segunda-feira, 4 de abril de 2016

ENTENDA O #PANAMALEAKSE ...E O QUE VAI TE CONTAR


Barbosa, o apartamento em Miami e Ademir Auada. Acusado de picar provas pela Polícia 
Federal, ele foi solto sem despertar a curiosidade dos jornalistas…

por Luiz Carlos Azenha

Messi, Macri, Mubarak, Eduardo Cunha, Joaquim Barbosa. Os #panamaleaks estão bombando. A 
empresa Mossack & Fonseca avisou seus clientes, ontem, que tinha sido vítima de uma invasão em 
seu banco de dados.
Na verdade, há mais de um ano o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ICIJ, numa 
parceria que envolve 100 empresas jornalísticas de todo o mundo, está debruçado sobre os registros 
de mais de 214 mil empresas offshore criadas pela Mossack. Algumas podem ter servido a 
propósitos legais. Mas, na maioria das vezes, trata-se de esconder dinheiro sujo, sonegar imposto ou 
esconder patrimônio.
preço do apartamento que comprou em Miami, na Flórida: U$ 335 mil dólares em dinheiro. Os 
brasileiros poderiam ter descoberto este valor se Barbosa tivesse pago os impostos locais, já que eles 
são relativos ao valor total da transação. Mas, os U$ 2 mil nunca foram pagos!
Foi a Mossack quem criou a empresa de Joaquim Barbosa, Assas JB1, registrada nas ilhas Virgens 
Britânicas.
Ouvido pelo Miami Herald, Barbosa culpou a intermediária que cuidou da transação por não pagar 
os impostos locais e disse que qualquer pessoa com acesso a um serviço privado, exclusivo de 
corretores de imóveis, poderia ter descoberto quanto ele pagou pelo apartamento em 2012. Isso, de 
um campeão da moralidade pública que, no julgamento do mensalão, cobrou transparência alheia! 
Cabe, neste caso, utilizar a teoria do “domínio do fato”?
Barbosa pode não ter cometido um crime, mas o certo é que foi levado no bico. Pagou mais de R$ 1 
milhão, em dinheiro de hoje, por um apartamento de 73 metros quadrados! Só novo rico para cair 
neste conto de Miami…
O QUE O #panamaleaks NÃO VAI TE CONTAR AGORA
27 de janeiro de 2016. Vigésima segunda fase da Operação Lava Jato. Título: Triplo X. Alvo? O ex-
presidente Lula. Suspeitava-se que ele era dono de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá. Uma 
empresa, de nome Murray, tinha em seu nome ao menos uma unidade. A Murray foi criada pela 
Mossack & Fonseca, a mesma que ajudou o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa.
Quem sabe se a Murray não era de Lula ou de um parente dele?
Busca e apreensão na sede da Mossack na avenida Paulista, em São Paulo. Prisão de funcionários da 
empresa. Inclusive de um que havia sido gravado ao telefone com a filha falando em destruição de 
provas. A Globonews vibra! O Lula vai cair! Relembremos parte do diálogo (no link tem a gravação):



Nossa, um homem que admite ter picado a mala inteira de papel? Que história saborosa! O que será 
que havia nesta mala? Qualquer jornalista daria tudo para saber o final desta história.
5 de fevereiro de 2016. Ademir Auada é solto. O G1, da Globo, não teve a curiosidade de perguntar: 
que tipo de papel ele cortou? o que tinha naquela mala?
Nem a PF, nem o MPF acharam necessário mantê-lo na cadeia. Auada, que estava no Panamá 
quando teve a prisão decretada, entregou a lista de seus clientes — que milagrosamente não vazou!
Esta é uma das coisas que o #panamaleaks não vai te contar agora.
Auada era um intermediário entre a Mossack e clientes brasileiros.
Ele cuidava de ao menos 10 empresas que estão nos arquivos que a Polícia Federal apreendeu na 
sede da empresa panamenha em São Paulo.
Estes #panamaleaks, incrivelmente, não interessaram aos jornalistas brasileiros, embora os 
documentos tenham se tornado públicos.
Por que? São empresários, médicos, escritórios de advogados e bancos. Provavelmente, muitos dos 
responsáveis frequentam as manifestações contra a corrupção no Brasil. O Viomundo vai investigar 
a papelada através de um crowdfunding.
Papel importante neste imbróglio ocupa Ricardo Honório Neto, funcionário da Mossack no Brasil, 
para o qual a mídia também não deu a menor bola. Sobre a mesa dele a Polícia Federal encontrou 
manuscritos que equivalem ao controle de uma conta bancária. Entram as taxas de manutenção 
cobradas pela Mossack, saem pagamentos de despesas da firma.
Ricardo lidava com os clientes no dia-a-dia. São deles as anotações referentes a Paula Azevedo 
Marinho e Paula Marinho, ao lado de valores e datas de pagamento e das offshore A Plus Holdings 
(Panamá), Juste (ilhas Seychelles) e Vaincre LLC (Las Vegas, Nevada).
Nos documentos, elas aparecem relacionadas à Glem Participações, do genro de um dos donos do 
grupo Globo, João Roberto Marinho. Mas… suspense… só os arquivos da Mossack poderão revelar 
com absoluta certeza quem são os donos reais das três offshore.



Honório, de azul, deixa a cadeia; o banco Safra, de Luxemburgo, pediu a criação de quase mil 
empresas offshore para seus clientes!
Neste caso, a falta de curiosidade de parte da mídia brasileira chama a atenção.
O Jornal Nacional foi a Nevada, à sede da Mossack em Las Vegas, mas nem perguntou sobre a 
Vaincre LLC, que está registrada lá e é uma das donas da mansão de Paraty.
Esperemos, pois, até o mês de maio. Ou que o Fernando Rodrigues, desta vez, nos surpreenda 
positivamente.

PS do Viomundo: Vale a pena esperar. Denunciado recentemente por pagar propina de R$ 15 milhões para deixar de recolher R$ 1,5 bilhão em impostos, na Operação Zelotes, Joseph Safra é um dos controladores do banco que é vice-campeão em empresas offshore encomendadas à Mossack&Fonseca: quase mil! Essa lista de clientes do Safra queremos muito ver…
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