termina a história”.
“As pessoas vão para as ruas e vem a repressão. Cegam uma menina. Depois, matam alguém, como 
foi com o estudante Edson Luís (1968). Então dizem que a culpa é do manifestante, pois a violência 
partiu deles. Isso que ninguém da minha geração pode compactuar. O terrorismo do Estado é 
gravíssimo. O poder dele para reprimir é muito forte. Assim começam as ditaduras. Não precisam ser 
militares, podem ser civis disfarçadas”, afirmou em referência às recentes ações violentas da Polícia 
Militar contra atos contrários ao governo de Michel Temer (PMDB). Não é possível que não se possa 
falar o que quiser, como 'Fora, Temer'. Quando começamos a ter medo das palavras, começa a 
arbitrariedade. Temer as palavras leva a isso. Veja, jamais tivemos medo das palavras, conheço uma 
ditadura na pele”, disse.
Em relação ao processo de impeachment, Dilma lamentou que, junto com ela, “foi julgada a 
democracia”. “Acho gravíssimo que um programa não eleito nas urnas seja executado. Parte da 
sociedade vai entender isso progressivamente. Infelizmente perdemos e espero que saibamos como 
reconstruir a democracia. Também espero que sejamos capazes de ter a clareza de que isso nunca 
mais pode acontecer”, disse. “O golpe parlamentar atua como um parasita que corrói a democracia”, 
completou.
Dilma argumentou que, com alterações na economia mundial, o Congresso arquitetou formas de 
desestabilizar seu governo. Além do impeachment, as ações do Legislativo aprofundaram a crise. “A 
crise econômica começa no final de 2014 nos países emergentes (…) No Brasil, o maior componente 
foi a crise política. Ela impede sistematicamente a retomada do crescimento econômico. Ao longo de 
2015, tivemos todos os projetos negados pela Câmara ou aceitos com alterações. Também tivemos as 
pautas-bomba”.
“O segundo ponto importante foi a ação do ex-presidente da Casa e deputado afastado Eduardo 
Cunha (PMDB-RJ). Ele é o grande articulador do golpe. Houve uma deliberada tentativa de 
desestabilizar o meu governo. Além de não aprovar o que mandávamos, eles ampliaram os gastos. 
Chegamos ao ponto de R$ 130 bilhões em estoque de pautas-bomba no Congresso. Em 2016 piorou: 
o Legislativo não funcionou. Do dia da abertura, até cinco dias antes de meu afastamento, nenhuma 
comissão funcionou na Casa”, disse a petista.
Dilma criticou o argumento para sua deposição e ressaltou pontos positivos das gestões petistas nos 
últimos 13 anos. “Senadores do PSDB e do DEM dizem que os motivos pelo impeachment e as 
causas da crise são o Plano Safra e os decretos de crédito suplementar. Isso é ridículo, é subestimar a 
inteligência das pessoas (…) Hoje, o Brasil tem fundamentos sólidos: US$ 378 bilhões em reservas, 
quando o FHC deixou o governo tinha US$ 34 bilhões. Nossa dívida não é mais denominada em 
dólares, e sim em reais. Isso significa que controlamos nossa economia, diferente nos tempos 
anteriores, onde qualquer crise no exterior causava uma corrida contra o real”, argumentou.
Mudanças
Dilma reafirmou seu apoio à convocação de eleições diretas e afirmou que mudanças são necessárias 
no modelo político brasileiro. “Não existe uma ação homogênea de partidos no Brasil. Por isso, 
quando propusemos um plebiscito para chamar eleições, falamos de reforma política. Precisamos 
criar governabilidade. Veja, o FHC precisou de três partidos para obter maioria simples no 
Congresso e quatro para a composta. Lula precisou de oito e 11. Eu precisei de 14 e 20. Isso, além de 
que os partidos não tem unidade, na hora de votação, atuam por interesses”, disse.
“Temos que trabalhar para aprofundar o caráter programático dos partidos. Ninguém terá uma 
governabilidade que não seja 'toma lá, dá cá'. É difícil conviver neste sistema se você tiver 
convicções. Por isso me chamam de dura, porque recuso e recusei (negociatas). Ora, Cunha queria 
que três deputados do PT votassem contra sua cassação para que não passasse o impeachment. Não é 
porque me retiraram da presidência que este processo amenizou”, completou.
Questionada sobre atuações futuras, Dilma disse que nunca deixou a política de lado, mesmo sem 
atuar em cargos eletivos. “Sempre fiz política sem ter mandato. Não fui presa durante a ditadura 
enquanto parlamentar. Fui militante e presidente. Não tenho nenhum projeto muito claro, mas para 
mim, a política é quando me coloco a questão: 'O que acho correto, o que posso fazer para o 
conjunto de homens e mulheres que dividem comigo este tempo histórico?'. Política é a obrigação de 
pensar nos outros, não apenas (de forma) partidária”, concluiu.
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