segunda-feira, 18 de abril de 2016

POR QUE TEMER VAI ABAFAR A OPERAÇÃO LAVA JATO


Segundo Ciro Gomes, os dois enfiam jabuti em medida provisória. Chapa Temer-Cunha não 
resiste a um "pega ladrão !"

Na CartaCapital: O que pesa contra Temer na Lava Jato

O substituto de Dilma teve seu nome citado diversas vezes no escândalo de corrupção
Neste domingo 17 a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma 
Rousseff. Por 367 votos a 137, os deputados entenderam que as acusações de crime de 
responsabilidade procedem e impedem Dilma de continuar a governar.
O vice-presidente Michel Temer, que deve assumir a presidência da República caso o Senado 
confirme a decisão da Câmara, não deve ter vida fácil, entretanto. Ao contrário de Dilma, ele é citado 
como beneficiário nos escândalos de corrupção investigados na Lava Jato.
Em planilhas apreendidas pela Polícia Federal na casa de um executivo da Camargo Corrêa, Temer é 
citado 21 vezes entre 1996 e 1998, quando era deputado pelo PMDB, ao lado de quantias que somam 
US$ 345 mil. A investigação ocorreu em 2009, durante a Operação Castelo de Areia, cujo alvo era a 
empreiteira, e apurava suspeitas de corrupção e pagamento de propina a políticos para obter 
contratos com o governo. Temer refutou as acusações e a Castelo de Areia não foi adiante.
Em 2014, a Operação Lava Jato prendeu três diretores da Camargo Corrêa e descobriu uma nova 
planilha que também apontava para Temer e políticos tucanos. O documento relaciona o vice-
presidente a dois pagamentos de US$ 40 mil por projeto de pavimentação em Araçatuba e pela 
duplicação de uma rodovia em Praia Grande, cada um deles estimados em US$ 18 milhões.
Em 2015, Júlio Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal, em acordo de delação premiada com 
a Lava Jato, afirmou que o lobista Fernando Baiano era operador da cota do PMDB no esquema de 
corrupção da Petrobras, representando principalmente o presidente do Senado, Renan Calheiros 
(PMDB-AL), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e Michel Temer.
Michel Temer e Eduardo Cunha
Eduardo Cunha entrega a Medalha Mérito Legislativo da Câmara dos Deputados 2015 a Michel 
Temer (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
No ano passado, o nome de Temer apareceu ligado também à OAS, ao lado de Eduardo Cunha e 
Renan Calheiros. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgou indícios de que Temer 
recebera R$ 5 milhões do dono da empreiteira, José Aldemário Pinheiro, condenado a 16 anos de 
prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A suspeita partiu de conversas registradas no celular de Pinheiro, apreendido em 2014, em que 
Cunha questiona o empreiteiro por ele pagar os cinco milhões de reais a Temer de uma vez e adiar o 
repasse aos outros líderes do PMDB.
Essa foi uma das informações que fundamentou a ordem do Supremo Tribunal Federal à Polícia 
Federal para que fosse deflagrada a Operação Catilinárias, que atingiu as principais lideranças do 
PMDB, como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, o senador Edison Lobão (MA) e os ministros Celso 
Pansera e Henrique Eduardo Alves.
Em fevereiro deste ano, o senador Delcídio do Amaral (MS), em acordo de delação premiada, 
envolveu Temer em um caso de aquisição ilícita de etanol por meio da BR Distribuidora, ocorrido 
entre 1997 e 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
No depoimento, Delcídio afirma que Temer chancelou a indicação de João Augusto Henriques e 
Jorge Zelada a cargos de direção da Petrobras; ambos foram condenados na Operação Lava Jato, 
sendo que Henriques é apontado como principal operador do esquema e teria sido apadrinhado por 
Temer.
________________________________________________

Nenhum comentário: