quinta-feira, 7 de abril de 2016

O CAMINHO DA GLOBO ATÉ A MOSSACK & FONSECA


Será que o Moro vai chegar lá? kkkkkkkkkkkkkkkk

 Mossack & Fonseca e os segredos do futebol: Como a Globo pagou os U$ 10 milhões pelos 
direitos da Libertadores? Por que o Brasil não ajuda o FBI a investigar a CBF?

por Luiz Carlos Azenha

São peças do quebra-cabeças que vão lentamente se encaixando.
Elas estão quase todas lá, no livro O Lado Sujo do Futebol, finalista do Prêmio Jabuti, que escrevi 
com Leandro Cipoloni, Tony Chastinet e Amaury Ribeiro Jr.
A parceria entre Ricardo Teixeira e o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rossell, em torno da qual 
se aglutinou um grupo que dava muitas cartas no futebol.
No Brasil, J. Hawilla e Marcelo Campos Pinto — o primeiro sócio da Globo em emissoras no 
interior de São Paulo e o segundo todo poderoso dos negócios da emissora no esporte.
O castelo de cartas aos poucos desaba, com vazamentos e delações.
Teixeira vive escondido no Brasil. Rossell perdeu o cargo e está sob investigação na Espanha. 
Campos Pinto deixou a Globo. Hawilla entrega tudo nos Estados Unidos, junto com o ex-presidente 
da CBF, José Maria Marin.
Na busca e apreensão da sede da Mossack & Fonseca, no Brasil, a localização de três empresas 
offshore ligadas à herdeira da Globo, Paula Marinho, filha do bilionário João Roberto Marinho: a 
Vaincre LLC, de Las Vegas, Nevada; a A Plus Holdings, do Panamá, e a Juste International, das 
ilhas Seychelles.
Elas foram veículo para transferências da emissora?
Nos #panamapapers, a constatação de que a Globo depositava no banco holandês ING, em 
Amsterdã, os pagamentos pelos direitos da Copa Libertadores que comprava da Torneos & Traffic 
Sports Marketing BV, uma sociedade entre o argentino Alejandro Burzaco e o brasileiro J. Hawilla. 
Foram ao menos U$ 10 milhões.
Hawilla, que atuava em Miami, se tornou colaborador da Justiça dos Estados Unidos na investigação 
do escândalo da FIFA.
Burzaco, preso na Itália e extraditado para os EUA, se declarou inocente diante de um tribunal.
O esquema do qual eles teriam participado foi responsável pelo pagamento de U$ 150 milhões em 
propinas a cartolas, dizem os investigadores. Os pagamentos, segundo o FBI, teriam partido da 
Datisa, que reúne a Torneos, a Traffic e uma terceira empresa de marketing, a Full Play.



Na Holanda, em 2015, o jornal Algemeen Dagblad foi atrás da parceria entre a Torneos e a Traffic 
registrada naquele país, a Torneos & Traffic Sports Marketing B V.
Descobriu que era uma empresa de papel baseada num edifício onde ficavam outras empresas 
internacionais, em Haia. Estava em nome de um laranja, Maarten van Genuchten.
A T&T era controlada por outra empresa, baseada na ilha de Chipre. O capital dela, em 2013, era de 
2 milhões de euros.
Os negócios envolvendo direitos de TV do futebol formam um obscuro emaranhado de interesses 
que se organiza em torno de empresas de fachada, pagamentos através de paraísos fiscais e 
sonegação de impostos.
Em 2015 o Wall Street Journal já tinha desvendado as relações entre a argentina Torneos, a brasileira 
Traffic e duas empresas de mídia com interesse cada vez maior no futebol: a DirecTV e a Fox.
No Brasil, a Globo foi acusada pela Receita Federal de sonegar R$ 600 milhões na compra dos 
direitos das Copas de 2002 e 2006 através de engenharia financeira organizada em torno da empresa 
Empire, nas ilhas Virgens Britânicas.
De acordo com a Receita, a emissora dos irmãos Marinho simulou investimento no Exterior para em 
seguida desmontar a Empire e usar o capital para pagar as cotas de transmissão.
Neste quebra-cabeças, ainda falta descobrir como a Globo fez os depósitos para a Torneos & Traffic 
na Holanda. Foi uma remessa que partiu diretamente do Brasil, com o conhecimento do Banco 
Central e declaração ao imposto de renda? Ou foi uma transferência realizada através de uma 
offshore? Por exemplo, a Vaincre LLC?
Se sim, muito mais que a mansão de concreto de Paraty estará por trás dos negócios da Vaincre.
Se o juiz Moro se interessar, está aí a ligação entre a Operação Lava Jato — que pegou a Vaincre na 
Mossack & Fonseca — e o escândalo da FIFA, que pode dar a ele projeção internacional.
Porém, Moro e o Ministério Público Federal terão de superar antes uma barreira criada pela própria 
Justiça brasileira.
No ano passado, uma juíza do Rio de Janeiro, onde ficam as sedes da TV Globo e da CBF,bloqueou 

Ou seja, o Brasil ajuda os Estados Unidos a processarem a Petrobras, mas não pode ajudar os 
Estados Unidos a desvendar a corrupção da FIFA/CBF! Inacreditável.
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