quinta-feira, 7 de abril de 2016

DELAÇÃO DA MAIOR EMPREITEIRA DO AÉCIO FOI UTILIZADA PARA MANIPULAR


Andrade Gutierrez sempre foi considerada a principal empreiteira de Aécio 

Em seu primeiro experimento, delação premiada virou arma política

A Andrade Gutierrez sempre foi considerada a principal empreiteira de Aécio Neves. Participou das 
maiores obras de seu governo, em Minas Geras. Mais que isso, quando enfrentou problemas de 
caixa, em Belo Monte, fechou um negócio que praticamente liquidou com o caixa da Cemig - 
empresa do governo mineiro - obrigada a adquirir debêntures emitidas por ela.
Não se trata apenas de meras propinas, mas de grandes negócios obscuros feitos à luz do dia.
Nos celulares dos principais executivos da Andrade, a Lava Jato encontrou mensagens de WhatsApp 
com ofensas pessoais à presidente Dilma Rousseff.
No entanto, em sua delação premiada, em nenhum momento foi exigido dos executivos da Andrade 
nenhuma informação sobre Aécio.



Um dos grandes problemas das discussões jurídicas é se aterem ao genérico, sem análise de caso.
O que se tem objetivamente com as delações premiadas da Lava Jato:
Cabe aos procuradores definir o conteúdo da delação, para ser homologada. Ou seja, o delator fica à 
mercê do julgamento do procurador. Se quiser benefício, tem que dizer o que o procurador quer.
Haveria o filtro do juiz. Quando os dois se irmanam na mesma posição política, esqueça-se o filtro. 
Juiz, procuradores e delegados da Lava Jato já deram provas sobejas de que tem lado partidário.
A delação será encaminhada ao STF para ser homologada. O Supremo vai arbitrar sobre o conteúdo 
incluído, não sobre o que não foi perguntado.
Não se pode analisar a delação sob a ótica genérica sem ter clareza sobre suas vulnerabilidades.
Concretamente, no primeiro caso de uso extensivo, a delação foi utilizada para manipular o jogo 
político.
Em Tempo:
Dois trechinhos miúdos, lá no final da matéria, mostram a fragilidade da “delação” 
providencialmente vazada por Curitiba às vésperas da votação sobre o impeachment.
Embora nada tenham a ver com o tema em votação na Câmara, tumultuam o ambiente e mostra que 
se joga, à medida em que se vai percebendo não ter número para o golpe parlamentar, cada vez mais 
fichas no golpismo parte 2, a ser comandado, em lugar e Eduardo Cunha, por Gilmar Mendes, no 
TSE.
(O que, aliás, nos deixa mais próximo do cenário monstruoso visto por Janio de Freitas, no post 
anterior, e pelo genial Aroeira, na imagem deste)
Vejam esta breve passagem:
“Não está claro se o valor endereçado a Dilma foi doado ao comitê ou ao Diretório Nacional do 
PT.”
Como assim “não está claro”? Ambas as contas são públicas e, se foram feitas com ao menos 
aparência de legalidade, o doador teve recibo emitido a seu favor, obrigatoriamente. Nem isso faz 
parte da delação.
O segundo trecho, mais curioso, é o que relata que Aécio Neves recebeu, da mesma empresa, 
doações maiores:
“A campanha de 2014 de Aécio Neves (PSDB), que perdeu para Dilma no segundo turno, auferiu 
R$ 200 mil a mais do que a de Dilma. Os delatores não citaram o tucano em seus depoimentos.”
Então, o interesse político-empresarial – não julguemos as empreiteiras capazes de amores 
ideológicos, não é? – espontâneo é maior que o valor que, segundo os honestíssimos senhores, foi 
obtido com pressões e achaques?
As delações de Curitiba são feitas sob medida e ministradas aos público em horas escolhidas. Envia-
se, hipocritamente, ao STF e vaza-se o que convém, na hora em que convém.
E nelas, obtêm-se, a esta altura, aquilo que se quiser. E é uma coisa só o que se quer: a derrubada do 
poder eleito.
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